-
Os “homens de boa vontade” da África se mantêm firmes na verdadeA Sentinela — 1971 | 1.° de setembro
-
-
estão dando ao assunto consideração especial. Das 14.000 Testemunhas naquele país chegaram relatórios sobre a sua atividade referentes a uns 65 por cento.
NAIROBI, QUÊNIA
Na assembléia de Nairobi havia congressistas vindos de Uganda, da Etiópia e de Tanzania, com relatórios de aumentos da obra naqueles países. O primeiro grupo de mais de 120 visitantes da América do Norte chegou a Nairobi, ao Aeroporto Embakasi, logo após o amanhecer. Os fiscais da alfândega, conhecendo a boa reputação das testemunhas quanto à honestidade, deixaram-nos passar sem verificar nem mesmo uma só mula. O segundo grupo chegou perto da meia-noite. Um amigável funcionário africano da linha aérea explicou ao grupo diferente de fiscais alfandegários que o grupo se compunha de Testemunhas. “Podem confiar nesta gente cristã”, disse ele. O fiscal encarregado permitiu que uma ou duas Testemunhas locais entrassem no salão de inspeção para poderem ajudar carregar a bagagem, não se fazendo nem mesmo uma só marcação da parte da alfândega.
Embora a Palavra de verdade de Deus se expanda agora rapidamente em Quênia, a pregação teve no início um começo vagaroso. Em 1931, duas testemunhas de Jeová passaram pouco tempo ali e colocaram 2.000 exemplares de literatura bíblica. Foi em 1949 que uma Testemunha se mudou para lá e abriu seu lar como local de reunião para o estudo da Bíblia. Em 1955, o presidente N. H. Knorr e M. G. Henschel, diretor, da Torre de Vigia, visitaram o país e começaram a organizar o trabalho. Em 1960 atingiu-se o número de cem Testemunhas. Em 1962 foi estabelecida ali uma filial. Agora há ali 966 destes instrutores cristãos da Palavra de Deus.
Um dos problemas em Quênia, como em muitos países Africanos, é a poligamia. Até o momento, nas congregações das testemunhas de Jeová, houve 306 ajustes maritais para se harmonizar com a norma bíblica de monogamia. A insistência das testemunhas de Jeová, de aceitar para o batismo apenas os que satisfazem esta elevada norma moral, tem impressionado as autoridades governamentais.
Durante a assembléia de Nairobi, uma senhora perguntou à Testemunha que a visitava: “Causa a sua religião realmente alguma mudança nas pessoas’”
“Por que não vem ao Estádio Municipal e vê por si mesma?” foi a resposta cordial.
E que mudança ela viu! Por quê? Porque o homem africano costuma comer sozinho, não se importando se sobra bastante para os outros membros da família, que esperam que ele termine antes de poderem comer. Ele deixa que sua esposa faça todo o trabalho pesado e também cuide dos filhos. Mas as Testemunhas reunidas em Nairobi não mais se ajustam a este modo de vida. Os homens não estavam separados das mulheres, como amiúde acontece nas igrejas na África. As famílias estavam sentadas juntas! Marido e mulher partilhavam a responsabilidade de cuidar dos filhos. Pai, mãe e filhos tomavam as refeições juntos. Estas famílias refletiam a nova vida doméstica e a união familiar produzidas neles pela verdade bíblica.
Os batizados na assembléia vinham de quatro países diferentes e somaram 101 pessoas. O discurso público, proferido pelo presidente da Sociedade, foi traduzido para o suaili e ouvido por 2.503 — a maior assistência que já houve em Quênia.
Nas suas observações concludentes, no último dia da assembléia de Nairobi, o Presidente Knorr exortou a todos a continuarem com a sua obra educativa, treinando ainda outros a harmonizarem sua vida com os elevados princípios da Bíblia. Ele anunciou que o total geral da assistência nestas dez Assembléias “Homens de Boa Vontade” na África foi de 175.218 pessoas. O número dos batizados como novos ministros, ingressando nas fileiras das Testemunhas para instruírem seus próximos, foi de 5.115. De fato, mais e mais Africanos mostram ser “homens de boa vontade” de Deus, mantendo-se firmes na verdade bíblica.
-
-
Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1971 | 1.° de setembro
-
-
Perguntas dos Leitores
● Qual é o “terceiro céu” e o “paraíso” mencionados em 2 Coríntios 12:2, 4? — R. B., E. U. A.
Em 2 Coríntios 12:2-4, o apóstolo Paulo descreve alguém que “foi arrebatado . . . até o terceiro céu” e “para o paraíso”. Visto que nas Escrituras não se faz nenhuma menção de qualquer outra pessoa ter tido tal experiência, parece provável que fosse a experiência do próprio apóstolo Paulo. Embora alguns se esforçassem a relacionar a referência de Paulo ao “terceiro céu” com o primitivo conceito rabínico, de que havia vários estágios de céu, até o total de “sete céus”, tal conceito não encontra apoio nas Escrituras.
Quando examinamos o contexto, torna-se evidente que o apóstolo não se referiu aos céus dentro da camada atmosférica da terra ou ao espaço sideral. O apóstolo escreveu: “Passarei para visões sobrenaturais e revelações da parte do Senhor. Conheço um homem em unção com Cristo, o qual, há quatorze anos — quer no corpo, não sei, quer fora do corpo, não sei; Deus sabe — foi arrebatado como tal até o terceiro céu . . . foi arrebatado para o paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não são licitas ao homem falar.” — 2 Cor. 12:1-4.
Por isso, parece que a referência ao “terceiro céu” se relaciona com os céus espirituais e indica o grau superlativo de arrebatamento no qual se viu esta visão. Neste respeito, pode-se notar o modo como as palavras e as expressões são repetidas três vezes em Isaías 6:3, Ezequiel 21:27, João 21:15-17 e Revelação 4:8, evidentemente com o objetivo de expressar uma intensificação da qualidade ou da idéia.
O observador da visão, arrebatado ao “terceiro céu”, entrou no “paraíso” e ouviu palavras inefáveis. Uma chave para a compreensão da descrição que Paulo faz da visão se encontra nas profecias das Escrituras Hebraicas, relacionadas com o restabelecimento do povo antigo de Deus. Em muitos dos livros proféticos da Bíblia se encontram promessas divinas referentes ao restabelecimento de Israel, procedente das terras do seu exílio, na sua pátria desolada. Deus causaria que a terra abandonada fosse lavrada e semeada, para produzir muito e abundar com gente e animais; as cidades seriam reconstruídas e habitadas, e o povo diria: “Aquela terra lá, que fora desolada, tem-se tornado como o Jardim do Éden.” — Eze. 36:6-11, 29, 30, 33-35; compare isso com Isaías 51:3; Jeremias 31:10-12; Ezequiel 34:25-27.
Entretanto, estas profecias mostram também que as condições paradísicas se relacionavam com o próprio “povo”. Estas pessoas pela fidelidade a Deus, poderiam então “brotar’ e florescer como “árvores de justiça”, usufruindo uma bela prosperidade espiritual como “um jardim bem regado”, regado pelas bênçãos abundantes da parte de Deus, por terem seu favor. (Isa. 58:11; 61:3, 11; Jer. 31:12; 32:41) O povo de Israel havia sido o vinhedo de Deus, sua plantação, mas a maldade e a apostasia deles da adoração verdadeira havia causado um ‘ressecamento’ figurativo de seu campo espiritual, mesmo antes de ocorrer a desolação literal de sua terra. — Veja Êxodo 15:17; Isaías 5:1-8; Jeremias 2:21.
Assim, o paraíso visto em visão pelo apóstolo Paulo poderia referir-se a um estado espiritual entre o povo de Deus, assim como no caso do Israel carnal. Isto se pode ver por ser a congregação cristã também o “campo de Deus em lavoura”, seu vinhedo espiritual, arraigado em Jesus Cristo e dando fruto para o louvor de Deus. (1 Cor. 3:9; João 15:1-8) Como tal, havia substituído a nação de Israel no favor de Deus. — veja Mateus 21:33-43.
-