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  • O que está acontecendo com a diversão?
    A Sentinela — 1979 | 1.° de dezembro
    • O que está acontecendo com a diversão?

      Por que são perturbadoras as tendências modernas? Que efeito têm sobre você?

      “A humanidade sempre reconheceu a importância da diversão e seu valor na reconstituição do corpo e da alma dos seres humanos. Mas, sempre reconheceu que a diversão pode ter caráter ÚTIL ou PREJUDICIAL para a raça humana.” — “Código de Produção” da indústria cinematográfica norte-americana.

      QUEM de nós não foi alguma vez reanimado por alguma forma salutar de diversão? Mas, não ficou às vezes um pouco desapontado com a sua diversão? Até mesmo o Código de Produção da indústria cinematográfica adverte contra a diversão “prejudicial” que tende a “degradar os seres humanos, ou a rebaixar suas normas de vida e modo de viver”.

      Muitos têm lamentado o efeito ‘degradante’ de alguns dos atuais filmes, de espetáculos de televisão e da vida social. Por exemplo, quando você procurava diversão, não chegou a ver que algumas de suas normas de moral foram desafiadas por tal entretenimento?

      Citando-se um caso pertinente, certo cinema, cheio de espectadores medianos, passou a vibrar com as gargalhadas, e, finalmente, com os vigorosos aplausos da assistência atenta. E o que se projetava na tela? Uma cena chocante em que dois homens atacavam e estupravam uma mulher desamparada na presença de seu indefeso marido. Quão trágico! A maioria de nós ficamos horrorizados só em pensar em tal ato. Contudo, é óbvio que aquelas pessoas o acharam divertido — uma evidência da degradação que se infiltrou na sua norma de vida.

      A situação já ficou tão séria, hoje em dia, que muitos se perguntam: “O que está acontecendo com a diversão?” Filmes que destacam cenas de espantosa violência e de sexo detalhado são agora êxitos de bilheteria. Formam o grosso dos atuais filmes. Em um só ano, somente nos Estados Unidos, venderam-se mais de um bilhão de entradas de cinema.

      VIOLÊNCIA E SEXO

      A violência nos filmes tem avançado dramaticamente nos últimos anos Certo redator de jornal declarou:

      ‘O homicídio justificável tem sido um dos mais fortes atrativos ao cinema e um dos modos mais fáceis de manipular a assistência. Esta manipulação é a mais simples.

      ‘A assistência não somente se deixa engodar, mas participa de bom grado, até mesmo estando na expectativa dela. No decorrer dos anos, ficamos sabendo, já muito antes de entrar no cinema, que vamos clamar pelo sangue de alguém. Não sabemos exatamente de quem, nem especificamente por quê.

      ‘Portanto, o que diz tudo isso a respeito dos freqüentadores de cinemas? Será que eles são descendentes sanguinários dos antigos romanos famintos de pão e circo?

      ‘Durante um par de horas em cinema após cinema, após cinema, somos às vezes cúmplices ardentes e jubilosos.’

      Os efeitos de alguns destes filmes chocantes têm sido notáveis. Dezenas de pessoas, em vez de ficarem reanimadas, desmaiaram ou vomitaram no cinema. Pelo menos em um caso, um espectador morreu de enfarte durante uma cena sangrenta. Algumas crianças foram retiradas do cinema, gritando histericamente.

      Parece-lhe isso direito? Devem os sofrimentos e a explícita brutalização dos outros ser considerados diversão? É isso correto para os cristãos, a quem a Bíblia aconselha: “Como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos das ternas afeições de compaixão”? — Col 3:12; veja também Provérbios 17:5.

      Junto com esta violência, mostram-se atos sexuais explícitos na tela. Em um país após outro nota-se a popularidade dos filmes que destacam assuntos eróticos. Todavia, alguns têm ficado tão desencantados com o que se apresenta hoje nas telas, que têm feito o mesmo que milhares de famílias australianas, que “eliminaram a tela de cinema da lista de entretenimentos de sua família”.

      A pequena tela, a televisão, está apenas a poucos passos atrás do sexo e do derramamento de sangue dos filmes de cinema. Recentes produções de televisão incluem temas que destacam o homossexualismo, a prostituição masculina e feminina, o incesto, o estupro e o sexo pré-conjugal e extramarital. Quantas vezes já ligou o televisor por acaso, só para recuar horrorizado diante duma cena de sexo ou de forte violência?

      DIVERSÕES EM REUNIÕES SOCIAIS?

      Os gostos quanto à diversão variam. Uma pesquisa feita revelou que uma das principais formas de diversão nos Estados Unidos é a participação em ‘atividades sociais, tais como danças, e dar festas ou comparecer a elas’.

      Entretanto, as situações que muitas vezes acompanham tais ocasiões novamente fazem alguns gemer: “O que está acontecendo com a diversão?” Muitos dos que queriam usufruir um pouco de companheirismo descontraído viram-se envolvidos em situações em que ficaram confrontados com tentações para transigir ou para rebaixar suas próprias normas de moralidade.

      Um relatório procedente da África do Sul revela uma crescente preocupação com as festas em que supostamente se destacam “jogos sexuais”. Os convivas se entregam livremente à imoralidade sexual como parte de algum “jogo” organizado. Um psiquiatra local confirmou estas alegações, dizendo: “Tenho em tratamento diversas senhoras que não conseguem mais suportar a si mesmas depois de terem tomado parte em jogos comunais de sexo em festas.” Alguns dos que a contragosto participaram da imoralidade das festas admitiram que constituía uma “prostituição das normas da própria pessoa”.

      As reuniões sociais estão ficando cada vez mais maculadas pelo excesso das bebidas alcoólicas, a ponto de os participantes ficarem culpados daquilo que a Bíblia descreve como entregar-se a “excessos com vinho, em festanças, em competições no beber”. (1 Ped. 4:3) Esta forma de diversão tem contribuído para a epidemia de alcoolismo em um país após outro. Tem havido um surto de tal atividade especialmente entre os jovens atuais. Uma pesquisa revelou:

      “Adolescentes que bebem . . . são garotos de orientação social, e de grupo, que não gostam de ficar sozinhos e querem estar com amigos em quase todas as suas atividades sociais, e, para eles, beber é uma atividade bem social.”

      Já se sentiu alguma vez aflito pelo que tem acontecido em reuniões sociais destinadas à recreação? Já sentiu a sutil pressão para ‘prostituir suas próprias normas’? Lamentavelmente, muitos respondem que “sim”.

      Certamente, não são todos os filmes, programas de TV e reuniões sociais que são assim. Mas, resta o fato de que muitos o são. O que pode você mesmo fazer para impedir a erosão dos princípios de moral que tem em estima? Qual deve ser a atitude do cristão para com a diversão que é moralmente degradante? Que alternativa há para os que desejam agradar a Deus? Esperamos que leia com interesse os artigos que seguem.

  • Recreação que realmente reanima
    A Sentinela — 1979 | 1.° de dezembro
    • Recreação que realmente reanima

      “ADORAMOS os deuses com alegria, com festas, cantos e jogos, mas vós [cristãos] adorais um homem crucificado, que não se pode agradar com aqueles que têm todo este divertimento, que despreza a alegria e condena os prazeres.” Assim falou um inimigo do cristianismo no segundo século.a Mas, como estava errado! Aqueles primitivos discípulos encontravam realmente verdadeira alegria na vida.

      Seu líder, Jesus Cristo, filho do “Deus feliz”, é mencionado como estando “cheio de alegria”, e como “o feliz . . . Potentado”, o qual, na terra, orou para que seus seguidores ‘tivessem a sua alegria plenamente em si mesmos’. — 1 Tim. 1:11; 6:15; Luc. 10:21; João 17:13.

      A alegria deles não se baseava na hilaridade temporária duma festa ou dum jogo. Conheciam muito bem o antigo provérbio (Pr.14:13): “Mesmo no riso o coração talvez sinta dor; e é em pesar que acaba a alegria.” Seu maior deleite era seguir os princípios do cristianismo. Sua alegria tocava-lhes o coração. Possuíam então uma relação prezada com o Deus Todo-poderoso e o companheirismo de seus concristãos. Tinham também a experiência animadora de ajudar outros a aprender a verdade e de poder criar filhos que seriam motivo de deleite para eles.

      OPORTUNIDADES PARA “FOLGA”

      Cumprirem com suas responsabilidades bíblicas e transmitirem a mensagem cristã a outros, embora muito importante, não levaria todo o seu tempo. Seu Amo, pelo próprio exemplo que deu, mostrou ser correto tomar algum tempo para descanso e reanimação. Depois de um dia inteiro de testemunho, Jesus disse aos seus discípulos: “‘Vinde, vós mesmos, em particular, a um lugar solitário, e descansai um pouco.’ Porque havia muitos que vinham e iam, e não tinham folga nem para tomar uma refeição.” — Mar. 6:31.

      A mesma palavra grega para “descansar” (na voz média do verbo) é traduzida, em Filêmon 20, por “reanimar” (na voz ativa do verbo). De modo que a “folga” pode ser usada para haver uma mudança de ritmo da rotina regular ou para se reanimar, a fim de continuar com o trabalho costumeiro. Aqueles primitivos cristãos, embora primariamente ativos e zelosos na proclamação da mensagem do Reino, achavam ocasionalmente tempo para uma mudança de ritmo, que realmente os reanimava.

      Sem dúvida, visitavam-se uns aos outros e tomavam refeições juntos. Além disso, havia diversas formas de recreação correta a que estes discípulos ou seus filhos podiam entregar-se. Menciona-se que jovens e outros tocavam instrumentos musicais nos tempos pré-cristãos. (1 Sam. 16:18; 1 Reis 1:40; Lam. 5:14; veja Lucas 15:25.) Diz-se que as crianças se empenhavam em brincadeiras e em danças. (Mat. 11:16, 17) Em contraste com o “treinamento corporal” que então havia disponível, como proveitoso “para pouca coisa”, a devoção piedosa expressa em atos era “proveitosa para todas as coisas, visto que tem a promessa da vida agora e daquela que há de vir”. Tudo o que os cristãos faziam era mantido em equilíbrio, não mostrando o desenfreio daqueles que não eram cristãos. Nunca sobrepujava sua “devoção piedosa”, a verdadeira fonte de sua alegria. — 1 Tim. 4:8.

      O QUE ALGUMAS FAMÍLIAS FAZEM AGORA

      Hoje em dia, as famílias cristãs também passam ocasiões reanimadoras juntas. Têm verdadeiro prazer e companheirismo em fazerem algumas coisas em conjunto, principalmente, em divulgar as boas novas do Reino a outros. Contudo, há outras coisas que fazem juntos, tais como participar em diversas formas de recreação. De que espécie? Bem, certo pai, que criou com bom êxito muitos filhos, falou sobre uma variedade de atividades edificantes, acrescentando então: “As formas mais bem sucedidas de recreação parecem ser aquelas que fazem a criança usar a sua energia e oferecem um desafio.”

      Um pai cristão com quatro adolescentes morava numa região em que, pelo visto, não havia oportunidades recreativas. Perguntou-se-lhe se teve problema em encontrar uma recreação significativa para sua família. Ele respondeu: “Providenciar uma recreação nunca é difícil. O único obstáculo a vencer é ver as oportunidades para ela e encontrar contentamento no que se tem. O mais satisfatório parece ser entregar-se a coisas simples, tais como nadar, dar passeios, entreter convidados, e coisas assim. Aprendemos que a nossa reanimação não precisa ser a função de dispendiosas instalações recreativas ou pródigo equipamento, mas, antes, o aproveitamento do que está disponível a todos.”

      Muitos acham que, enquanto se empenham na obra de divulgar o conhecimento bíblico a outros, abrem-se oportunidades para recreação. Um pai de quatro filhos escreveu:

      “Grande parte de nossas atividades recreativas giram em torno de nossas atividades teocráticas, e, enquanto nos entregamos a estas, grande parte da recreação vem como derivado. Dar testemunho no nosso território rural amiúde oferece a oportunidade de fazermos um piquenique. Em muitas ocasiões, terminamos um dia de testemunho por divertir-nos em algum lugar na floresta ou numa área de acampamento.”

      Naturalmente, a situação de cada família é diferente. Sem dúvida, há uma variedade de coisas que as pessoas, como família, acham que servem para descontrair. Ainda outro pai de quatro filhos disse: “Não é a espécie de recreação que mantém os jovens contentes e felizes, mas são o ambiente e a associação relacionados com ele. A relação com os membros da família é que faz com que o tempo gasto seja agradável.” Outro cristão acrescentou: “O que a tornava [i. e., a recreação] tão especial é que nos empenhávamos nela como família.”

      O VALOR DO INTERESSE DOS PAIS

      Portanto, os pais precisam estar cônscios da necessidade dos jovens, de terem alguma atividade significativa para encher parte de seu tempo de folga. Certa mãe, cujo marido não é crente, disse: “É preciso criar no lar um ambiente do qual os filhos não desejarão afastar-se, e quando se afastam temporariamente, desejarão voltar.” Perguntou-se a certos pais, bem sucedidos em criar os filhos, sobre o seu “segredo”. Responderam: “Sempre procuramos fazer a vida conosco, no lar, mais interessante para os nossos filhos do que estarem com os colegas.”

      Tornar a vida em casa “mais interessante” para os filhos requer preocupação de coração por parte dos pais. Certa mãe disse de modo incisivo: “Correr atrás dos pirralhos movimenta e estimula o corpo, mas os adolescentes estimulam e agitam a mente.” Sim, um coração interessado, junto com um esforço mental, é o que se requer dos pais.

      É mais fácil falar sobre tal esforço do que fazê-lo. “Sendo pais de sete filhos, descobrimos que era uma luta alimentar, vestir e abrigá-los”, escreveu um pai, acrescentando, “por isso, nossa recreação era limitada, embora conseguíssemos arranjar algum tempo para recreação”. Muitas vezes, apenas um genitor no lar precisa levar todo o fardo.

      Compreende-se que é difícil voltar para casa, depois de um dia de trabalho árduo, e começar a pensar em como prover alguma recreação para a família. Os pais que conseguem cuidar de todas as suas responsabilidades bíblicas e ainda assim prover alguma recreação significativa para a família são deveras elogiáveis! Embora isso seja difícil, certa mãe, cujos sete filhos todos se tornaram cristãos dedicados, disse: “As alegrias sobrepujam todos os sacrifícios e trabalho árduo.”

      Reagem os filhos favoravelmente? Certo pai viu-se confrontado com o desafio de criar três filhas adolescentes sem a ajuda da esposa. As três moças tornaram-se cristãs devotas. Mais tarde, uma das filhas disse:

      “Fazíamos as coisas em conjunto. Às vezes, quando não tínhamos os meios para alguma diversão, simplesmente íamos passear, amiúde por quarteirão após quarteirão pelas ruas da cidade. Papai não tinha medo de nos deixar saber que ele era humano. Quando não tínhamos aonde ir e estava chovendo, ele dizia: ‘Vamos sair e andar na chuva.’ E nós simplesmente saíamos e andávamos na chuva; não tínhamos aonde ir, mas era tão agradável simplesmente estar com ele. Ele tomou tempo para estar conosco.”

      Ora, nem todos acham que andar na chuva é recreação, mas o ponto é que não é tanto o que se faz, como que se faça algo como família, para prover uma “mudança de ritmo”, a fim de trazer verdadeira reanimação.

      “FAMÍLIA” ESPIRITUAL

      Os que se tornam cristãos usufruem uma preciosa associação com mais outra família, a congregação, que é deveras comparável a uma família completa de ‘irmãos, irmãs, mães, pais e filhos’. (Mar. 10:28-30) Por este motivo, parece apenas natural que os membros da congregação não somente gostem de dar testemunho juntos, em grupo, mas também de passar tempo adicional em mútua associação edificante.

      Tais reuniões sociais podem ser revigorantes e também aumentam a cordialidade da congregação. Perguntou-se a uma jovem cristã sobre qual foi a reunião mais agradável de que se podia lembrar. Ela respondeu sem hesitação:

      “Foi quando algumas famílias da congregação, pais e filhos, se reuniram. Depois de um lanche muito simples, ficamos sentados e conversamos. Um dos irmãos começou a perguntar como alguns de nós nos tornamos Testemunhas de Jeová, ou para contar alguma experiência de nosso trabalho de ensinar outros. Em pouco tempo, diversos passaram a contar como se tornaram cristãos e quais os problemas que venceram Ninguém dominou a conversa, mas muitos contribuíram para ela. Todos ficamos animados pelas experiências. Foi uma ocasião inesquecível.”

      Quando se aplicam os princípios bíblicos, e os anciãos, servos ministeriais e outros presentes usam a sua influência para o bem, tais ocasiões podem ser fonte de verdadeira reanimação, não deixando um sabor amargo na boca de muitos por causa de alguma conduta degenerada. Nunca devemos esquecer que nossa principal comissão é ser testemunhas do nome e do reino de Jeová. Mesmo no ambiente descontraído duma reunião cristã, social, nossa conduta deve dar glória ao nosso Santo Pai. Conforme disse um escritor cristão do segundo século: “Em parte alguma é o cristão outra coisa senão cristão.” — Isa. 5:12; 43:10-12; 1 Cor. 10:31.

      O VALOR RELATIVO DA RECREAÇAO

      A recreação salutar pode prover alguma diversão agradável. Pode reanimar-nos para podermos prosseguir com o nosso trabalho normal. Contudo, ela não é a coisa principal na vida. Certa jovem irmã, bem equilibrada, proclamadora por tempo integral das “boas novas”, na Europa, disse:

      “A diversão não era o que se enfatizava no lar. Para ser franca, a principal coisa no nosso lar era o serviço de campo. O alimento, a roupa, o abrigo, as coisas espirituais e as reuniões eram as coisas importantes. No entanto, quando tínhamos tempo, nos empenhávamos em alguma diversão, talvez visitando outras famílias na congregação.

      “Muitas vezes vi jovens irem a diversos lugares de diversão e pensei: ‘Ora, eu gostaria muito de fazer isso.’ Mas, na realidade, não me prejudicou em nada não me empenhar constantemente em recreação. Nunca foi uma desvantagem para mim. Não estou em pior situação do que todos os outros jovens da minha idade.”

      Se permitíssemos que a diversão desempenhasse um grande papel na nossa vida, isso nos prejudicaria espiritualmente, e talvez até mesmo em sentido físico. Note a advertência clara de Provérbios 21:17, que diz: “Aquele que ama a hilaridade será alguém em necessidade; quem ama o vinho e o azeite não enriquecerá.”

      Naquele tempo, era costumeiro, em reuniões sociais ou banquetes, beber vinho e derramar óleo, e outras substâncias fragrantes, sobre a cabeça e a roupa. (Pro. 27:9; Amós 6:6) Os que amavam tais festividades logo descobriam que outras atividades na sua vida passavam a sofrer, para seu prejuízo. Uma série de experiências lamentáveis tem mostrado que, quando há empenho regular em festividades puramente recreativas, elas têm a tendência de gravitar para o mundanismo. Por isso, é preciso ter muita cautela.

      Nunca se esqueça de que muitos cristãos, em diversas partes do mundo, não têm à sua disposição muito do que é chamado de “diversão” pelas pessoas nas nações mais industrializadas. Mas, eles se arranjam, e, de fato, em muitos sentidos, parecem ser mais felizes e mais contentes do que aqueles que têm uma tão grande variedade de recreação. Um ancião, observando bem a situação internacional, escreveu: “Muitos acham que a ênfase dada à diversos e o declínio da moral andam de mãos dadas.” Portanto, cada cristão precisa prevenir-se contra tal perigo e colocar a “ênfase” na sua participação na adoração de nosso Pai celestial. Temos de encarar também o fato de que, em vista da urgente comissão de proclamar o reino de Deus nestes “últimos dias”, nem nós, como cristãos, nem os nossos filhos, poderemos gastar mais do que o mínimo de tempo com a diversão. É também evidente que os cristãos nunca poderão empenhar-se em tudo o que o mundo chama de “diversão”. De modo que a recreação precisa ser mantida no seu devido lugar. Isto requer que mantenhamos constantemente uma perspectiva espiritual, não carnal, e que nos empenhemos em incutir este conceito no coração de nossos filhos.

      Portanto, mantenha cada cristão um conceito equilibrado sobre a recreação. Façamos nossa vida girar em torno das coisas que dão verdadeira alegria e satisfação ao coração, ao passo que ocasionalmente nos empenhamos em alguma recreação edificante. Acima de tudo, tenhamos a maior felicidade em levar uma vida cristã limpa em proclamar zelosamente a grandiosa esperança do Reino, que em breve ajudará toda a humanidade a levar uma e outros a vida equilibrada e valiosa, para o eterno louvor de nosso Deus, Jeová.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Esta foi a declaração de um Juiz, feita a Epipôdio que professava ser cristão. O Juiz o estava submetendo a interrogatório e tentando fazê-lo transigir. Isto aconteceu supostamente na França, durante o 17.º ano do imperador romano Marco Aurélio. (177 E.C.)

  • Laodicéia e os laodicenses
    A Sentinela — 1979 | 1.° de dezembro
    • Laodicéia e os laodicenses

      Laodicéia, cujo nome talvez signifique “julgamento do povo”, era uma cidade na parte ocidental da Ásia Menor, cujas ruínas ficam a a uns 145 quilômetros a leste de Éfeso, perto de Denizli. Conhecida anteriormente por Dióspolis e Roas, é provável que Laodicéia tenha sido novamente fundada no terceiro século A. E. C., pelo governante selêucida Antíoco II, e chamada segundo a esposa dele, Laódice. Situada no vale fértil do rio Lico (tributário do Meandro [Menderes]), Laodicéia ficava no entroncamento de grandes vias comerciais e estava ligada por estradas com cidades tais como Éfeso, Pérgamo e Filadélfia.

      Laodicéia usufruía grande prosperidade como cidade manufaturaria e centro bancário. Um indício da grande afluência desta cidade é o fato de que, quando sofreu grandes danos por causa dum terremoto, durante o reinado de Nero, pôde ser reconstruída sem ajuda financeira de Roma. (Annals, de Tácito, Livro XIV, seção 27) A lã preta e lustrosa de Laodicéia e as vestimentas fabricadas com ela eram amplamente conhecidas. Sendo sede duma famosa escola de medicina, esta cidade provavelmente produzia também o remédio para a vista conhecido por “pó frígio”. Portanto, é compreensível que uma das principais deidades veneradas em Laodicéia fosse Esculápio, deus da medicina.

      Esta cidade tinha também uma grande desvantagem. Dessemelhante das cidades vizinhas no vale do Lico, tais como Hierápolis, com suas fontes termais famosas pelas suas propriedades curativas, e Colossos, com sua refrescante água fria, Laodicéia não possuía nenhum suprimento permanente de água. A água tinha de ser trazida de grande distância a Laodicéia e provavelmente já era morna quando atingia a cidade. Na primeira parte do percurso, a água era transportada por um aqueduto e depois, mais perto da cidade, por meio de biocos cúbicos de pedra, perfurados pelo meio e cimentados nas extremidades um ao outro.

      Laodicéia parece ter tido um número considerável de judeus. Segundo uma carta de magistrados laodicenses (citada por Josefo), permitia-se aos judeus observar o sábado e seus outros ritos sagrados, de acordo com a injunção de Caio Rubílio. (Antigüidades Judaicas, Livro XIV, cap. X, par. 20, em inglês) Pelo menos alguns dos judeus ali eram bastante abastados. Isto se pode deduzir do fato de que, quando o Governador Flaco ordenou o confisco das contribuições anuais para o templo de Jerusalém, a contribuição dos judeus de Laodicéia supostamente veio a ser mais de dez quilos de ouro.

      No primeiro século E. C., havia uma congregação cristã em Laodicéia, a qual, pelo visto, se reunia na casa de Ninfa, uma irmã cristã. Sem dúvida, os esforços de Epafras contribuíram para o estabelecimento desta congregação. (Col. 4:12, 13, 15) É também provável que o efeito da obra de Paulo em Éfeso se tenha estendido até Laodicéia. (Atos 19:10) Embora não ministrasse ali pessoalmente, não obstante, Paulo preocupava-se com a congregação laodicenses e até mesmo lhe escreveu uma carta. (Col. 2:1; 4:16) Entretanto, alguns eruditos acham que a carta de Paulo talvez fosse simplesmente uma duplicata daquela que enviou a Éfeso. Naturalmente, esta é apenas uma teoria, um empenho para explicar o fato de que a Bíblia não contém nenhuma carta de Paulo ‘aos laodicenses’, embora Paulo lhes escrevesse. A carta a Laodicéia talvez apenas contivesse informações não necessárias para nós, hoje, ou pode ter repetido pontos já adequadamente abrangidos em outras cartas canônicas.

      A congregação de Laodicéia era uma das sete na Ásia Menor às quais o glorificado Jesus Cristo, na Revelação a João, dirigiu mensagens pessoais. (Rev. 1:11) Naquele tempo, perto do fim do primeiro século E. C., a congregação laodicense tinha pouco para recomendá-la. Embora fosse materialmente rica, era espiritualmente pobre. Em vez do ouro literal manejado pelos banqueiros laodicenses, em vez das vestimentas de lã preta e lustrosa, fabricadas localmente, em vez do remédio para os olhos, sem dúvida produzido pelos médicos laodicenses em vez das águas termais, medicinais, das fontes da vizinha Hierápolis, a congregação laodicense precisava de coisas assim em sentido espiritual. Precisava de “ouro refinado pelo fogo” para enriquecer sua personalidade (veja 1 Coríntios 3:10-14; 1 Pedro 1:6, 7), roupas exteriores brancas, para ter uma irrepreensível aparência cristã, sem aspectos não-cristãos, que eram tão vergonhosos como a nudez física. (Veja Revelação 16:15, 19:8.) Precisava de um espiritual “ungüento para os olhos” para tirar-lhe a cegueira para com a verdade bíblica e as responsabilidades cristãs. (Veja Isaías 29:18; 2 Pedro 1:5-10; 1 João 2:11.) Ela podia comprar essas coisas de Cristo Jesus, Aquele que batia à porta, se o acolhesse hospitaleiramente. (Veja Isaías 55:1, 2.) Ela precisava tornar-se estimulantemente quente (veja Salmo 69:9; 2 Coríntios 9:2; Tito 2:14) ou refrescantemente fria (veja Provérbios 25:13, 25), mas não devia continuar morna. — Rev. 3:14-22.

  • Você não anda mais assim como as nações andam
    A Sentinela — 1979 | 1.° de dezembro
    • Você não anda mais assim como as nações andam

      “Não mais andeis assim como também as nações andam . . . ao passo que estão mentalmente em escuridão.” — Efé. 4:17, 18.

      1. Por que é importante a informação que se segue?

      A condição moral, em toda a terra, está piorando drasticamente. Formas de diversão, que há alguns anos teriam sido consideradas como estarrecedoras são agora muito bem aceitas pelas massas do povo. Esta influência está ameaçando até mesmo a congregação cristã. O que se pode fazer para resistir a tais tendências? Os artigos que se seguem fornecerão algumas respostas significativas.

      2, 3. (a) Com que compararam Jesus e Paulo a conduta dos cristãos? (b) Qual é a reputação geral das Testemunhas de Jeová, mas, o que tem acontecendo com alguns?

      2 “Vós sois a luz do mundo”, declarou Jesus Cristo. A conduta do cristão deve brilhar luminosamente num mundo moralmente obscurecido. Paulo exortou a todos os discípulos, “que vivem num mundo pervertido e doentio”, a continuarem a ‘brilhar como luzes num lugar escuro’. No entanto, aqueles primitivos discípulos, embora associados com Jesus e os apóstolos, ainda assim eram homens imperfeitos. Se não tivessem cuidado, poderiam ficar influenciados pelo ambiente moral do “mundo pervertido e doentio”, e, num momento de tentação, poderiam abandonar sua moralidade cristã. De fato, alguns voltaram completamente para as obras da escuridão. — Mat. 5:14; Fil. 2:15, tradução de Phillips, em inglês; Fil. 3:18, 19.

      3 Também em nosso tempo exerce-se pressão, a fim de fazer-nos voltar para a escuridão deste mundo. Lamentavelmente, alguns cristãos cederam a tal pressão. Embora as Testemunhas de Jeová, como um todo, sejam conhecidas mundialmente pela sua vida honesta e de boa moral, alguns, individualmente, deixaram de andar como “filhos da luz” e tiveram de ser excluídos da congregação. A conduta destes não é mais exemplar. O que estaria contribuindo para tais ocorrências desagradáveis? — 1 Cor. 5:13; Efé. 5:8.

      PRESSÃO DO MUNDO

      4. O que tem acontecido à moral do mundo, e como é isso atestado pelas formas populares de diversão?

      4 É óbvio que o ambiente moral, em todo o mundo, está piorando. Muitos, no mundo, têm “ficado além de todo o senso moral”. (Efé. 4:19) Isto se evidencia nas formas de diversão hoje em voga. Por que destacar a diversão? Porque podemos aprender muito sobre as inclinações de alguém à base do que ele faz após as horas de trabalho regular, quando pode fazer o que quiser. O que alguém faz no seu tempo livre, quando está “de folga”, por assim dizer, revela muito sobre o que ele realmente é. A julgar pelas formas notoriamente más de diversão, que hoje são populares, a qualidade moral do mundo, hoje em dia, é bastante baixa. Mas, será que tal baixeza influi em você?

      5. Por que é oportuno que consideremos o conselho do livro de Efésios?

      5 Lembre-se de que nós não somos os primeiros cristãos a viver num período de baixa moralidade. A descrição dos que ficaram “além de todo o senso moral” aplicava-se a alguns dos que viviam na cidade de Éfeso, no Oriente Médio, durante os primórdios do cristianismo. A carta do apóstolo Paulo aos cristãos efésios deve ser de máxima importância para nós, porque nela ele toca no âmago do que significa andar como “filhos da luz”. Seu conselho é realmente pertinente, nestes “últimos dias” críticos, quando muitos professos cristãos são “amantes de prazeres”. — 2 Tim. 3:1-7, 13.

      COMO AS NAÇÕES ANDAM

      6, 7. (a) Em Efésios 4:17, os cristãos são exortados a deixarem de fazer o quê? (b) Como ‘andavam’ as pessoas das nações, no primeiro século?

      6 Em Efésios 4:17, Paulo exorta seus concristãos a “não mais [andarem] assim como também as nações andam na improficuidade das suas mentes”. Como ‘andavam’ então as pessoas das nações? Uma testemunha ocular, do primeiro século, confessou:

      “Os homens buscam prazeres de todas as fontes. Nenhum vício permanece dentro dos seus limites, . . . Somos vencidos pelo esquecimento daquilo que é honroso. O homem . . . é agora massacrado por brincadeira e esporte . . . é um espetáculo satisfatório ver um homem transformado em cadáver.”a

      Muitos, sem terem um genuíno alvo na vida, dão ênfase excessiva à diversão, à busca de prazeres de qualquer fonte.

      7 A antiga Éfeso estava bem preparada para satisfazer os desejos de recreação. Tinha um enorme anfiteatro com 25 000 lugares, e um estádio ou hipódromo que podia oferecer espetáculos para deleitar qualquer gosto. Estas construções eram produtos do então existente império mundial, Roma, de que certo historiador disse: “A condição moral do império, deveras, é em alguns sentidos um dos quadros mais horrendos de que há registro.”

      CORAÇÕES INSENSÍVEIS

      8. (a) Efésios 4:18 traz à atenção as pessoas de que espécie de coração, e o que significava originalmente a palavra grega? (b) foi repentino o desenvolvimento de tal condição?

      8 Paulo descreveu as pessoas como estando “mentalmente em escuridão, . . . por causa da insensibilidade de seus corações”. (Efé. 4:18) O coração delas não tinha sentimentos. A palavra grega para “insensibilidade” remonta à descrição duma pedra que era mais dura do que o mármore. A palavra era usada na medicina para o cálculo gotoso que se pode formar aos poucos em algumas juntas do corpo, até paralisar todo o movimento. O coração de tais obscurecidos aos poucos havia ficado embotado, insensível, qual pedra. Isto não aconteceu da noite para o dia, mas veio aos poucos. Sua escolha de diversão contribuiu diretamente para isso. De que modo?

      9, 10. Qual era a forma mais popular de diversão no primeiro século, e que efeito tinha sobre os espectadores?

      9 Sabe qual era a forma de diversão mais popular naquele tempo? Os jogos de gladiadores, em que um homem muitas vezes era jogado contra outro homem ou contra um animal, numa luta até a morte. Imagine a cena: O estádio está cheio de milhares de espectadores, alguns sentados à sombra dum suntuoso toldo de seda. Música suave e o aroma de água perfumada fluindo pelos corredores provêem um cenário agradável, que encobre os sons e os cheiros da morte. De repente, a multidão inteira se levanta freneticamente e grita: “Mate-o! Fustigue-o! Marque-o! Por que é ele tão covarde em enfrentar a espada? Por que é tão fraco em golpear?” Toda esta carnificina organizada, conforme disse um dos que presenciaram os jogos, era feita para “um pouco de diversão, folia e descontração”

      10 Aqueles que costumavam presenciar tais embates violentos, cujos olhos se regalavam com tal derramamento de sangue, achavam outras formas de entretenimento enfadonhas e insípidas. Conforme certo historiador o resumiu, isso “destruía o nervo de compadecimento com o sofrimento,que diferencia o homem da criação animal”.

      11. Certo ou errado?: Visto que não há mais Jogos gladiatórios, as diversões atuais não podem produzir pessoas com ‘coração insensível’. Por que responde assim?

      11 Talvez diga que esta era uma condição inacreditável. Mas, não existe hoje uma situação similar? É verdade que as competições entre gladiadores já desapareceram há muito tempo, mas, note a experiência dum repórter de notícias:

      “Mate-a! Acabe com ela! Em harmonia com a deixa, o matador ‘acabou com ela’. Atirou nela várias vezes. . . . Os que ordenaram a execução — três pessoas sentadas atrás de mim no cinema, que, em todos os outros sentidos, eram freqüentadores medianos de cinema.”

      Acha que era um caso isolado? Dificilmente. Acontece que, em muitos países, os filmes e programas de televisão mais populares amiúde são os que destacam a violência. Tal diversão tem contribuído para produzir pessoas impiedosas, que “cessaram de ter dó” ou qualquer dor de consciência. — Efé. 4:19, Interlinear do Reino, em inglês.

      ENTREGUES À CONDUTA DESENFREADA

      12. (a) Efésios 4:19 fornece que descrição adicional sobre como as pessoas das nações andavam? (b) Qual é o significado de “conduta desenfreada”, e refletia-se ela na diversão daquele tempo?

      12 O apóstolo Paulo acrescentou que as pessoas das nações não só tinham ‘coração insensível’, mas também ‘se entregavam à conduta desenfreada, para fazerem com ganância toda sorte de impurezas’. (Efé. 4:19) Ele falou também sobre “fornicação” e sobre coisas “vergonhosas até mesmo para relatar” (Efé. 5:3, 12) No primeiro século, foi novamente a diversão, esta vez o palco ou teatro, que contribuiu muito para estas práticas. O que se podia presenciar?

      “As aventuras de maridos enganados, adultérios e intrigas amorosas constituíam o elemento principal dos enredos. Zombava-se da virtude, . . . tudo o que era sagrado e digno de veneração era lançado no lamaçal. Em matéria de obscenidade, . . . em linguagem e exibições impuras, que ultrajavam o sentido da vergonha, estes espetáculos excediam a tudo o mais. Dançarinas de balé jogavam fora seus vestidos e dançavam seminuas e até mesmo totalmente nuas, no palco. A arte era deixada fora de cogitação, tudo se destinava a mera satisfação sensual.” — The Conflict of Christianity with Heathenism, de Gerhard Uhlhorn, p. 120.

      Muito chocante! É o próprio epítome da “conduta desenfreada”, porque a palavra grega, original, transmite a idéia de prontidão para qualquer prazer. É uma vergonhosa desconsideração à decência, em que se deixa de se importar com o que as pessoas dizem ou pensam.

      13. É uma similar “conduta desenfreada” prontamente evidente em algumas das atuais formas de diversão?

      13 Será que hoje é diferente? A imoralidade sexual está saturando o que os meios de diversão têm para oferecer. Em alguns países, filmes pornográficos têm sido exibidos até mesmo na tela da televisão, atingindo assim o próprio lar. Há reação dos espectadores? Na Itália, quando se mostrou na TV certo filme pornográfico, “a cidade quase que parou durante o espetáculo”.

      14, 15. (a) O que significa “ganância” (Efé. 4:19), e é ela hoje criada pelas formas de diversão? (b) Podem os cristãos dedicados ficar influenciados por encararem como diversão a matéria que apresenta imoralidade sexual?

      14 Descrevendo o teor de muitos filmes e a atitude das pessoas, um escritor disse:

      “Na maioria dos novos filmes, cenas de sexo nu — heterossexual, incestuoso ou homossexual — são o elemento principal, . . . ” Ele concluiu: “Em suma, atingimos agora na nossa sociedade um ponto em que tudo vale, tudo é permitido, e não se impõe limites aos apetites da pessoa, à satisfação de seus desejos e de suas fantasias.”

      15 Conforme descreveu o apóstolo Paulo, estas são pessoas que fazem “com ganância toda sorte de impureza”. Sim, “ganância” [“avidez”, Almeida], o desejo cobiçoso de fartar o apetite pelo que é indecente e satisfazer as emoções a qualquer custo moral. (Efé. 4:19) Não é possível que observar tal matéria depravada afete o modo de pensar do cristão? Alguém que viu diversos filmes desta natureza admitiu:

      “Você nunca se esquece de tais cenas [demonstrando a imoralidade sexual], e quanto mais pensa nelas, tanto mais passa a querer fazer aquilo que viu . . . O filme faz você pensar que realmente está perdendo alguma coisa.” Outro acrescentou: “Começa-se a pensar como seria fazer algo assim.”

      Talvez nem todos passem por isso, mas o perigo existe. Nossa mente pode ser sutilmente influenciada.

      MILAGRE MORAL

      16. De acordo com Efésios 1:6-8, que ricas bênçãos foram recebidas pelos cristãos, e como influiu isso na sua vida?

      16 Que contraste com o proceder daqueles que, no primeiro século, realmente seguiam a Cristo! Eles haviam anteriormente andado sob a influência do sistema e de seu “governante”, Satanás, e a própria natureza deles havia sido a de fazer “as coisas da vontade da carne”. Mas, eles haviam mudado. As elevadas verdades do cristianismo abriram-lhes toda uma nova perspectiva de vida. Imagine só! Deus estava disposto a sacrificar seu próprio Filho, seu “amado”, para que pudessem receber o perdão de sua pesada dívida do pecado! Que preço elevado! Que misericórdia e benignidade imerecida! “Esta [benignidade imerecida] ele [Deus] fez abundar para conosco em toda a sabedoria e bom senso”, declarou o apóstolo Paulo. De modo que não somente tiveram conhecimento da verdade, mas também receberam “bom senso”, para poderem lidar com bom êxito com os problemas cotidianos da vida. — Efé. 1:6-8; 2:1-5.

      17. (a) Que evidência há de que o cristianismo era uma religião de poder? (b) Como se demonstrava o seu poder moral?

      17 A sua religião era de poder. O espírito de Deus havia ressuscitado a Jesus dentre os mortos para uma posição enaltecida, muito acima de toda autoridade mundana. Agora, este mesmo ‘poder é para com os que crêem’. (Efé. 1:19-21) E que resultado produziu na vida daqueles crentes! Por examinarmos o assunto da moral, podemos reconhecer o poder do cristianismo do primeiro século. O mundo antigo considerava a imoralidade sexual como sendo a norma. Cícero, primitivo escritor romano, até mesmo suplicou:

      “Se houver alguém que acha que se deve proibir absolutamente aos jovens o amor das cortesãs [prostitutas], ele está sendo deveras extremamente severo. . . . Quando é que não se fazia isso? Quando é que alguém já achou defeito nisso?”

      No entanto, os “filhos da luz” libertaram-se de tais práticas e ficaram livres delas. Em toda a história não há nada que se compare com o milagre moral produzido pelo cristianismo.

      OS FILHOS DA LUZ COMPORTAM-SE DE MODO DIFERENTE

      18. Por meio de que proceder mostrariam os primitivos discípulos seu apreço por serem um “povo santo”?

      18 Esses discípulos tinham uma elevada norma para satisfazer. Por isso, Paulo aconselhou: “A fornicação e a impureza de toda sorte . . . não sejam nem mesmo mencionadas entre vós, assim como é próprio dum povo santo.” (Efé. 5:3) Não basta apenas refrear-se de fazer tais coisas, mas deve-se evitar até mesmo falar sobre elas com o fim de derivar algum prazer sensual. Quão longe era seu modo de pensar do de alguns da atualidade que acham que: ‘Enquanto realmente não se comete imoralidade, não há nada de errado em vê-la e em falar sobre ela como diversão’!

      19. O que achavam escritores cristãos do segundo e do terceiro século sobre (a) a ‘sem-vergonhice do teatro e a selvageria da arena’. (b) o espetáculo de ‘um homem ser morto’ (c) aquilo que podia ‘inflamar alguém de paixão ou lascívia’? (d) Como se pode aprender a fazer coisas erradas?

      19 O que achavam aqueles primitivos cristãos a respeito dos jogos gladiatórios e do teatro, que eram a “coisa do momento” em matéria de diversão? Note os seguintes comentários de alguns professos escritores cristãos, que viveram durante o segundo e o terceiro século:

      “Nós [cristãos], em falar, observar ou ouvir, não temos nada que ver com a loucura do circo, a sem-vergonhice do teatro, a selvageria da arena . . . Por que vos ofenderíamos, se presumimos a existência de outros prazeres?” — Tertuliano.

      “Nós, considerando que ver um homem ser morto é quase o mesmo que matá-lo, abjuramos [renunciamos solenemente a] tais espetáculos [os jogos gladiatórios].” — Atenágoras.

      “A influência corrompedora do palco é ainda mais contaminadora. Porque o tema das comédias é a desonra das virgens, ou o amor das meretrizes; . . . O que podem fazer os jovens ou as virgens, quando vêem que estas coisas são praticadas sem qualquer vergonha e voluntariamente presenciadas por todos? Eles são claramente admoestados sobre o que podem fazer e ficam inflamados de paixão, que é especialmente estimulada pela observação.” — Lactâncio. [O grifo é nosso.]

      “O que está fazendo o cristão entre essas coisas, visto que não pode nem mesmo pensar na iniqüidade? Por que acha prazer nas representações da paixão . . .? Ele aprende a fazer, ao passo que se acostuma a ver. . . . Acostumamo-nos rapidamente ao que ouvimos e ao que vemos.” — Cipriano.

      20. (a) Por que evitavam os primitivos cristãos a diversão degradada? (b) Por que era sua conduta notavelmente diferente?

      20 Embora estes homens vivessem alguns anos depois dos cristãos do primeiro século, podemos ver como entendiam a atitude do cristão em tais assuntos. Evitavam tais diversões aviltantes. Podiam ver a incoerência de aqueles que haviam sido tirados da escuridão, que haviam eliminado de sua vida a conversa obscena, a violência e a imoralidade, em sentarem-se deliberadamente e observarem tais coisas como diversão. Na maior parte, aqueles cristãos acatavam o conselho de Paulo, de ‘cessar de compartilhar com eles nas obras infrutíferas que pertencem a escuridão, mas, antes, até mesmo repreendê-los’. Sua vida diária de pureza, no meio dum mundo degradado, era uma constante ‘repreensão’ para as pessoas das nações. Não é de admirar que eles fossem classificados pelo mundo ímpio como “inimigos da humanidade”. Aqueles discípulos mostravam de bom grado que estavam sob uma influência melhor do que seus vizinhos de mentalidade carnal. Demonstravam que haviam ‘sido feitos novos na força que ativava a sua mente’. E que “força” diferente ela era! Os outros não podiam deixar de perceber isso. Não queremos ser desta espécie de pessoas? Não importa o que professemos, ou mostramos os “frutos da luz”, ou andamos assim como as nações. — Efé. 4:23; 5:9, 11.

      21. Por que motivo devemos hoje examinar realisticamente a nossa escolha de diversão?

      21 Então, que dizer hoje de nossa escolha de diversão? Quando nós, ou nossos filhos, ligamos o televisor ou vamos ao cinema, o que vemos? Há alguma diferença real entre o que escolhemos ver e ‘a sem-vergonhice do teatro romano e a selvageria da arena’? Há casos reais que mostram como alguns cristãos foram negligentes e ficaram enlaçados pela imoralidade por causa do que tomaram por hábito de observar.

      22. (a) Será que para os cristãos do Primeiro século era fácil andar como filhos da luz e, contudo, o que eram capazes de fazer? (b) Que perguntas adicionais requerem respostas?

      22 Em contraste com isso, quanta força moral demonstravam aqueles primitivos cristãos! Apesar de viverem num mundo em que o coração dos homens ficara tão empedernido que eles nem se apercebiam de que estavam pecando, e em que todo o senso de vergonha e decência ficara esquecido, eles conseguiram manter a mente fixa nas coisas que são ‘verdadeiras, de séria preocupação, justas, castas, amáveis, de que se fala bem, virtuosas e louváveis’. (Fil. 4:8) Como mantiveram tal força no meio dum ambiente imoral? Deve lembrar-se de que eles eram apenas pessoas de carne e sangue, assim como nós, hoje. Também tinham a necessidade básica de recreação. Quais eram seus “outros prazeres”? Como podemos imitar, mesmo ainda mais de perto, tais exemplos primorosos de “filhos da luz”? Estas perguntas importantes serão consideradas no artigo que segue.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Lúcio Sêneca (4 A.E.C.? — 65 E.C.) Epístola 95, § 33.

  • Prossiga andando como filho da luz
    A Sentinela — 1979 | 1.° de dezembro
    • Prossiga andando como filho da luz

      “Outrora éreis escuridão, mas agora sois luz em conexão com o Senhor. Prossegui andando como filhos da luz.” — Efé. 5:8.

      1, 2. (a) Na ilustração, por que e vital que o homem siga andando contra o vento? (b) Por que precisa o cristão lutar para evitar que ande assim como as nações?

      O HOMEM lutava contra o forte vento. Esforçando-se com cada passo, avançava sem vacilar. Por que todo este empenho? Por que não simplesmente dar meia-volta e deixar-se levar pelo vento? Porque a pouca distância atrás dele abria-se um profundo e escuro abismo. Ele não tinha outra escolha, se quisesse viver. Não é de admirar que lutasse contra o vento no seu avanço.

      2 Hoje, igual a um vento feroz, o “espírito do mundo”, sob a direção de Satanás, está tentando arrastar toda a humanidade para um rumo que a levará inevitavelmente ao “abismo” da destruição, na expressão do furor de Deus. (1 Cor. 2:12; Efé. 5:6) Evitar tal furor requer que o cristão como que ‘ande contra o vento’. Ele precisa lutar, se há de andar como ‘filho da luz’, e não assim como as “nações andam” ou se comportam. — Efé. 4:17; 5:8.

      PRECISA HAVER FORÇA ÍNTIMA

      3. (a) Segundo Efésios 3:16, em que direção têm de se desenvolver os nossos esforços, para sermos bem sucedidos em evitar andar assim como as nações? (b) Como fortalecemos o nosso ‘íntimo’?

      3 Em que direção têm de se desenvolver nossos esforços, para sermos vitoriosos nesta luta? Paulo responde por exortar-nos a ‘sermos feitos poderosos no homem que somos no íntimo, com poder por intermédio do espírito’ de Deus. Este é o ponto em que precisamos fazer empenho, a saber, o ‘homem íntimo’, aquilo que somos por dentro, na “pessoa secreta do coração”. Este precisa ser fortalecido. Como? A chave está no Ef 3 versículo 7 que segue: “Para que o Cristo more em vossos corações, com amor, por intermédio da vossa fé.” — Efé. 3:16, 17; 1 Ped. 3:4.

      4. (a) O que está envolvido em deixarmos ‘Cristo morar em nosso coração’? (b) Que perguntas reveladoras devemos individualmente considerar?

      4 Termos ‘Cristo morando em nosso coração’ significa que primeiro é preciso expulsar o espírito do mundo. Como pode o espírito de Cristo saturar o ‘homem íntimo’, se Satanás, o “espírito que agora opera nos filhos da desobediência”, ainda opera em nós ou começa a introduzir-se novamente na nossa vida? (Efé. 2:2) Portanto, pergunte-se: “Será que, no meu coração, ainda gosto do espírito satânico deste sistema? Divertem-me as coisas que mostram sua completa falta de senso moral?” Podemos facilmente apresentar aos outros certa aparência, quando, na realidade, no íntimo, somos uma pessoa bastante diferente. Cristo mora em nosso coração por deixarmos seu exemplo e seus ensinos afetar nossos sentimentos, e nossas ações. Por exemplo, Jesus disse que seus seguidores não deviam olhar com paixão para alguém do sexo oposto. Obedecemos a estas palavras nos nossos pensamentos? Evitamos seriamente as coisas que estimulariam tais sentimentos? Considere o seguinte: Deixar-se-ia Jesus levar pelo espírito da forma de diversão a que nós nos entregamos? Temos nós o seu espírito de ‘amar a justiça, mas odiar o que é contra a lei’? Em caso afirmativo, deixamos que o espírito de Cristo encha nosso íntimo, tendo a “mesma disposição mental” de Cristo. — Mat. 5:27, 28; Heb. 1:9; 1 Ped. 4:1.

      5, 6. (a) Por que são vitais o estudo pessoal e a meditação para fortalecermos o ‘homem íntimo’? (b) Será que a resposta completa está no conhecimento intelectual? Caso contrário, o que mais é necessário?

      5 Portanto, é vital que estudemos pessoalmente a Bíblia e meditemos nela, se havemos de ficar “arraigados e estabelecidos sobre o alicerce, a fim de que [sejamos] cabalmente capazes de compreender, junto com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade” da verdade da Palavra de Deus, especialmente conforme se relaciona com o exemplo de amor provido pela vida e pelos ensinos de Jesus Cristo. Aquilo que está profundamente arraigado não pode ser facilmente arrancado; o que foi estabelecido sobre um alicerce sólido não pode ser facilmente removido. Portanto, precisamos manter forte nossa ‘raiz e alicerce’ espiritual por deixar que o conhecimento de Cristo penetre fundo no ‘homem que somos no íntimo’. — Efé. 3:17, 18.

      6 Entretanto, nunca deve pensar que ter Cristo morando no seu coração significa apenas acumular meticulosamente vários fatos bíblicos. O apóstolo Paulo conhecia muito bem o perigo da fé que se baseia exclusivamente em conhecimento intelectual, e por isso prosseguiu: “E para que conheçais o amor do Cristo, que ultrapassa o conhecimento, a fim de que estejais cheios de toda a plenitude dada por Deus.” Precisa-se de mais do que apenas ‘conhecimento intelectual’. É verdade que, quanto mais você se associa com alguém, tanto mais entende seu modo de pensar. Mas, somente quando começa a imitar a ele no seu modo de lidar com outros ou quando imita seu proceder na vida é que pode realmente avaliar os sentimentos dele. Do mesmo modo, também, não se pode compreender o amor de Cristo apenas pela leitura de uns livros, mas, quando alguém se torna similar a Cristo, então, pela experiência solidária, é que ele pode conhecer aquilo que “ultrapassa o conhecimento”. — Efé. 3:19.

      7. Certo ou errado?: Visto que Cristo era perfeito, é demais esperar que sejamos semelhantes a ele. Qual é o motivo bíblico para a sua resposta?

      7 Que alvo elevado! Que exemplo nobre para tentar imitar! Pode, deveras, parecer uma tarefa enorme, mas, com a ajuda de Deus, pode ser executada, apesar de nossa capacidade imperfeita, porque Paulo disse que Deus é capaz de “fazer mais do que superabandantemente além de todas as coisas que peçamos ou concebamos”. A questão é: Faremos a nossa parte? — Efé. 3:20; veja também 1 Pedro 2:21 e 1 Coríntios 11:1.

      ‘PONHA DE LADO A VELHA PERSONALIDADE COM SEUS DESEJOS ENGANOSOS’

      8. (a) Segundo Paulo que espécie de desejos podem persistir junto com a ‘velha personalidade”? (b) Como justificaram alguns a sua escolha de formas degradantes de diversão, e é tal raciocínio biblicamente válido?

      8 Assim exortou o apóstolo Paulo em Efésios 4:22. Não, não remende a velha personalidade, mas ‘ponha-a de lado’, livre se dela. (Col. 3:9) Por quê? Porque os seus “desejos enganosos”, que persistem em nosso “traiçoeiro” coração, podem ‘corromper’ ou podem fazer a velha personalidade ir de mal a pior. (Jer. 17:9) Alguns cristãos, para justificarem a diversão obviamente degradante a que se entregam, têm argumentado: ‘Não incomoda a minha consciência; portanto, o que há de errado nisso?’ Será que sua consciência está errada e eles são enganados pelos desejos de seu coração? O simples fato de que nossa consciência não nos incomoda não é garantia nenhuma de que nosso proceder seja certo. Até mesmo o apóstolo Paulo admitiu: “Pois não estou cônscio de nada contra mim mesmo. Contudo, não é por isso que eu seja mostrado justo, mas quem me examina é Jeová.” (1 Cor. 4:4) A consciência de muitos na primitiva congregação coríntia havia ficado tão insensível, que eles toleravam a imoralidade no seu meio, até mesmo gabando-se dela. Que consciência desencaminhada! — 1 Cor. 5:1, 2, 6; Tito 1:15; 1 Tim. 4:2.

      9. Que relatório perturbador mostra como a consciência pode ficar gradualmente alterada?

      9 É fácil deixarmos nossa consciência ficar gradualmente corrompida pelos “desejos enganosos”. Do escritório das Testemunhas de Jeová num país europeu veio o seguinte relatório perturbador:

      “É certo que, há uns 10 anos, nossos irmãos não teriam ido ver a maioria dos filmes que agora são exibidos, visto que se alterou seu senso de decência. Não há dúvida de que as tendências deste mundo, em certa medida, têm influenciado alguns de nossos irmãos.”

      10. (a) Como foi manobrada a aceitação dos jogos gladiatórios, no primeiro século? (b) O que podemos aprender disso?

      10 Satanás empenha-se, bem devagarzinho, a fazer com que se aceite suas normas depravadas. Quando os jogos gladiatórios foram introduzidos na Palestina, inicialmente foram recebidos com “terror” pelos “desacostumados a tais espetáculos”, segundo o historiador Lívio, do primeiro século, que acrescentou:

      “Daí, pelas freqüentes repetições, permitindo-se às vezes que os lutadores apenas se ferissem uns aos outros . . . ele tornou o espetáculo familiar e até mesmo agradável, e despertou em muitos dos jovens a alegria com as armas.”

      Passo a passo, o horror deles se abrandou. Com o tempo, não ficaram mais chocados, mas tornaram-se participantes animados. Os métodos de Satanás raras vezes mudam; portanto, esteja atento para que seu “senso de decência”, como cristão, não se altere devagarzinho. Pare e pense: Até onde lhe permite ir a sua consciência? É longe demais? No campo da diversão, é seu proceder pouco diferente daquele das pessoas que estão “além de todo o senso moral”?

      CERTIFIQUE-SE DO QUE É ACEITÁVEL PARA O SENHOR

      11, 12. (a) Por que é agora tão vital o conselho de Efésios 5:10 e 17, e como pode ser aplicado? (b) Torna-se a diversão corruta aceitável para o cristão pelo fato de ter alguns aspectos benéficos?

      11 Muito daquilo que é moralmente podre nos é apresentado como se fosse perfeitamente sadio. Por isso temos de ‘persistir em certificar-nos do que é aceitável para o Senhor’. “Por esta razão [porque os dias são iníquos], deixai de ficar desarrazoados, mas prossegui percebendo qual é a vontade de Jeová.” — Efé. 5:10, 17.

      12 De modo que, quanto à diversão provida pelo mundo, a chave é ser seletivo. Ilustrando isso, certa pessoa disse: “Na maior parte, o filme é bastante bom, porém, muitos deles sempre têm cenas sexuais, de modo que, se quiser ver o resto do filme, tem de ver sexo.” Será que vale a pena ver a maior parte dum filme “bastante bom”, em vista do possível dano moral causado pelas “cenas sexuais” dele? Tais cenas, apresentando aquilo que se faz em secreto, são agora projetadas perante os espectadores. Se Paulo disse: “As coisas que [os das nações] realizam em secreto são vergonhosas até mesmo para relatar” qual deve ser a nossa atitude quanto a ver qualquer parte disso como diversão? (Efé. 5:12) Em vez de o cristão consultar a lista talmúdica de regras dos judeus, ele deve usar as suas próprias “faculdades perceptivas” e ‘deixar de ficar desarrazoado [em grego: “insensato, falto de inteligência moral”]’. (Heb. 5:14) Isto pode significar que evitemos totalmente certos filmes ou espetáculos de TV, os quais, encarados de outro ângulo, talvez tenham alguns aspectos de entretenimento. Um dos escritores que professavam ser cristãos, no segundo século, salientou um ponto excelente no seu ensaio Sobre as Representações Teatrais:

      “Admite-se que tendes ali [nas representações teatrais] coisas que são agradáveis, coisas que tanto são prazenteiras como inocentes em si mesmas, até mesmo algumas coisas excelentes. Ninguém dilui o veneno com fel [uma substância amarga] . . . a coisa maldita é posta em condimentos bem temperados e de sabor doce.” — The Shows, de Tertuliano.

      13. Como se pode ajudar aquele que, com “palavras vãs”, procura minimizar o conselho da Bíblia?

      13 Quão bom é quando nós, individualmente, podemos animar-nos uns aos outros para seguir um rumo que é “aceitável para o Senhor”! A seguinte expressão dum jovem é deveras elogiável: “Acho que entre os adolescentes espiritualmente maduros se faz um tremendo esforço para ficar longe dos filmes imorais e também para incentivar outros a ficarem longe deles.” Entretanto, Paulo advertiu a congregação de que certos minimizariam o conselho franco das Escrituras, quando disse: “Nenhum homem vos engane com palavras vãs, pois, por causa das coisas já mencionadas [fornicação, impureza, conversa obscena, e assim por diante] vem o furor de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Efé. 5:6) Aqueles que usam “palavras vãs” poderiam exercer uma péssima influência sobre os outros. Quanto àqueles que persistem em andar desordeiramente, o apóstolo Paulo recomendou:

      “Mas, se alguém não for obediente à nossa palavra . . ., tomai nota de tal, parai de associar-vos com ele, para que fique envergonhado. Contudo, não o considereis como inimigo, mas continuai a admoestá-lo como irmão.” — 2 Tes. 3:14, 15.

      De fato, não o trate como “inimigo”, mas pare de se associar com ele de maneira social, nos termos dele. Talvez passe a compreender que precisa reajustar seu modo de pensar.

      ALTERNATIVAS PARA OS FILHOS DA LUZ

      14, 15. (a) No primeiro século, o que faziam muitas das pessoas das nações para ter alguma animação na sua vida? (b) Que alternativas são mencionadas para os cristãos, em Efésios 5:18, 19, e como eram estas encaradas pelas pessoas das nações?

      14 Todos, jovens e idosos, anseiam algum estímulo, alguma reanimação, uma mudança de ritmo, para elevar seu ânimo acima da rotina do dia-a-dia. No caso das pessoas do mundo, no primeiro século, era comum encontrar estímulo ou “reanimação” na embriaguez. Suas reuniões sociais amiúde tornavam-se “competições no beber”. Quão diferente devia ser com os cristãos! Estes tinham uma fonte excelente de reanimação. Qual era? O apóstolo Paulo nos informa: “Também, não fiqueis embriagados de vinho, em que há devassidão, mas ficai cheios de espírito.” A influência do espírito de Deus produziria o maior deleite para os cristãos. Portanto, suas reuniões sociais não refletiriam a “devassidão” ou o “desregramento” (tradução da Comunidade de Taizé) dos incrédulos. Visto que o espírito santo de Deus lhes enchia o coração, o que lhes saía da boca diferia bastante do falatório dos “cheios” de vinho. Em vez de se entregarem a canções obscenas, muitas vezes acompanhadas por danças lascivas, pelas quais as nações eram famosas, os cristãos seguiam o conselho salutar de Paulo: “Ficai . . . falando a vós mesmos com salmos e louvores a Deus, e com cânticos espirituais, cantando e acompanhando-vos com música nos vossos corações, para Jeová.” Eles ficavam reanimados no íntimo. — Efé. 5:18, 19; 1 Ped. 4:3.

      15 Quão enfadonho tudo isso parecia às pessoas das nações! Mas, aqueles primitivos “filhos da luz” alegravam-se, porque tinham realmente um espírito diferente. Agiam como uma só família cordial, a “família de Deus”, em que cada um usava seu ‘dom’ para a edificação da família congregacional. — Efé. 2:19; 4:7.

      16. (a) Que efeito tem o cordial espírito de “família” sobre a congregação, e por que deve ser lembrado o conselho de Tiago 1:27? (b) Qual é um possível perigo que deve ser evitado em certas reuniões sociais? (c) O que deve distinguir as atividades recreativas realizadas nas reuniões sociais dos cristãos?

      16 Portanto, hoje, onde houver tal espírito cordial de “família” na congregação, haverá o desejo natural de se ajuntar para as reuniões, bem como de modo social, para edificação mútua. O genuíno amor promoverá a preocupação espontânea para com todos, jovens e idosos, e especialmente para com os que são ‘órfãos e viúvas’. (Tia. 1:27) No entanto, não se deve permitir que as reuniões sociais deteriorem, assim como aconteceu no seguinte caso:

      “A cerimônia de casamento fora muito agradável, com bons conselhos bíblicos do ministro que proferiu o discurso de casamento. Daí, o casal, junto com algumas centenas de convidados, foram para um salão próximo para a recepção. Mas, quão diferente era o ambiente ali! Um conjunto profissional ocupava o palco, tocando música turbulenta e sensual de maneira tão alta, que diversos dos convidados pediram licença para se retirar. As bebidas alcoólicas fluíam liberalmente demais. A dança refletia o espírito de desenfreio. Muitos dos convidados perguntaram: Por que estragar um casamento teocrático, feliz, por introduzir o mundo para rematá-lo?”

      O que se pode fazer nas ocasiões em que os cristãos ficam descontraídos ou se empenham em recreação? Muitas coisas edificantes! Algumas das coisas que outros acharam deveras reanimadoras, em matéria de diversão, são mencionadas no artigo que segue. O ponto é que aquilo que se faz deve refletir que somos “filhos da luz” e que estamos sob a influência do espírito de Deus, não sob o “espírito do mundo”. — 1 Cor. 2:12.

      TODOS DEVEM USAR A INFLUÊNCIA PARA O BEM

      17. Como podem os anciãos e outros com “qualificações espirituais” ajudar aqueles que talvez dêem ‘passos em falso’ em matéria de diversão?

      17 Com o aumento da pressão do mundo, precisa haver vigilância para frustrar seu espírito na congregação. A influência dos anciãos deve promover o fluxo do espírito de Deus. Ocasionalmente, isto talvez requeira o ‘reajuste’ no modo de pensar de alguns que perderam o equilíbrio. Certo ancião, preocupado com a infiltração do mundanismo na congregação, escreveu: “Nós, como anciãos, temos parte da culpa, porque alguns de nós se mostram fracos no que se refere a dar conselho quando necessário e não defendem o que é direito.” Entretanto, não apenas os anciãos, mas todos os que têm “qualificações espirituais [“os espirituais”, Taizé]” deviam estar dispostos a “reajustar tal homem [que dá um “passo em falso”] num espírito de brandura”. Tal conselho ‘brando’ talvez impeça que um único “passo em falso” se torne um contínuo proceder desencaminhado, levando à calamidade. — Efé. 4:11-14; Gál. 6:1.

      18. Por que precisa haver equilíbrio?

      18 Todos devem dar-se conta de que os gostos variam, em matéria de diversão. Em vez de ser extremamente crítico, talvez ficando quase “justo demais”, incentive aquilo que é desejável. Use as normas fixadas na Bíblia. Deixe que a força da Palavra de Deus toque no coração dos que dão ‘passos em falso’. — Ecl. 7:16.

      19. Como podem os pais usar sua influência para o bem de seus filhos?

      19 Especialmente os pais estão em boas condições para ajudar seus filhos. O apóstolo ordena aos pais: “Não estejais irritando os vossos filhos, mas prossegui em criá-los na disciplina e na regulação mental de Jeová.” A palavra grega para “criá-los” contém a idéia de sentimento caloroso para com o filho, porque o radical da palavra pode ser aplicado à “mãe lactante que acalenta” os seus filhos. — Efé. 6:4; 1 Tes. 2:7.

      20. (a) Por que há necessidade de disciplina? (b) Em vista das observações duma jovem, o que devem fazer os pais, e será isso mais tarde apreciado pelos seu filhos?

      20 Tal preocupação impede que os pais sejam indiferentes para com a escolha de diversão pelo seu filho. O profundo amor ao filho fará com que o pai ou a mãe seja às vezes firme, ‘criando o filho com disciplina’. Especialmente por causa da pressão de seus colegas, o filho talvez objete a algumas das restrições dos genitores, possivelmente no campo da diversão. Uma pregadora de tempo integral, de 21 anos de idade, que foi criada por pais piedosos, relembrou seus anos de adolescência, dizendo:

      “Foi somente anos mais tarde que passei a dar-me conta de que a instrução que eu recebera era para a minha vantagem, embora naquele tempo pensasse que estava saindo perdendo. No caso dos pais, talvez pensem que estão perdendo o filho por serem firmes. Eles não o perdem. Precisam encarar o assunto a longo prazo. Sabe, deve ser horrível para os pais quando sua filha diz: ‘Ora, mamãe, a Susana pode fazer isso e ela ainda está na Verdade, então, o que a faz pensar que eu vou abandonar a Verdade?’ Deve ser muito difícil para os pais dizer: ‘Não.’ Mas, apenas quando a gente fica mais velha, muitos anos depois, e passa a olhar para trás, é que pode dizer: ‘Muito obrigada, Jeová, por terem meus pais tido a coragem de ser firmes.’”

      21. Que relação prezada devem os pais ajudar o filho a desenvolver? Por quê?

      21 Mas a resposta total não está na força externa ou na disciplina. O apóstolo Paulo falou sobre a “regulação mental de Jeová”. As palavras originais significam literalmente pôr a mente de Jeová por dentro, como influência controladora ou reguladora. Empenhe-se por ajudar seu filho a desenvolver uma relação com Deus, para que ele passe a rejeitar as formas degradantes de divertimento, bem como toda a conduta errada. Conforme disse certo jovem, que desenvolveu tal relação: “O caso não é tanto entre mim e meus pais, mas entre mim e Jeová.”

      22. Que esperança podemos ter, por continuarmos a andar como filhos da luz?

      22 Para todos nós, o caso é entre nós e Jeová. Portanto, que nenhum dos do povo de Jeová se esqueça de quem realmente são, a saber, “filhos da luz”. Continue andando agora como iluminador, usufruindo uma vida feliz e satisfatória, e nutrindo a perspectiva duma eternidade de felicidade no iminente novo sistema de estimulante resplendor moral.

      [Foto na página 11]

      Termos ‘Cristo morando em nosso coração’ significa que primeiro é preciso expulsar o espírito do mundo.

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