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  • Cabe à religião envolver-se na política?
    Despertai! — 1981 | 22 de setembro
    • Parte 1

      Cabe à religião envolver-se na política?

      MUITOS dizem que a religião deveria entrar na política e “limpá-la”. Já ouviu falar nisso?

      Parece que a religião está-se tornando mais ativa na política, no mundo inteiro. Veja alguns exemplos:

      Na ALEMANHA, um repórter que foi se confessar em 12 cidades alemãs, durante uma eleição recente, das 12 vezes ouviu conselho político em 11.

      Na ITÁLIA, os esforços do Papa para rejeitar a lei do aborto na Itália criou uma comoção. Certo membro do Parlamento italiano chamou as atividades do Papa de “um desafio à soberania de nossa nação”.

      No JAPÃO, organizações religiosas tais como a Soka-Gakkai e a Rissho Koseikai têm apoiado candidatos a cargos federais e realizado comícios políticos.

      Nos ESTADOS UNIDOS, fundamentalistas bem organizados ajudaram a engendrar derrotas a numerosos políticos liberais, em novembro último.

      Toda esta atividade têm levado muitos a perguntar —

      PODE A RELIGIÃO REALMENTE MUDAR A POLÍTICA?

      A história mostra que religião e política nem sempre se misturam bem. Considere a mistura de religião e política na Inquisição, nas Cruzadas, na Guerra dos Trinta Anos, e na atual guerra na Irlanda, sem se mencionar o recente conflito no Oriente Médio, chamado de ‘guerra santa’ por ambos os lados.

      Mas Deus certamente está preocupado com os problemas que ameaçam engolfar a terra. Será que Deus não deseja vê-los resolvidos? Certamente que sim. Mas —

      RESOLVERÁ DEUS OS PROBLEMAS DA TERRA POR MEIO DA POLÍTICA?

      Se o poder político pudesse ser usado para resolver os problemas da terra, por que Jesus Cristo não o aceitou quando esteve na terra? Jesus era o Filho de Deus. O registro indica que teria feito um governo mundial muito melhor do que qualquer dos imperadores romanos dos seus dias. Contudo, quando se ofereceu a Jesus o domínio mundial, ele o recusou. Por quê? O relato diz o seguinte:

      “O Diabo levou-o a um monte extraordinariamente alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e disse-lhe: ‘Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração.’ Jesus disse-lhe então: ‘Vai-te Satanás! Pois está escrito: É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.”’” — Mat. 4:8-10.

      Jesus rejeitou a oferta de Satanás, mas não disse que Satanás não tinha o direito de oferecer poder político. De fato, várias vezes Jesus referiu-se a Satanás como “o governante deste mundo” (João 12:31; 14:30; 16:11) Assim, o poder político neste mundo não depende de Deus; depende do Diabo! Sabia disso?

      Jesus Cristo não estava interessado em misturar religião com política. Não queria nenhuma parte do sistema político de Satanás, não importa quão elevados e aparentemente nobres fossem os fins para os quais pudesse ser usada. Os servos de Deus atualmente deveriam ter o mesmo conceito a respeito de assuntos políticos, compreendendo que ‘os fins não justificam os meios’. Conforme a Bíblia coloca a questão: “Que associação tem a justiça com o que é contra a lei? Ou que parceria tem a luz com a escuridão?” — 2 Cor. 6:14.

      ‘Mas o mundo está numa condição horrível!’, dizem algumas pessoas sinceras. ‘Se Deus é contra a política’, perguntam:

      COMO ENDIREITARÁ DEUS O MUNDO?

      Uma pergunta muito importante. Ironicamente, a maioria dos cristãos professos fornece a resposta a esta pergunta vital em oração, mas não se apercebe de que o está fazendo! A resposta encontra-se na bem-conhecida oração que Jesus ensinou aos seus seguidores:

      “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” — Mat. 6:10, Versão Almeida.

      Em outras palavras, Deus não usa qualquer reino terrestre para fazer sua vontade porque prefere usar seu próprio reino.

      Crê, realmente, que os políticos, embora sinceros, possam resolver os problemas deste mundo? A maioria das pessoas realistas não acredita. Esta é a razão porque as novas de que o reino de Deus em breve fará isso, deveriam ser boas novas para o leitor, como foram boas novas para as pessoas nos dias de Jesus. — Mat. 9:35.

      ‘Mas quem sabe quando virá o reino de Deus?’, as pessoas perguntam. ‘Será realístico esperar por ele como a solução para os problemas de nossa geração?’

      Sim. O reino de Deus é a única solução realística para os problemas de nossa geração. Jesus mostrou claramente que a nossa geração veria a vinda do reino de Deus. Se ler cuidadosamente as palavras de Jesus em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21, verá por si mesmo que Jesus tinha em mente a nossa geração.

      Por recusar-se a misturar política com religião poderá imitar o exemplo de Jesus e demonstrar sua fé no reino de Deus, a única solução para todos os problemas que os políticos não podem resolver.

  • A igreja Eletrônica entra em cena
    Despertai! — 1981 | 22 de setembro
    • Parte 2

      A igreja Eletrônica entra em cena

      O PREGADOR não usa roupas pretas. Pelo contrário, reluz num terno branco, de poliéster. Não preside num altar, mas movimenta-se num palco de vários degraus, na sua “catedral” da TV, coberto de holofotes. Brilhando como espelho, com cada degrau demarcado por luzes intermitentes e numerosos cenários mudando constantemente, o palco em si parece ser o astro do espetáculo.

      É hora de oração, mas não é uma oração comum. O pregador pára diante de uma mesa cheia de cartas de sua “chave de oração em família” e dobra um dos joelhos diante da mesa, com as mãos reverentemente juntas. Seu bem-alinhado coro toma posição, formando um semicírculo atrás dele. Enquanto o orador ora, o coro canta baixinho, os lábios de cada membro apenas ‘acariciando’ o microfone, no estilo de clube noturno.

      No fim da oração entra um videoteipe, fazendo propaganda da “chave de oração familiar” do pregador. É feito de modo bem profissional. Uma senhora idosa, obviamente devota e solitária, é apresentada escrevendo uma carta ao pregador. Em voz alta, ela conta como sua solidão e a maioria de seus outros problemas desapareceram desde que se juntou à “chave de oração familiar”.

      Voltamos agora ao pregador, no momento exato do seu sermão. A Bíblia não é agitada. O sermão é “frio”, com jargões de TV, o que significa que o pregador lhe fala como o faria se estivesse em sua sala de estar. Vez após vez repete a mesma coisa. Se quiser que suas orações sejam respondidas, terá que juntar-se à “chave de oração em família”. O que tem a “chave” a ver com o assunto? “A oração é a chave”, salmeia fervorosamente o pregador, “que abre os tesouros do céu”.

      Este é um exemplo do fenômeno que desperta a atenção, na religião norte-americana — a Igreja Eletrônica. Sua recém-adquirida sofisticação e popularidade está causando choques de surpresa nos meios religiosos e políticos, nos Estados Unidos. Seus astros mais brilhantes estão angariando mais dinheiro do que a maioria das grandes denominações norte-americanas. Quem são eles? Donde vieram? O que sustentam?

      A Igreja Eletrônica consiste em pregadores de TV que pagam seu próprio horário, o qual é usado para angariar fundos com os quais compram mais horário e assim por diante. Naturalmente, a maioria das emissoras de TV olha com suspeita quanto a vender espaços para um pregador que vai apenas solicitar pagamentos a seus telespectadores, de modo que os pregadores usam métodos meticulosos para evitar dar a aparência de que estão pedindo fundos ao vivo.

      Quais são alguns deles? Eles incentivam os telespectadores a escreverem pedindo um distintivo de lapela ou uma “chave de oração” grátis, quando então os telespectadores são colocados numa lista de correspondência computadorizada e daí a venda intensa começa. Ou oferecem um “serviço de aconselhamento” televisado e os que pedem ajuda são mais tarde contatados pelo correio. A correspondência computadorizada fez da Igreja Eletrônica um negócio muito lucrativo. Quão lucrativo? A seguir algumas cifras típicas:

      Oral Roberts, anterior curador pela fé, pentecostal, agora metodista, um tanto moderado, 60 milhões de dólares [5,4 bilhões de cruzeiros] por ano.

      Jerry Falwell, de Lynchburg, Virgínia, batista, com forte mensagem política, mais de 50 milhões de dólares [4,5 bilhões de cruzeiros], por ano.

      Pat Robertson começou o primeiro programa religioso popular com entrevistas de convidados e agora tem sua própria rede de difusão a partir de sua nova sede de 20 milhões de dólares [1,8 bilhão de cruzeiros]. Sua Rede de Difusão Cristã angariou 70 milhões de dólares [63 bilhões de cruzeiros], no ano passado.

      Jim Bakker, anterior associado de Robertson, começou seu próprio programa com convidados para entrevistas e sua rede fatura 53 milhões de dólares [4,8 bilhões de cruzeiros] por ano.

      Rex Humbard, com sua “Catedral do Amanhã” e seu palco espetacular, angaria 25 milhões de dólares [2,2 bilhões de cruzeiros], ou algo assim.

      A lista vai longe. Em suma, os principais astros da Igreja Eletrônica têm condições de gastar centenas de milhões de dólares para comprar horário no ar, a cada ano. De onde os obtêm?

      A maioria das pessoas que acompanha a Igreja Eletrônica não é rica. Benjamin L. Armstrong, que cunhou a expressão “Eletric Church” [Igreja Eletrônica], explica: “Como parte do conceito da Igreja Eletrônica, o ouvinte é condicionado a dar.” A maior parte daqueles milhões de dólares chega aos Pregadores Eletrônicos em quantias de US$ 25 [Cr$ 2.000,00] a US$ 50 [Cr$ 4.000,00] de cada vez. Jerry Falwell, por exemplo, talvez receba 10.000 cartas num dia de correspondência normal, mais da metade das quais contendo contribuições.

      Um detento em Pontiac, Michigan, ficou surpreso ao receber um pedido de US$ 35 [Cr$ 3.000,00], impresso por computador. Por quê? Ele diz: “A nota impressa a máquina explicava que um amigo meu, que preferia ficar no anonimato, havia . . . solicitado que uma oração especial fosse feita a meu favor, no programa . . . A oração foi feita, mas meu amigo não mandou resposta ao subseqüentemente exigido ‘cartão de donativo’ que lhe fora enviado pelo correio. Faria eu a gentileza de mandar um cheque?”

      Às vezes, o lance para pedir dinheiro é mais sutil. “Um dia desses assisti a um programa de TV que epitomou meus temores a respeito de difusões religiosas pagas”, disse certo observador. “O pregador colocou no vídeo dois números de telefone, durante o programa. Um deles poderia ser usado para interurbano a cobrar, pelos telespectadores que quisessem fazer donativos, mas, o outro, para quem quisesse conselhos, não poderia ser discado a cobrar.”

      Por que a constante demanda de dinheiro?

      Uma razão é que a Igreja Eletrônica tornou-se viável em grande parte graças a uma tecnologia caríssima. A maioria dos responsáveis por programas religiosos jamais poderia competir com a programação normal em rede para as audiências de massa, nos Estados Unidos. Falando sem rodeios, quando aparece um programa religioso na TV, a maioria das pessoas desliga o aparelho. O problema para a Igreja Eletrônica é: Como pode alcançar a minoria dedicada de telespectadores que deseja assistir a programas religiosos?

      A solução? “Revoluções na tecnologia de satélites, avanços no uso de computadores, o advento dos sistemas de TV por cabo e novas emissoras convencionais estão transformando os E.U.A. numa aldeia global e tornando economicamente viável uma ‘faixa estreita’ para um número relativamente pequeno de patrocinadores”, conforme destaca a revista Forbes. “Assim, o que acontece se nem todos desejam assistir a um programa religioso? . . . A TV, como as revistas, pode agora atender ao gosto de audiências específicas.”

      O resultado é um sistema financeiro diferente para a Igreja Eletrônica. Os telespectadores não patrocinam tais programas indiretamente por comprarem sabões em pó que são anunciados nos espetáculos. Ao invés disso, precisam patrocinar o programa diretamente, por meio de suas contribuições. Solicitar e garantir a continuidade de tais contribuições transformou-se numa maciça operação computadorizada para a maioria dos astros da Igreja Eletrônica. O computador é tão vital para a Igreja Eletrônica como o é o tubo da televisão.

      A necessidade constante de levantar fundos enlaça os Pregadores Eletrônicos num ciclo de ‘ou vai ou racha’. Iniciam-se grandes projetos, tais como “catedrais”, universidades ou hospitais, seguidos por desesperados apelos aos fiéis por mais dinheiro para “terminar a obra de Deus”. Conforme disse certo banqueiro local a respeito dum superastro da Igreja Eletrônica: “Existe apenas um problema num ministério semelhante ao de Jerry. Ele não pode parar de levantar fundos; se fizer isso, tudo se desmoronará.”

      Este aspecto da Igreja Eletrônica talvez traga à mente dos cristãos refletidos as palavras de Jesus encontradas no Sermão do Monte. Jesus disse, claramente: “Ninguém pode trabalhar como escravo para dois amos; pois, ou há de odiar um e amar o outro, ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis trabalhar como escravos para Deus e para as Riquezas.” — Mat. 6:24.

      Necessitando constantemente de vastas contribuições de seus telespectadores, será provável que os pregadores se arrisquem a melindrá-los? Dificilmente. A teologia da Igreja Eletrônica, sem surpreender, é simplista e agrada ao próprio indivíduo. “Não pergunte o que você pode fazer pela sua religião; pergunte antes o que sua religião pode fazer por você”, conforme Forbes o expressa.

      Mesmo alguns simpatizantes da Igreja Eletrônica admitem que ela tem pouco conteúdo. Conforme observa o teólogo evangélico Carl F. Henry: “Grande parte da religião de TV é muito voltada à casos de experiências pessoais, é muito estreita doutrinalmente para prover uma alternativa adequada à atual confusão religiosa e moral.” Em outras palavras, a religião de TV não pode realmente ajudá-lo a resolver os problemas da vida.

      Pelo contrário, conforme observa o professor de teologia de Harvard, Harvey Cox, os pregadores da Igreja Eletrônica “estão meramente perpetuando e aprofundando os valores de uma cultura materialística de consumo. Estão ajudando as pessoas a aceitarem alguns valores muito superficiais, enquanto prometem a salvação fácil em meio a um fundo essencialmente comercial”.

      Como pode tal mensagem se enquadrar com o aviso de Jesus de que o caminho à vida não é fácil, mas difícil — “estreito é o portão e apertada a estrada que conduz à vida, e poucos são os que o acham”? (Mat. 7:14) Soa isso como se a vida eterna poderá ser sua por meramente sintonizar o canal X?

      Considere esta admoestação adicional de Jesus Cristo: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz [estaca de tortura, Tradução do Novo Mundo], e siga-me.” (Luc. 9:23, Imprensa Bíblica Brasileira) Será que a pessoa nega a si mesma e toma cada dia sua “cruz”, escorada em frente da TV? Poderia Jesus Cristo realmente aprovar uma religioso que promete às pessoas uma salvação fácil — nenhuma estaca de tortura, nenhuma renúncia de si mesmo — em troca de apenas um cheque mensal a favor do “ministério mundial pela TV” de alguém?

      Antes, a impressão que dá é que a Igreja Eletrônica é um exemplo do século vinte de algo contra o qual o apóstolo Paulo avisou Timóteo quando disse: “Pois haverá um período de tempo em que não suportarão o ensino salutar, porém, de acordo com os seus próprios desejos, acumularão para si instrutores para lhes fazerem cócegas nos ouvidos; e desviarão os seus ouvidos da verdade, ao passo que serão desviados para histórias falsas.” — 2 Tim. 4:3, 4.

      Por que estão as pessoas dispostas a dar milhões de dólares para apoiar a Igreja Eletrônica? Porque estão ouvindo o que querem ouvir. É-lhes assegurado que Deus responderá às suas orações. Não precisam negar a si mesmas ou ‘levar a cruz’ ou fazer a obra que Jesus fez, mas estão “salvas” e Deus as ama — desde que continuem mandando os cheques.

      Contudo, mesmo que a teologia da Igreja Eletrônica seja vaga e imprecisa, sua política é clara e específica. Este é o assunto do artigo seguinte.

      [Destaque na página 5]

      A teologia da igreja eletrônica é simplista e agrada ao próprio indivíduo.

      [Destaque na página 6]

      MESMO alguns simpatizantes da igreja eletrônica admitem que ela tem pouco conteúdo.

      [Destaque na página 7]

      “ESTÃO ajudando as pessoas a aceitarem alguns valores muito superficiais, enquanto prometem a salvação fácil em meio a um fundo essencialmente comercial.”

  • A igreja Eletrônica causa impacto na política americana
    Despertai! — 1981 | 22 de setembro
    • Parte 3

      A igreja Eletrônica causa impacto na política americana

      O ORADOR falava de modo exaltado e enérgico. Brandindo a Bíblia diante de um grupo de 1.000 esposas de ministros, declarou: “Encontramos a solução para o caos político no país, para a ruína econômica, para a vergonha moral e para o enfraquecimento da família.”

      Qual era a solução? “Temos que unir os nossos corações e as nossas mãos para pôr esta nação novamente em ordem . . . Temos que exigir uma reviravolta”, disse o pregador do Texas, James Robison.

      Numa linguagem que agradaria a muitos cristãos sinceros, ele denunciou fulminantemente o aborto. “Se o massacre mutilador dos nascituros no ventre de sua mãe não é mau, então o homem jamais poderá ser culpado de pecado.”

      No ínterim, viajando pelo país, outro orador, igualmente eloqüente, dava conselhos a uma multidão de seus colegas. “O que podem fazer usando o púlpito?”, perguntou. “Vocês podem registrar pessoas para votar. Podem explicar os assuntos a elas. E podem apoiar candidatos, lá mesmo na igreja, aos domingos de manhã.” Assim como Robison, Jerry Falwell — superastro da Igreja Eletrônica — fazia vigorosa campanha por questões políticas.

      Muitas pessoas ouvem o que esses pregadores dizem. O programa semanal de TV, de James Robison, é levado ao ar por 100 emissoras. O programa de Falwell é até mesmo mais popular. Cada semana alcança entre 6 a 18 milhões de pessoas em aproximadamente 400 canais de TV e outras 400 emissoras de rádio.

      Tais pregadores políticos conservadores da Igreja Eletrônica estavam ansiosos de influenciar os eleitores nas eleições americanas, no fim do ano passado. Não muito antes das eleições, alguns deles falaram num Estudo dos Problemas Nacionais, em Dallas, Texas, o qual foi freqüentado por cerca de 15.000 religiosos fundamentalistas, a maioria ministros. O candidato republicano à presidência, Ronald Reagan, também falou ao grupo e louvou-o, dizendo: “Os religiosos na América estão despertando. Talvez na hora certa, pela causa do nosso país.” Foi calorosamente aplaudido.

      Naturalmente, Reagan ganhou a eleição em meio ao que tem sido chamado de “a maioria conservadora”. O grupo de ação religioso-político, a Maioria Moral, reivindica uma participação nessa vitória, dizendo ter registrado uns 4 milhões de eleitores durante a campanha, a maioria dos quais votou em Reagan. Significativamente, muitos senadores que sofreram oposição da Maioria Moral e de grupos similares, perderam suas cadeiras no Senado para políticos relativamente desconhecidos.

      Examinando as disputas pelo Senado, o Times de Nova Iorque comentou que “a Maioria Moral, a Voz Cristã e outros grupos conservadores, de orientação religiosa, desempenharam um papel ativo com ‘questões de moralidade’ usadas contra os liberais. Não importa quantos membros do Congresso ajudaram a eleger, é de esperar que seu efeito continue a se fazer sentir devido aos muitos titulares que impropriamente assustaram.”

      Certo pregador estava radiante, qualificando os resultados de “o maior dia pela causa do conservadorismo e pela moralidade americana em minha vida de adulto”. Outros estavam menos satisfeitos. A comissão dos Bispos Episcopais da América emitiu uma carta pastoral condenando o apoio dado pelos pregadores aos candidatos políticos. Os bispos afirmaram que tal apoio “em nome de Deus distorce a verdade cristã e ameaça a liberdade religiosa americana”.

      Outros pregadores também estão preocupados com as atividades políticas na Igreja Eletrônica. Certo ministro de Fort Worth objetou dizendo que enquanto os ajuntamentos tais como o Estudo dos Problemas Nacionais são taxados de não-partidários, “parece que sempre acabam transformando-se em comícios republicanos”. Até mesmo políticos conservadores expressaram preocupação, certo assessor de Reagan tendo dito que “este casamento da religião com a política é a coisa mais perigosa e arrepiante que já vi”.

      Nenhuma dessas críticas intimida ativistas tais como aquele que admite: “Há quinze anos eu me opunha ao que estou fazendo hoje, mas agora estou convencido de que este país está moralmente doente e não se corrigirá a menos que nos envolvamos.”

      Esses pregadores apontam rapidamente para a aparente hipocrisia dos clérigos liberais que foram politicamente ativos contra a guerra do Vietnã ou contra a energia nuclear, mas que denunciam um ativismo semelhante por parte dos conservadores. “Ninguém jamais acusou o Conselho Nacional de Igrejas de misturar religião com política”, queixa-se um deles, acrescentando que quando ele se envolve “isto é violação da separação da Igreja e do Estado”.

      Perto do fim da campanha eleitoral, era evidente que os líderes religiosos americanos estavam profundamente divididos. Os líderes religiosos liberais afirmavam que os pregadores conservadores davam a entender erroneamente que as pessoas que não concordassem com eles não eram cristãs. O Conselho Nacional de Igrejas, um alvo da ira de tais conservadores, emitiu uma declaração dizendo que “não se pode distinguir nenhum ‘voto cristão’ exclusivo”.

      Os conservadores, por outro lado, estavam convencidos de que participavam numa missão divina para fazer o país retornar à moralidade e que seus co-clérigos, liberais, eram parte do problema. De fato, quando a Maioria Moral decidiu que certo ministro batista, que servira 16 anos no Congresso, era muito liberal, ajudaram a organizar cerca de 2.000 voluntários para irem de casa em casa em apoio do adversário do ministro. “Foi o movimento da Maioria Moral que mui discretamente, porém mui eficientemente, cobriu meu distrito como se fosse uma tenda”, admitiu o pregador, que foi derrotado nas eleições primárias.

      Não há dúvida de que muitos dos ativos pregadores políticos da Igreja Eletrônica estão profundamente preocupados com a crescente maré de imoralidade nos Estados Unidos e no mundo. Muitos deles acham firmemente que uma nação que tolera o aborto não pode ter a aprovação de Deus, e qualquer cristão sincero terá que concordar. Crêem que a falta de interesse nacional na Bíblia contribuiu para o colapso moral a que assistimos hoje. Num sermão na TV, um de seus líderes disse: “Todos nós precisamos estudar a Bíblia e aprender a crer em Deus é vital que sigamos os Seus ensinamentos, a fim de que tenhamos energia para lutar contra as forças imorais e blasfemas que tomam conta da política e dos meios de comunicação.”

      Qual o cristão que negaria que temos de estudar a Bíblia e crer em Deus? A pergunta é: Será que Deus nos ensina na Bíblia a “lutar” pelo controle da política e dos meios de comunicação? Será esta a mensagem que a Palavra de Deus contém para a nossa geração?

      Talvez se lembre de que Jesus Cristo teve mais de uma oportunidade para exercer poder político, mas nunca escolheu fazer isso. Quando o povo viu que Jesus poderia alimentá-lo milagrosamente, tentou constituí-lo rei, sem dúvida pensando que seus problemas econômicos seriam resolvidos. O relato diz que “quando os homens viram os sinais que realizava [alimentando cerca de 5.000 homens com apenas cinco pães e dois peixes], começaram a dizer: ‘Este é certamente o profeta que havia de vir ao mundo.’ Jesus, portanto, sabendo que estavam para vir e apoderar-se dele para o fazerem rei, retirou-se novamente para o monte, sozinho”. — João 6:14, 15.

      Jesus não procurou poder político; fugiu dele! Por que deveria querer envolver-se na política suja da Judéia e da Galiléia? Conforme Jesus mais tarde disse a Pôncio Pilatos, “meu reino não faz parte deste mundo”. (João 18:36) Se o reino de Jesus não fazia parte deste mundo quando estava na terra, faz ele agora parte deste mundo só porque Jesus está no céu? Isto não seria lógico, não é mesmo?

      Jesus sabia que não poderia reformar a política corrupta de seus dias e não tentou fazer isso. Sabia que caso se tivesse convertido num messias político, prometendo liberdade da opressão romana, seria apenas manipulado pelos vários grupos interessados, tais como o partido nacionalista judaico zelote, e daí seria rejeitado. Nada disso teria redundado em glória a seu Pai, Jeová Deus.

      Será provável que Jesus Cristo esteja interessado em reformar a igualmente corrupta política atual? Ou é mais provável que os pregadores que se metem na política fiquem eles mesmos sujeitos a serem usados e corrompidos pela experiência? É significativo que a Maioria Moral não foi idéia de algum pregador. A idéia, e até mesmo o nome Maioria Moral, procedeu de um grupo de manipuladores políticos conservadores, os quais persuadiram o Sr. Falwell a apoiar a organização por causa de sua popularidade nacional, sua vasta lista de correspondência computadorizada e sua comprovada habilidade para levantar fundos. Mesmo o bem-conhecido astro da Igreja Eletrônica, Pat Robertson, dono do The 700 Club, admite que “os evangelistas correm o risco de serem usados e manipulados”.

      Não foi esta mesmíssima manipulação que Jesus tentou evitar quando recusou a oferta de “todos os reinos do mundo e a glória deles”, feita por Satanás? Por detrás daquela oferta original, havia algo que ainda existe hoje. Satanás pediu a Jesus que ‘se prostrasse e lhe fizesse um ato de adoração’. (Mat. 4:8, 9) O poder político está disponível aos ministros da Igreja Eletrônica. Tudo que têm a fazer para consegui-lo é continuar fazendo parte do sistema político deste mundo, controlado por Satanás. — João 14:30; 15:19; 2 Cor. 4:4.

      Sem dúvida, os cristãos apóstatas do quarto século se regozijaram quando, depois de tanta perseguição, sujeitos ao Imperador Constantino, obtiveram o controle político. Mas, que benefício lhes trouxe tal poder? “Quase imediatamente depois que os cristãos do Império receberam condição legal, os líderes eclesiásticos começaram a dar conselhos aos magistrados quanto a como comportar-se no cargo”, observa o teólogo Robert Culver. Logo a Igreja foi atraída plenamente à política romana, travando guerras e torturando seus inimigos. Valeu a pena o preço pelo poder político? Ou será que Satanás o usou simplesmente para induzir a Igreja a abandonar os preceitos de Cristo?

      Suponha que os pregadores da Igreja Eletrônica, embora bem-intencionados, viessem a obter o mesmo grau de poder político que o daqueles primitivos clérigos. Seriam capazes de resistir às influências corrompedoras do sistema político de Satanás? A História não indica que o seriam. De fato, em sua limitada atividade política até o momento, um deles admitiu publicamente ter recorrido a uma velha tática do Diabo — o engano. Foi obrigado a admitir que havia forjado uma conversação com o presidente dos Estados Unidos a respeito de alegados homossexuais na equipe presidencial. “Não deveria ter dito isso”, admitiu. “Obviamente foi uma declaração descuidada.”

      Os que confiam na política estão em última análise confiando nos políticos, homens imperfeitos, para resolver seus problemas. A Bíblia simplesmente não diz que os homens têm tal capacidade. Conforme observou Jeremias, que não desconhecia a corrupção política na Jerusalém pré-exílio: “Bem sei, ó Jeová, que não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” — Jer. 10:23.

      A ironia de confiar nos políticos — de esperar que alguns tenham uma moral melhor do que outros devido à sua posição em assuntos políticos — foi salientada nos pontos do “relatório moral” da The Christian Voice [A Voz Cristã]. O impressionante total de 94 pontos dentre 100 foi obtido por um congressista que havia sido denunciado sob acusações de suborno e por outro que admitiu ter problemas com o álcool e as inclinações homossexuais!

      A Bíblia fornece conselho sólido, realístico, quando diz: “Aquilo que foi feito torto não pode ser endireitado.” (Ecl. 1:15) Os sistemas políticos deste mundo são inerentemente ‘tortos’. Seu principal agente de poder, Satanás, é “mentiroso e o pai da mentira”. (João 8:44) Nem a História nem tampouco as Escrituras indicam que a humanidade alguma vez resolverá seus problemas por meio da política, a despeito de todas as boas intenções possíveis.

      Significa isso que não há esperança para a humanidade? Temos que nos conformar com a morte espiritual num dilúvio de sujeira e imoralidade? Não há nada que se possa fazer a respeito de abortos, homossexualismo, promiscuidade sexual juvenil, uso de crianças para pornografia e crescente divórcio?

      Algo poderá e será feito a respeito de todos esses problemas — e em breve! Leia a respeito disso no próximo artigo.

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