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  • Cubanos procuram um novo lar
    Despertai! — 1981 | 8 de julho
    • Cubanos procuram um novo lar

      NO COMEÇO de 1980, um grupo de cubanos num caminhão forçou a entrada na embaixada peruana em Havana. Procuravam obter asilo, de modo que pudessem por fim deixar o país. Pouco depois, o governo cubano anunciou que qualquer um que quisesse ir para o Peru estaria livre para partir.

      Em dois dias, mais de 10.000 pessoas superlotaram a área da embaixada na esperança de deixar Cuba. Em poucas semanas, o assunto se transformou em notícia internacional, à medida que dezenas de milhares mais recebiam a permissão de partirem. Apenas para os Estados Unidos foram cerca de 120.000 pessoas.

      O problema dos refugiados cubanos não é novo. Por anos, muitas centenas de milhares foram para outros países. Entre os países que deram permissão para que entrassem estão a Bolívia, a Colômbia, a Costa Rica, o Equador, a Espanha, os Estados Unidos, o Peru e a Venezuela. Outros países também disseram que acolheriam tais refugiados.

      Por Que Partiram?

      Por que tais refugiados deixaram Cuba? As razões variavam grandemente. Alguns pensavam que poderiam encontrar um modo de vida melhor em outro país. Outros se meteram em dificuldades porque não concordavam com a política do regime no poder, e fugiram do país para escapar dos problemas que se seguiram.

      Também, em 1980, o governo cubano decidiu aproveitar a oportunidade para se livrar, em larga escala, de muitos a quem considerava indesejáveis. Por exemplo, depois que começou o fluxo de refugiados, tiraram criminosos das prisões e os forçaram a entrar nos barcos de refugiados para que saíssem do país. Outros, considerados politicamente perigosos, passaram pela mesma experiência. Alguns conhecidos homossexuais também foram forçados a partir.

      Outro Tipo de Refugiados

      Dentre os refugiados que deixaram Cuba em 1980, contudo, havia cerca de 3.000 que foram forçados a sair por uma razão diferente. O jornal News-Times de York, Nebrasca, E.U.A., fala a respeito disso, dizendo: “Dentre os muito noticiados grupos de criminosos e homossexuais que chegaram aos Estados Unidos na ponte marítima de Cuba, existe outro grupo, menos noticiado, cujo único crime é que continuaram a adorar a Deus do seu próprio modo, apesar do fato de sua seita ter sido declarada ilegal cinco anos atrás.”

      O News-Times identificou tal grupo como sendo as Testemunhas de Jeová. Acrescentou: “As Testemunhas de Jeová já sofreram antes sob ditaduras por se recusarem a portar armas e tomar parte no governo no poder, coisas que sua fé as impede de fazer. Na Alemanha de Hitler, as Testemunhas foram mandadas às câmaras de gás junto com judeus e outros ‘indesejáveis’.”

      Mas, quais eram, exatamente, as circunstâncias que os forçaram a sair de Cuba? Que condições suportaram? O que deixaram para trás? Permitiremos que os próprios refugiados cubanos contem sua história.

  • Refugiados cubanos contam a sua história
    Despertai! — 1981 | 8 de julho
    • Refugiados cubanos contam a sua história

      TÍPICO das Testemunhas de Jeová que foram obrigadas a deixar Cuba era José Tunidor. Ele conta o seguinte:

      “Em dezembro de 1978 a polícia veio à minha casa e fui levado sem nenhuma explicação. Colocaram-me na prisão junto com outra Testemunha de Jeová, Ernesto Alfonso. Ele também não sabia por que tinha sido colocado ali.

      “Mais tarde, levaram-me de volta à minha casa a fim de inspecioná-la. Apreenderam as publicações que explicam a Bíblia, que eu possuía. Levaram também a minha máquina de escrever. De volta à prisão, fiquei sabendo que também apreenderam os livros e a máquina de escrever do Ernesto. Por quê? Fomos acusados de anti-sociais simplesmente porque críamos na Bíblia e falávamos a respeito de suas verdades a outros. Fomos acusados de ser perigosos e o tribunal nos sentenciou a três anos de prisão.”

      Tunidor foi enviado a uma prisão em Aguica, perto de Colón, na província de Matanzas. Ali trabalhou na prisão até que foi transferido para o campo, para cortar cana-de-açúcar. Daí foi expulso do país. Foi levado a La Cabaña, famosa prisão em Havana, e então a um lugar perto de Porto Mariel, onde foi posto num navio que rumou para os Estados Unidos.

      Embora muitas Testemunhas de Jeová fossem obrigadas a sair do país enquanto eram prisioneiras, outras foram apanhadas em suas casas e deportadas. Não podiam levar consigo nenhum de seus pertences e, às vezes, não podiam nem mesmo dizer adeus aos seus parentes. Herminio Arroyo relata:

      “A polícia veio à nossa casa por volta das três horas da madrugada, enquanto dormíamos. Traziam documentos de extradição e nos mandaram trocar de roupa. Fomos levados imediatamente ao escritório de imigração e despidos, para a apreensão de quaisquer valores. Por volta das 18 horas daquele mesmo dia nós e mais outros 300 fomos colocados num navio camaroeiro para iniciar nossa viagem aos Estados Unidos.”

      Muitas outras Testemunhas de Jeová passaram por experiências semelhantes, as autoridades comparecendo em suas casas ao amanhecer ou antes disso, para forçá-las a deixar o país. Tinham que partir, literalmente, apenas com a roupa do corpo. Até mesmo alianças, bem como outros bens, foram tomados delas.

      É compreensível que um governo queira se livrar de criminosos e pessoas indesejáveis. Mas, por que a pressa em pôr para fora do país este grupo sincero de cristãos? Quais são os antecedentes desta situação?

      Começa a Perseguição

      Em 1962, o governo cubano cortou a importação de publicações bíblicas feitas pelas Testemunhas de Jeová. O Estado decretou que tais publicações eram “prejudiciais, reacionárias e pró-imperialistas”. Naturalmente, os que conhecem o trabalho das Testemunhas de Jeová sabem que isto não poderia ser verdade. As Testemunhas de Jeová em Cuba constituem a mesma classe de pessoas decentes e honestas que têm mundialmente um bom registro de comportamento.

      Contudo, a perseguição continuou a aumentar. Luis Alcantur, um dos refugiados que agora está nos Estados Unidos, relembra: “Em novembro de 1965, um ataque maciço foi desfechado contra as Testemunhas de Jeová em Cuba, especialmente, naquela época, contra os jovens em idade de prestarem serviço militar. Centenas de tais jovens cristãos foram parar em vários campos de concentração, a maioria deles na província de Camagüey.”

      A respeito dos primeiros anos na prisão, Alcantur diz: “Ficamos sem comida por 12 dias consecutivos. Davam-nos água apenas uma vez por dia. Tivemos que ficar de pé, à mercê do sol, da chuva, dos mosquitos e dos borrachudos. No 11.º dia jogaram-nos numa cisterna cheia de água.”

      Naquela época, Alcantur tinha 19 anos. Foi preso por ter-se recusado a prestar serviço militar devido a ser objetor de consciência.

      Outro refugiado, Alberto Sanchez, fala a respeito do tratamento que recebeu: “Visto que não cedíamos na nossa fé, fomos surrados, jogaram água gelada em cima de nós de noite e alguns foram amarrados e arrastados com uma canga de boi em volta do pescoço. Em certa ocasião apontaram um revólver para minha cabeça e me mandaram marchar, caso contrário atirariam. Em duas ocasiões prepararam pelotões de fuzilamento e nos ordenaram ficar diante deles. A ordem para atirar chegou a ser dada, mas não atiraram.

      “Algumas Testemunhas foram obrigadas a morar em alojamentos onde existiam apenas homossexuais. Mas, depois que falaram com eles e explicaram sua posição cristã, baseada na Bíblia, as Testemunhas foram respeitadas. Isto contribuiu apenas para aumentar o ódio expresso pelos militares para com as Testemunhas.”

      Em outros campos, muitas outras Testemunhas foram horrivelmente injuriadas. Foram deixadas famintas, suportaram a nudez, ficaram à mercê de mosquitos, sofreram o frio da noite no inverno, foram mantidas na solitária e viviam sob constante ameaça de morte. Uma Testemunha, Ursulo Brito, ficou pendurado ao teto pelos pés, por algum tempo.

      A Perseguição Aumenta

      Em 1968, o governo intensificou sua perseguição. As Testemunhas de Jeová foram constantemente atacadas na imprensa, no rádio e na televisão, sendo mal representadas quais assassinas, subversivas e fanáticas. Muitas outras acusações vis e falsas foram feitas. Em resultado, as condições se tornaram muito tensas, mesmo nos locais de trabalho. Muitas Testemunhas perderam bons empregos e não tinham para onde apelar. Foram obrigadas a aceitar empregos que ninguém mais queria e com salários bem baixos.

      Acrescentando ao ataque sistemático, o governo decretou novas leis, impondo sentenças de prisão contra qualquer pai, mãe ou mestre que instruísse as crianças no que foi chamado de “falta de respeito para com as organizações ou os símbolos patrióticos”. As Testemunhas de Jeová não ensinam tal “falta de respeito”. Mas o governo interpretou como sendo desrespeitoso seu ensino do que a Bíblia diz, a saber: “É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado”, e, também: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.” — Mat. 4:10; 1 João 5:21.

      De modo que muitos pais e mães foram presos por seguirem as instruções da Palavra de Deus de ‘educar o rapaz segundo o caminho que é para ele’ por inculcar no jovem os princípios da adoração verdadeira. (Pro. 22:6; Efé. 6:4) Por exemplo, uma das filhas de Herminio Arroyo relembra: “Quando os filhos se recusavam a saudar a bandeira, eram maltratados por colegas e os professores muitas vezes chamavam as autoridades, o que resultava em os pais receberem uma sentença de três a seis meses de prisão.”

      Vasculhando as Casas

      Em numerosas ocasiões, as autoridades fizeram repentinas batidas nos lares dos irmãos. Procuravam alguma coisa para incriminar as Testemunhas. Por exemplo, Luis Alcantur fala a respeito duma de tais buscas:

      “Em 30 de março de 1977, agentes de segurança do Estado vieram à minha casa às 5 horas da tarde. Naquela época eles usavam o método de entrar e dar busca, muitos deles entrando ao mesmo tempo na casa. Daí, um deles colocava objetos tais como armas ou drogas em algum lugar. Outro agente fingia encontrá-los. Deste modo nos acusavam falsamente.

      “A busca em minha casa naquela ocasião terminou por volta das onze da noite. Levaram tanto quanto queriam, incluindo itens de natureza pessoal, tais como um barbeador elétrico, roupas e dinheiro. Também levaram minha máquina de escrever e publicações bíblicas. Fui acusado de possuir um documento contra-revolucionário, mas este jamais apareceu durante meu julgamento.”

      Atacadas Apesar da Constituição

      Assim, torna-se claro que nas duas décadas passadas o governo de Cuba tentou esmagar as Testemunhas de Jeová. O refugiado Cristo Leon chamou-o de “um sistemático ataque do governo cubano contra a nossa adoração”. As Testemunhas de Jeová foram proscritas, proibidas de importar ou imprimir publicações, seu escritório-filial foi fechado, seus locais de reunião para adoração foram lacrados, seu ministério público foi declarado ilegal e milhares de sentenças de prisão foram expedidas.

      Esta investida de 20 anos viola claramente a constituição da República de Cuba. Tal constituição “garante” a liberdade de religião. O artigo 54 estipula claramente: “O estado socialista, que baseia sua atividade e educa o povo no conceito científico e materialista do universo, reconhece e garante a liberdade de consciência, e o direito de cada um professar qualquer religião e praticar, dentro dos limites do respeito à lei, a crença de sua preferência.”

      Os que conhecem as Testemunhas de Jeová sabem que tal respeito à lei é parte de suas crenças religiosas. Na verdade, são conhecidas mundialmente por seu respeito à lei. Assim, certamente se lhes deveria dar permissão de ‘professar sua religião e praticá-la’, conforme têm permissão de fazer na maioria dos outros países.

      Contra Outras Religiões?

      As medidas do governo cubano contra as Testemunhas de Jeová levantam esta questão: Será que o governo persegue também outras religiões?

      Existem em Cuba muitas igrejas católicas. Suas portas estão abertas ao público. O mesmo acontece com as igrejas protestantes. Mas os locais de reuniões das Testemunhas de Jeová estão fechados por decreto governamental. Por que tal parcialidade?

      Por algum tempo, é verdade, alguns dos outros grupos religiosos sofreram pressão governamental. Mas eles logo cederam e se permitiram ser usados politicamente. As Testemunhas de Jeová, porém, não podem fazer isto, pois violaria sua fé. Assim, tiveram que suportar o impacto da violência durante todos esses anos.

      Mesmo assim, uma pergunta ainda permanece sem resposta. Por que seguem as Testemunhas de Jeová um modo religioso de vida que lhes causa tanto sofrimento num país como Cuba? E como é possível para elas suportarem tanta dureza por um período tão longo de tempo, e, no ínterim, sempre se apegando fielmente às suas crenças?

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