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  • “Venha o teu Reino”!
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 1

      “Venha o teu Reino”!

      1. O que lhe significaria o reino de Deus, se trouxesse em breve as condições ilustradas aqui?

      POUCAS palavras de oração foram repetidas mais vezes do que as acima citadas. É possível que você, leitor, já tenha feito essa oração. E nós, certamente, precisamos do reino de Deus! Quão maravilhoso seria viver nas condições ilustradas nestas páginas! E esta é a esperança que o reino de Deus nos oferece: Paz e harmonia em toda a terra. As raças da humanidade unidas por vínculos de genuíno amor. Todos deleitando-se em fazer trabalho produtivo e em usufruir os frutos de seus labores. O ar cheio da música da criação, e do canto e riso de gente feliz. Uma saudável sociedade global da humanidade, em que ninguém envelhece ou adoece. O usufruto de paz com os animais, a fragrância das flores, a beleza de paisagens coloridas e de estações sempre variadas. Sim, tudo isso e muito mais é prometido para a nossa terra após a vinda do reino de Deus, conforme veremos.

      2, 3. Que mudanças, nos últimos anos, salientam a necessidade de vir o reino de Deus?

      2 Todavia, as coisas são agora bem diferentes. Pois atravessamos tempos que a Bíblia descreve como sendo “difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1) Você sabe como sua própria vida está sendo afetada por esses tempos críticos. Muitos dos que lêem estas páginas perderam entes queridos nas guerras e por outras violências neste século. Contudo, as nações estão empenhadas na corrida armamentista mais febril de todos os tempos. E elas já têm em estoque armas mais do que suficientes para causar o aniquilamento de toda a humanidade.

      3 Preocupam-nos também outros problemas, mais perto de casa. Com o aumento dos assaltos, dos homicídios e dos estupros, muitos de nós achamos perigoso até mesmo andar nas ruas. E não ouvimos falar sobre mais divórcios, famílias desfeitas e delinqüência do que antes? Nesta era do sexo permissivo e do vício das drogas, muitos ficam apreensivos quanto a mandarem seus filhos a escolas públicas. Se morar num bairro, ou num país, em que tais problemas ainda não surgiram, deve sentir-se realmente grato!

      4, 5. (a) Que outros problemas afetam nossa vida? (b) Que tendências mundiais mostram que é urgente que ‘venha o reino de Deus’?

      4 Quanto custa hoje pôr comida na mesa? E quanto custa manter um automóvel? Com o aumento vertiginoso dos preços dos gêneros alimentícios e do combustível, a instável situação mundial lança sombras ominosas sobre o futuro. Para onde vai o mundo? Uma notícia publicada na revista U.S. News & World Report de 4 de agosto de 1980 salientou a seriedade da crise. Disse: “A menos que se adotem grandes medidas novas, o mundo daqui a 20 anos será um planeta imundo, instável, com bilhões de pobres disputando recursos escassos e caros. Este aviso surgiu em 24 de julho após o término dum estudo de três anos por uma comissão presidencial.” Entre outras coisas, este estudo revelou que, por volta do ano 2000, a população do mundo atingirá 6,3 bilhões de pessoas, que — sem tomar em consideração a inflação — os preços dos gêneros alimentícios dobrarão, que os desertos se ampliarão e que as florestas desaparecerão, e que pelo menos metade do petróleo do mundo terá sido esgotado. Isto é, se o atual sistema sobreviver até então!

      5 O que puderam fazer sobre esta crise as nações individuais ou mesmo as Nações Unidas? Muito pouco, por enquanto. Tudo isso mostra quão urgentemente precisamos do reino de Deus!

      O QUE É ESTE REINO?

      6. Por que ficaríamos desapontados se o reino de Deus estivesse apenas no coração das pessoas?

      6 Trata-se simplesmente duma condição existente no coração dos crentes? Em outras palavras, estará presente o reino de Deus quando suficientes pessoas forem convertidas ao cristianismo? Alguns pensam assim, indicando Lucas 17:21 na versão de João Ferreira de Almeida da Bíblia, edição atualizada no Brasil, que reza: “O reino de Deus está dentro em vós.” Mas, se a sua conclusão for correta, então o reino de Deus está-se afastando cada vez mais. Por quê? Porque a proporção dos professos cristãos em relação aos outros no mundo atual é de menos de 25 por cento, e está diminuindo. Há também centenas de milhões de membros de igrejas que raras vezes entram numa igreja.

      7, 8. Como nos ajuda o exame das Escrituras a entender o verdadeiro significado de Lucas 17:21?

      7 Pense também no seguinte: A quem falou Jesus quando disse: “O reino de Deus está dentro em vós”? Foi aos fariseus hipócritas aos quais Jesus aplicou as palavras de Deus proferidas pelo profeta Isaías: “O seu coração está longe de mim.” (Mateus 15:1, 8, Alm., atual.; Isaías 29:13) Como podia o Reino penetrar nesses corações empedernidos? Então, qual é o significado das palavras de Jesus? Um indício é fornecido na edição revista e corrigida da versão de João Ferreira de Almeida Esta versão reza: “O reino de Deus está entre vós.” E assim rezam também muitas outras traduções da Bíblia, tais como a católica do Pontifício Instituto Bíblico de Roma ou a da Liga de Estudos Bíblicos.

      8 Portanto, Jesus estava falando ali sobre si mesmo, como o Rei designado, que estava entre eles. Estava mesmo ali, no meio deles, como pessoa real. E isto também nos deve fazer entender que o Reino é um reino real, um governo autêntico, assim como seu Rei é uma pessoa autêntica.

      A REALIDADE ATUAL

      9, 10. O que é um reino autêntico e como pode beneficiar seus súditos?

      9 Atualmente, restam poucos reinos na terra. São governos autênticos, tais como os da Noruega, do Reino Unido, da Jordânia e do Nepal, só para mencionar alguns. Eles têm um Rei (ou uma rainha), junto com governantes associados, que servem qual parlamento, dieta ou outro corpo governamental. Sob tal grupo governante, comparativamente pequeno, as massas do povo levam a sua vida cotidiana. São os súditos do reino.

      10 Quando o Rei e seus co-regentes se preocupam profundamente com o bem-estar do povo, o reino pode prover muitos benefícios. Foi assim no antigo reino de Salomão, em que o povo era “muitos, em multidão, iguais aos grãos de areia junto ao mar, comendo, e bebendo, e alegrando-se”. — 1 Reis 4:20; 10:1-9.

      11. Em que sentido é o reino de Deus similar aos reinos da terra?

      11 Torna-se o reino de Deus menos real só porque governa desde o céu? De modo algum! Em primeiro lugar, tem um Rei que está bem vivo e ativo É o designado pelo próprio Deus, o Senhor Jesus Cristo, sobre quem a Bíblia diz: “Nele é que as nações basearão a sua esperança.” (Romanos 15:12) Assim como os governos na terra, o reino celestial tem um corpo governante composto. A Bíblia mostra que este se compõe dum número limitado de reis associados, que provaram sua integridade a Deus quais homens e mulheres na terra. Jesus diz a estes: “Não temas, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso Pai dar-vos o reino.” (Lucas 12:32; Revelação 5:9, 10; 20:4) O reino possui autoridade celestial. De sua posição vantajosa nos céus, o governo do Reino pode projetar suas ordens — por meios muito mais poderosos do que as ondas de rádio ou os raios laser — para qualquer lugar na terra.

      12, 13. O reino de Deus tem que espécie de (a) leis, (b) sistema educativo e (c) programa de saúde?

      12 Que dizer de leis? Sim, o reino de Deus opera segundo leis — as melhores leis, estabelecidas por Deus para beneficiar o povo. Pode ler na Bíblia sobre elas. (Deuteronômio 6:4-9; Marcos 12:28-31) Possui o Reino um sistema educativo? Certamente que sim! Desde já, seu programa educativo opera para ajudar pessoas sinceras de todas as nações, povos e línguas, a fim de se prepararem para a vida eterna sob a administração justa do Reino. Não importa em que país da terra viva, poderá aproveitar-se pessoalmente deste curso de instrução. — Mateus 24:14; Revelação (Apocalipse) 7:9, 10; Isaías 54:13.

      13 Tem o Reino um programa de saúde? Tem o mais prático de todos os programas de saúde — o que se baseia no sacrifício resgatador do Senhor Jesus Cristo. Este programa livrará os homens de seus padecimentos e de suas fraquezas físicas, para que possam alcançar a vida eterna na plenitude da boa saúde. (Isaías 25:8; João 10:10) Enquanto Jesus estava na terra, ele realizou muitos milagres, ilustrando que teria autoridade e poder para curar os doentes, restabelecer a visão aos cegos, sarar os coxos e até mesmo trazer os mortos de volta à vida. (Lucas 7:20-23) Embora este programa do Reino ainda seja futuro, os que hoje se inteiram dele aprendem também a levar uma vida limpa, de boa moral, e desde já são restabelecidos em radiante saúde espiritual. Sua esperança é real. — Isaías 65:14; Romanos 10:11.

      14. Enquanto Jesus estava na terra, o que destacava ele no seu

      14 Quando Jesus era homem na terra, ensinava muitas coisas sobre o reino de Deus, e, de fato, forneceu uma previsão da vida sob o seu governo. (Lucas 4:43; Mateus 12:22-28) Ensinava seus discípulos sobre Deus, para que pudessem achegar-se a Deus na relação de filhos com um pai amoroso. Forneceu-lhes orientação sadia para poderem lidar com bom êxito com as situações que encontramos na vida. — João 1:18; 14:6.

      A FONTE DA VERDADEIRA FELICIDADE

      15. Por que eram as pessoas dos dias de Jesus iguais a nós, hoje, quanto a necessitarem consolo?

      15 A oração pela ‘vinda do reino de Deus’ faz parte do Sermão do Monte, proferido por Jesus numa encosta à beira do Mar da Galiléia. Seus ouvintes eram seus discípulos escolhidos, junto com uma multidão de outras pessoas. Estas haviam sido “esfoladas e empurradas dum lado para outro” por homens egoístas. (Mateus 9:36) O que Jesus dizia dava consolo aos seus ouvintes, e as suas palavras podem ser igualmente consoladoras para nós, hoje.

      16. Quem é que encontra verdadeira felicidade, e como?

      16 Jesus iniciou seu sermão por indicar a fonte da verdadeira felicidade. Encontrava-se esta na riqueza material, na diversão, na busca de emoções e de agitação? Não, porque Jesus deu ênfase às coisas espirituais. Mostrou que aqueles que estão “cônscios de sua necessidade espiritual” e que estão “famintos e sedentos da justiça” encontrariam felicidade duradoura relacionada com o reino de Deus. (Mateus 5:3, 6; Lucas 8:1, 4-15) Cultiva tais interesses espirituais?

      17, 18. (a) O que temos de fazer para ser aprovados por Deus? (b) Como o motiva a garantia de Jesus em Mateus 6:26-33?

      17 No decorrer do seu sermão, Jesus esclareceu que, para sermos aprovados por Deus, temos de aprender a ser imitadores de nosso Pai celestial. Devemos refletir as suas qualidades e comportar-nos segundo as suas normas. (Mateus 5:43-48; Efésios 5:1, 2) Para agradar-lhe, nossa adoração não pode ser mero formalismo em que nos empenhamos uma ou duas vezes por semana. Tem de ser uma adoração viva e ativa, que se reflete na nossa vida diária e no nosso amoroso interesse no nosso semelhante.

      18 Mas se colocarmos os valores espirituais em primeiro lugar na nossa vida, não nos levará isso a sofrermos necessidades na atual sociedade gananciosa e egocêntrica? De modo algum! Se ‘buscarmos primeiro o reino de Deus e a Sua justiça’, então todas as outras coisas necessárias da vida nos serão acrescentadas. Jesus explicou isso belamente em Mateus 6:26-33, que você deverá ler.

      19, 20. (a) Por que é importante saber como Deus encara nossa adoração? (b) Como podemos ser ajudados a dar ao reino de Deus destaque na nossa vida? (e) Por que será proveitoso examinar a “oração do Pai-Nosso”?

      19 Então, como devemos “buscar primeiro o reino”? Significa isso que, se ‘formos à igreja de nossa escolha’, certamente receberemos a bênção de Deus? Ou precisamos buscar a espécie de adoração que Deus escolhe para nós? Note o que Jesus disse sobre isso: “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus.” Ele esclareceu que alguns dos que afirmavam ‘ter profetizado em seu nome e ter feito muitas obras poderosas em seu nome’, na realidade, eram “obreiros do que é contra a lei”, do ponto de vista de Deus. (Mateus 7:21-23; veja também Mateus 7:13, 14.) Como podemos saber com certeza de que maneira Deus encara nossa adoração? Só por nos familiarizarmos bem com o conteúdo de sua Palavra, a Bíblia.

      20 O exame da Bíblia nos ajudará a dar ao reino de Deus o destaque que merece na nossa vida, e dum modo que se ajusta à nossa situação individual. Ajudar-nos-á a formar um novo conceito sobre a vida e a reconhecer quais são as coisas mais importantes. Consideremos a seguir a parte do Sermão do Monte de Jesus conhecida como a “oração do Pai-Nosso”. (Mateus 6:9-13) O exame desta Oração-modelo nos ajudará a obter a perspectiva correta sobre o que Deus requer de nós, se havemos de encontrar a verdadeira felicidade. E isto nos mostrará que o tema emocionante da Bíblia é a santificação do nome de Deus por meio de seu reino nas mãos de Jesus Cristo.

  • O Rei da Eternidade
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 2

      O Rei da Eternidade

      1. Por que devemos ter confiança em Deus como verdadeiro Pai?

      JESUS iniciou a “oração do Pai-Nosso” por dirigir-se a Deus como “nosso Pai”. Não, não apenas o Pai de Jesus Cristo, mas, por fim, o Pai de toda a humanidade que obedientemente adorar este amoroso “Ouvinte de oração”. (Salmo 65:2) Este, como “Rei da eternidade”, demonstra interesse genuíno e duradouro nas suas criaturas, assim como um bom pai humano se interessa nos seus filhos. (1 Timóteo 1:17) Devemos ter confiança em “nosso Pai” como Pessoa real, que se importa conosco. Não importa qual a nossa língua, cor da pele ou posição na vida, devemos sentir-nos à vontade para nos dirigir a ele, porque “Deus não é parcial, mas, em cada nação, o homem que o teme e que faz a justiça lhe é aceitável”. — Atos 10:34, 35.

      2, 3. Como mostrou nosso Pai ser tanto Dador da vida como Grande Provisor? (Gênesis 1:1, 2, 31)

      2 “Nosso Pai nos céus” é o Criador, Aquele que deu vida à humanidade. (Mateus 6:9; Salmo 36:9) Mas ele é muito mais do que apenas nosso Dador da vida; é também nosso Grande Provisor. Esperaríamos que um pai humano responsável provesse um lar e o sustento de seus filhos, mesmo a custo de muito tempo e esforço. Nosso Pai celestial fez isso, e muito mais, da maneira mais generosa.

      3 Considere quão amorosamente este “Rei da eternidade” preparou a terra para ser nosso lar. Situou-a exatamente certo na expansão dos céus, e, pela sua onipotência, produziu na terra todo o necessário para servir de habitação humana, feliz. Depois criou o homem e a mulher, colocando-os neste lar deleitoso — deveras uma grandiosa dádiva “aos filhos dos homens”! — Salmo 115:16; 19:1, 2

      4. (a) Que previsão bondosa mostrou nosso Pai na preparação de nosso lar? (b) O que nos assegura que ele quer que sejamos felizes?

      4 Que lindo lar nosso Pai celestial proveu aos seus filhos aqui na terra! Ele providenciou que noites frescas e repousantes pudessem seguir aos dias luminosos de atividade. Ordenou a seqüência das estações para o nosso benefício e prazer. (Gênesis 8:22) Proveu uma abundância daquela coisa essencial e útil, a água, e distribuiu-a por toda a terra, para que pudéssemos obtê-la onde quer que fosse necessária. Estendeu um tapete refrescante de plantas verdes — sobre milhões de quilômetros quadrados — em todo o nosso lar global. Decorou-o com flores primorosamente coloridas. Ajardinou-o belamente contra um fundo de belas florestas, lagos e montanhas. No “porão” da terra ele armazenou suprimentos abundantes de carvão, petróleo e outras fontes de energia. Mantém a “despensa” da terra constantemente suprida duma abundância de cereais, frutas, legumes e verduras, e de outros petiscos. Que Provisor sábio e atento é nosso Pai celestial! A Bíblia chama-o de “Deus feliz”. É evidente que ele quer que nós também sejamos felizes. — 1 Timóteo 1:11; Isaías 25:6-8.

      O “NOME” DE NOSSO PAI

      5. Que desejo de coração devemos ter ao orarmos com as palavras iniciais da oração-modelo de Jesus?

      5 Nosso amoroso Pai celestial tem um “bom nome”, uma boa reputação, como Grandioso Provisor. Tem também um nome pessoal, assim como qualquer pai humano. Se tivermos um digno pai humano, não gostaríamos de ver seu nome e sua reputação vituperados. Gostaríamos de ver seu nome respeitado. Ainda mais, devemos ter o desejo de ver honrado o nome de nosso Pai celestial. Por isso, da plenitude de nosso coração, devemos poder orar as palavras que Jesus colocou em primeiro lugar na oração-modelo: “Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome.” — Mateus 6:9; Provérbios 22:1, Almeida.

      6. Com respeito ao nome de Deus, o que é que você gostaria de ver?

      6 De fato, sempre devemos orar fervorosamente para que o nome do grandioso Criador do céu e da terra seja enaltecido, magnificado acima de todos os outros nomes, e revelado como o nome mais precioso, significativo e amável no universo. Esta santificação do sagrado nome de Deus é muito mais importante do que a nossa própria salvação. Seu nome e sua reputação precisam ser santificados — vindicados de todo o vitupério que criaturas infames lançaram sobre ele.

      7. O que mostra a Bíblia sobre qual é o nome pessoal de Deus?

      7 Qual é o nome pessoal de nosso Pai celestial? Ele é revelado num contexto que mostra que o Dono desse grandioso nome tem inimigos. Descrevendo-os, o Salmo 83, versículos 17 e 18, segundo a versão revista e corrigida da tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida, reza: “Confundam-se e assombrem-se perpetuamente; envergonhem-se, e pereçam. Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome JEOVÁ, és o Altíssimo sobre toda a terra.” — Veja também o Salmo 100:3, Liga de Estudos Bíblicos, católica, que usa a forma “Javé”.

      8. O que tentaram fazer os inimigos de Deus com o nome dele, e com que resultado?

      8 De modo que o nome de Deus é JEOVÁ. No entanto, muitos dos que professam adorar a Deus têm sido bastante desrespeitosos para com este nome. Alguns até mesmo expurgaram seu nome de suas traduções da Bíblia, substituindo-o pelos títulos “SENHOR” e “DEUS” em maiúsculas. Esta prática não somente oculta o ilustre nome de Deus, mas também confunde o Senhor Jeová com o Senhor Jesus Cristo, e com outros “senhores” e “deuses” mencionados na Bíblia. (Salmo 110:1; Deuteronômio 10:17; Romanos 1:4; 1 Coríntios 8:5, 6) Como pode alguém honestamente orar para que o nome do Pai seja santificado, quando procura ocultar este nome?

      9. (a) Que forma tem o nome de Deus em hebraico, e em outros idiomas? (b) A Bíblia mostra que Deus é quantas pessoas?

      9 O nome inigualável de Deus é representado em hebraico, primeira língua usada na escrita da Bíblia, pelas letras יהוה, que alguns pronunciam Javé. A forma geralmente aceita do nome em português é “Jeová”, e este nome é similarmente representado em outros idiomas. Por usarmos o nome “Jeová”, podemos indicar claramente a quem nos referimos. Ele é “um só Jeová”. Não é Jesus Cristo, porque Jesus é o Filho leal de Deus, “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”. — Colossenses 1:15; Marcos 12:29; Deuteronômio 6:4.

      10. O que significa o nome de Deus, e como Ele demonstrou isso?

      10 O nome “Jeová” tem um forte sentido. Significa: “Ele Causa que Venha a Ser (ou: Mostre Ser).” Isto se refere a Ele mesmo, não a respeito de Ele criar coisas. Portanto, declarou que “Jeová” é seu próprio nome “memorial”, quando estava para se tornar Libertador milagroso de seu povo Israel, das mãos do Faraó do Egito. (Êxodo 3:13-15) Mais tarde, quando o profeta Jeremias reconheceu que o Soberano Senhor Jeová é o Criador do céu e da terra, ‘com o seu grande poder e com o seu braço estendido’, e como sendo “grande em conselho e abundante em atos”, Jeová assegurou ao seu profeta que, no Seu próprio tempo devido, Ele realizaria um ato aparentemente impossível, por tornar-se Restaurador de Seu povo, tirando-o do cativeiro do Império Babilônico. E ele fez isso! — Jeremias 32:17-19, 27, 44; 2 Crônicas 36:15-23.

      11. Como se pode relacionar hoje o nome de Deus com o seu reino?

      11 Também hoje, Jeová é o grande Deus que “causa que venha a ser”. Ele é pessoalmente capaz de vir a ser tudo o que for preciso, e desempenhar qualquer papel necessário, a fim de realizar coisas maravilhosas por meio de seu reino, para a santificação de seu nome e em benefício de seu povo. O que for que se proponha a fazer é feito com pleno êxito. — Isaías 48:17; 55:11.

      SANTIFICADO O NOME DE DEUS?

      12. Como é Deus encarado pela humanidade?

      12 Mostrou a humanidade apreço, respeito e amor por este Deus ilustre, que é tão reto e que fez provisões tão maravilhosas para as suas criaturas na terra? Olhe em volta neste globo e verá a resposta. Quão lamentavelmente Deus foi deturpado pelas religiões das nações chamadas cristãs! Muitas destas nações o encaram como um Deus partidário, e têm orado a ele para que as ajude na guerra contra o seu semelhante. Outros o consideram como Deus perverso, que entrega as “almas que partem” a chamas horríveis de tormento eterno. Mais outros o degradam por assemelhá-lo a imagens sem vida de madeira ou de pedra. Muitos violam deliberadamente suas leis justas, dizendo que Deus não mais o vê ou se importa. — Contraste isso com Atos 10:34, 35; Jeremias 7:31; Isaías 42:8, e 1 Pedro 5:7.

      13. Qual seria o resultado final, se pessoas desencaminhadas tivessem permissão de seguir seu proceder desamoroso?

      13 Mas, então, se pessoas desencaminhadas não amam a Deus, nem santificam seu nome, como é que vão amar o seu próximo? (1 João 4:20, 21; 5:3) E a menos que se restabeleça o amor na família humana, o mundo terá de tornar-se por fim uma selva de desunião, violência e anarquia. Em alguns lugares já é assim. Com a difusão dos armamentos nucleares entre as nações, algum dia, alguém impetuoso poderia aniquilar toda a raça humana. Mas, isto é algo que nosso amoroso Pai nunca permitirá! — Salmo 104:5; 119:90; Isaías 45:18.

      COMO DEUS SANTIFICA SEU NOME

      14, 15. Quem toma a dianteira em santificar o nome de Deus, e como?

      14 Quem é que toma a dianteira em santificar o nome de Deus? Ora, o próprio Jeová! Faz isso por agir em vindicação de suas normas justas. Executará o julgamento em todos os que se opõem à sua santa vontade, inclusive os que oprimem seu próximo e os que ensinam falsidades sobre Deus (Salmo 140:12, 13; Jeremias 25:29-31) Jeová não pode negar a si mesmo. Ele é o verdadeiro Deus, que merece a adoração exclusiva de todas as suas criaturas. É o Soberano Universal, a quem todas as criaturas devem obediência. — Romanos 3:4; Êxodo 34:14; Salmo 86:9.

      15 Ao santificar o seu nome, o Soberano Senhor Jeová eliminará da terra todos os humanos que agem ruinosamente, contrário à sua vontade. Isto se dá porque ele odeia a iniqüidade e ama a justiça. (Salmo 11:5-7) Conforme ele mesmo diz: “Eu hei de magnificar-me, e santificar-me, e dar-me a conhecer aos olhos de muitas nações; e terão de saber que eu sou Jeová.” (Ezequiel 38:23) É evidente, pois, que se quisermos ter a aprovação de Jeová, nós também teremos de santificar o seu nome, tratá-lo como sagrado e merecedor de pleno respeito, vivendo em harmonia com a sua vontade.

      16. Que papel desempenha a nossa conduta na santificação do nome de Deus?

      16 A conduta de todos os que adoram a Jeová honra o nome de Deus, ou então o desonra. Comportemo-nos todos dum modo que faça com que outros falem bem do grandioso Deus a quem servimos e que alegre o próprio coração de Jeová. (1 Ped. 2:12; Provérbios 27:11) Nós, como filhos obedientes, devemos querer mostrar gratidão ao nosso Pai por todas as suas dádivas, inclusive pelo nosso deleitoso lar — a terra — que será restabelecido numa glória ainda maior, sob o Reinado do seu Filho. — Isaías 6:3; 29:22, 23.

      17. Com que atitude devemos dirigir-nos ao “Rei da eternidade” em oração?

      17 Quão desejável é que entremos numa relação aprovada com este “Rei da eternidade”! Todavia, não podemos fazer isso por mérito próprio, porque todos nós fomos concebidos por pais pecaminosos e dados à luz em imperfeição. Mas, podemos orar a Deus, assim como fez o Rei Davi: “Esconde a tua face dos meus pecados e extingue até mesmo todos os meus erros. Cria em mim um coração puro, o Deus, e põe dentro de mim um espírito novo, firme.” (Salmo 51:5-10) Ao passo que aprendemos o que “nosso Pai nos céus” requer de nós, podemos orar para ter parte nas bênçãos eternas que seu reino trará. Sim, podemos orar confiantemente pela vinda do reino de Deus. E o que significará este reino para a humanidade aqui na terra? Vejamos.

  • O que o Reino significa para a nossa terra
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 3

      O que o Reino significa para a nossa terra

      1, 2. Como mostra a vinda do Reino que Deus se importa com a terra e seu povo?

      A ORAÇÃO-MODELO de Jesus prossegue com estas palavras: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mateus 6:10) Deus está profundamente interessado na nossa terra e em todos os que vivem ou já viveram nela. É por isso que o Reino vem, para “arruinar os que arruínam a terra”, para prover a ressurreição dos mortos, para eliminar a inimiga morte e para tornar nosso globo um lar feliz e pacífico para ser habitado pela humanidade. — Revelação 11:15, 18; 21:1, 3, 4.

      2 Portanto, quão fervorosamente devíamos orar estas palavras: “Venha o teu reino”! É o reino de Deus nas mãos de seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. Por meio dele far-se-á realmente nesta terra a vontade de Jeová, que é o “Rei da eternidade”. Imagine o que isto significará para as pessoas de todas as nações:

      GOVERNA O “PRÍNCIPE DA PAZ”

      3, 4. (a) A O.N.U. fracassou apesar de aplicar a si mesma que palavras proféticas, e por quê? (b) Somente que Instrumento poderá prover paz duradoura, e de que modo?

      3 Aguardando o Reinado de Cristo, o profeta de Deus o descreve como sendo o “Príncipe da Paz”, acrescentando: “Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim.” O mesmo profeta nos assegura: “Converterão as suas espadas em relhas de arados, e suas lanças em podadeiras: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” Embora estas últimas palavras se achem inscritas no muro duma praça defronte das Nações Unidas, doutro lado da rua, não é este organismo internacional, cheio de lutas, que cumpre esta profecia. Pois a O.N.U. tem desditosamente falhado como órgão para o estabelecimento de paz e segurança entre as nações. — Isaías 2:4, Almeida, atualizada; Isa. 9:6, 7, NM.

      4 A paz verdadeira e duradoura requer que haja justiça para todos, a verdadeira prática da justiça. Somente o reino do “Príncipe da Paz” pode garantir isso; será ‘estabelecido firmemente e amparado por meio do juízo’. Sim, este reino é o instrumento de Deus para prover “na terra paz entre homens de boa vontade”. — Isaías 9:7; 32:17; Lucas 2:14.

      5. No estabelecimento da verdadeira paz, que coisas espantosas realizará o Reino?

      5 Como fará isso o Reino? Fará isso notavelmente por meio da ‘vinda’ do reino de Deus, por seu “Príncipe da Paz”, contra as nações guerreadoras do mundo. O Salmo 46:8, 9, convida-nos: “Vinde, observai as atividades de Jeová, como ele tem posto eventos assombrosos na terra. Ele faz cessar as guerras até a extremidade da terra. Destroça o arco e retalha a lança; as carroças [de guerra] ele queima no fogo.” O Reino proscreverá todas as armas de violência. Além disso, não permitirá que bandidos e estupradores malvados percorram as ruas, porque, sob o reino de Deus, “os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz”. — Salmo 37:9-11.

      UMA ILUSTRAÇÃO PROFÉTICA

      6. Que cumprimento glorioso teve a profecia bíblica no sexto século A.E.C.?

      6 Muitas profecias da Bíblia têm referência ao cativeiro do antigo Israel. Depois de servir Babilônia por 70 anos, um restante fiel de israelitas voltou à sua pátria em 537 A.E.C. Durante todos esses anos, a terra havia jazido desolada, como ermo. Mas então, com a bênção de Jeová sobre o seu povo, ocorreu uma notável transformação. Profecias escritas com centenas de anos de antecedência passaram a ter um glorioso cumprimento:

      “O ermo e a região árida exultarão, e a planície desértica jubilará e florescerá como o açafrão. Sem falta florescerá e realmente jubilará com exultação e com grito de júbilo. Terá de se lhe dar a própria glória do Líbano o esplendor do Carmelo e de Sarom. Haverá os que verão a glória de Jeová, o esplendor de nosso Deus.” — Isaías 35:1, 2; veja também Isaías 65:18-25; Miquéias 4:4.

      7. O que podemos esperar, então, para a nossa terra, quando ‘vier’ o reino de Deus?

      7 Conforme a história atesta, essas profecias tiveram um cumprimento maravilhoso no povo restabelecido de Deus durante o século após o seu livramento de Babilônia. E quando o reino de Deus ‘vier’ para a bênção de todos os filhos de Deus aqui na terra, fará menos do que isso, ao restabelecer condições paradísicas em nosso globo? A resposta é um retumbante Não! O Reino cuidará mesmo de que o mandado original de Deus, dado à humanidade, de ‘sujeitar a terra’, transformando toda ela num paraíso edênico, seja cumprido totalmente. — Gênesis 1:28; 2:8-14; Isaías 45:18.

      PARAÍSO GLOBAL

      8. Sob o Reino, o que acontecerá com os suprimentos de gêneros alimentícios e de combustível, e por causa da aplicação de que lei?

      8 Quando o reino de Deus ‘vier’, acabarão a escassez de gêneros alimentícios e a inflação, porque “virá a haver bastante cereal na terra; no cume dos montes haverá superabundância”. Nosso amoroso Pai fará novamente que “saia alimento da terra, e vinho que alegra o coração do homem mortal, para fazer a face brilhar com óleo, e pão que revigora o próprio coração do homem mortal”. (Salmo 72:16; 104:14, 15) Não haverá problema com a distribuição de alimentos entre as nações, nem racionamento, nem filas para obter combustível. Os exploradores gananciosos terão desaparecido. Toda a humanidade obedecerá à lei régia: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo”, compartilhando uns com os outros as coisas segundo as necessidades. — Tiago 2:8.

      9. Que garantia temos de que nada prejudicará então a humanidade?

      9 Além disso, podemos esperar que o Reino controle as perturbações naturais, tais como terremotos e furacões. Jesus indicou como isso pode ser feito quando acalmou “uma violenta tempestade de vento”. Assim, seus discípulos notaram que “até mesmo o vento e o mar lhe obedecem”. (Mar. 4:37-41) Em todo o domínio terrestre do reino de Deus não haverá nada que prejudique, danifique ou arruíne. — Veja Isaías 11:6-9.

      10. o que indicaram os muitos milagres de Jesus a respeito do Reino?

      10 Não mais serão necessários grandes hospitais para abrigar os física e os mentalmente doentes. As doenças cardíacas, o câncer e outros males aleijadores serão erradicados, porque o Médico magistral, Jesus Cristo, aplicará o valor de seu sacrifício resgatador “para a cura das nações”. Os muitos milagres de cura e de ressuscitar os mortos, feitos por Jesus enquanto esteve na terra, são apenas um pequeno indício do que ele realizará pelo seu poderoso Reinado. Até mesmo a condição morredoura herdada pela humanidade será eliminada, porque se nos assegura que “não haverá mais morte”. — Revelação 21:4; 22:1, 2; Mateus 11:2-5; Marcos 10:45; Romanos 5:18, 19.

      11. Durante o Reinado de Jesus, que alegria culminará tudo?

      11 E, para a maior alegria, os cemitérios não mais macularão a paisagem, porque até mesmo eles terão sido esvaziados. As “primícias” da ressurreição, 144.000 discípulos leais de Jesus, hão de ser reunidos com ele nos céus, como associados dele no seu reino. Cumprir-se-á também a maravilhosa promessa de Jesus, de que os demais mortos “nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão . . para uma ressurreição”. Eles terão a agradável oportunidade de ser levados à perfeição humana, como súditos do Reino, aqui na terra. — João 5:28, 29; Revelação 14:1-5; 20:4-6, 11, 12.

      12. (a) Por que desejaria viver eternamente no paraliso? (b) Segundo João 17:3, o que temos de fazer para estar nele?

      12 Gostaria de ser um dos que viverão para ver esta terra purificada de toda a iniqüidade e transformada num paraíso de delícias? Gostaria de estar presente para acolher os mortos ressuscitados? Desejaria viver para sempre na terra tornada gloriosa — na qual ninguém enfraquece com a idade, nem se cansa das delícias que cada dia da vida traz? Poderá fazê-lo, se seguir os requisitos de Deus para obter a vida. Jesus expressou isso de modo simples, quando disse em oração ao seu Pai: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3) Quão grande será o privilégio de viver eternamente no paraíso, quando “a terra se encherá do conhecimento da glória de Jeová assim como as próprias águas cobrem o mar”! — Habacuque 2:14.

      “O NOSSO PÃO PARA ESTE DIA”

      13. Por que podemos orar confiantemente pelo “nosso pão para este dia”?

      13 No entanto, hoje estamos muito preocupados com as necessidades atuais. Para muitos de nós, ganhar a vida e sustentar a família tem-se tornado um verdadeiro desafio. Portanto, não somente temos necessidade de orar para que o Pai santifique o seu grande nome e cause que sua vontade seja feita na terra, pela vinda do seu reino; também precisamos orar a Deus pelas nossas necessidades diárias, pelo “nosso pão para este dia”. Podemos fazer isso com plena confiança de que, se nos empenharmos em viver segundo os princípios justos de Deus e mantivermos os interesses do seu reino em primeiro lugar na nossa vida, Deus fará a sua parte como Grande Provisor. É assim como Jesus passou a dizer-nos: “Nunca estejais ansiosos, dizendo: ‘Que havemos de comer?’ ou: ‘Que havemos de beber?’ ou: ‘Que havemos de vestir?’ Porque todas estas são as coisas pelas quais se empenham avidamente as nações. Pois o vosso Pai celestial sabe que necessitais de todas essas coisas. Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas.” — Mateus 6:11, 31-33.

      “PERDOA-NOS AS NOSSAS DÍVIDAS”

      14, 15. (a) Quando oramos segundo as palavras de Mateus 6:12, como devemos estar prontos para agir? (b) Neste respeito, que exemplos maravilhosos podemos imitar?

      14 Ao desenvolvermos uma relação íntima com nosso Pai, precisamos reconhecer humildemente nossa dívida para com ele, e admitir nossas transgressões contra Deus e contra nosso próximo. Por isso é apropriado orar a Deus: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores.” — Mateus 6:12.

      15 Como benignidade maravilhosa, completamente imerecida da nossa parte, Deus enviou seu Filho, Jesus, ao mundo para “dar a sua alma como resgate em troca de muitos” de nós, humanos. Isto provê a base para o perdão de nossos pecados. (Mateus 20:28) Quão grande é a misericórdia que Deus assim demonstra para com a humanidade pecadora! Que motivo imperioso temos, portanto, para não fazer caso das fraquezas de nosso próximo! Devemos estar prontos para ir ainda mais longe: perdoar até mesmo pecados sérios contra nós. Podemos assim demonstrar para com os outros aquela qualidade de intenso amor de que Jesus disse que seria sinal identificador dos verdadeiros cristãos. — João 13:35; Colossenses 3:13; 1 Pedro 1:22.

      “LIVRA-NOS DO INÍQUO”

      16, 17. (a) Como devemos entender as palavras: “Não nos leves à tentação’’? (b) Como podemos agir em harmonia com a oração para sermos ‘livrados do iníquo’?

      16 Finalmente, Jesus manda-nos orar a Deus: “Não nos leves à tentação, mas livra-nos do iníquo.” (Mateus 6:13) Não imaginemos que Deus coloca tentações no nosso caminho, para fazer-nos cair. Antes, é aquele iníquo rebelde contra Deus, Satanás, que quer desviar-nos de Deus.

      17 Todavia, o Pai prepara-nos para que nos mantenhamos “firmes contra as maquinações do Diabo”, sim, para sermos bem-sucedidos na luta contra este e as forças espirituais iníquas que controla. Para não sermos ‘levados à tentação’, Deus fornece-nos uma completa armadura espiritual, de que podemos revestir-nos. O apóstolo Paulo a descreveu em Efésios 6:10-18. Ao passo que nos mantemos firmes no uso deste equipamento provido por Deus, empenhando-nos em oração, o Pai cuidará de que ‘não sejamos levados à tentação’, mas que sejamos ‘livrados do iníquo’. — 1 Pedro 5:6-9.

      18. Em resumo, qual é o conteúdo da oração-modelo?

      18 Que o ilustre nome de Jeová seja santificado em breve pela ‘vinda do seu reino’. Que se faça a sua vontade na terra pela eliminação de toda a maldade e por transformá-la num paraíso global, para o seu louvor. Enquanto o atual sistema ruim persistir, que nosso amoroso Pai celestial nos proveja as necessidades da vida, nos ajude a manter uma relação excelente com outros e nos livre das garras de Satanás. Estas são as coisas pelas quais Jesus nos ensinou a orar. Sua oração-modelo contém tudo isso.

      [Quadro na página 25]

      O QUE O REINO DE DEUS FARÁ

      ● Defenderá a soberania de Jeová e acabará com o domínio de Satanás.

      ● Livrará a terra da religião falsa e de governantes opressivos.

      ● Introduzirá o reinado de Cristo como o “Príncipe da Paz”.

      ● Fará toda a terra florescer como glorioso paraíso.

      ● Eliminará toda escassez de moradias, alimentos e combustíveis.

      ● Estabelecerá a sociedade humana à base do amor ao próximo.

      ● Controlará as forças naturais da terra e evitará calamidades.

      ● Eliminará tensões, preocupações, mágoas, dores e a velhice.

      ● Destruirá a inimiga morte, a doença e todo o pesar.

      ● Ressuscitará bilhões de mortos, a fim de viverem para sempre na terra.

  • O Reino ‘vem’ — de onde?
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 4

      O Reino ‘vem’ — de onde?

      1. Que perguntas importantes se fazem à base de 1 Timóteo 1:17 e Revelação 15:3?

      VISTO que a Bíblia descreve a Jeová como sendo o “Rei da eternidade”, por que é que precisa ‘vir’ um reino para santificar o Seu nome? (1 Timóteo 1:17; Revelação 15:3) E de onde vem?

      2. Que condições nos governos lançaram vitupério sobre o nome de Deus, e de que maneira?

      2 Em primeiro lugar, é óbvio que precisa haver uma mudança geral para haver o restabelecimento da justiça, da paz e da felicidade nesta terra. Os governos individuais não somente falharam de muitas maneiras em cuidar do bem-estar de seus cidadãos, como também as nações estão entre si em turbulência. Ódios, rivalidades e preconceitos nacionalistas dividem povos e raças. Estas condições deturpam gravemente o propósito do Criador e têm lançado muito vitupério sobre o seu nome. — Romanos 2:24; Ezequiel 9:9.

      3. (a) Como entra neste quadro a ‘vinda’ do reino de Deus? (b) O que há de tão especial a respeito do Reino?

      3 Para corrigir esta situação, precisa haver um governo muito especial. E este é o que Jeová provê. De onde vem? Do próprio Jeová, que habita nos céus. É um reino dependente, que expressa a própria soberania universal de Jeová. Deriva sua autoridade do reinado que Jeová tem exercido desde o princípio, muito antes da criação dos nossos céus e terra. Visto que se origina da organização celestial de Deus, este governo divino, muito especial, herda as maravilhosas características da perene soberania de Jeová. — Revelação 12:1, 2, 5.

      A SOBERANIA UNIVERSAL DE JEOVÁ

      4. Que expressão de Revelação 4:11 descreve apropriadamente a soberania de Jeová?

      4 Visto que ‘criou todas as coisas’, Deus é o Soberano legítimo de toda a criação existente. Mesmo aqueles que Deus exalta ao reinado nos céus têm de ‘prostrar-se diante Daquele que está sentado no trono e adorar Aquele que vive para todo o sempre’. Estes reconhecem humildemente a soberania suprema do “Rei da eternidade” — conforme mostra esta descrição adicional deles:

      “Lançam as suas coroas diante do trono, dizendo: ‘Digno és, Jeová, sim, nosso Deus, de receber a glória, e a honra, e o poder, porque criaste todas as coisas e porque elas existiram e foram criadas por tua vontade.”’ (Revelação 4:10, 11; Efésios 3:9)

      Encara assim a soberania de Deus? Deveria fazê-lo.

      5. Em comparação com os governos humanos, de que modo é todo-abrangente o reinado de Jeová?

      5 Um reino, entre os homens, governa segundo leis. Isto é necessário para manter a ordem Usualmente, o governo inclui juízes que julgam casos jurídicos, parlamentos para legislar, e um Rei ou um presidente que executa a lei. No universo que criou, Jeová Deus ocupa todos estes três cargos, conforme indicado pelo profeta Isaías, que disse: “Jeová é o nosso Juiz, Jeová é o nosso Legislador, Jeová é o nosso Rei.” (Isaías 33:22) A isto, o Rei Davi acrescentou as palavras: “Jeová é que estabeleceu firmemente seu trono nos próprios céus; e seu próprio reinado tem mantido domínio sobre tudo.” (Sal. 103:19) Examinemos alguns aspectos desse reinado.

      AS LEIS UNIVERSAIS DE DEUS

      6. O que serve para demonstrar a superioridade das leis de Deus?

      6 Os governos humanos procuram regular as ações de seus súditos humanos, mas não podem controlar as forças da natureza que tão profundamente afetam sua vida. Jeová, o Soberano Universal, pode controlá-las e o faz. Os cientistas muitas vezes ficam maravilhados com a precisão das leis pelas quais o universo físico opera. Estas são as leis de Deus. É porque tais leis se aplicam sem variação que os homens puderam desembarcar na lua, comunicar-se via satélites, predizer eclipses e produzir milhares de invenções complexas. As leis de Deus controlam também o sol e a chuva, e ele pode regulá-los para a bênção dos que lhe obedecem. — Salmo 89:8, 11-13; Jó 38:33, 34; Zacarias 14:17.

      7. (a) Como é a divindade de Jeová atestada pelas suas leis? (b) Iguais a Jó como devemos encarar os caminhos de Jeová?

      7 O profeta de Deus disse com respeito à disposição estupenda dos corpos celestes: “Levantai ao alto os vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Foi Aquele que faz sair o exército delas até mesmo por número, chamando a todas elas por nome. Devido à abundância de energia dinâmica, sendo ele também vigoroso em poder, não falta nem sequer uma delas. Acaso não vieste a saber ou não ouviste? Jeová, o Criador das extremidades da terra, é Deus por tempo indefinido.” (Isaías 40:26, 28) Durante bilhões de anos, Jeová tem controlado o seu vasto universo pelas chamadas leis “da natureza”. Os homens têm tentado desvendar os segredos destas leis, mas há tanta coisa que ainda precisam aprender! Progrediram pouco mais do que aquele homem fiel de há 3.500 anos, que declarou: “Eis que estas são as beiradas dos seus caminhos, e que sussurro sobre o assunto se tem ouvido dele! Mas quem pode mostrar ter entendimento do seu poderoso trovão?” — Jó 26:14.

      8. Que outras qualidades de Deus se conjugam, mostrando que ele é um Grande Provisor?

      8 No entanto, quando Jeová criou a nossa terra, ele fez muito mais do que apenas estabelecê-la à base de suas leis físicas. Sua insondável sabedoria e seu imensurável amor se conjugaram com o seu poder e com as suas leis nos preparativos maravilhosos para os futuros habitantes da terra. Que previsão bondosa, que perícia magistral são observadas nas obras criativas de Deus aqui na terra! (1 João 4:8; Salmo 104:24; 145:3-5, 13) Conforme já notamos num capítulo anterior, Jeová é deveras um Grande Provisor!

      9. Quais são algumas das coisas pelas quais devemos ser gratos a Deus?

      9 Devemos ser gratos a Deus por todas as suas maravilhosas provisões. Devemos agradecer-lhe também o modo em que projetou e fez a nós, humanos, com as nossas faculdades físicas e mentais, e os nossos sentidos, pelos quais podemos deleitar-nos com as criações dele. Sim, devemos prontamente admitir a Deus, assim como fez o salmista: “Elogiar-te-ei porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante. Teus trabalhos são maravilhosos, de que minha alma está bem apercebida. Meus ossos não te estavam ocultos quando fui feito às escondidas, quando fui tecido nas partes mais baixas da terra. Teus olhos viram até mesmo meu embrião, e todas as suas partes estavam assentadas por escrito no teu livro [de desenho], referente aos dias em que foram formadas, e ainda não havia nem sequer uma entre elas.” — Salmo 139:14-16.

      10. O que mostra que Jeová é plenamente capaz de resolver as questões da terra?

      10 O Soberano Senhor Jeová, que criou o universo e todas as coisas nele, estabelecendo os sistemas de coisas no seu amor e na sua sabedoria, e segundo as suas leis justas, é também aquele sobre quem a Bíblia diz: “Justiça e juízo são o lugar estabelecido do teu trono; a própria benevolência e veracidade compareceram perante a tua face.” (Salmo 89:14) Jeová certamente está em condições de instituir o governo dum Reino, que resolverá as questões na terra. (Salmo 40:4, 5) Mas, como faz isso?

      REVELAÇÃO DUM SEGREDO

      11. (a) Por que devemos hoje ser felizes de que o verdadeiro conhecimento está disponível? (b) Como podemos identificar “Miguel”, e o que significa o seu nome?

      11 Encontramos na Bíblia muitas profecias que se referem a Deus estabelecer um reino que santificará o seu nome e fará com que se realize sua vontade na terra. Uma delas é a profecia de Daniel, que aponta para ‘‘o tempo do fim”, em que “o verdadeiro conhecimento se tornará abundante”. Podemos ser felizes de que tal conhecimento está hoje à nossa disposição. Porque Daniel nos diz:

      “Certamente virá a haver um tempo de aflição tal como nunca se fez ocorrer, desde que veio a haver nação até esse tempo. E, durante esse tempo, teu povo escapará.

      Conforme Daniel declara, isto se dará no tempo em que o grande príncipe Miguel se porá de pé a favor do povo de Deus. A Bíblia identifica Miguel como sendo Jesus Cristo, que guerreia contra os inimigos de Deus, a fim de santificar o nome de Jeová. O nome “Miguel” significa, portanto, apropriadamente, “Quem É Semelhante a Deus?”, porque é Miguel quem prova que ninguém pode desafiar com bom êxito a soberania de Jeová. — Daniel 12:1, 4; Revelação 12:7-10.

      12. De que trata o quadro do sonho em Daniel 2:31-33 e por que nos deve interessar hoje?

      12 A profecia de Daniel fala também sobre um sonho do Rei Nabucodonosor, de Babilônia, que tratava duma sucessão de reinos. O rei esquecera prontamente de que tratava o sonho, embora este continuasse a perturbá-lo muito. Por fim, o “Revelador de segredos”, Jeová Deus, usou Daniel para dar a conhecer ao Rei não somente o sonho, mas também a sua interpretação. (Daniel 2:29) Visto que o cumprimento deste sonho profético continua até os nossos dias e vai além deles, devemos estar profundamente interessados no seu significado. O sonho tratava duma “enorme estátua” de forma humana — de aparência atemorizante. Pode ler sobre ela em Daniel 2:31-33. O que representa esta estátua?

      13. O que representam as diversas partes da estátua?

      13 Daniel fez saber a Nabucodonosor que a cabeça de ouro dela representava o “rei” de Babilônia, e que as partes do corpo abaixo dela representavam outros reinos que surgiriam após Babilônia. Hoje podemos reconhecê-los como tendo sido os poderosos impérios da Medo-Pérsia, da Grécia e de Roma, sendo que as “pernas” se estendem até a dupla Potência Mundial Anglo-Americana dos tempos modernos. Mas, que dizer dos pés feitos “parcialmente de ferro e parcialmente de argila modelada”? Nos últimos anos, movimentos populares, socialistas, têm enfraquecido grandemente a autoridade férrea da Potência Mundial Anglo-Americana, assim como os pés da enorme estátua eram frágeis, porque o ferro “não se mistura com argila modelada”. Portanto, essa estátua atemorizante representa sucessivos “reis” humanos, ou potências mundiais, que terminarão quando o reino de Deus os destruir. — Daniel 2:36-44.

      14, 15. O que faz a “pedra” à estátua, e como podemos identificar esta “pedra”?

      14 Pois, eis que uma “pedra” é milagrosamente cortada dum monte, “sem mãos”. Nenhum instrumento físico, humano, é responsável por esta operação. Antes, é o próprio Jeová quem a produz, segundo a sua santa vontade. Lançada contra a poderosa estátua, a pedra atinge-a nos pés. Esmiúça a inteira estrutura de governo humano, a ponto de os restos serem espalhados como a pragana no vento. A própria pedra torna-se então um grande monte, que enche a terra inteira. — Daniel 2:34, 35.

      15 O que é esta “pedra”? A profecia elimina todas as dúvidas ao declarar:

      “Nos dias daqueles reis [a Potência Mundial Anglo-Americana e os remanescentes sobreviventes das potências mundiais que a precederam] o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. E o próprio reino não passará a qualquer outro povo. Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos, e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos.” — Daniel 2:44.

      16. Quando oramos: “Venha o teu reino”, o que estamos pedindo?

      16 O que significa isso para nós, hoje? Significa que, quando oramos pela ‘vinda’ do reino de Deus, estamos de fato pedindo que o reino celestial use seu poder destrutivo para esmiuçar todos os governos criados pelos homens, que falharam lastimavelmente em trazer paz e prosperidade. Felizmente, esta “pedra”, completando a sua missão de destruição, tornar-se-á um monte governamental que encherá a terra inteira. Trará uma paz tal como a humanidade não tem conhecido desde os dias do Rei Salomão, “a abundância de paz até que não haja mais lua” — o que significa para sempre! — Salmo 72:7.

      17. (a) Por que nos deve dar confiança a relação existente entre a “pedra” e o “monte” original? (b) Que ação adicional toma o Reino? (c) Conforme declarado no Salmo 85:8-12, que confiança devemos ter?

      17 Mas, de que “monte” é cortada a “pedra” deste Reino? (Daniel 2:45) A “pedra” deve ser dependente do monte e ser da mesma matéria que ele, e assim é. Este governo do Reino é cortado da soberania todo-abrangente e total do Rei da eternidade — Jeová Deus. Assim como a soberania universal de Jeová reflete todas as suas qualidades excelentes, assim o reino cortado desta soberania tem de enaltecer a Jeová Deus e seus grandiosos propósitos. Santifica o nome dele por esmagar os seus inimigos, mostrando que não tem nenhuma participação nos atos iníquos deles. Este reino por Cristo Jesus encherá então a terra com lei e ordem, e com amor e alegria, transformando-a no lugar justo e pacífico que Deus pretendeu desde o começo. Deveras, devemos orar pela ‘vinda do Reino’! — Salmo 85:8-12.

  • O Reino — por que demora tanto em ‘vir’?
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 5

      O Reino — por que demora tanto em ‘vir’?

      1. Que perguntas surgem em vista de Romanos 8:22?

      O APÓSTOLO Paulo escreveu: “Sabemos que toda a criação junta persiste em gemer e junta está em dores.” (Romanos 8:22) Por que se dá isso? Por que permitiu Deus as guerras, o crime, a doença e a miséria dos últimos 6.000 anos da história registrada? O que saiu errado, que a humanidade, criada para viver segundo a lei divina, deva agora ser afligida pelas violações da lei? Por que não corrigiu nosso Pai celestial esta situação? Se o Reino é a solução, então por que demora tanto em ‘vir’? Podemos realmente esperar que Deus inverta estas condições terríveis?

      2. Sob a soberania de Deus, o que se devia ter tornado a terra?

      2 Sob o governo supremo ou soberania do “Rei da eternidade”, devia haver condições ideais na terra desde o tempo da criação no Éden. Ao passo que o primeiro homem e a primeira mulher tivessem filhos e a família humana se multiplicasse até constituir bilhões de unidades familiares, a terra inteira devia ter-se tornado um paraíso de beleza, cheia de riso alegre e de amor ao próximo entre as raças pacíficas do gênero humano. — Veja Eclesiastes 2:24.

      3. (a) Na semelhança de quem foi o homem criado? (b) Que comissão recebeu o primeiro casal humano? (c) Que pergunta temos de fazer agora?

      3 Este era o propósito do amoroso Criador para com esta terra quando criou o homem segundo a sua própria semelhança moral e formou a mulher proveniente do homem. Porque o relato bíblico sobre a criação nos diz:

      “Macho e fêmea os criou. Ademais, Deus os abençoou e Deus lhes disse: ‘Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.’ . . . Depois, Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom.” (Gênesis 1:26-31)

      Então, por que é que a criação de Deus, na terra, não parece hoje ‘muito boa’?

      DESAFIADA A SOBERANIA DE DEUS

      4. (a) Que lei de Deus se destaca, e por que? (b) Quem queria fazer leis diferentes, e como passou a fazer isso?

      4 A criação teve por base as leis de Deus. E a lei que se destaca entre estas é a do amor. O próprio Deus “é amor”. (1 João 4:8) Mas, então surgiu alguém que queria estabelecer leis diferentes para a humanidade. Este “alguém” era um ‘filho de Deus’, angélico e invisível, sem dúvida um dos que ‘bradaram em aplauso’ quando Jeová criou a terra e tudo sobre ela. (Jó 38:7) Este anjo fez de si mesmo um satanás, adversário de Deus. Quis ficar independente, e assim procurou a adoração para si mesmo e semeou o espírito de rebelião. (Efésios 2:1, 2; veja Lucas 4:5-7.) Tramou usar nossos primeiros pais humanos para os seus próprios fins egoístas. Como fez isso?

      5, 6. (a) Que ordem simples deu Deus a Adão? (b) Que investida fez Satanás, e por que é ele corretamente chamado de “Diabo”?

      5 No jardim paradísico do Éden, Adão e Eva eram os beneficiados com o governo benevolente de Jeová. Deus proveu todo o necessário para sustentá-los espiritual e fisicamente. Para o próprio bem-estar contínuo deles, exigiu também que lhe obedecessem como seu Soberano Senhor. Para este fim, ele dera a Adão um mandamento simples, de que não devia comer da “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. Isto se aplicava também a Eva, após a criação dela. Não era o caso de Deus privá-los de alguma coisa, porque as outras árvores do jardim proviam uma variedade deleitosa de frutas nutritivas. Mas, se eles desobedecessem a Deus por comer deste único fruto, ‘positivamente morreriam’. Astutamente, por meio duma serpente, o rebelde Satanás dirigiu-se primeiro a Eva, dizendo: “Positivamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele [do fruto da árvore], forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” — Gênesis 2:17; 3:1-5.

      6 Isto fazia Deus parecer mentiroso. Mas, na realidade, o mentiroso era Satanás. Este “pai da mentira” também veio a ser chamado corretamente de Diabo, que significa “Caluniador”. (João 8:44) Isto constituía um desafio direto à soberania de Jeová, seu Reinado sobre as suas criaturas. Dava a entender que Deus retinha delas conhecimento ao qual tinham direito, que o governo de Deus não era de confiança e que se sairiam melhor seguindo seu próprio rumo independente, estabelecendo as suas próprias normas “do que é bom e do que é mau”.

      7. Em que sentido falhou o casal humano sob prova?

      7 Como respondeu a mulher a estas palavras caluniosas? Ela deixou de resguardar o coração, permitindo que se arraigasse nele um desejo errado. Este desejo tornou-se então fértil, de modo que ela foi enganada para cometer um pecado deliberado por desobedecer a Deus. Nisto ela também desrespeitou a chefia de seu marido, a quem devia ter consultado. E como reagiu o homem? “Adão não foi enganado”, mas preferiu lançar a sua sorte com Eva, deliberadamente juntando-se a ela no seu proceder rebelde. Que dia triste para os nossos primeiros pais e para toda a raça humana! — Gênesis 3:6, 7; 1 Timóteo 2:14; veja Tiago 1:14, 15.

      8. (a) Que sentença justa proferiu Deus contra Adão e Eva? (b) Possuíam eles almas que iriam para o céu ou para um inferno de tormento quando morressem? (c) Que rei passou a governar-nos, e por quê?

      8 Adão e Eva haviam assim mostrado um grave desrespeito pela soberania de Deus. De modo que agora, em harmonia com a sua lei, Deus anunciou a sentença de morte, dizendo a Adão:

      “Porque tu és pó e ao pó voltarás.” (Gênesis 3:19)

      Deus não queria dizer com isso que apenas o corpo de Adão morreria, ao passo que uma espécie de “alma” interior ou “espírito” escaparia do corpo para continuar vivo num céu ou num inferno. Não, porque o próprio Adão era uma “alma”. Conforme diz o relato da criação, em Gênesis 2:7: “Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego de vida, e o homem veio a ser uma alma vivente”. No tempo devido morreram tanto Adão como Eva — como almas. E visto que toda a raça humana é descendente de Adão, manchado pelo pecado, todos nós herdamos o pecado e a morte. “A alma que pecar — ela é que morrerá.” (Ezequiel 18:4, 20) Sim, todos nós, sendo almas humanas, morremos. A morte passou a reinar sobre nós. — Romanos 5:12, 14; 6:12; Eclesiastes 3:19, 20; 9:5, 10; Salmo 6:5; 115:17.

      A QUESTÃO DA INTEGRIDADE DO HOMEM

      9. Que outra questão foi suscitada no Éden?

      9 Todavia, não é apenas a soberania de Deus que foi questionada pela rebelião no Éden. Suscitou-se mais outra questão. Visto que logo os primeiros humanos que Deus colocara na terra se tornaram infiéis sob prova, será que havia algo de errado com a criação de Deus? Podia-se dizer realmente que todas as suas obras eram “perfeitas”?

      10. (a) Era defeituosa a criação de Deus, e por que responde assim? (b) Como podem os humanos mostrar que são à semelhança de Deus’?

      10 Deus poderia ter destruído imediatamente Adão e Eva, e criado outro casal humano. Mas, não teria sido isso uma admissão de que a sua primeira criação era defeituosa? Ela não era defeituosa. Era simplesmente que nossos primeiros pais haviam escolhido usar sua faculdade moral do livre-arbítrio de modo errado. Se tivessem sido robôs que tinham de fazer o certo sob todas as circunstâncias, então lhes teria faltado senso de moral. Não teriam sido ‘à semelhança de Deus’. Jeová sempre faz as coisas de maneira perfeita, certa, porque ele é amor. Quer que suas criaturas inteligentes também sejam motivadas pelo amor em fazer o que é correto. — Gênesis 1:26, 27; 1 João 5:3.

      11. Que luz lança Deuteronômio 32:4, 5, sobre a situação lá naquele tempo?

      11 Está escrito a respeito de Jeová: “A Rocha, perfeita é a sua atuação, pois todos os seus caminhos são justiça. Deus de fidelidade e sem injustiça; justo e reto é ele.” Sua criação, a humanidade, também pode ser fiel, justa e reta. Por isso, permitiu que Adão e Eva tivessem filhos. Embora estes herdassem as tendências pecaminosas de seus pais, ainda assim haveria entre eles alguns que provariam seu inabalável amor ao seu Criador e sua integridade a ele, mesmo na sua imperfeição carnal e em face de amargas provações e perseguições que poderiam sofrer. Mas outros da humanidade ‘agiriam ruinosamente’ e mostrariam não ser filhos de Deus. Fariam isso por sua própria escolha, podendo-se atribuir o defeito a eles, não a Deus. — Deuteronômio 32:4, 5.

      12, 13. (a) Como escarneceu Satanás de Deus com respeito a Jó? (b) Que réplica proveu Jó e com que resultado para si mesmo?

      12 Que Satanás, o Diabo, insistiu perante Deus nesta questão da integridade do homem é demonstrado no livro bíblico de Jó. O homem Jó que viveu uns 2.500 anos depois do desvio de Adão, era “inculpe e reto, temendo a Deus e desviando-se do mal”. Satanás escarneceu de Deus, dizendo que a retidão de Jó não era genuína, que ele servia a Deus apenas pelo proveito que podia tirar disso. Portanto, Deus permitiu que Satanás pusesse Jó à prova. Jó sofreu uma grande perda de bens; seus 10 filhos foram mortos numa calamidade; ele mesmo foi depois afligido por uma doença repugnante, e, finalmente, sua própria esposa zombou dele, dizendo: “Ainda te aferras à tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!” A seguir, Jó teve de contender com os vitupérios sarcásticos de três falsos consoladores. — Jó 1:6 a 2:13.

      13 Em todas estas provações, Jó apegou-se firmemente à sua determinação:

      “Até eu expirar não removerei de mim a minha integridade!”

      Mostrou-se fiel a Deus, provendo assim uma forte resposta às acusações de Satanás. Por isso, Jeová recompensou a Jó por dar-lhe o dobro de tudo o que possuíra antes. Foi também novamente abençoado com sete filhos e três filhas — sendo estas moças as mais bonitas em todo o país. — Jó 27:5; 42:10-15.

      14. Como replicaram outros do mesmo modo à afirmação de Satanás, e qual é o mais belo exemplo disso?

      14 No entanto, Jó é apenas um dentre centenas de milhares de servos fiéis de Deus, que Lhe alegraram o coração por replicarem à afirmação falsa de Satanás, de que os que amam a Jeová lhe obedecem e servem apenas por motivos egoístas. O mais belo exemplo disso foi o do próprio Filho de Deus, Jesus, o qual, enquanto na terra, “aturou uma estaca de tortura, desprezando a vergonha”, tudo pela alegria de continuar a servir altruistamente na tarefa que Deus lhe dera. — Hebreus 12:2.

      RÉPLICA AO DESAFIO DO ESCARNECEDOR

      15. Por que se pode dizer que foi provado o lado de Jeová no desafio?

      15 Agora quase já se esgotou o tempo designado. Durante uns 6.000 anos, Jeová tem provado seu lado da questão em réplica ao desafio. Tem mostrado que ele pode ter e tem na terra homens e mulheres que mantêm a integridade, não importa que perseguição ou outras provações ferozes Satanás lance sobre eles. O Diabo tem usado todas as malvadezas imagináveis contra eles, mas em vão Os servos fiéis de Deus têm alegrado o coração de seu Pai, porque lhe têm fornecido uma resposta para aquele que “escarnece” a Deus, a saber, o grande adversário. — Provérbios 27:11.

      16. (a) Em que vitória já participaram alguns dos leais a Deus? (b) Por que podem os súditos do Reino ter confiança nos seus governantes?

      16 Ao mesmo tempo, e na sua maneira econômica de fazer as coisas, Jeová tem escolhido dentre estes leais alguns que governarão com Cristo no reino celestial. Embora Satanás os tenha acusado “dia e noite perante o nosso Deus”, eles o venceram “por causa da palavra do seu testemunho, e não amaram as suas almas, nem mesmo ao encararem a morte”. Iguais ao seu Exemplo, Jesus Cristo, têm estado dispostos a mostrar a qualidade superlativa de seu amor a Deus e ao próximo por entregarem até mesmo a sua vida. Quanta confiança a humanidade poderá ter no reino celestial, composto por Cristo e seus 144.000 reis associados — todos eles testados e provados como os que mantêm a integridade! — Revelação 12:10, 11; 14:1-5; 20:4; João 15:13.

      17. Quem herdará o domínio terrestre do Reino?

      17 Outros, tais como Jó que morreram fiéis a Deus nos tempos pré-cristãos, têm assegurada “uma ressurreição melhor” na “nova terra”. (Hebreus 11:35; 2 Pedro 3:13) Tornam-se parte das “outras ovelhas” do “pastor excelente”, Jesus Cristo, com a perspectiva de terem vida eterna na terra paradísica. Também, os semelhantes a ovelhas, que mostram bondade para com os “irmãos” ungidos de Cristo, no tempo da “terminação do sistema de coisas”, são convidados a herdar este domínio terrestre do Reino. (João 10:11, 16; Mateus 24:3; 25:31-46) Serão preservados vivos quando os anjos do céu soltarem os ventos da “grande tribulação” sobre a nossa terra. Quer ser um dos daquela “grande multidão” de sobreviventes, quando o reino de Deus ‘vier’ para esmagar as nações iníquas? Poderá ser! Porque, como alguém que mantém a sua integridade, também poderá provar que somente o caminho de Deus pode levar ao usufruto eterno da vida. — Revelação 7:1-3, 9, 13, 14.

      18. (a) Por que não será nunca mais necessário vindicar a soberania de Jeová? (b) Quem tem agora uma brilhante esperança? (Salmo 37:11, 29)

      18 Quando o reino de Deus tiver esmagado a Satanás e seu sistema corrupto de coisas, nunca mais será necessário vindicar a soberania de Deus. As questões suscitadas pelo rebelde, Satanás, terão sido respondidas de uma vez para sempre. (Naum 1:9) Aqui mesmo, nesta terra, terão sido provadas a legitimidade, a justiça e a excelência do governo baseado na lei do amor de Deus, e o Reino terá ‘vindo’ para santificar o grandioso nome do Soberano Senhor Jeová. Para os da ‘criação gemente’ que agora servem a Deus em integridade, quão brilhante é a esperança que o reino de Deus lhes oferece! Está orando fervorosamente pela sua ‘vinda’? — Romanos 8:22-25.

      [Quadro na página 44]

      POR QUE PERMITIU DEUS O MAL POR TANTO TEMPO?

      ● Para confirmar a legitimidade, a justiça, a excelência e a permanência da soberania universal de Jeová.

      ● A fim de demonstrar para todo o sempre que toda espécie de governo humano independente de Deus só resulta em pesar e em calamidade.

      ● Para providenciar o cumprimento das promessas do Reino de Deus, bem como a escolha e o exame dos herdeiros do Reino.

      ● A fim de permitir tempo para provar, como que num tribunal, que os servos de Deus podem manter sua integridade, apesar de todas as provações causadas por Satanás.

      ● Para mostrar que a obediência, baseada na lei de amor de Deus, é o único proceder que resulta em usufruto permanente da vida.

      ● Para responder ao desafio de Satanás tão cabalmente e estabelecer um precedente jurídico tão claro, que nunca mais será necessário vindicar o nome e a soberania de Jeová.

  • Empenho pelo Reino
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 6

      Empenho pelo Reino

      1. (a) Quanto a um governo, o que oferece Jeová em contraste com o que os homens têm provido? (b) Por que podemos desenvolver com segurança nossa vida em torno da Palavra de Deus?

      QUANDO alguém lhe oferece uma coisa desejável, como reage? Faz empenho para obtê-la? Pois bem, Jeová Deus apresenta-lhe a oportunidade de ter vida eterna sob um governo perfeito. É verdade que, nos governos atuais, muitos políticos são corruptos e suas promessas amiúde não têm valor nenhum. Até mesmo quando são bem-intencionados, os homens têm-se mostrado incapazes de prover um bom governo de modo independente da soberania de Deus. (Provérbios 20:24) Mas, durante todo este tempo, Deus tem tomado medidas progressivas para o estabelecimento do governo perfeito de seu Reino, e ele convida os amantes da justiça a tirar proveito disso. Seu propósito é fidedigno e veraz. Ele não pode mentir. Podemos desenvolver com segurança a nossa vida em torno de sua Palavra. — Revelação 21:1-5; Tito 1:2.

      2. (a) Quando e como declarou Deus o seu propósito de estabelecer um reino justo? (b) O que revela Hebreus 11:4-7 sobre os que se empenham pela esperança do Reino?

      2 O propósito de Deus, de estabelecer um reino de justiça, não é novo. No Éden, quando a soberania de Deus foi questionada pela primeira vez, Deus declarou seu propósito de produzir um “descendente” que ‘esmagaria’ a Satanás e sua prole. (Gênesis 3:15; Romanos 16:20) No meio da violência daquele mundo antigo, Abel, Enoque e Noé mostraram ter fé nessa promessa de Jeová. Confiantes em que Deus recompensaria os “que seriamente o buscam”, eles suportaram vitupérios, escolhendo ‘andar com Deus’ e pregar a justiça. (Hebreus 11:4-7) Que belo exemplo para todos nós, hoje, os que temos fé na ‘vinda’ do reino de Deus!

      UMA LINHAGEM NOTÁVEL

      3. De acordo com Gênesis 12:1-7, de que modo é Abraão um modelo esplêndido para nós?

      3 Mais de 400 anos após o Dilúvio, Deus tornou claro que o prometido “descendente” régio procederia da linhagem de Abraão. Mas, por que de Abraão? Porque Deus viu nele uma fé notável. Chamou Abraão para fora de sua cidade natal, Ur dos caldeus, e enviou-o a uma terra estranha, Canaã, dizendo:

      “Todas as famílias do solo certamente abençoarão a si mesmas por meio de ti. . . . Vou dar esta terra à tua descendência.” (Gênesis 12:3, 7; Atos 7:4)

      Em vez de se apegar à nação em que nasceu, Abraão abandonou-a e nunca mais voltou. Estava disposto a fazer uma mudança completa na sua forma de vida, a fim de ser incondicionalmente obediente ao Soberano Senhor Jeová. Ele é deveras um modelo esplêndido para todos os que hoje querem levar uma vida dedicada a Jeová!

      4. Como foi Sara abençoada por causa de sua fé? (Hebreus 11:11, 12)

      4 Embora sua esposa, Sara, continuasse estéril até a idade avançada, Jeová tranqüilizou depois Abraão, dizendo-lhe: “Vou abençoá-la e ela se tornará nações; reis de povos procederão dela.” (Gênesis 17:16) Aos 90 anos de idade, a fiel Sara foi abençoada ao dar a Abraão milagrosamente um filho, Isaque, antepassado de muitos reis. — Mateus 1:2, 6-11, 16; Revelação 17:14.

      5. Como foi recompensada a obediência de Abraão e Isaque?

      5 No decorrer do tempo, Jeová submeteu tanto a Abraão como a Isaque a uma prova esquadrinhadora. Mandou que Abraão levasse seu único filho por Sara a uma viagem de três dias até o monte Moriá, para sacrificá-lo ali como oferta queimada. Isaque já tinha então provavelmente uns 25 anos e era bastante forte para carregar um fardo pesado de lenha monte acima; era também bastante forte para resistir ao seu pai de 125 anos de idade, se quisesse fazer isso. Mas, tanto o pai como o filho desempenharam obedientemente seus papéis neste drama emocionante, até o momento em que o anjo de Jeová sustou a mão de Abraão, erguida com o cutelo. Um carneiro substituiu a Isaque como sacrifício. — Gênesis 22:1-14.

      6. (a) Que modelo profético foi ali encenado? (b) Por que deve ter interesse especial na promessa de Gênesis 22:18?

      6 Deus estava provendo ali um modelo profético de como sacrificaria seu próprio Filho, a fim de tirar o pecado do mundo da humanidade. (João 1:29; Gálatas 3:16) Pois Deus disse então a Abraão:

      “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente, pelo fato de que escutaste a minha voz.” — Gênesis 22:15-18.

      7. Que proceder da nossa parte será recompensado por Jeová?

      7 Que exemplos notáveis de obediência Abraão e Isaque eram! Talvez nunca se requeira de nós fazer a sua espécie de sacrifício, mas é importante que nos sujeitemos a Jeová assim como eles, por amor genuíno a ele. (Tiago 4:7; 2 Coríntios 9:13) A disposição de sacrificar a si mesmo e interesses egoístas, a fim de fazer empenho pela ‘vinda do Reino’, é o proceder que Jeová sempre aprova e recompensa. — Mateus 6:33.

      8. (a) Como contrastou o proceder de Jacó com aquele de Esaú? (b) Que bênção concedeu Isaque a Jacó?

      8 Jacó filho de Isaque, foi outro que fez empenho pelo Reino. Mas o seu irmão gêmeo desprezou coisas sagradas, interessando-se em mulheres cananéias e no materialismo egoísta. E ele vendeu sua preciosa primogenitura a Jacó em troca dum mero prato de cozido! (Hebreus 12:16) Jacó que tinha mentalidade espiritual, prezava muito a primogenitura, e Jeová dirigiu os assuntos de modo que pudesse obter este prêmio e até mesmo receber a bênção do idoso Isaque. Esaú havia-se casado com mulheres que adoravam demônios, mas Jacó em contraste, fez uma longa viagem à Mesopotâmia para procurar uma esposa entre os adoradores de Jeová. Naquele tempo, Isaque tranqüilizou Jacó com as palavras:

      “O Deus Todo-poderoso te abençoará e te fará fecundo, e te multiplicará, e certamente hás de tornar-te uma congregação de povos.” — Gênesis 25:27-34; 26:34, 35; 27:1-23; 28:1-4.

      9. (a) Por que foi mudado o nome de Jacó para Israel? (b) Que proveito podemos tirar de seu exemplo?

      9 Posteriormente, quando já tinha perto de 100 anos de idade, Jacó mostrou novamente quanto prezava as coisas espirituais. Lutou com um anjo a noite inteira para obter uma bênção. Como sinal de Seu favor, Jeová mudou ali o nome de Jacó para Israel, que significa “Perseverante com Deus”. (Gênesis 32:24-30) Nós também seremos hoje recompensados se perseverarmos no empenho pelas riquezas espirituais, evitando o espírito do mundo iníquo que nos rodeia. — Mateus 6:19-21.

      10. (a) Como se cumpriu a profecia de Gênesis 28:3? (b) Com respeito à fidelidade individual, quais são alguns dos exemplos animadores de Hebreus 11:1 a 12:1?

      10 Jeová, de fato, organizou os descendentes de Jacó como “congregação de povos”, e, por meio de seu mediador Moisés, a quem também usou para iniciar a escrita da Bíblia, Deus clamou para essa nação de Israel, dizendo:

      “Se obedecerdes estritamente à minha voz . . . vós mesmos vos tornareis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” (Êxodo 19:5, 6)

      Infelizmente, por não obedecer à voz de Deus, o Israel carnal deixou de se tornar esse reino espiritual. Mas, muitas pessoas associadas com essa nação provaram sua integridade a Deus — tais como os juízes de Israel, os profetas e até mesmo uma ex-meretriz, Raabe. Podemos ler sobre essas “testemunhas” fiéis em Hebreus 11:1-12:1 a 12:1, e que caloroso encorajamento elas dão aos que, nos tempos modernos, aguardam ‘a vinda do reino de Deus’!

      11. De que modo podemos ser semelhantes a essas testemunhas fiéis?

      11 Quer ficar forte na fé? Deseja agora ser semelhante àqueles homens e mulheres de fé em ‘procurar alcançar um lugar melhor, isto é, um pertencente ao céu’, sim, fazer empenho pela “cidade que tem verdadeiros alicerces, cujo construtor e fazedor é Deus”? (Hebreus 11:10, 16) Talvez diga: ‘Mas o que é essa “cidade”?’

      A CIDADE CONSTRUÍDA POR DEUS

      12. Que “cidade” procuravam alcançar esses servos antigos de Deus? (Veja também Hebreus 11:22-32; Rute 1:3, 16, 17.)

      12 Essa “cidade” é o prometido reino de Deus. Por que dizemos isso? Ora, nos tempos antigos dava-se muitas vezes que uma cidade era um reino governado por um rei. O primeiro rei mencionado com aprovação na Bíblia é “Melquisedeque, rei [da cidade] de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo”. Séculos mais tarde, a cidade de Jerusalém foi construída no mesmo lugar, e, igual a Salém, passou a prefigurar o reino celestial nas mãos do grande Rei e Sumo Sacerdote Jesus Cristo. (Gênesis 14:1-20; Hebreus 7:1, 2, 15-17; 12:22, 28) Embora naquele tempo não soubessem dos pormenores, Abraão e Sara, bem como Isaque e Jacó estavam seriamente buscando “a cidade” na qual reinaria o Messias. Abraão “alegrou-se grandemente na perspectiva”. Também você poderá alegrar-se com fé, ao passo que se empenha por um lugar nesse arranjo do Reino. — Hebreus 11:14-16; João 8:56.

      13, 14. Como passou a ter cumprimento a profecia que Jacó fez no leito de morte?

      13 Jacó gerou 12 filhos que, no tempo devido, se tornaram os chefes das 12 tribos de Israel. Jacó no seu leito de morte, predisse qual das 12 tribos produziria o governante de Deus, que exerceria a autoridade no Reino, dizendo:

      “Judá é um leãozinho. . . . O cetro não se afastará de Judá, . . . até que venha Siló [que significa: Aquele de Quem É; e a ele pertencerá a obediência dos povos.” (Gên. 49:9, 10)

      Será que Siló veio de Judá? Veio, sim!

      14 O cumprimento da profecia de Jacó começou a desenrolar-se mais de 600 anos depois. Foi então que Jeová escolheu da tribo de Judá ‘um homem que agradava ao seu coração’. O nome dele era Davi. Deus fez deste corajoso ‘leãozinho de Judá’ o líder e rei de Seu povo Israel. (1 Samuel 13:14; 16:7, 12, 13; 1 Crônicas 14:17) Jeová prometeu ao Rei Davi um reino eterno. — Salmo 89:20, 27-29.

      15. Por que derrubou Jeová o reino judeu, e por quanto tempo?

      15 Davi, que começou a reinar em 1077 A.E.C., foi o primeiro duma dinastia de reis judeus que governavam na cidade de Jerusalém. A nação prosperava sempre que seu rei estava disposto a obedecer a Jeová. Mas quando um rei se tornava iníquo e se rebelava contra as leis justas de Jeová, o povo sofria. (Provérbios 29:2) O último rei de Judá, Zedequias, era muito iníquo. O profeta de Deus declarou-lhe: “‘Retira a coroa. . . . Uma ruína, uma ruína, uma ruína a farei . . . até que venha aquele que tem o direito legal, e a ele é que terei de dá-lo.”’ O Soberano Senhor Jeová derrubou aquele reino, até que aparecesse um rei com o “direito legal.” — Ezequiel 21:26, 27.

      O REI COM O “DIREITO LEGAL”

      16. Como identificam as Escrituras o herdeiro permanente do Reino?

      16 Quem herdaria o “direito legal” ao reino davídico? Os primeiros Mt 1:1-17 versículos do livro bíblico de Mateus fornecem a resposta. Eles delineiam a linhagem do prometido “descendente” desde Abraão até Davi, e depois até José, o qual, no tempo devido, tornou-se marido de Maria. Desta maneira, o filho primogênito de Maria tinha o “direito legal” ao Reino. Logo cedo no ano 2 A.E.C., o anjo Gabriel podia assim anunciar a respeito do filho que ela conceberia milagrosamente:

      “Deves dar-lhe o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” (Lucas 1:26-33)

      No decorrer dos séculos, Jeová tem realizado grandiosamente seu propósito de produzir este herdeiro permanente do reino de Davi. Ao examinarmos essas coisas, não se fortalece a nossa fé na promessa de Deus sobre o seu ‘reino a vir’?

      17, 18. (a) Quem somente herdará o reino celestial? (b) Quais são alguns dos fiéis que serão ressuscitados na terra? (c) A que nos deve incentivar o reconhecimento disso?

      17 Não é o caso de todos nós podermos esperar estar com Jesus no reino celestial, porque esta oportunidade é reservada apenas para um “pequeno rebanho” de seus discípulos. (Luc. 12:32) Nem mesmo o Rei Davi tinha tal esperança. Somos informados: “Realmente, Davi não ascendeu aos céus.” (Atos 2:34) Tampouco João, o Batizador, e outros homens e mulheres fiéis da antigüidade entram no “reino dos céus”. — Mateus 11:11; Hebreus 11:39, 40.

      18 No entanto, esses, os que guardaram fielmente a sua integridade, serão ressuscitados aqui mesmo na terra, tornando-se muitos deles “príncipes” no arranjo do Reino de Deus. (Salmo 45:16) Gostaria de acolhê-los de volta dos túmulos e ter abundante associação com eles? Certamente que sim! Então esteja também decidido a se empenhar por essa “cidade” por se tornar um dos “colaboradores pelo reino de Deus”, junto com todos os outros que hoje sabem avaliar esta grandiosa oportunidade. — Colossenses 4:11.

      [Fotos nas páginas 52, 53]

      FIZERAM EMPENHO PELO REINO DE DEUS

      ABEL c. 3900 A.E.C.

      NOÉ 2970-2020 A.E.C.

      ABRAÃO, SARA, ISAQUE, JACÓ 2018-1711 A.E.C.

      JOSÉ 1767-1657 A.E.C.

      MOISÉS 1593-1473 A.E.C.

      RAABE 1473 A.E.C.

      JUÍZES 1473-1117 A.E.C.

      RUTE, NOEMI c. 1300 A.E.C.

      DAVI 1107-1037 A.E.C.

      PROFETAS 1117-442 A.E.C.

      JOÃO, O BATIZADOR 2 A.E.C a 31 E.C.

  • A identificação do Messias, o Rei
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 7

      A identificação do Messias, o Rei

      1. Por que usou Jeová apropriadamente a Daniel para profetizar sobre o cronograma dos acontecimentos?

      O PROFETA Daniel estará entre os ressuscitados que participarão do arranjo do Reino de Deus na terra. No fim de sua longa vida de serviço a Jeová, foi-lhe dito: “Descansarás, porém, no fim dos dias erguer-te-ás para receber a tua sorte.” Daniel estava profundamente interessado no “tempo do fim” e nas “coisas maravilhosas” que ocorreriam então, do mesmo modo como nós, hoje, estamos interessados nelas. Portanto, foi apropriado que o grande Cronometrista, Jeová Deus, usasse Daniel como seu profeta com relação ao cronograma da ‘vinda’ do Reino. — Daniel 12:4, 6, 13; 11:27, 35; veja Amós 3:7; Isaías 46:9-11.

      “AS DEVASTAÇÕES DE JERUSALÉM”

      2. (a) Que profecia de Isaías cumpriu-se repentinamente em 539 A.E.C., e como? (b) Que milagre era necessário para que Jeremias 25:11, 12, se cumprisse no tempo certo?

      2 Em harmonia com a profecia de Jeová, proferida com séculos de antecedência, o Império Babilônico caiu diante dos exércitos de Ciro, o persa, e de Dario, o medo. (Isaías 44:24, 27, 28; 45:1, 2) Dario tornou-se rei sobre o anterior reino babilônico. Isto aconteceu no ano 539 A.E.C. Já se haviam passado 68 anos desde que Nabucodonosor, de Babilônia, devastara Jerusalém e o templo dela, desolando a terra de Judá e transportando os judeus sobreviventes para Babilônia. Portanto, era com viva expectativa que o idoso Daniel escreveu, no primeiro ano de Dario: “Eu, Daniel, compreendi pelos livros o número de anos a respeito dos quais viera a haver a palavra de Jeová para Jeremias, o profeta, para se cumprirem as devastações de Jerusalém, a saber, setenta anos” (Daniel 9:2; Jeremias 25:11, 12) Por meio de que milagre poderiam os judeus cativos, em mais dois anos, voltar e restabelecer a adoração de Jeová em Jerusalém?

      3. Portanto, que oração fervorosa proferiu Daniel?

      3 Daniel rogou fervorosamente a Jeová a favor do seu povo, reconhecendo o pecado deste e suplicando para que Jeová tivesse misericórdia. Acima de tudo, solicitou que Jeová eliminasse o vitupério lançado sobre o Seu grande nome pelas nações vizinhas de Israel. Suplicou a seu Deus: “Ó Jeová, ouve deveras. Ó Jeová, perdoa deveras. Ó Jeová, presta deveras atenção e age. Não tardes, por tua própria causa, ó meu Deus, pois o teu próprio nome foi invocado sobre a tua cidade e sobre o teu povo.” — Daniel 9:4-19.

      4. Como respondeu Jeová a esta oração?

      4 Respondeu Jeová a esta oração? Respondeu! E ao fazer isso, cumpriu também a sua profecia. Fez com que o sucessor de Dario, Ciro, da Pérsia, emitisse um decreto para que o restante dos israelitas subisse a Jerusalém e reconstruísse o templo de Jeová. No fim dos “setenta anos”, em 537 A.E.C., esses judeus restabelecidos começaram a oferecer novamente sacrifícios a Jeová, no seu reconstruído altar em Jerusalém — 2 Crônicas 36:17-23; Esdras 3:1; Isaías 44:28; 45:1.

      MARCAÇÃO DO TEMPO DA PRIMEIRA VINDA DO MESSIAS

      5. (a) O que se seguiu imediatamente? Que período de tempo é destacado em Daniel 9:24-27?

      5 Houve também um resultado imediato para essa oração de Daniel. O anjo Gabriel materializou-se perante ele em forma humana e começou a falar-lhe. Referiu-se a Daniel como “alguém muito desejável” para Jeová e passou a dar-lhe mais “perspicácia com compreensão”. (Daniel 9:20-23) O que ele tinha a dizer era inteiramente novo, uma nova revelação para Daniel. Tratava-se duma profecia surpreendente, envolvendo acontecimentos que abrangeriam um período, não de “setenta anos”, mas de “setenta semanas”. Queira lê-la integralmente em Daniel 9:24-27. O que significa esta profecia?

      6. Qual é a duração das “setenta semanas”?

      6 Ela diz que foram determinadas “setenta semanas” com respeito ao aparecimento do “Messias, o Líder”, o prometido Rei da linhagem de Davi. Seriam semanas literais? Não, porque todas as coisas profetizadas dificilmente podiam acontecer dentro de um ano e meio. Mostraram ser “semanas” em que cada dia valia um ano. (Veja Levítico 25:8.) De fato, diversas traduções da Bíblia usam expressões tais como “setenta semanas de anos”, em Daniel 9:24. (Matos Soares; Missionários Capuchinhos, nota ao pé da página; The Jerusalem Bible; e outras) As “setenta semanas” são claramente 490 anos literais.

      7, 8. (a) Por que não se contam as “setenta semanas” a partir do decreto de Ciro? (b) Como foi respondida a oração de Neemias? (c) Como reagiram os judeus à “palavra” do rei? (d) Quando aconteceu isto?

      7 Quando começam a ser contadas as “setenta semanas”? Daniel 9:25 nos diz: “Desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém.” No entanto, o decreto de Ciro não continha nenhuma “palavra” assim. Limitava-se à ‘reconstrução da casa de Jeová’, que incluiria o altar de sacrifícios. (Esdras 1:1-4) Até mais de 80 anos depois, a própria cidade continuou “devastada”, com as suas muralhas derrocadas. Nesse tempo, um judeu fiel, Neemias, era copeiro do Rei Artaxerxes, da Pérsia, no castelo de Susã. Ao ser informado sobre os apuros dos judeus em Jerusalém, orou para que se removesse este “vitupério” do nome de Jeová. — Neemias 1:3, 11; 2:17.

      8 De semblante triste, Neemias levou vinho ao rei. Artaxerxes perguntou-lhe: “Por que está sombria a tua face, sendo que não estás doente? Isto não é mais que tristeza de coração.” Ao saber do motivo, o rei passou imediatamente a dar instruções a Neemias para que voltasse a Jerusalém, a fim de reconstruir as “muralhas” e os “portões” da cidade. Qual foi a reação do povo, quando Neemias chegou ali para relatar o favor demonstrado por Deus, e para transmitir ‘a palavra do rei para restaurar e reconstruir Jerusalém’? “Então disseram: ‘Levantemo-nos, e temos de construir. Fortaleceram assim as suas mãos para a boa obra.” Tudo isso aconteceu no “vigésimo ano de Artaxerxes, o rei” — Neemias 2:1-18.

      9. Como podemos calcular o 20.º ano de Artaxerxes?

      9 Que ano era este? O peso da evidência indica que este Artaxerxes (chamado também “Longímano”, por causa de sua comprida mão direita) subiu ao trono persa por ocasião da morte de seu pai Xerxes. O primeiro ano do reinado de Artaxerxes seria 474 A.E.C. De modo que seu 20.º ano seria 455 A.E.C.a

      10. Como se cumpriu a profecia a respeito das primeiras “sete semanas”?

      10 Portanto, as “semanas” de Daniel 9:25 começariam a contar desde 455 A.E.C. Lemos:

      “E deves saber e ter a perspicácia de que desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém até o Messias, o Líder, haverá sete semanas, também sessenta e duas semanas. Ela tornará a ser e será realmente reconstruída, com praça pública e fosso, mas no aperto dos tempos.”

      Pelo visto, as primeiras “sete semanas”, ou 49 anos, abrangiam o tempo da reconstrução da cidade, até 406 A.E.C. O “aperto dos tempos” tem referência à amarga oposição que esta obra de construção sofreu da parte dos povos vizinhos. (Neemias 4:6-20) Não obstante, conforme indica a história, Jerusalém era uma cidade grande e próspera já no fim daquele século.b

      11. Como apareceu no tempo certo “o Messias, o Líder”?

      11 No entanto, além delas haveria “sessenta e duas semanas” — perfazendo o total de 69 semanas de anos, ou 483 anos, a partir de 455 A.E.C “até o Messias, o Líder”. Estes 483 anos, incluindo apenas parte de 455 A.E.C. e parte do ano final, estender-se-iam assim até 29 E.C. Apareceu então o Messias? Lucas 3:1-3 declara que, “no décimo quinto ano do reinado de Tibério César”, João, o Batizador, “percorreu . . . toda a região em volta do Jordão, pregando o batismo”. Visto que os historiadores determinaram que Tibério tornou-se imperador romano em 17 de agosto de 14 E.C. (segundo o calendário gregoriano), segue-se que a pregação e o batismo por João começaram durante o 15.º ano de Tibério — na primavera (setentrional) de 29 E.C. No outono daquele mesmo ano — 29 E.C. — Jesus foi batizado, e espírito santo desceu do céu para ungi-lo como o Messias. Deveras, o cumprimento da profecia divina ocorreu bem no tempo certo! — Lucas 3:21, 22.

      12. (a) O que esperavam então muitos dos judeus? (b) Por que desperceberam o ponto-chave da profecia? (c) Mas como podemos ser beneficiados?

      12 Naqueles dias, muitos dos judeus aguardavam a vinda do Messias, sem dúvida, em parte por saberem das “setenta semanas”. (Lucas 3:15; João 1:19, 20) Mas, por terem coração duro, a maioria deles despercebeu o ponto-chave da profecia. (Mateus 15:7-9) No entanto, hoje podemos fortalecer nossa fé por prestar atenção a todos esses aspectos da “palavra profética”. (2 Pedro 1:19-21) Esta “palavra” não só identifica claramente o Messias conforme explicado na tabela na página 67; ela indica-nos também as maravilhosas bênçãos a serem usufruídas sob o reino do “Messias, o Líder”. — Isaías 9:6, 7.

      “DECEPADO” O MESSIAS, O REI

      13, 14. De que modo eram a aparência e o proceder do Messias bem diferentes das expectativas dos judeus?

      13 Resultou o aparecimento do “Messias, o Líder”, na libertação imediata dos judeus? Eles esperavam que fosse um guerreiro poderoso, um potentado, que os libertasse da dura servidão ao Império Romano. (João 6:14, 15) Seu Pai, Jeová, porém, intencionava uma espécie diferente de libertação.

      14 Na profecia das “setenta semanas”, Gabriel tornou claro que, em vez de o Messias se tornar um grande governante político, ele seria “decepado, sem ter nada para si mesmo”. Teria uma morte vergonhosa, sem deixar nome ou bens materiais para a posteridade. Que cumprimento notável! Quando Jesus foi despido para a execução, os soldados até mesmo lançaram sortes sobre tudo o que sobrava dele — sua vestimenta exterior. — Daniel 9:26a; Mateus 27:35.

      15. (a) Quando foi “decepado” o Messias? (b) Como se confirma a exatidão deste aspecto do tempo?

      15 Quando ocorreu a execução? Gabriel disse que seria “na metade da semana” final dos anos, a saber, na primavera (setentrional) de 33 E.C., três anos e meio após o batismo e a unção de Jesus. Em prova da exatidão da profecia, o Evangelho de João indica que Jesus assistia então à quarta Páscoa após o seu batismo. — Daniel 9:27b; João 2:13; 5:1; 6:4; 13:1.

      16, 17. (a) Como se cumpriram tragicamente as palavras adicionais de Daniel 9:26? (b) De que modo eram os verdadeiros seguidores do Messias, daquele tempo, um exemplo para nós?

      16 Sim, “o Messias, o Líder” foi “decepado”. Quão trágico que os judeus não reconheceram seu rei! No entanto, havia de acontecer mais ainda. Jerusalém tinha de ser devastada novamente. Conforme predisse a profecia de Daniel:

      “A cidade e o lugar santo serão arruinados pelo povo de um líder que há de vir. E o fim disso será pela inundação. E até o fim haverá guerra; o que foi determinado são desolações.” — Daniel 9:26b.

      17 Fiel à profecia, o período após o ‘decepamento’ do Messias foi marcado por guerra “até o fim”. Em 70 E.C., o exército romano, finalmente, como que inundou a sitiada Jerusalém. A cidade e seu templo foram demolidos, “arruinados”. Segundo o historiador Josefo, 1.100.000 judeus pereceram nesse holocausto. Felizmente, nesse tempo, os verdadeiros seguidores do Messias já haviam acatado o “sinal” de aviso e haviam fugido para a segurança nos montes além do Jordão. (Mateus 24:3-16) Isto enfatiza também para nós, hoje, quão vital é que demos atenção ao “sinal” profético de Deus, antes da ‘vinda’ do Reino para executar o julgamento no atual sistema iníquo de coisas. — Lucas 21:34-36.

      O MESSIAS TRAZ BENEFÍCIOS

      18. Que benefício foi realizado na primeira vinda do Messias?

      18 Então, o que realizaria a primeira vinda do Messias? Gabriel disse a Daniel:

      “Setenta semanas foram determinadas sobre o teu povo e sobre a tua cidade santa, para acabar com a transgressão e encerrar o pecado, e para fazer expiação pelo erro, e para introduzir justiça por tempos indefinidos.” (Daniel 9:24a)

      “O Messias, o Líder”, realizaria tudo isso antes e por meio de sua morte. Não se trataria duma libertação política, mas duma maravilhosa libertação espiritual. Por meio do poder resgatador de sua vida humana perfeita, dada em sacrifício, Jesus eliminaria a mancha do pecado e da transgressão daqueles que o aceitariam como o Messias e os introduziria num “novo pacto” como o “Israel de Deus”, espiritual. — Gálatas 6:16; Jeremias 31:31, 33, 34.

      19. Como foi que o Messias fez “cessar o sacrifício e a oferenda”?

      19 Portanto, aquilo que o pacto da Lei, mediado por Moisés, não conseguira fazer à base de seus sacrifícios de animais, o novo pacto mediado pelo Messias conseguiria agora à base de seu único sacrifício humano, perfeito, oferecido “na metade da semana”. Assim faria “cessar o sacrifício e a oferenda”, visto que as oferendas segundo a Lei não mais teriam qualquer valor. (Daniel 9:27) Conforme o apóstolo Paulo declarou mais tarde: “As coisas antigas passaram, eis que novas coisas vieram à existência! Mas, todas as coisas são de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por intermédio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação.” — 2 Coríntios 5:17, 18.

      20. Com que perspectiva da humanidade pode você sentir-se feliz?

      20 No tempo devido, os benefícios do sacrifício resgatador de Jesus iriam muito além do Israel espiritual, do qual Paulo se tornou parte, porque ele passa a dizer que Deus, por meio de Cristo, reconcilia “o mundo consigo mesmo, não lhes imputando as suas falhas”. (2 Coríntios 5:19) Visto que você faz parte do mundo da humanidade, não se sente feliz de que suas transgressões devidas a imperfeição humana podem ser perdoadas à base do sacrifício Daquele que o reconcilia com Deus?

      21, 22. (a) Como foi que a 70.ª semana após “um selo à visão e ao profeta”? (Daniel 9:24) (b) Como foi ungido “o Santo dos Santos”?

      21 Todavia, a ‘setuagésima semana’ não introduziria apenas “justiça por tempos indefinidos”. Também aporia “um selo à visão e ao profeta”. Conforme diz Revelação 19:10, “dar-se testemunho de Jesus é o que inspira o profetizar”. E Jesus, na sua primeira vinda como Messias, cumpriu literalmente centenas de pronunciações proféticas naquilo que fez e no que disse. Era como a aplicação dum selo indelével nessas profecias, mostrando que são verdadeiras, exatas, e têm por fonte o Soberano Senhor Jeová. Agora, por meio do Messias, seriam realizadas todas as promessas de bênção de Deus para o seu povo. “Pois, não importa quantas sejam as promessas de Deus, elas se tornaram Sim por meio dele” — o Messias, Jesus. — Daniel 9:24b; 2 Coríntios 1:20.

      22 Durante esta ‘setuagésima semana’ devia realizar-se também a unção do “Santo dos Santos”. O “lugar santo feito por mãos”, no templo de Jerusalém, não podia mais servir ao propósito de Deus, relacionado com o perdão de pecados. Havia sido apenas uma cópia da realidade no arranjo do grande templo espiritual que veio à existência com a unção do Messias, em 29 E.C. Foi então, após a sua morte e ressurreição, que Cristo entrou no céu, a fim de apresentar de “uma vez para sempre” o valor do seu sacrifício humano perante a Pessoa de Deus. (Hebreus 9:23-26) A habitação celestial de Deus assumira assim um aspecto novo. Fora ungida como “o Santo dos Santos”, tornando-se a realidade espiritual tipificada pelo Santíssimo do templo de Jerusalém. Portanto, a partir do dia de Pentecostes de 33 E.C. e até o fim da ‘setuagésima semana’, os judeus que aceitaram a provisão de Deus tiveram um privilégio exclusivo. À base do sacrifício de Cristo, apresentado no “Santo dos Santos”, eles também foram ungidos para servir quais subsacerdotes no templo espiritual de Deus.

      23. (a) Como foram os judeus favorecidos de modo especial durante a 70.ª semana? (b) Como foram outros favorecidos após o fim das “setenta semanas”?

      23 A profecia diz a respeito de tais judeus, que seriam introduzidos no Israel espiritual: “Ele terá de manter em vigor o pacto para com muitos por uma semana.” Trata-se da ‘semana de anos’ de 29-36 E.C., durante a qual os judeus naturais foram especialmente favorecidos por serem adotados como parte do ‘descendente de Abraão’, espiritual. (Daniel 9:27a) Mas, então, quando Pedro pregou ao gentio incircunciso Cornélio, abriu-se o caminho para que pessoas incircuncisas das nações também fossem introduzidas no pacto abraâmico. Paulo escreveu sobre isso: “Todos vós sois, de fato, filhos de Deus, por intermédio da vossa fé em Cristo Jesus. Pois todos vós, os que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. Não há nem judeu nem grego, não há nem escravo nem homem livre, não há nem macho nem fêmea; pois todos vós sois um só em união com Cristo Jesus. Além disso, se pertenceis a Cristo, sois realmente descendente de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa.” — Gálatas 3:26-29; Atos 10:30-35, 44-48.

      24. (a) Que garantia maravilhosa contém a promessa abraâmica para mais outros? (b) Conforme indicado por Lucas 9:23, como poderá você compartilhar nisso?

      24 Mas, que dizer do resto da humanidade — os bilhões que não foram ajuntados para se tornarem parte do “pequeno rebanho” que tem uma herança nos céus? Ora, a promessa abraâmica contém também para estes uma maravilhosa garantia, visto que Deus declara nela: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente [o de Abraão].” (Gênesis 22:18) Deseja compartilhar esta bênção? Poderá fazer isso, e para este fim deverá orar pela ‘vinda do reino de Deus’. Também, ao passo que continua a investigar a Palavra de Deus, ficará sabendo como poderá ‘repudiar’ a si mesmo em dedicação a Deus e seguir o Messias, o Líder, “continuamente”. — Lucas 9:23.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja A Sentinela de 15 de abril de 1966, páginas 245-247: Aid to Bible Understanding, página 1473.

      b Por exemplo, o historiador Hecateu de Abdera, do quarto século A.E.C., foi citado por Josefo em Against Apion (Contra Apião), Livro I:22, como tendo escrito: “Os judeus têm muitas fortalezas e aldeias em diversas partes do país, mas apenas uma só cidade fortificada, que tem uma circunferência de cinqüenta estádios [cerca de 10 km] e uns cento e vinte mil habitantes; chamam-na de Jerusalém.”

      [Quadro na página 66, 67]

      PROFECIAS CUMPRIDAS COM RESPEITO AO “MESSIAS, O LÍDER”, PERTO DO FIM DAS “SETENTA SEMANAS”

      PROFECIA ESSÊNCIA DELA CUMPRIMENTO

      Isaías 40:3 João, o Batizador, prepara o Mateus 3:1-3

      caminho.

      Miquéias 5:2 Jesus nasce em Belém. Mateus 2:1-6

      Gênesis 49:10 Da tribo de Judá Lucas 3:23-33

      Isaías 7:14 Duma virgem. Mateus 1:23-25

      Isaías 9:7 Descendente e herdeira de Davi. Mateus 1:1, 6-17

      Jeremias 31:15 Meninos mortos após o Mateus 2:16-18

      nascimento.

      Oséias 11:1 Chamado do Egito (refúgio). Mateus 2:14, 15

      Daniel 9:25 Aparece no fim de 69 “semanas” Lucas 3:1, 21, 22

      Salmo 40:7, 8 Apresenta-se para fazer a Mateus 3:13-15

      vontade de Deus.

      Isaías 61:1, 2 Ungido com espírito para pregar.Lucas 4:16-21

      Salmo 2:7 Jeová declara que Jesus é Mateus 3:17

      “Filho”.

      Isaías 9:1, 2 Luz na região da Galiléia. Mateus 4:13-16

      Salmo 40:9 Prega destemidamente “boas Mateus 4:17, 23

      novas

      Salmo 69:9 Zeloso pela casa de Jeová. João 2:13-17

      Isaías 53:1, 2 Judeus não depositam fé nele. João 12:37, 38

      Salmo 78:2 Fala por ilustrações. Mateus 13:34, 35

      Zacarias 9:9 Entra na cidade num jumentinho. Mateus 21:1-9

      Salmo 69:4 Odiado sem motivo. João 15:24, 25

      Isaías 42:1-4 Esperança das nações; sem Mateus 12:14-21

      altercação.

      Salmo 41:9 Traído por apóstolo infiel. João 13:18, 21-30

      Zacarias 11:12 Por 30 moedas de prata. Mateus 26:14-16

      Salmo 2:1, 2 Governantes agem contra o Mateus 27:1, 2

      ungido.

      Salmo 118:22 Rejeitado, mas alicerce firme. Mateus 21:42, 43

      Isaías 8:14, 15 Torna-se pedra de tropeço. Lucas 20:18

      Salmo 27:12 Testemunhas falsas contra ele. Mateus 26:59-61

      Isaías 53:7 Calado diante dos seus Mateus 27:11-14

      acusadores.

      Salmo 22:16 Com mãos e pés pregados em João 20:25

      estaca.

      Isaías 53:12 Contado com transgressores. Lucas 22:36, 37

      Salmo 22:7, 8 Ultrajado enquanto na estaca. Mateus 27:39-43

      Salmo 69:21 Deram-lhe vinho drogado com Marcos 15:23, 36

      mirra

      Zacarias 12:10 Lancinado enquanto na estaca. João 19:34

      Salmo 22:18 Sortes lançadas sobre suas Mateus 27:35

      vestes.

      Salmo 34:20 Nenhum de seus ossos são João 19:33, 36

      quebrados.

      Salmo 22:1 Abandonado aos inimigos, Mateus 27:46

      por Deus

      Daniel 9:26, 27 Decepado após 3 anos e meio.c João 19:14-16

      Zacarias 13:7 Golpeado o pastor, espalhado Mateus 26:31, 56

      o rebanho.

      Jeremias 31:31 Novo pacto, eliminação dos Lucas 22:20

      pecados.

      Isaías 53:11 Leva os erros de muitos. Mateus 20:28

      Isaías 53:4 Carrega as doenças da Mateus 8:16, 17

      humanidade.

      Isaías 53:9 Sepultura com os ricos. Mateus 27:57-60

      Salmo 16:10 Ressuscitado antes de haver Atos 2:24, 27

      corrupção.

      Jonas 1:17 Ressuscitado no terceiro dia. Mateus 12:40

      Salmo 110:1 Enaltecido para a direita de Atos 7:56

      Deus.

      [Nota(s) de rodapé]

      c Veja as páginas 61 e 62.

  • ‘O Reino se tem aproximado’
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 8

      ‘O Reino se tem aproximado’

      1. Por que eram oportunas as palavras de João em Mateus 3:1-10?

      EXAMINEMOS em mais detalhes a atividade do “Messias, o Líder”, na sua primeira vinda. O surpreendente anúncio foi ouvido pela primeira vez dos lábios de João, o Batizador: “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mateus 3:2) O futuro Rei estava para aparecer! Com a chegada da ‘setuagésima semana’, uma “semana” de favor especial, era realmente tempo para os judeus se arrependerem de seus pecados contra o código justo de lei que receberam de seu Deus, Jeová. Pois agora Israel estava para entrar num dia de julgamento. Por isso, João passou a dizer aos líderes religiosos, hipócritas, da nação: “Descendência de víboras, quem vos insinuou fugir do vindouro furor? Produzi, pois, fruto próprio do arrependimento. O machado já está posto à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produzir fruto excelente, há de ser cortada e lançada no fogo.” — Mateus 3:7, 8, 10.

      2. (a) Em que era diferente o batismo de Jesus? (b) Ao “principiar a sua obra”, com que tinha de lidar?

      2 Foi então que Jesus veio da Galiléia até o Jordão e pediu que João o batizasse. João sabia que Jesus não tinha pecado, e, no começo, negou-se a fazê-lo. Mas, o batismo de Jesus havia de ser diferente. Simbolizaria que se apresentava a Jeová para a obra especial que seu Pai tinha para ele na terra. Jesus foi, pois, apropriadamente batizado em água.

      “E, enquanto orava, abriu-se o céu e desceu sobre ele o espírito santo, em forma corpórea, semelhante a uma pomba, e uma voz saiu do céu: ‘Tu és meu Filho, o amado; eu te tenho aprovado.’ Outrossim, o próprio Jesus, ao principiar a sua obra, tinha cerca de trinta anos de idade.”

      Ele, como Messias e Rei designado, tornou-se imediatamente alvo dos ataques daquela antiga Serpente, o Diabo, e dos líderes religiosos, judaicos, que professavam hipocritamente servir a Deus. — Lucas 3:21-23.

      3. Em que diferia o proceder de Jesus, quando sob tentação, daquele de Adão e Eva?

      3 “Ora, Jesus, cheio de espírito santo, afastou-se do Jordão e foi conduzido pelo espírito, lá no ermo, por quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo.” (Lucas 4:1, 2) Satanás reconheceu Jesus como sendo o “Descendente” da promessa de Deus, o qual, no tempo devido, esmagaria o Diabo e o “descendente” iníquo dele. Podia Satanás frustrar o propósito de Jeová por induzir Jesus a desobedecer a Este? Jesus havia jejuado por 40 dias. Portanto, o Diabo convidou o faminto Jesus a transformar algumas pedras daquele ermo estéril em pães. Jesus tinha agora o poder de operar milagres, mas, corretamente, citou a lei justa de Jeová, dizendo:

      “Está escrito: ‘O homem tem de viver, não somente de pão, mas de cada pronunciação procedente da boca de Jeová.’” (Mateus 4:1-4; Deuteronômio 8:3)

      Quão dessemelhante de Eva e de seu marido Adão, os quais haviam desobedecido por comerem do fruto proibido, embora estivessem cercados pela abundância de outros alimentos sustentadores!

      4. Que lição podemos aprender do modo em que Jesus enfrentou a segunda tentação?

      4 A humildade de Jesus e sua completa dependência do Pai foram demonstradas pela maneira em que enfrentou a próxima tentação. Satanás procurou fazer Jesus pensar que ele, como Filho de Deus, era alguém importante — uma celebridade. Sim, que se jogasse, sem necessidade, de cima do parapeito do templo, e então os anjos certamente o apanhariam para que não sofresse dano. Mas, Jesus rejeitou esta sugestão tola, citando novamente a lei de Jeová e dizendo:

      “Novamente está escrito: ‘Não deves pôr Jeová, teu Deus, à prova.’” (Mateus 4:5-7; Deuteronômio 6:16)

      Nisto há uma lição para todos os que afirmam ser servos de Deus, até o dia de hoje: Ninguém deve presumir de sua posição perante Jeová. Sermos abençoados por Jeová não depende do serviço prestado ou da posição ocupada no passado, mas de continuarmos a obedecer-lhe em toda a humildade, com profundo respeito pelos seus arranjos e requisitos. — Filipenses 2:5-7.

      5. (a) Em que questão principal se fixava a terceira tentação? (b) Como usou Jesus novamente a lei de Deus para responder? (c) De que modo é este um exemplo esplêndido para nós, hoje?

      5 Veio então a tentação final e culminante nessa ocasião! Ora, se Satanás tão-somente pudesse fazer Jesus cair na questão principal, a do Reino! Portanto, “o Diabo levou-o a um monte extraordinariamente alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e disse-lhe: ‘Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração.’” Satanás argumentou que, com esta simples transigência, Jesus podia obter o controle sobre o mundo inteiro da humanidade ali mesmo, sem ter de esperar por séculos até o tempo devido de Jeová. Mas, Jesus citou novamente a lei de Jeová, ao replicar:

      “Vai-te, Satanás! Pois está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.’” (Mateus 4:8-10; Deuteronômio 6:13)

      Novamente, ele deu um exemplo esplêndido para todos os que hoje servem a Jeová! Não importa quão longo o caminho pareça ser, os que prestam serviço sagrado a Jeová não devem nunca deixar de pôr o reino de Deus em primeiro lugar na sua vida. Que nunca se desviem com o fim de desenvolver seus próprios pequenos “reinos” na sociedade materialista do mundo de Satanás.

      “NÃO FAZEM PARTE DO MUNDO”

      6. (a) Em que sentido aproximara-se então o Reino? (b) Aplicando 1 Pedro 2:21, que exemplo de Jesus têm de seguir os cristãos?

      6 O que aconteceu depois de Jesus voltar as costas para as tentações do Diabo? O registro bíblico diz-nos:

      “Jesus principiou a pregar e a dizer: ‘Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.’”

      Em que sentido se havia aproximado o Reino? No sentido de que o designado para ser Rei, o próprio Jesus Cristo, estava então presente, “ensinando . . . e pregando as boas novas do reino”. Grandes multidões de pessoas seguiam-no de um lugar para outro. (Mateus 4:17, 23-25) Jesus tornou bem claro que os que aceitavam seu ensino ‘não deviam fazer parte do mundo, assim como ele não fazia parte do mundo’. Tinham de separar-se do mundo e dos modos violentos e imorais dele. Todos os que hoje querem seguir a Jesus precisam fazer o mesmo. — João 17:14, 16; 1 Pedro 2:21; veja também Mateus 5:27, 28; 26:52.

      7. Em vista das palavras de Jesus em João 8:44, por que é vital que examinemos hoje os ensinos dos líderes religiosos em relação à Bíblia?

      7 “Com respeito à adoração falsa, Jesus disse aos líderes religiosos dos seus dias: “Vós sois de vosso pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Esse foi homicida quando começou, e não permaneceu firme na verdade, porque não há nele verdade. Quando fala a mentira, fala segundo a sua própria disposição, porque é mentiroso e o pai da mentira.” (João 8:44) Lá naquele tempo, era de máxima importância que o povo comum se libertasse das falsas tradições (mais tarde incorporadas no Talmude), que se haviam desenvolvido na religião dos judeus. E para os que hoje, iguais aos judeus, passaram toda sua vida na religião de seus antepassados é vital que examinem se os seus líderes religiosos não ‘repeliram’ a palavra de Deus, a fim de ensinar mera tradição humana. — Marcos 7:9-13.

      8, 9. (a) Por que declarou Jesus que seu reino ‘não fazia parte deste mundo’? (b) Por que motivo, então, sofrem os cristãos perseguição? (c) Por que devem ter bom ânimo?

      8 Quando sua vida estava em julgamento, Jesus declarou a respeito dos governos políticos do seu tempo:

      “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.”

      A fonte do reino de Jesus era celestial. Derivava sua autoridade do Soberano Supremo, Jeová Deus, e não de Satanás. Por conseguinte, Satanás usou seu “descendente” terrestre para perseguir Jesus e seus seguidores. — João 18:36.

      9 Jesus disse, por isso, aos seus verdadeiros discípulos: “Estas coisas eu vos mando, que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabeis que me odiou antes de odiar a vós. Se vós fizésseis parte do mundo, o mundo estaria afeiçoado ao que é seu. Agora, porque não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia.” (João 15:17-19) Os adoradores de Jeová sofrem amargo ódio e perseguição até o dia de hoje, porque se separam da política corrupta e da violência tão prevalecentes hoje em dia. Mas a todos os que finalmente vencem o mundo aguarda uma rica recompensa. Conforme Jesus assegurou a seus discípulos: “No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.” — João 16:33.

      QUALIFICAÇÕES DE REI

      10, 11. (a) O que mostra que os governantes do mundo não governam por direito divino? (b) Em contraste, como mostrou-se Jesus qualificado para o reinado?

      10 Que qualidades procuraria você num governante do mundo? A maioria dos governantes da história foram “homens fortes”, arrogantes, orgulhosos. Usualmente colocaram a promoção pessoal à frente das necessidades do povo comum. Alguns gabaram-se de ter construído grandes impérios, mas, com o tempo, todos os poderosos impérios entraram em colapso, o que prova a veracidade das palavras do Rei Salomão: “A menos que o próprio Jeová construa a casa, é fútil que seus construtores trabalhem arduamente nela.” (Salmo 127:1) Tais “reis” têm assim demonstrado que não governam por direito divino. Sua soberania não procede de Jeová Deus.

      11 No entanto, o Rei ungido de Deus, Jesus Cristo, é profeticamente descrito como cavalgando contra os seus inimigos “na causa da verdade, e da humildade, e da justiça”. Diz-se a respeito dele: “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade. É por isso que Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de exultação mais do que a teus associados” — os reis da linhagem de Davi que o precederam. (Salmo 45:4, 7) O Rei celestial, no seu ódio a tudo o que desonra o santo nome de Jeová e viola os princípios justos de Deus, no devido tempo, limpará a terra de toda a iniqüidade, preparando-a para introduzir um reino de justiça. Mostrou-se Jesus qualificado para ser tal governante? Certamente que sim!

      12. Que modelo de serviço sagrado proveu-nos Jesus?

      12 Quando era homem perfeito, Jesus era exemplar na demonstração de amor a Deus e ao próximo. Como membro da nação de Deus, Israel, dedicada a Jeová, Jesus deu exemplo de obediência aos dois maiores mandamentos. Ele disse: “O primeiro [mandamento] é: ‘Ouve, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová, e tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de toda a tua força.’ O segundo é este: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’” (Marcos 12:29-31; Deuteronômio 6:4, 5) Jesus não se poupou no seu serviço a Jeová e em ensinar seus vizinhos judeus. Quando estes tentaram detê-lo para ouvir mais, ele lhes disse:

      “Tenho de declarar as boas novas do reino de Deus também a outras cidades, porque fui enviado para isso.” (Lucas 4:43)

      Prestando serviço sagrado, Jesus era trabalhador, provendo o modelo a ser seguido por todos os verdadeiros cristãos. — Veja João 5:17.

      13, 14. (a) Como considerava Jesus as pessoas? (b) Por que saía pregando e por que enviava outros? (c) Que espécie de supervisão podem os homens esperar sob o Reino?

      13 Jesus mostrou-se amoroso e compassivo. No coração, ele ansiava ver seu povo aliviado dos pesados fardos que lhe foram impostos pelos seus opressores religiosos. Assim, falou-lhe sobre o reino e enviou seus discípulos, dizendo:

      “Ao irdes, pregai, dizendo: ‘O reino dos céus se tem aproximado.’” — Mateus 9:35 a 10:7.

      14 Este Rei designado convidava o povo, dizendo: “Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas. Pois o meu jugo é benévolo e minha carga é leve.” (Mateus 11:28-30) Jesus, como Rei celestial de Deus sobre toda a humanidade, mostrará a mesma espécie de compaixão e cuidará de que, assim como fez quando na terra, seus associados no Reino estejam organizados para prover o alívio e a supervisão bondosa de que os homens realmente precisam. Todos os que viverem na terra sob o Reinado de Jesus encontrarão realmente revigoramento para a sua alma.

      IMACULADO NA INTEGRIDADE

      15. Como forneceu Jesus a resposta completa ao desafio de Satanás?

      15 Acima de tudo, o futuro Rei da humanidade demonstrou imaculada integridade e obediência ao seu Pai celestial, até a morte cruel numa estaca de tortura. Quando a hora da execução se aproximou, Jesus orou a Jeová, dizendo: “Pai, glorifica o teu nome.” A voz de Jeová respondeu desde o céu: “Eu tanto o glorifiquei como o glorificarei de novo.” Por santificar o nome de seu Pai, Jesus forneceu uma resposta completa ao desafio de Satanás. Demonstrou que um homem perfeito podia ser fiel a Deus sob toda espécie de provação que o adversário pudesse lançar contra ele. De modo que Jesus podia dizer: “Agora há um julgamento deste mundo; agora será lançado fora o governante deste mundo”, Satanás — completamente desacreditado e mostrado mentiroso. Os líderes religiosos, judaicos, como ‘descendente da serpente’, causariam um doloroso ferimento no “calcanhar” do “descendente” da organização de Deus, comparada a uma mulher, mas Jeová ressuscitaria seu Filho merecedor para a vida espiritual. — Gênesis 3:15; João 12:27-31.

      16, 17. (a) Por que podemos ter forte confiança no futuro Rei da terra? (b) Como indicam as Escrituras que a esperança duma terra paradísica é real? (c) Deveria seu anterior modo de vida impedi-lo de se empenhar por esta esperança?

      16 O amor que Jesus tem à justiça, seu ódio ao que é contra a lei, sua profunda afeição à humanidade, e, acima de tudo, sua inabalável obediência em fazer a vontade de seu Pai para a glória do nome de Jeová — tudo isso prova que este Filho leal está admiravelmente qualificado para ser o futuro Rei da terra. Não gostaria de entrar na vida eterna como súdito feliz de tal rei?

      17 Não importa quão bom ou quão ruim tenha sido até agora seu modo de vida, poderá alcançar esta esperança da vida eterna na terra tornada gloriosa. Ora, até mesmo o ladrão penitente, executado junto com Jesus, recebeu tal esperança duma ressurreição! Pois quando disse a Jesus: “Lembra-te de mim quando entrares no teu reino”, Jesus respondeu: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” (Lucas 23:42, 43) Dentro em breve, o Paraíso será realidade. Faz também empenho, com oração, pela ‘vinda’ do Reino e de suas bênçãos?

      [Foto na página 77]

      O MAIOR HOMEM QUE JÁ VIVEU NA TERRA

      Como Rei designado, provou a sua integridade até a morte, e, pelo seu sangue derramado, resgatou a humanidade do pecado e da morte.

  • Os herdeiros do Reino mantêm a integridade
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 9

      Os herdeiros do Reino mantêm a integridade

      1. (a) Por que herdou Jesus um nome mais excelente? (b) Quem pode tirar proveito de seu exemplo, e como?

      JESUS, por se mostrar fiel até a morte, herdou um nome mais excelente do que o dos anjos. Dentre todas as criaturas inteligentes de Deus, foi Ele quem demonstrou que um filho de Deus pode manter perfeita integridade a Deus, mostrando assim que Satanás é mentiroso. Por conseguinte, o apóstolo Paulo escreveu: “Depois de ter feito uma purificação pelos nossos pecados [por prover o resgate], assentou-se à direita da Majestade nas alturas.” Quão grandioso foi o exemplo que deu a todos os que aguardam a ‘vinda’ do Reino — tanto os do “pequeno rebanho”, que herdarão o reino celestial, como os que serão súditos terrestres deste reino! Conforme o mesmo apóstolo declarou mais tarde: “Corramos com perseverança a carreira que se nos apresenta, olhando atentamente para o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus. Pela alegria que se lhe apresentou, ele aturou uma estaca de tortura, desprezando a vergonha, e se tem assentado à direita do trono de Deus.” — Hebreus 1:3, 4; 12:1, 2.

      2-4. (a) Como treinou e organizou Jesus progressivamente seus discípulos para a atividade de pregação? (b) Como sabemos que eles levavam as “boas novas” aos lares das pessoas? (c) Que excelente precedente proveu esta atividade para os atuais servos de Deus?

      2 Jesus não somente proveu aos seus seguidores um exemplo esplêndido, mas também os ensinou e treinou, a fim de que pudessem continuar a obra de Deus depois de ele ter ido embora.

      “Ele viajava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e declarando as boas novas do reino de Deus. E os doze estavam com ele.” — Lucas 8:1.

      3 Mais tarde, Jesus enviou os 12 por conta própria, para ‘pregarem o reino de Deus e curarem’. “Passaram pelo território, de aldeia em aldeia, declarando as boas novas e realizando curas em toda a parte.” (Lucas 9:2, 6) Nas cidades e nas aldeias, procuravam os merecedores, e faziam isso por irem aos lares das pessoas. Isso exigia deles manterem corajosamente a sua integridade, assim como acontece hoje com as Testemunhas de Jeová, em muitos territórios, por causa da oposição à mensagem. Jesus disse: “Se a casa for merecedora, venha sobre ela a paz que lhe desejais; mas, se ela não for merecedora, volte a vós a vossa paz. Onde quer que alguém não vos acolher ou não escutar as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés.” — Mateus 10:7, 11-14.

      4 Posteriormente, quando Jesus designou mais 70 discípulos, ele lhes disse: “Eis que eu vos envio como cordeiros no meio de lobos.” Eles também deviam visitar os lares das pessoas, porque Jesus prosseguiu: “Onde quer que entrardes numa casa, dizei primeiro: ‘Haja paz nesta casa.’ E, se ali houver um amigo da paz, descansará sobre ele a vossa paz. Mas, se não houver, ela voltará para vós.” Mesmo que as pessoas não escutassem as “boas novas”, deviam ser avisadas de que o reino de Deus se tinha aproximado! (Lucas 10:3-11) Isto estabelece um bom precedente para a atual obra das Testemunhas de Jeová, ao passo que vão de casa em casa com a mensagem de consolo e de aviso de Deus. — Isaías 61:1, 2.

      PREGAÇÃO APESAR DA PERSEGUIÇÃO

      5. De que maneira enfatizou o ressuscitado Jesus a espécie de trabalho que aguardava seus seguidores?

      5 Quando Jesus morreu, esses discípulos foram espalhados. Mas, em muitas ocasiões após a ressurreição dele em espírito, apareceu-lhes em corpos materializados, para tranqüilizá-los e fortalecê-los. (1 Coríntios 15:3-8) Numa dessas ocasiões, Jesus perguntou a Pedro três vezes se realmente o amava e lhe tinha afeição. Pedro ficou triste com isso, mas Jesus enfatizou três vezes que, em evidência de amor e afeição, Pedro tinha de apascentar e pastorear os “cordeiros” dele, suas “ovelhinhas”. (João 21:15-17) Numa outra aparição, Jesus disse aos seus 11 discípulos fiéis:

      “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” (Mateus 28:18-20)

      Havia muito trabalho para eles.

      6. Por que fariam os discípulos de Jesus “obras maiores”?

      6 Jesus dissera aos seus discípulos: “Digo-vos em toda a verdade: Quem exercer fé em mim, esse fará também as obras que eu faço; e ele fará obras maiores do que estas, porque eu vou embora para o Pai.” (João 14:12) Abrangeriam um território maior do que ele e fariam a obra da pregação do reino de Deus por muito mais tempo.

      7. Que coisa maravilhosa levou a um testemunho cabal no dia de Pentecostes, e com que resultado notável?

      7 Depois de ter chegado à mão direita de seu Pai no céu, Jesus fez algo maravilhoso. No dia de Pentecostes de 33 E.C., derramou espírito santo sobre os seus discípulos que estavam à espera, ungindo-os como herdeiros do reino celestial de Deus junto consigo mesmo. Por fim seriam 144.000 os escolhidos dentre a humanidade para serem reis e sacerdotes no céu, junto com Cristo. Em resultado do testemunho cabal dado apenas naquele único dia, 3.000 judeus e prosélitos aceitaram de coração a palavra e foram batizados. — João 14:2, 3; Revelação 14:1-5; 20:4, 6; Atos 2:1-4, 14, 40, 41.

      8-11. (a) Que conflito havia então entre os líderes dos judeus e os apóstolos? (b) Como mostraram os apóstolos que eram íntegros? (c) Segundo Atos 5:40-42, que belo exemplo deixaram esses apóstolos para os atuais servos de Deus?

      8 A pregação das “boas novas” espalhou-se rapidamente pelo território de Jerusalém. E o mesmo aconteceu com a oposição ao reino de Deus. Em pouco tempo, os apóstolos foram levados perante o tribunal judaico do Sinédrio e foram proibidos de falar no nome de Jesus. Apegar-se-iam à sua integridade? Pedro e João replicaram: “Se é justo, à vista de Deus, escutar antes a vós do que a Deus, julgai-o vós mesmos. Mas, quanto a nós, não podemos parar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” Nesta ocasião, os apóstolos foram soltos, e eles e seus companheiros deram logo graças a Deus, suplicando-lhe: “Agora, Jeová, . . . concede aos teus escravos que persistam em falar a tua palavra com todo o denodo.” Assim, continuaram a pregar com a ajuda do espírito de Jeová. — Atos 4:19, 20, 29, 31.

      9 Os líderes religiosos prenderam novamente os apóstolos e os encarceraram. Mas não era da vontade de Deus que ficassem presos. Durante a noite, o anjo de Jeová os soltou, de modo que a manhã os encontrou ensinando novamente no templo de Jerusalém. — Atos 5:17-21.

      10 O que podia fazer o Sinédrio para impedir a divulgação das “boas novas”? Os apóstolos foram novamente levados ao tribunal, e o sumo sacerdote acusou-os: “Nós vos ordenamos positivamente que não ensinásseis à base deste nome [de Jesus], e, ainda assim, eis que enchestes Jerusalém com o vosso ensino, e estais resolvidos a trazer sobre nós o sangue deste homem.” A resposta intransigente desses apóstolos ressoa através desses 19 séculos:

      “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens”!

      O que podiam os judeus fazer com esses íntegros? Gamaliel, instrutor da lei, deu um conselho sábio: “Não vos metais com estes homens, mas deixai-os em paz; (porque, se este desígnio ou esta obra for de homens, será derrubada; mas, se for de Deus, não podereis derrubá-los;) senão podereis talvez ser realmente achados como lutadores contra Deus.” — Atos 5:27-39.

      11 Portanto, os apóstolos foram chibateados, mandados parar de falar e então soltos. Qual foi a reação deles? Alegraram-se de que tinham sido considerados dignos de sofrer à base do nome de Jesus.

      “E cada dia, no templo e de casa em casa, continuavam sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas a respeito do Cristo, Jesus.” (Atos 5:40-42)

      Esses herdeiros do Reino estavam decididos a suportar o que fosse necessário para continuarem a fazer a obra de Deus. Deram assim um belo exemplo a todas as testemunhas do verdadeiro Deus, que têm continuado a proclamar o Reino “publicamente e de casa em casa”, até o dia de hoje. — Atos 20:20, 21.

      A DIVULGAÇÃO DAS “BOAS NOVAS” DO REINO

      12. Conforme mostra Atos 8:1-4, como acontece muitas vezes que a perseguição resulta na divulgação adicional das “boas novas”?

      12 A perseguição intensificou-se novamente, de modo que todos, exceto os apóstolos, foram espalhados pelas vizinhas Judéia e Samaria. Mas, isto apenas serviu para ampliar o testemunho, porque “os que tinham sido espalhados iam pelo país declarando as boas novas da palavra”. (Atos 8:1-4) É interessante que a mesma coisa tem acontecido nos tempos modernos. Quando governos ditatoriais tentaram impedir as Testemunhas de Jeová por espalhá-las para regiões isoladas, elas continuaram a pregar ali, e as “boas novas” se espalharam.

      13, 14. (a) Quando terminou a semana especial do favor de Deus para com os judeus, e quem foi então admitido como herdeiros do Reino? (b) Como é isso confirmando pelas palavras de Paulo em Atos 13 e Romanos 11?

      13 Mas, será que lá no primeiro século a mensagem do Reino ia ser levada apenas aos judeus e aos samaritanos vizinhos? Compor-se-ia o rol completo dos membros do reino dos céus apenas de tais? Apesar do maravilhoso testemunho dado, não seria assim. Aparentemente, em 36 E.C., quando terminou a “semana” especial do favor de Deus para com os judeus, Jeová orientou Pedro para visitar um oficial do exército, italiano, Cornélio, no lar deste em Cesaréia. Enquanto Pedro pregava a esse não-judeu e aos de sua casa, veio sobre eles espírito santo, ungindo-os para serem herdeiros do Reino. Foram batizados como os primeiros gentios incircuncisos convertidos ao cristianismo. — Atos 10:1-48.

      14 Mais tarde, quando o apóstolo Paulo e seus companheiros encontraram violenta oposição da parte dos judeus em Antioquia da Pisídia, Paulo disse àqueles judeus: “Era necessário que a palavra de Deus fosse falada primeiro a vós. Visto que a repelis e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para as nações. De fato, Jeová nos tem imposto o mandamento nas seguintes palavras: ‘Eu te designei como luz das nações, para que sejas uma salvação até à extremidade da terra.’” (Atos 13:46, 47) Conforme Paulo declarou mais tarde numa ilustração, aqueles judeus incrédulos eram como ramos naturais cortados duma oliveira. Os judeus poderiam ter fornecido o pleno número dos herdeiros do Reino. Mas, em lugar deles, “pessoas das nações”, quais ramos duma oliveira brava, estavam sendo enxertadas, e assim “todo o Israel” espiritual, no pleno número dos membros do Reino, seria “salvo”. — Romanos 11:13-26; Gálatas 6:16.

      INTEGRIDADE SOB “TRIBULAÇÕES”

      15, 16. (a) O que disse e fez Paulo com respeito a “tribulações”, e que bom exemplo nos provê isso? (b) Qual deve ser nossa atitude para com a oposição dos governos ou de membros da família, e que resultado nos foi prometido?

      15 Apesar de mais perseguições, aquele fiel superintendente viajante, o apóstolo Paulo, retornou a Antioquia, a fim de fortalecer e animar os discípulos, e para edificar a organização congregacional. Foi então que Paulo disse:

      “Temos de entrar no reino de Deus através de muitas tribulações.” — Atos 14:21-23.

      16 Paulo continuou a ter a sua parte das dificuldades e provações. Mas era exemplar em apegar-se à sua integridade. Proveu um bom exemplo para muitos, nos tempos modernos, que têm de travar uma luta árdua pela fé. Alguns destes tiveram de contender com espancamentos, encarceramentos e até enfrentar perigo para a própria vida. Sofrem oposição por parte de governos ditatoriais ou mesmo de parentes muito queridos. Alguns foram repudiados pelos membros da família por causa de sua aceitação destas “boas novas do reino” e seu acatamento a elas. (Mateus 24:14) Todavia, esses foram muito consolados pelas palavras de Jesus: “Ninguém abandonou casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por minha causa e pela causa das boas novas, que não receba cem vezes mais agora, neste período de tempo, casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições, e no vindouro sistema de coisas a vida eterna.” (Marcos 10:29, 30) Ceifam realmente “cem vezes mais” na sua relação íntima com Jeová e com o Filho dele, e na sua associação alegre com a família global de Jeová.

      17. (a) Contra que tentações tiveram de lutar também os primitivos cristãos? (b) Que esplêndido exemplo e conselho nos proveu Paulo?

      17 O apóstolo Paulo e seus companheiros também tiveram de lutar contra as tentações do mundo quanto à imoralidade e ao materialismo. Eles eram apenas humanos, assim como nós. Quando confrontados com tais engodos, devemos fazer assim como Paulo, que disse: “Amofino o meu corpo e o conduzo como escravo, para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser de algum modo reprovado.” E nós, iguais a Paulo, também podemos encontrar proteção por falarmos aos nossos vizinhos sobre o reino de Deus. Como disse Paulo a respeito de tal serviço sagrado: “Realmente, ai de mim se eu não declarasse as boas novas!” — 1 Coríntios 9:16, 27.

      “COMPLETAMENTE VITORIOSOS”

      18. Que incentivo deu Paulo a todos os verdadeiros cristãos, e como reage você a ele?

      18 O apóstolo Paulo disse também a concristãos ungidos: “Então, se somos filhos [de Deus], somos também herdeiros: deveras, herdeiros de Deus, mas co-herdeiros de Cristo, desde que soframos juntamente, para que também sejamos glorificados juntamente.” Mas o que ele disse a seguir aplica-se igualmente bem aos da “grande multidão” de “outras ovelhas”, que hoje fazem empenho pela gloriosa recompensa da vida eterna na terra paradísica. (Revelação 7:9; João 10:16) Paulo incentiva todos os verdadeiros cristãos, dizendo:

      “Quem nos separará do amor do Cristo? Acaso tribulação, ou aflição, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? . . . Ao contrário, em todas estas coisas estamos sendo completamente vitoriosos por intermédio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem governos, nem coisas presentes, nem coisas por vir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criação será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 8:17, 35-39; veja também 2 Coríntios 11:22-28.)

      Está cultivando esta espécie de confiança no amor de Deus e na ‘vinda’ do reino do Senhor Jesus? Deveria estar!

      19. Que advertência deu Paulo sobre outro perigo mortal?

      19 Outro perigo contra o qual precisa fortalecer-se nos “últimos dias” é o ensino falso. Paulo advertiu também contra este. (Atos 20:29, 30; 2 Timóteo 3:1, 13) Donde vêm os falsos instrutores e como nos podemos proteger deles?

  • Surge um reino falso
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 10

      Surge um reino falso

      1. Até que ponto floresceram as “boas novas” nos tempos primitivos?

      A JOVEM congregação cristã continuou a florescer e a se expandir, apesar das mais cruéis perseguições. A verdade das boas novas sobre o reino de Deus pelo Messias continuava “dando fruto e . . . aumentando em todo o mundo”. Ao passo que os proclamadores do Reino penetravam em novos territórios, os opositores queixavam-se de que “estes homens que têm subvertido a terra habitada estão também presentes aqui”. — Colossenses 1:5, 6; Atos 17:6.

      2. Que esforços fez o Diabo para impedir a divulgação da verdade, mas por que fracassou?

      2 No entanto, o que podiam meros homens fazer para impedir a divulgação da verdade? A história registra que nos primeiros três séculos de nossa Era Comum os césares do Império Romano lançaram 10 ondas diferentes de perseguições contra os primitivos cristãos, mas tudo em vão. Os que seguiam os passos de Jesus, “sólidos na fé”, negaram-se a transigir, embora aquele “leão que ruge”, o Diabo, cuidasse de que muitos deles fossem lançados a leões literais ou de outro modo torturados até a morte. — 1 Pedro 5:8, 9; veja 1 Coríntios 15:32; 2 Timóteo 4:17.

      3. Por que precisa revestir-se da “armadura completa de Deus”?

      3 Visto que o ataque frontal da perseguição direta usualmente fracassava, o Diabo tentou enlaçar os seguidores de Jesus por meios mais sutis. Encontravam-se cercados por um mundo orgulhoso, imoral e louco pelos prazeres, e Satanás usou isso plenamente na tentativa de desviá-los do serviço de Deus. Precisavam ‘manter-se firmes’, conforme o apóstolo Paulo repetiu três vezes em Efésios 6:11-18, ao pormenorizar a espiritual ‘armadura de Deus’, que eles têm de usar. Já se revestiu desta “armadura completa de Deus”? Precisa usá-la, a fim de poder suportar as provações destes “últimos dias”. (2 Timóteo 3:1-5) E os cristãos, lá no primeiro século, precisavam dela. Por que motivo especial?

      4. No primeiro século, que verdades básicas sobre o Reino vieram os cristãos a entender?

      4 Eles tinham uma fé pura e simples. Naquele tempo, todos eles eram cristãos ungidos com o espírito, que aguardavam a ressurreição futura “no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. (2 Pedro 1:11; 1 Coríntios 15:50) Pelo menos a partir do ano 96 E.C., quando o idoso apóstolo João recebeu a Revelação por inspiração divina, eles reconheciam que seu número, como “pequeno rebanho”, seria de 144.000. Como ‘reis e sacerdotes’ associados de Cristo, no céu, governariam a terra por 1.000 anos. Mostrou-se a João que “depois” de os 144.000 do Israel espiritual terem sido ajuntados, seria identificada uma inúmera “grande multidão” de homens e mulheres leais, “de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas”. Estes, como classe, sobreviveriam à derradeira “grande tribulação” na terra, para se tornarem o núcleo da sociedade humana que usufruirá bênçãos milenares sob o governo do Reino. — Lucas 12:32; Revelação 7:4, 9-17; 20:1-6; 21:1-5.

      A GRANDE APOSTASIA

      5, 6. (a) Que textos mostram que mesmo então o Diabo usava um meio mais sutil de ataque? (b) Resumidamente, qual era?

      5 Então, qual era o modo sutil do ataque do Diabo? Mencionando o antigo Israel sem fé, o apóstolo Pedro havia advertido: “Houve também falsos profetas entre o povo, assim como haverá falsos instrutores entre vós. Estes mesmos introduzirão quietamente seitas destrutivas . . . Explorar-vos-ão também em cobiça com palavras simuladas.” (2 Pedro 2:1, 3) Esses falsos instrutores sectários, com suas doutrinas religiosas falsificadas, já haviam começado a surgir lá no fim do primeiro século, porque foi por volta do ano 98 E.C. que o apóstolo João escreveu: “Assim como ouvistes que vem o anticristo, já está havendo agora muitos anticristos . . . Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos.” — 1 João 2:18, 19.

      6 Já em 51 E.C., no que parece ter sido a sua segunda carta canônica, o apóstolo Paulo havia advertido contra ensinos falsos sobre o “dia de Jeová”. Escreveu: “Que ninguém vos seduza, de maneira alguma, porque não virá a menos que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem que é contra a lei, o filho da destruição.” Quem seria este “homem que é contra a lei”? Deve referir-se aos líderes religiosos apóstatas, que são contra a lei no sentido de que, embora afirmem ser cristãos, “não conhecem a Deus” e “não obedecem às boas novas acerca de nosso Senhor Jesus”. (2 Tessalonicenses 1:6-8; 2:1-3) Como podia tal classe apóstata surgir na congregação cristã?

      7. Como foram enlaçados alguns dos seguidores de Jesus, e com que resultado?

      7 Enquanto os apóstolos de Jesus Cristo ainda estavam vivos, agiam como restrição contra a intrusão de ensino falso, mas “o mistério daquilo que é contra a lei” já estava operando, “segundo a operação de Satanás”, e veio a destacar-se no segundo século. Embora Jesus dissesse a respeito dos seus seguidores que ‘todos eles eram irmãos’, o desejo de destaque pessoal fez com que alguns fossem enlaçados pelo Diabo. Criaram então a distinção entre clero e leigos. Aos poucos, surgiu a situação profetizada pelo apóstolo Paulo: “Haverá um período de tempo em que não suportarão o ensino salutar, porém, de acordo com os seus próprios desejos, acumularão para si instrutores para lhes fazerem cócegas nos ouvidos; e desviarão os seus ouvidos da verdade.” — 2 Timóteo 4:3, 4; 2 Tessalonicenses 2:6-10; Mateus 23:8.

      8. (a) Quais eram as duas fontes principais de ensino falso? (b) Como é o corrompimento do cristianismo descrito por enciclopédias?

      8 Então, para que viraram seus ouvidos? Para doutrinas emanadas do berço da religião falsa, na antiga Babilônia, e para as filosofias dos gregos, que eram muito populares no mundo romano daquele tempo. Conforme comenta M’Clintock and Strong’s Cyclopœdia: “A simplicidade do Evangelho foi corrompida; foram introduzidos pomposos ritos e cerimônias; honras e emolumentos seculares foram conferidos aos mestres do cristianismo, e o reino de Cristo, em boa medida, se converteu no reino deste mundo.” E a isto a Encyclopœdia Britannica acrescenta o seguinte: “É possível que nada tenha contribuído mais cabalmente para corromper o cristianismo do que introduzirem-se nele superstições que realmente são pagãs em si mesmas ou foram sugeridas por práticas pagãs. O paganismo, incapaz de se opor com bom êxito ao cristianismo, fez muito para corrompê-lo, e de inúmeras maneiras fez incursões na sua pureza.”

      9. (a) Que crenças comuns se derivam do ensino de que a alma humana é imortal? (b) Como são tais doutrinas refutadas pela Bíblia?

      9 Quais são algumas dessas superstições e práticas pagãs? Destaca-se o ensino do filósofo grego Platão, de que a alma humana é imortal. Essa crença requer que a alma vá para algum lugar após a morte, para um céu de bem-aventurança, para um purgatório de purificação ou para um inferno ardente de tormento eterno. Isto contradiz flagrantemente textos bíblicos tais como o Salmo 146:4; Eclesiastes 9:5, 10; Mateus 10:28 e Romanos 6:23.

      ORIGEM DO CATOLICISMO

      10, 11. (a) O que admitiu o Cardeal Newman quanto a muitos dos ensinos de sua Igreja? (b) Visto que ele disse que certas práticas e ensinos da Igreja são “de origem pagã”, podem eles ser realmente considerados como santos?

      10 No seu Essays and Sketches (Ensaios e Rascunhos), o cardeal católico romano John Henry Newman, do século 19, indica a origem de muitos ensinos de sua Igreja, dizendo: “O fenômeno, admitido por todos os lados, é o seguinte: — Que grande parte do que em geral é recebido como verdade cristã, nos seus rudimentos ou nas suas partes separadas, é encontrada nas filosofias e religiões pagãs. Por exemplo, a doutrina duma Trindade é encontrada tanto no Oriente como no Ocidente; o mesmo se dá com a cerimônia da ablução; o mesmo se dá com o rito do sacrifício. A doutrina do Verbo Divino é platônica; a doutrina da Encarnação é indiana.” Daí, replicando a um crítico que argumenta: “Estas coisas existem no paganismo, portanto não são cristãs”, o cardeal diz: “Nós, pelo contrário, preferimos dizer, ‘estas coisas existem no cristianismo, portanto não são pagãs’.” Mas as suas fontes são os ensinos babilônicos e gregos que existiram por séculos antes do nascimento do catolicismo romano. Além disso, não se encontram na Palavra de Deus, a Bíblia.

      11 Que a grande apostasia recorreu à religião pagã para seus ensinos e suas cerimônias é confirmado adicionalmente pelos comentários do Cardeal Newman no seu livro The Development of Christian Doctrine (O Desenvolvimento da Doutrina Cristã), em que escreveu: “Constantino, com o fim de recomendar a nova religião [católica romana] aos pagãos, transferiu para ela os ornamentos externos aos quais ficaram acostumados na sua própria.” Daí, depois de alistar muitos dos costumes de sua igreja, o cardeal admite que “são todos de origem pagã e santificados pela sua adoção na Igreja”. Mas, pode-se ‘santificar’ um ensino falso?

      12, 13. (a) Em que circunstâncias e com que motivo interessou-se Constantino na religião católica romana? (b) O que mostra se Constantino se tornou cristão de coração?

      12 O cardeal refere-se aqui a Constantino, o Grande, imperador romano do quarto século. Que interesse tinha Constantino na religião? Anos depois de invadir Roma, em 312 E.C., Constantino tornou conhecido que, na véspera de sua conquista, havia tido a visão duma cruz chamejante, com o lema: “Com Isto Vence.” Ele o usou no seu estandarte. Ele adotou os fundamentos da religião católica romana evidentemente para obter apoio para a promoção de seus próprios fins políticos, e amalgamou no sistema religioso “cristão” as crenças pagãs ainda bem achegadas ao seu coração.

      13 A Encyclopœdia Britannica diz a respeito de Constantino: “O paganismo ainda deve ter sido a crença ativa desse homem que, quase até o fim de sua vida, reteve tantas superstições pagãs. . . . Constantino tinha o direito de ser chamado de Grande, mais em virtude do que fez, do que pelo que era. A julgar pelo caráter, de fato, ele está entre os mais baixos de todos aqueles a quem se aplicou o epíteto [“Grande”] nos tempos antigos ou modernos.” Isto é demonstrado em que ele até mesmo se rebaixou a praticar o assassinato de diversos dos membros de sua própria família. Seu título pagão, “Pontifex Maximus” (Sumo Pontífice) foi mais tarde transferido para os papas da Igreja Católica Romana.

      14. Representavam os papas de Roma realmente o reino de Deus, e por que responde assim?

      14 Durante a Idade Média, os papas de Roma governavam como reis na terra. Não ficaram à espera de que Cristo estabelecesse seu governo milenar exercido desde os céus. Queriam um “reino” naquele tempo mesmo, para o seu próprio proveito egoísta. A Encyclopœdia Britannica descreve isso nas seguintes palavras: “Uma das causas mais antigas da corrupção do cristianismo foi a tentativa de transformar o reino cristão de Deus numa monarquia visível, em que os santos herdavam a terra de modo literal.” Não é de admirar que pessoas honestas queiram discordar de tal “corrupção do cristianismo”! Todavia, a cruel Inquisição, que só pela queima na estaca tirou mais de 30.000 vidas, serviu por muito tempo para controlar os chamados hereges. Mas não para sempre!

      QUE DIZER DO PROTESTANTISMO?

      15. (a) O que se tornou realmente a Reforma protestante? (b) Em que sentido está o protestantismo em escravidão até o dia de hoje?

      15 Ao meio-dia de 31 de outubro de 1517, o sacerdote católico romano Martinho Lutero pregou 95 teses de protesto à porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha. Iniciava-se a Reforma protestante. Mas, em vez de causar um retorno à pura doutrina cristã e ao serviço sagrado a Deus, a Reforma tornou-se na maior parte política. Procuravam-se conquistas territoriais por meio de guerras religiosas, tais como a Guerra dos Trinta Anos, de 1618-1648, na Europa, em que se perderam milhões de vidas. Muitos países estabeleceram sua religião estatal, e estas continuavam a ensinar doutrinas-chaves do catolicismo, tais como a imortalidade da alma, o inferno ardente de tormento, a Trindade, o batismo de bebês e muitas outras. Permaneceram em escravidão a esses ensinos da grande apostasia até os dias atuais.

      “BABILÔNIA, A GRANDE”

      16, 17. (a) Que significado tem para nós, hoje, Jeremias 51:6? (b) Como passou a religião de Babilônia a ter alcance internacional?

      16 A prática da religião falsa não se limita aos que professam ser cristãos. O profeta Jeremias adverte-nos:

      “Fugi do meio de Babilônia e ponde cada um a sua própria alma a salvo.” (Jeremias 51:6)

      Isto tem significado para nós, hoje. Mesmo nos dias de Jeremias, Babilônia era notória pelos seus rituais religiosos depravados e pela sua multiplicidade de deuses. Mas a Babilônia hodierna é de alcance internacional. Como aconteceu isso?

      17 Depois do dilúvio dos dias de Noé, foi em Babilônia que o iníquo Ninrode, “poderoso caçador em oposição a Jeová”, começou a construir uma cidade-reino e provavelmente a torre religiosa que se elevava para o céu. Jeová frustrou esses planos por confundir a língua da humanidade e por espalhá-la “por toda a superfície da terra”. Mas ela levou consigo a sua religião falsa. Esta foi a raiz da qual se desenvolveu a maioria das religiões do mundo. — Gênesis 10:8-10; 11:1-9.

      18. De que reino falso temos de fugir, e para onde?

      18 Conforme já notamos, Constantino amalgamou essa religião falsa com ensinos cristãos, quando lançou a base para a religião católica romana. Esta, por sua vez, tornou-se a fonte de grande parte da doutrina do protestantismo. As religiões não-“cristãs” da terra também têm suas raízes na antiga Babilônia. Todas juntas, as religiões pseudocristãs e as não-“cristãs”, constituem um império mundial de religião falsa. É um reino falso, chamado pelo apóstolo João de “Babilônia, a Grande, . . . a grande cidade que tem um reino [religioso] sobre os reis da terra”. (Revelação 17:5, 18) Portanto, a fim de ‘cada um pôr a sua própria alma a salvo’, somos bastante advertidos a fugir do babilônico “reino” falso, sim, a fugir para o reino de Deus!

      [Quadro na página 95]

      SATANÁS ATACA OS SERVOS DO REINO DE DEUS POR:

      ● Ataque frontal direto mediante perseguições — por parte de parentes mal informados, governos e religionários.

      ● Engodos à imoralidade na atual sociedade permissiva.

      ● Fomentar orgulho pela posição, riqueza, raça ou nação.

      ● Tentar torná-los mais amantes dos prazeres do que amantes de Deus — absortos com a diversão.

      ● Promover ensinos ateus e evolucionistas.

      ● Difamar o verdadeiro cristianismo mediante o reino falso e apóstata da cristandade.

      ● Suscitar instrutores falsos, para semear dúvidas entre os verdadeiros cristãos e sutilmente desanimá-los.

      PODEMOS VENCER O MUNDO DE SATANÁS PELA NOSSA FÉ

  • Ilustrações do Reino
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 11

      Ilustrações do Reino

      1. Por que interessam as parábolas de Jesus a todos os que servem a Deus?

      ENQUANTO Jesus esteve com seus discípulos, ele proferiu muitas parábolas ou ilustrações. Estas mostram o que está envolvido em alguém ser membro do reino dos céus. Indicam que proceder precisa ser adotado pelo “pequeno rebanho” dos herdeiros do Reino e também por aqueles que querem ganhar a vida eterna, na terra, sob este reino. Essas “outras ovelhas” também se alegram de saber das profecias sobre o Reino, e oram fervorosamente pela sua ‘vinda’. — Lucas 12:32; João 10:16; 1 Tessalonicenses 5:16-20.

      2, 3. (a) Por que usou Jesus ilustrações? (b) Por que não foram elas entendidas por outros, além de seus discípulos? (c) Dessemelhantes dos descritos em Mateus 13:13-15, por que devemos estudar diligentemente a Palavra de Deus?

      2 Depois de Jesus ter contado uma dessas parábolas ao povo, seus discípulos dirigiram-se a ele e perguntaram: “Por que é que lhes falas usando ilustrações?” Em resposta, Jesus disse:

      “A vós é concedido entender os segredos sagrados do reino dos céus, mas a esses não é concedido.” (Mateus 13:10, 11)

      E por que não? Porque não estavam dispostos a pesquisar e a entender o significado mais profundo das palavras dele, para que seu coração os motivasse a agir em harmonia com as “boas novas”. Não consideravam o Reino como “tesouro” ou como “pérola de grande valor”. — Mateus 13:44-46.

      3 Jesus citou a profecia de Isaías como tendo cumprimento nesses descrentes, dizendo: “Ouvindo ouvireis, mas de modo algum entendereis; e olhando olhareis, mas de modo algum vereis. Pois o coração deste povo tem ficado embotado e seus ouvidos têm ouvido sem reação, e eles têm fechado os olhos; para que nunca vissem com os olhos, nem ouvissem com os ouvidos, nem entendessem com os corações e se voltassem, e eu os sarasse.” (Mateus 13:13-15) Devemos querer evitar ser semelhantes a tais depreciadores. Esforcemo-nos, portanto, a estudar a Palavra de Deus.

      4. (a) Que tipos de coração deixaram de tirar proveito da palavra? (b) Como podemos ser abençoados, se nos esforçarmos a entender o sentido da palavra?

      4 Jesus, na sua parábola apresentada em Mateus, capítulo Mat. 13:3-8, descreve-se como “semeador”. Ele semeia “a palavra do reino” em diferentes espécies de corações. O coração de alguns é como o solo à beira da estrada. Antes de a semente poder criar raízes, o Diabo envia seus agentes quais “aves” para arrebatar “dos seus corações a palavra, a fim de que não creiam e sejam salvos”. Outros corações são como solo pedregoso. No começo, aceitam a palavra com alegria, mas a plantinha nova murcha depois sob provação ou perseguição. Algumas sementes caem entre “espinhos”, onde são sufocadas pelas “ansiedades, e riquezas, e prazeres desta vida”. Mas, há também a “semente” lançada na espécie certa de solo!

      “Este é o que ouve a palavra e a entende, que realmente dá fruto e produz, este cem vezes mais, aquele sessenta vezes mais, outro trinta vezes mais.” (Mateus 13:18-23; Marcos 4:3-9, 14-20; Lucas 8:4-8, 11-15)

      Sim, seremos abençoados e nosso serviço sagrado prestado a nosso Deus se tornará realmente frutífero, se aceitarmos a palavra com coração apreciativo e nos gastarmos a favor do reino de Deus!

      OUTRO “SEMEADOR”

      5. (a) A que outra ilustração somos agora exortados a prestar atenção? (b) Por que não podia ser este “homem” o Senhor Jesus?

      5 Só o relato de Marcos, dentre os Evangelhos, acompanha esta parábola do “semeador” com uma ilustração sobre um “semeador” diferente. Pouco antes de apresentar esta ilustração, Jesus disse aos seus discípulos em particular: “Prestai atenção ao que estais ouvindo.” Daí introduziu a parábola, dizendo:

      “Deste modo, o reino de Deus é como quando um homem lança semente no solo, e dorme à noite e se levanta de dia, e a semente brota e cresce alta, e ele não sabe exatamente como.” (Marcos 4:24-27)

      É óbvio que este “homem” não é o glorificado Senhor Jesus Cristo, porque este não precisa mais duma noite de sono na terra. Tampouco seria correto dizer que o Filho de Deus, que trabalhou com seu Pai na criação de todas as coisas, ‘não saiba’ como se dá o crescimento. (Colossenses 1:16) De modo que podemos reconhecer, no contexto, que o “homem” refere-se ao cristão individual, que deve ‘prestar atenção’ aos assuntos relacionados com “o reino de Deus”.

      6. Que duas coisas devia vigiar cada “semeador”, e por quê?

      6 Cada “semeador” deve vigiar as tendências de personalidade que semeia, e também o ambiente em que semeia. O desenvolvimento de nossa personalidade, sem nos apercebermos disso, pode ser influenciado para o bem ou para o mal, dependendo do “solo” ou da espécie de pessoas com as quais nos associamos ao procurar desenvolver qualidades cristãs — seja dentro ou fora da congregação. (Veja 1 Coríntios 15:33.) Finalmente, “o grão cheio” surgirá na espiga, e nós ceifaremos concordemente. (Marcos 4:28, 29) Quão importante é que os do “pequeno rebanho”, e, de fato, todos os que se empenham pela vida eterna no arranjo do Reino de Deus, vigiem o que e onde semeiam quanto ao desenvolvimento duma personalidade semelhante à de Cristo! — Efésios 4:17-24; Gálatas 6:7-9.

      UM REINO FALSO

      7. Como nos ajudam as diversas parábolas a encarar o Reino?

      7 O relato de Marcos descreve Jesus como dizendo então:

      “A que compararemos o reino de Deus, ou com que ilustração o definiremos?” (Marcos 4:30)

      Daí ele nos convida a examinar o Reino dum ângulo diferente. Deveras, essas ilustrações ajudam-nos a encarar o Reino de diversos pontos de vista, assim como inspecionaríamos um prédio por fora e por dentro, e de diversos ângulos.

      8. (a) Por que é que o desenvolvimento fenomenal do grão de mostarda não pode ter referência aos herdeiros do Reino? (b) Por que se ajusta isso logicamente ao “reino” da cristandade? (c) Como é este conceito apoiado pela descrição que Deus fez do Israel apóstata?

      8 Portanto, a que compararemos o reino de Deus? Jesus responde:

      “Semelhante a um grão de mostarda, que ao tempo em que é semeado no solo é a menor de todas as sementes que há na terra — mas, depois de semeado, brota e se torna maior do que todas as outras hortaliças e produz grandes ramos, de modo que as aves do céu podem achar pousada sob a sua sombra.” (Marcos 4:30-32)

      Trata-se dum aumento fenomenal — e, certamente, de algo muito mais amplo do que o “pequeno rebanho” de 144.000 herdeiros do Reino, aos quais ‘aprouve ao Pai dar o reino’! (Lucas 12:32; Revelação 14:1, 3) Antes, é o desenvolvimento da grande “árvore” falsa da cristandade, como apostasia da congregação plantada por Jesus. (Lucas 13:18, 19) É enorme! Gaba-se de ter mais de 900.000.000 de membros em todo o mundo, para os quais reivindica um destino nos céus. Este reino apóstata foi prefigurado há muito pelo relapso Israel, de que Jeová disse: “Eu te tinha plantado como videira seleta de casta tinta, toda ela de semente verdadeira. Portanto, como é que te transformaste para mim em varas degeneradas duma videira estrangeira?” — Jeremias 2:21-23; veja também Oséias 10:1-4.

      9. (a) Quem são as “aves” e quem são os ramos da “árvore”? (b) Em vista das declarações de 2 Tessalonicenses 1 e Mateus 7, por que devemos manter-nos agora afastados desta “árvore”?

      9 Segundo a descrição que Mateus dá desta “árvore”, “as aves do céu vêm e acham pousada entre os seus ramos”. Evidentemente, são as mesmas “aves” da parábola anterior, que devoram a “palavra do reino” caída à beira da estrada. (Mateus 13:4, 19, 31, 32) Essas “aves” pousam nas centenas de ramos sectários da “árvore”. Representam o apóstata “homem que é contra a lei”, os clérigos da cristandade. Estes perderão seu pouso abrigado quando Deus derrubar tal “árvore”, junto com todas as outras religiões falsas. Afaste-se agora! Pois é iminente a estrondosa queda dessa “árvore”! — Veja 2 Tessalonicenses 1:6-9; 2:3; Mateus 7:19-23.

      10, 11. (a) Em que contexto apresentam Mateus e Lucas a parábola do “grão de mostarda”, e por que é isso apropriado? (b) Que admoestação e aviso contém para nós a parábola do fermento, referente ao Reino?

      10 Lucas apresenta apropriadamente a parábola do “grão de mostarda” como seqüência da denúncia de Jesus contra os religionários apóstatas dos seus dias. E como que para enfatizar este ponto, tanto Mateus como Lucas apresentam Jesus a seguir como proferindo a parábola do “fermento”. (Mateus 13:32, 33; Lucas 13:10-21) Na Bíblia, quando usado figurativamente, o fermento ou levedo sempre tem sentido desfavorável, como quando Jesus advertiu os discípulos para ‘se vigiarem do fermento dos fariseus e dos saduceus’, e quando o apóstolo Paulo aconselhou os cristãos a eliminarem “o fermento de maldade e iniqüidade”. — Mateus 16:6, 11, 12; 1 Coríntios 5:6-8; Gálatas 5:7-9.

      11 Na ilustração, um aspecto relacionado com “o reino dos céus” é mencionado como semelhante ao fermento que certa mulher escondeu em três grandes medidas de farinha. A massa inteira ficou assim levedada. Isto retrata o furtivo corrompimento da professa congregação cristã com ensinos e práticas babilônicos, falsos, resultando na estrutura maciça do reino falso da cristandade. Isto deve servir de aviso para nós. Observando o resultado lastimável da apostasia da cristandade, os do “pequeno rebanho” dos herdeiros do Reino e seus companheiros devem hoje precaver-se para não permitir que o “fermento” de ensinos falsos e enganosos contamine seu apreço de coração da pureza e da verdade da “palavra do reino”.

      O SEMEADOR E SEU “INIMIGO”

      12, 13. (a) Como identifica Jesus os personagens principais na parábola do “trigo” e do “joio”? (b) O que é a colheita, e que evidência vemos de que está ocorrendo hoje?

      12 Em outra ilustração, Jesus comparou “o reino dos céus” a “um homem que semeou excelente semente no seu campo”. Então, “enquanto os homens dormiam, veio seu inimigo e semeou por cima joio entre o trigo, e foi embora”. Que espécie de fruto se podia esperar daquele campo?. Jesus passou a identificar este semeador como sendo ele mesmo, “o Filho do homem”, sendo que a semeadura de suas sementes do Reino resulte em frutos de cristãos semelhantes a trigo, “os filhos do reino”. O inimigo é “o Diabo”, e o “joio” são “os filhos do iníquo” — seu “descendente” religioso, hipócrita. (Veja Gênesis 3:15.) No cumprimento, alguns cristãos verdadeiros passaram a desenvolver-se no meio do conglomerado do “joio” que assinalou a grande apostasia, a partir do primeiro século. Mas agora, no nosso século 20, chegou o tempo da colheita — “a terminação dum sistema de coisas e os ceifeiros são os anjos”! — Mateus 13:24-30, 36-39.

      13 Por fim, sob direção angélica, o “trigo” é separado do “joio”. Passa a manifestar-se uma nítida distinção entre os dois. Conforme veremos, há muita evidência de que “o Filho do homem” está hoje presente no seu reino celestial, ajuntando os verdadeiros cristãos, semelhantes ao trigo, à atividade do Reino. Mas que dizer da cristandade e de seus instrutores de apostasia? A parábola de Jesus prossegue:

      “O Filho do homem enviará os seus anjos, e estes reunirão dentre o seu reino todas as coisas que causam tropeço e os que fazem o que é contra a lei.”

      Os clérigos da cristandade, durante séculos, fizeram pessoas sinceras tropeçar com suas doutrinas falsas e sua ostentação de piedade. Mas, eles passaram a sofrer o julgamento de Deus, e estão ‘chorando e rangendo os dentes’. Lamentam hoje o apoio decrescente dos leigos e a divisão nas suas próprias fileiras. Em contraste, os servos de Jeová, semelhantes a trigo, dão alegremente testemunho a respeito do reino Dele. Brilham “tão claramente como o sol, no reino de seu Pai”. — Mateus 13:40-43; veja Isaías 65:13, 14.

      UMA ‘PESCARIA’ BEM-SUCEDIDA

      14, 15. (a) Como iniciou Jesus uma grande ‘pescaria’, mas que outros tipos de ‘pescaria’ têm sido feitas desde então, e com que ‘pesca’? (b) Que papel desempenham então os anjos, e o que fazem com os “peixes”? (c) Portanto, que oportunidade devemos agradecer?

      14 “Novamente”, disse Jesus, “o reino dos céus é semelhante a uma rede de arrasto lançada ao mar e que apanhou peixes de toda espécie”. (Mateus 13:47) O próprio Jesus iniciou esta ‘pescaria’ quando chamou seus primeiros discípulos das redes deles, para transformá-los em “pescadores de homens”. (Mateus 4:19) Mas, durante a grande apostasia, sob supervisão angélica, grupos minoritários fiéis e as religiões da cristandade têm continuado a ‘pescar’ conversos. No entanto, será que todas as centenas de milhões de simbólicas criaturas marinhas mostraram ser ‘peixes bons’? Conforme já notamos, as religiões da cristandade baseiam seus ensinos na filosofia grega de Platão e nos “mistérios” da antiga Babilônia. Seus frutos são vistos nos ódios, nas lutas e no derramamento de sangue que têm manchado as páginas da história da cristandade, e no seu apoio às guerras mundiais de nosso século 20.

      15 Por fim, “na terminação do sistema de coisas”, chegou o tempo para os anjos recolherem a “rede de arrasto”. Esta simboliza as organizações, na terra que professam ser de seguidores de Jesus Cristo — os verdadeiros e os falsos. Os “peixes” considerados “imprestáveis” para “o reino dos céus” têm de ser lançados fora, na “fornalha ardente” da destruição. “Ali é que haverá o seu choro e o ranger de seus dentes.” (Mateus 13:48-50) Mas os anjos também estão separando ‘peixes bons’ da simbólica rede de arrasto. Quão gratos devemos ser pela oportunidade de ser contados junto com estes — um povo distinto, dedicado a magnificar o nome de Jeová e que ora significativamente pela ‘vinda’ do reino dele!

      16. Esta última parábola suscita que perguntas, e por que devemos estar interessados em descobrir as respostas?

      16 Todavia, o que é a “terminação do sistema de coisas” de que Jesus fala tão enfaticamente nesta última parábola? Quais são os “últimos dias” a respeito dos quais diversos discípulos de Jesus escreveram? Vivemos agora nesses dias? Em caso afirmativo, o que significa isso para nós e para toda a humanidade?

      [Quadro na página 104]

      DÊ ATENÇÃO ÀS ILUSTRAÇÕES DO REINO DE JESUS!

      ● Elas descrevem o Reino como desejável, igual a um “tesouro” ou a uma “pérola”. Os que o buscam são comparados à ‘espécie certa de solo’, a “trigo” e a ‘peixes bons’.

      ● O reino falso é retratado como “árvore”, a mostardeira, com muitos ramos, e como massa de farinha levedada. Seus apoiadores são “aves”, “joio” e ‘peixes imprestáveis’.

      ● Examinando o desenvolvimento do Reino de diversos ângulos, podemos entender melhor a grande questão hoje perante a humanidade, e ficamos animados a tomar posição firme e leal a favor do Reino.

  • Os “últimos dias” e o Reino
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 12

      Os “últimos dias” e o Reino

      1. (a) Que perguntas vitais surgem agora? (b) O que dizem as Escrituras sobre os últimos dias (I) de nossa terra, (II) dos que a arruínam?

      ESTAMOS agora nos “últimos dias”? O que significam os “últimos dias”? Felizmente, não haverá “últimos dias” para a própria terra. Porque a Bíblia nos assegura: “A terra . . . não será abalada, por tempo indefinido ou para todo o sempre.” Em harmonia com o propósito original de Jeová, a vida humana e animal será perpetuada aqui para sempre. (Salmo 104:5-24; 119:89, 90; Gênesis 1:27, 28; 8:21, 22) No entanto, há definitivamente “últimos dias” para as nações e as pessoas iníquas que arruínam a terra que pertence a Deus. É a ‘vinda’ do Reino que arruína esses ruinosos. — 2 Pedro 3:3-7; Tiago 5:1-4; Revelação 11:15-18.

      2. O que predisse Paulo especificamente para os nossos “tempos terríveis”?

      2 Será que vivemos agora nesses “últimos dias”? Tome qualquer tradução da Bíblia e leia o que o apóstolo Paulo foi inspirado por Deus a predizer para os “últimos dias”, em 2 Timóteo, capítulo 3, versículos 1 a 5. Daí pergunte-se: É assim que se parece hoje o mundo da humanidade? O apóstolo prevê ali “tempos terríveis”, e acrescenta:

      “As pessoas serão amantes de si mesmas, amantes do dinheiro, jactanciosas, orgulhosas, ultrajantes, desobedientes aos pais, ingratas, ímpias, sem amor, implacáveis, caluniadoras, sem autodomínio, brutais, não amantes do bem, traiçoeiras, temerárias, convencidas, amantes do prazer mais do que amantes de Deus — tendo uma forma de piedade, mas negando o poder dela. Não tenhas nada que ver com elas.” — New International Version.

      3. Por que deve ter-se Paulo referido a “últimos dias” muito mais momentosos do que os do sistema judaico?

      3 Ao escrever o acima, o apóstolo não se referia aos “últimos dias” do sistema judaico de coisas. Não podia aplicar-se a este, visto que Paulo escreveu essas palavras por volta do ano 65 E.C., quando já haviam decorrido mais de 30 anos desses “últimos dias” e faltavam apenas cinco anos até a devastação de Jerusalém. Tampouco se havia desenvolvido ainda essa condição apóstata entre os que professavam ser cristãos. Aqueles “últimos dias” do sistema judaico já haviam sido bastante ruins, mas seriam ultrapassados em muito pelos acontecimentos durante os “últimos dias” de todo o sistema mundial de coisas de Satanás, quando Jesus viria novamente para estabelecer seu reino.

      CUMPRIMENTO DUPLO

      4. O que levou a que os discípulos fizessem a pergunta de Mateus 24:3?

      4 Jesus, nas suas parábolas, falara sobre a “terminação do sistema de coisas”. (Mateus 13:39, 40, 49) Isto, naturalmente, suscitou o interesse de seus discípulos, em especial porque o povo comum sofria muito, mesmo naquele tempo, por causa do domínio duro de Roma e dos líderes religiosos, judaicos. Esperavam que o reino de Deus trouxesse alívio. Portanto, três dias antes de Jesus ser morto, quatro de seus discípulos chegaram-se a ele enquanto estava sentado no Monte das Oliveiras, com vista para Jerusalém, e perguntaram-lhe: “Dize-nos: Quando sucederão estas coisas e qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?” — Mateus 24:3; Marcos 13:3, 4.

      5. Como se cumpririam as palavras que Jesus deu em resposta?

      5 Embora os discípulos de Jesus pensassem apenas no futuro imediato, a resposta de Jesus, naquela ocasião, haveria de ter uma aplicação dupla: primeiro, durante os “últimos dias” do sistema judaico, e, muito mais tarde, durante os “últimos dias” do sistema mundial de Satanás, que abrange toda a terra habitada.

      6, 7. (a) Que cumprimento em miniatura tiveram as palavras de Jesus em Mateus 24:7-22? (b) Que sombrio lembrete disso existe até hoje?

      6 O que Jesus disse àqueles discípulos, conforme registrado em Mateus 24, versículos 7 a 22, descreveu o rumo dos acontecimentos que alguns deles observariam em miniatura durante os então 37 anos futuros, até 70 E.C. Para os judeus da geração de Jesus, havia de ser um período turbulento de guerras, escassez de víveres, terremotos, ódio aos cristãos e o aparecimento de falsos Messias. Todavia, “estas boas novas do reino” seriam pregadas em toda a criação, em testemunho. Por fim, aquela “coisa repugnante”, o exército romano, pagão, invadiu realmente o “lugar santo” do templo de Jerusalém. Após uma breve pausa, durante a qual os discípulos de Jesus puderam obedecer à ordem profética dele por fugirem para as montanhas em busca de segurança, os romanos voltaram novamente, sob o General Tito. Aniquilaram Jerusalém e despedaçaram seus filhos contra o chão, e demoliram o templo, não deixando pedra sobre pedra. — Veja também Lucas 19:43, 44; Colossenses 1:23.

      7 No cumprimento do “sinal” de Jesus, tal acúmulo de dificuldades veio a afligir os judeus e foi culminado pela destruição ardente de Jerusalém, em 70 E.C. Mais de um milhão de judeus pereceram junto com sua cidade, e os sobreviventes foram levados cativos. O arco de vitória de Tito ergue-se em Roma até o dia de hoje, como sombrio lembrete do cumprimento da profecia de Jesus. Mas, será que o “sinal” de Jesus foi registrado e preservado por escrito como aviso apenas para os que viviam no primeiro século? Trata-se hoje apenas de ‘história morta’? A resposta tem de ser: Não!

      APLICAÇÃO GLOBAL

      8. (a) Que efeito devia ter sobre nós, hoje, o cumprimento em miniatura das palavras de Jesus? (b) Que modelo profético de coisas maiores fornece isso?

      8 O cumprimento em miniatura das palavras de Jesus durante os “últimos dias” do sistema judaico de coisas deve fortalecer a nossa crença no poder da profecia divina. Contudo, os acontecimentos daquele primeiro século estabelecem também um nítido modelo profético do que há de acontecer em escala muito maior, com respeito ao sistema global de coisas de Satanás. Tem de ser assim, porque a execução do julgamento de Deus contra Jerusalém, em 70 E.C., não foi a maior tribulação até aquele tempo, nem foi a última. As palavras de Jesus, em Mateus 24:21, 22, ainda aguardam seu cumprimento em escala total:

      “Pois então haverá grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo. De fato, se não se abreviassem aqueles dias, nenhuma carne seria salva; mas, por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.”

      9. Como sabemos que as palavras de Jesus indicavam um dia de ajuste de contas de alcance mundial?

      9 A continuação das palavras da profecia de Jesus, em Mateus 24:23 a 25:46, indica também o alcance global da “terminação do sistema de coisas”. No clímax deste período de aflição, quando o “Filho do homem”, como rei entronizado de Deus, executar o julgamento contra o mundo de Satanás, “todas as tribos da terra se baterão então em lamento”. Isto abrangerá todos os da humanidade que rejeitarem o reinado de Jesus. Não será um julgamento que envolve apenas uma nação e sua cidade, mas será um dia de ajuste de contas de alcance mundial. — Mateus 24:30.

      10. (a) Conforme ilustrado na profecia de Jesus, em que diferirá o destino daqueles ‘que fazem o que bem entendem’ do daqueles que ‘buscam primeiro o reino de Deus’? (b) Por que terá de ocorrer isso em escala global?

      10 Indicando novamente o âmbito global do julgamento de Deus, a profecia de Jesus passa a comparar a “terminação do sistema de coisas” com o período pouco antes do dilúvio dos dias de Noé, dizendo:

      “Porque assim como eles eram naqueles dias antes do dilúvio, comendo e bebendo, os homens casando-se e as mulheres sendo dadas em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não fizeram caso, até que veio o dilúvio e os varreu a todos, assim será a presença do Filho do homem.”

      Assim como o Dilúvio daquele tempo aniquilou todo um mundo de pessoas ímpias, assim a tribulação ardente que culmina a “presença” do Messias livrará o nosso globo daqueles que desconsideram o Reino em favor de ‘fazerem o que bem entendem’. Felizmente, muitos dos que tiverem ‘buscado primeiro o reino de Deus e a Sua justiça’ sobreviverão para herdar a vida eterna na terra paradísica. Será um deles? — Mateus 6:33; 24:37-39; 25:31-46.

      11. Que outras profecias mostram que todas as nações estão envolvidas nisso e que haverá sobreviventes?

      11 Numerosas profecias da Bíblia mostram que a vindoura “grande tribulação” afetará “todas as nações” da terra. (Salmo 2:2-9; Isaías 34:1, 2; Jeremias 25:31-33; Ezequiel 38:23; Joel 3:12-16; Miquéias 5:15; Habacuque 3:1, 12, 13) Mas, haverá sobreviventes! — Isaías 26:20, 21; Daniel 12:1; Joel 2:31, 32.

      A PRESENÇA DO REI NA GLÓRIA CELESTIAL

      12. (a) Por que é necessário um “sinal” da presença de Jesus? (b) Por que não precisa ele aparecer de novo num corpo carnal?

      12 A grande profecia de Jesus sobre “o sinal” de sua presença informa-nos de que, “quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentará no seu trono glorioso”. (Mateus 25:31) Visto que o brilho de tal glória será prejudicial para meros olhos humanos, o Rei tem de permanecer invisível para a humanidade. (Veja Êxodo 33:17-20; Hebreus 12:2.) Este é o motivo de se precisar dum ‘sinal de sua presença’. Na segunda vinda do Messias não é mais necessário que ele abandone sua vida espiritual, celestial, para aparecer na terra num corpo carnal, a fim de ser usado como ‘oferta pelo pecado’. Tendo provido seu sacrifício humano “uma vez para sempre”, ele vem “na segunda vez . . . à parte do pecado”, como invisível rei celestial. — Hebreus 7:26, 27; 9:27, 28; 10:8-10; 1 Pedro 3:18.

      13. O que indica Lucas 19:11-27 quanto ao tempo da volta de Jesus e sua aceitação entre as nações?

      13 Jesus dissera aos seus discípulos íntimos, na sua última noite com eles: “Vou embora para vos preparar um lugar. Também, se eu for embora e vos preparar um lugar, virei novamente e vos acolherei a mim.” (João 14:2, 3) Em harmonia com isso, a ilustração de Jesus, em Lucas 19:11-27, descreve-o como “certo homem de nobre estirpe [que] viajou para um país distante, para assegurar-se poder régio e voltar”. Isto levaria bastante tempo. Mas “os seus cidadãos o odiavam e enviaram um corpo de embaixadores após ele, para dizer: ‘Não queremos que este homem se torne rei sobre nós.’” De maneira similar, hoje há pessoas que afirmam ser cristãs, mas que rejeitam o “Rei dos reis” em favor da perpetuação de seus próprios governos humanos, imperfeitos. (Revelação 19:16) Assim como os “cidadãos” da ilustração de Jesus, eles serão severamente punidos.

      “UM PRINCÍPIO DAS DORES DE AFLIÇÃO”

      14. Apesar de protestos em contrário, o que favorece o ano de 1914 E.C. como data da volta de Cristo?

      14 Quando é que este poderoso Rei, não desejado pelas nações, inicia seu reinado sobre a nossa terra? Toda a evidência aponta para o ano de 1914 E.C. Mas, alguém talvez proteste, dizendo: ‘Aquele ano, em vez de trazer o reinado de paz de Cristo, marcou o início duma era de dificuldades para a humanidade!’ Esta é exatamente a questão! Pois segundo a profecia bíblica, é quando ‘o reino do mundo se torna o reino de nosso Senhor Jeová e do seu Cristo’ que as nações da terra ficam “furiosas”. (Revelação 11:15, 18) É também o tempo em que Jeová envia seu rei associado, dizendo: “Subjuga no meio dos teus inimigos.” (Salmo 110:1, 2) Mas, esses inimigos não são destruídos instantaneamente.

      15. Como descreve Revelação 12 apropriadamente o nascimento do Reino?

      15 O capítulo 12 de Revelação descreve uma arrebatadora visão em que o apóstolo João viu em símbolo o nascimento do reino messiânico de Deus. Igual a um filho varão, é dado à luz pela “mulher” de Deus — sua organização celestial de criaturas angélicas. É “arrebatado para Deus e para o seu trono”, porque o Reino tem de depender de Jeová e da soberania Dele para funcionar. — Revelação 12:1-5.

      16, 17. (a). O que explica os ais na terra, desde 1914? (b) Como descrevem as palavras de Jesus, em Mateus e Lucas, o começo dessas aflições?

      16 A seguir, houve guerra no céu! O entronizado Rei e seus anjos batalharam com Satanás e suas hostes demoníacas, lançando-os dos céus de Jeová para a vizinhança de nossa terra. Por isso, “ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo”. (Revelação 12:7-12) Durante este comparativamente “curto período”, o Rei ajunta para a salvação os humanos de inclinações justas e dá o aviso da iminente execução do julgamento contra o sistema mundial de coisas de Satanás. — Mateus 24:31-41; 25:31-33.

      17 Hoje percebemos o cumprimento do “sinal” de Jesus, pormenorizado em Mateus, capítulos 24 e 25, Marcos, capítulo 13, e Lucas, capítulo 21. Note que Jesus descreve ali “um princípio das dores de aflição” nas seguintes palavras:

      “Nação se levantará contra nação e reino contra reino; e haverá grandes terremotos, e, num lugar após outro, pestilências e escassez de víveres; e haverá vistas aterrorizantes e grandes sinais do céu.” (Mateus 24:3, 7, 8; Lucas 21:10, 11)

      Atribularam tais “dores de aflição” a humanidade a partir de 1914 E.C.?

      18. A partir de 1914, como se tornou a guerra totalmente horrenda?

      18 Foi no ano de 1914 que começou a Grande Guerra (mais tarde chamada de “Primeira Guerra Mundial”), e com ela vieram pestilências e fome. Os escritores têm encontrado dificuldade em descrever o horror total que prevalecia nos campos de batalha, ao passo que milhões pereceram na guerra de trincheiras durante a carnificina de 1914-1918. No livro Eye Deep in Hell (Uma Olhada Bem Dentro do Inferno), Paul Nash é citado como dizendo sobre o campo de batalha europeu: “Nenhuma pena nem desenho pode descrever este país — o ambiente normal das batalhas que ocorrem dia e noite, mês após mês. Somente o mal e o demônio encarnado podem ser donos desta guerra, e não se vê em parte alguma um vislumbre da mão de Deus. . . . As bombas nunca acabam . . . aniquilando, aleijando, enlouquecendo, mergulham na cova que é esta terra; uma enorme cova, e lançam sobre ela os pobres mortos. É indescritível, perverso, desesperador.”

      19. O que mostram as estatísticas sobre um aumento dos terremotos desde 1914?

      19 Os “terremotos” também fazem parte do “sinal”. Houve um aumento de terremotos desde 1914? Isto talvez pareça surpreendente. Mas as estatísticas são ainda mais surpreendentes! Conforme comentou Geo Malagoli, em Il Piccolo: “Durante um período de 1.059 anos (de 856 a 1914), fontes fidedignas indicam apenas 24 terremotos grandes.” Seus algarismos mostram que, durante esses anos, morreram em média 1.800 pessoas por ano em terremotos, ao passo que houve 43 terremotos grandes desde 1915, e estes mataram em média 25.300 pessoas por ano.

      “GRANDES SINAIS DO CÉU”

      20, 21. (a) Que “vistas aterrorizantes” tornaram-se evidentes desde 1914, e por quê? (b) Que cumprimento de Lucas 21:25, 26, vemos hoje? (c) Como vieram cada vez mais à atenção os “grandes sinais do céu”?

      20 Jesus profetizou também: “Haverá vistas aterrorizantes e grandes sinais do céu.” (Lucas 21:11) Durante a Primeira Guerra Mundial, as incessantes barragens de artilharia representavam algo novo — guerra total. Pela primeira vez, os dirigíveis, e depois, ainda mais importante, os aviões, iniciaram a era da guerra aérea. De fato, 1914-1918 foi apenas o começo, mas levaria à situação descrita adicionalmente por Jesus na sua profecia em que disse:

      “Também, haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas, e na terra angústia de nações, não sabendo o que fazer por causa do rugido do mar e da sua agitação, os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada; porque os poderes dos céus serão abalados.” — Lucas 21:25, 26.

      21 A chamada conquista do espaço pelo homem fixou a atenção “no sol, e na lua, e nas estrelas”, e há indícios ominosos de que as Grandes Potências pretendem usar satélites para estabelecer bases militares. Mas, elas já possuem o conhecimento técnico para provocar uma chuva de mísseis balísticos intercontinentais desde o espaço sobre qualquer alvo que queiram. O atual arsenal de armas nucleares, armazenados por nações opostas, basta para aniquilar a humanidade várias vezes, e calcula-se que, pela volta do século, umas 35 nações poderão estar equipadas com tais armas de destruição em massa.

      22. (a) De que modo assumiu a “mar” literal uma nova dimensão desde 1914? (b) Sobre que advertem os entendidos quanto à ameaça ao nosso globo?

      22 O “mar”, que assumiu um novo aspecto com a introdução da guerra submarina, na Primeira Guerra Mundial, e que fez os Estados Unidos ingressarem na guerra, é hoje ainda mais ameaçador. Há submarinos nucleares de prontidão nos mares. Nenhuma cidade da terra está fora do alcance de mísseis nucleares. O jornal Times de Nova Iorque, de 30 de agosto de 1980, citou o perito do Departamento de Estado dos E.U.A., Marshal D. Shulman, como dizendo que a possibilidade duma guerra nuclear “tende a aumentar, em vez de diminuir”. Um anúncio de página inteira, publicado no Times de Nova Iorque, de 2 de março de 1980, patrocinado por mais de 600 profissionais liberais, homens e mulheres, declarou: “A guerra nuclear, mesmo que ‘limitada’, resultaria em morte, ferimentos e doenças em escala sem precedentes na história da existência humana.” Acrescentaram que “ataques recíprocos nucleares, totais, poderiam estar terminados em uma hora e poderiam destruir a maior parte da vida no hemisfério setentrional”. O Embaixador dos Estados Unidos em Moscou disse em 1981: “Percebo que o mundo é mais perigoso do que jamais antes na sua história.” Mas os gastos com armamentos de destruição em massa continuam a aumentar vertiginosamente.

      23. Em cumprimento da profecia de Jesus, a que estágio da história parece estar chegando a humanidade?

      23 A humanidade parece estar atingindo o estágio previsto há alguns anos pelo vencedor do Prêmio Nobel, Harold C. Urey, que disse: “Comeremos com medo, dormiremos com medo, viveremos com medo e morreremos com medo.” Deveras, há “angústia de nações, não sabendo o que fazer . . . os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”.

      24. Quem sabe “o que fazer”, e por que devemos orar fervorosamente pela ‘vinda’ do Reino?

      24 Felizmente, o Soberano Senhor Jeová, que criou esta terra para o seu bom propósito, ‘sabe o que fazer’, e ele proverá a saída por meio do reino de seu Filho. Mas, antes de examinarmos em pormenores “o que fazer”, demos atenção adicional à profecia de Jesus e notemos que notável paralelo suas palavras sobre guerra mundial, fome e pestilência, como aspectos do “sinal”, encontram numa extraordinária profecia em Revelação. Lembre-se de que a solução é o reino de Deus pelo Messias — o reino por cuja ‘vinda’ oramos fervorosamente!

      [Quadro na página 115]

      O QUE ALGUNS ESCRITORES DISSERAM SOBRE 1914

      Mesmo depois duma segunda guerra mundial, muitos chamam 1914 de grande ponto decisivo na história moderna.

      “É deveras o ano de 1914, antes do que o de Hiroxima, que assinala o momento decisivo dos nossos tempos.” — René Albreeht-Carrié, The Scientific Monthly, julho de 1951.

      “Desde 1914, todos os que estão cônscios das tendências do mundo estão profundamente preocupados com o que está parecendo uma marcha fadada e predeterminada em direção a uma calamidade cada vez maior. Muitas pessoas ponderadas passaram a achar que nada pode ser feito para impedir o mergulho na ruína. Elas vêem a raça humana, igual ao herói duma tragédia grega, impelida por deuses irados e não mais dona do destino.” — Bertrand Russell, Times Magazine de Nova Iorque, 27 de setembro de 1953.

      “A era moderna . . . começou em 1914, e ninguém sabe quando ou como terminará. . . . Poderia terminar num aniquilamento em massa.” — Editoral no jornal The Seattle Times, 1.º de janeiro de 1959.

      “No ano de 1914, o mundo, como então era conhecido e aceito, chegou ao fim.” — James Cameron em 1914, publicado em inglês em 1959.

      “A Primeira Guerra Mundial foi uma das grandes convulsões da história.” — Barbara Tuchman, The Guns of August, 1962.

      “Vêm-me à mente pensamentos e quadros, . . . pensamentos de antes do ano de 1914, quando havia verdadeira paz, sossego e segurança nesta terra — tempo em que não conhecíamos o medo. . . . Segurança e tranqüilidade desapareceram da vida dos homens desde 1914.” — O estadista alemão Konrad Adenauer, em 1965.

      “O mundo inteiro realmente explodiu por volta da Primeira Guerra Mundial, e nós ainda não sabemos por quê. . . . A utopia estava à vista. Havia paz e prosperidade. Daí, tudo foi pelos ares. Desde então estamos num estado de animação suspensa.” — Dr. Walker Percy, American Medical News, 21 de novembro de 1977.

      “Em 1914, o mundo perdeu a coerência que nunca mais conseguiu recuperar desde então. . .. Este tem sido um tempo de extraordinária desordem e violência, tanto fora das fronteiras nacionais como dentro delas.” — The Economist, Londres, 4 de agosto de 1979.

      “A civilização entrou numa doença cruel e talvez terminal em 1914.” Frank Peters, Post-Dispatch de St. Louis, E.U.A., 27 de janeiro de 1980.

      “Tudo ficaria cada vez melhor. Este era o mundo em que eu nasci. . . . De repente, inesperadamente, certa manhã de 1914, o negócio inteiro acabou.” — O estadista britânico Harold Macmillan, no Times de Nova Iorque, 23 de novembro de 1980.

  • A cavalgada do Cavaleiro do Reino
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 13

      A cavalgada do Cavaleiro do Reino

      1, 2. (a) Em quem fixamos agora a nossa atenção, e o que segura ele na mão direita? (b) Por que se mandou que João parasse de chorar? (c) Quem é o “Leão” de Judá, e por que é digno de abrir os selos?

      VEJAMOS o quinto capítulo de Revelação (Apocalipse). Lemos ali sobre uma visão inspirada, dada ao apóstolo João, que se relaciona diretamente com a ‘vinda’ do reino de Deus. Ela enfoca o Soberano Senhor Jeová, “que estava sentado no trono”. Segura na mão direita um rolo escrito, “bem selado com sete selos”. Mas o apóstolo João passa a chorar muito. Por quê? Porque, em todo o universo, não se podia achar ninguém digno de desselar o rolo e divulgar sua mensagem. Mas, eis que há alguém digno disso! Não é outro senão “o Leão que é da tribo de Judá”, o herdeiro do reino de Davi. — Revelação 5:1-5.

      2 Ele é digno porque “venceu”. Quando foi homem perfeito na terra, mostrou inabalável lealdade ao seu Pai, mesmo até a morte cruel numa estaca de tortura. “O governante do mundo”, Satanás, não conseguiu quebrantar a integridade dele. Jesus podia dizer: “Eu venci o mundo.” — João 14:30; 16:33.

      3. Por que devemos alegrar-nos com o cumprimento de Revelação 5:9, 10?

      3 Há também outros que venceram o mundo, e este corajoso “Leão”, Cristo Jesus, considera-os como seus “irmãos” espirituais. (Mateus 25:40) Estes, por meio duma ressurreição celestial, deverão juntar-se a ele no seu Reinado milenar e compartilhar com ele na administração dos benefícios de seu sacrifício de resgate para os bilhões de humanos na terra. De modo que há vozes no céu entoando um novo cântico. Dizem a Este, que certa vez fora levado à matança como cordeiro inocente:

      “Digno és de tomar o rolo e de abrir os seus selos porque foste morto e com o teu sangue compraste pessoas para Deus, dentre toda tribo, e língua, e povo, e nação, e fizeste deles um reino e sacerdotes para o nosso Deus, e reinarão sobre a terra.” (Revelação 5:9, 10)

      Quanta bênção é que o Rei e os seus testados e provados reis associados estejam prestes a agir a favor da humanidade oprimida! Mas, neste respeito, precisa primeiro haver uma guerra.

      O CAVALEIRO NO CAVALO BRANCO

      4. (a) O que é simbolizado pelo “cavalo branco”, pelo “arco” do cavaleiro e por ele receber uma “coroa”? (b) Quem é este cavaleiro, e quando recebeu autoridade régia?

      4 Quando o “Cordeiro” toma o rolo e abre o primeiro selo, troveja uma voz do céu: “Vem!” E o que vemos? “Eis um cavalo branco” — símbolo de guerra justa. Seu cavaleiro tem um “arco”. Pode destruir seus inimigos de longe — abrangendo distâncias muito maiores do que os meros mísseis balísticos intercontinentais dos homens. Dá-se-lhe uma “coroa”, e isto aponta para o ano hodierno de 1914, quando Jeová lhe deu autoridade régia sobre as nações. Sendo muito mais poderoso do que os insignificantes senhores ou reis humanos, este “Senhor dos senhores e Rei dos reis” há de triunfar sobre todos os inimigos da justiça, junto com os cristãos ungidos, “chamados, e escolhidos, e fiéis”, que estão unidos com ele no seu reino celestial. — Revelação 6:1, 2; 17:14.

      5. (a) Que vitória inicial teve este cavaleiro? (b) Que resultado trouxe isso para a humanidade, mas por que devemos acatar o aviso de Marcos 13:32-37?

      5 Esse cavaleiro no “cavalo branco” é um poderoso vencedor. Então, o que poderia ser mais apropriado do que, quando começasse a cavalgar, expulsar do céu “a serpente original”, Satanás, e seus anjos demoníacos? Lançou-os para baixo, a esta terra! Não é de admirar que o Diabo tenha agora grande ira. Conforme já notamos, ele dá vazão a esta ira na humanidade, causando o “ai da terra e do mar”. O Diabo sabe que tem “um curto período de tempo”, mas é muito sutil. Gostaria de induzir-nos a pensar que os “últimos dias” se estendem até o futuro distante. Que nenhum de nós seja induzido à sonolência por tal modo de pensar! — Revelação 12:9-12; Marcos 13:32-37.

      UM CAVALO COR DE FOGO

      6. (a) Segundo Revelação 6:3, 4, que surgiu então? (b) Em que era a Primeira Guerra Mundial diferente de todas as guerras anteriores?

      6 O “Cordeiro” abre o segundo selo. Sai “um cavalo cor de fogo”! “Ao que estava sentado nele foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.” (Revelação 6:4) Surgiu assim a primeira guerra mundial da história humana. Tirou-se a paz, não apenas de algumas poucas nações, mas “da terra”, ao passo que enormes exércitos e armadas se atacaram uns aos outros, usando horríveis armas de extermínio em massa. Ao passo que as guerras anteriores haviam sido travadas por exércitos profissionais, usualmente apenas de poucos países, a Primeira Guerra Mundial foi uma guerra total. Pela primeira vez na história, os recursos totais de muitas nações, inclusive homens recrutados, foram lançados na batalha.

      7-9. Quanto à ‘matança’, que estatísticas e declarações mostram que 1914 marcou o começo do período mais assassino de toda a história?

      7 A profecia menciona ‘matança’, e foi uma ‘matança’! Na batalha de Somme, uma nova invenção assassina, a metralhadora, ceifou as tropas britânicas e francesas às centenas de milhares, sendo responsável, segundo alguns cálculos, por 80 por cento de todas as baixas. Nos nove meses em Verdun, morreram mais homens do que os que marcharam com o exército de Napoleão para dentro da Rússia. Pintado com sangue no muro dum cemitério, um letreiro em Verdun rezava: “CINCO QUILÔMETROS ATÉ O MATADOURO.” Ao todo, cerca de 9.000.000 de soldados foram chacinados durante os quatro anos daquela Grande Guerra.

      8 Foi 1914 o ano em que o cavaleiro no “cavalo cor de fogo” tirou a paz da terra? Muitos historiadores apóiam este conceito. Por exemplo, quase 50 anos depois, o redator da revista histórica American Heritage escreveu: “No verão de 1914, as nações estavam em paz e o futuro parecia sereno. Daí, os canhões passaram a falar, e as coisas nunca mais foram as mesmas. . . . O ano de 1914 foi um dos anos mais fatídicos da história humana . . . Naquele ano houve um daqueles pontos profundamente decisivos que não ocorrem mais de uma ou duas vezes num milênio. Provavelmente passará muito tempo até compreendermos plenamente em que nos envolveu 1914, mas pelo menos podemos começar a ver de que nos arrancou.” Deveras, o cavaleiro do “cavalo cor de fogo” arrancou a paz da terra, e 1914 foi o ano disso.

      9 O cavaleiro continuou a cavalgada assassina durante uma segunda guerra mundial, em que morreram 16.000.000 de soldados em batalha. Ao avançarmos agora na década dos anos 80, um professor húngaro calculou que, nas três décadas após a Segunda Guerra Mundial, outros 25.000.000 de soldados morreram em batalha. Ele declarou que, nos 33 anos que seguiram ao fim da Segunda Guerra Mundial, houve apenas 26 dias em que não houve guerra em alguma parte do mundo.

      10. Como tem este cavaleiro usado a “grande espada”?

      10 A profecia nos diz que “uma grande espada” foi dada a este cavaleiro. E, de fato, o armamento letal tem desempenhado um grande papel na matança das guerras deste século 20. Na Primeira Guerra Mundial, gás venenoso, armas automáticas, tanques de guerra, aviões e submarinos fizeram a sua estréia em plena escala. Na Segunda Guerra Mundial, a guerra aérea literalmente arrasou cidades inteiras, a maioria das baixas sendo de mulheres, crianças e idosos inocentes. A cidade de Coventry, na Inglaterra, foi devastada numa só noite, e, mais tarde, um ataque aéreo dos Aliados exterminou 135.000 vidas em Dresden, na Alemanha. Seguiu-se o extermínio em massa, por bombas atômicas, de pelo menos 92.000 pessoas em Hiroxima e de 40.000 em Nagasáqui, no Japão, novamente na maioria civis. O que a “grande espada” poderia realizar hoje, se houvesse uma guerra nuclear, foge da imaginação!

      “EIS UM CAVALO PRETO”

      11, 12. (a) Como mostrou o cavaleiro no “cavalo preto” ser companheiro do segundo cavaleiro? (b) O que mostra que a sua cavalgada continua até hoje?

      11 Quando o “Cordeiro” abre o terceiro selo, sai avançando “um cavalo preto”. “E o que estava sentado nele tinha uma balança na mão.” (Revelação 6:5) Ora, havia um companheiro cavalgando com o cavaleiro da guerra total! Trata-se do cavaleiro que traz fome. Durante ambas as guerras mundiais, as condições de fome afligiram muitos países. O racionamento dos gêneros alimentícios, representado pela “balança”, tornou-se a norma para os cidadãos das nações em guerra. E na esteira da Primeira Guerra Mundial veio a maior fome de toda a história. O periódico The Nation, de 7 de junho de 1919, noticiou que, na índia, 32.000.000 de pessoas estavam “à beira da inanição”. World’s Work de março de 1921 declarou que só no norte da China cada dia morriam de fome 15.000 pessoas. O periódico Current History Magazine, do Times de Nova Iorque, de outubro de 1921, citou um relatório britânico no sentido de que, na Rússia, “nada menos de 35.000.000 de pessoas estão sendo acossadas pelo espectro lúgubre da fome e da peste”. Condições de fome similares seguiram à Segunda Guerra Mundial, sendo que a revista Look, de 11 de junho de 1946, noticiou: “Uma quarta parte do mundo está passando fome hoje em dia.”

      12 Mesmo sem a guerra total, o fracasso das safras no nosso mundo moderno amiúde traz manchetes tais como esta, em 1974: “Índia sob a sombra do terceiro cavaleiro.” Em 1976: “O Mundo Cada Vez Mais Faminto Confronta-se com Grande Crise de Alimentos.” E em 1979: “450 milhões de pessoas passam fome.” Com a multiplicação da população do mundo, a situação alimentícia dos países subdesenvolvidos e dilacerados pela guerra torna-se cada vez mais desesperadora. A crítica chamada “The Atlas World Press Review”, no periódico New Scientist de maio de 1975, declarou: “O mundo confronta-se com um espectro duplo. A fome é apenas um dos seus aspectos: o outro é a subnutrição crônica. A FAO [Organização Para a Alimentação e a Agricultura] calcula que 61 dentre 97 nações em desenvolvimento produziram ou importaram substancialmente menos alimentos em 1970 do que era necessário para alimentar suas populações. Segundo um cálculo conservador, a FAO estima que 460 milhões de pessoas sofrem de subnutrição; uma interpretação mais liberal calcularia a cifra em 1 bilhão.” Agora, na década dos anos 80, a situação é muito pior.

      13. Que condições e temores hodiernos são prefigurados em Revelação 6:6?

      13 Enquanto o terceiro cavaleiro prossegue na cavalgada, uma voz desde os céus clama: “Um litro de trigo por um denário, e três litros de cevada por um denário; e não faças dano ao azeite de oliveira e ao vinho.” (Revelação 6:6) Sendo que o denário representava o salário de um dia, o trabalhador ficaria realmente irado com tal preço muito inflacionado. E não continua a inflação a diminuir a renda das pessoas comuns, hoje em dia? Mas, que dizer de itens tais como o “azeite” e o “vinho”? Os exploradores gananciosos e outras pessoas abastadas gostariam de proteger seu modo afluente de vida. Mas, serão bem sucedidos? Veremos isso, ao passo que o “cavalo preto” prossegue galopando na terra de um lado para outro.

      ‘UM CAVALO DESCORADO, COM A MORTE’

      14. Como se relacionam aptamente o quarto cavaleiro e seu companheiro com os acontecimentos desde 1914?

      14 Abre-se o quarto selo, e “um cavalo descorado” junta-se aos corcéis galopantes. O cavaleiro é a Morte. Segue-se de perto o Hades — o registro não diz se faz isso em outro cavalo. Mas, eles têm uma missão horrível: “Foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra, para matar com uma longa espada, e com escassez de víveres, e com praga mortífera, e pelas feras da terra.” (Revelação 6:7, 8) Desde o ano fatídico de 1914, a presença da Morte e do Hades estendeu-se mesmo até os quatro cantos da terra.

      15, 16. (a) Que notável cumprimento teve esta profecia em 1918-1919? (b) O que mostra que esse cavalo tem galopado continuamente desde 1914?

      15 “Praga mortífera”! Assim foi chamada a pandemia de 1918-1919, a gripe espanhola. Em poucas semanas, suas vítimas eram duas vezes mais em número do que os que haviam morrido nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial — o pasmoso total de pelo menos 21.000.000. Nos Estados Unidos, a cifra oficial dos mortos pela gripe foi de 548.452, mais de 10 vezes superior ao número dos soldados estadunidenses mortos na guerra. Na maior parte, suas vítimas eram os jovens e viris. Na Índia, mais de 12.000.000 morreram. Ela não poupou nenhum continente ou ilha — com duas exceções: as ilhas Maurício e Sta. Helena. Aldeias inteiras, entre os esquimós e na África Central, foram exterminadas. Em Taiti, usaram-se piras fúnebres para eliminar os cadáveres de 4.500 pessoas, que morreram em apenas 15 dias, e em Samoa Ocidental, 7.500 duma população de 38.000 pessoas pereceram na praga.

      16 Todavia, a gripe espanhola não foi a única doença mortífera trazida pelo cavaleiro no “cavalo descorado”. O Times de Nova Iorque noticiou que em 1915, na batalha de Galípoli, a disenteria matou mais soldados do que as balas. De 1914 a 1923, a cólera matou na Índia 3.250.000 pessoas. Em 1915, “de dois e meio a três milhões de mortes” na Rússia eram atribuídas ao tifo. E ao passo que o cavaleiro galopa nos tempos mais modernos, as doenças cardíacas e o câncer têm-se tornado os principais matadores, a sífilis é “o Matador N.º 2 Entre as Doenças Transmissíveis” e a hepatite é uma “Explosão Mundial de Doença”.

      O ALÍVIO É IMINENTE!

      17, 18. (a) O que disse certo estadista, indicando a relação entre o segundo, o terceiro e o quarto cavaleiro? (b) Mas, de quem não fazem caso os líderes do mundo? (c) Por que podemos alegrar-nos com o que o glorioso Rei fará?

      17 Agora já por mais de 60 anos, o “cavalo cor de fogo”, o “cavalo preto” e o “cavalo descorado” estão galopando lado a lado, seguidos de perto pelo Hades. De fato, o Hades tem ceifado uma safra recorde de vítimas, que ascendem a centenas de milhões. É de interesse notar que um ex-presidente dos Estados Unidos, Herbert Hoover, relacionou esses três cavaleiros, dizendo em 1941: “As conseqüências das grandes guerras sempre são a fome e a pestilência . . . A Guerra Mundial de há vinte e cinco anos trouxe a fome para 300.000.000 de pessoas. . . . Depois de um ano e meio da guerra atual [a Segunda Guerra Mundial], quase 100.000.000 de pessoas a mais têm falta de alimentos do que tiveram depois de três anos da última guerra.” Que calamidade seria uma terceira guerra mundial para a humanidade!

      18 Os líderes do mundo estão plenamente apercebidos dos estragos causados pelos cavaleiros nos cavalos “cor de fogo”, “preto” e “descorado”. Todavia, não tomam em conta o Cavaleiro no “cavalo branco”. Aproxima-se o dia alegre para este glorioso Rei tomar ação para inverter a ordem das coisas! Em vez de guerra, trará paz. Em vez de fome, proverá abundância. Em lugar de doença, restituirá à humanidade a perfeita saúde, e até mesmo o Hades entregará os mortos. Uma passagem paralela nos Salmos descreve este cavaleiro no “cavalo branco” com as seguintes palavras:

      “Cinge a tua espada sobre a coxa, ó poderoso, com tua dignidade e teu esplendor. E no teu esplendor prossegue ao bom êxito; cavalga na causa da verdade, e da humildade, e da justiça, e a tua direita te instruirá em coisas atemorizantes.” (Salmo 45:3, 4)

      O triunfo do Cavaleiro do Reino está próximo!

      19. (a) Devemos ficar perturbados, em vista do cumprimento de Revelação 6:2-8? (b) Que exemplo é citado para animar-nos a ser fortes na fé?

      19 Portanto, não fiquemos indevidamente perturbados com a piora da situação hoje existente na terra. Antes, seja o nosso ponto de vista similar ao daquela Testemunha de Jeová que, por causa de suas crenças, passou 20 anos, de 1956 a 1978, numa prisão dum país socialista. Em certo momento estava sob a sentença de morte, e até hoje tem nos braços sinais de tortura. Como manteve ela forte a sua fé? Foi por meditar nas muitas passagens bíblicas de que se lembrava de seu anterior estudo diligente da Bíblia. Ela diz que uma delas era a de Revelação 6:2. Estava firmemente convencida de que o Cavaleiro no “cavalo branco”, o Rei Jesus Cristo, havia sido entronizado nos céus, em 1914, e ela estava decidida a perseverar até que ele ‘completasse a sua vitória’. Que todos os outros que oram pela ‘vinda’ do reino de Deus permaneçam fiéis até que o Rei seja completamente vitorioso!

      [Quadro na página 123]

      O CAVALO PRETO CONTINUA A GALOPAR

      “O Banco Mundial calcula que 780 milhões de pessoas em todo o mundo estão vivendo em absoluta pobreza, condição que está abaixo de qualquer definição razoável da decência humana.” — Free Press de Detroit E.U.A.,1.º de setembro de 1980.

  • O Rei reina!
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 14

      O Rei reina!

      1, 2. (a) Que significado maior tinha o ano de 1914? (b) Como é que a revista A Sentinela, em inglês, focalizou com muita antecedência o ano de 1914?

      INQUESTIONAVELMENTE, o ano de 1914 marcou um grande ponto decisivo nos assuntos das nações e da humanidade. Mas, foi muito mais significativo do que a maioria dos historiadores se apercebe. Foi o tempo em que aconteceram eventos emocionantes relacionados com a ‘vinda’ do reino de Deus. Já anos antes, cuidadosos estudantes da Bíblia aguardavam com viva expectativa este ano. Baseados em quê?

      2 Trinta e quatro anos antes de 1914, a revista Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo (agora A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová, em português), nos seus números, em inglês, de dezembro de 1879 e março de 1880, indicava 1914 como data marcada na profecia bíblica. Um artigo no seu número de junho de 1880 trouxe à atenção a aproximação do fim dos “Tempos dos Gentios (Lucas XXI. 24)”. Embora o escritor, naquele tempo, não entendesse a plena implicação dos acontecimentos prestes a ocorrer, ele mostrou à base da cronologia bíblica que estava prestes a acabar em “A.D. 1914” um período de “sete tempos” ou de 2.520 anos de dominação governamental por nações ímpias, que tiveram começo na primeira desolação da antiga Jerusalém. Ele declarou: “O longo período de 2.520 anos e . . . a amarga experiência [do povo de Deus] sob a dominação das feras, (governos humanos, Dan. VII.) é claramente representado em Dan. IV, pelos ‘sete tempos’ de Nabucodonosor e sua amarga experiência entre as feras.” Então, quais são os “sete tempos”?

      INTERPRETAÇÃO DUM SONHO

      3. Que verdade fundamental se declara em Daniel 4:25?

      3 O Dan capítulo 4 do livro bíblico de Daniel descreve um notável sonho profético. Ele ilustra que “o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e que ele o dá a quem quiser”. (Daniel 4:25) Nabucodonosor, Rei de Babilônia, tivera este sonho e o relatara ao profeta Daniel, para obter a interpretação dele.

      4-6. (a) Que sonho teve Nabucodonosor? (b) Como foi interpretado por Daniel? (c) Como foi cumprido? (d) Quando Nabucodonosor se restabeleceu, o que reconheceu?

      4 Nabucodonosor observara na visão uma enorme árvore, que era visível até à extremidade da terra. Ela fornecia alimento, bem como abrigo, a todos. Mas um “santo” do céu decretou que a árvore fosse derrubada e seu toco enfaixado com ferro e cobre, os dois metais mais fortes daquele tempo. Deviam-se passar “sete tempos” com a árvore neste estado restrito.

      5 Na interpretação desta visão profética, Daniel explicou que a árvore, na sua grandiosidade, retratava a Nabucodonosor. Ele devia ser ‘derrubado’ ou rebaixado. Passar-se-iam “sete tempos”, durante os quais Nabucodonosor seria igual aos animais do campo. Mas, assim como a “árvore” não foi destruída completamente, assim também o Rei seria restabelecido após os “sete tempos”. — Daniel 4:19-27.

      6 Isto é exatamente o que sobreveio a Nabucodonosor. Ele foi rebaixado e tornou-se igual a um animal afastado da habitação humana, comendo vegetação. Esses “sete tempos” evidentemente eram sete anos, durante os quais Nabucodonosor teve sua ‘amarga experiência entre os animais’. Seu cabelo ficou comprido, igual às penas duma águia, e suas unhas cresceram como as garras das aves. Mas, finalmente, recuperou a sua sanidade mental e foi restabelecido no seu reinado. Quando isto ocorreu, ele louvou e glorificou “o Rei dos céus” como sendo Aquele que realmente exerce o governo e cujo “reino é para geração após geração”. — Daniel 4:28-37.

      7-9. (a) Em que profecia mencionou Jesus o fim dos tempos dos gentios? (b) Portanto, que perguntas são de interesse vital para nós?

      7 No entanto, o que tem tudo isso que ver com o ano de 1914 de nossa Era Comum?

      “OS TEMPOS DESIGNADOS DAS NAÇÕES”

      8 Foi durante a descrição do ‘sinal da terminação do sistema de coisas’ que Jesus Cristo disse:

      “Jerusalém será pisada pelas nações, até se cumprirem os tempos designados das nações.” (Lucas 21:24)

      As “nações” mencionadas por Jesus eram as nações não-judaicas, ou os “gentios”. A bem conhecida versão bíblica de João Ferreira de Almeida usa aqui a expressão “tempos dos gentios”. Assim, muitos se perguntaram: ‘O que são os tempos dos gentios? Em que período de tempo estava Jesus pensando? Quando começou e quando terminaria?’

      9 Já vimos que a grande profecia de Jesus a respeito do “sinal” tem significado vital para nós, hoje. Por isso, precisamos também saber as respostas a essas perguntas.

      A QUE SE REFERE “JERUSALÉM”?

      10-12. (a) Segundo certo erudito, os acontecimentos de 29-70 E.C. tipificaram o quê? (b) Mas, que significado maior pode “Jerusalém” assumir em Lucas 21:24? (c) Como nos ajuda uma bem conhecida enciclopédia a entender este ponto de vista? (d) O que é assim representado por “Jerusalém”?

      10 Comentando a profecia de Jesus, o Professor A. T. Robertsona observa que “Jesus [estava] usando a destruição do templo e de Jerusalém, que ocorreram naquela geração, em A.D. 70, também como símbolo de sua segunda vinda e do fim do mundo ou da consumação da era”. Portanto, podemos perguntar: Além do que sobreveio a Jerusalém em 70 E.C., que significado maior ou de maior alcance poderia ter Jesus atribuído a “Jerusalém”, em Lucas 21:24?

      11 Jesus encarava Jerusalém como capital de Israel, onde reis ungidos por Jeová, da linhagem de Davi, se sentavam no “trono de Jeová”, reinando para Jeová Deus. Também, o templo dela era o centro da verdadeira adoração para toda a terra. (1 Crônicas 28:5; 29:23; 2 Crônicas 9:8) A Cyclopœdia de M’Clintock e Strong observa: “Jerusalém havia sido constituída em residência imperial do Rei de todo o Israel; e o Templo, muitas vezes chamado de ‘casa de Jeová’, constituía ao mesmo tempo a residência do Rei dos reis, o chefe supremo do estado teocrático, . . . Jerusalém, na realidade, não era politicamente importante: não era a capital dum poderoso império, dirigindo os assuntos de outros estados, mas ocupava um ponto elevado nas perspectivas luminosas preditas por Davi, quando expressou sua fé na vinda dum Messias [Salmo 2:6; 110:2].” — Volume IV, página 838.

      12 Sentarem-se os reis da linhagem de Davi no “trono do reinado de Jeová” salientava a verdade de que o reino era realmente de Deus. O reino de Israel, cujo centro era Jerusalém, era um reino típico de Deus. “Jerusalém” representava assim o reino de Deus.

      13, 14 Quando e como se iniciou o ‘pisar’ mencionado em Lucas 21:24?

      13 Lembre-se agora das palavras de Jesus: “Jerusalém será pisada pelas nações, até se cumprirem os tempos designados das nações.” (Lucas 21:24) Quando começou este ‘pisar’? Torna-se claro que começou muito antes de Jesus nascer em Belém, porque os reis humanos da linhagem de Davi há muito já haviam deixado de reinar em Jerusalém. A dinastia davídica de reis acabou quando o Rei Zedequias foi destronado pelos babilônios invasores, sob Nabucodonosor.

      14 A história exata da Bíblia nos diz o que aconteceu por causa da maldade do povo e do Rei Zedequias. Ela declara: “Subiu o furor de Jeová contra o seu povo, até que não havia mais cura. Portanto, fez subir contra eles o Rei dos caldeus [babilônios], que passou a matar os seus jovens à espada. Tudo [Deus] . . . entregou na mão [de Nabucodonosor]. E todos os utensílios, grandes e pequenos, da casa do verdadeiro Deus, e os tesouros da casa de Jeová, e os tesouros do Rei e dos seus príncipes, tudo ele levou a Babilônia. E passou a queimar a casa do verdadeiro Deus e a demolir a muralha de Jerusalém.” (2 Crônicas 36:11, 12, 16-20) Foi ali que começou o ‘pisar’.

      “PISADA” POR QUANTO TEMPO?

      15-17. (a) Quem perdeu o “direito legal” ao reino davídico, e como? (b) Quem recuperaria este direito, e por quanto tempo? (c) Portanto, que pergunta pertinente surge? (d) Por que seria apropriado que Daniel respondesse a esta pergunta?

      15 O profeta Ezequiel predisse o destronamento de Zedequias, último dos reis da linhagem de Davi a governar na Jerusalém terrestre, nas seguintes palavras:

      “Assim disse o Soberano Senhor Jeová: ‘Remove o turbante e retira a coroa. Esta não será a mesma. . . . Uma ruína, uma ruína, uma ruína a farei. Também, quanto a esta, certamente não virá a ser de ninguém até que venha aquele que tem o direito legal, e a ele é que terei de dá-lo.’” — Ezequiel 21:26, 27.

      16 Embora o Rei Zedequias perdesse então o “direito legal” ao reino davídico, o prometido Messias recuperaria este “direito” e governaria “para sempre” no reino de Deus. (Lucas 1:32, 33) Mas, quanto tempo levaria até que o reino messiânico — que havia sido tipificado pelo reino terrestre de Israel, com sua capital Jerusalém — começasse a governar?

      17 Jeová Deus sabia isso e podia indicar o período de tempo na sua Palavra, assim como predissera muitas outras coisas futuras. Jesus, no seu discurso sobre a “terminação do sistema de coisas”, referiu-se várias vezes à profecia de Daniel, na qual Deus predissera com exatidão muitos dos acontecimentos vindouros no céu e na terra. (Compare Mateus 24:3, 15, 21, 30, com Daniel 9:27; 11:31; 12:1; 7:13.) Também, não provera a profecia das “setenta semanas”, de Daniel 9:24-27, um cronograma exato para a primeira vinda do Messias? Não seria apropriado que o mesmo profeta fornecesse o tempo da segunda vinda do Messias? É no capítulo quatro de Daniel que encontramos esta informação profética que nos interessa diretamente.

      CUMPRIMENTO MAIOR

      18. (a) Qual é talvez o motivo de as histórias seculares deixarem de mencionar a loucura de Nabucodonosor? (b) Por que devemos acatar o que a Palavra de Deus diz sobre isso?

      18 Já examinamos a aplicação inicial e típica da profecia de Daniel sobre os “sete tempos” e notamos que se aplicou aos sete anos literais da loucura de Nabucodonosor. Não nos deve surpreender que a história secular não nos forneça um relato pormenorizado sobre os sete anos de ausência de Nabucodonosor do trono. Os registros antigos do Egito, da Assíria e de Babilônia são notórios pela sua omissão de tudo o que pudesse embaraçar o governante, o que é um dos motivos pelos quais não são tão fidedignos como a Palavra inspirada de Deus. É a Palavra de Deus que nos assegura que a visão do sonho se cumpriu. A linguagem da profecia indica também que haveria um cumprimento de alcance ainda muito maior, e este também ocorreu. De que modo?

      19. Por que nos ajudaria logicamente esta visão a saber a duração dos tempos dos gentios?

      19 Deve ser notado que o sonho foi dado ao Rei de Babilônia, o próprio governante mundial usado como instrumento para derrubar o reino típico de Deus na terra, estabelecendo com isso o domínio mundial por um governo gentio. Evidentemente, a visão foi também dada poucos anos depois da ocorrência desta mudança monumental — quando cessara de existir um reino típico por meio do qual Jeová exercera a soberania. Além disso, o capítulo 4 de Daniel enfatiza diversas vezes o tema de que ‘o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e o dá a quem quiser’. (Daniel 4:17, 26, 34, 35) Temos assim bons motivos para recorrer a esta visão em busca de informações sobre a duração da dominação gentia sobre a terra.

      20. Que pergunta fazemos, e onde podemos procurar a resposta?

      20 Contando o tempo a partir de quando o reino típico de Deus, com seu Rei davídico, foi derrubado, quanto tempo decorreria até que Deus expressasse novamente sua soberania por meio dum reino relacionado com a linhagem real de Davi, com o Messias qual Rei governante? O capítulo 4 de Daniel fornece a base para o cálculo da duração dos tempos dos gentios ou dos “tempos designados das nações”, durante os quais essas nações pisariam “Jerusalém” ou o reino de Deus. — Lucas 21:24.

      21. O que indicam Daniel 4:15-17 e Jó 14:7 sobre a situação após o destronamento de Zedequias?

      21 Este pisar é contado a partir do ano em que Nabucodonosor tirou o Rei Zedequias do trono em Jerusalém. A partir de então, o exercício da soberania de Jeová conforme representada pela linhagem de reis judeus foi ‘derrubado’. Ficou restrito, assim como o toco enfaixado da árvore do sonho de Nabucodonosor. Potências gentias, animalescas, dominavam a terra toda. Mas havia esperança para a “árvore”, de que ela ‘brotaria novamente’. E as pessoas vivas saberiam então “que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade”. — Daniel 4:15-17; Jó 14:7; veja Isaías 11:1, 2; 53:2.

      22. Quando e de que modo floresce novamente a “árvore” do Reino?

      22 Neste reino restabelecido, o Altíssimo governa por meio de seu Messias. Não, não por ocasião do primeiro aparecimento Deste, como homem perfeito na terra, quando os judeus o desprezaram e rejeitaram como rei. Mas, quando este “mais humilde dos homens” chega na sua glória como Rei celestial do povo de todas as nações, as faixas no toco da árvore são soltas e a “árvore” do Reino floresce novamente. Daí, com o fim dos tempos dos gentios, o reino do mundo torna-se “o reino de nosso Senhor e do seu Cristo.” — Revelação 11:15; Daniel 4:17, 25.

      OS “SETE TEMPOS” — QUAL A SUA DURAÇÃO?

      23. Por que devem os tempos dos gentios estender-se aos nossos dias?

      23 Portanto, é óbvio que os “sete tempos”, conforme aplicados aos tempos dos gentios, têm de ser mais longos do que sete anos literais. Lembre-se de que Jesus falou do ‘cumprimento’ ou fim desses tempos dos gentios em conexão com a “terminação do sistema de coisas”. (Lucas 21:7, 24; Mateus 24:3) Por isso, devem estender-se até os nossos dias. Então, qual é a sua duração?

      24. Como podemos interpretar a duração dos “sete tempos”?

      24 Recorrendo ao capítulo 12 de Revelação, notamos que os Rev. 12 versículos 6 e 14 mostram um período de 1.260 dias como sendo “um tempo, e tempos, e metade de um tempo”, ou 1 + 2 + 1/2, no total de 31/2 tempos. Assim, “um tempo” seria equivalente a 360 dias, ou 12 meses lunares com a média de 30 dias cada. “Sete tempos” ascenderiam a 2.520 dias; e a contagem profética, bíblica, de “um dia por um ano, um dia por um ano”, indica que seriam realmente um período de 2.520 anos calendares. (Números 14:34; Ezequiel 4:6) Esta é assim a duração dos “sete tempos” — os tempos dos gentios.

      25. Como entram os “setenta anos” de Jeremias 25:11 no cálculo do início dos tempos dos gentios?

      25 A consulta à Palavra de Deus ajuda-nos a determinar a data calendar do início dos tempos dos gentios. Conforme já notamos, Jeová permitiu que os babilônios vencessem seu povo, destruíssem Jerusalém e o templo dela, tirassem Zedequias do “trono do reinado de Jeová” e levassem os judeus ao exílio em Babilônia. (1 Crônicas 28:5) Acontecimentos que se seguiram “no sétimo mês” levaram os poucos judeus que restavam no país a fugir para o Egito, de modo que Judá ficou então completamente desolada. (2 Reis 25:1-26; Jeremias 39:1-10; 41:1 a 43:7) Jeremias, profeta de Jeová, havia predito que a desolação duraria 70 anos. (Jeremias 25:8-11) Daí, Jeová ‘ajustaria contas com o Rei de Babilônia pelo seu erro’ e ‘traria Seu povo de volta a este lugar’, a pátria deles. — Jeremias 25:12; 29:10.

      26. (a) De que foi Daniel testemunha ocular, e o que discerniu ele? (b) Como podemos saber o mês e o ano em que se cumpriu a profecia de Daniel sobre o restabelecimento? (c) Especificamente, qual é essa data?

      26 O próprio Daniel viveu no exílio babilônico por muitos anos. Na noite em que Babilônia caiu diante dos medo-persas, ele foi testemunha ocular do cumprimento de sua própria profecia e de outras profecias contra aquela cidade. (Daniel 5:17, 25-30; Isaías 45:1, 2) Os historiadores calculam que Babilônia caiu no começo de outubro do ano 539 A.E.C. Pouco depois, Daniel discerniu à base da profecia de Jeremias que o cativeiro e a desolação de Jerusalém, de 70 anos, estavam prestes a acabar. (Daniel 9:2) E ele tinha razão! No primeiro ano de Ciro, o Persa, que a maioria dos historiadores datam como começando na primavera (setentrional) de 538 A.E.C., Ciro emitiu um decreto que permitiu aos judeus voltarem para a sua pátria, a fim de povoá-la de novo e reconstruir ali o templo de Jeová. (2 Crônicas 36:20-23; Esdras 1:1-5) O relato histórico, inspirado, conta-nos que os judeus acataram prontamente o decreto de Ciro, de modo que, “ao chegar o sétimo mês, os filhos de Israel estavam nas suas cidades”. (Esdras 3:1) Segundo o nosso calendário, seria em outubro de 537 A.E.C., data que assinala assim a terminação dos preditos 70 anos de desolação.

      27. (a) Então, quando devem ter tido início os 70 anos, e com que acontecimento? (b) Qual foi a duração dos “sete tempos” e, portanto, quando devem ter terminado? (c) Que outra grande potência começou a ter cumprimento naquela data exata? (d) Que informação tem propagado A Sentinela já por mais de 100 anos?

      27 Esta informação histórica é importante para determinarmos o início dos “tempos designados das nações”. Visto que os 70 anos da desolação de Judá e de Jerusalém terminaram em 537 A.E.C., eles começaram em 607 A.E.C. Este foi o ano em que Zedequias deixou de se sentar no “trono do reinado de Jeová”, em Jerusalém. Portanto, assinala também a data do começo dos tempos dos gentios. Contarmos a partir de outubro de 607 A.E.C., os “sete tempos” de 2.520 anos levam-nos ao começo de outubro de 1914 E.C., quando, conforme já vimos, passou a cumprir-se a grande profecia de Jesus sobre a “terminação do sistema de coisas”. A informação fidedigna da Palavra de Deus é a base para esta conclusão, que a revista A Sentinela já está propagando por mais de 100 anos.

      28, 29. (a) O que, a respeito dos registros seculares, deve tornar-nos gratos pelos pormenores preservados na Palavra de Deus? (b) Por que há forte motivo de se preferir o outubro de 1914 acima de outras datas para o fim dos tempos dos gentios?

      28 Podemos deveras ser gratos de que Jeová preservou na sua Palavra inspirada um quadro exato dos pormenores necessários envolvendo os judeus, os babilônios e os medo-persas do sexto século A.E.C. Senão, seria difícil calcular o tempo exato dos acontecimentos lá naquele tempo, porque os registros seculares daquele período certamente são incompletos.

      29 No entanto, baseados primariamente em tais registros seculares, alguns calculam que Jerusalém foi destruída em 587/6 A.E.C., e que os judeus caíram sob o domínio babilônico no ano de ascensão de Nabucodonosor, que calculam ter sido 605 A.E.C.b Afirmam assim que 605 A.E.C. é a data em que Jeremias 25:11 começou a cumprir-se: “Toda a terra será uma desolação; e eles servirão entre os gentios por setenta anos.” (Septuagint grega de Bagster) Se fosse assim, e se os tempos dos gentios fossem contados a partir de então, isso colocaria o fim dos “sete tempos” proféticos no ano de 1916, na Guerra Mundial. No entanto, conforme já declarado, cremos que há um motivo muito mais forte para aceitarmos a informação da Palavra inspirada de Deus, que indica o início dos tempos dos gentios como tendo sido em outubro de 607 A.E.C. e seu fim, em outubro de 1914 E.C.

      30. Que conjunto de acontecimentos identifica o período que começou em 1914 como sendo os “últimos dias”?

      30 Podemos sentir-nos felizes de que Deus, há muito, mandou registrar na sua Palavra as profecias que fornecem tão claramente o tempo da vinda de Jesus, como Messias, em 29 E.C., e também de sua “presença” como glorioso Rei celestial, a partir de 1914 E.C. Enquanto prossegue a “terminação do sistema de coisas”, vemos em volta de nós a intensificação das condições às quais Jesus nos mandou estar atentos. As guerras mundiais, as fomes, as pestilências, os terremotos, a violação da lei, a falta de amor, os ódios e as perseguições movidas aos que defendem princípios bíblicos — todos estes se conjugam para identificar para nós os “últimos dias”. — 2 Timóteo 3:1; Mateus 24:3-12; Marcos 13:7-13.

      QUANDO VIRÁ O MILÊNIO?

      31. (a) Que conselho dá Jesus para os nossos dias, e por quê? (b) Que pergunta podemos ficar inclinados a fazer, e qual é a resposta de Jeová?

      31 Quanto tempo durará esta situação temível? Visto que Cristo Jesus já está agora entronizado como Rei-Guerreiro, há bons motivos para se crer que não demorará muito até que ele execute o julgamento nos inimigos de Deus. “Acerca daquele dia e daquela hora ninguém sabe”, de modo que não ganhamos nada com especulações. Todavia, devemos acatar o conselho de Jesus: “Mantende-vos vigilantes.” (Marcos 13:32; Mateus 24:42) Ao encararmos a piora das condições na terra e sentirmos como as pessoas, em geral, são indiferentes às boas novas do Reino, podemos ficar inclinados a perguntar, assim como fez o profeta de Deus, sobre a nossa pregação: “Até quando, ó Jeová?” A que Jeová respondeu:

      “Até que as cidades realmente se desmoronem em ruínas, para ficarem sem habitante, e as casas estejam sem homem terreno, e o próprio solo fique arruinado em desolação.” (Isaías 6:10-12)

      No seu tempo designado, Jeová executará este julgamento primeiro na cristandade e depois em todos os outros segmentos do mundo de Satanás. Seguir-se-á logo após o reinado milenar de paz, de Cristo. — Revelação 20:1-3, 6.

      “ESTA GERAÇÃO” — QUAL?

      32. Que pergunta surge em vista de Mateus 24:34?

      32 Na sua grande profecia sobre o “sinal”, Jesus assegura-nos: “Deveras, eu vos digo que esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram.” (Mateus 24:34) Visto que ele não atribui nenhum tempo específico à duração duma geração, o que devemos entender por “esta geração”?

      33. (a) Qual era a ‘‘geração’’ do tempo de Jesus? (b) De maneira correspondente, o que se pode dizer da “geração” de 1914-1918?

      33 Nos dias de Jesus, alguns dos discípulos, que ouviram suas palavras, bem como outros de seus contemporâneos, sobreviveram à “tribulação” final do sistema judaico de coisas. Eles eram a “geração” do tempo de Jesus. Na ocasião em que se escreve isto, só nos Estados Unidos há mais de 10.000.000 de pessoas ainda vivas que tinham idade bastante para observar o “princípio das dores de aflição”, em 1914-1918. Alguns destes ainda poderão sobreviver por muitos anos. No entanto, Jesus assegura-nos que, antes de “esta geração” desaparecer, ele virá como “Filho do homem” para executar o julgamento no sistema de coisas de Satanás. (Mateus 24:8, 21, 37-39) Devemos manter-nos despertos, na expectativa desta ‘vinda do reino’. — Lucas 21:31-36.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Word Pictures in the New Testament, Vol. I, p. 188.

      b Veja o Apêndice, página 186.

      [Quadro na página 135]

      O CÁLCULO DOS “SETE TEMPOS”

      7 “tempos” = 7 x 360 = 2.520 anos

      (o “tempo” ou ano bíblico sendo a média entre o ano lunar de 354 dias e o ano solar de 365 1/4 dias)

      de 607 A.E.C. a 1 A.E.C. = 606 anos

      de 1 A.E.C. a 1 E.C. = 1 ano

      de 1 E.C. a 1914 E.C. = 1.913 anos

      de 607 A.E.C. a 1914 E.C. = 2.520 anos

      [Quadro na página 140]

      “A GERAÇÃO DE 1914”

      Num livro com o título acima, Robert Wohl “sugere que as gerações não são matematicamente definíveis em termos de números de anos, mas aglomeram-se em torno de grandes crises históricas, das quais a primeira guerra mundial é o exemplo supremo”. — The Economist, 15 de março de 1980.

  • Promotores leais do Reino
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 15

      Promotores leais do Reino

      1. Que grandes acontecimentos predisse Daniel?

      A PROFECIA de Daniel fixara com muita antecedência 29 E.C. como o ano do aparecimento do Messias qual homem, e também 1914 E.C. como o ano de sua entronização na glória celestial. Além disso, Daniel predisse em pormenores como se resolverá a grande controvérsia sobre a dominação do mundo.

      2. Que questão precisa agora ser julgada, e em que tribunal?

      2 A grande questão do governo legítimo da terra precisa agora ser definitivamente julgada. Mas em que tribunal? Ora, no tribunal mais elevado de todo o universo! Daniel descreve isso nas seguintes palavras:

      “Eu estava observando até que se colocaram uns tronos e o Antigo de dias se assentou. Sua vestimenta era branca como a neve e o cabelo de sua cabeça era como pura lã. Seu trono era chamas de fogo; as rodas dele eram fogo ardente. De diante dele corria e saía um rio de fogo. Mil vezes mil lhe ministravam e dez mil vezes dez mil ficavam de pé logo diante dele. Assentou-se o Tribunal e abriram-se livros.” — Daniel 7:9, 10.

      3. (a) Quem é o Juiz? (b) O que mostram os “livros”? (c) Que julgamento é feito?

      3 O “Rei da eternidade”, Jeová Deus, passou assim a assentar-se em julgamento. (Revelação 15:3) Mas, quais são os “livros” agora abertos diante dele? São o registro lastimável do governo das nações no decorrer da história. Com o fim dos tempos dos gentios em 1914 E.C., “o Tribunal” retira apropriadamente a autoridade do “domínio” deles, embora lhes fosse “dado prolongamento de vida por um tempo e uma época” — até o julgamento realmente ser executado neles no Armagedom. — Daniel 7:12; Revelação 16:14, 16.

      4, 5. (a) A quem é dado o domínio? (b) Como somente podemos discernir a presença do Rei?

      4 A quem se dá então o domínio? Daniel prossegue:

      “Continuei observando nas visões da noite e eis que aconteceu que chegou com as nuvens dos céus alguém semelhante a um filho de homem; e ele obteve acesso ao Antigo de dias, e fizeram-no chegar perto perante Este. E foi-lhe dado domínio, e dignidade, e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o servissem. Seu domínio é um domínio de duração indefinida, que não passará, e seu reino é um que não será arruinado.” — Daniel 7:13, 14.

      5 Quem é este “semelhante a um filho de homem”? Não é outro senão o glorificado Senhor Jesus Cristo. Visto que “as nuvens dos céus” simbolizam invisibilidade, é com o olho discernidor da fé que percebemos o “sinal” celestial de sua presença, bem como o “sinal” que se tornou evidente nos acontecimentos na terra, no “princípio das dores de aflição” em 1914 E.C. — Mateus 24:3, 7, 8, 30; Revelação 1:7.

      6. (a) A respeito de quem mais se faz um julgamento? (b) O que recebem estes, e como?

      6 Notamos na profecia de Daniel que se faz a seguir um julgamento “a favor dos santos do Supremo”, e que estes também recebem “o reino, e o domínio, e a grandiosidade dos reinos debaixo de todos os céus”. (Daniel 7:22, 27) Quem são estes “santos”? Contrastam-se obviamente com os governantes corruptos e egocêntricos que há nos governos humanos, os quais têm oprimido o povo por muito tempo. Não são outros senão os 144.000 “santos” ungidos, humanos que “não têm mácula” quanto à sua integridade e que são “comprados dentre a humanidade” para se tornarem co-regentes com “o Filho do homem” no reino celestial dele. São ressuscitados para estarem com ele “no último dia”. (Revelação 14:3-5; Mateus 24:30; João 6:40) Na vinda de Jesus ao seu reino, encontra-se um restante desses “santos” bem vivos aqui na terra. E estes têm um trabalho a fazer!

      DEFENSORES DA PALAVRA DE DEUS

      7, 8. (a) Que grupo iniciou uma obra preparatória, e quando? (b) O que deixaram de lado? (c) O que promoveram firmemente? (d) Para que data apontaram? (e) Que instrumento têm usado para anunciar o reino de Deus?

      7 Com a aproximação do tempo para “o Filho do homem” receber o seu reino, era evidentemente da vontade de Deus que se fizesse aqui na terra uma obra preparatória. Na década de 1870, Charles T. Russell organizou um pequeno grupo de cristãos dedicados, em Pittsburgh, Pensilvânia, E.U.A. Estes logo se deram conta de que as religiões da cristandade se baseiam em doutrinas e ritos babilônicos, acompanhados do ensino de Platão sobre a alma imortal, e que não se baseiam na Palavra de Deus. Deixando de lado a religião falsa, os deste pequeno grupo tornaram-se firmes promotores dos ensinos bíblicos sobre o resgate de Jesus, a ressurreição e o reino de Deus como esperança para a humanidade sofredora.

      8 Por meio da revista A Sentinela, que tem sido publicada continuamente desde julho de 1879 (começando em inglês), Russell e seus companheiros defenderam francamente o ensino bíblico da criação contra a teoria da evolução, de Darwin. ‘Dirigiram a mangueira de água contra o inferno’ por mostrar com a Bíblia que nunca houve um lugar ardente de tormento para ‘as almas dos falecidos’, mas que o “inferno” bíblico é a sepultura. (Salmo 16:10; Atos 2:29-32) Apontaram para 1914 E.C. como data marcada em conexão com a ‘vinda’ do reino de Deus. Até o dia de hoje, A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová, que é publicada em mais de 100 idiomas diferentes e em milhões de exemplares de cada número, promove realmente o reino de Deus por Cristo como a única esperança das nações da humanidade. — Mateus 12:21; Salmo 145:10-12.

      9. Como se cumpriu nestas “testemunhas” Revelação 11:7-12?

      9 Depois de servir fielmente por mais de 30 anos como primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos E.U.A.), C. T. Russell faleceu em 31 de outubro de 1916 e foi sucedido por J. F. Rutherford. Os clérigos usavam a situação de guerra para criar oposição à mensagem do Reino. Reuniões cristãs foram dissolvidas. Servos fiéis de Deus foram encarcerados em diversos países. Rutherford e mais sete ministros responsáveis da sede da Torre de Vigia em Brooklyn, Nova Iorque, E.U.A., foram sentenciados a muitos anos de prisão. Todavia, esses servos de Deus não ficaram desanimados, porque a profecia bíblica predissera tais perseguições. Por exemplo, Revelação 11:7-12 descreve as nações do mundo sob o símbolo duma “fera” como que guerreando contra as “testemunhas” de Deus, para ‘vencê-las e matá-las’. Seu profetizar seria interrompido e elas ficariam figurativamente como cadáveres expostos por bastante tempo, para se tornarem mau cheiro na “rua larga” da cristandade. Tudo isso aconteceu sendo os servos de Deus, em todo o mundo, expostos à zombaria do público. No entanto, quando a histeria da guerra diminuiu e os encarcerados foram soltos — completamente exonerados das falsas acusações lançadas contra eles — “entrou neles espírito de vida da parte de Deus”. Foram elevados a uma posição de favor divino, e, a partir de 1919, entraram num período de zelosa atividade do Reino. — Isaías 52:7, 8; Romanos 10:15.

      “BABILÔNIA, A GRANDE”, CAI!

      10. Em que culpa incorreram as religiões da cristandade, e como?

      10 Durante aqueles anos de guerra, os clérigos da cristandade não somente tomaram a dianteira na perseguição dos verdadeiros cristãos, mas também rejeitaram a evidência de que o reino de Deus estava próximo. Tinham o seu próprio “reino” religioso, o de “Babilônia, a Grande”. (Revelação 17:5, 6, 18) Em ambos os lados em guerra, pregavam aos jovens nas trincheiras e davam apoio de coração àquela terrível matança. Por esta ação, os clérigos da cristandade ainda levam uma grande culpa de sangue, iguais aos líderes religiosos da antiga Jerusalém, sobre quem disse o profeta de Jeová: “Nas tuas saias foram achadas as manchas de sangue das almas dos pobres inocentes.” — Jeremias 2:34; 19:3, 4; veja também Mateus 23:34, 35.

      11. De que maneira se aplica Ezequiel 22:3, 4, 16, à cristandade?

      11 Esta culpa pelo sangue derramado foi então acrescentada à idolatria da cristandade e ao seu ensino de doutrinas babilônicas, falsas. Por isso, as palavras do profeta Ezequiel também passaram a aplicar-se à cristandade apóstata:

      “Assim disse o Soberano Senhor Jeová: ‘Ó cidade que derrama sangue no seu meio até chegar o seu tempo, e que fez ídolos sórdidos no seu meio para se tornar impura, pelo teu sangue que derramaste tornaste-te culpada, e pelos teus ídolos sórdidos que fizeste tornaste-te impura. E fazes chegar perto os teus dias e chegarás aos teus anos. Por isso terei de fazer-te objeto de vitupério para as nações e troça para todas as terras. E certamente serás profanada em ti mesma perante os olhos das nações, e terás de saber que eu sou Jeová.”’ — Ezequiel 22:3, 4, 16.

      12. (a) Que acontecimento momentoso ocorreu em 1919? (b) Em que beneficiou isso o povo de Deus na terra?

      12 A religião da cristandade, culpada de derramar sangue, foi rejeitada pelo próprio Deus, Jeová, a quem professa adorar, mas cujo nome ela não mais gosta de usar. No ano de 1919 E.C., ela, junto com todas as religiões babilônicas em todo o mundo, sofreu uma grande queda. Não mais podia ter qualquer posição perante o Altíssimo. Não mais podia exercer controle sobre os verdadeiros adoradores de Jeová. Tampouco o podia fazer qualquer outra parte de Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa. Porque “o Soberano Senhor Jeová” fez então a seguinte chamada aos “santos” fiéis na terra:

      “‘Eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que te ensina a tirar proveito, Aquele que te faz pisar no caminho em que deves andar.’ Saí de Babilônia! . . . Proclamai até com o som dum clamor jubilante, fazei que se ouça isso.” (Isaías 48:16, 17, 20)

      Qual é este “som dum clamor jubilante” e onde foi ouvido?

      INICIA-SE O TESTEMUNHO GLOBAL

      13. (a) Que aspecto do “clamor jubilante” tornou-se então destacado? (b) Que chamada alta e clara foi feita então?

      13 “O Filho do homem” descreveu um aspecto destacado desse “clamor jubilante” na sua profecia sobre a “terminação do sistema de coisas”, dizendo:

      “E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” (Mateus 24:3, 14, 37)

      Mas os “santos” precisavam ficar organizados para realizar esta obra. Tampouco podiam realizá-la na mera força humana. Felizmente, em congressos internacionais realizados em Cedar Point, Ohio, E.U.A., em 1919, e novamente em 1922, derramou-se sobre eles o espírito de Jeová, de maneira maravilhosa. Organizou-os e deu-lhes energia para ‘anunciar, anunciar, anunciar o Rei e seu reino’. (Mateus 24:31) Uma grande obra aguardava os “escolhidos”, que se apegavam à esperança celestial.

      14. Como tem a profecia de Joel agora um cumprimento maior?

      14 Assim como a profecia de Joel se cumprira em Pentecostes de 33 E.C., durante os “últimos dias” do sistema judaico de coisas, ela começou agora a ter um cumprimento maior durante os “últimos dias” do sistema mundial de Satanás. Esclarecidos e motivados pelo espírito de Deus, os hodiernos ‘filhos e filhas’ ungidos de Jeová ‘certamente profetizaram’, ao se atarefarem em avisar o mundo da humanidade sobre a aproximação do “grande e ilustre dia de Jeová” e sobre a necessidade urgente de “invocar o nome de Jeová” para ser salvo. — Atos 2:16-21; Joel 2:28-32.

      “ESCRAVO” FIEL

      15. (a) Quem é o “escravo fiel e discreto”? (b) Como é novamente identificado nos tempos modernos?

      15 Na sua grande profecia sobre o “sinal”, Jesus fizera a pergunta:

      “Quem é realmente o escravo fiel e discreto a quem o seu amo designou sobre os seus domésticos, para dar-lhes o seu alimento no tempo apropriado?”

      A classe dum “escravo” fiel havia servido entre os primitivos cristãos até o início da grande apostasia. Encontramos novamente tal organização ‘escrava’ distribuindo alimento espiritual na época em que o Senhor Jesus entra no seu reino? Encontramos! Esses “Estudantes da Bíblia”, conforme foram então chamados, haviam feito uma obra global, preparatória. E Jesus disse:

      “Feliz aquele escravo, se o seu amo, ao chegar, o achar fazendo assim. Deveras, eu vos digo: Ele o designará sobre todos os seus bens.” — Mateus 24:45-47.

      16. (a) Como tem cuidado o “escravo” dos “bens” do Amo? (b) Que nome bíblico foi aceito alegremente pelo “escravo”?

      16 Reconhecendo esta designação por parte do Amo, o “escravo” composto e ungido tem cuidado bem dos interesses do Reino na terra, empenhando-se na divulgação das “boas novas”. Durante a década de 1920, proclamaram-se poderosas mensagens de julgamento contra Satanás e sua organização, especialmente contra a religião babilônica. Em 1931, o “escravo” aceitou com alegria o nome que o destacava nitidamente de toda a religião falsa — o nome “Testemunhas de Jeová” — junto com a responsabilidade e o privilégio indicados pelo profeta Isaías nas seguintes palavras:

      “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘sim, meu servo a quem escolhi. . . . Eu é que sou Jeová, e além de mim não há salvador. . . . Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus’.” — Isaías 43:10-12.

      17. Que pergunta requer agora uma resposta?

      17 Visto que os membros ungidos, remanescentes, ascendiam apenas a algumas dezenas de milhares, como podia o “escravo” fazer com que ‘estas boas novas do reino fossem pregadas em toda a terra habitada, em testemunho’? Jeová havia de fornecer logo a resposta.

      [Fotos nas páginas 148, 149]

      O TEMA DO REINO na BÍBLIA

      A PROMESSA EDÊNICA DO “DESCENDENTE” DO REINO.

      “DESCENDENTE” PREDITO A ABRAÃO E DAVI.

      PREGAÇÃO DO REINO — SACRIFÍCIO RESGATADOR DO REI.

      O REINO DE 1.000 ANOS RESTABELECE O PARAÍSO.

      O REINO ‘VEM’ PARA DESTRUIR O DOMÍNIO INSTITUÍDO PELO HOMEM.

      REINO ESTABELECIDO — “ÚLTIMOS DIAS” DESDE 1914.

  • “Uma grande multidão” aclama o Rei
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 16

      “Uma grande multidão” aclama o Rei

      1, 2. (a) Como passou Jeová a cumprir sua profecia de Isaías 60:22? (b) Que revelação notável de verdade divina foi feita em 1935?

      JEOVÁ declarou por meio de seu profeta: “O próprio pequeno tornar-se-á mil e o menor, uma nação forte. Eu mesmo, Jeová, apressarei isso ao seu próprio tempo.” (Isaías 60:22) E Jeová passou maravilhosamente a ‘apressar isso’. Em 1935, as Testemunhas de Jeová reuniram-se num congresso em Washington, D.C., E.U.A. Ali se divulgou que Jeová estava passando a ajuntar “uma grande multidão” de “outras ovelhas” — pessoas tementes a Deus, as quais, pela ‘vinda’ do reino de Deus, obteriam vida eterna na terra paradísica. — João 10:16; Revelação 7:9.

      2 O capítulo 7 de Revelação descreve isso da seguinte maneira: “Depois” da selagem do “pequeno rebanho” de herdeiros do Reino, que ascendem a 144.000, vê-se “uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas”, em pé diante do trono de Deus. Estes reconhecem a soberania de Jeová como exercida por meio de seu Cristo. Atribuem alegremente a salvação a Deus e ao Cordeiro. Como grupo, nunca precisarão morrer, porque são “os que saem da grande tribulação” para herdar a vida eterna na terra purificada. — Revelação 7:4, 9, 10, 14; Lucas 12:32.

      3. (a) Aconteceu mesmo que o “pequeno” se tornou “mil”? (b) Como poderá participar no cumprimento de Revelação 7:15-17?

      3 Já tomou hoje seu lugar entre os desta “grande multidão” de adoradores? É um dos mais de 2.000.000 daqueles que ‘prestam serviço sagrado a Deus’ em toda a terra? É verdade que ainda está cercado pelo mundo opressivo e iníquo de Satanás, e talvez tenha de suportar muitas pressões na sua vida diária. Mas, se for uma das “ovelhas” do Senhor, estará sob os cuidados protetores de Deus. Não precisará mais ter fome ou sede por falta de sustento espiritual. Não terá mais de temer o desagrado ardente de Deus, porque o Cordeiro o pastoreará e guiará a “fontes de águas da vida”. Assim, em sentido figurativo, já estará participando no cumprimento da promessa: “E Deus enxugará toda lágrima dos olhos deles.” — Revelação 7:15-17.

      O REI ABENÇOA SUAS “OVELHAS”

      4. Que relação existe entre Jesus e seu “pequeno rebanho”?

      4 Nos tempos bíblicos, e mesmo nos nossos dias, o pastor oriental tem uma relação muito íntima com as suas ovelhas. Chama a cada uma delas por nome, e elas conhecem a sua voz, e respondem prontamente quando as faz entrar ou sair do aprisco. No capítulo 10 de João, Jesus aproveitou isso para ilustrar, primeiro, a relação amorosa entre ele e seu “pequeno rebanho” de 144.000 seguidores ungidos, dizendo: “Eu sou o pastor excelente, e conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e entrego a minha alma em benefício das ovelhas.” Estas tornam-se parte do “descendente de Abraão”, por meio de quem “todas as famílias” da terra hão de abençoar a si mesmas. — João 10:14, 15; Gênesis 12:3; Gálatas 3:28, 29.

      5. (a) Que outra relação feliz é mencionada em João 10:16? (b) Que privilégios usufruem agora os das “outras ovelhas”, e qual é a perspectiva futura deste grupo?

      5 Então, qual é a relação do “pastor excelente” com as famílias da humanidade, que hão de viver para sempre na terra? Uma relação muito bendita! Porque Jesus diz a seu respeito:

      “E tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco [do “pequeno rebanho”]; a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor.”

      Hoje pode-se observar uma “grande multidão” destas “outras ovelhas” pastando ao lado do “pequeno rebanho” — todos obedecendo unicamente à “voz” de seu pastor na pregação destas “boas novas do reino . . . em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”. Feliz é o seu quinhão, se for um desses! (João 10:16; Mateus 24:14) Sob o governo do Reino, o número das “outras ovelhas” aumentará a bilhões, por meio da ressurreição dos mortos terrestres, ao passo que se completar o propósito de Deus, de povoar a terra com humanos justos. — Gênesis 1:28.

      6. Como indica a profecia de Jesus quando haviam de destacar-se as “outras ovelhas”?

      6 Que as “outras ovelhas” passam a destacar-se na “terminação do sistema de coisas” é demonstrado pela ilustração com que Jesus encerrou sua profecia sobre o “sinal” de sua presença. (Mateus 24:3) Ele disse:

      “Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentará no seu trono glorioso. E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda.” (Mateus 25:31-33)

      Visto que o glorioso Rei e seus anjos são invisíveis aos olhos humanos, como faz ele a sua obra de separação?

      7. (a) Como é orientada a obra de separação? (b) O que terá de fazer para receber um julgamento favorável, e por quê?

      7 Os santos anjos orientam esta obra. (Revelação 14:6-12; veja Atos 8:26-29; 10:1-8.) E aqui, na terra, os remanescentes do “pequeno rebanho”, que são chamados de “irmãos” do Rei, em Mateus 25:40, tomam a dianteira na pregação das “boas novas”. O Rei julga as pessoas segundo a reação delas aos seus “irmãos” e à mensagem do Reino que proclamam. O que fazem a seus “irmãos” é contado por ele como feito a ele mesmo. Os que acolhem os “irmãos” do Rei de modo hospitaleiro candidatam-se a uma bênção. É um destes? Naturalmente, terá de agir em harmonia com isso, aceitando a mensagem do Reino de todo o coração e tornando-se servo dedicado e batizado de Jeová, à base do nome de Jesus — pois “não há salvação em nenhum outro”. — Atos 4:12; Mateus 25:35-40.

      8. Em que convite e promessas poderá participar?

      8 Se for um dos que são as “outras ovelhas?” do Senhor, o que poderá esperar? Qual será o resultado, se obedecer à “voz” de seu “pastor excelente” e “rei”? Ao proferir o julgamento, o Rei diz às “ovelhas” humildes à sua direita de favor: “Vinde, vós os que tendes sido abençoados por meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo.” Poderá esperar compartilhar as bênçãos do Reino procedentes de nosso Pai, visto que ‘os justos partirão para a vida eterna’. (Mateus 25:34, 46) Sim, poderá esperar compartilhar o cumprimento de muitas promessas proféticas, tais como a de Isaías, que diz a respeito de Jeová: “Ele realmente tragará a morte para sempre, e o Soberano Senhor Jeová certamente enxugará as lágrimas de todas as faces. E de toda a terra ele tirará o vitupério de seu povo, pois o próprio Jeová falou isso.” Homens iníquos talvez o vituperem ainda por um pouco de tempo. Mas a promessa de Deus é que todos os que esperam em Jeová entrarão em breve num verdadeiro “banquete” de coisas boas na “nova terra”. Desejará participar neste “banquete”, não é verdade? — Isaías 25:6-9; 66:22.

      “CABRITOS” E PERSEGUIÇÕES

      9, 10. (a) Por que não é hoje fácil seguir a justiça? (b) Que atitude deverá adotar para com os opositores, e que ajuda poderá esperar de Deus?

      9 Talvez não lhe seja fácil seguir o caminho da justiça nestes “últimos dias”. Satanás e seus fantoches talvez o escarneçam, ao passo que fazem sua última tentativa total de arruinar esta terra e a humanidade sobre ela. (2 Pedro 3:3, 4; 2 Timóteo 3:1) Quando visitar seus vizinhos com a mensagem do Reino, talvez verifique que alguns deles mostram uma disposição caprina. Fazem isso por mostrarem indiferença ou rudeza, ou por oposição direta. — Mateus 25:33, 42-45.

      10 No entanto, como uma das “ovelhas” do Senhor, não deverá tentar julgar quem talvez seja “cabrito”. O julgamento cabe ao Rei, não às suas “ovelhas” aqui na terra. (Veja Romanos 14:10-12.) E embora possa enfrentar oposição, por ter-se tornado proclamador das “boas novas”, Deus o fortalecerá para fazer a vontade dele, assim como o apóstolo Pedro indicou nas seguintes palavras: “O próprio Deus de toda a benignidade imerecida . . . completará o vosso treinamento; ele vos fará firmes, ele vos fará fortes.” (1 Pedro 5:10; veja 2 Coríntios 12:10.) Também o apóstolo Paulo dá esta boa admoestação: “Não sejais indolentes nos vossos quefazeres [do Reino]. Sede fervorosos de espírito. Trabalhai como escravos para Jeová. Alegrai-vos na esperança. Perseverai em tribulação. Persisti em oração.” — Romanos 12:11, 12.

      11. Qual poderá ser o resultado feliz dum comportamento cristão exemplar?

      11 O serviço leal que presta a Jeová e as orações fervorosas que faz a ele, junto com seu comportamento exemplar como cristão, podem resultar em que alguns que no começo pareciam ser “cabritos” passem a ser “ovelhas”. A conduta paciente e respeitosa das esposas cristãs muitas vezes foi eficiente em convencer “sem palavra” o marido incrédulo. (1 Pedro 3:1, 2) Certamente, não queremos ver pessoas partirem “para o decepamento eterno”, mas, antes, devemos querer ajudá-las a se livrarem da disposição caprina para obterem a vida eterna. — Mateus 25:41, 46.

      “OVELHAS” LEAIS MANTÊM A INTEGRIDADE

      12. Como se apoiaram mutuamente os “irmãos” do Rei e os das “ovelhas”, nos tempos modernos?

      12 Deve ser notado que as “ovelhas” da ilustração de Jesus fizeram empenho extraordinário para ministrar aos “irmãos” do Rei, enquanto estes estavam doentes ou na prisão. E hoje, em algumas partes da terra, privações e perseguições, doenças e encarceramento não só afligem os do “pequeno rebanho”, mas também os das “outras ovelhas” que servem junto com eles com tanta lealdade e união. Por exemplo, durante o período de 1933 a 1945, quando o nazista Hitler fez seu empenho para obter o domínio do mundo, as Testemunhas de Jeová sofreram amarga perseguição — primeiro nos países nazi-fascistas e depois em todas as nações em guerra. Muitos foram mortos, tanto do “pequeno rebanho” como das “outras ovelhas” do Senhor. Mas eles venceram maravilhosamente por se apegarem firmemente à sua integridade ao Rei e ao reino dele!

      13, 14. Que contraste se notou entre a atitude das religiões da cristandade e a das Testemunhas de Jeová?

      13 O contraste entre a atitude transigente das religiões da cristandade e a integridade das Testemunhas de Jeová sob pressão tem sido comentado muitas vezes pelos historiadores. Por exemplo, no livro História do Cristianismo, publicado em inglês em Londres, na Inglaterra, em 1976, Paul Johnson diz primeiro a respeito das igrejas católica e evangélica na Alemanha de Hitler: “Ambas as igrejas, na maior parte, deram maciço apoio ao regime. Os bispos católicos acolheram bem ‘a nova e forte ênfase na autoridade no estado alemão’; o Bispo Bornewasser disse aos jovens católicos, na Catedral de Trier: ‘Com cabeças erguidas e passo firme, entramos no novo reich e estamos preparados a servi-lo com toda a força de nosso corpo e de nossa alma.’ Em janeiro de 1934, Hitler encontrou-se com doze líderes evangélicos, e, depois desta reunião, estes . . . emitiram um comunicado que penhorava que ‘os líderes da Igreja Evangélica Alemã afirmam unanimemente sua lealdade incondicional ao Terceiro Reich e seu líder’.”

      14 Daí, referente aos poucos professos cristãos que, segundo ele disse, “se apegaram aos seus princípios”, o escritor prossegue: “Os mais valentes eram as Testemunhas de Jeová, que proclamavam desde o começo a sua franca oposição doutrinal e sofreram concordemente. Negaram-se a dar qualquer cooperação ao estado nazista, que declararam como sendo totalmente mau. . . . Muitos foram sentenciados à morte por recusarem o serviço militar. . . . ou acabaram em Dachau ou em manicômios. Um terço deles foram realmente mortos; noventa e sete por cento sofreram perseguição de uma forma ou de outra. Foi o único grupo cristão que despertou a admiração de Himmler.”

      15. (a) Qual é sua reação diante da carta típica apresentada aqui? (b) Que esforço fez Satanás durante a Segunda Guerra Mundial, e que evidência há de que ele fracassou?

      15 Não foi como pacifistas, mas como cristãos neutros que apoiavam o iminente reino de Deus, que os jovens Testemunhas enfrentaram encarceramento e execução, em vez de violarem a integridade, conforme atesta uma típica ‘última carta’ publicada aqui. Em toda a terra, quer em países do Eixo quer dos Aliados, os “irmãos” do Rei e seus companheiros, “ovelhas”, foram atacados, espancados, encarcerados e maltratados. Mas venceram na sua guerra espiritual. O Diabo não conseguiu quebrantar a sua lealdade ao Reino. Iguais a Jesus antes deles, mostraram que ‘não faziam parte’ do mundo de Satanás. — João 15:19.

      O PROGRAMA EDUCATIVO DO REINO

      16, 17. (a) Que programa educativo e obra ampliada iniciaram-se então? (b) Que frutos desta obra podem ser observados?

      16 O presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos E.U.A.), J. F. Rutherford, faleceu em 1942, sendo sucedido por Nathan H. Knorr. Pouco depois, estabeleceu-se a Escola do Ministério Teocrático em todas as congregações das Testemunhas de Jeová, e esta tem servido inestimavelmente para treinar as Testemunhas, homens e mulheres, para falarem da mensagem do Reino com mais eficácia e persuasão aos outros. No decorrer dos anos, proveram-se diversos compêndios para esta escola. Tampouco se desconsiderou o campo missionário. Em 1.º de fevereiro de 1943, estabeleceu-se a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia no Estado de Nova Iorque. De muitos países da terra, milhares de experientes ministros de tempo integral (“pioneiros”) foram levados aos E.U.A., instruídos e enviados a “toda a terra” para pregar “estas boas novas do reino”. — Mateus 24:14; Romanos 10:18.

      17 Que fruto maravilhoso foi produzido por esta campanha global de instrução! Ao passo que avançamos dentro da década de 1980, o total dos que tomam do pão e do vinho na Comemoração anual da morte de Jesus, indicando assim a sua esperança de ficarem unidos com ele no seu reino celestial, caiu para menos de 10.000, ao passo que mais dos “irmãos” do Rei terminam sua carreira terrestre em integridade. Mas o total dos demais que assistem à Comemoração, que têm interesse em viver para sempre na terra como súditos do Reino, ultrapassou 5.700.000. Em mais de 43.000 congregações das Testemunhas de Jeová em toda a terra, atualmente, os da “grande multidão” de “outras ovelhas” fazem a maior parte da obra de dar testemunho. Quão maravilhosa é a oportunidade que você tem de ser um deles!

      18. (a) Como tem continuado o “escravo fiel e discreto” com o seu serviço? (b) Em que obra momentosa pode você agora participar?

      18 Embora diminua o número dos do restante ungido do “pequeno rebanho” de Jesus, a classe do “escravo fiel e discreto”, eles continuam a supervisionar a atividade do Reino. (Mateus 24:45-47) Para realizar isso, trabalham por meio dum corpo governante, que é um arranjo similar ao existente na congregação cristã do primeiro século. (Atos 15:6; Lucas 12:42-44) Com a morte de N. H. Knorr, em 1977, Frederick W. Franz, aos 83 anos de idade, tornou-se o quarto presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos E.U.A.). E em 1.º de julho de 1979, a própria revista A Sentinela (começando com a edição em inglês) completou 100 anos de idade! Tem atrás de si um século de testemunho do Reino. Sim, “estas boas novas” do Reino estabelecido estão sendo proclamadas em toda a terra, em testemunho, pela página impressa e pela palavra falada. Participa também nesta obra privilegiada, seguindo o modelo deixado por Jesus? Conforme admoestou Paulo:

      “Por intermédio dele, ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome.” — Hebreus 13:15.

      19. (a) Que proceder incentivou Paulo, envolvendo o “coração” e a “boca”? (b) Que perguntas oportunas se fazem aqui, e como responde a elas?

      19 O apóstolo Paulo declarou em outra carta: “Com o coração se exerce fé para a justiça, mas com a boca se faz declaração pública para a salvação.” (Romanos 10:10) Exerce fé nas “boas novas”, que enfocam agora o reino de Deus, estabelecido nos céus desde 1914? ‘Faz declaração pública para a salvação’, orando pela ‘vinda’ do reino de Deus com toda a sua força destrutiva, para eliminar a organização de Satanás de cima da terra? É zeloso em falar aos outros, ‘publicamente e de casa em casa’ sobre as bênçãos do Reino que toda a humanidade terá em breve, quando se fizer a vontade de Deus, “como no céu, assim também na terra”? Apóia realmente a classe ungida do “escravo fiel e discreto” de verdadeiros cristãos, ao passo que esta continua a tomar a dianteira em proclamar a mensagem do Reino “por toda a terra . . . até às extremidades da terra habitada” e em ‘fazer discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as e ensinando-as’? — Mateus 6:10; 24:14, 45-47; 28:19, 20; Atos 5:42; 20:20; Romanos 10:18.

      20. Que grandioso privilégio poderá ter agora?

      20 Você poderá usufruir hoje o grandioso privilégio de assim ‘prestar serviço sagrado, dia e noite, diante do trono de Deus’. Ao mesmo tempo, habilita-se a ser um dos da “grande multidão” que herdará a vida eterna na terra tornada gloriosa. (Revelação 7:9-17) Primeiro, porém, o Reino tem de ‘vir’ para travar a guerra do Armagedom! O que significará o Armagedom para a humanidade e para a nossa terra?

      [Quadro na página 159]

      NEUTRO ATÉ A MORTE

      Durante a segunda guerra mundial, muitas Testemunhas de Jeová jovens pagaram sua neutralidade com a vida. A carta que segue é típica de várias ‘últimas cartas’ que tais Testemunhas corajosas escreveram à sua família. Esta foi escrita por Marcel Sutter, de 23 anos, de Alsácia-Lorena, poucas horas antes de ele ser decapitado com um machado na prisão de Torgau, na Alemanha, em agosto de 1942.

      “Meus muito queridos pais e irmãs,

      Quando receberem esta carta, não estarei mais vivo. Apenas algumas horas separam-me da morte. Peço-lhes que sejam fortes e corajosos; não chorem, pois eu venci. Terminei a carreira e mantive a fé. Que Jeová Deus me ajude até o fim. Apenas um curto período de tempo nos separa do reino de nosso Senhor Jesus Cristo. Logo nos veremos novamente num mundo melhor de paz e justiça. Regozijo-me de pensar nesse dia, pois então não haverá mais suspiro. Quão maravilhoso isso será! Anseio a paz. Durante estas últimas poucas horas tenho pensado em vocês e meu coração está um pouco amargurado por pensar que não posso beijá-los para dizer adeus. Mas precisamos ser pacientes. Está próximo o tempo quando Jeová vindicará seu Nome e provará a toda a criação que ele é o único Deus verdadeiro. Agora, desejo dedicar a ele minhas últimas poucas horas, por isso vou encerrar esta carta e dizer adeus até nos encontrarmos outra vez, em breve. Louvado seja o nosso Deus Jeová! Com meu caloroso amor e saudações,

      Seu amado filho e irmão,

      Marcel”

  • O Rei luta no Armagedom
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 17

      O Rei luta no Armagedom

      1, 2. O que têm pessoas do mundo dito a respeito do Armagedom?

      QUANDO se aproximava o fim da Segunda Guerra Mundial, o General Douglas MacArthur, dos E.U.A., disse: “Desde os primórdios, os homens têm procurado a paz. . . . Alianças militares, equilíbrios de poder, liga de nações, todos falharam por sua vez, deixando como única via a provação da guerra. A total destrutividade da guerra elimina agora esta alternativa. Já tivemos nossa última chance. Se não inventarmos algum sistema maior e mais eqüitativo, estaremos às portas de nosso Armagedom.”

      2 Uns 35 anos mais tarde, como se saíram as nações com respeito a esta “última chance”? O jornal Times de Londres, Inglaterra, tinha o seguinte a dizer sob a manchete “Os Alemães Ocidentais Temem o Armagedom”: “O espectro da guerra voltou a assombrar a Alemanha Ocidental, ao passo que a situação internacional parece fugir inexoravelmente ao controle.” E num artigo intitulado “O Mundo Cambaleia Para a Escuridão”, o editor do jornal Herald, de Miami, E.U.A. perguntou aos seus leitores se já se deram conta de que “esse Armagedom não é apenas alguma alegoria sobre a qual leu na Bíblia, mas é real”, acrescentando: “Qualquer pessoa com um pouco de lógica pode reunir os eventos cataclísmicos dos últimos poucos anos e ver que o mundo está num limiar histórico. . . . Transformará para sempre o modo de vida dos homens.”

      3, 4. De que modo diferente encara a Bíblia o Armagedom?

      3 É verdade que a humanidade está no limiar de grandes mudanças. Mas, confrontamo-nos agora com o Armagedom? O que se quer dizer com Armagedom?

      4 O interessante é que o Armagedom é diferente do que a maioria pensa. Pois a Bíblia descreve a guerra do Armagedom não como guerra cataclísmica entre nações ou blocos de nações na terra, mas como “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”. É a guerra de Deus contra os “reis de toda a terra habitada” — referindo-se aos governantes que se negam a se sujeitar quando o reino de Deus ‘vem’, para que se faça a Sua vontade na terra. (Salmo 2:6-12; Daniel 2:44) É o grande ato de Deus, da destruição de nações e de homens iníquos, na preparação do caminho para o reinado pacífico de mil anos do Messias. — Revelação 16:14, 16; Salmo 46:8, 9; 145:20; Joel 3:9-17; Naum 1:7-9.

      OS PRELIMINARES DA BATALHA

      5. Como podemos identificar a “grande meretriz” de Revelação 17?

      5 Os capítulos 16 a 18 de Revelação (ou Apocalipse) falam muito sobre os acontecimentos na terra pouco antes da guerra do Armagedom. No decorrer da profecia, faz-se o convite: “Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que está sentada sobre muitas águas.” Esta “grande meretriz” é mais adiante identificada para nós como sendo “Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes e das coisas repugnantes da terra”. Assim como a antiga Babilônia, sobre o rio Eufrates, tornou-se a “mãe” do sistema místico de religião que se espalhou de Babilônia pela terra inteira, assim “Babilônia, a Grande”, é hoje o império mundial da religião falsa, que exerce domínio espiritual sobre “povos, e multidões, e nações, e línguas”, para o prejuízo deles. (Revelação 17:1, 5, 15) Abrange os milhares de seitas religiosas, grandes e pequenas, “cristãs” e não-cristãs, que não reconhecem nem servem o verdadeiro Deus, Jeová.

      6. A que acontecimento, que faz lembrar a antiga Babilônia, refere-se Revelação 16?

      6 Como prelúdio da guerra do Armagedom, mostra-se que um anjo derrama uma tigela “da ira de Deus”. Onde? “Sobre o grande rio Eufrates, e a sua água se secou, para que se preparasse o caminho para os reis do nascente do sol.” (Revelação 16:1, 12) Mais de 600 anos antes de o apóstolo João escrever essa profecia, os reis Dario, da Média, e Ciro, da Pérsia, invadiram a terra de Babilônia vindos do leste. Sob a cobertura da escuridão, Ciro desviou o curso do Eufrates para outros canais, e quando as águas baixaram, ele mandou seu exército para dentro da cidade através do leito do rio. Aquela grande cidade foi derrubada em uma única noite, enquanto os governantes e a nobreza de Babilônia blasfemavam de Jeová numa orgia de bebedeira. — Daniel 5:1-4, 30, 31.

      7. Que paralelo hodierno vemos agora?

      7 Vemos nisso um paralelo hodierno? Claro que sim! Chegou o tempo para Deus executar o julgamento em “Babilônia, a Grande”, especialmente nas suas organizações “filiais” da cristandade. A apostasia da cristandade e sua culpa de sangue já atingiram o pleno limite! (Revelação 18:24; Jeremias 51:12, 13) Em tempos recentes, as “águas”, ou “povos”, que antes apoiavam a religião dela têm diminuído. O apoio dado à religião tem secado, visto que muitos se voltam para os ensinos de Darwin, Marx, Lenine e Mao. Também, conforme profetizado a respeito dos “últimos dias”, as pessoas têm-se tornado “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus”. — 2 Timóteo 3:1, 4.

      8. (a) A que chamada obedeceram pessoas de inclinações justas? (b) Como se contrasta agora a condição da religião falsa com a da religião verdadeira?

      8 O que tem contribuído para o rebaixamento das “águas” é a ação de pessoas de inclinações justas, que têm obedecido à chamada do céu, referente à “Babilônia, a Grande”:

      “Saí dela, povo meu, se não quiserdes compartilhar com ela nos seus pecados e se não quiserdes receber parte das suas pragas.” (Revelação 18:4)

      O império mundial da religião falsa, e especialmente a cristandade, lamentam o fechamento dos prédios de igrejas, as igrejas vazias e o número cada vez menor de sacerdotes e de freiras. Por outro lado, os que agora se colocam do lado do Dario Maior, Jeová Deus, e do Ciro Maior, Cristo Jesus, entram numa maravilhosa prosperidade espiritual. É você um deles?

      FAZENDO-SE MERETRIZ

      9, 10. (a) Que “fera” temível surge nestes “últimos dias”? (b) Como foi esta identificada e seu rumo descrito num discurso público em 1942?

      9 “Babilônia, a Grande”, embora professe pertencer a Deus, sempre tem mantido contatos políticos, e, neste sentido, ‘os reis da terra cometeram fornicação’ com ela. Mas agora, nestes “últimos dias”, ela tem a sua grande oportunidade! Qual é? Ora, surge uma “fera cor de escarlate”. O que é esta “fera”? Sem dúvida, tem referência às nações políticas da terra, porque estas são muitas vezes mencionadas na Bíblia sob o símbolo de ‘feras’ (Revelação 13:1-4, 11-15; Daniel 7:3-8, 17-25; 8:5-8, 20-22) Mas, nesta “fera” temos um conjunto, porque este animal temível tem “sete cabeças e dez chifres”. — Revelação 17:3.

      10 Que “fera” composta tem surgido nestes “últimos dias”, e o que tem realizado no cenário mundial? Num congresso internacional das Testemunhas de Jeová, em 1942, o discurso público intitulado “Paz — Pode Durar?”, trouxe à atenção a profecia de Revelação 17:7, 8. O orador, o presidente da Torre de Vigia (dos E.U.A.), N. H. Knorr, identificou “a fera que . . . era” como sendo a Liga das Nações — estabelecida em 1920. Mas então, no ano de guerra de 1942, ele declarou: “A Liga . . . está, de fato, em estado de animação suspensa, e deve ser revivificada, se há de viver outra vez. Entrou no abismo de inatividade e inutilidade. Ela ‘já não é’.” O presidente Knorr passou a mostrar que “a fera que . . . era, e já não é, . . . há de subir do abismo e vai para a destruição”. Fiel à profecia bíblica, esta “fera” foi revivificada em 1945 como as Nações Unidas.

      11. (a) Por que se descreve esta “fera” como estando “cheia de nomes blasfemos”? (b) Que julgamento aguarda a “fera”?

      11 Esta “fera” internacional, estabelecida para preservar “paz e segurança” entre as nações, de fato, está “cheia de nomes blasfemos”, porque afirma poder fazer o que somente o reino de Deus por Cristo Jesus pode realizar. (Revelação 17:3) O apóstolo Paulo profetizou sobre uma ocasião em que os jactanciosos governantes do mundo de Satanás se gabariam como sendo pacificadores. Ele disse:

      “O dia de Jeová vem exatamente como ladrão, de noite. Quando estiverem dizendo: ‘Paz e segurança!’ então lhes há de sobrevir instantaneamente a repentina destruição, assim como as dores de aflição vêm sobre a mulher grávida, e de modo algum escaparão.” (1 Tessalonicenses 5:2, 3)

      Segundo a Palavra de Deus, a ‘fera de paz e segurança’ sofrerá a execução rápida e decisiva do julgamento de Jeová!

      “AI” DA MERETRIZ!

      12. Que descrição da “meretriz” causou admiração a João?

      12 Apesar da expressa desaprovação de Deus quanto à fera blasfema da O.N.U., “Babilônia, a Grande”, procura ter relações amorosas com ela. Sim, é retratada como sentada qual rainha na “fera”: “E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlate, e estava adornada de ouro, e de pedra preciosa, e de pérolas, e tinha na sua mão um copo de ouro cheio de coisas repugnantes e das coisas impuras da sua fornicação.” Não é de admirar que João escrevesse sobre esta situação: “Pois bem, ao avistá-la, fiquei admirado com grande espanto”! — Revelação 17:4, 6.

      13, 14. (a) Que fim calamitoso aguarda a religião falsa? (b) Como virá? (c) Quem lamentará Babilônia, a Grande, mas por que à distância?

      13 Esta relação entre o babilônico império mundial da religião falsa e a ‘fera de paz e segurança’ da O.N.U. vem a ser desastrosa. Embora “Babilônia”, qual meretriz, possa pensar que está de bem com esse organismo mundial, a Palavra de Deus prediz algo diferente para ela:

      “E os dez chifres que viste, e a fera, estes odiarão a meretriz e a farão devastada e nua, e comerão as suas carnes e a queimarão completamente no fogo.” (Revelação 17:16)

      Deveras, um fim calamitoso para o império mundial da religião falsa!

      14 A desolação de “Babilônia, a Grande”, será rápida.

      “As pragas dela virão num só dia, morte, e pranto, e fome, e ela será completamente queimada em fogo, porque Jeová Deus, quem a julga, é forte.” (Revelação 18:8)

      Mas, haverá alguns que a lamentarão. Não serão os “dez chifres” militaristas que traiçoeiramente se voltaram contra ela, mas outros dentre os governantes políticos, que costumavam ser íntimos dos clérigos por causa das aparências e para ajudar a encobrir suas práticas escusas. Estes a lamentarão à distância, por medo de sofrerem a sorte dela, dizendo:

      “Ai, ai, ó grande cidade, Babilônia, forte cidade, porque numa só hora chegou o teu julgamento!” — Revelação 18:9, 10.

      15. Quem mais adota o refrão, e por quê?

      15 Haverá também homens do Alto Comércio, bem como criminosos e escroques, que usaram suas relações religiosas para dar uma aparência de “santidade” às suas negociatas corruptas e para acalmar a consciência culpada. Estes também adotarão o refrão:

      “Ai, ai . . ., porque tais grandes riquezas foram devastadas numa só hora!” (Revelação 18:11-19)

      As dispendiosas catedrais, as terras e as riquezas acumuladas, as enormes contas bancárias e os investimentos comerciais da religião do mundo — tudo isso será devastado.

      16. Que três grupos estão destinados à execução?

      16 A hipócrita religião mundial, o comércio ganancioso, a política corrupta — todos os três ramos da organização de Satanás na terra, estão destinados a serem executados segundo o julgamento de Jeová. Depois da queda da religião falsa, o que virá a seguir?

      O REI ENTRA EM AÇÃO!

      17, 18. (a) O que segue à desolação de “Babilônia, a Grande”, e por quê? (b) Quem vence por fim? (c) Quem será preservado vivo? (d) Como poderá você ser um destes?

      17 As potências políticas, radicais, que devastarem a religião do mundo, não têm olhos de entendimento espiritual. Não reconhecem o reino messiânico, estabelecido em 1914. Em vez disso, opõem-se vigorosamente aos que proclamam este reino e que declaram sua neutralidade cristã com respeito à política e às guerras dos ‘reinos’ do mundo. — Revelação 12:17; João 17:14, 16.

      18 Após a eliminação de “Babilônia, a Grande”, pode-se esperar que esses “chifres” animalescos lancem seu ataque final contra as testemunhas cristãs de Jeová, os seguidores aparentemente indefesos do Cordeiro, aqui na terra. (Ezequiel 38:14-16; Jeremias 1:19) Como se sairão esses adversários nessa guerra? A profecia responde:

      “Estes batalharão contra o Cordeiro, mas, porque ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis, o Cordeiro os vencerá. Também o farão com ele os chamados, e escolhidos, e fiéis.” (Revelação 17:14)

      Embora não participem na batalha, os remanescentes dos seguidores ungidos de Jesus, na terra, junto com seus companheiros, que também acataram a chamada ao “serviço sagrado”, serão preservados vivos. Pertence você a estes que oram mesmo agora pela ‘vinda’ do reino de Deus no Armagedom? — Romanos 12:1, 2; veja 2 Crônicas 20:5, 6, 12-17.

      19. (a) De que poderá ser testemunha ocular e sobrevivente? (b) Que coisas de valor falharão então?

      19 Sim, poderá ser testemunha ocular e sobrevivente daquela guerra catastrófica do Armagedom. Poderá ser observador de como o “Rei dos reis”, acompanhado pelos exércitos angélicos do céu, luta em vindicação da soberania de Jeová. Poderá ver assim a batalha culminante contra homens iníquos, contra nações orgulhosas e seus exércitos poderosos, e contra os “comerciantes” ricos que os apóiam! Seu arsenal nuclear multi-bilionário lhes falhará nessa guerra! Os aproveitadores gananciosos, que negociaram com petróleo e com suprimentos alimentícios, verão que seus lucros mal adquiridos são sem valor, com o colapso dos mercados de valores e a queda do valor do ouro a zero como meio de libertação. Pois, “assim disse o Soberano Senhor Jeová: ‘Eis que vem uma calamidade, uma calamidade única! A própria prata deles lançarão nas ruas e o próprio ouro deles tornar-se-á uma coisa abominável. Nem a sua prata nem o seu ouro poderá livrá-los no dia da fúria de Jeová. . . . e terão de saber que eu sou Jeová.’” — Ezequiel 7:5, 19, 27.

      20. Onde poderá encontrar verdadeira segurança?

      20 Naquele dia do Armagedom, poderá encontrar segurança, não em quaisquer bens materiais, mas em se manter firme do lado de Jeová e de seu “Rei dos reis”. Isso dependerá de sua obediência às palavras do profeta:

      “Procurai a Jeová, todos os mansos da terra, que tendes praticado a Sua própria decisão judicial. Procurai a justiça, procurai a mansidão. Talvez sejais escondidos no dia da ira de Jeová.” (Sofonias 2:3; veja também Isaías 26:20, 21; Daniel 12:1.)

      Porque no Armagedom, o Rei montado no simbólico cavalo branco “julga e guerreia em justiça”. Ao passo que ele ‘pastoreia as nações com vara de ferro’ para a destruição delas, levará a “grande multidão” trajada de compridas vestes brancas para fora da “grande tribulação”, pastoreando-a com amor e ‘guiando-a a fontes de águas da vida’. Seja você um destes! — Revelação 19:11-16; 7:9, 14, 17.

      21. Quem se reunirá no Armagedom, mas por que será isso em vão?

      21 Ai da O.N.U., dos governos que a apóiam e de seu acumulado poderio militar! Que se reúnam no Armagedom “para travar guerra com aquele que está sentado no cavalo [branco] e com o seu exército” celestial! Será tudo em vão! O “Rei dos reis” lança-os como que num “lago ardente” para a destruição deles. Também os restos da organização de Satanás na terra serão liquidados, porque a longa espada do Rei é deveras poderosa, capaz de achar e destruir todos os inimigos — Revelação 19:17-21.

      22. Como descrevem os profetas de Deus a luta no Armagedom?

      22 Por meio de mísseis e pragas lançadas desde o céu, “Jeová flagelará todos os povos” que lutarem em oposição ao seu reino, e, sem dúvida, na confusão deles, lançarão seus armamentos destrutivos uns contra os outros, porque ‘a mão de cada um se levantará realmente contra a mão de seu companheiro’. Mas, se você for um dos que invocam o nome de Jeová, “salvar-se-á”. — Joel 2:31, 32; Zacarias 14:3, 12, 13; Ezequiel 38:21-23; Jeremias 25:31-33.

      23. (a) De que será isso um grandioso clímax? (b) Que palavras de Jesus devem alegrar-nos?

      23 Este será o grandioso clímax do “sinal” profético de Jesus — “grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo”. Quanto nos podemos alegrar de que esses dias serão “abreviados” por causa dos “escolhidos”! Você também poderá sobreviver como uma das “ovelhas” que Jesus convida para ‘herdarem o reino’! — Mateus 24:21, 22; 25:33, 34.

      24. (a) Que ação será então tomada contra Satanás, e por quê? (b) O que se seguirá?

      24 Quando terminar a guerra do Armagedom, o próprio Satanás, o instigador iníquo do desgoverno do homem na terra, será agarrado, amarrado e lançado no abismo “por mil anos”. Por quê? “Para que não mais desencaminhasse as nações.” (Revelação 20:2, 3) Alvorará então a era mais gloriosa de toda a história humana. E o que significarão os 1.000 anos para os leais que tiverem trabalhado e orado pela ‘vinda’ do Reino? Sem dúvida, está interessado em saber isso.

      [Quadro na página 169]

      A “MERETRIZ” E A “FERA”

      Que relação tem havido entre o império mundial da religião falsa e a ‘fera de paz e segurança’? Tem “Babilônia, a Grande”, procurado um interesse controlador na Liga das Nações, e, mais tarde, nas Nações Unidas? Que os fatos respondam:

      Depois de se propor a Liga das Nações em 1918, o Bulletin do Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América foi ao ponto de declarar: “Como cristãos, instamos pelo estabelecimento duma Liga de Nações Livres na vindoura Conferência de Paz. Tal Liga não é apenas uma conveniência política; é antes a expressão política do Reino de Deus na terra. . . . Os mortos heróicos terão morrido em vão a menos que da vitória surja uma nova terra em que habite a justiça.”

      Por ocasião do 20.º aniversário das Nações Unidas, em 1965, a Associated Press noticiou de São Francisco, Califórnia: “Sete líderes internacionais de crenças religiosas, com mais de 2 bilhões de membros em todo o mundo, juntaram hoje as mãos em oração, sob um só teto, em apoio do empenho da ONU pela paz mundial. O Papa Paulo VI enviou suas bênçãos de Roma . . . à convocação de católicos, protestantes, judeus, hindus, budistas, muçulmanos e cristãos ortodoxos orientais (gregos). . . . O Rabino Louis Jacobs . . . descreveu ‘a ONU como a única esperança de paz duradoura num mundo cuja sobrevivência depende dela’.”

      Em outubro de 1965, o Papa Paulo VI descreveu as Nações Unidas como “esta maior de todas as organizações internacionais”, e acrescentou: “Os povos da terra voltam-se para as Nações Unidas como sendo a última esperança de concórdia e de paz.”

      Dirigindo-se à Assembléia Geral da O.N.U., em 2 de outubro de 1979, o Papa João Paulo II disse: “O motivo formal da minha intervenção hodierna é indubitavelmente o particular ligame de cooperação que une a Sé Apostólica à Organização das Nações Unidas. . . . Faço votos por que a Organização das Nações Unidas permaneça sempre o supremo foro da paz e da justiça: autêntica sede da liberdade dos povos e dos homens com a sua aspiração a um futuro melhor.” Todavia, nem uma única vez no seu discurso de 62 minutos mencionou o papa a Jesus Cristo ou o Reino.

      Ao adotar substitutos criados pelo homem para o reino de Deus, a religião falsa tem uma esperança vã. Depois de advertir para não se confiar em governantes humanos, o Salmo 146:3-6 nos diz: “Feliz aquele . . . cuja esperança é em Jeová, seu Deus, Aquele que fez o céu e a terra.” E Lucas 2:10-14 identifica o Salvador da humanidade como sendo “Cristo, o Senhor”.

      [Quadro na página 173]

      SEQÜÊNCIA DE EVENTOS QUE LEVA AO ARMAGEDOM

      ● Suscitada a questão da dominação do mundo, as nações acumulam armas.

      ● Esgota-se o apoio popular à religião do mundo.

      ● Notável clamor de “paz e segurança” feito pelas nações.

      ●“Dez chifres” militaristas da O.N.U. devastam a religião mundial.

      ●“Chifres” da fera lançam ataque final contra os seguidores do “Cordeiro”.

      ●“Rei dos reis” destrói nações e exércitos no Armagedom.

      APÓS SATANÁS E DEMÔNIOS SEREM LANÇADOS NO ABISMO, COMEÇA O GLORIOSO REINADO MILENAR DE CRISTO.

  • O Reino triunfa!
    “Venha o Teu Reino”
    • Capítulo 18

      O Reino triunfa!

      1. (a) Por que motivo pode-se ter confiança no futuro da humanidade? (b) O que significará o Armagedom para os que arruínam a terra?

      SERÁ a humanidade exterminada de cima da terra? Não. E o Reino é o motivo disso. Por que é o “Rei dos reis e Senhor dos senhores”, o entronizado Jesus, que entra em ação na ‘vinda’ do Reino, para esmagar a organização terrestre de Satanás e seus sistemas opressivos. No Armagedom, esses pretensos arruinadores da terra serão eles mesmos arruinados. — Revelação 11:15, 18; 14:19, 20; 19:11-16.

      2, 3. (a) Que aviso é dado pela profecia de Sofonias? (b) O que se requer para a sobrevivência?

      2 Nosso Deus, Jeová, advertiu-nos para ficarmos bem despertos ao que ele está prestes a fazer no Armagedom.

      “‘Portanto, estai à espera de mim’, é a pronunciação de Jeová, ‘até o dia em que eu me levantar para o despojo, pois a minha decisão judicial é ajuntar nações, para que eu reúna reinos, a fim de derramar sobre elas a minha verberação, toda a minha ira ardente; porque toda a terra será devorada pelo fogo do meu zelo’.”

      Mas, haverá sobreviventes, muitos deles! E Jeová já os está preparando, conforme descrito por estas palavras adicionais da mesma profecia:

      “Pois então darei aos povos a transformação para uma língua pura, para que todos eles invoquem o nome de Jeová, a fim de servi-lo ombro a ombro.” — Sofonias 3:8, 9.

      3 Será você um desses sobreviventes? Será, se ‘invocar o nome de Jeová’. Como poderá fazer isso? Por fazer a transformação para uma “língua pura” — assimilando no coração as purificadoras boas novas do reino de Deus e agindo em harmonia com elas. (Marcos 13:10) Exercendo fé na provisão de Deus por meio de Cristo, terá de fazer o que Pedro admoestou ao seu próprio povo, há 19 séculos: “Arrependei-vos, portanto, e dai meia-volta, a fim de que os vossos pecados sejam apagados, para que venham épocas de refrigério da parte da pessoa de Jeová.” — Atos 3:19.

      4, 5. (a) Como poderá usufruir intimidade com Jeová? (b) Como poderá mostrar aceitação da “língua pura”?

      4 Igual a Jesus, terá de mostrar que não faz parte do mundo de Satanás. (João 17:14, 16) Dedicando-se a Jeová por meio de Cristo e submetendo-se ao batismo em água, em símbolo disso, poderá entrar numa relação muito íntima com Jeová Deus. (1 Pedro 3:21) Deverá procurar sempre cultivar esta intimidade, servindo a Deus “ombro a ombro” com todo o Seu povo organizado na terra. Conforme tiver a oportunidade, desejará participar com eles na divulgação destas “boas novas do reino” a todos os que quiserem escutar. — Mateus 24:14; Romanos 10:10-18; Hebreus 13:15.

      5 É um daqueles que assim aceitam a “língua pura” da verdade da Bíblia? Então tenha confiança implícita em Jeová. “Sendo Poderoso, ele salvará.” — Sofonias 3:17; Isaías 12:2-5.

      6. Que bom conselho é dado por João, e a que nos deve animar?

      6 Ao passo que cultivar amor a Jeová e à Sua justiça, precisará também viver em harmonia com os princípios bíblicos. O apóstolo João deu o seguinte conselho excelente:

      “Não estejais amando nem o mundo, nem as coisas no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo — o desejo da carne, e o desejo dos olhos, e a ostentação dos meios de vida da pessoa — não se origina do Pai, mas origina-se do mundo. Outrossim, o mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (1 João 2:15-17)

      “Para sempre”! Não vale então a pena fazer zelosamente a vontade de Deus durante os últimos dias do sistema iníquo de Satanás? Não nos anima isso nestes “últimos dias” a nos mantermos achegados à organização de Jeová, conforme representada na terra pelo “escravo fiel e discreto”? — Mateus 24:45-47.

      UMA OBRA MONUMENTAL

      7. O que existirá ainda após o Armagedom?

      7 Quando desaparecer a fumaça da batalha do Armagedom, a organização visível de Jeová ainda existirá, pronta para ser usada para o que ele mandar. E sejamos individualmente considerados dignos de também estar presentes! — Sofonias 2:3; Salmo 25:8, 9, 20.

      8. (a) O que será então necessário para realizar a obra de Deus? (b) Como terá sido preparado o povo de Deus?

      8 O povo de Deus terá de manter-se organizado sob o governo do Reino, a fim de realizar a obra monumental do embelezamento da terra purificada, transformando nosso globo num verdadeiro “jardim de Deus”. (Veja Ezequiel 31:8.) Deseja também participar nesta obra? Precisará ter um espírito disposto e a energia dada por Deus para realizar esta tarefa — a mesma espécie de zelo que as Testemunhas de Jeová demonstram agora na ‘pregação destas boas novas do Reino em toda a terra’. Todos terão de ser verdadeiros trabalhadores, seguindo o exemplo do Rei, que disse: “Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu estou trabalhando.” — João 5:17; 4:34.

      9. (a) Que espécie de trabalho haverá para fazer? (b) O que indica que este não será estafante?

      9 Sem dúvida, projetos de construção de casas florescerão em toda a terra — não feios blocos de apartamentos em cidades, mas o ajardinamento de belas residências familiares em ambientes paradísicos. Sim, haverá muito trabalho a fazer, mas será trabalho alegre e interessante, trabalho recompensador, sobre o qual o Rei Salomão disse: “Não há nada melhor” do que isso, “que todo homem coma e deveras beba, e veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo”. — Eclesiastes 3:12, 13; veja Isaías 65:17, 21-25.

      10. O que mostra Revelação 21:11 sobre as condições então prevalecentes?

      10 Em que condições realizarão as “outras ovelhas” do Senhor o seu trabalho? (João 10:16) O capítulo 21 de Revelação nos diz o que podemos esperar. Descreve “um novo céu e uma nova terra”. Os corruptos sistemas humanos de governo não mais controlarão a sociedade humana, porque “o céu anterior e a terra anterior” terão desaparecido. Também o Diabo e sua influência sutil terão sido eliminados. Não haverá mais “mar” confuso da humanidade, jogada de um lado para outro no seu empenho pela impiedade. Em vez disso, uma sociedade humana estável, a “nova terra”, proverá uma base firme para se fazer a vontade de Deus. Poderão então seguir realmente as orientações do “novo céu”, composto pelo Rei e por sua “noiva” de 144.000 membros. Na sua qualidade de “cidade santa, a Nova Jerusalém”, esta “noiva” régia ‘descerá do céu’ no sentido de voltar sua atenção para a obra de reconstrução a ser feita na terra. E com que resultados felizes! Será conforme João relata:

      “Eis que a tenda de Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles e eles serão os seus povos. E o próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Revelação 21:1-4.

      11. (a) Que grandiosa perspectiva aguarda os milhões de sobreviventes? (b) Como povoará Deus a terra?

      11 Note que esta promessa engloba a grandiosa perspectiva de ‘não haver mais morte’. Espera-se que milhões de pessoas encontrem a salvação, passando pela “grande tribulação” para obterem as bênçãos da “nova terra”. (Revelação 7:9, 14) No entanto, milhões, sim, bilhões de pessoas usufruirão por fim a vida aqui sob o Reino. Por que dizemos “bilhões”? Após o dilúvio dos dias de Noé, Jeová deu aos sobreviventes justos um mandato, dizendo: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra.” Isto sugere a perspectiva alegre de casamento humano e o nascimento de filhos em justiça pelo menos por algum tempo após o Armagedom. (Gênesis 9:1, 7; 10:1-32; Mateus 24:37) Todavia, esta não será a maneira principal de Deus ‘encher a terra’ de humanidade, naquele tempo. Então, como povoará Deus o nosso globo, cumprindo assim Seu propósito original? (Gênesis 1:28; Isaías 45:18) Será pela repetição em bilhões de vezes do grande milagre da ressurreição.

      “DEUS . . . DE VIVOS”

      12. Que ensino de Jesus deixou as multidões assombradas?

      12 Jesus, em certa ocasião, respondeu aos seus opositores, dizendo:

      “Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que vos foi falado por Deus, que disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó’? Ele é o Deus, não de mortos, mas de vivos.”

      Do ponto de vista de Deus, esses homens fiéis estavam como que vivos e seriam ressuscitados. As multidões ficaram assombradas com este ensino. — Mateus 22:31-33; Lucas 20:37, 38.

      13. O que podemos esperar com respeito às “outras ovelhas” fiéis que tiverem morrido?

      13 Pode-se esperar razoavelmente que tais fiéis, que suportaram perseguição, “a fim de que pudessem alcançar uma ressurreição melhor” junto com os íntegros que são das “outras ovelhas” e que talvez morram hoje antes do Armagedom, tenham uma ressurreição mais cedo para a “nova terra”. Pode ser que também já tenha perdido entes queridos na morte, e até mesmo servos fiéis de Deus. Quanta alegria será acolhê-los de volta dentre os mortos e falar-lhes sobre o grande ato de vindicação de Jeová! — Hebreus 11:35.

      14. Que esperança maravilhosa é descrita em João 5:28, 29, e em Revelação 20:11-13?

      14 Todavia, que dizer dos outros da humanidade, que morreram no decorrer de quase 6.000 anos de história? Jesus disse: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão.” (João 5:28, 29) “Os mortos, os grandes e os pequenos”, sairão da sepultura para ficarem em pé diante do trono de julgamento de Deus. — Revelação 20:11-13.

      15. Por que não será temível o tempo do julgamento?

      15 Será este um tempo temível para os ressuscitados? Contrário aos quadros religiosos sobre o Juízo Final, será um tempo muito jubiloso. Porque os ressuscitados não serão julgados segundo os atos errados dos tempos anteriores, mas, em vez disso, serão julgados pela sua disposição de viver à altura dos requisitos justos para a vida no domínio do reino de Deus. (Veja Romanos 6:7.) E far-se-á todo esforço para ajudá-los no caminho para a completa reconciliação com Deus. O maior programa educativo de todos os tempos será realizado sob a organização do Reino.

      16. (a) O que são os “rolos”? (b) Por que será muito superior a instrução provida na “nova terra”?

      16 Abrir-se-ão “rolos”. Estes serão as instruções publicadas para ajudar os humanos ressuscitados a realizar as “ações” que os habilitarão para a vida eterna. (Revelação 20:12) Os meios e os programas educativos, na “nova terra”, dirigidos por Jeová e pelo seu Rei messiânico, serão muito superiores em comparação com tudo o que o mundo de Satanás já ofereceu.

      BÊNÇÃOS PARA A “GRANDE MULTIDÃO”

      17. O que terá de fazer, ao sobreviver para aquela “nova terra”?

      17 Todavia, se você for um dos da “grande multidão” de sobreviventes do Armagedom, onde se enquadrará neste cenário? O apóstolo Paulo disse: “Assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.” (1 Coríntios 15:22) Também precisará do benefício do resgate de Cristo, que será usado por ele para soerguer a humanidade à perfeição durante o seu reinado milenar. Também terá de aproveitar-se da instrução contida nos “rolos” milenares, para poder realizar realmente as “ações” que resultarão em seu nome ser inscrito no “rolo da vida”.

      18. Que programa do Reino deverá dar-lhe alegria especial?

      18 Atualmente, seu cérebro humano, imperfeito, é capaz de assimilar e reter apenas uma fração do seu pleno potencial. Talvez já tenha exclamado: ‘Se apenas me pudesse lembrar!’ Quão grato deveria ser pelo sacrifício de Cristo! Pois, como parte do programa do Reino para soerguer a humanidade, não somente serão eliminados os padecimentos e as dores, mas aquela maravilhosa criação — o cérebro humano — será aperfeiçoado para pesquisar e reter informações, raciocinar sobre elas, e, acima de tudo, apreciar com adoração as grandiosas qualidades de nosso Deus, Jeová. As barreiras lingüísticas, resultantes da confusão das línguas junto à torre de Babel, serão eliminadas, e a toda a humanidade será ensinada uma só língua, a fim de poder adorar a Jeová em união, conforme sugerido em Sofonias 3:9.

      19. Em que alegria participarão os súditos do Reino?

      19 Também o coração humano, perfeito, será motivado pelo amor a Deus e ao próximo. Não é de admirar que o Soberano Senhor Jeová dirigisse as seguintes palavras ao seu povo apreciativo:

      “Eis que crio novos céus e uma nova terra; e não haverá recordação das coisas anteriores, nem subirão ao coração. Mas exultai e jubilai para todo o sempre naquilo que estou criando. Pois eis que crio [a Nova] Jerusalém como causa para júbilo e seu povo como causa para exultação. E eu vou jubilar em Jerusalém e exultar pelo meu povo; e não se ouvirá mais nela o som de choro, nem o som dum clamor de queixume.” (Isaías 65:17-19)

      A radiante alegria e exultação dos 144.000 co-regentes de Cristo no seu reino refletir-se-ão nos bilhões de súditos do Reino na terra, ao passo que progridem em direção à perfeição.

      SANTIFICADO PARA SEMPRE O NOME DE JEOVÁ

      20.(a) Por que passarão depressa os 1.000 anos? (b) Como bendisse Davi a Jeová? (c) Sente-se induzido a fazer expressões similares de louvor?

      20 Passar-se-ão mil anos, assim como se fossem um só dia do ponto de vista de Jeová, e quão breve será também este tempo para a humanidade, tão atarefada em obras construtivas! (2 Pedro 3:8) Podemos também esperar que haja tempo de recreação para companheirismo feliz e exercício sadio, o usufruto de música e de outras artes dignas, havendo sempre arranjos para a adoração de nosso Grandioso Criador. Todos desejarão bendizer a Jeová, assim como fez Davi ao fazer arranjos para a adoração no templo, dizendo:

      “Tuas, ó Jeová, são a grandeza, e a potência, e a beleza, e a excelência, e a dignidade; pois teu é tudo nos céus e na terra. Teu é o reino, ó Jeová, que te ergues como cabeça sobre todos. As riquezas e a glória existem por tua causa e tu dominas sobre tudo; e na tua mão há poder e potência, e na tua mão há a capacidade para engrandecer e para dar força a todos. E agora, ó nosso Deus, te agradecemos e louvamos o teu belo nome.” — 1 Crônicas 29:11-13.

      21. (a) Como terminará Cristo o seu reinado milenar? (b) O que terá realizado o Reino?

      21 Em harmonia com esta magnífica expressão de louvor, Aquele que é maior do que Davi, Cristo Jesus, terminará o seu reinado milenar de paz e reconstrução por fazer o que o apóstolo Paulo predisse:

      “A seguir, o fim, quando ele entregar o reino ao seu Deus e Pai, tendo reduzido a nada todo governo [opositor], e toda autoridade e poder.”

      O governo de Deus, de uma vez para sempre, terá mostrado ser a espécie certa de governo, com poder suficiente para trazer benefícios eternos aos adoradores de Jeová. Sob o governo benevolente do Reino, a morte adâmica terá sido eliminada e toda a humanidade terá sido vivificada “em Cristo”. Os bilhões de pessoas que então viverão na terra terão assim sido ‘libertos da escravização à corrupção e terão a liberdade gloriosa dos filhos de Deus’. — Romanos 8:21; 1 Coríntios 15:22-28.

      22. (a) Que breve período de prova seguir-se-á? (b) Que ato final de vindicação será realizado por Jesus?

      22 Satanás será solto do abismo por um pouco de tempo, para testar o mundo aperfeiçoado da humanidade quanto à sua lealdade ao reinado de Jeová. Um número não especificado talvez decida seguir o Diabo, mas estes sofrerão a execução rápida do seu julgamento. O “descendente” da “mulher” de Deus, Cristo Jesus, realizará este ato final de vindicação por esmagar a cabeça da Serpente original, aniquilando-a junto com sua prole tão cabalmente como que por um fogo que durará “dia e noite, para todo o sempre”. A grande questão suscitada no Éden a respeito da legítima soberania de Jeová sobre suas criaturas terá sido julgada e resolvida para todo o sempre! — Revelação 20:7-10; Gênesis 3:15.

      23. (a) A reflexão acerca das promessas de Deus deverá induzir-nos a fazer o quê? (b) Por que devemos querer ver a ‘vinda’ do reino de Deus?

      23 Quando refletimos nas maravilhosas promessas do “Rei da eternidade”, nosso grandioso Criador, o Soberano Senhor Jeová, não nos sentimos induzidos pela gratidão a louvar o seu nome? Não nos sentimos induzidos, assim como alguns no dia de Pentecostes, a falar sobre “as coisas magníficas de Deus”, sobre o seu “Rei dos reis” e o Reino messiânico? (Atos 2:11; Revelação 15:3; 19:16) Não nos sentimos induzidos a orar ao nosso Pai celestial: “VENHA O TEU REINO”? (Mateus 6:9, 10) Sim, “VENHA” para destruir as obras e a organização de Satanás da face da terra! Sim, “VENHA” para prover a toda a humanidade a espécie correta de governo! Sim, “VENHA” para trazer o glorioso reinado milenar para o restabelecimento do paraíso, a ressurreição dos mortos e o soerguimento à perfeição humana de toda a humanidade disposta! Sim, “VENHA” para que o inigualável nome de Jeová seja santificado por toda a eternidade!

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