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  • Fui vítima de queimaduras
    Despertai! — 1980 | 22 de novembro
    • grau e não queimaduras de 3.º grau, que lesam a pele além de reparo.

      Ficava-me perguntando sobre como meu corpo iria curar-se. Voltaria a poder usar os meus braços? Ficariam enormes cicatrizes nas áreas queimadas, especialmente em meu rosto?

      Tratamento das Queimaduras

      Durante uma semana fiquei sob cuidado intensivo e mantido sob sedativos. Durante os primeiros dias, meus braços foram suspendidos para evitar que eu me virasse na cama e os prejudicasse ainda mais. A pele do meu rosto se tinha queimado por completo. Sou negro, mas toda a pigmentação havia sumido. Certo amigo observou: “Isto apenas prova que a cor é só superficial.”

      Eu podia ver, pela expressão do rosto dos amigos que me visitavam, inclusive minha esposa, que estavam chocados com a minha aparência. Compreensivelmente, não há espelhos nos quartos dos pacientes. Já é desanimador olhar para os braços e outras partes queimadas do corpo.

      A maior ameaça para as vítimas de queimaduras é a infecção. Mesmo hoje, ela é a causa de metade das fatalidades num centro de queimaduras. Por isso, o pessoal do hospital usa avental, máscara de rosto, gorro para os cabelos e cobertura para os sapatos. E, se eles deixam tal ala, vestem novo avental e coberturas esterilizados ao retornarem. Os visitantes são examinados um por um, para se certificar de que não tenham doenças, nem mesmo um simples resfriado, e lhes é provida uma vestimenta similar. A ala de queimaduras é levemente pressurizada, de modo que quando se abrem as portas o ar filtrado escapa e nenhum ar entra de outras partes do hospital.

      Mas, o desafio especial tem sido controlar as bactérias que estão na própria ferida queimada. Geralmente, os antibióticos orais não são eficazes, visto que os vasos capilares, que poderiam transportá-los para a área queimada, foram destruídos. Assim, para evitar a infecção, meus braços foram envolvidos em ataduras embebidas numa solução diluída de nitrato de prata, ou numa solução salina. Estas ataduras eram removidas três vezes por dia, ao passo que secavam, e eram colocadas novas.

      A remoção das ataduras era pura agonia. Isto se deu especialmente depois da primeira semana, quando foram suspensos os analgésicos para evitar uma possível dependência. As crostas e o tecido, com os quais o corpo cobre automaticamente as queimaduras profundas, saíam dolorosamente com as ataduras, e, quando as feridas abertas entravam em contato com o ar, oh, como doía!

      Depois, as enfermeiras limpavam as feridas da restante escara, como são chamados o tecido e as crostas. Já que as bactérias podem proliferar-se dentro ou por baixo da escara, considerava-se importante removê-la. Quando os pacientes estão plenamente em condições de se levantar e andar, vão três vezes ao dia para o chuveiro, onde os ferimentos são limpados com uma esponja.

      Depois de cerca de três semanas, houve uma mudança de tratamento bem acolhida. As enfermeiras começaram a cobrir meus braços com enxertos de pele fina de porco. Não sentia dor ao passo que as tiras frias e úmidas de pele de porco eram colocadas sobre os meus ferimentos. Estes enxertos eram verificados três vezes por dia, e os que não aderiam eram retirados. As feridas eram então novamente limpadas e se colocava outra tira de pele de porco. Quando os enxertos “pegavam”, permaneciam intatos por alguns dias. Depois, desprendiam-se, ao passo que o corpo os rejeitava. Mas no seu lugar podia-se ver, às vezes, o início do crescimento da nova pele. Isto era realmente encorajador.

      Este tratamento de pele de porco durou apenas cerca de duas semanas. Voltaram, então, a usar ataduras embebidas numa solução salina. Também, em algumas feridas eles esfregavam, com as mãos enluvadas, um creme antibiótico chamado Silvadene. Parecia-me, às vezes, como se eles estivessem experimentando para ver que tratamento funcionaria melhor. Mas, eu me estava recuperando lentamente e não contraí nenhuma infecção.

      Tratamento da Pessoa Inteira

      Quando uma pessoa perde muito da sua pele, os fluidos e os ingredientes essenciais do corpo exsudam, amiúde em tremendas quantidades. Diversos litros de líquido talvez precisem ser hidratados durante as primeiras 24 horas para restabelecer as perdas de fluidos. Fui incentivado a beber grandes quantidades. Ainda assim, durante a primeira semana depois de ter-me queimado, perdi uns 14 quilos.

      Há alguns anos, muitas vítimas de queimaduras morriam de pneumonia ou alguma doença debilitante, depois de algumas semanas. Descobriu-se, finalmente, que a causa básica da morte delas era a desnutrição. Assim, para suprir as necessidades nutricionais ímpares das vítimas de queimaduras, os médicos, hoje, talvez bombeiem uma poção nutritiva diretamente no estômago do paciente. Além disso, são incentivados a comer tanto quanto puderem.

      Além de ser animado a comer enormes refeições regulares, disseram-me para beber litros duma mistura nutritiva dum grosso creme de leite e ovos. Tão logo um recipiente era esvaziado, um outro me era suprido. A dieta rica em proteínas, à qual fui submetido, incluía de 8.000 a 9.000 calorias por dia, quase quatro vezes o que uma pessoa mediana come.

      Estando em excelente condição de saúde por ocasião do acidente, e tendo apenas 27 anos, pude recuperar meu peso e minha robustez, evitando assim quaisquer complicações. De fato, quando deixei o hospital, em 19 de dezembro, pesava 14 quilos a mais do que antes do acidente, em 8 de novembro.

      Reabilitação

      Meu rosto começou a sarar bem, retornando finalmente toda a pigmentação. As cicatrizes no rosto melhoraram progressivamente, até que agora é difícil percebê-las. Mas, as mãos e os braços, que sofreram as piores queimaduras, têm exigido atenção até agora.

      Numa queimadura grave, há um encolhimento do músculo e do tecido, e as contrações endurecem as juntas. De manhã, eu não podia dobrar as mãos ou os dedos de modo algum. Precisaram ser massageados para eliminar aos poucos a sua rijeza. No passado, deixar de prover tal terapia a pacientes que sofreram queimaduras resultou em invalidez permanente.

      Por isso, Darcy, a fisioterapeuta, visitava-me todos dias. Era uma ex-tenente das forças armadas, que eu julgava ter seus vinte e cinco anos. Manipulava cada articulação dos dedos, pulso, cotovelo ou qualquer parte do corpo que necessitasse de amolecimento. Era cruciante! Especialmente durante as primeiras semanas, quando as crostas se estavam formando! Quando ela movimentava os dedos ou o pulso, as crostas sangravam.

      Sabíamos que Darcy se aproximava pelos gritos dos pacientes, ao passo que ela vinha de quarto em quarto. Mas, se não fosse por ela, realmente, teríamos acabado como inválidos. Resolvi que, se tivesse que ser machucado, eu mesmo o faria. De manhã cedo eu começava a manipular as articulações. Quando Darcy chegava a mim, por volta das 13 horas, eu era capaz de realizar os movimentos que ela pedia, e ela seguia em frente. Em resultado de manter esta terapia dolorosa, recobrei o uso quase normal dos dedos, das mãos e dos braços.

      Uma parte importante da reabilitação é o combate à depressão. Foi o meu maior problema. A dor angustiante dos tratamentos diários, aparentemente intermináveis, pode ser quase insuportável. O que torna isto tão difícil é que o progresso é muito lento, levando meses, e, para alguns pacientes, até mesmo anos.

      A capacidade de fazer coisas fisicamente pode ser limitada. Mesmo dormir é difícil, visto que a pessoa acorda freqüentemente ao se virar sobre uma parte ferida. Nos primeiros dias as enfermeiras me alimentavam. Mas, depois elas inventaram uma conexão às ataduras para encaixar um utensílio de modo que eu pudesse alimentar a mim mesmo. Todavia, amiúde eu simplesmente enfiava o rosto no prato para comer. Nem mesmo podia virar as páginas dum livro para ler.

      O que também contribui para a depressão é a preocupação quanto às cicatrizes — com que aparência a pessoa ficará. Sei que eu estava preocupado. Admito que de vez em quando eu ficava bem deprimido e chorava. Mesmo os pacientes mais fortes ficavam deprimidos. Um deles me disse: “Detesto encarar um outro dia.”

      Contudo, é importante uma atitude mental positiva para a recuperação. Recordo-me do caso de Judith Byrd. Ela esteve num acidente dum automóvel Pinto, na parte de trás do carro, em que o tanque de gasolina explodiu; os jornais, no ano passado, noticiaram que a família Byrd finalmente conseguiu um acordo de indenização das empresas envolvidas, a que aluga carros e a que os fabrica. Bem, duas semanas depois que cheguei ao centro de queimados, Judith foi trazida com queimaduras em cerca de 55% do corpo.

      Alguns dias depois, um dos médicos me disse: “Todos os seus sinais vitais são bons. Ela deve viver, mas não parece desejar isso.” Seu rosto estava muito desfigurado e suas mãos precisaram ser amputadas. Falei um pouco com Judith, e minha família e eu chegamos a conhecer os parentes dela. Ficamos tristes quando Judith faleceu, três meses depois. Como certo médico proeminente disse, ele nunca viu um paciente gravemente enfermo, que perdeu a vontade de viver, recuperar-se.

      É compreensível que os pacientes com queimaduras talvez tendam a desistir. Assim, creio eu, nunca é demais enfatizar a necessidade que eles têm de incentivo. Sei que as centenas de cartões e de visitas que recebi, por parte de meus irmãos e irmãs cristãos, realmente me ajudaram. Reconhecendo esta necessidade, o Centro de Queimaduras de Nassau iniciou uma Associação de Amparo às Vítimas de Queimaduras. São feitos arranjos para que pacientes recuperados, como eu, visitem o Centro e animem os que estão passando pelo mesmo tratamento agonizante até os visitantes completaram com bom êxito.

      Fazer Enxerto ou Não

      Os médicos queriam fazer-me um enxerto de pele. Os enxertos de pele de porco que eu havia recebido no começo eram realmente mais como ataduras. Os únicos enxertos permanentes são os retirados do corpo da própria pessoa — até mesmo enxertos retirados de outras pessoas são finalmente rejeitados.

      Notei os problemas que outros pacientes enfrentavam com enxertos de sua própria pele. Era amiúde desanimador quando seus enxertos não pegavam. E havia a dor pela qual passavam ao descolar-se a pele de áreas não queimadas do corpo, e o tempo que levava para estas novas feridas sararem. Eu queria ver se por fim o meu corpo iria restaurar as feridas ainda descobertas nos meus braços. Com o passar do tempo, surpreendentemente mais e mais pele começou a crescer sobre as feridas abertas.

      Quando recusei os enxertos de pele, decidiu-se mudar-me para outra parte do hospital. Pedi para ser enviado para casa, onde minha esposa poderia cuidar de mim. Ela fez um trabalho notável, tudo isso além de cuidar dos nossos filhos e de suas tarefas domésticas. Ainda senti muita dor durante meses, mas aos poucos os ferimentos começaram a se fechar.

      Poucas semanas depois que saí do hospital, meus braços foram medidos para umas coberturas elásticas especiais que se amoldam ao corpo, usadas sobre áreas queimadas. Por um tempo usei estas mangas elásticas 24 horas por dia, e ainda as uso à noite. Elas exercem força constante sobre os ferimentos, alisam a pele e eliminam grande parte das cicatrizes disformes. Oito meses após o acidente, estava apto para voltar ao trabalho.

      Queimaduras são uma ameaça muito maior do que a maioria das pessoas imagina. Aprenderá, no artigo que segue, sobre um tratamento bem eficaz para elas.

  • Como lidar com queimaduras
    Despertai! — 1980 | 22 de novembro
    • Como lidar com queimaduras

      TALVEZ lhe surpreenda saber que milhares de pessoas sofrem queimaduras diariamente. Somente nos Estados Unidos, uma média de 270 pessoas cada dia sofrem queimaduras suficientemente sérias para serem hospitalizadas. Caso o leitor ou um amigo se torne vítima duma queimadura, existem coisas que pode fazer para minimizar e até mesmo anular o dano.

      Para ilustrar: No ano passado Anna Helak, uma senhora de 59 anos, na cidade de Nova Iorque, EUA, preparava o jantar para convidados. Quando abriu a porta do forno, houve uma explosão de calor e fogo. Felizmente, não se feriu muito, sendo claramente a parte superior do braço direito a única do corpo a ser atingida pelo fogo. Visto que os convidados estavam para chegar, envolveu o braço queimado numa toalha e continuou com os preparativos para o jantar.

      Quando os convidados começaram a chegar Anna ainda estava visivelmente abalada — um tanto assustada — e o braço começava a doer. Quando se retirou a toalha, a pele estava vermelha e começando a criar vesículas. Um dos convidados pediu que se enchesse um balde com água gelada.

      Anna foi então instruída a enfiar o braço queimado dentro do balde. Ela deu um suspiro de alívio, sendo que a friagem amorteceu quase que instantaneamente a dor. Mas, quando retirou o braço de dentro do balde, depois de alguns minutos, o braço começou a doer novamente. Foi instruída a manter o braço dentro da água e removê-lo a cada 20 minutos mais ou menos.

      Não foi senão cerca de três horas depois que Anna pôde ficar com seu braço fora do balde de água gelada sem que este doesse. O braço sarou sem deixar marcas, sem quaisquer complicações ou dor adicionais. Anna apreciou muito que um dos seus convidados sabia como lidar com queimaduras.

      Durante muitos anos, a medicina quase que ignorou este simples tratamento com água gelada. Mas, publicações médicas recentes destacam que o resfriamento imediato de queimaduras é o proceder simples mais benéfico. Durante a década de 1960, o Dr. Alex G. Shulman tomou a dianteira em reavivar o tratamento com água gelada. Num artigo do “Journal of the American Medical Association” (Revista da Associação Médica Estadunidense) ele comunicou o tratamento bem sucedido de 150 pacientes que haviam sofrido queimaduras de todos os graus, mas com menos de 20% da superfície do corpo afetada.

      A área queimada era imersa numa grande bacia de água fria, à qual adicionavam-se cubos de gelo e hexaclorofeno. Caso a parte queimada não pudesse ficar submersa em água, então se aplicavam toalhas umedecidas em água bem gelada sobre ela. “O fator tempo entre o dano e o tratamento determina o resultado”, observou ele. “Este tratamento deve, portanto, ser iniciado imediatamente, se possível, pelo paciente ou pelo assistente de pronto-socorro.”

      Como se deve lidar com queimaduras? Aplique imediatamente o frio sobre elas. É vital a pronta ação. Poderá poupar muito sofrimento e evitar cicatrizes.

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