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Uma pílula amarga de se engolirDespertai! — 1977 | 8 de maio
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de comprimento. Os homens trazem as árvores até às mulheres, e as cortam em tamanhos convenientes. Colocando a árvore ou o ramo sobre a pedra, a mulher bate nela com o pau até que a casca se solte. Ela então a descasca toda, empilhando com cuidado a casca sobre um grande lençol. No fim do dia, este será pesado e numerado. Mais tarde, à base disto, ela receberá seu pagamento.
Em seguida estende-se a casca em grandes áreas de concreto para secagem, onde rapazinhos separam galhos e folhas que não têm valor, e que só criariam dificuldades. Depois de a casca se secar, ela é colocada em grandes sacos e despachada para a usina de processamento.
Extração da Quinina
Em seguida fazemos arranjos de visitar a usina local de processamento, para ver a real extração da quinina da casca. Visto tratar-se mormente dum processo químico, não tentarei mencionar todos os pormenores. Primeiro, vemos um caminhão cheio de sacos ser descarregado e estes serem pesados. As cargas de diferentes plantações são mantidas em separado até que se possa fazer uma análise duma amostra. O teor de quinina pode variar de 5 a 10 por cento.
Uma vez se comprove o teor de quinina, a casca é mandada para um moinho, e ali é moída tão fina como a farinha de trigo. Depois disso, a casca passa pelo processo químico. É misturada com várias substâncias químicas, tais como o carbonato de sódio, ácido sulfúrico e soda cáustica, à medida que percorre diferentes estágios. Por fim, a quinina começa a manifestar-se como pasta, que é então secada numa secadora similar às que encontra numa lavanderia moderna.
Vários Usos da Quinina
Nesta forma básica, grande parte da quinina é exportada a diferentes partes do mundo. Ali sofre mais processamento, segundo as necessidades específicas do país ou do laboratório farmacêutico. Num único ano, a indústria química que visitamos chega a processar até 2.500 toneladas de casca, obtendo entre 120 a 150 toneladas de quinina. Toda a quinina necessitada pelo Zaire é processada nesta indústria, e grandes quantidades são exportadas.
Combater a malária e algumas outras doenças não é a única utilização da quinina: Visto ser sensível à luz, a quinina também é usada para a fabricação de filmes para sua câmara. A cerveja, especialmente a Pilsner, talvez seja preparada com o auxílio da quinina. Aliás, alguns usam água tônica como diluente de bebidas alcoólicas a fim de conseguir a quinina sem ter de tragar pílulas amargas. Vários plásticos também contêm quinina.
A quinina, em seu estado puro, está sendo cada vez menos utilizada nestes dias. Por outro lado, o uso de seus derivados está aumentando. A pessoa que é tratada com quinina básica talvez verifique que seus olhos, ouvidos e estômago sofrem reações adversas. Isto não se dá com os derivados da quinina.
Todavia, a respeito da quinina e uma substância similar, The World Book Encyclopedia declara: “Os médicos, hoje em dia, ainda usam a droga quinidina para tratar e regularizar certos distúrbios do ritmo cardíaco. A quinidina tem a mesma fórmula química que a quinina, e difere dela somente no modo em que os átomos se localizam na molécula. Os médicos crêem que a quinina e a quinidina podem provocar anormalidades em nascituros. Por este motivo, as mulheres grávidas não devem tomar tais drogas sem primeiro consultarem um médico.”
Calcula-se que um terço da população da terra seja atingido pela malária, em especial nas regiões tropicais das Américas, da Ásia e da África, e que, talvez, até dois milhões de pessoas morrem cada ano devido a seus efeitos. Em 1975, a Organização Mundial de Saúde anunciou que seu programa para erradicação da malária — tinha falhado. Sem dúvida, portanto, a casca marrom-avermelhada da árvore cinchona ou quina ainda tem um grande papel a desempenhar no alívio dos efeitos debilitantes da malária. De qualquer modo, espero que nossa visita de inspeção torne um pouco mais fácil para os malarientos engolir esta pílula amarga.
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O que há por trás das cores deslumbrantes do outono?Despertai! — 1977 | 8 de maio
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O que há por trás das cores deslumbrantes do outono?
OS ÍNDIOS norte-americanos tentaram explicar a misteriosa beleza das folhas do outono. Sua lenda afirmava que, os caçadores do céu matavam o Grande Urso. Seu sangue derramado, afirmavam, salpicara muitas folhas de vermelho, ao passo que a gordura respingada da caçarola do caçador matizara outras de amarelo.
Esta explicação provavelmente pouco satisfaz a nossa curiosidade sobre a fantástica composição de cores do outono. O que realmente se passa naquelas folhas coloridas? Por que algumas ficam avermelhadas, outras amareladas ou alaranjadas, ou purpúreas, e ainda outras apenas castanhas? O que faz com que a mesma árvore se revista de várias cores diferentes? E por que somente algumas áreas terrestres gozam de espetaculares exibições outonais?
Talvez se surpreenda de saber que grande parte das cores já existe nas folhas por todo o verão! Simplesmente não consegue vê-las. A superpredominância da clorofila verde nas folhas, durante o verão, mascara as outras cores. Mas, no outono, algo acontece com a clorofila na árvores frondosas. É vital compreendermos isso a fim de sabermos por que as folhas mudam de cor.
Estas árvores deciduifólias, em contraste com as sempre-verdes, perdem suas folhas todo ano. O rutilar anual das cores outonais é simples reflexo das mudanças físicas e químicas ocorridas neste processo. As cores avisam os observadores de que ocorre maravilhosa vedação das folhas. Como assim?
Bem, trata-se de uma reação química ainda pouco entendida, em que a clorofila das folhas utiliza a luz solar por todo o verão para obter alimento (açúcares) da água, e bióxido de carbono do ar. Para fazê-lo, as folhas retiram água do solo, mas grande parte dela se evapora na atmosfera.
Mas, no inverno, acha-se disponível bem pouca água. Amiúde é congelada no solo. Daí, a perda de água vital através das folhas tem de cessar. Os troncos e os ramos também precisam ser suberificados
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