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  • A edificação de discípulos que tenham a qualidade da perseverança
    A Sentinela — 1970 | 1.° de outubro
    • A edificação de discípulos que tenham a qualidade da perseverança

      “Exultemos enquanto em tribulações, visto que sabemos que tribulação produz perseverança; perseverança, por sua vez, uma condição aprovada; a condição aprovada, por sua vez, esperança, e a esperança não conduza desapontamento.” — Rom. 5:3-5.

      1. Por que interessam aos cristãos as gigantescas árvores sequóias da Califórnia?

      UMA das maravilhas mais famosas do mundo moderno é a durabilidade das gigantescas árvores sequóias da Califórnia. A base dos seus anéis anuais, calcula-se que algumas destas árvores, as quais são praticamente imunes a doenças e dotadas de vida quase que infindável, tenham milhares de anos de idade. A árvore mais antiga já cortada para a produção de madeira foi registrada com tendo vivido 3.148 anos. Isto é deveras um recorde de durabilidade! Estas árvores sequóias foram criadas por Jeová, o Mesmo que pode dotar o homem da qualidade de perseverança, para o seu proveito eterno.

      2. Por que se precisam atualmente com urgência as qualidades necessárias para a sobrevivência, e qual é uma delas?

      2 Uma vez que a humanidade está entrando no período mais decisivo da história, precisa urgentemente de qualidades que contribuam para a sobrevivência. Já avançamos uns cinqüenta e cinco anos no “tempo do fim” deste sistema de coisas, biblicamente predito, e o mundo se encontra no próprio limiar duma “grande tribulação”, que culminará no Armagedom, “a guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”. (Rev. 16:14, 16; 19:11-21) A perseverança será necessária para se sobreviver a este sistema de coisas e à guerra do Armagedom.

      3. Que mais precisa considerar o cristão, e por quê?

      3 Outro fator que os cristãos devem considerar é a sua comissão. O ressuscitado Jesus Cristo ordenou que ‘fossem, portanto, e fizessem discípulos de pessoas de todas as nações, . . . ensinando-as a observar todas as coisas que ele lhes ordenou’. (Mat. 28:19, 20) Isto significa que os cristãos precisam instruir o discípulo cabalmente. Precisa-se dizer-lhe o que deve esperar quando se torna testemunha do Deus verdadeiro, Jeová; que o caminho para a salvação é estreito, apertado e difícil, e que, quanto mais nos aproximamos da “grande tribulação”, podemos esperar maior oposição e perseguição da parte de Satanás e de sua organização iníqua. (Mat. 24:21, 22) Não será fácil perseverar em face de crescente oposição. Mas homem prevenido vale por dois. As Escrituras Sagradas advertem: “Não tenhas medo das coisas que estás para sofrer. Eis que o Diabo estará lançando alguns de vós na prisão, para que sejais plenamente provados . . . Mostra-te fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida.” (Rev. 2:10) A coroa da vida é para aquele que persevera fielmente.

      4. Que outro incentivo motiva o cristão a adquirir a qualidade da perseverança, e com que fim em vista?

      4 O servo de Deus encara também este assunto de se adquirir a qualidade da perseverança de outro ângulo. É o desejo do cristão de ser semelhante a Cristo, quer dizer, ser aprovado por Deus. Jeová disse a Cristo: “Eu te tenho aprovado.” (Luc. 3:22) O discípulo quer ter o mesmo marco de aprovação. O apóstolo Paulo aconselha que “tribulação produz perseverança; perseverança, por sua vez, uma condição aprovada”. (Rom. 5:3, 4) O discípulo Tiago escreveu de modo similar: “Feliz o homem que estiver perseverando em provação, porque, ao ser aprovado, receberá a coroa da vida, que Jeová prometeu aos que continuarem a amá-lo.” (Tia. 1:12) Portanto, a perseverança é evidência do amor que o discípulo tem a Deus, amor que resulta na aprovação de Deus e na vida eterna. — Rom. 5:5.

      REQUER-SE ARTE DE ENSINO

      5. (a) Ao se fazerem discípulos, quais são algumas das coisas que se precisa ter em mente? (b) Que perguntas podemos fazer a nós mesmos, e por quê?

      5 Para edificarmos os estudantes da Bíblia ao ponto de se tornarem discípulos dedicados e batizados de Cristo, tendo perseverança, não só precisamos ter os materiais corretos para a edificação, mas precisamos também empregar “toda a . . . arte de ensino”. (2 Tim. 4:2) Visto que os membros da congregação cristã são “colaboradores de Deus”, e os com quem estudam a Bíblia podem tornar-se em breve “campo de Deus em lavoura, edifício de Deus”, é necessário que edifiquem sabiamente e que se preocupem com o tipo de cristãos que produzem, se edificam as pessoas para terem perseverança. Significa que o edificador deve de vez em quando fazer-se algumas perguntas esquadrinhadoras, tais como: Que espécie de discípulos produzo? Estou realmente edificando personalidades cristãs que perseveram? Como progride o meu programa de edificação? Uso a arte de ensino? Alcanço as pessoas com as verdades cristãs! Acreditam e aceitam as coisas ensinadas? Demonstram fé? Consigo tocar o coração deles? Edifico neles, não só apreço da doutrina correta e dos princípios bíblicos, mas profunda devoção a eles? Desenvolvo neles, não só a percepção da importância da integridade, mas um profundo apreço dela? Incuto neles um amor a Deus e aos seus propósitos, e apreço do que significa ser servo de Deus? Cada qualidade cristã precisa ser ensinada dum modo que o discípulo veja a necessidade e a função dela na vida diária. Edifica deste modo? — 1 Cor. 3:9.

      QUALIDADES DIVINAS DA SABEDORIA CELESTIAL

      6. Que qualidades são indispensáveis para o discípulo de Cristo, e como podemos auxiliar o estudante da Bíblia a se aperceber delas? Dê um exemplo.

      6 Há diversas qualidades que o discípulo precisa absorver, e na cabeceira da lista encontram-se as qualidades divinas da sabedoria celestial. Há oito aspectos separados que precisam ser cultivados antes que alguém realmente possa reconhecer o que significa ser discípulo de Cristo. Estão alistados em Tiago 3:17: “A sabedoria de cima é primeiramente casta, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, sem hipocrisia.” Ajude o aprendiz a saber quais são estas qualidades divinas e como o podem identificá-las na sua vida. Por exemplo, pode perguntá-lo se sabe o que a Bíblia quer dizer com a palavra “casto”. A castidade significa ser moral e espiritualmente limpo. Explique estas coisas. Se permanecermos moral e espiritualmente limpos por sabermos que esta é a vontade de Deus quanto a nós, então se pode dizer que somos governados pela sabedoria de Deus, pelo seu espírito santo.

      7. Como pode o estudante adquirir outras qualidades da sabedoria celestial, tais como: (a) a pacificidade (b) a razoabilidade e (c) prontidão para obedecer?

      7 O discípulo Tiago prossegue, dizendo que a qualidade da sabedoria celestial é também pacífica, razoável e pronta para obedecer. Esquadrinhe o estudante da Bíblia com perguntas para ver se compreende o que quer dizer ser “pacífico”. A pessoa pacífica não é belicosa, briguenta, crítica, altercadora, aborrecedora ou tagarela. É pacífica. Ajude o morador a compreender que isto se aplica na família, com relação aos filhos e às filhas, aos maridos e às esposas. Ajude-o a sentir o poder da Palavra de Deus. “Porque a palavra de Deus é viva e exerce poder.” (Heb. 4:12) Por meio de seu método de estudar terá de verificar se a pessoa é razoável ou não, se é moderada nos hábitos, acessível, sensata, não excessivamente exigente, conforme deve ser a pessoa razoável. Está pronta para obedecer aos mandamentos de Deus? Isto se aplica tanto dentro da congregação como fora dela, tanto a crianças como a adultos.

      8. Que outros aspectos da sabedoria celestial devem ser ensinados ao estudante, e como podem ser inculcados?

      8 Além disso, somos informados de que a sabedoria celestial é também “cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, sem hipocrisia”. Demore nestes pontos que tocam no coração. Faça que o estudante no estudo bíblico domiciliar examine a si mesmo para verificar se está cheio de misericórdia e se tem bons frutos a mostrar pelos dias que vive na terra. A parcialidade divide e a hipocrisia é desagradável. Deixe que o poder de Deus examine o coração e o fira, se necessário. Tal esquadrinhamento oferece ao aprendiz a oportunidade de se ver assim como Deus o vê. Tome um ponto por vez, porém. E tome tempo para ver que ele compreenda o que a Bíblia está dizendo. Assim edificaremos nos discípulos um apreço pelas qualidades divinas da sabedoria celestial. — Rom. 2:6, 11.

      EDIFICAÇÃO PARA CRIAR PERSEVERANÇA

      9. (a) Por via de regra, por que é difícil inculcar a espiritualidade? (b) Qual é a chave da perseverança, e como se pode comunicar isto à pessoa interessada?

      9 Implantar em outros o discernimento espiritual, fazê-los compreender e ensiná-los a pensar por si mesmos de modo algum é tarefa simples. Por via de regra, as pessoas hoje não têm mentalidade espiritual. Não discernem as coisas de modo espiritual. Ainda assim, uma das chaves para se criar perseverança é o discernimento espiritual, a compreensão e a faculdade de raciocínio. Nisto também se precisa chegar ao coração do discípulo por meio da ênfase no apreço duradouro que se deve ter destas qualidades e do seu valor para nós individualmente. Isto foi o que Jesus fez. Para estimular e manter o apreço por estas qualidades, Jesus bebia regularmente da Palavra de Deus. Assim pôde compreender totalmente os princípios de Jeová conforme se relacionavam com ele. Pôde também discernir claramente o proceder que devia seguir para o louvor de Jeová e para o bem eterno da humanidade.

      10. (a) Que mais talvez tenhamos de fazer em nossa obra de ensino? Dê um exemplo de como se pode fazer isso. (b) O que se consegue por se instruir desta maneira?

      10 Talvez seja necessário ensinarmos aos com quem estudamos a Bíblia a raciocinar sobre textos bíblicos. Por exemplo, talvez se leia Marcos 12:29: “Ouve, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová.” Pergunte ao estudante: “Quantos Jeová há?” Deixe-o responder. A resposta evidente é que há apenas um só Jeová. Quando ele discerne isto, fez que se registrasse na sua mente um fato importante que de outro modo talvez despercebesse. Ajude-o a reconhecer mais o que isto significa para ele. Raciocine com ele, talvez do seguinte modo: “Se há apenas um só Jeová, então pode ele ser três deuses, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, conforme ensinam os trinitaristas?’ Novamente, deixe que responda. “Não, Jeová não pode ser três deuses, pois a Bíblia diz claramente que ele é um só Deus.” Fez assim que o estudante pensasse numa verdade bíblica básica e compreendesse que Jeová é apenas um só Deus. Expôs também uma doutrina falsa básica — a doutrina da Trindade. Quase com tudo o que ensinamos, é proveitoso para o aprendiz que sigamos este modelo. É assim que podemos determinar se o estudante aprende, se ele discerne a verdade da Palavra de Deus, se compreende o argumento feito e se ele pensa de modo espiritual. Quando ensinamos desta maneira, o estudante com quem estudamos verá que o discernimento espiritual, a compreensão e a faculdade de raciocínio ultrapassam todos os tesouros materiais em valor, porque sua recompensa é a agradabilidade e a vida. — Pro. 2:4, 5, 9-11; 3:16-18.

      A QUALIDADE PROVADA DA FÉ

      11. (a) Por que é essencial a fé? (b) Que mais precisa o estudante reconhecer a respeito da fé? (c) Que qualidade da fé é mais preciosa do que o ouro e a prata?

      11 Ao dirigir seus estudos bíblicos, tenha sempre em mente a qualidade da fé, pois “sem fé é impossível agradar-lhe [a Deus] bem”. (Heb. 11:6) E, também, o cristão ‘vive em razão da fé’. (Rom. 1:17) Mas é preciso mais do que apenas fé. O estudante precisa reconhecer a qualidade provada da fé, que a sua fé precisa ser provada, isto é, refinada, assim como se refinam a prata e o ouro. A fé precisa ficar livre de todas as impurezas, e isto se faz por submetê-la a provas. Tal processo de refinação é bem descrito para nós pelo apóstolo Pedro, que disse: “Atualmente, por um pouco, . . . [fostes] contristados por várias provações, a fim de que a qualidade provada da vossa fé, de muito mais valor do que o ouro perecível, apesar de ter sido provado por fogo, seja achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo.” (1 Ped. 1:6, 7) Portanto, a fé que importa é a fé que é submetida a provações e sobrevive. Esta qualidade provada da fé é mais preciosa do que ouro e prata, e não é simplesmente só fé.

      12. Por que é bom advertir os estudantes de antemão a respeito das provas da fé, e o exemplo de quem temos para seguir neste respeito?

      12 Se o estudante souber de antemão que ele sofrerá provações no proceder que escolheu, então as provas e as provações que lhe sobrevêm por causa de sua fé não serão mais surpresas, mas serão algo esperado e aguardado. Jesus advertiu seus discípulos de antemão; por que não devemos fazer o mesmo? Em Mateus 10:22, 36-38, Jesus mostrou que os cristãos sofreriam provações de muitos lados, que eles seriam ”pessoas odiadas por todos, por causa do [seu] nome”; que sofreriam oposição dos membros de sua família, pois, “deveras, os inimigos do homem serão pessoas de sua própria família”, disse ele. Prepare o estudante para esta realidade inevitável. — João 15:20; 16:33; Mar. 13:9; Rev. 2:10; Luc. 6:22, 23; 2 Cor. 11:21-28.

      MOTIVOS PARA A INTEGRIDADE

      13. (a) O que mais se precisa ensinar além da integridade, e por que é isto importante? (b) A que convicção e determinação precisa ser levado o estudante?

      13 No entanto, não basta dizer ao estudante que o mundo o odiará e que ele sofrerá muito, por ser cristão. Ele precisa saber, compreender e reconhecer o que ele terá de sofrer e por que terá de permanecer firme. Por isso, não se deve ensinar simplesmente a integridade quanto à justiça, mas o motivo da integridade. Não devemos ensinar apenas o que é integridade, mas devemos também edificar o apreço dela. Precisamos ajudar os com quem estudamos a Bíblia a compreender que manter a integridade não é apenas para se dar bom exemplo a outros ou para se gozar de boa reputação perante os outros. O motivo primário da integridade é que o nome de Deus está envolvido no que fazemos e em como agimos. Portanto, é bem apropriado que ajudemos outros a reconhecer o grandioso privilégio de se participar na vindicação do nome de Jeová pela firmeza a favor da justiça, a favor dos princípios piedosos, nunca se entregando ao temor dos homens. (Mat. 10:28; Atos 2:31, 32) Igual ao antigo patriarca Jó, precisa preferir sofrer a morte do que transigir quanto à sua integridade para com Deus. Jó disse: “Até eu expirar não removerei de mim a minha integridade’” (Jó 27:5) É a este ponto de resolução que se precisa levar o estudante. — Tia. 5:11.

      DEVOÇÃO AOS PRINCÍPIOS BÍBLICOS

      14. Dê um exemplo do motivo por que se precisa ensinar a devoção aos princípios bíblicos.

      14 Embora seja importante que os estudantes da Bíblia conheçam os princípios contidos nela, não basta isso em si mesmo. Precisamos, além disso, ensinar devoção aos princípios bíblicos. É a devoção aos princípios bíblicos que impede que se siga o proceder da conveniência. Isto é bem ilustrado no caso de José, filho de Jacó. Quando foi tentado pela esposa de Potifar, a ter relações imorais com ela, José não cedeu à tentação, nem abandonou os princípios corretos. Antes, respondeu: “És sua esposa. Portanto, como poderia eu cometer esta grande maldade e realmente pecar contra Deus?” (Gên. 39:9) Ele sabia que ter relações com a esposa de outro homem era errado. Era ‘pecar contra Deus’! É tal apreço moral que se precisa inculcar nos estudantes das Escrituras. A aderência fiel de José aos princípios piedosos no início resultou em sofrimento injusto, mas as bênçãos recebidas de Jeová foram muito mais grandiosas, por causa de sua profunda devoção ao que era direito.

      RESPEITO POR LEIS E REQUISITOS

      15. Como mostra o salmista a atitude correta que precisa ser cultivada

      15 Não podemos esperar estar em harmonia com a vontade e o propósito de Jeová se não estivermos em harmonia com as suas leis e os seus requisitos para a vida. Contudo, não se devem ensinar apenas leis e requisitos, mas um profundo respeito por eles. Este apreço precisa motivar o cristão no caminho da justiça. O respeito devido é refletido pelo salmista que disse: “Ensina-me a própria bondade, a sensatez e o conhecimento, pois tive fé nos teus mandamentos. Quanto eu amo a tua lei! O dia inteiro ela é a minha preocupação.” (Sal. 119:66, 97) Se havemos de andar em retidão, temos de fazer das leis de Deus a nossa preocupação. Precisamos respeitar o que elas significam para nós. Esta qualidade de apreço precisa ser inculcada, se o estudante há de perseverar.

      CONVENCIDO DE QUE A BÍBLIA É A PALAVRA DE DEUS

      16. A que profundidade de apreço da Bíblia precisa ser levado o estudante, e como foi isto expresso pelos tessalonicenses?

      16 Precisa-se ensinar fé e confiança na Palavra escrita de Deus. O estudante precisa aprender a usar a Palavra de Deus como guia seguro na sua vida. Precisa ser levado à conclusão a que o salmista chegou, dizendo: “Lâmpada para o meu pé é a tua palavra e luz para a minha senda.” “A substância da tua palavra é a verdade.” (Sal. 119:105, 160) É possível chegar a ter tal convicção? Sim. O apóstolo Paulo, escrevendo a respeito dos tessalonicenses, disse que eles eram fonte de louvor a Deus, porque, quando ouviram a palavra de Deus pregada por Paulo, eles a ‘aceitaram, não como a palavra de homens, mas, pelo que verazmente é, como a palavra de Deus’. (1 Tes. 2:13) O estudante precisa ser levado a tal convicção nos seus estudos da Bíblia, se há de perseverar.

      LEALDADE À ORGANIZAÇÃO VISÍVEL DE DEUS

      17. Que lugar deve a lealdade à organização de Jeová ocupar na vida do estudante, e como é isto manifestado pelo apóstolo Pedro?

      17 O estudante precisa também chegar a reconhecer a organização teocrática do povo de Jeová. A lealdade à organização teocrática impedirá que o estudante tropece sobre uma explicação da Palavra de Deus, que talvez seja difícil de compreender. No primeiro século, muitos perderam o grandioso privilégio de fazer parte da congregação de Deus, porque desistiram quando Jesus trouxe à sua atenção uma verdade doutrinal difícil. Mas como responderam os apóstolos bem treinados quando Jesus lhes perguntou: “Será que vós também quereis ir?” O apóstolo Pedro respondeu: “Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens declarações de vida eterna.” (João 6:67, 68) Verdadeira lealdade, tal como a que Pedro teve, é o que desejamos edificar nos com quem estudamos a Palavra de Deus, para que se mantenham achegados à organização de Deus em todas as ocasiões, com bênçãos para si mesmos.

      AME TERNAMENTE OS IRMÃOS

      18. Que amor precisa o discípulo cultivar no coração para com os irmãos, e como foi isto exemplificado na vida de Jesus?

      18 Em 1 Coríntios, capítulo 13, o apóstolo Paulo salienta que o cristão, sem amor, não é nada, apesar do registro de obras que talvez tenha. “O amor”, diz ele, “nunca falha”. (1 Cor. 13:8) No entanto, o estudante precisa aprender mais do que a amar os irmãos. Precisa aprender a amá-los cordial e ternamente. Paulo escreveu: “Em amor fraternal, tende terna afeição uns para com os outros.” (Rom. 12:10) O apóstolo Pedro escreveu: “Amai-vos uns aos outros intensamente de coração.” (1 Ped. 1:22) Esta qualidade do intenso amor uns para com os outros será fonte de verdadeira alegria para o estudante, habilitando-o a suportar muitas provações. Fará que se achegue bem à organização de Jeová, porque o amor “é o perfeito vínculo de união”. (Col. 3:12-14) Jesus nos deu o perfeito exemplo de amar terna e intensamente do coração. Sigamo-lo. (João 10:11-15; 1 João 3:18) O estudante precisa cultivar tal amor, se há de perseverar para a salvação.

      DEFENDA E PREGUE O REINO DE DEUS

      19. Que fatores importantes sobre o reino de Deus precisa o estudante aprender, e como lhe será isso de ajuda?

      19 É necessário ajudar o estudante a reconhecer que já somos súditos do reino estabelecido de Deus, e que por isso precisamos ter um apego inquebrantável a ele e uma disposição destemida de dar testemunho dele. (Mat. 24:14) Somos embaixadores e enviados do reino de Deus e assim não fazemos parte dos governos políticos deste sistema de coisas. (2 Cor. 5:20) Promovemos exclusivamente os interesses do governo estabelecido do Reino nos céus. Precisamos continuar a ser proclamadores destemidos do estabelecimento do Reino. Nisto imitamos o exemplo corajoso de Jesus e de seus apóstolos. (João 18:36; Atos 4:20) Por isso não há margem para lealdade dividida. Este apreço pelo Reino que se incute no estudante fará que se mantenha firme como publicador do Reino. Não se acovardará nem se esquivará de sua responsabilidade de proclamar estas boas novas do Reino, que ele representa.

      20. (a) Em resumo, segundo Paulo, que fatores é bom ter em mente? (b) Como podemos edificar sabiamente, e, assim, para que fim?

      20 Portanto, na nossa obra de fazermos discípulos é bom termos em mente as palavras do apóstolo Paulo, que disse: “Somos colaboradores de Deus. Vós sois campo de Deus em lavoura, edifício de Deus. Segundo a benignidade imerecida de Deus, que me foi dada, eu, como diretor sábio de obras, lancei um alicerce, mas outro construiu sobre ele. Cada um, porém, persista em vigiar quanto a como constrói sobre ele. Pois nenhum homem pode lançar outro alicerce senão aquele que foi lançado, que é Jesus Cristo. Ora, se alguém construir sobre o alicerce ouro, prata, pedras preciosas [estas qualidades boas que resistem ao fogo], materiais de madeira, feno, restolho, a obra de cada um se tornará manifesta, pois o dia a porá à mostra, porque será revelada por meio de fogo; e o próprio fogo mostrará que sorte de obra é a de cada um.” (1 Cor. 3:9-13) Portanto, edifique sabiamente. Faça que os estudantes da Bíblia compreendam e reconheçam as qualidades piedosas da sabedoria celestial. Ajude-os a ter apreço duradouro do discernimento espiritual, da compreensão e da faculdade de raciocínio. Ajude-os a prezar a qualidade provada da sua fé, o motivo da integridade, devoção aos princípios bíblicos e profundo respeito pelas leis e pelos mandamentos de Deus. Cuide de que reconheçam a Bíblia como sendo a Palavra de Deus, a necessidade de se manter achegados organização de Jeová e a necessidade de cultivarem um amor intenso pelos irmãos. Leve-os ao reconhecimento do Reino como única esperança da humanidade e desenvolva neles um apego inquebrantável a ele e uma disposição de dar testemunho dele. Se fizer isso, há todo motivo para se crer que sua obra persista, para o louvor e a glória de Deus, pois esta é a Sua promessa.

  • Na edificação de discípulos, motive o coração
    A Sentinela — 1970 | 1.° de outubro
    • Na edificação de discípulos, motive o coração

      “É da abundância do coração que a boca fala.” — Mat. 12:34.

      1. O que está incluído na comissão do cristão, e o que se precisa tocar para se cumprir com a comissão?

      A COMISSÃO do cristão não é apenas a de ensinar doutrinas, mas também cultivar amor, apreço, humildade, fé, de fato, todos os frutos do espírito de Deus, mencionados em Gálatas 5:22, 23. A obra do cristão é ajudar outros a ‘por de lado a velha personalidade que se conforma ao seu proceder anterior e que está sendo corrompida segundo os seus desejos enganosos; mas que devem ser feitos novos na força que ativa a sua mente, e que se devem revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade’. (Efé. 4:20-24) Para conseguir isso, é preciso mais do que conhecimento intelectual. É preciso tocar no coração do estudante da Bíblia e motivá-lo nos caminhos da justiça.

      2. O que, de fato, é o coração, e por que é necessário que o examinemos?

      2 O coração, de fato, é depósito de muitas coisas. O homem pode por no depósito de seu coração coisas boas e coisas más. Durante o estudo da Palavra de Deus, a Bíblia, ele pode retirar coisas do depósito inesgotável de Jeová e transferi-las para o seu próprio. Trata-se de coisas boas, pois ‘Deus é bom’. (Mar. 10:18) Em outras ocasiões, tais como quando se observam o crime e a corrução do mundo por intermédio da televisão, do cinema, do teatro, dos jornais, das revistas, e assim por diante, a mente pode com muita facilidade armazenar pensamentos e idéias más. Alguns talvez objetem que isto não se dá, mas a Bíblia acautela que “todo caminho do homem é reto aos seus próprios olhos, mas Jeová faz a avaliação dos corações”. (Pro. 21:2) Jeová não se deixará enganar quando inspecionar o depósito de nosso coração para ver o que armazenamos nele. O que se pode armazenar nele?

      3. (a) O que revelou Jesus Cristo sobre o coração? (b) Como se pode endireitar o coração iníquo?

      3 Jesus Cristo revelou que o coração pode armazenar muitas coisas iníquas. Depois de expor os escritas religiosos e os fariseus como adoradores infrutíferos, que adoravam em vão por causa das suas tradições, Jesus apresentou a seguinte ilustração, a respeito da qual a narrativa bíblica diz: “Com isso chamou mais perto a multidão, e disse-lhes: ‘Escutai e compreendei o sentido disso: Não o que entra pela boca é o que avilta o homem; mas o que sai da boca é o que avilta o homem.’ Os discípulos aproximaram-se, então, e lhe disseram: ‘Sabes que os fariseus tropeçaram por ouvirem o que disseste? Em resposta, ele disse: ‘Toda planta que meu Pai celestial não tiver plantado, será desarraigada. Deixai-os. Guias cegos é o que eles são. Se, pois, um cego guiar outro cego, ambos cairão numa cova.’ Respondendo, disse-lhe Pedro: ‘Esclarece-nos a ilustração.’ A isso ele disse: ‘Estais vós também ainda sem entendimento? Não percebeis que tudo o que entra pela boca passa para os intestinos e é eliminado para o esgoto, No entanto, as coisas procedentes da boca saem do coração, e estas coisas aviltam o homem. Por exemplo, do coração vêm raciocínios iníquos, assassínios, adultérios, fornicações, ladroagens, falsos testemunhos, blasfêmias. Estas são as coisas que aviltam o homem; mas tomar uma refeição sem lavar as mãos não é o que avilta o homem.”‘ (Mat. 15:9-20) E o único modo de se esvaziar o conteúdo iníquo do coração é o poder da Palavra de Deus ter efeito direto sobre ele e substituir as coisas iníquas, sem valor, com os frutos do espírito de Deus, que são capazes de sustentar a pessoa para a vida eterna.

      A MENTE, CAMINHO PARA SE CHEGAR AO CORAÇÃO

      4. Qual é uma das linhas de comunicação com o coração, e o que disse o apóstolo Paulo sobre isso?

      4 Como se pode chegar ao coração com as qualidades cristãs, para que possa ser endireitado? Quando Jesus disse que do coração vêm raciocínios iníquos”, ele demonstrou que a mente era a linha mais direta de comunicação com o coração, e que a boca era o “porta-voz” do coração. É na mente que se chega às conclusões. Também é na mente que se concebe e planeja o mal antes de executá-lo na realidade. Portanto, é preciso atingir a faculdade de raciocínio do homem, a mente do homem, antes de se poder limpar, transformar e proteger o coração. Não era esta a idéia do apóstolo, quando disse: “Cessai de ser modelados segundo este sistema de coisas, mas sede transformados por reformardes a vossa mente, a fim de provardes a vós mesmos a boa, e aceitável, e perfeita vontade de Deus”? (Rom. 12:2) A mente precisa ser revigorada com idéias inspiradas por Deus.

      5. (a) Qual é a maneira principal de se comunicar com a mente? (b) Por que é sábio encher o coração abundantemente com coisas boas?

      5 A maneira principal de se comunicar com a mente é por meio dos sentidos. O que vemos, ouvimos, tocamos, provamos e cheiramos decididamente influencia a mente. Isto significa que precisamos ver a Palavra de Deus por meio do estudo de suas páginas e ouvi-la por assistirmos às reuniões em que se considera esta Palavra. Quanto mais fizermos isto e agirmos segundo o conhecimento obtido, tanto maior será o nosso proveito. Usamos todos os nossos sentidos quando praticamos o que aprendemos da Palavra de Deus. Assim se chegará ao coração e a boca responderá, “pois é da abundância do coração que a boca fala”. (Mat. 12:34) É o coração cheio da abundância da Palavra inspirada que fala e é motivado a fazer o bem. É dentro do coração que se encontra a força para a integridade, a devoção aos princípios piedosos, amor à justiça, alegria, amor, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio. Por isso é preciso concentrar-se no coração, se desejarmos edificar discípulos com qualidades semelhantes às de Cristo. — Fil. 4:6-9.

      CORAÇÕES MOTIVADOS PELO EXEMPLO

      6. Que outra linha de comunicação há com o coração, e como fala disso Paulo?

      6 Mas antes de podermos edificar nos outros, precisamos primeiro edificar em nós mesmos. Cristo Jesus, o Instrutor-Mestre, deixou-nos um exemplo perfeito a seguir. (1 Ped. 2:21, 23) Segue-se logicamente, que aqueles em quem nos esforçamos a implantar qualidades cristãs devem poder ver estas mesmas qualidades em nós. O apóstolo Paulo recomendou a Tito: “Persiste . . . em exortar os homens mais jovens a serem ajuizados, mostrando-te em todas as coisas exemplo de obras excelentes.” (Tito 2:6, 7) Poucas coisas influenciam a mente tanto quanto um bom exemplo, mas nosso exemplo deve ser digno de imitação. Paulo não tinha medo de dizer: “As coisas que aprendestes bem como aceitastes, e ouvistes, e vistes, em conexão comigo, estas praticai; e o Deus de paz estará convosco.” (Fil. 4:9) Ou como ele disse aos Coríntios: “Tornai-vos meus imitadores, assim como eu sou de Cristo.” (1 Cor. 11:1) Se havemos de alcançar e influenciar o coração de outros, nosso exemplo deve ser digno. É mesmo?

      7. Por que tem o exemplo uma influência vital sobre o coração?

      7 Precisa haver harmonia entre o que ensinamos e o que praticamos, se havemos de motivar corações. Paulo escreve: “Tu . . . que ensinas outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas: ‘Não furtes’, furtas? Tu, que dizes: ‘Não cometas adultério’, cometes adultério? Tu, que expressas a tua abominação dos ídolos, roubas templos.” (Rom. 2:21-24) Poderíamos levar este raciocínio mais longe por dizer: Tu, que dizes: ‘Deve estudar a Bíblia regularmente’, não estudas a Bíblia regularmente? Tu, que dizes: ‘Não deve tornar-se materialista’, vives num ambiente materialmente luxuoso e te regalas com o luxo do mundo material? A lição dada aqui é de coerência entre o que se ensina, se pratica e se observa. É preciso dar exemplo. Quando este é dado, alcançar-se-á o coração com as necessárias qualidades piedosas.

      A DISCIPLINA CORRIGE O CORAÇÃO

      8. (a) Para se endireitar o coração, que papel desempenha a disciplina? (b) Como se pode disciplinar o coração?

      8 Há ainda outro aspecto envolvido em se comunicar com o coração e motivá-lo. Jeová, quem fez o coração, disse: “O coração é mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado. Quem o pode conhecer? Eu? Jeová, esquadrinho o coração, examino os rins, sim, para dar a cada um segundo os seus caminhos, segundo os frutos das suas ações.” (Jer. 17:9, 10) Visto que o coração se comporta assim, o instrutor precisa ficar atento aos pontos fracos ou às tendências não-cristãs, e revelá-las com tato ao estudante, para que possam ser corrigidas por meio da disciplina. É o estudante da Bíblia altivo e orgulhoso? É excessivamente crítico e incompreensivo? Qual é realmente a condição de seu coração? O instrutor continua também a examinar o seu próprio coração, do mesmo modo, para descobrir, se possível, qualquer maldade que se queira arraigar. Ao passo que o estudo da Bíblia progride, observe estas fraquezas e se esforce em corrigi-las. Não seja condescendente com as fraquezas na sua própria pessoa ou no estudante. Isto não ajudará. Há a tendência de se dizer: “Todos nós somos imperfeitos. Todos cometemos erros.” Isto é verdade, mas os erros podem ser eliminados se nos esforçarmos em corrigi-los. Talvez seja também necessário pedir a ajuda de outros para vencermos nosso problema. Mas as fraquezas espirituais podem ser vencidas. Senão, Deus não nos exortaria a que transformássemos nossa personalidade para se harmonizar com a imagem de seu Filho Jesus Cristo. Não nos engane a qualidade traiçoeira do coração a pensar que não precisamos de correção ou que não podemos melhorar. A disciplina do estudante da Bíblia no coração se faz por se lhe comunicar justiça e por se insistir que seja motivado pelo que é direito.

      9. Que exemplos temos para mostrar que é correto avisar outros das suas fraquezas, e qual tem sido o resultado de tal conselho?

      9 Portanto, fique atento aos pontos fracos na fé do estudante. Deus advertiu Caim e o admoestou sobre o que devia fazer. “Se te voltares para fazer o bem, não haverá enaltecimento? Mas, se não te voltares para fazer o bem, há o pecado agachado à entrada e tem desejo ardente de ti. E conseguirás tu dominá-lo,” (Gên. 4:7) Jesus Cristo discerniu qual era a fraqueza do jovem governante rico e disse que devia ‘ir vender seus bens e dá-los aos pobres, e assim teria um tesouro no céu’. (Mat. 19:21) Mas nem Caim, nem o jovem rico, acatou o bom conselho. Todavia, houve inúmeros outros que acataram o bom conselho para se tornarem servos de Deus.

      COMO PROTEGER O CORAÇÃO

      10, 11. (a) Como protegemos o coração? (b) Que papel desempenha a atitude da pessoa na proteção do coração?

      10 O coração é transformado por meio dum esforço planejado e decidido de corrigir os erros, em harmonia com a Palavra de Deus. Do mesmo modo é também protegido. Precisa haver um estudo regular da Palavra de Deus. Este manterá a verdade fluindo para a mente e o coração. É também preciso orar, para nos achegarmos a Deus. Ele, por sua vez, se achegará a nós. Além disso, precisamos aprender a meditar sobre a Palavra de Deus, suas declarações e promessas, o que manterá os pensamentos certos na nossa mente. Depois há o ministério ativo, em que podemos dar vazão às nossas emoções e à nossa alegria. Esforce-se seriamente a desenvolver os frutos do espírito por praticar os princípios cristãos.

      11 Queremos também vigiar nossa atitude pessoal para com outras pessoas, lugares e coisas. Seja edificante na presença de outros, mantendo um ponto de vista positivo. Isto nos ajudará a observar o que há de bom em nossos irmãos, e não simplesmente as suas fraquezas. Deste modo expressaremos o amor que edifica, o amor que sempre fala bem da Palavra de Deus, da sua organização e dos irmãos em geral. Recomendaremos o ministério, as reuniões do povo de Deus e a alegria que dá ser seus servos nestes “últimos dias”.

      EXEMPLOS DE PERSEVERANÇA

      12. O que dizem a Bíblia e a história sobre o sofrimento e a perseverança dos cristãos, e o que consideramos os que perseveraram?

      12 A história registra que pessoas cristãs foram encarceradas em masmorras, queimadas na estaca, decapitadas perante seus filhos e lançadas em precipícios; queimaram-se seus lares e aldeias; suas mulheres foram despidas e ignominiosamente violentadas; suas crianças inocentes foram massacradas. O apóstolo Paulo declarou: “Recomendamo-nos de todo modo como ministros de Deus, na perseverança em muito, em tribulações, em necessidades, em dificuldades, em espancamentos, em prisões, em desordens, em labores, em noites sem dormir, em tempos sem comida.” (2 Cor. 6:4, 5) Na mesma carta, Paulo fala de seus próprios sofrimentos e de como o espírito de Deus está à altura de qualquer situação. (2 Cor. 11:23-28) E embora possa parecer incrível a alguns, mas ainda se suportam tais provações e sofrimentos neste século vinte. E o espírito de Deus ainda está à altura de qualquer provação imposta. Portanto: “Eis que proclamamos felizes os que perseveraram”, porque eles têm a promessa da vida eterna da parte de Deus garantida a eles. — Tia. 5:11; Rev. 6:10.

      PERSEGUIÇÃO POR CAUSA DA NEUTRALIDADE

      13. (a) Por que têm os servos de Deus sofrido por causa de sua neutralidade? (b) E qual tem sido o resultado?

      13 Os cristãos não tomam partido nas questões políticas deste mundo, porque não fazem parte deste mundo. (João 17:16; Tia. 1:27; 4:4) Uma vez que a sua comissão ministerial de pregar o reino de Deus se origina de Deus, não podem assim parar de servir a Deus às exigências de autoridades mundanas inferiores. (2 Cor. 3:5; Atos 4:18-20; 5:27-29) O próprio Jesus Cristo declinou aceitar um cargo político, quando estava na terra. Os seguidores de suas pisadas também evitam todo o envolvimento político. O livro On the Road to Civilization, A World History (Na Estrada Para a Civilização, Uma História do Mundo) disse: “Os cristãos recusavam-se a participar em certos deveres dos cidadãos romanos. . . . Não queriam ocupar cargos políticos.” Também o livro World History, The Story of Man’s Achievements (História do Mundo, A História das Consecuções do Homem) diz: “Os cristãos zelosos não serviam nas forças armadas nem aceitavam cargos políticos.” Esta sua posição neutra muitas vezes trouxe sobre eles o furor do Império Romano. Mas a qualidade estrutural de seu cristianismo estava à altura de toda a fúria lançada contra eles. E podemos hoje considerar felizes os que perseveraram.

      14. Quem, no cenário moderno, tem sofrido por causa de sua neutralidade, e como se saíram nisso?

      14 No cenário moderno, a revista Adult Student disse num artigo sobre “A Primitiva Igreja”, que as “testemunhas de Jeová se parecem muito mais aos primitivos cristãos do que os membros das denominações mais regulares”. Elas também têm sofrido muito por causa de sua neutralidade. Os nazistas, considerados mestres no quebrantamento da vontade humana, tentaram desesperadamente fazer as testemunhas de Jeová violar a sua neutralidade cristã, mas fracassaram miseravelmente. Não conseguiram quebrantar a integridade das testemunhas fiéis de Jeová. Um dos livros mais vendidos, The Theory and Practice of Hell (A Teoria e a Prática do Inferno) disse o seguinte: “Quando irrompeu a guerra, as Testemunhas no campo de concentração de Sachsenhausen foram convidadas a se oferecer voluntariamente para o serviço militar. A cada recusa se seguiu o fuzilamento de dez homens das suas fileiras. Depois de terem sido mortas quarenta vítimas, a SS desistiu. . .. Não se pode deixar de ter a impressão de que, falando-se psicologicamente, a SS nunca estava bem à altura do desafio que as testemunhas de Jeová representavam para eles.” As inquisições totalitárias podem prender e hostilizar o povo de Jeová, se Ele o permitir para dar um testemunho; mas nada pode prender o espírito de Jeová, que os torna vencedores. As testemunhas de Jeová provaram que tinham as qualidades cristãs no coração para suportar provações para a salvação.

      15. Por que foram as testemunhas cristãs de Jeová barbaramente maltratadas em Malaui, e que qualidade da fé manifestaram ter?

      15 Tão recentemente como em outubro de 1967, a recusa de ingressar em determinado partido político e não se levar um cartão de identidade dum partido, identificando a pessoa com o partido, resultou numa onda bárbara de tortura lançada contra as testemunhas de Jeová no país centro-Africano de Malaui. Um número desconhecido de mulheres das testemunhas de Jeová foi violentado. Quarenta delas estavam grávidas. Devido ao modo em que se abusou delas, cada uma delas sofreu aborto involuntário. Visto que se negavam a comprar um cartão político, foram espancadas severamente, atacadas sexualmente, e se destruiu a sua propriedade. Não obstante, o Presidente Banda de Malaui não conseguiu quebrantar a integridade delas e fazê-las renunciar ao seu Deus Jeová. Estas Testemunhas foram motivadas pelo coração. Edificaram-se nelas as verdadeiras qualidades cristãs.

      16. (a) Que outras provações sofreram as testemunhas de Jeová em Malaui? (b) Que perguntas devemos fazer a nos mesmos, e por quê?

      16 Quando uma testemunha cristã de Jeová, na aldeia de Ntifinyie, foi espancada por negar-se a comprar um cartão político, os jovens de Banda tomaram uma faca e fizeram cortes em torno dos seus braços e também de suas pernas, e fizeram muitos cortes na sua cabeça. A outras Testemunhas se furaram os pés com pregos de quinze centímetros, atravessaram-se-lhes as pernas com raios de roda de bicicleta e então se mandou que estes cristãos corressem. Ainda outros foram torturados por se segurar um pau aceso junto aos seus braços, suas pernas, cabeça e corpo inteiro. Ainda assim, estas Testemunhas recusaram-se a transigir quanto às suas crenças religiosas ou a negar seu Deus Jeová sob tais torturas bárbaras. Tem em si a qualidade da perseverança cristã para suportar tais provas? Talvez se exija algum dia que prove a sua fé. Resistirá a sua fé?

      PERSEGUIÇÃO DA PARTE DOS MEMBROS DA FAMÍLIA

      17. O que sofreram esposas e maridos, em que promessa podem confiar e por quê?

      17 Desde o tempo de Cristo até o presente, esposas tiveram de suportar os maus tratos de seus maridos incrédulos, por causa de sua fé cristã, e os maridos de esposas incrédulas tiveram de fazer o mesmo. Nos Estados Unidos, certo marido mandou que sua esposa parasse de estudar a Bíblia, ou ele a abandonaria. Depois de suportar dificuldades por mais de um ano da parte dele, o marido mudou de atitude de coração. Pouco depois ela se tornou testemunha batizada de Jeová. Por outro lado, em Promerton, Washington, um marido suportou os maus tratos de sua esposa. Com o tempo, a atitude do coração dela mudou, e agora ambos estudam juntos a Bíblia. Em Nova Iorque, um alcoólatra e fumante inveterado abandonou estes maus hábitos, mas verificou que sua esposa se desagradou da maravilhosa mudança que houve nele. Ela ficou furiosa e o acusou de estar “enfeitiçado” por esta ‘nova religião”. O que a enfurecia mais era que havia tentado durante doze anos fazê-lo abandonar seus maus hábitos, mas sem êxito. Agora que ele finalmente os venceu com a ajuda do espírito de Deus, ela se desagradou disso e fez tudo no seu poder para quebrantar-lhe a integridade, recorrendo até mesmo a ataques físicos. Daí, certo dia, apresentou-lhe um ultimato: ele devia escolher entre ela e Jeová. Naturalmente, ele escolheu servir a Jeová. Daquele momento em diante, ela se negou até mesmo a lavar-lhe a roupa ou a cozinhar-lhe as refeições. Quando isto não quebrantou a integridade dele, ela o abandonou. Ele teve de suportar muito, e nós consideramos felizes os que perseveram. Sabe que terá de enfrentar muitos problemas no futuro. Nenhum dos do povo de Jeová pode escapar de ter provações enquanto existir este mundo iníquo e Satanás ainda estiver solto. Mas, qualquer que seja o problema, sabe que o espírito de Deus está à altura dele. “Deus é fiel”, assegura-nos o apóstolo Paulo, “e ele não deixará que sejais tentados além daquilo que podeis agüentar, mas, Junto com a tentação, ele proverá também a saída, a fim de que a possais agüentar”. (1 Cor. 10:13) Em vista desta promessa, pode descansar confiantemente em Jeová, tendo plena confiança nele. — Pro. 3:5-7.

      18. (a) Por que se precisa inculcar no coração a qualidade da perseverança? (b) Que esperança temos, se cultivarmos a qualidade da perseverança?

      18 A qualidade da perseverança é absolutamente necessária e precisa ser inculcada no coração, se nós discípulos dedicados e batizados de Cristo havemos de sobreviver à “grande tribulação”. É necessária não só para se sobreviver às provas ardentes agora e na “grande tribulação”, mas também na nova ordem justa, terrestre, estabelecida por Deus. (Mat. 24:21, 22) Não há lei contra as coisas boas do espírito de Deus, e estas perdurarão indefinidamente. Jeová, que proveu para nós as gigantescas árvores sequóias como testemunho vivo de durabilidade, cuidou também de que, por meio de sua Palavra, de seu espírito e de sua organização, nós os de sua criação inteligente possamos adquirir a qualidade da perseverança para a nossa salvação. Por edificarmos esta qualidade no coração, bem como no coração dos com quem estudamos a Bíblia, para ajudá-los a se tornarem discípulos dedicados e batizados de Cristo, seremos dotados da mais preciosa de todas as possessões, a vida duradoura, infindável.

  • Cantar — parte de nossa adoração
    A Sentinela — 1970 | 1.° de outubro
    • Cantar — parte de nossa adoração

      AS BOAS novas do reino de Deus, que os servos de Jeová levam às pessoas da terra, são chamadas de canção, e isto com bons motivos. São belas, harmoniosas, consoladoras e dão alegria aos que as ouvem, assim como faz uma bela canção literal. É bem apropriado que se nos ordene repetidas vezes a entoar tal canção, como no Salmo 96:1 e Isaías 42:10: “Cantai a Jeová um novo cântico.”

      Como servos de Jeová, não só se nos ordena a entoar tal canção figurada, mas também somos exortados a entoar cânticos literais como parte de nossa adoração. E pode-se dizer muito bem que dentre todas as maneiras em que podemos adorar e louvar a Jeová Deus — pela oração, por discursos públicos, pelo nosso ministério de campo e pela nossa conduta exemplar — uma das mais belas é entoarmos literalmente cânticos de louvor a Jeová.

      Entoarmos tais cânticos, portanto, faz parte da adoração de Jeová Deus por parte do cristão. Jeová escuta estes cânticos, assim como escuta nossas orações. Entoarmos tais cânticos oferece a todos a oportunidade de participar ativamente na adoração. Ao ponto que participarmos plenamente nesta fase de nossa adoração, a tal ponto teremos alegria e incentivo espiritual por fazermos isso.

      NA ANTIGUIDADE

      É de interesse notar que o povo antigo de Deus era apreciador da música e que a música desempenhava um papel destacado na sua adoração. Por isso, o historiador da música Kurt Sachs disse: “Entre os livros do mundo, poucos podem afirmar ter maior importância para a história da música do que a Bíblia.” O livro Oxford Companion to Music diz que “em toda a história antiga do povo judaico . . . encontramos a música mencionada com uma freqüência que talvez exceda a sua menção na história de qualquer outro povo”. E Grove’s Dictionary of Music and Musicians, Volume 4, pergunta: ‘Foram os judeus um povo especialmente inclinado à música?’ Responde: “Sim . . . O Rei Senaqueribe exigiu e recebeu como tributo do Rei Ezequias muitos músicos judaicos, homens e mulheres. Durante o exílio, os babilônios exigiam de seus cativos judaicos que os

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