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  • É um milênio de paz apenas um sonho?
    A Sentinela — 1980 | 15 de abril
    • É um milênio de paz apenas um sonho?

      “O Terceiro Reich, nascido em 30 de Janeiro de 1933, duraria mil anos, jactava-se Hitler, e, na linguagem nazista, referia-se com freqüência a ele como sendo o ‘Reich de Mil Anos’.” — “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, de W. Shirer.

      CONHECE a história. O sonho de mil anos (ou milenar) de Hitler nunca se realizou. Mas, sabia que muitos estão aguardando um verdadeiro reinado milenar de paz? O Dr. W. Lee, da Universidade de Dublim, observou: “A especulação tanto secular como religiosa tem o seu sonho sobre um Milênio.”

      Este “sonho” amiúde tem incluído a crença numa Idade de Ouro no passado, que será restabelecida no futuro. Por exemplo, se visitasse o Irã, poderia ouvir falar sobre uma antiga “Idade de Ouro de inocência, sem doença ou morte”. Os bosquímanos do sul da África falam sobre um tempo passado em que os homens e os animais viviam em paz uns com os outros. Relatando estas crenças, A Enciclopédia de Religião e Ética (em inglês) diz que a idéia duma “Idade de Ouro no passado, perdida pela culpa do homem”, muitas vezes se ligava à “esperança de coisas melhores no futuro”, tais como um futuro milênio de paz.

      Mas, são tais esperanças apenas mera ilusão? Pense no que o bombardeia diariamente: notícias sobre crimes, inflação, poluição, distúrbios sociais e guerra. Poucos veriam nestas coisas qualquer motivo para crer numa vindoura era de paz e prosperidade. Um relatório de setembro de 1976 sobre a reunião do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Baden, na Áustria, declarou: “Os que gastam seu tempo estudando os fatos concretos que levam à guerra não [têm] mais nem mesmo soluções teóricas para conseguir o que certa vez foi prometido como uma geração de paz.”

      No entanto, poderá ler algo na Bíblia que oferece sérios motivos para pensar que um milênio de paz não deve ser rejeitado como mero sonho. Mais do que isso, ela oferece a promessa de coisas que, se realizadas, tornariam a nossa vida enormemente mais rica e mais agradável. Perto do fim da Bíblia encontrará o seguinte:

      “E [um anjo] se apoderou do dragão, a serpente original, que é o diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos . . . para que não mais desencaminhasse as nações até que tivessem terminado os mil anos. . . . E [Deus] enxugará dos seus olhos [da humanidade] toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Rev. 20:1-3; 21:4.

      Embora esta descrição pareça maravilhosa, por que temos nós uma razão maior para esperar que esta se cumpra do que quaisquer das outras esperanças do Milênio que os homens tiveram, inclusive a do Reich nazista milenar? Há um motivo preponderante. Este milênio de paz é prometido por Jeová Deus. Certa vez, quando um homem disse a Jesus que determinado assunto parecia impossível, o Filho de Deus respondeu: “As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus.” — Luc. 18:27.

      Mas, diz a Bíblia realmente que Deus, no futuro, trará realmente mil anos literais de paz à terra? É assim que devemos entender o que as Escrituras dizem? Pelo interesse que temos na possibilidade de grandiosas bênçãos para nós mesmos e nossa família, devemos verificar se tal milênio de paz é mais do que mero sonho.

  • O milênio — o que é?
    A Sentinela — 1980 | 15 de abril
    • O milênio — o que é?

      Como tem sido encarado? Podemos nós esperá-lo no futuro?

      “Um tempo em que os anseios do homem, de paz, de livramento do mal, e do domínio da justiça na terra, serão finalmente realizados pelo poder de Deus.”

      É ASSIM que a Enciclopédia Britânica (publicada em inglês) descreve o ensino bíblico sobre o “período de 1.000 anos, conhecido como o milênio”.

      Não concorda que gostaríamos de ver a realização de tal descrição? Certamente gostaríamos de usufruir ‘paz, livramento do mal e justiça na terra’. Mas, será que esta perspectiva faz parte de sua crença no milênio?

      Para muitos não faz parte, porque sabem pouco ou nada sobre o milênio. Isto se dá até mesmo com os milhões que freqüentam igrejas, porque muitas religiões virtualmente deixam de mencionar este assunto. É quase como se se tratasse de algo que Deus incluiu na Bíblia, mas que não mais interessa ou importa.

      Contudo, conforme podemos ver, a Palavra de Deus relaciona o milênio com a descrição de ele acabar com a tristeza, as lágrimas e a morte. Por isso, temos bons motivos para querer entender o que Jeová Deus disse e quer dizer a respeito do milênio. É bem possível que o nosso futuro e o de nossa família estejam envolvidos.

      Poderá abrir a sua Bíblia em Revelação (Apocalipse), capítulo 20, e encontrar a maior parte do que a Bíblia diz sobre o reinado milenar de Cristo. O apóstolo João compartilha conosco o que ele foi privilegiado em ver:

      “Eu vi descer do céu um anjo com a chave do abismo e uma grande cadeia na mão. E ele se apoderou do dragão, a serpente original, que é o diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos. E lançou-o no abismo, e fechou e selou este sobre ele, para que não mais desencaminhasse as nações até que tivessem terminado os mil anos. . . .

      “E eu vi tronos, e havia os que se assentam neles. . . . Sim, vi as almas dos executados com o machado, pelo testemunho que deram de Jesus. . . . E passaram a viver e reinaram com o Cristo por mil anos. . . .

      “Ora, assim que tiverem terminado os mil anos, Satanás será solto de sua prisão, e ele sairá para desencaminhar aquelas nações nos quatro cantos da terra. . . . Mas desceu fogo do céu e os devorou. E o diabo que os desencaminhava foi lançado no lago de fogo e enxofre. . . .

      “E eu vi os mortos, os grandes e os pequenos, em pé diante do trono, e abriram-se os rolos. . . . Outrossim, todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo [a segunda morte].” — Rev. 20:1-15.

      Portanto, segundo a Bíblia, o milênio é um período em que Satanás não estará livre para desencaminhar os homens, em que os mortos serão ressuscitados e julgados, e a humanidade será governada em justiça por Jesus Cristo e seus co-herdeiros.

      No entanto, talvez se pergunte, corretamente, por que se ouve tão pouco sobre isso nas igrejas ou nos círculos religiosos. O fato é que, se fizer indagações, descobrirá que algumas religiões afirmam que o milênio não é um período literal de 1.000 anos, durante o qual Cristo há de reinar. Outro ensino comum é que o milênio é apenas símbolo do reino de Cristo que começou há quase 2.000 anos e ainda está continuando. O que é que você deve crer? Podemos ser ajudados em muito no entendimento deste assunto importante por considerarmos aquilo que o apóstolo João e seus co-apóstolos criam, e também por aquilo que aconteceu depois da morte dos apóstolos fiéis de Jesus até o fim do primeiro século.

      DETURPADAS AS VERDADES DO REINO

      Hoje, quando lemos a Bíblia, é fácil reconhecer que o reino celestial de Deus foi uma das coisas principais que Jesus ensinou aos seus discípulos. De fato, ele começou com a mensagem: “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mat. 4:17; João 18:36) Disse aos seus discípulos que tinha de morrer, mas que seria ressuscitado e que prepararia para eles um lugar no céu. (Mat. 16:21; Luc. 22:28-30; João 14:2, 3) No princípio, os apóstolos não o entenderam, porque imaginavam que o Reino seria estabelecido na terra. (João 20:9; Atos 1:6, 7) Mas, depois de receberem espírito santo, deram-se conta de que o Reino seria no céu. De modo que o apóstolo Paulo escreveu: “A nossa cidadania existe nos céus.” Para obterem a vida celestial, eles teriam de morrer e ser ressuscitados como criaturas espirituais, porque “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus”. — Fil. 3:20; 1 Cor. 15:50.

      Entretanto, estas claras verdades bíblicas ficaram obscurecidas após a morte dos apóstolos de Jesus. Como aconteceu isso? Paulo disse: “Depois de eu ter ido embora . . . surgirão homens e falarão coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos.” (Atos 20:29, 30) Sim, durante o primeiro século, os apóstolos exerciam uma influência restritiva, que ajudou a manter pura a doutrina cristã. Mas, depois de todos terem falecido, introduziu-se uma apostasia. (2 Tes. 2:3-8; 1 Tim. 4:1-4) Isto exerceu uma definitiva influência sobre o que se ensinava a respeito do milênio. Não ficamos no escuro sobre isso, porque escritos do segundo e do terceiro séculos, que sobreviveram, ajudam-nos a acompanhar o que aconteceu.

      CONCEITOS SECTÁRIOS SOBRE O MILÊNIO

      No século após a morte do apóstolo João, desenvolveu-se o conceito de que Cristo reinaria na terra durante o milênio, talvez na reconstruída Jerusalém. O historiador J. Mosheim sugere que esta idéia talvez tenha surgido da mistura da esperança cristã “do reino do céu, de nosso Salvador”, com a prevalecente esperança judaica dum “reino terrestre do Messias”. Na Ásia Menor surgiu a seita dos montanistas, ensinando que Jesus reinaria desde a Frígia. Eles e outros ensinavam que muitas coisas fantásticas iriam acontecer quando Cristo e seus co-herdeiros governassem na terra durante o milênio. Por exemplo, esses governantes supostamente usufruiriam toda espécie de prazeres sensuais, inclusive os entre os sexos. E teriam corpos materiais ‘mais excelentes e etéreos do que os nossos’. Tais conceitos extremos vieram a ser considerados como típicos daqueles que criam no milênio. Em resultado, ‘toda a doutrina do milênio perdeu a sua reputação’, relata o Dr. A. Neander.

      Surgiu um segundo conceito, que aumentou a confusão. Segundo ele, os “mil anos” eram apenas simbólicos. É provável que o instrutor mais influente neste respeito fosse o teólogo católico Agostinho. A Enciclopédia Britânica nos diz:

      “Depois de sua conversão ao cristianismo, Agostinho, anterior bon vivant, constantemente favorecia um estilo de vida ascético que se negasse ao mundo. De fato, sua desilusão com os valores mundanos era mais cabal do que a dos milenaristas [ou quiliastas], porque rejeitava como carnais a todas as expectativas dum mundo renovado e purificado que os crentes pudessem esperar usufruir.”

      A Nova Enciclopédia Católica (em inglês) relata que Agostinho “apresentou a teoria de que o milênio realmente já havia começado com o nascimento de Cristo”. O fato de você não ter ouvido falar muito sobre o milênio se relaciona provavelmente com este desenvolvimento, porque a Igreja Católica afirma agora que o “reinado de 1.000 anos de Jesus [é] símbolo de toda a duração da vida da Igreja . . . O acorrentamento de Satanás durante este mesmo período significa que a influência de Satanás foi consideravelmente reduzida”.

      Tais conceitos sectários conflitantes têm contribuído para desestimular o interesse no milênio. Mas, visto que o nosso próprio futuro pode estar envolvido, examinemos estes dois conceitos sobre o milênio e determinemos o que devemos crer, baseados na Palavra de Deus, a Bíblia.

      ONDE E QUANDO?

      Muitas igrejas ensinam que Cristo retornará em carne, assim como no segundo século se desenvolvera a idéia de que Jesus e seus reis-sacerdotes associados reinariam em carne na terra, durante o milênio. No entanto, o próprio Jesus disse: “Mais um pouco e o mundo não me observará mais, mas vós [para quem ele ia preparar um lugar no céu me observareis, porque eu vivo e vós vivereis.” (João 14:2, 3, 18, 19) Portanto, Jesus indicou que reinaria no céu. É isto o que devemos entender quando lemos Revelação, capítulo 20? Sim, porque a Bíblia não se contradiz.

      Argumentando contra um reinado milenar em carne, na terra, a Enciclopédia de Religião e Ética, de Hastings, explica:

      “Neste relato [Revelação 20], o aspecto novo é o reinado de 1000 anos dos que são mártires com Cristo, . . . Não se diz que este reinado seja na terra, nem se diz que a primeira ressurreição seja corporal . . . Se os mártires restabelecidos em vida forem os santos morando em Jerusalém, que são atacados por Gogue e Magogue, é peculiar que Cristo (com quem eles reinam) não ataque estes inimigos. Sua destruição vem do céu.” — Vol. V, p. 387.

      Não é verdade que isto concorda com o que já vimos na Bíblia sobre Jesus e seus co-herdeiros reinando no reino celestial? A Bíblia não diz que tais “participantes da chamada celestial” recebam alguma vez corpos humanos, nem mesmo durante 1.000 anos. (Heb. 3:1) Antes, ela mostra claramente que os cristãos ungidos com o espírito serão ‘levantados corpos espirituais’, assim como Jesus Cristo, a fim de entrarem no próprio céu. — 1 Cor. 15:42-49; Heb. 9:24.

      Visto que os que herdam o Reino vão para o céu, todas as fantasias sectárias sobre Jesus e os “santos” governarem em carne na Jerusalém ou na Frígia terrestres, e de se entregarem a prazeres sensuais da carne, simplesmente são infundadas.

      Esses conceitos parecem ser uma deturpação de dois ensinos que a Bíblia realmente apresenta: (1) O Reino é um governo celestial, composto de Jesus, os apóstolos e outros ressuscitados para o céu na “primeira ressurreição”. (Rev. 20:6) (2) Sob este governo celestial, restabelecerão na terra, purificada dos iníquos, condições paradísicas, pacíficas, a serem usufruídas pelos servos humanos de Deus. — Luc. 23:43; Rev. 19:11 a 20:3; 22:1, 2, 17.

      Conforme pode ver, o segundo destes acontecimentos ainda não ocorreu. Não sugere isto que o milênio ainda é futuro?

      Conforme observamos, alguns dizem que o milênio não é um período real de 1.000 anos, mas é apenas um longo período indefinido, que pode ter começado há séculos. Será isso correto? É verdade que certos números ou períodos de tempo no livro de Revelação são figurativos, porque a mensagem do livro foi apresentada em muitos “sinais”. (Rev. 1:1, 4; 2:10) Todavia, existem razões para se crer que os “mil anos” não são simbólicos?

      Em Revelação, capítulo sete, o apóstolo faz um contraste entre o número fixo dos que reinarão com Cristo (144.000) e o número indefinidamente maior dos que sobreviverão à “grande tribulação”. Como é isso feito por João? Ele chama o último grupo de “grande multidão, que nenhum homem podia contar”. (Rev. 7:4, 9) Mais adiante, ele menciona novamente o número definido, “os cento e quarenta e quatro mil”. (Rev. 14:3) De modo similar, em Revelação 20:8, João diz que o indefinidamente grande número de rebeldes no fim do milênio “é como a areia do mar”. Tampouco emprega o apóstolo João, em Revelação, capítulo 20, o plural, “milhares”, que às vezes é usado em outros textos para indicar um número grande e talvez indefinido. (Rev. 5:11; Dan. 7:11, Almeida; 1 Sam. 18:7; Sal. 68:17; 119:72) De modo que não parece haver nenhum motivo válido para concluir que a expressão “mil anos”, no Re capítulo 20, se refira a um período longo, mas indefinido. Antes, João usa o termo dum modo que indica um período de duração fixa: “os mil anos”. — Rev. 20:6, Almeida, atualizada

      Todavia, podemos ter certeza da duração deste período fixo? J. J. Wettstein, encarando Revelação como tratando dos judeus por volta do fim do primeiro século, afirma que o milênio eram os 50 anos desde a morte do Imperador Domiciano (96 E.C.) até a guerra judaica durante o reinado de Adriano. Outra idéia era de que um dia representava um ano. Segundo este conceito, havendo 360 dias num ano lunar, o milênio abrangeria 360.000 anos de duração (360 x 1.000). Sobre tal interpretação, o Professor A. T. Robertson escreveu: “Propõem-se toda espécie de teorias, sendo que nenhuma delas é plenamente satisfatória.”

      A maneira mais direta de encarar isso é aceitar as palavras de João pelo que realmente dizem: 1.000 anos. Muitos têm visto nisso um reinado apropriado para Jesus Cristo, a quem a Bíblia chama de “Senhor do sábado”. (Mat. 12:8) Seria como um descanso sabático depois de uns 6.000 anos em que a imperfeição humana tem dominado o cenário terrestre. — 2 Ped. 3:8.

      O próprio João mostra que o milênio segue à guerra bem-sucedida de Cristo contra todos os inimigos terrenos. (Rev. 19:11-21) Visto que isso ainda não ocorreu, podemos ter a certeza de que o milênio ainda há de vir. O cumprimento da profecia bíblica em nosso tempo fornece evidência de que Cristo, em breve, guerreará contra os inimigos terrenos de Deus e os destruirá, conforme descrito pelas próprias palavras proféticas de Jesus. — Mat. 24:3-22.

      Toda a evidência bíblica e histórica que indica que estamos nos últimos dias deste iníquo sistema de coisas nos fornece uma base firme para esperarmos no futuro próximo o começo do milênio de paz. (2 Tim. 3:1-5) Como será então a terra?

  • Que bênçãos haverá na terra durante o milênio?
    A Sentinela — 1980 | 15 de abril
    • Que bênçãos haverá na terra durante o milênio?

      Como será quando se ‘fizer a vontade de Deus na terra’?

      Já fez alguma vez a famosa oração-modelo ensinada por Jesus? Ele disse: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” — Mat. 6:10.

      EMBORA milhões de pessoas tenham repetido estas palavras, acha que muitas delas têm pensado seriamente em como será na terra quando Deus responder plenamente a esta oração? Já se perguntou sobre quais as coisas que você e sua família poderão usufruir, se tiverem o privilégio de viver quando se fizer a vontade de Deus na terra assim como no céu?

      O livro de Revelação (ou Apocalipse) poderá ajudar-nos nisso. No seu capítulo 19, lemos sobre a vindoura guerra em que Jesus Cristo destruirá todos os inimigos de Deus na terra. O capítulo 20 fala que será então que o Diabo, causador de toda a iniqüidade, será lançado num abismo por 1.000 anos. Durante este milênio, Cristo governará desde o céu, para a bênção dos servos humanos de Deus, inclusive os ressuscitados. Com a eliminação dos elementos iníquos, haverá “novos céus e uma nova terra” em que há de morar a justiça. — Rev. 20:11; 21:1; 2 Ped. 3:13.

      Está interessado num quadro mais detalhado das bênçãos terrestres durante o milênio? Pois bem, Revelação prossegue, dando uma descrição de como será quando Jeová Deus voltar sua atenção para a nova sociedade terrestre de verdadeiros adoradores. Lemos:

      “Enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Rev. 21:4.

      Não mostra o fato de não haver mais lágrimas que a humanidade não continuará a ser afligida por crueldades tais como maus tratos infligidos a crianças ou à esposa, estupro, roubo, assalto, terrorismo e guerra? Além disso, Deus assegura-nos que a dor e a morte — que agora costumam acompanhar a doença e os acidentes — não existirão para causar tristeza.

      A Bíblia nos oferece também base para esperar outras bênçãos na terra, durante o milênio. Neste respeito, não precisamos recorrer à fantasia ou ao exagero, assim como fizeram alguns nos séculos segundo e terceiro.

      PRIMITIVOS CONCEITOS SOBRE AS CONDIÇÕES TERRENAS

      Conforme mencionado no artigo precedente, houve uma apostasia do puro cristianismo após a morte dos apóstolos, e alguns começaram a ensinar coisas deturpadas. Isto se devia em parte a que acreditavam erroneamente que Jesus e seus co-herdeiros iriam governar na terra. (João 14:19; 2 Tim. 2:12; 1 Ped. 1:3, 4) Pelo visto, raciocinava-se que tais governantes sobrenaturais produziriam incríveis condições terrenas.

      Encontramos um exemplo de tais descrições inacreditáveis nos escritos citados de Papias, prelado da Frígia, do segundo século. Ele imaginava que durante o milênio aconteceria o seguinte:

      “Produzir-se-ão videiras, cada uma delas tendo mil ramos, . . . e em cada broto mil cachos . . . De modo similar, um grão de trigo produzirá dez mil espigas, e cada espiga terá dez mil grãos, e cada grão [produzirá] dez libras de farinha pura e clara.”

      Contudo, outros primitivos escritores indicavam as deleitosas descrições de Isaías, acreditando que estas forneciam indícios de como seria o reinado de 1.000 anos de Cristo.

      Por exemplo, Justino, o Mártir, e Irineu, escritores do segundo século, citaram as profecias de Isaías 65:17-25 e 11:6-9. A primeira destas passagens declara:

      “‘Hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não construirão e outro terá morada; não plantarão e outro comerá. Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore. . . . O lobo e o cordeirinho é que pastarão como se fossem um, e o leão comerá palha como o touro . . . Não farão dano nem causarão ruína em todo o meu santo monte’, disse Jeová.”

      Isaías, capítulo 11, também fala sobre animais viverem juntos em paz, o leão comendo palha assim como o touro. E diz que um menino os conduzirá.

      Irineu reconheceu que estas palavras são uma descrição apropriada de como a verdade de Deus pode produzir mudanças de personalidade em “homens selvagens, tanto de nações diferentes como de hábitos diversos, que chegam a crer, e uma vez crendo, agem em harmonia com os justos”. Mas ele argumentou também que, no milênio, estas mudanças em homens, da perversidade para a pacificidade, logicamente se refletiria na criação animal. Ele escreveu:

      “Quando a ordem criada for renovada, então os animais deverão estar sujeitos ao homem e voltar ao alimento que Deus lhes deu no começo, o fruto da terra, assim como estavam sujeitos e obedientes a Adão.” — Against Heresies V, 33, 4.

      Quando lemos hoje estas passagens de Isaías no seu contexto, podemos reconhecer que Isaías estava profetizando primeiro sobre o restabelecimento de seu povo do cativeiro em Babilônia em miniatura ou de forma típica, e, segundo, sobre o restabelecimento dos israelitas espirituais, de Babilônia, a Grande, nos “últimos dias”, em sentido antitípico ou completo. O cumprimento em miniatura ocorreu em 537 A.E.C. Em vista do novo governo sobre o país, os israelitas restabelecidos podiam empenhar-se em cultivar sua terra e em restabelecer-lhe a produtividade, beleza e paz. (Isa. 35:1, 2) Jeová ajudou-os a eliminar as qualidades ferozes e animalescas e a refletir nas suas atitudes e maneiras a pacificidade apropriada entre os verdadeiros adoradores. — Miq. 6:8; veja Está Próxima a Salvação do Homem da Aflição Mundial, pp. 317-319, § 15-19; também “Novos Céus e Uma Nova Terra”, pp. 337-346, § 18-29.

      Visto que tal pacificidade se desenvolveu naquele tempo entre os israelitas restabelecidos e se evidencia hoje entre os verdadeiros adoradores, não podemos ter confiança em que existirá em escala ainda maior durante o milênio? Entretanto, tais passagens nos dão mais em que pensar.

      INDÍCIOS DESDE O ÉDEN

      Apontando para as novas condições a serem usufruídas pelos israelitas restabelecidos, Isaías recorreu ao exemplo do lar original do homem, o paraíso chamado de jardim do Éden. Escreveu:

      “Porque Jeová certamente consolará Sião. Com certeza consolará todos os lugares devastados dela, e fará seu ermo igual ao Éden e sua planície desértica igual ao jardim de Jeová.” — Isa. 51:3.

      Também outros escritores bíblicos indicaram o jardim do Éden como exemplificando condições frutíferas e benditas sob as quais os homens gostariam de viver. — Eze. 36:35; Joel 2:3; Gên. 13:10; veja Oséias 2:18-21.

      Assim, pensando nas bênçãos terrenas do milênio, podemos lembrar-nos do que Jeová Deus proveu para a família humana logo no começo, no jardim do Éden.

      A narrativa de Gênesis diz-nos que Deus colocou Adão e Eva num “jardim” ou “paraíso”. (Gên. 2:8, segundo a Versão dos Setenta grega.) Era mais do que apenas um jardim florido. Lemos: “Jeová Deus fez assim brotar do solo toda árvore de aspecto desejável e boa para alimento.” Embora houvesse abundância de alimentos salutares, o jardim do Éden era também um lugar de trabalho satisfatório. Adão e Eva deviam cultivar o jardim e cuidar dele, o que aumentaria a sua satisfação ao comerem dos seus diversos produtos. — Gên. 2:9, 15, 16; veja Eclesiastes 2:24; 5:12.

      Enquanto Adão e Eva viviam naquele jardim deleitoso, será que tinham medo das feras? Ficou a sua paz perturbada porque animais se atacavam uns aos outros ferozmente? Aquilo que Isaías escreveu nos Isa. capítulos 11 e 65 sugere que não. Temos também a seguinte informação histórica de Gênesis:

      “Deus prosseguiu, dizendo [a Adão e Eva]: ‘Eis que vos tenho dado toda a vegetação que dá semente, que há na superfície de toda a terra e toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente. Sirva-vos de alimento. E a todo animal selvático da terra, e a toda criatura voadora dos céus, e a tudo o que se move sobre a terra, em que há vida como alma, tenho dado toda a vegetação verde por alimento.’ E assim se deu.” — Gên. 1:29, 30.

      Conforme talvez saiba, muitos, atualmente, inclusive alguns clérigos, não aceitam o que a Bíblia diz sobre o jardim do Éden e as condições prevalecentes nele. Alguns afirmam que a narrativa sobre Adão e Eva é apenas mito ou alegoria. Colocam-se em conflito com Jesus Cristo, porque ele aceitou a narrativa bíblica como sendo fato, e, na realidade, citou-a. (Mat. 19:4, 5) Também, muitos clérigos não acreditam no que a Palavra de Deus diz sobre os animais no jardim do Éden. Seu conceito talvez tenha sido influenciado pela teoria da evolução — de que aquilo que hoje vemos na vida animal é uma extensão do que sempre tem existido e que a “sobrevivência do mais apto” sempre tem prevalecido entre animais e homens.

      Mas, com fé no poder de Deus e com a disposição de aceitar o que a Bíblia diz, podemos confiar em que os primeiros humanos, no Éden, não eram pecaminosos e aguerridos, e que os animais no paraíso estavam em paz. Baseados na nossa experiência em observarmos os animais em zoológicos, em programas de televisão sobre a vida animal natural ou em fazendas, não podemos ter a certeza de que ter o homem tido em sujeição os animais pacíficos no paraíso deve ter aumentado seu prazer na vida? — Gên. 1:26.

      EXPECTATIVA CONFIANTE

      Assim, podemos ver que Deus proveu uma base para a expectativa de bênçãos terrenas: A promessa em Revelação 21:4 significa que podemos aguardar o fim da tristeza, da dor e da morte. E, logicamente, isto significará o fim das atuais condições que produzem tais coisas. Também, temos os pormenores limitados sobre o jardim do Éden. Estes nos fornecem um motivo para esperar o paraíso terrestre restabelecido, com trabalho recompensador, alimento satisfatório e salutar e ter o homem novamente a criação animal em sujeição pacífica. — Luc. 23:43; Sal. 72:16.

      Estas condições não se restringirão a um jardim em determinada localidade. Antes, Deus cumprirá seu propósito original, de sujeitar e embelezar todo o globo terrestre. Seus propósitos nunca falham. — Isa. 45:18; Gên. 1:28; veja Isaías 14:24.

      As bênçãos materiais de modo algum são as únicas que tornarão o reinado milenar um deleite. Jeová assegura-nos coisas que são ainda mais importantes para uma vida realmente satisfatória — coisas espirituais. Lembre-se do que Jesus disse ao tentador: “O homem tem de viver, não somente de pão, mas de cada pronunciação procedente da boca de Jeová.” (Mat. 4:4) Portanto, podemos confiar em que o milênio será assinalado pela abundante alimentação com coisas espirituais baseadas nas Escrituras. Haverá abundância de justiça e veracidade, o que contribuirá para a paz eterna. — Sal. 72:1, 5-7, 17; Isa. 9:6, 7; 32:1, 16-18; veja Isaías 26:7-9.

      TER FÉ AGORA

      Para usufruirmos as bênçãos do milênio ou mesmo para vivermos até este tempo, temos de ter fé. Deus, na sua sabedoria, não nos forneceu todos os pormenores sobre as condições terrenas durante o milênio. Ele não descreveu como realizará aquilo que atualmente talvez pareça impossível: inverter as condições desoladas que agora cobrem vastas regiões da terra, eliminar a condição doentia e aleijada dos corpos humanos e trazer um equilíbrio pacífico no reino animal. Mas, ele proveu informações suficientes na sua Palavra para provar que possui a capacidade sobre-humana para realizar tais milagres e até mesmo para ressuscitar os mortos. (Atos 10:37, 38; Luc. 7:14-16; 19:37, 38; Gên. 7:6-16) Ainda assim servir a Deus requer fé, requer crer que ele proverá bênçãos espirituais e terrenas. — Heb. 11:1, 6.

      Com tal fé, as Testemunhas de Jeová estão realizando um trabalho educativo em toda a terra. Estão ajudando as pessoas a estudar a Bíblia, a obter fé firme e desenvolver confiança em que Deus, em breve, por meio de Cristo, tomará uma ação final para eliminar a iniqüidade. (Mat. 24:14) Muitos daqueles que agora exercem fé sobreviverão para ver o início do reinado milenar de Cristo e usufruirão as bênçãos terrenas que acabamos de considerar. Convidamo-lo a aceitar a ajuda no estudo da Bíblia que as Testemunhas de Jeová oferecem, para que possa aguardar com confiança as bênçãos durante o milênio.

      [Foto na página 9]

      Durante o milênio, Deus inverterá as condições desoladas da terra, eliminará as doenças e estabelecerá um equilíbrio pacífico no reino animal.

  • Sustentados pela esperança do milênio
    A Sentinela — 1980 | 15 de abril
    • Sustentados pela esperança do milênio

      “Agora, aprendei da figueira a ilustração: Assim que o seu ramo novo se torna tenro e brota suas folhas, sabeis que o verão está próximo. Assim também vós, quando virdes estas coisas acontecer, sabei que ele está próximo, às portas.” — Mar. 13:28, 29.

      1, 2. (a) O que disse certo líder mundial sobre a guerra e a paz? (b) Mas, que esperança apresentou Jesus? (Veja Lucas 21:29-31.)

      “NA ERA da bomba de hidrogênio, não há mais nenhuma distinção significativa entre a guerra global e o suicídio global.” Assim falou o presidente dos Estados Unidos após a sua volta depois da assinatura do Tratado SALT com a União Soviética. Ele indicou também que o mundo tem estado vivendo numa “paz de penumbra”, sempre confrontada com a perspectiva tenebrosa duma “catastrófica guerra nuclear, uma guerra que, em matéria do horror, destruição e morte, eclipsaria todas as guerras em conjunto na longa e sangrenta história do homem”. Mas, chegará a haver um suicídio global? Examinemos o que “o Filho do homem”, Jesus Cristo, responde, segundo o livro de Marcos.

      2 Predizendo eventos, ‘coisas acontecendo’ no nosso século 20, Jesus Cristo as comparou à figueira, quando “o seu ramo novo se torna tenro e brota suas folhas” — prova de que o verão está próximo. (Mar. 13:28, 29) Isto corresponde à vinda de Jesus para executar o julgamento. Daí, seguir-se-ão “os mil anos” durante os quais o Diabo não mais desencaminhará as nações. — Rev. 20:2, 3.

      3. (a) Como ficou a humanidade afetada pelas ‘coisas que acontecem’, mencionadas por Jesus? (b) Como devem os discípulos de Jesus encarar estes eventos?

      3 No entanto, as ‘coisas que acontecem’ não têm sido agradáveis. Profetizando sobre elas, Jesus nos anima com as seguintes palavras: “Quando ouvirdes falar de guerras e de relatos de guerras, não fiqueis apavorados; estas coisas têm de acontecer, mas ainda não é o fim. Pois nação se levantará contra nação e reino contra reino; haverá terremotos num lugar após outro; haverá escassez de víveres. Estas coisas são um princípio das dores de aflição.” (Mar. 13:4, 7, 8) Por isso, os discípulos de Jesus não têm ficado indevidamente perturbados com os temíveis acontecimentos na terra desde que se esgotaram “os tempos designados das nações” em 1914. (Luc. 21:24-28) Tudo isso é indicação de que Cristo Jesus, o Filho do homem, “está próximo, às portas”, e que os ressuscitados seguidores de seus passos em breve reinarão quais reis com ele “por mil anos”. — Mat. 24:33; Rev. 20:4.

      “ACAUTELAI-VOS”

      4. Por que é que as Testemunhas de Jeová amiúde têm sofrido mais do que os outros e o que diz sobre isso Marcos 13:9?

      4 As Testemunhas de Jeová, junto com muitos outros da humanidade, têm sofrido essas “dores de aflição”. Às vezes, isso tem exigido que suportassem ainda mais do que os outros, porque este é o período de tempo em que o Diabo está especialmente irado com os “que observam os mandamentos de Deus”. (Rev. 12:12, 17) Jesus falou sobre isto, dizendo: “Quanto a vós, acautelai-vos; entregar-vos-ão aos tribunais locais e sereis espancados nas sinagogas, e sereis postos diante de governadores e reis, por minha causa, em testemunho para eles.” — Mar. 13:9.

      5. Que experiência tem tido as Testemunhas de Jeová desde 1914 no seu avanço em direção ao alvo do milênio?

      5 Quão veraz isso foi na época que se seguiu a 1914! Os conscienciosos estudantes da Bíblia foram caçados e perseguidos pela maioria das nações participantes da Primeira Guerra Mundial. As ondas de perseguições envolveram, mas não conseguiram destruir as testemunhas alemãs de Jeová durante a década de 1930 e ainda dentro da de 1940. Durante a Segunda Guerra Mundial, a maioria das nações da terra juntou-se numa campanha de ódio contra as Testemunhas de Jeová. Mas, apesar de seus sofrimentos, a brilhante esperança do bendito governo milenar sempre estava diante destes cristãos; e eles continuaram a avançar em direção à felicidade desse tempo. — Rev. 20:6.

      6. (a) Que “testemunho” precisa dar o povo de Jeová? (b) Até que ponto se cumpriu Marcos 13:10 nos tempos modernos?

      6 Até hoje, os do povo de Jeová têm de comparecer perante juízes e governantes, em muitas terras, em “testemunho para eles”. Isto se dá porque os servos de Deus são primariamente leais ao reino de Cristo, que o próprio Jesus descreveu como ‘não fazendo parte deste mundo’. (João 18:36) Dá-se também porque participam zelosamente no cumprimento das palavras seguintes da profecia de Jesus: “Também, em todas as nações têm de ser pregadas primeiro as boas novas.” (Mar. 13:10) Realiza-se isso desde 1914? Certamente que sim! Não na mera força humana, mas pelo poder do espírito de Deus, as Testemunhas de Jeová têm abrangido a terra com uma campanha de pregação e de fazer discípulos. Atualmente, mais de dois milhões de Testemunhas estão proclamando a esperança do milênio “até às extremidades da terra habitada”. — Zac. 4:6; Rom. 10:18.

      7. Em que sentido sentem as Testemunhas de Jeová a ajuda da energia dinâmica de Deus? (Isa. 40:28-31)

      7 Deus, por meio de sua energia dinâmica, está sustentando seu povo de maneira maravilhosa, ao passo que este continua a enfrentar as situações que Jesus descreve em seqüência, dizendo: “Mas, quando vos levarem para vos entregar, não estejais ansiosos de antemão sobre o que haveis de falar; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai, porque não sois vós quem fala mas o espírito santo. Outrossim, irmão entregará irmão à morte, e o pai ao filho, e os filhos se levantarão contra os pais, e os farão matar; e vós sereis pessoas odiadas por todos, por causa do meu nome.” — Mar. 13:11-13.

      8. De que modo tem amiúde ajudado o “espírito santo” ao povo de Deus quando sofre pressão?

      8 Nestes dias do cumprimento do “sinal” de Jesus, tem havido muitos casos de Jeová prover “espírito santo” e orientação quando foram mais necessários. (Mar. 13:4) Uma Testemunha de Jeová, um fiel superintendente viajante, foi recentemente preso por pregar as “boas novas”, e seus captores prepararam-se para executá-lo. No entanto, ele protestou dizendo que tinha de receber primeiro um julgamento justo. Quando o julgamento foi concedido, ele solicitou um escrivão do tribunal. Com a ajuda do espírito de Jeová, o superintendente deu um excelente testemunho sobre o Reino, citando muitos textos bíblicos. Tudo isso foi registrado nos autos. Contudo, ele foi sentenciado à morte. Mas, a seguir, ele informou ao tribunal que a lei lhe garantia o direito de apelação. De modo que se lhe concedeu apelar do seu caso à base dos autos do tribunal. O tribunal superior anulou a decisão e pôs o superintendente de circuito em liberdade para continuar com sua pregação do reino de Deus. O espírito santo ajudou-o a obter a vitória! — Veja Atos 4:13, 31; 5:32.

      9. Que problemas têm sido enfrentados e vencidos com respeito aos membros da família?

      9 Conforme Jesus predisse, membros incrédulos na família têm-se erguido como perseguidores. Ocasionalmente, Testemunhas têm sido traídas pelos seus próprios filhos rebeldes, conforme aconteceu num acampamento de refugiados na África. Também, em terras comparativamente pacíficas, as Testemunhas de Jeová às vezes têm sofrido amarga oposição por parte de cônjuges ou outros membros da família. Ao passo que, com tato, procuram ajudar amorosamente a tais opositores, todas essas Testemunhas são sustentadas pela garantia de que “aquele que tiver perseverado até o fim é o que será salvo” — Mar. 13:13; veja Marcos 10:28-30; 1 Pedro 3:1-4.

      COMO DISCERNIR A “COISA REPUGNANTE”

      10. Que pergunta surge com respeito a Marcos 13:14?

      10 Todos os que anseiam o vindouro milênio estão profundamente envolvidos no cumprimento das palavras seguintes de Jesus: “No entanto, quando avistardes a coisa repugnante que causa desolação estar de pé num lugar onde não devia (que o leitor use de discernimento), então, comecem a fugir para os montes os que estiverem na Judéia.” (Mar. 13:14) O que é esta “coisa repugnante”?

      11. (a) Como se apresentaram em oposição ao reino de Deus e a “coisa repugnante”? (b) Por que são as Nações Unidas ‘repugnantes’ do ponto de vista de Jeová?

      11 A “coisa repugnante” se apresenta em contraste com o “reino de nosso Senhor [Jeová Deus] e do seu Cristo”, que nasceu nos céus em 1914. (Rev. 11:15 a 12:12) Este reino é descrito profeticamente como “bonito pela elevação” e “a perfeição da lindeza”. (Sal. 48:2; 50:2) Mas as nações começaram imediatamente a enfurecer-se com o Reino. (Sal. 2:1-6) Em pouco tempo, produziram a Liga das Nações, que mais tarde surgiu novamente como as Nações Unidas. Este corpo internacional é representado no livro bíblico de Revelação como algo realmente “repugnante”: uma “fera cor de escarlate . . . cheia de nomes blasfemos e que [tem] sete cabeças e dez chifres”. (Rev. 17:3, 8) Quão “repugnante” ela é do ponto de vista de Jeová! Porque ela tem sido aclamada como instrumento para trazer “paz e segurança” — algo que só o glorioso Reinado de Cristo poderá conseguir para a humanidade. — Isa. 9:6, 7; veja 1 Tessalonicenses 5:3.

      12. Como é que Babilônia, a Grande, veio a cair no desfavor de Deus, e qual será o resultado para ela?

      12 Quem tem feito tais afirmações jactanciosas a favor deste instrumento humano? Notavelmente os clérigos da cristandade! Em dezembro de 1918, o Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América aclamou a então proposta Liga das Nações como “expressão política do Reino de Deus na terra”. Mais recentemente, em 1965, o Papa Paulo VI proclamou as Nações Unidas como sendo “a última esperança de concórdia e paz”. Até este ano de 1980, papas e prelados têm continuado a tentar conseguir favores da ONU. Mas, de que fazem parte tais clérigos? Estão relacionados com a “meretriz” religiosa descrita em Revelação como “Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes e das coisas repugnantes da terra”. (Rev. 17:1, 3-6) Como império mundial da religião falsa, esta “mulher” meretrícia exerce seu ofício junto aos líderes políticos das nações, ao passo que proclama sua fé na ONU, a “fera”, presumindo até mesmo ‘estar sentada como rainha’ na “fera”, para mandar nela. (Rev. 18:7) Mas, assim que ela parecer estar ‘com tudo’ junto aos seus “amantes” políticos, os “dez chifres” radicais desta ONU passarão a ‘odiar a meretriz e a farão devastada e nua’, desolada completamente. — Rev. 17:16.

      13, 14. (a) Por que devemos agora certificar-nos de que nossa ‘fuga para os montes’ seja completa? (b) Que evidência há de que muitos ainda obedecem à ordem de Revelação 18:4

      13 Os cristãos, com o olho discernente da fé, podem ver mesmo já agora a “coisa repugnante” — as Nações Unidas — “estar de pé num lugar onde não devia”, ameaçando com os “chifres” o chamado ‘domínio sagrado’ da cristandade (Mar. 13:14; Mat. 24:15) Aproxima-se a desolação da religião falsa! Ela errou em depositar sua confiança nesta fera “repugnante”! O que deve fazer o leitor quando discerne estas coisas? Jesus responde: “Fugir para os montes.”

      14 Felizmente, ‘os na Judéia’ não têm adiado sua fuga para os “montes” protetores de Jeová, fora daquele domínio. Por conseguinte, atualmente, em 205 terras e territórios em todo o globo, as Testemunhas de Jeová estão avisando sobre o breve fim deste sistema de coisas. Têm acatado a voz procedente do céu, que diz: “Saí dela [de Babilônia, a Grande], povo meu, se não quiserdes compartilhar com ela nos seus pecados e se não quiserdes receber parte das suas pragas. Pois os pecados dela acumularam-se até o céu, e Deus se lembrou dos atos injustos dela.” (Rev. 18:4, 5) O povo de Jeová não se ‘fez parte do mundo’. (João 15:19) Milhares continuam a fugir, conforme mostra o total de 416.167 batizados nos três anos que seguiram 1975.

      SITUAÇÃO URGENTE

      15. Como podemos aplicar o conselho de Marcos 13:15, 16, em nossa própria vida?

      15 Destacando a urgência da “terminação” do sistema de coisas, Jesus passou a dizer: “Que o homem que estiver no alto da casa não desça, nem entre para tirar algo de sua casa; e que o homem que estiver no campo não volte para as coisas deixadas atrás, para apanhar sua roupa exterior.” (Mar. 13:15, 16) Nos tempos bíblicos, quando ameaçava uma calamidade, teria sido tolo se o homem descesse pela escada externa de seu quarto no terraço da casa e entrasse na casa para retirar seus bens. Amiúde, a maneira mais rápida de fugir teria sido pelos terraços vizinhos. Também, o lavrador que tirou a roupa não essencial para trabalhar na lavoura poria em perigo a sua chance de escapar, se voltasse para apanhar uma bela roupa exterior. Do mesmo modo hoje, a salvação é encontrada na fuga para o reino de Deus e em continuamente colocar os interesses do Reino em primeiro lugar — não em tentar salvar coisas materiais dum mundo condenado. — Veja Lucas 9:62; 12:22-31; 17:31, 32.

      16. (a) Quem terá muita dificuldade quando sobrevier a “tribulação final? (b) Em contraste, que expectativa consoladora podem ter os pais que temem a Deus?

      16 Jesus disse a seguir: “Ai das mulheres grávidas e das que amamentarem naqueles dias!” (Mar. 13:17) Foi difícil, muito difícil, para tais pessoas quando o exército imperial de Roma desolou Jerusalém, no ano 70 E.C. E será um tempo difícil para as famílias que não tiverem feito caso da provisão de escape feita por Jeová, quando houver a “tribulação” final na terra. Felizmente, os pais que temem a Deus e que se empenham em criar seus filhos “na disciplina e na regulação mental de Jeová” podem esperar que os menores obedientes venham a estar sob o mérito familiar, que pode significar a salvação deles. (Efé. 6:4; veja 1 Coríntios 7:14.) Mas o caminho da sobrevivência não será fácil, conforme indicam as próximas palavras de Jesus:

      17. (a) O que podemos esperar no “tempo do inverno” da “tribulação”? (b) Como podemos agora agir sabiamente, e com que esperança quanto ao futuro? (Isa. 26:20, 21)

      17 “Persisti em orar que [a vossa fuga] não ocorra no tempo do inverno; pois estes dias serão dias de tribulação tal como nunca ocorreu desde o princípio da criação, que Deus criou, até esse tempo, nem ocorrerá de novo. De fato, se Jeová não tivesse abreviado os dias, nenhuma carne se salvaria. Mas, por causa dos escolhidos, que ele escolheu, abreviou os dias.” (Mar. 13:18-20) Nós, individualmente, talvez não consigamos salvar-nos se demorarmos a fuga na época favorável, tal como o verão, até que venha o inverno da “tribulação”. Nestes tempos anormais, ninguém pode esperar continuar a levar uma vida normal. O proceder sábio, hoje, é fugir para o lado do reino de Deus e permanecer ali, gastando-se numa vida de abnegação a favor dos interesses do Reino. (Mar. 8:34-36; Mat. 6:33) Ao passo que nos confrontamos com a maior de todas as tribulações, podemos ser gratos pela garantia de Jesus, de que Jeová ‘abreviará aqueles dias’, a fim de salvar “carne” devotada a ele — a dos “escolhidos”, que governarão mais tarde com Cristo, e a da “grande multidão”, que constitui o núcleo dos que viverão na terra durante o milênio. — Rev. 5:9, 10; 7:4, 9-17.

      18. Que clímax podemos esperar para a “angústia de nações”? (Isa. 45:18)

      18 Depois de advertir contra “falsos cristos e falsos profetas”, muitos dos quais têm aparecido nestes últimos dias, Jesus mencionou vistas atemorizantes nos céus e o “grande poder e glória” de sua vinda como “Filho do homem”, quando executar o julgamento e reunir os seus para a salvação. (Mat. 24:24; Mar. 13:26) Sem dúvida, faltando alimentos, combustível e outros suprimentos, e com o contínuo armazenamento de armas de destruição em massa, haverá uma intensificação da “angústia de nações, não sabendo o que fazer . . . , os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. (Luc. 21:25, 26) Resta ver se essas nações tentarão adotar o proceder suicida duma guerra nuclear, total. Mas, não poderão exterminar e não exterminarão a humanidade de cima da terra! Para os “escolhidos” e seus companheiros há a firme promessa de libertação. — Luc. 21:28; Mat. 24:21, 22

      19. O que podemos esperar ver no futuro próximo?

      19 Deveras, as “dores de aflição” têm causado muita tristeza à humanidade desde que ‘nação se levantou contra nação’ em guerra mundial. (Mar. 13:8) Contudo, Jesus nos assegura que, assim como a aproximação do verão pode ser reconhecida pelas folhas novas que brotam na figueira, assim ‘estas coisas que acontecem’ têm de atingir em breve o seu clímax com a vinda de Cristo para executar o julgamento. Ele disse: “Deveras, eu vos digo que esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas aconteçam. Céu e terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.” (Mar. 13:21-27, 30, 31) Além disso, a Revelação que Jesus deu posteriormente ao apóstolo João nos assegura que 1.000 anos do reino de Deus por Cristo seguirão à eliminação do Diabo e de todas as suas obras. — Rev. 20:2, 3; 1 João 3:8.

      “MANTENDE-VOS VIGILANTES”

      20. (a) Por que é perigoso agora ficar sonolento? (b) Em harmonia com Marcos 13:34, 35, como podemos mostrar lealdade para com o nosso Amo?

      20 As palavras finais da grande profecia de Jesus contêm um forte aviso a todos nós. Alguns talvez tenham sido levados a sonolência ou mesmo ao sono porque o “Filho do homem” não veio numa data esperada para ajustar contas com as nações. Que perigo! Jesus aconselhou: “Acerca daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai. Persisti em olhar, mantende-vos despertos, pois não sabeis quando é o tempo designado.” Não sabermos o tempo constitui uma forte razão para nos mantermos bem despertos. Além disso, a lealdade ao nosso Amo, demonstrada pela nossa zelosa pregação das “boas novas” sobre a sua chegada, exige constante vigilância. “É semelhante a um homem que viajou para fora e deixou a sua casa, dando autoridade aos seus escravos, a cada um o seu trabalho, e ordenou ao porteiro que se mantivesse vigilante. Portanto, mantende-vos vigilantes, pois não sabeis quando vem o senhor da casa.” — Mar. 13:32-35.

      21. Em vista de que promessas devemos ‘manter-nos vigilantes’?

      21 Portanto, quando o “Filho do homem” chegar “repentinamente” para executar o julgamento, que ele não nos encontre dormindo, mas bem ativos em fazer a vontade de nosso Pai. Pois, seremos abençoados se acatarmos as palavras de Jesus: “O que eu vos digo, digo a todos: Mantende-vos vigilantes.” (Mar. 13:37) Sejamos amparados pelas preciosas promessas de Jeová durante a “tribulação” e na esplêndida paz que durará 1.000 anos, sob o reino de Deus por Cristo! — Rev. 20:1-6; 21:1-5.

      [Foto na página 15]

      As “dores de aflição” da humanidade começaram em 1914 e se têm intensificado até agora.

  • Coragem! O milênio está próximo
    A Sentinela — 1980 | 15 de abril
    • Coragem! O milênio está próximo

      “No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.” — João 16:33.

      1. Por que teriam de ser muito corajosos os discípulos de Jesus?

      ESTAS foram as últimas palavras de conselho de Jesus aos seus discípulos na véspera de ele ser preso e executado. Ele mesmo demonstrou esta qualidade da coragem em grau notável e quis que seus seguidores devotados fizessem o mesmo. Eles iriam precisar ser muito corajosos, porque Jesus lhes dissera: “Se o mundo vos odeia, sabeis que me odiou antes de odiar a vós. Se vós fizésseis parte do mundo, o mundo estaria afeiçoado ao que é seu. Agora, porque não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: O escravo não é maior do que o seu amo. Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós; se observaram a minha palavra, observarão também a vossa. Mas, farão todas estas coisas contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.” — João 15:18-21.

      2. O que está envolvido na coragem semelhante à de Cristo? (veja Salmos 27:13, 14; 31:24.)

      2 No entanto, o que está envolvido na coragem semelhante à de Cristo? Significa ter coragem “de trincheira”, como demonstrada pelos soldados no calor da batalha? Não, significa muito mais do que isso. A coragem cristã requer a demonstração de força moral exemplar em todas as ocasiões. Exige apoio inabalável dado ao reino de Deus sob todas e quaisquer circunstâncias. Requer firmeza, perseverança e constante lealdade para com os princípios corretos. A verdadeira coragem inclui resolução e determinação positiva de prosseguir e ser bem sucedido, mesmo em face de oposição e dificuldade aparentemente insuperáveis. Abrange a decisão expressa pelo apóstolo Paulo, que disse: “Há uma coisa a respeito disso: Esquecendo-me das coisas atrás e esticando-me para alcançar as coisas na frente, empenho-me para alcançar o alvo.” — Fil. 3:13, 14.

      O EXEMPLO DE CORAGEM DE DANIEL

      3. Que coragem exemplar mostraram ter Daniel e seus companheiros com respeito à comida e à bebida?

      3 A Palavra de Deus está cheia de narrativas de grande coragem demonstrada em face de provações que testavam a fé. Um daqueles que mostraram ter tal coragem em diversas ocasiões foi Daniel, profeta de Deus. Como jovem, escravizado em Babilônia, ele “decidiu no coração não se poluir com as iguarias do rei e com o vinho que bebia”, e nisto foi acompanhado por Sadraque, Mesaque e Abednego. (Dan. 1:8-19) Isto exigiu coragem, similar à coragem exigida hoje da parte de jovens Testemunhas de Jeová em alguns países, como, por exemplo, na recusa de lanches escolares que contêm produtos de sangue. — Atos 15:28, 29.

      4. Que belo exemplo têm muitos jovens encontrado hoje no capítulo 3 de Daniel? (Rom. 15:4)

      4 Mais tarde, quando estes mesmos três companheiros de Daniel adotaram uma posição firme na questão da idolatria, Daniel, sem dúvida, aprovou realmente a atitude deles. Sob inspiração, ele registrou aquele acontecimento em grandes pormenores para nossa admoestação, nestes dias críticos. — Dan. cap. 3.

      5. (a) Por que exigiu coragem para Daniel falar perante Nabucodonosor, e, mais tarde, perante Belsazar? (b) Que coragem similar precisam ter hoje as Testemunhas de Jeová?

      5 Exigiu coragem para Daniel comparecer perante o poderoso Nabucodonosor de Babilônia e tornar conhecidas as interpretações dos sonhos daquele governante — especialmente visto que a profecia de Daniel indicava o subseqüente esmagamento do Império Babilônico, bem como a humilhação do rei. (Dan. 2:36-38, 44, 45; 4:24, 25, 33) Também, por ocasião do banquete idólatra de Belsazar, quando uma escrita à mão, da parte de Jeová, apareceu na parede do palácio do rei, Daniel precisou ser muito corajoso para informar o rei e seus próceres que a grande Babilônia estava acabada e seria entregue à Medo-Pérsia. (Dan. 5:1-6, 17-28) De maneira similar, hoje requer coragem da parte de muitas Testemunhas de Jeová falar destemidamente sobre os julgamentos de Deus contra Babilônia, a Grande, e outros sistemas condenados deste mundo. — Rev. 16:12-16, 19.

      NA COVA DOS LEÕES

      6, 7. (a) Por que obteve Daniel destaque durante o reinado de Dario? (b) Como somente podiam seus inimigos achar uma oportunidade contra ele? (c) Que situações similares têm surgido em nosso tempo?

      6 Nos acontecimentos provadores pelos quais passaram Daniel e seus companheiros tiveram de estribar-se fortemente em Jeová, na oração. (Dan. 2:17, 18) E foi relacionado com a oração que Daniel teve de mostrar novamente inabalável coragem. Babilônia havia caído, e Dario governava então a Medo-Pérsia, quarta potência mundial do registro bíblico. Por causa do “espírito extraordinário” que lhe fora concedido pelo seu Deus, o idoso Daniel passou a distinguir-se mais do que todos os outros funcionários do reino. Estes homens notáveis, ciumentos da sabedoria e da posição de Daniel, procuraram um jeito para causar a destruição dele. Mas, sabiam muito bem que não podiam achar nenhum pretexto, a menos que fosse com relação à “lei de seu Deus”. — Dan. 6:1-5.

      7 Apercebidos do costume de Daniel, de orar e louvar a seu Deus três vezes por dia, os conspiradores induziram o rei a assinar um edito no sentido de que quem fizesse uma petição a qualquer deus ou homem, durante 30 dias, exceto ao rei, tinha de ser lançado na cova dos leões. O edito tornou-se lei imutável dos medos e dos persas. (Dan. 6:6-9) Isto é similar à atual situação em muitos países, em que funcionários inferiores ou clérigos, feridos pela recusa das Testemunhas de Jeová de se tornarem parte do mundo ou de diminuírem sua atividade do Reino, e ciumentos da bênção de Deus sobre a obra delas, procuram “apanhar” as Testemunhas e acabar com sua atividade. Estes opositores sabem muito bem que os do povo de Jeová costumam ser as pessoas mais acatadoras da lei e honestas na localidade. Por isso, inventam questões envolvendo cerimônias e saudações idólatras, a proclamação de lemas partidários ou patrióticos, tais como “Heil Hitler”, “Viva Franco”, e outros.

      8. Como é o exemplo intransigente de Daniel seguido hoje por testemunhas fiéis?

      8 Que exemplo magnífico Daniel deu quanto a como enfrentar tais questões! O registro diz-nos: “Daniel, porém, assim que soube que se assinara a escritura, entrou na sua casa, e, com as janelas do seu quarto de terraço abertas para ele do lado de Jerusalém, foi pôr-se de joelhos, até mesmo três vezes por dia, e orava e oferecia louvor perante seu Deus, assim como havia feito regularmente antes disso.” (Dan. 6:10) Ele não parou com sua adoração costumeira de Jeová. De maneira similar, testemunhas fiéis dos tempos modernos não param com sua adoração de Deus porque algum ditador proscreve ou restringe a sua atividade cristã. Talvez tenham de proceder com cautela, tal como por escalonarem sua atividade de casa em casa ou por darem testemunho só com a Bíblia, ou mesmo por darem ênfase na pregação informal. Mas, é preciso que se empenhem na adoração! ‘Não podem parar de falar das coisas que viram e ouviram.’ — Atos 4:20.

      9. Como veio Daniel a ter proteção e que encorajamento nos dá isso hoje?

      9 Por causa de seu proceder íntegro, Daniel foi lançado na cova dos leões. Mas, significava isso que Deus o havia abandonado? Nunca! Tampouco abandona Jeová as suas testemunhas quando são hoje lançadas em prisões imundas. Daniel nem mesmo fora abandonado pelo Rei Dario, que “passou a noite jejuando” — provavelmente orando ao Deus de Daniel. A proteção de Jeová, certamente, mostrou ser mais poderosa do que o edito imutável da lei medo-persa. Na manhã seguinte, quando o rei foi apressadamente à cova dos leões e perguntou a Daniel se o seu Deus, a quem ‘servia com constância’ fora capaz de socorrê-lo, Daniel pôde responder: “Meu próprio Deus enviou seu anjo e fechou a boca dos leões, e eles não me causaram dano, pois diante dele se achou em mim a própria inocência; e também perante ti, ó rei, não fiz nada prejudicial.” — Dan. 6:18-22.

      10. Como pode o povo de Jeová frustrar as tramas daquele “leão que ruge”, o Diabo?

      10 A oração a Jeová é hoje tão importante como no tempo de Daniel, e como ela pode ser eficaz! Embora as Testemunhas de Jeová hoje talvez não sejam lançadas em literais covas de leões, vivem num mundo em que seu “adversário, o Diabo, anda em volta como leão que ruge, procurando a quem devorar”. Então, o que têm de fazer os cristãos quando se confrontam com perseguições e outras provações? Precisam ser corajosas. Precisam sujeitar-se humildemente às circunstâncias provadores e orar, confiando também em que seus irmãos, em toda a parte, oram fervorosamente a seu favor. O apóstolo Pedro deu excelente conselho: “[Lançai] sobre [Deus] toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Mantende os vossos sentidos, sede vigilantes. . . . tomai vossa posição contra [o Diabo], sólidos na fé, sabendo que as mesmas coisas, em matéria de sofrimentos, estão sendo efetuadas na associação inteira dos vossos irmãos no mundo. Porém, depois de terdes sofrido por um pouco, o próprio Deus de toda a benignidade imerecida . . . completará o vosso treinamento; ele vos fará firmes, ele vos fará fortes. Dele seja o poderio para sempre.” — 1 Ped. 5:6-11.

      11. Que exemplos modernos há quanto a Testemunhas de Jeová sobreviverem a uma ‘cova de leões’?

      11 Tem havido muitos exemplos modernos de Testemunhas de Jeová como que serem lançadas na “cova dos leões”. Emissários leoninos daquele “leão que ruge”, o Diabo, procuram continuamente devorar o povo de Deus. No entanto, as Suas Testemunhas perseveram em oração, lançando sua ansiedade sobre Jeová, e tomam sua posição “sólidos na fé”. Por exemplo, em Zimbabue Rodésia, houve uma mocinha que fora bem instruída pelos seus pais nos princípios bíblicos. Ela foi capturada por soldados guerrilheiros. Seus pais temiam por ela, visto que os guerrilheiros tinham por hábito violentar ou doutrinar moças adolescentes. Tudo o que os pais podiam fazer era orar pela segurança dela. Depois de alguns dias, ela voltou incólume. “O que aconteceu com você?” perguntaram os pais. “Eu simplesmente continuava a dar testemunho a eles”, explicou a mocinha. De modo que seus captores a mandaram para casa. Mais tarde, o líder dos guerrilheiros veio à aldeia e foi à procura dos pais dela. Disse-lhes que só queria conhecer os pais desta mocinha tão bem instruída.

      12. Que oração fervorosa podemos sempre fazer a Jeová, e com que confiança?

      12 Quão veraz é que Jeová cuida dos seus servos que oram e os apóia! Com confiança, sempre podemos orar assim como Davi: “Ó Jeová, meu Deus, em ti me refugiei. Salva-me de todos os que me perseguem e livra-me, para que ninguém dilacere a minha alma assim como faz o leão, arrancando-me quando não há livrador.” Sim, às vezes talvez sintamos que nossa “alma está no meio de leões”, que estamos entre “devoradores, sim, os filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas e cuja língua é uma espada afiada” Mas, nossas fervorosas orações a Jeová, e refugiarmo-nos sob a sombra de suas asas, fará com que passemos por tais provações mantendo a integridade. (Sal. 7:1, 2; 57:1-4) Assim como Daniel, ‘pela fé, . . . tapou as bocas de leões’, nós também podemos fazer. — Heb. 11:33.

      NUM “TEMPO DE AFLIÇÃO”

      13. (a) No reinado de Ciro, por que precisava Daniel de fortalecimento? (b) Que coragem similar precisam ter hoje as Testemunhas de Jeová?

      13 Mais tarde, durante o reinado do Rei Ciro, apareceu a Daniel um anjo em visão e fortaleceu-o, dizendo: “Não tenhas medo, ó homem mui desejável. Paz seja contigo. Sê forte, sim, sê forte.” (Dan. 10:1-19) Exigiu coragem da parte de Daniel receber e registrar a poderosa profecia que o anjo lhe deu a seguir, e que encontramos nos capítulos 11 e 12 de Daniel. E tem exigido coragem para as Testemunhas de Jeová continuarem a ‘não fazer parte do mundo’ durante o cumprimento da parte final desta profecia, que descreve o confronto entre o “rei do norte” comunista e o “rei do sul” capitalista, nesta era nuclear.

      14. (a) O que identifica Miguel como sendo o Senhor Jesus Cristo? (b) Que coragem podemos derivar do registro de Daniel, capítulo 12?

      14 O livro de Daniel menciona diversas vezes a Miguel, cujo nome significa “Quem É Semelhante a Deus?”. (Dan. 10:13, 21) Este grande príncipe é assim identificado como sendo o Senhor Jesus Cristo, que luta pela vindicação da soberania de Jeová. Falando sobre este “tempo do fim”, o anjo disse a Daniel: “E durante esse tempo pôr-se-á de pé Miguel, o grande príncipe que está de pé a favor dos filhos de teu povo. E certamente virá a haver um tempo de aflição tal como nunca se fez ocorrer, desde que veio a haver nação até esse tempo. E, durante esse tempo, teu povo escapará, todo aquele que for achado inscrito no livro.” (Dan. 12:1, 4) Sejamos bem corajosos para fazer tudo o que o Deus de Daniel requer de nós, até que esse “tempo de aflição” arrase o mundo iníquo de Satanás. Pois então raiará o glorioso dia do reinado milenar de Jesus. “Muitos dos adormecidos no solo de pó acordarão” com a perspectiva de terem vida eterna na terra. Também o corajoso Daniel ‘se erguerá para receber a sua sorte no fim dos dias’. — Dan. 12:2, 9, 13.

      “SEDE CORAJOSOS E FORTES”

      15, 16. (a) Em que situação anterior do povo de Daniel havia necessidade de coragem? (b) Assim como em Israel, como pode ser fortalecida hoje a coragem do povo de Deus?

      15 Atualmente, o povo de Deus está no próprio limiar do milênio. A situação é parecida à do povo de Daniel, Israel, num período bem anterior de sua história. Foi quando estavam acampados junto à margem do rio Jordão, prontos para atravessá-lo para a Terra da Promessa. O objetivo estava à vista. Mas, ainda os aguardavam provações e dificuldades. Havia necessidade de coragem. Portanto, outro profeta famoso de Jeová, o idoso Moisés, proferiu as seguintes palavras a Israel: “Sede corajosos e fortes. Não tenhais medo nem vos assusteis diante [dos vossos inimigos], porque Jeová, teu Deus, é quem marcha contigo. Não te desamparará nem te abandonará completamente.” E ao seu próprio sucessor designado, Josué, Moisés deu uma admoestação similar: “Sê corajoso e forte.” — Deu. 31:1-8.

      16 De fato, todo o povo precisava ser muito corajoso; e por isso, Moisés instruiu os sacerdotes, os levitas e os anciãos de Israel sobre o que havia de ocorrer cada sete anos na festividade das barracas, que todos teriam de observar: “Congrega o povo, os homens e as mulheres, e os pequeninos, e teu residente forasteiro que está dentro dos teus portões, para que escutem e para que aprendam, visto que têm de temer a Jeová, vosso Deus, e cuidar em cumprir todas as palavras desta lei.” (Deu. 31:9-12) Escutar, aprender e obedecer à lei de Jeová era essencial para o bom êxito daquela nação, e isto também é necessário hoje, se o povo de Deus há de ter coragem que o habilite a sobreviver ao fim do mundo.

      17, 18. O que é necessário para alguém se tornar “corajoso e forte”, e por que precisam dar atenção a isso especialmente os anciãos cristãos?

      17 Naquele tempo crítico em Israel, era necessário que o ancião Josué mostrasse coragem exemplar, assim como hoje é necessário da parte dos anciãos cristãos na congregação. Por isso, as palavras de Jeová, proferidas diretamente a Josué e reforçando as anteriores de Moisés devem receber nossa detida atenção: “Sê corajoso e forte. . . . Somente sê corajoso e muito forte. . . . Sê corajoso e forte. Não fiques assustado nem aterrorizado, pois Jeová, teu Deus, está contigo onde quer que andares.” (Jos. 1:6, 7, 9) Jeová disse a Josué o que era necessário para ser “corajoso e forte”, e para agir sabiamente em cada situação. E o que era? Que o texto responda:

      18 “Este livro da lei [de Jeová] não se deve afastar da tua boca e tu o tens de ler em voz baixa dia e noite, para cuidar em fazer segundo tudo o que está escrito nele; pois então farás bem sucedido o teu caminho e então agirás sabiamente.” — Jos. 1:8.

      19, 20. Qual será o resultado final de sermos “corajosos e fortes”?

      19 O que resultou finalmente da ação sábia de Josué, junto com a obediência corajosa do povo? Depois de todos os obstáculos terem sido vencidos, depois de Jeová ter dado a Israel a vitória sobre todos os seus inimigos, e quando o povo se fixara naquela ‘terra que manava leite e mel’, Josué pode incentivá-los por dizer: “Vós bem sabeis, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, que não falhou nem uma única de todas as boas palavras que Jeová, vosso Deus, vos falou. Todas elas se cumpriram para convosco. Nem uma única palavra delas falhou.” — Jos. 5:6; 23:14.

      20 Quando os do povo corajoso de Jeová dos tempos modernos tiverem finalmente saído do catastrófico “tempo de aflição” para entrar no milênio do reinado pacífico de Cristo, sentirão o cumprimento das promessas de Jeová em escala muitíssimo maior, sim, em escala permanente. Que todos nós ‘sejamos corajosos e muito fortes’ para sobreviver para este milênio que agora está próximo!

      [Foto na página 21]

      Assim como Jeová protegeu Daniel, assim ele protege testemunhas contra “leões” hodiernos.

  • Andrônico
    A Sentinela — 1980 | 15 de abril
    • Andrônico

      Andrônico, cujo nome significa “vencedor de homem”, era um fiel judeu cristão na congregação de Roma, a quem Paulo enviou saudações. Paulo chamou Andrônico e Júnias de “meus parentes”. Embora a palavra grega usada aqui (syggenés), no seu sentido mais amplo, possa significar “patrício”, o significado primário é “parente consangüíneo da mesma geração”. O contexto indica que Andrônico provavelmente estava aparentado assim com Paulo. Igual a Paulo, Andrônico sofrera encarceramento, sendo então ‘homem notável’ entre os apóstolos, tendo-se tornado cristão antes de Paulo. — Rom 16:7; tirado de Ajuda ao Entendimento da Bíblia, em inglês, p. 77.

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