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O que faz para divertir-seDespertai! — 1979 | 8 de julho
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compareceram a eventos esportivos no ano passado.
Mas tal diversão comercial é onerosa. Será que lhe atinge? Ficou, por vezes, surpreso diante do preço de entradas para um filme, um concerto ou um jogo de futebol, ou do dispêndio envolvido num novo televisor? O fato de que a diversão pode consumir tão grande parte de suas finanças poderá ser motivo para reconsiderar que outra coisa poderia fazer. Talvez verifique que certas alternativas são igualmente recompensadoras, talvez até mesmo mais, sendo porém menos pesadas para sua carteira.
Pensar um pouco mais sobre a diversão, porém, revelará que, de alguns modos, o custo poderá ser muito maior do que o dinheiro envolvido. Algumas formas de diversão abrangem grande dose de violência, imoralidade ou jogatina, coisas identificadas nas Escrituras como contrárias às leis ou princípios de comportamento de Deus.
Mesmo que a diversão não seja nociva, poderá ser excessiva. Isto poderá centralizar a mente em demasia na busca do prazer. É provável que conheça pessoas cuja vida é assim. Correm constantemente em busca de alguma espécie de diversão. Sua conversa gira quase que em torno desse assunto. Mas, este amor excessivo ao prazer pode eliminar ‘a pessoa espiritual’, fazendo com que se desvie do modo de vida aprovado por Deus.
Isto não é surpresa alguma para os que se mantêm alertas ao cumprimento da profecia bíblica. Ela predisse que uma das caraterísticas de nossos tempos seria as pessoas mostrarem-se “mais amantes dos prazeres do que amantes de Deus”. — 2 Tim. 3:4.
Outras Armadilhas
Outro problema no caso de algumas diversões, especialmente no caso do divertimento comercial, é que não raro deixa de revigorar ou satisfazer. À guisa de exemplo, alguns que torcem por um dos times que participa num evento desportivo amiúde se sentem abatidos, frustrados, até mesmo irados, quando tal time perde. Tal partida não lhes trouxe nenhuma alegria verdadeira.
Também, a diversão comercial pode dar mais ênfase à observação do que à participação. Ao invés de ser participante, é um observador passivo. Isto poderá colher um tributo na saúde da pessoa e em sua capacidade de relacionar-se com outras pessoas.
Daí, há o seguinte problema relativo a certos tipos de recreação: a conduta imprevisível de outras pessoas presentes. Pense só no que tem lido ou observado entre espectadores em alguns concertos de rock. E o que dizer dos motins provocados por fãs irados, em certos jogos de futebol, resultando em ferimentos e até mesmo em mortes? Sim, os espectadores se tornam participantes, nestas ocasiões, mas participantes em causar lesões corporais, ao invés de na diversão.
Alguns podem solucionar o problema de situar-se entre grupos indesejáveis por ver tais espetáculos apenas na televisão. Preferem usufruí-los no conforto de seu próprio lar, ao invés de entre uma multidão turbulenta num estádio ou auditório. Uma vantagem disto é que permite que a pessoa rejeite tal diversão de imediato, caso verifique ser indesejável — uma vez que disponha de força de vontade e de integridade moral para fazê-lo. Todavia, apesar de certas vantagens, o telespectador ainda é apenas outro observador, e não um participante.
Várias formas de diversão comercial sem dúvida têm seu lugar, e podem ser apreciadas corretamente. Mas que alternativas existem que dariam consideração especial às coisas em que podemos participar? Quais são algumas das formas alternativas de diversão que podem ser muito apreciadas, talvez até mesmo mais edificantes, e que não custam tanto?
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Não ignore a necessidade de diversãoDespertai! — 1979 | 8 de julho
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Não ignore a necessidade de diversão
MUITO POUCO É TÃO RUIM COMO EM DEMASIA
EM ÉPOCAS passadas, quando a ética de trabalho era tida em alta conta, muitos consideravam o divertimento como desperdício de tempo. Agora, a busca do prazer é, para muitos, o objetivo principal na vida. No entanto, o trabalho e o divertimento deveriam equilibrar-se.
A espécie correta de trabalho fornece significado e objetivo à vida. O divertimento correto revigora o trabalhador cansado, é uma mudança bem-acolhida que recria o gosto por mais trabalho. Trabalho demais, por tempo demasiadamente longo, esgota o corpo e deprime o espírito. Férias longas que vão além do revigoramento necessário tornam-se enfadonhas. Não pratique demais uma coisa, ignorando a outra.
Não devemos cometer o erro que os puritanos fizeram, considerando toda diversão como errada. O comer não é condenado por causa da glutonaria. O beber não é proscrito por causa da bebedice. Nem se deve mostrar desagrado pela diversão só porque os extremistas abusam dela. Nosso interesse não devia ser rejeitar a diversão, mas, antes, determinar os tipos corretos e as doses corretas da mesma.
Usufruir a Vida ao Ar Livre
As pessoas se voltam para praias, montanhas e parques em tão amplos números que, em alguns lugares, os números excessivos se tornam um problema. Todavia, tais áreas deveras oferecem infinita variedade de distrações — o caminhar, a natação, a corrida de passos curtos, o andar com mochila nas costas, o campismo, fazer piqueniques, estudar a natureza, etc.
Mas não é necessário viajar longas distâncias. Muitos moram perto de bosques. Até mesmo no quintal dos fundos, podem-se erguer ninhos de pássaros e comedouros de aves. Ou, deite-se alguma vez de barriga para baixo e observe uns centímetros quadrados de grama ou de joio, e ficará surpreso diante de toda a atividade dos bichinhos, formigas e aranhas que o deixarão fascinado. Mora numa cidade grande, numa selva de asfalto? Ali mesmo, acham-se disponíveis parques e zoológicos. Museus e planetários deleitam e instruem.
Pais, planejem tais atividades para seus filhos. Forneçam-lhes alguma orientação, algum estímulo por indicar-lhes as possibilidades. Talvez lhes possam contar o ciclo de vida duma borboleta ou duma formiga. Satisfaçam a curiosidade de seus filhos quanto à criação de Jeová. Trata-se duma forma divertida de interessar seus filhos por Jeová Deus e suas criações terrestres, ensinando-lhes sobre seu propósito para com a terra e para com eles, como zeladores da terra. Façam como Jó 12:7-10 recomenda: “Pergunta, por favor, aos animais domésticos, e eles te instruirão; também às criaturas aladas dos céus, e elas te informarão. Ou mostra à terra a tua preocupação, e ela te instruirá; e os peixes do mar to declararão.”
Às vezes, o próprio trabalho é uma recreação. Um homem que trabalha num escritório, ou um estudante que está metido nos livros toda a semana, poderá achar descontraente trabalhar no quintal, ou achar que plantar pequena horta é um projeto satisfatório. Mesmo numa cidade grande talvez haja disponível pequeno lote de terreno. Ou uma floreira de janela, onde se pode cultivar algumas flores e ervas. Há muita gente que acha as plantas de interior um passatempo fascinante que acrescenta beleza ao seu lar. Canários e outros pássaros podem ser criados dentro de casa. Aquários são projetos fascinantes.
Há muitos meios de trazer as criações interessantes de Jeová para dentro de casa, para estudo e distração. Novamente, neste caso, é uma questão de usar-se um pouco de imaginação, e de os pais orientarem os interesses dos filhos para as várias possibilidades.
Passatempos
Crianças pequenas se deleitam em fazer bolos de barro! As mães não são tão entusiásticas quanto a isto, porém. Mas é simplesmente terra, e a água a elimina com facilidade. Tal divertimento pode ser transformado num passatempo, à medida que a criança fica um pouco mais velha. O barro pode tornar-se argila, e o bolo pode tornar-se um vaso. Trata-se dum artesanato bem interessante, há muito praticado com grande perícia instintiva por diferentes membros da família das vespas. (Uma delas é até mesmo chamada, em inglês, de “potter wasp”, “vespa-oleira”.) Outros passatempos poderiam ser fabricar suportes de macramé para vasos de plantas, projetos de costura, tricô, cozinha, artigos de couro que envolvam trançados e gravação, e muitos outros.
“Ver vitrinas” é uma atividade que faz tremer muitos homens fortes, mas que muitas senhoras e jovens apreciam. As mães podem torná-la instrutiva. Preços, qualidade, pechinchas e princípios econômicos podem ser considerados. Trata-se dum passeio barato, especialmente se feito quando as lojas já estão fechadas.
Outra fonte interessante de diversão que também é educativa é visitar fábricas. Leve a família a percorrer uma gráfica, um jornal, uma indústria têxtil, uma fábrica de chocolate, uma fábrica de automóveis ou uma mina de carvão. Há muitas fábricas que permitem excursões dirigidas, e ver como muitos produtos de uso diário são fabricados é extremamente interessante e divertido. Uma excursão a uma usina de fabricação de aço, por exemplo, poderia facilmente tornar-se tema para um relatório escrito ou oral na sala de aula.
Estritamente Para Divertir-se
O entretenimento não precisa ser sempre educativo. Poderá ser simplesmente pela diversão envolvida nele. Isto também terá seu valor. Recreará e revigorará tanto os jovens como os idosos para os assuntos mais sérios da vida.
No entanto, os interesses das pessoas diferem. O que interessa a um talvez enfade a outro. O sexo da pessoa também pode fazer diferença quanto aos interesses dele ou dela. Também a idade da pessoa! Os mais idosos não devem pensar que os jovens ficarão sempre contentes de sentar-se e conversar, ou ler ou jogar dama, só porque o estão agora. Os adolescentes estão cheios de energia, que precisa liberar-se. Talvez anseiem um jogo de beisebol, voleibol, tênis com peteca, andebol, basquetebol, futebol, ou alguma outra recreação ativa.
Talvez duas ou mais famílias possam ir a um parque e fazer um piquenique. Depois disso, os que desejarem podem sentar-se e conversar; outros, com energia acumulada podem liberá-la através de um destes jogos. Caso haja uma competição bem-humorada, não há nenhum mal; mas, se o vencer se torna todo-importante, então surgem discussões, e estraga-se a brincadeira.
Crianças pequenas talvez achem balanços para brincar, ou uma caixa de areia para usar. Até mesmo caixas vazias de papelão ou algumas varas ou blocos de madeira tornam-se casas ou cavernas, aviões ou carros, ou seja lá o que for que a imaginação ativa das crianças resolva fazer deles. Muitas vezes, brinquedos caros ficam de lado ao passo que as crianças gastam toda a tarde num monte de areia, ou brincando com uma caixa grande, sua imaginação transformando-as no que quer que agrade sua fantasia naquele instante. Um caminhão de bombeiros de plástico, que custa Cr$ 500,00, é sempre um caminhão de bombeiros. Mas uma caixa grande de papelão — Ah! ela pode ser quase qualquer coisa!
Os adultos apreciam ver as crianças brincar, ou observar um jogo de futebol que outros realizam, e talvez até mesmo vindo a juntar-se a eles, se acharem que estão à altura disso. As famílias achegadas desse modo se tornam famílias melhores, mais intimamente unidas, e evitam-se os conflitos de geração. Também, este arranjo supre a supervisão quando necessária. Se todos estão de acordo quanto a adorarem seu Criador, então evita-se que bons hábitos sejam corrompidos pelas más companhias. (1 Cor. 15:33) As congregações podem aumentar seu amor fraternal e entendimento quando as famílias não só estudam e pregam juntas, mas também usufruem juntas de uma recreação limpa.
Música e Dança
Alguns membros da família talvez tenham inclinações musicais. Aprender a tocar um instrumento é desafiador e satisfatório, e poderá também tornar-se fonte de divertimento para os ouvintes. Se duas, três ou mais pessoas dentre as famílias cristãs fizerem isso, poderão, com o tempo, tocar juntas, tanto para seu deleite como para o prazer dos ouvintes. Outros talvez queiram até dançar ao som da música que é tocada.
Não há nada de errado com a música, o canto ou os instrumentos musicais, ou com a dança. A música instrumental e o canto estavam relacionados com a adoração de Jeová em Israel. Jovens e idosos dançavam segundo a música, às vezes sozinhos, e, outras vezes, em grupos. (Êxo. 15:20; Sal. 87:7; 149:3; 150:4; Juí. 11:34; Jer. 31:13; Mat. 11:17; Luc. 15:25) Em uma destas ocasiões foi suscitada forte objeção à dança vigorosa, mas não o foi com a aprovação de Jeová. — 2 Sam. 6:20.
No entanto, a dança é como o comer e o beber mencionados antes: poderá ser boa ou má, dependendo do controle exercido sobre ela. A música pode ser suave e fluente, ou poderá ter forte batida, mas não deve ser estridente e tão alta que ponha em perigo a audição duma pessoa ou perturbe outros. A dança não é boa ou má conforme seja lenta ou rápida, mas, se tornar-se sexualmente sugestiva ou estimulante, vai além do divertimento apropriado!
A experiência tem demonstrado a necessidade de supervisão correta para tais ocasiões, não, naturalmente, para estragar o prazer limpo e inocente, mas para coibir os extremos que põem em perigo a moral cristã. Até mesmo a valsa pode tornar-se imoral em certos ambientes. Danças folclóricas, quadrilhas e a maioria das danças modernas podem ser apreciadas, mas, nos ambientes errados, também podem degenerar.
Leitura e Conversação
Há bons livros e artigos de revistas que podem entreter, mas há também os que podem prejudicar a moral. Estes últimos não devem ‘nem mesmo ser mencionados entre vocês’ que são cristãos. A norma deveria ser as coisas verdadeiras, virtuosas, dignas de louvor. — Efé. 5:3; Fil. 4:8.
A mesma orientação deve aplicar-se aos filmes e à televisão. Ainda há alguns filmes que constituem diversão limpa e apropriada, mas eles se tornam a exceção, ao invés de a regra. Muitos programas de televisão ainda servem para descontrair e educar. Há documentários que abrangem a ciência, a história natural, os acontecimentos atuais e outros campos interessantes. Estes, junto com a boa leitura, equipam-nos a conversar prazerosamente uns com os outros.
Conversar? Sim, a conversação não morreu. Sua demanda é ainda demonstrada pela popularidade das entrevistas de televisão. Muita gente, porém, parece não conseguir mais conversar de forma interessante. Falam, mas não comunicam pensamentos e idéias estimulantes. No entanto, mesmo tais pessoas podem ser induzidas a revelar fatos interessantes sobre elas mesmas. Sua infância, seu primeiro emprego, por que decidiram seguir determinada carreira, como vieram a aceitar sua religião — perguntas que as envolvam em tais tópicos resultam em palestras surpreendentemente interessantes.
Se tivermos percepção, cortesia, tato e elogiarmos sinceramente, outros que são normalmente quietos corresponderão, e se comunicarão livremente. Estar interessado neles o torna interessante para eles. Logo começará a desenvolver-se uma palestra a dois, ou a quatro ou seis, para o prazer de todos os participantes. A conversação fascinava os gregos e seus visitantes no primeiro século de nossa Era Comum: “Todos os atenienses e os estrangeiros residentes temporariamente ali gastavam seu tempo de folga em nada mais do que em contar algo ou escutar algo novo.” — Atos 17:21.
Leia, observe, ouça, pense, e terá novas idéias diferentes a contribuir para palestras que entretêm. Evite ser argumentativo ou dogmático. Isso acaba com a comunicação. Seja agradável e de bom gosto, um conversador deleitoso. — Pro. 15:1; 16:21-24; 25:11; Ecl. 12:10; Col. 4:6.
Em conclusão, não rejeite apenas a diversão objetável. Forneça alternativas apropriadas. Se sua religião condena expressamente toda diversão, seus filhos abandonarão a vocês e a ela logo que possível. Assim, não deixe que haja um vácuo quanto à diversão. (Mat. 12:43-45) O artigo a seguir oferece outras possibilidades no que toca ao divertimento.
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