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Por que deixar de resmungar?A Sentinela — 1979 | 15 de julho
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o assunto, dizendo: “Estou de todo resolvido a descer para ver se de fato agem segundo o clamor sobre isso, que tem chegado a mim, e se não for assim, ficarei sabendo disso.” (Gên. 18:20, 21) Jeová verificou que o alto “clamor de queixa” estava justificado, e, portanto, destruiu as cidades iníquas de Sodoma e Gomorra. — Gên. 19:24, 25.
Sim, as queixas, às vezes, podem ser corretas. Portanto, os anciãos cristãos, designados, não devem encarar todas as queixas como injustificadas e objetáveis. Os apóstolos de Jesus não adotaram tal atitude. Em Jerusalém, pouco depois de Pentecostes de 33 E.C., “surgiram resmungos da parte dos judeus que falavam grego contra os judeus que falavam hebraico, porque as suas viúvas estavam sendo passadas por alto na distribuição diária”. Por conseguinte, “os doze” examinaram o assunto e corrigiram a situação pela designação de “sete homens acreditados” para cuidar da “incumbência necessária” da distribuição dos alimentos. — Atos 6:1-6.
Os anciãos cristãos precisam hoje dar-se conta de que injustiças ou outros males podem dar margem a uma queixa legítima. Não podem adotar corretamente o conceito de que tudo o que é feito forçosamente é correto e que nada jamais deveria ser submetido a qualquer espécie de crítica. Provérbios 21:13 diz apropriadamente: “Quanto àquele que tapa seu ouvido contra o clamor queixoso do de condição humilde, ele mesmo também clamará e não se lhe responderá.”
Os próprios anciãos designados precisam evitar ter um espírito queixoso para com seus concrentes. Em vez de criticar e nunca estar satisfeitos com o que seus irmãos e irmãs cristãos fazem, os superintendentes precisam ser animadores e edificantes. (1 Cor. 8:1) Isto contribuirá muito para combater qualquer possível espírito de queixa dentro da congregação. — Veja 2 Timóteo 4:22.
MOSTRE AMOR, IMITANDO A CRISTO
É importante que dissipemos qualquer espírito de queixa, porque tal atitude só pode levar à calamidade. Em vez de nos permitirmos tornar-nos murmuradores, quanto melhor é demonstrar a qualidade de amor! Murmuradores e queixosos não podem ao mesmo tempo estar seguindo o mandamento de amar seu próximo. (Mat. 22:39) Resmungar prejudica tanto aquele que o faz como aquele contra quem fala. O amor faz o bem a todos. (1 Cor. 8:1; 13:48) Então, por que não seguir ‘a lei régia do amor’? — Tia. 2:8.
Em vez de escutar os que rezingam e se queixam, faremos bem em nos lembrarmos da atitude humilde de Cristo Jesus. “Embora existisse em forma de Deus, [Jesus] não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus.” Antes, “humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, sim, morte numa estaca de tortura”. Que belo exemplo para seguirmos! Não havia nele nenhuma rebelião contra a maneira em que as coisas eram feitas! — Fil. 2:5-8.
Ao contrário, Jesus demonstrou profunda lealdade ao seu Pai celestial. Mostrou também grande preocupação quando outros foram feitos tropeçar. Em certa ocasião, Jesus disse aos seus discípulos: “É inevitável que venham causas para tropeço. Não obstante, ai daquele por meio de quem vêm! Seria mais proveitoso para ele que se lhe pendurasse no pescoço uma mó e que fosse lançado no mar, do que fazer ele tropeçar a um destes pequenos.” (Luc. 17:1, 2) Pode imaginar Jesus ter tal compaixão pelos outros e ao mesmo tempo ser resmungão?
Jesus foi grandemente recompensado pela sua obediência leal ao seu Pai, assim como pela sua amorosa preocupação pelos outros. Por meio da sua ressurreição e ascensão ao céu, Cristo foi enaltecido acima de todas as outras coisas criadas. (Fil. 2:9-11) Enquanto na terra, pôde entender as fragilidades e problemas do homem decaído. Agora, na sua posição enaltecida, Jesus se pode “compadecer das nossas fraquezas” e vir em nosso auxílio. (Heb. 2:18; 4:15) Nós também podemos ter a certeza de muitas bênçãos, por continuarmos a mostrar interesse amoroso nos outros, não nos queixando deles.
Então, a que conclusão devemos chegar? Que o espírito resmungão e queixoso resulta na dessatisfação e no descontentamento. Isto pode até levar à rebelião contra Deus. Quer que isso aconteça com você? Ou deseja levar uma vida plena e satisfatória, sabendo que tem a bênção e a aprovação do Criador celestial? Certamente, deseja o favor dele. Portanto, ‘persista em fazer todas as coisas livre de resmungos e de argüições, para que venha a ser inculpe e inocente, filho de Deus sem mácula no meio duma geração pervertida e deturpada, entre a qual está brilhando como iluminador do mundo’. — Fil. 2:14, 15.
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É tempo para uma paciente esperaA Sentinela — 1979 | 15 de julho
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É tempo para uma paciente espera
No oitavo século A.E.C., existia uma situação deplorável entre os israelitas. O profeta Miquéias declarou: “Ai de mim, porque me tornei como o recolhimento de frotas de verso, como a rebusca da vindima! Não há cacho de uvas para comer, nem figo temporão que a minha alma almeje! Pereceu da terra aquele que é leal e não há nenhum reto entre a humanidade. Todos eles estão de tocaia para derramar sangue. Caçam, cada um o seu próprio irmão, com uma rede de arrasto. Suas mãos estão sobre o que é mau, para o fazer bem; o príncipe pede algo e aquele que julga o faz pela recompensa, e o grande profere a avidez da sua alma, da sua própria; e eles urdem a trama. O melhor deles é como a sarça, o mais reto deles é pior do que uma sebe de espinhos.” — Miq. 7:1-4.
Evidentemente, Miquéias fala sobre si mesmo como se fosse a nação personificada. A nação parecia um pomar, ou um vinhedo, do qual já recolheram os frutos. Não sobrara nenhum cacho de uvas. Não havia nem mesmo um só figo desejável. Era uma comparação apropriada, porque era difícil achar alguém leal e reto. A maioria estava atrás do sangue do seu próximo. A competição era ferrenha. Não havia nenhuma preocupação com o bem-estar dos outros. O amor estava totalmente ausente. As pessoas, para promoverem os seus próprios fins, tramavam para enlaçar seu próximo, indo atrás dele como que com uma rede de arrasto. Suas mãos estavam plenamente ocupadas em fazer o mal. Mostravam-se muito hábeis nisso, ‘faziam isso bem’.
A decadência moral atingira os mais altos níveis da sociedade. Os príncipes ou líderes da nação ‘pediam algo’, avidamente procurando uma gratificação. Os juízes aceitavam peitas e pervertiam a justiça. Homens abastados e de destaque expressavam seus desejos, e os juízes os acatavam. Desta maneira, os príncipes, os juízes e outros homens influentes cooperavam numa trama iníqua, ‘urdindo-a’. Até mesmo o melhor entre eles era semelhante à sarça ou a uma sebe de espinhos. Tanto a sarça como a sebe de espinhos podem rasgar a roupa e picar dolorosamente a carne de quem estiver passando. Do mesmo modo, também, homens contrários à lei, no tempo de Miquéias, eram traiçoeiros, espinhosos e prejudiciais. Por causa desta situação deplorável, Miquéias podia dizer aos israelitas: “Tem de chegar o dia dos teus vigias, de se fixar a atenção em ti. Agora ocorrerá a sua consternação.” (Miq. 7:4) Os “vigias” eram os profetas. De modo que ‘o dia dos vigias’ podia estar designando o tempo em que Jeová tomaria ação contra os iníquos, em cumprimento do que os profetas haviam proclamado. A execução do julgamento de Jeová ‘consternaria’ ou confundiria as pessoas contrárias à lei.
A corrução era tão grande que nem mesmo as relações familiares uniam as pessoas num vínculo de amor. Por isso, o profeta podia dirigir-se aos outros israelitas com as palavras: “Não tenhais fé no companheiro. Não tenhais confiança no amigo íntimo. Guarda o abrir da tua boca diante daquela que se deita ao teu seio [quer dizer, cuidado com o que diz!]. Pois o filho despreza o pai, a filha se levanta contra a sua mãe; a nora contra a sua sogra; os inimigos do homem são os homens da sua casa.” — Miq. 7:5, 6.
Imagine só os amigos dum homem — esposa, pai, mãe e filhos, não eram de confiança. Tinha inimigos na sua própria família.
Tal situação simplesmente não podia continuar. Exigia que o Deus de justiça, Jeová, agisse. Entrementes, cabia esperar pacientemente. A profecia declara: “Mas, quanto a mim, ficarei à espreita de Jeová. Mostrarei uma atitude de espera pelo Deus da minha salvação. Meu Deus me ouvirá.” — Miq. 7:7.
Também nós, hoje, devemos estar dispostos a esperar pacientemente para Jeová Deus agir contra toda a injustiça. Seu julgamento adverso contra o atual sistema de coisas será executado com a mesma certeza com que foi executado nos israelitas contrários à lei, e isso muito em breve!
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