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  • Uma mensagem aos nossos leitores
    A Sentinela — 1979 | 1.° de julho
    • Uma mensagem aos nossos leitores

      O primeiro número de A Sentinela foi publicado em julho de 1879. Isto significa que esta revista já está sendo impressa durante um século (na sua edição original em inglês). E o vivo interesse que temos em nossos leitores induziu-nos a publicar este número especial.

      O artigo que segue na próxima página conta a história da Sentinela durante estes primeiros 100 anos. Faz reminiscências sobre como o mundo era nos primeiros anos desta revista, como o mundo mudou e como A Sentinela também se ajustou para acompanhar o progresso do esclarecimento bíblico. O artigo cita algumas passagens significativas que esta revista publicou no decorrer dos anos, e relata como ela triunfou sobre seus críticos e opositores.

      A seguir, vem um esboço gráfico, descrevendo como A Sentinela é impressa, traduzida e distribuída.

      Na página 13 começa um artigo que considera a veracidade de algumas doutrinas bíblicas, básicas, sobre as quais tem havido controvérsia entre muitas das religiões ortodoxas da cristandade.

      Depois vem outro artigo, explicando exatamente o que é o reino de Jeová. O que fará pela humanidade? Por que é tão importante anunciar o reino de Jeová neste tempo específico?

      Neste número especial são publicados dois artigos de estudo, nas páginas 20 a 30. O primeiro, “Quem É Que Está com a Verdade?”, identifica a Jeová como o Deus da verdade, que deseja que os povos da terra andem nos caminhos da verdade. Fornece exemplos emocionantes dos que têm andado com Deus, tanto na antiguidade como nos tempos modernos. Também, identifica claramente os que em nossos dias andam na verdade de Jeová.

      O segundo artigo de estudo trata da questão: Como guia Deus o seu povo? Por exemplo: Como obtiveram os primitivos cristãos o conhecimento exato da verdade? Tiveram às vezes idéias erradas? Neste caso, como foram corrigidos esses conceitos? E hoje, como é a verdade revelada ao povo de Deus? Será que a congregação cristã é infalível? Será que às vezes ela tem idéias errôneas, que precisam ser reajustadas? E em que difere das religiões da cristandade? Responde-se a estas e a outras perguntas.

      Convidamo-lo a ler e a examinar o conteúdo deste número especial de A Sentinela. Também, esperamos que goste dos números futuros desta revista, ao passo que ela entra no segundo século de sua publicação.

  • Vigilante por 100 anos
    A Sentinela — 1979 | 1.° de julho
    • Vigilante por 100 anos

      COM este número, A Sentinela já está sendo publicada por um século. Durante esses anos, tem havido muitas mudanças no mundo. A própria revista tem passado por algumas mudanças. Todavia, em alguns aspectos importantes, ela não mudou. Consideremos agora como A Sentinela tem sido vigilante por 100 anos.

      Esta revista veio à existência em julho de 1879. Um dos principais motivos de seu surgimento foi uma disputa sobre o resgate. Esta induziu Charles T. Russell a publicar a Watch Tower (Torre de Vigia, agora Sentinela), na qual escreveu mais tarde: “O Resgate [deve ser] defendido e as Boas Novas de grande Alegria proclamadas o mais extensamente possível.”

      O nome “Torre de Vigia” era apropriado, porque nos tempos antigos as sentinelas, sobre torres, muitas vezes avisaram outros de iminente perigo. Isto também é essencial em assuntos espirituais, porque Deus disse ao seu profeta Ezequiel: “Filho do homem, constituí-te vigia para a casa de Israel, e terás de ouvir a fala procedente da minha boca e terás de avisá-los da minha parte.” (Eze. 3:17) Esta revista tem procurado diligentemente viver à altura de seu nome, mantendo-se espiritualmente de sentinela.

      CONFIANÇA EM JEOVÁ

      No segundo número da Sentinela, expressamos nossa confiança em que ela ‘tinha a JEOVÁ por apoiador’. A editora desta revista sente-se grata por ter sido possível, agora já por décadas, levar aos seus leitores o “consolo das Escrituras” e a orientação fidedigna que somente a Palavra de Deus, a Bíblia, pode prover. (Sal. 119:105; Rom. 15:4) Contudo, a editora não aceita o crédito pela ajuda espiritual provida por esta revista. Procura ser ‘ensinada por Jeová’, o Altíssimo. — João 6:45.

      Esta confiança em Jeová Deus mostrou-se uma bênção, e tem havido evidência de apoio divino. O primeiro número da Sentinela teve uma tiragem de apenas 6000 exemplares, em um só idioma, sendo publicada mensalmente. Hoje, imprimem-se mais de 9.000.000 de exemplares duas vezes por mês. Também, A Sentinela está sendo publicada em 82 idiomas. Atribuímos este crescimento a Deus. — Zac. 4:6.

      EM DEFESA DA PALAVRA DE DEUS

      Desde o começo, esta revista tem defendido as verdades básicas da Bíblia. Por exemplo, declarou no seu número de agosto de 1882: “Afirmamos confiantemente que o nome Jeová nunca é aplicado nas Escrituras a outro senão ao Pai.” Reconhecendo o papel desempenhado pelo Filho de Deus, o primeiro número disse que “o mérito perante Deus está . . . no sacrifício perfeito de Cristo”.

      No decorrer dos anos, A Sentinela tem apresentado também verdades bíblicas tais como as relacionadas com a condição dos mortos, a esperança da ressurreição e o reino de Deus. (Ecl. 9:5, 10; Dan. 2:44; 7:13, 14; Atos 24:15) Especialmente os clérigos têm protestado contra isso. Por quê? Porque essas verdades contradizem muitos dos ensinos deles, tais como a imortalidade da alma, o purgatório, o tormento eterno e a Trindade. — Eze. 18:4; João 14:28.

      A Sentinela, desde o princípio, tem mostrado que, na segunda vinda de Cristo, sua parousia seria uma presença invisível, como poderosa pessoa espiritual. (Mat. 24:3; 1 Ped. 3:18) Além disso, sempre vigilantes, os primeiros números desta revista (de março e junho de 1880) apontaram para 1914 E.C. como ano culminante. Assinalaria o fim dos Tempos dos Gentios, de 2.520 anos de duração, durante os quais nações não-judaicas haviam de governar a terra sem interferência da parte de algum reino de Deus. — Luc. 21:24, Almeida.

      Naturalmente, embora esta revista tenha publicado tal matéria esclarecedora, não afirmamos ser infalíveis. Recorremos gratos a Jeová Deus em busca de instrução espiritual. (Sal. 119:169) Para o esclarecimento de conceitos, temos dependido da operação de seu espírito santo, ou força ativa. Este espírito “pesquisa . . . as coisas profundas de Deus”. — 1 Cor. 2:10.

      ESTAS “BOAS NOVAS” TÊM DE SER PROCLAMADAS

      Todavia, o verdadeiro cristianismo não envolve apenas pesquisar as Escrituras e aprender a verdade. Jesus comissionou seus seguidores a ‘irem e fazerem discípulos’, dizendo que as “boas novas” tinham de ser pregadas em todas as nações. — Mat. 28:19, 20; Mar. 13:10.

      Foi, portanto, apropriado que o nosso número de abril de 1881 contivesse um artigo intitulado: “Desejados 1.000 Pregadores.” Com o tempo, diversos responderam à chamada. Bem apropriadamente, outro número desta revista declarou: “Está pregando? Achamos que não haverá senão pregadores no pequeno rebanho [dos seguidores ungidos de Cristo]. . . . Sim, convoca-se-nos a sofrer com ele e a proclamar essas boas novas.”

      ACEITO O DESAFIO DE ATITUDES MUDADAS

      Os proclamadores das “boas novas” certamente se confrontavam com um desafio, em fins do século 19. É verdade que houve algumas mudanças no modo de vida, em muitos países. Por volta da década de 1880, já havia alguns telefones, luz elétrica e trâmueis ou bondes elétricos. A década de 1890 viu o surgimento de umas poucas “carruagens sem cavalo”, ou automóveis. Mas, para os proclamadores das “boas novas”, o desafio era lidar com as atitudes mudadas para com a Bíblia.

      Charles Darwin havia adotado a teoria da evolução do homem, com a sua obra A Origem das Espécies, de 1859. Com o passar do tempo, a evolução, o alto criticismo da Bíblia e coisas semelhantes representavam um desafio para os defensores da Palavra inspirada de Deus.

      A Sentinela sempre se empenhou em enfrentar o desafio das atitudes mudadas. Por exemplo, o número de março de 1885 continha um artigo intitulado “A Evolução e a Era do Cérebro”. Naturalmente, a teoria da evolução foi muitas vezes provada falsa nas páginas desta revista.

      Mas que dizer de outros críticos da Bíblia? Alguns afirmavam que o profeta Isaías errou ao mencionar Sargão como rei da Assíria, visto que a história secular não o mencionava. (Isa. 20:1) Mas a Sentinela de janeiro de 1886 salientou as descobertas que provaram que a Bíblia tinha razão.

      Estes são apenas exemplos. No decorrer dos anos, esta revista tem continuado a publicar informações que provam que as Escrituras são “a palavra de Deus”. (1 Tes. 2:13; 2 Tim. 3:16, 17) Não algum extraordinário estilo literário, mas a confiança em Jeová e na Bíblia habilitou A Sentinela a enfrentar o desafio das atitudes mudadas.

      EM DEFESA DO REINO DE DEUS

      Com os anos, a própria Sentinela sofreu algumas mudanças. Por exemplo, sua edição em inglês, de 16 páginas, tornou-se bimensal em 1892, e por volta de 1908, sua tiragem já havia aumentado para 30.000 exemplares por número. A partir de 1909, foi chamada de “A Torre de Vigia e Arauto da Presença de Cristo”. Mais tarde, deu-se um avanço muito significativo com o número de 1.º de março de 1939 (em português, em junho de 1939), quando passou a ser chamada “A Torre de Vigia Anunciando o Reino de Jeová” (a partir de janeiro de 1943, em português, “A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová”) A mudança do formato veio em 15 de agosto de 1950 (em português, 1.º de junho de 1957), quando esta revista ficou tendo 32 páginas. Desde então, trabalhos de arte, em cores, e ajustes no desenho da capa têm melhorado sua aparência.

      Mas, na defesa da Palavra e dos propósitos de Deus, A Sentinela não mudou em nada. Até hoje, permanece firme defensora do governo de Deus, “Anunciando o Reino de Jeová”. Outrossim, esta revista tem continuado vigilante por trazer à atenção os avisos bíblicos de se ‘manter desperto’ em sentido espiritual. Tem também alertado seus leitores a guerras, fomes, pestilências e outros indícios de que estamos nos “tempos críticos” que assinalam os “últimos dias”. — Mat. 24:3-14; Luc. 21:10-36; 2 Tim. 3:1-5.

      Quando findaram os Tempos dos Gentios, as nações ficaram cada vez mais envolvidas na primeira guerra mundial, que finalmente custou uns 10.000.000 de vidas. Após aquele conflito global, foi proposta a Liga das Nações, e entre os apoiadores entusiásticos dela havia a Igreja Anglicana e as igrejas canadenses. Em 18 de dezembro de 1918, o Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América (composto de representantes de diversas denominações protestantes) enviou ao Presidente Woodrow Wilson, dos Estados Unidos, a Declaração que adotou, dizendo: “Tal Liga não é apenas uma conveniência política; é antes a expressão política do Reino de Deus na terra.” Mas, a partir de 1919, A Sentinela tem mostrado destemidamente que a Liga das Nações fracassaria.

      No começo da segunda guerra mundial, em 1939, a Liga das Nações passou a ser inoperante. Esse terrível conflito ainda prosseguia em plena força, em 1942, quando testemunhas de Jeová se reuniram em assembléia e ouviram o discurso público ponderoso: “Paz — Pode Durar?” “Com o decorrer do discurso”, noticiou A Sentinela (em inglês), “a assistência teve uma visão mental do quadro verbal apresentado segundo Revelação, capítulo dezessete, e viu a identidade da fera cor de escarlate que agora ‘não é’, mas viram-na pronta para ascender do abismo para se tornar ‘a fera que era, mas não é, contudo estará novamente presente’, esta vez com a meretriz religiosa, babilônica, balançando suas pernas sobre as costas dela. Mas apenas por ‘uma hora’ no futuro, e então a meretriz é derrubada e destruída, e ‘o Rei dos reis e Senhor dos senhores’ destruirá esta . . . ‘fera de paz’ com suas sete cabeças e dez chifres”. Mesmo já antes do reaparecimento da Liga como Nações Unidas, em 1945, A Sentinela declarou corajosamente que nenhuma organização assim, feita pelo homem, estabelecerá a paz permanente, mas somente o reino de Deus o fará.

      ANUNCIANDO O REINO

      Após a primeira guerra mundial, a obra da proclamação das “boas novas” havia ganho ímpeto. Isto se deu especialmente em 1922, durante um congresso cristão em Cedar Point, Ohio, E. U. A. Secundando a convocação à atividade, feita nesta assembléia, A Sentinela exortou os proclamadores das “boas novas” a ‘anunciar, anunciar, anunciar o Rei e seu reino’.

      A década de 1920 terminou com o colapso do mercado de ações de Nova Iorque, resultando na Grande Depressão dos anos 1930, quando quase cada país do mundo ficou afetado pela alta taxa de desemprego e um grande recesso comercial. No entanto, apesar das dificuldades que possam ter sofrido em sentido econômico, os cristãos dedicados atingiram um marco histórico em 1931. Reunidos em congresso, adotaram entusiasticamente uma resolução (logo publicada na Sentinela), na qual declararam: “Alegremente adotamos e tomamos o nome dado pela boca do Senhor Deus, e desejamos ser conhecidos e chamados pelo nome . . . testemunhas de Jeová.” — Isa. 43:10-12.

      ALIMENTO ESPIRITUAL “NO TEMPO APROPRIADO”

      Um dos objetivos da Sentinela, conforme declarado logo no seu primeiro número, era “dar ‘alimento na época devida’ à ‘família da fé’”. (Luc. 12:42; Gál. 6:10, Versão Autorizada, inglês) Somos gratos de que tem sido possível, por intermédio destas páginas, trazer à atenção a Palavra de Deus e assim prover alimento espiritual “no tempo apropriado”, não somente em benefício dos seguidores ungidos de Cristo, mas também de seus companheiros da “grande multidão”. — Mat. 24:45; Rev. 7:4-10.

      Como ilustração, queira tomar os anos de 1933 a 1945, quando o “Terceiro Reich” de Adolfo Hitler tentou exterminar as Testemunhas de Jeová no Reich alemão. As atividades delas foram proscritas, e 6.019 foram presas, algumas delas duas, três ou mais vezes. Duas mil sofreram em campos de concentração. O total de 635 Testemunhas morreu na prisão, e 203 foram executadas. Mas a força espiritual foi mantida, em parte pela recordação de matéria anteriormente publicada na Sentinela, e por se introduzir clandestinamente nos campos e considerar ali a informação bíblica de novos artigos. Um exemplo notável de alimento espiritual “no tempo apropriado” foi o artigo da Sentinela sobre “Neutralidade”, primeiro publicado em fins de 1939. Este fortaleceu as Testemunhas de Jeová na sua já adotada atitude como cristãos neutros. — João 17:16.

      A oração, a confiança em Jeová e o apreço pelo alimento espiritual fortalecem a fé. Por isso, dentre os numerosos exemplos que poderiam ser citados, A Sentinela publicou estas palavras duma vítima dos campos de concentração, que escreveu na sua última carta: “Visto que mantive minha objeção, foi decretada a sentença de morte. . . . Tenho tanta paz, tanta tranqüilidade, que nem podem imaginar. . . . Meus queridos, satisfaçam meu desejo: sejam fiéis e fortes, para que em breve nos possamos ver outra vez para sempre.”

      Durante o mesmo período, os verdadeiros cristãos, em outras partes, aproveitaram-se do alimento espiritual “no tempo apropriado”, conforme publicado nesta revista. De 1933 a 1951, milhares de Testemunhas foram presas nos Estados Unidos, muitas delas por sua posição como cristãos neutros. Além disso, houve pelo menos 1.500 ataques por turbas contra as Testemunhas, naquele país. Mas, elas lutaram valentemente nos tribunais, e muitas vezes venceram, deixando assim um sinal indelével como lutadores pelas liberdades civis.

      Com o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasáqui, no Japão, em 1945, o mundo entrou numa era de medo e de incerteza. Os russos puseram em órbita o primeiro satélite fabricado pelo homem, em 1957, e a era espacial tornou-se realidade. Durante a década de 1960, houve distúrbios civis em vários lugares, e o nacionalismo passou a aumentar. No entanto, durante todos estes anos, A Sentinela esforçou-se a prover alimento espiritual oportuno. Em retrospecto, um notável exemplo de tal “alimento no tempo apropriado” parece ter sido os artigos da Sentinela, em 1962 (em português, 1963) esclarecendo a posição cristã de sujeição relativa às “autoridades superiores” governamentais. — Rom. 13:1-7.

      MANTENHA-SE VIGILANTE

      Vivemos hoje em tempos turbulentos. A poluição ameaça a saúde e a vida. Em muitíssimos casos, há evidência da desumanidade do homem para com o homem. Muitas vezes prevalece o egoísmo, as pessoas passam fome e sofrem de outras maneiras. Mas Jeová promete “arruinar os que arruínam a terra”. (Rev. 11:18) Portanto, há “boas novas” para os que querem aceitar isso com apreço, e esta revista continua a apresentar esta mensagem animadora.

      Já por 100 anos, A Sentinela tem sido vigilante em sentido espiritual. Se for da vontade de Jeová, continuará vigilante. Esperamos sinceramente que você continue vigilante junto com esta revista, aguardando com confiança o tempo em que Jeová Deus realizará a libertação dos sinceros, para obterem as plenas bênçãos de seus prometidos “novos céus” e uma “nova terra”. — 2 Ped. 3:11-13.

      [Fotos nas páginas 4, 5]

      O FIM DOS TEMPOS DOS GENTIOS

      [Foto na página 6]

      Os Tempos dos Gentios terminam em outubro de 1914

      [Foto na página 7]

      “Nosso Novo Nome” — Número de 15 de outubro de 1931

      [Foto na página 8]

      1939 — Nova Cor

      1950 — Novo Tamanho

  • A Sentinela — colocada à sua disposição
    A Sentinela — 1979 | 1.° de julho
    • A Sentinela — colocada à sua disposição

      [Foto na página 9]

      Há leitores da “Sentinela” em 205 terras.

      Tradutores ajudam a tornar a revista disponível em 82 idiomas. Todos são voluntários.

      [Fotos nas páginas 10, 11]

      Operações Gráficas Internacionais

      Começando com este conjunto gráfico em Nova Iorque, as gráficas da “Torre de Vigia” foram espalhar-se pelo globo.

      Mais de 3.000 voluntários operam as gráficas em todo o mundo.

      Rotativas de alta velocidade imprimem mais de 220.000.000 de exemplares por ano — no Oriente, na América do Norte e do Sul, na África e na Europa.

      ALEMANHA

      ÁFRICA DO SUL

      BRASIL

      JAPÃO

      [Fotos na página 12]

      Como Lhe É Entregue

      Para reduzir o custo, em alguns países os caminhões da Sociedade transportam as revistas a centros de distribuição.

      Cada ano, milhões de exemplares são enviados por correio aos assinantes.

      “A Sentinela” não é distribuída comercialmente; voluntários não-assalariados levam-na à sua porta.

  • Em defesa da verdade bíblica!
    A Sentinela — 1979 | 1.° de julho
    • Em defesa da verdade bíblica!

      ENQUANTO viajava no seu carro em direção ao sul, o oficial fez o que você provavelmente tem feito no trem, no ônibus ou no avião. Leu. Leu a Bíblia, e confrontou-se com um problema que você talvez já tenha tido.

      A narrativa, encontrada no livro bíblico de Atos, diz que o evangelista Filipe se aproximou e perguntou ao viajante etíope: “Sabes realmente o que estás lendo?” A resposta foi: “Realmente, como é que eu posso, a menos que alguém me guie?” — Atos 8:27-31.

      A maioria daqueles que hoje lêem a Bíblia têm sentido a necessidade de orientação. Isto é intensificado pelo fato de que as igrejas que usam a Bíblia têm tantas doutrinas conflitantes. É claro que nem todos estes ensinos diferentes podem ser a verdade bíblica. (1 Cor. 14:33) Mas, onde se pode obter ajuda valiosa para encontrar e conhecer a verdade bíblica?

      Foi com o objetivo de prover tal ajuda necessária que a revista A Sentinela passou a ser publicada em 1879. Defenderia as verdades vitais da Palavra de Deus. A página de título de seu primeiro número mostrou claramente que não estava devotada a propagar doutrinas eclesiásticas conflitantes, mas a divulgar verdades das Escrituras, as quais são proveitosas para “corrigir, para instruir em justiça”. (2 Tim. 3:16, 17, Almeida, rev. e corr.) Por exemplo, suscita-se a pergunta significativa:

      É VOCÊ IMORTAL, OU NÃO?

      No que se refere ao conteúdo da Bíblia, a maioria das pessoas pensa primeiro no que possa dizer a respeito delas e de seu futuro. O que amiúde vem à mente é algo que talvez tenham ouvido desde a infância, que cada pessoa tem em si uma alma imortal; isto é ensinado pela maioria das igrejas. Por isso, muitos esperam que, quando morrem, sua alma irá para o céu, a fim de estar com Deus.

      Seriam esses conceitos populares endossados pela Sentinela? Ao contrário, ela defende a verdade da Palavra de Deus sobre o assunto. Já em abril de 1881, o artigo “A Ressurreição” dizia:

      “Qualquer ser é corretamente chamado de alma ou pessoa. Este é o sentido e uso bíblico da palavra alma. . . . Lemos sobre a criação de Adão: ‘E o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida (ruah — o mesmo fôlego de que se diz que foi dado a animais, aves e peixes) e o homem tornou-se alma vivente’ (ser vivente). Gên. 2:7.” — P. 1.

      O artigo mostrou, com amplo apoio bíblico, que, na morte, a alma — a pessoa — morre. (Sal. 33:19; Isa. 53:10-12; Eze. 18:4) Biblicamente, quando uma pessoa (uma alma) morre, ela fica numa condição inconsciente, semelhante ao sono, até o tempo futuro da ressurreição. Por meio do milagre da ressurreição, a pessoa pode receber vida imortal no céu, como se deu com Jesus, ou ter a perspectiva de vida perfeita na terra paradísica. — Ecl. 9:5, 10; 1 Cor. 15:12-16, 50-53.

      Alguns dos que leram essas verdades nas páginas desta revista, no decorrer do último século, talvez tenham ficado chocados, porque seus líderes eclesiásticos não ensinaram nada disso. Mas, os tempos estão mudando. São cada vez mais os clérigos e teólogos, em todo o mundo, que admitem estas verdades bíblicas, há muito defendidas na Sentinela. Veja os seguintes exemplos:

      Oscar Cullmann, lente da Faculdade de Teologia da Universidade de Basiléia e da Sorbonne de Paris, escreveu:

      “Se perguntássemos hoje a um cristão comum . . . sobre o que ele concebe ser o ensino do Novo Testamento a respeito da sorte do homem após a morte, com poucas exceções, receberíamos a resposta: ‘A imortalidade da alma.’ Mas, esta amplamente aceita idéia é um dos maiores mal-entendidos do cristianismo.” — Immortality of the Soul or Resurrection of the Dead (1958), p. 15.

      O teólogo batista Dr. Robert Laurin explica:

      “O Novo Testamento não ensina a imortalidade da ‘alma’ desencarnada, da idéia platônica. O derradeiro destino do homem está num corpo num lugar terrestre.” — The Expository Times, fevereiro de 1961, p. 132.

      Robert Koch, professor católico do Antigo Testamento, em Roma, escreve:

      “A alma não existe como massa independente no corpo, como que numa prisão, da qual ficaria liberta na morte. A ‘alma’ é o homem na sua totalidade. O homem não tem uma alma, ele é uma alma.” — Teologia della redenzione in Genesi 1-11 (1966), p. 69.

      O “Frade” Pierre Pascal escreveu no periódico La Vie Catholique, da França:

      “A Bíblia ensina que, quando o homem morre, toda a sua pessoa morre. Todavia, ele tem a promessa de emergir do nada da morte, e de ser restabelecido em vida, no fim do tempo, por meio duma ressurreição.” — Julho de 1975, p. 37.

      Alguns talvez se surpreendam de que os clérigos admitem tais coisas. Mas, trata-se de verdades bíblicas que esta revista tem defendido já por 100 anos.

      COMO ISSO SE RELACIONA COM O INFERNO

      Levemos este assunto um passo mais adiante. Se a alma não é imortal e se os mortos não estão cônscios, mas estão aguardando uma ressurreição, como poderia ser verdadeira a doutrina das igrejas, de que Deus envia os iníquos para sofrerem tormentos num inferno? O fato é que a Bíblia não ensina nada disso. A Sentinela muitas vezes tem defendido a verdade bíblica neste assunto; este é apenas um exemplo disso:

      “Verificamos que [inferno] é a tradução da palavra hebraica seol, que significa simplesmente o estado ou a condição de morte. Não contém nem a mínima idéia de vida ou de tormento, . . . Mas, ainda assim, [os clérigos] continuam pregando esta idéia falsa sobre um inferno, o que não é nada mais do que calúnia contra o caráter de Deus.” — Novembro de 1883, p. 4.

      Será que os clérigos aceitam agora a posição bíblica sobre o inferno? Embora alguns relutem em dizê-lo diretamente, quando os líderes admitem o que a Bíblia diz sobre a “alma”, eles mostram que o “inferno de fogo” não tem base bíblica. Por exemplo, o pastor dinamarquês Kai Jensen admitiu a situação resultante:

      “A conversa sobre a perdição eterna é loucura. Não é cristianismo. Foi só no passado que houve pregadores do inferno, que trovejavam do púlpito sobre o diabo e o fogo inextinguível. Mas esse tempo acabou.” — Hvor gaar vi hen? (Para Onde Vamos?), p. 119.

      Embora a maioria talvez não ouça mais falar muito sobre o fogo do inferno, na sua igreja, é provável que tampouco aprenda ali o que a Bíblia diz sobre este assunto. Muitos são similares ao secretário duma autoridade da igreja presbiteriana na Austrália, que disse: “Evitamos o céu e o inferno, visto que perturba muitas pessoas. De fato, eu não me importaria de falar com alguém sobre isso, para esclarecer a minha própria mente.”

      A QUEM ADORA?

      Outra verdade bíblica defendida na Sentinela tem que ver com a identidade do verdadeiro Deus a quem adoramos. Milhões de pessoas têm repetido a chamada oração do “Pai-Nosso”, ensinada por Jesus. (Mat. 6:9-13) Mas, será que já pensaram no significado da frase: “Santificado seja o teu nome”, ou notaram a importância que Jesus deu a honrar o nome de Deus? (João 12:28; 17:6) Ou será que este nome lhes é desconhecido, porque os clérigos o evitam e os tradutores o substituem por “Senhor” e “Deus”?

      Muitos eruditos admitem agora a importância do nome. O teólogo católico John L. McKenzie escreve no Bible Dictionary (1965):

      “O Deus de Israel é chamado pelo Seu nome pessoal mais freqüentemente do que por todos os outros títulos em conjunto; o nome não só identifica a pessoa, mas revela seu caráter.” — P. 316.

      J. A. Motyer, Deão do Trinity College, da Inglaterra, acrescenta:

      “Muita coisa é perdida na leitura da Bíblia, quando nos esquecemos de olhar para mais além da palavra substituta [Senhor ou Deus], para o nome pessoal, íntimo, do próprio Deus. Por declarar seu nome ao seu povo, Deus intencionou revelar-lhes seu caráter mais íntimo.” — The Lion Handbook to the Bible (1973), p. 157.

      A Sentinela tem usado constantemente o Nome Divino. Por exemplo, depois de explicar que a palavra hebraica el significa “deus”, o número de outubro de 1881 (p. 9) passou a dizer:

      “Jeová é o principal ‘el’ e domina sobre todos os outros el — poderosos. E todos devem saber que Jeová é o nome aplicado a nenhum outro senão o Ser Supremo — nosso Pai, aquele a quem Jesus chamou de Pai e Deus.”

      E o número de 1.º de janeiro de 1926 tratou do importante tema: “Quem Honrará a Jeová?” Esta defesa do Nome de Deus prossegue. Desde a publicação da Tradução do Novo Mundo (em inglês, 1950-1961; em português, 1967), esta tem sido a versão mais vezes citada nela, porque usa o nome de Deus até mesmo no “Novo Testamento”, quando a evidência o favorece. O Professor G. Howard, há pouco tempo, tratou do uso do nome de Deus no “Novo Testamento”. É de interesse notar que ele salientou:

      “É razoável crer-se que os escritores do N[ovo] T[estamento], ao citarem as Escrituras, preservaram o tetragrama [o nome de Deus em hebraico] dentro do texto bíblico.” — Journal of Biblical Literature, 1977, pp. 63-83.

      A Sentinela destacou este mesmo ponto já anos antes.

      O Professor Howard disse também que, mais tarde, quando o nome de Deus foi tirado e substituído por “Senhor”, isto provavelmente criou confusão para se distinguir o Senhor Jesus do Senhor Jeová; isto contribuiu para a agora amplamente crida doutrina da Trindade.

      DEUS TRINO?

      A fórmula “Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo” flui facilmente da boca de muitos. Resume seu conceito de que há três pessoas coiguais e coeternas em Deus.

      No entanto, A Sentinela, já por um século, tem exortado os leitores a examinarem o que a Palavra de Deus diz realmente sobre o assunto, tal como mostrar-se repetidas vezes que Jesus não é igual ao seu Pai, mas é inferior e está sujeito a Jeová. (João 14:28; 17:3; 1 Cor. 11:3) Citando-se um exemplo, o seguinte foi publicado em 1882, junto com textos em apoio:

      “Cremos assim em um só Deus e Pai, e também em um só Senhor Jesus Cristo. . . . Mas estes são dois, e não um só ser. . . . Rejeitamos, como totalmente não-bíblico, o ensino de que [Jeová, Jesus e o espírito ou a força ativa de Deus] sejam três Deuses em uma só pessoa, . . . A doutrina da Trindade surgiu no terceiro século.”

      Que a Trindade não é apresentada na Bíblia, mas é um desenvolvimento eclesiástico posterior, está sendo admitido agora cada vez mais. Na Suíça, o Vocabulaire biblique (1954, p. 72) declara: “Nenhuns escritos do Novo Testamento oferecem qualquer garantia explícita dum Deus trino.” Ian Henderson, da Universidade de Glasgow, escreve na Encyclopedia International (1969):

      “A doutrina da Trindade não fazia parte da pregação dos apóstolos, conforme esta é relatada no Novo Testamento.” — P. 226.

      Daí, o jornal Observer, de Londres, noticiou em 3 de dezembro de 1978:

      “Um dos principais teólogos anglicanos da Grã-Bretanha, o Rev. Dr. Geoffrey Lampe, . . . surgiu com um forte desafio à histórica doutrina cristã da Trindade. . . . Ele disse que a doutrina da Trindade — de Deus consistir em três ‘Pessoas’ — ‘não tem muito’ futuro.”

      Quando os teólogos se restringem ao que a Bíblia diz sobre Deus e Cristo, em vez de em doutrinas eclesiásticas, posteriores, o resultado é muitas vezes o que esta revista já está defendendo por muito tempo. O Doutor de Teologia J. Schneider, de Berlim, Alemanha, escreveu:

      “Jesus Cristo não usurpa o lugar de Deus. Sua unidade com o Pai não significa identidade absoluta de ser. Embora o Filho de Deus, no seu ser pré-existente, estivesse na forma de Deus, resistiu à tentação de ser igual a Deus (Fil. 2:6). . . . Embora completamente coordenado com Deus, permanece subordinado a ele.” — Theologisches Begriffslexikon zum Neuen Testament (1965), Vol. 2, p. 606.

      A VOLTA VITAL DE CRISTO

      Relacionado com a ressurreição de Jesus por Deus há um evento da maior importância para todos os cristãos. Trata-se da volta de Cristo, ou da sua segunda vinda. Jesus manteve este assunto vital diante de seus seguidores, e eles aguardavam com ansiedade essa volta. Pouco antes de sua morte, imploraram-lhe: “Dize-nos: Quando sucederão estas coisas e qual será o sinal da tua presença [em grego: parousia] e da terminação do sistema de coisas?” (Mat. 24:3; Atos 1:6) A Bíblia conclui com as palavras emocionantes de Jesus: “Sim; venho depressa”, ao que o apóstolo João respondeu fervorosamente: “Vem, Senhor Jesus.” — Rev. 22:20; 1:7.

      Uma enciclopédia luterana menciona quão vital é este ensino:

      “Todas as expectativas quanto ao futuro eram dominadas pela certeza de que o Senhor voltaria e estaria para sempre com a sua congregação, . . . Esta esperança deu aos primitivos cristãos a inabalável confiança de que todos os poderes e todas as mudanças neste mundo são apenas temporários: Cristo está vindo!” — The Encyclopedia of the Lutheran Church, Vol. III, p. 2149.

      Que contraste chocante, porém, há nas crenças influentes dos modernos teólogos! Por exemplo, há pouco tempo, o Dr. A. C. Thiselton, da Universidade de Sheffield, Inglaterra, resumiu as principais:

      O teólogo católico Teilhard de Chardin “tem pouco a dizer sobre a parousia [ou: presença]”. Paul Tillich apresenta “uma teologia do futuro, na qual a parousia praticamente não desempenha nenhum papel”. Rudolf Bultmann “considera a parousia como mito escatológico”. E J. A. T. Robinson afirma que ‘o próprio Jesus não esperava que houvesse uma segunda vinda’. — Tyndale Bulletin, 1976, pp. 27-53.

      Visto que os clérigos tiram a ênfase da volta de Cristo, esta grande verdade tem pouco significado na vida da maioria dos religiosos praticantes. Considere apenas um exemplo da seriedade disso: A volta de Cristo envolve o derradeiro triunfo da justiça sobre a iniqüidade; portanto, o que acontece à preocupação das pessoas com a justiça, quando os líderes espirituais dão a entender que Jesus talvez nunca volte?

      Todavia, coerente com as Escrituras e com o modelo dos primitivos cristãos, desde o seu primeiro número, em 1879, a Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo (como se chamava originalmente A Sentinela) tem proclamado e defendido a volta e presença de Cristo.

      Além disso, o que temos presenciado em nossa vida — guerras, fome, terremotos, violação da lei em escala global — é ampla prova de que AGORA testemunhamos o ‘sinal da presença de Cristo’, profetizado por Jesus. (Mat. 24:3-14) Isto significa que o fim do sistema de coisas está muito próximo! Certamente, esta e outras verdades bíblicas, que acabamos de considerar, merecem ser defendidas. Isto se dá especialmente porque Jesus disse que os que querem agradar a Deus “têm de adorá-lo com espírito e verdade”. — João 4:24.

      [Foto na página 13]

      CÉU

      INFERNO

      ALMA

      RESSURREIÇÃO

      JESUS

      VOLTA DE CRISTO

      TRINDADE

      O NOME DE DEUS

  • O Reino de Deus — a única esperança
    A Sentinela — 1979 | 1.° de julho
    • O Reino de Deus — a única esperança

      A HUMANIDADE é afligida por toda espécie de dificuldades. Mas, há uma solução para isso. Do que se precisa é um governo mundial justo, que administre os assuntos da terra de maneira amorosa e atenciosa, em benefício de todos. Não seria de se esperar que esta solução fosse o tema do ensino de Jesus?

      E foi. “O Reino foi o tema predominante de seu ensino”, observou o periódico religioso Christianity and Crisis, acrescentando: “Nenhum outro assunto ocupou tanto a mente dele ou foi tão central para a sua mensagem. É mencionado mais de cem vezes nas narrativas evangélicas.” Sim, Jesus disse: “Tenho de declarar as boas novas do reino de Deus . . ., porque fui enviado para isso.” (Luc. 4:43) Ele ensinou aos seus seguidores a orar pela vinda do reino de Deus. — Mat. 6:9, 10.

      O que é o reino de Deus? Como virá para solucionar as dificuldades do mundo?

      VERDADE BÍBLICA VITAL

      A maioria das pessoas sabe que o rei é um governante, e que o reino dele inclui o domínio ou território sobre o qual reina. Portanto, não deve ser difícil de compreender que o reino de Deus será um domínio ou governo sobre a terra inteira, administrado por seu próprio Filho, Jesus Cristo. Este reino de Deus substituirá todos os governos da terra.

      Esta verdade bíblica sobre o Reino tem sido enfatizada na Sentinela já por 100 anos. De fato, desde 1939 (em português, desde 1943), o nome oficial desta revista tem sido “A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová”. O número de dezembro de 1881 dizia: “O estabelecimento deste reino, naturalmente, envolverá a derrubada de todos os reinos da terra, visto que todos — mesmo os melhores deles — se baseiam na injustiça, em direitos desiguais, na opressão de muitos e no favor de poucos — conforme lemos: ‘Esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre.’” — Dan. 2:44.

      No entanto, a maioria das pessoas, inclusive os professos cristãos, desconhece esta verdade bíblica. Verifique isso. Conforme tenha a oportunidade, pergunte às pessoas: ‘O que é o reino de Deus, e como virá?’ Talvez fique surpreso com a muita confusão sobre o assunto, e com o pouco entendimento. Por que se dá isso?

      A CULPA É DOS LÍDERES RELIGIOSOS

      Isso acontece porque os próprios líderes religiosos estão confusos sobre o Reino. Um editorial no periódico The Church Quarterly Review admite:

      “Já por algum tempo estamos em perigo de ser inundados pela crescente onda de teorias e contrateorias sobre qual é realmente a idéia essencial do Reino.”

      Na maior parte, por causa da confusão religiosa, as igrejas têm-se expressado pouco sobre o assunto. Francis P. Miller, destacado presbiteriano, lamentou:

      “O silêncio da maioria dos cristãos sobre o Reino de Deus é uma das maiores tragédias dos nossos tempos.” Por isso, em conclusão, ele escreveu: “Como leigo, rogo aos nossos teólogos e aos nossos clérigos: Falem-nos sobre o Reino de Deus, expliquem-nos o que é e como deve ser relacionado com o mundo dos nossos tempos . . . A necessidade é urgente. Nossos teólogos e clérigos precisam expressar-se em palavras que os leigos possam entender, sobre o Reino de Deus que está próximo.” — Christianity and Crisis, 13 de junho de 1960.

      Mas, fazem isso? O desconhecimento e a confusão da maioria das pessoas a respeito do reino de Deus revela que não fazem isso. Pense por uns instantes nas idéias que ouviu expressas sobre o Reino. Será que refletem alguns dos seguintes conceitos ensinados pelas igrejas?

      CONCEITOS DAS IGREJAS

      Por muito tempo ensinava-se que a Igreja Católica Romana, na realidade, era o reino de Deus na terra. Mas, na primeira parte deste século, a Enciclopédia Católica (1910, em inglês), dizia sob “Reino de Deus”:

      “O ‘reino’ não significa tanto um objetivo a ser alcançado ou um lugar . . . antes, é uma disposição mental (Lucas, xvii 20-21), representa uma influência que precisa permear a mente dos homens, se eles hão de ser um com Ele e atingir os Seus ideais.”

      Parece-lhe isso familiar? Tem sido muito popular e foi expresso por muitos líderes eclesiásticos. Por exemplo, a Convenção dos Batistas do Sul, de 1925, expressou-o do seguinte modo:

      “O Reino de Deus é o reinado de Deus no coração e na vida da pessoa, em toda relação humana, e em toda forma e instituição da sociedade organizada. . . . O Reino de Deus será completo quando todo pensamento e vontade do homem forem levados ao cativeiro à vontade de Cristo.”

      No entanto, há outro conceito popular. As igrejas também identificaram o reino de Deus com os esforços políticos dos homens de solucionar as dificuldades do mundo. O sacerdote católico Martin K. Hopkins, tratando da oração que Jesus ensinou, escreveu: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Isto explica como virá finalmente o reino de Deus. Requer olhar-se além dos dias atuais e trabalhar pelo restabelecimento de todas as instituições humanas em Cristo.”

      Que dizer destas diversas idéias? Depende o Reino de algum modo dos esforços humanos de cristianizar instituições e povos? É o Reino um “reinado de Deus no coração e na vida da pessoa”?

      CONCEITOS INCORRETOS

      Os conceitos acima mencionados sobre o reino de Deus, que tantas pessoas têm, são incorretos. Não estão em harmonia com a Bíblia. E, nos últimos tempos, isto tem sido admitido pelos próprios líderes eclesiásticos. O Dicionário da Igreja Apostólica, editado por James Hastings (em inglês), declara:

      “Praticamente não há nenhum vestígio nas Epístolas, da idéia medieval de que a Igreja, na terra, seja o Reino de Deus. E a idéia de alguns hodiernos escritores teológicos, de que este mundo, como o conhecemos, se desenvolverá sob a influência cristã até se tornar o Reino, é bastante alheia ao pensamento delas.”

      Embora os líderes eclesiásticos costumassem referir-se ao Reino como sendo uma ‘disposição mental’ ou um ‘reinado no coração’, este conceito, em geral, é agora abandonado, conforme observa o periódico The Church Quarterly Review:

      “Alguns de nós podemos lembrar-nos dos dias em que esta questão não envolvia nenhuma dificuldade. O Reino era simplesmente o reinado de Deus no coração e na vida da pessoa . . . Hoje, esta simplicidade não se tornou mais do que a nota dum jornalismo antiquado ou de programa político.”

      Em contraste com os conceitos incorretos das igrejas, porém, a mensagem do Reino, proclamada pelas colunas da Sentinela, tem provado estar em harmonia com a Bíblia. Sim, as Escrituras mostram claramente que o reino de Deus é um reinado de Deus exercido por intermédio de seu Filho, Jesus Cristo. Este governo foi predito na Bíblia nas seguintes palavras: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros . . . Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim.” (Isa. 9:6, 7, Imprensa Bíblica Brasileira) O governo celestial do reino de Deus é iminente. Em breve derrubará e substituirá todos os governos humanos. — Dan. 2:44.

      A ATITUDE CRISTÃ

      Portanto, qual é a atitude cristã, correta, para com este sistema que o reino de Deus deve substituir? A Bíblia explica que o mundo atual está sob o domínio de Satanás. (Mat. 4:9; João 12:31; 14:30; 2 Cor. 4:4) Há muito tempo, já trazendo à atenção esta verdade, o número de dezembro de 1882 da revista A Sentinela explicava:

      “Se entendermos claramente que os governos atuais são os do ‘príncipe deste mundo’ e terão de ser despedaçados e ceder seu lugar ao Reino de Deus, pelo qual oramos: ‘Venha o teu reino’, então não teremos mais o desejo de misturar-nos de algum modo com eles.”

      Em contraste com as igrejas da cristandade, A Sentinela, durante os últimos 100 anos, tem mostrado aos seus leitores a atitude cristã, correta, conforme declarada por Jesus: “Não fazeis parte do mundo.” Tem enfatizado repetidas vezes o ensino de Jesus: “Meu reino não faz parte deste mundo.” (João 15:19; 18:36) Portanto, em vez de se meterem nos assuntos políticos deste mundo, os verdadeiros cristãos têm apoiado de todo o coração o governo do reino de Deus. — João 6:15.

      O QUE O REINO DE DEUS TRARÁ

      O que esperaria dum governo da parte de Deus? Em primeiro lugar, certamente esperaria que seu governante fosse justo, bondoso e compassivo. E o próprio Jesus Cristo mostrou ser tal pessoa. (Mat. 11:28-30) Cristo, sob a direção de Deus, tem escolhido pessoas com as mesmas qualidades, para governarem com ele no céu. (Luc. 22:28-30; Rev. 5:9, 10; 20:6) Um destes homens escreveu a outro, que tinha a mesma esperança: “Se perseverarmos, havemos também de reinar juntos.” — 2 Tim. 2:12.

      Certamente, esperaríamos que o reinado de tais reis fosse de justiça e paz, dando felicidade e saúde a toda a humanidade — seus súditos na terra. Cristo demonstrou seu poder dado por Deus para curar toda forma de doença, quando estava na terra; até mesmo ressuscitou os mortos! Sob o governo do Reino, exercerá novamente estes poderes milagrosos, para abençoar e beneficiar cada pessoa na terra! Com o tempo, toda a terra será transformada num belo paraíso. — Luc. 23:43; Rev. 21:4.

      O reino de Deus, certamente, é a única esperança para a obtenção das bênçãos que todos ansiamos tão fervorosamente!

      [Destaque na página 19]

      O governo celestial do reino de Deus é iminente. Em breve derrubará e substituirá todos os governos humanos.

      [Foto/Quadro na página 17]

      CONCEITOS BÍBLICOS

      “Meu reino não faz parte deste mundo.” — Jesus, João 18:36.

      “E o governo estará sobre os seus ombros . . . Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim.” — Isa. 9:6, 7, “Imprensa Bíblica Brasileira”.

      CONCEITOS DAS IGREJAS

      “O reino de Deus virá por . . . trabalhar pelo restabelecimento de todas as instituições humanas em Cristo.” — Um sacerdote católico.

      “O reino de Deus é o reinado de Deus no coração e na vida da pessoa.” — Conv. dos Batistas do Sul

  • Quem é que está com a verdade?
    A Sentinela — 1979 | 1.° de julho
    • Quem é que está com a verdade?

      “Faze-me andar na tua verdade e ensina-me, pois tu és o meu Deus de salvação.” — Sal. 25:5.

      1. Qual é o significado da palavra verdade, e por que se pode dizer que Jeová é a base da verdade?

      A PALAVRA verdade é definida como se referindo àquilo que se harmoniza com os fatos, com a realidade. Indica aquilo que é direito e genuíno. A fonte ou base da verdade é o Criador Todo-poderoso do universo, Jeová Deus. Ele conhece a verdade sobre cada aspecto de sua criação. Sabe o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que é mau. Sabe a verdade sobre o que aconteceu no passado, e por que aconteceu, bem como o significado das atuais condições do mundo. Conhece também a verdade sobre o futuro, visto que já decidiu qual será. — Isa. 14:24.

      2. Como descreve a Bíblia a veracidade de Jeová?

      2 Por tais motivos, o salmista descreve o Criador como sendo “Jeová, Deus da verdade”. (Sal. 31:5) Portanto, quando Deus fala, suas palavras são sempre fidedignas: “A tua palavra é a verdade.” (João 17:17) Quando ele dá instruções sobre o comportamento humano, estas são sempre certas: “Todos os teus mandamentos são verdade.” (Sal. 119:151) Quando ele promete algo, podemos confiar nele: “Não falhou nem uma única de todas as boas promessas que Jeová fizera . . . tudo se cumpriu.” (Jos. 21:45) De modo que a Bíblia diz a respeito de Deus: “Justos e verdadeiros são os teus caminhos, Rei da eternidade.” — Rev. 15:3.

      ANDAR NA VERDADE

      3, 4. (a) Como é que se anda na verdade? (b) Por que quer Jeová que os homens andem na verdade?

      3 É lógico que o Deus da verdade quer que suas criaturas humanas andem na verdade. Como se deve fazer isso? Por se obter conhecimento exato de quem é Deus e de quais são os seus propósitos, aprendendo-se então o que ele quer que se faça e fazendo-o. (João 17:3; 1 João 2:3, 4) Significa realmente que o andar na verdade se torna um modo de vida, “O Caminho”, como a Bíblia o expressa. — Atos 9:2.

      4 Um motivo pelo qual Deus quer que os homens andem na verdade é que dá glória e alegria ao Criador quando sua criação humana reflete Suas excelentes qualidades. (Veja Gênesis 1:26, 27; Provérbios 23:24, 25.) Outro motivo é que, visto que Deus fez o homem, sabe o que é melhor para ele. Portanto, os que seguem suas instruções obtêm os maiores benefícios e até mesmo benefícios eternos para si mesmos e para outros. (Isa. 48:17) Um motivo adicional é que, por andarem na verdade, os homens podem ter o privilégio de se associar com o povo que Deus usa para informar os que buscam a verdade sobre Seus propósitos. É como os tempos bíblicos, sobre os quais Amós escreveu: “O Soberano Senhor Jeová não fará coisa alguma sem ter revelado seu assunto confidencial aos seus servos, os profetas.” — Amós 3:7.

      5. Que outro motivo vital há para se andar na verdade?

      5 Há ainda outro motivo vital para se andar na verdade. Quem anda assim torna público que apóia a legitimidade do domínio universal de Jeová. Esta fora desafiada pela criatura espiritual que se tornou rebelde, Satanás, o Diabo. (Gên. 3:1-4; Rev. 12:9) Esse desafio incluía o escárnio de que Deus não podia produzir pessoas que se mantivessem leais a ele e às suas verdades. (Jó 1:6-12) Portanto, manter-se alguém firme a favor da verdade, sob qualquer pressão, mostra que há pessoas de integridade, que não transigem no que é direito. (Pro. 27:11) Por outro lado, quem não anda na verdade faz muito mais do que apenas andar no erro. Quer intencionalmente, quer sem intenção, deixa-se enfileirar ao lado de Satanás, o “pai da mentira”, “o deus deste sistema de coisas”, que “tem cegado as mentes dos incrédulos”. — João 8:44; 2 Cor. 4:4.

      6. Como é que a verdade ficará firmemente estabelecida em toda a terra? Leia Provérbios 12:19.

      6 No entanto, o Deus da verdade fixou um limite de tempo à permissão da inverdade e de sua resultante iniqüidade. (Pro. 12:19; Ecl. 3:1) É do propósito de Deus, quando este limite de tempo expirar, esmagar este sistema satânico, eliminando-o da existência, junto com os que o promovem e preferem. (Dan. 2:44; Rev. 19:17-21) “Toda planta que meu pai celestial não tiver plantado será desarraigada”, predisse Jesus. (Mat. 15:13) Isto preparará o caminho para o novo sistema de Deus, em que “há de morar a justiça”. (2 Ped. 3:13) Isto significará uma sociedade terrena fundada em verdade, uma terra habitada apenas por aqueles que amam a verdade!

      7. Se amarmos a verdade, qual deverá ser nossa atitude?

      7 Portanto, se amarmos o que é direito e quisermos viver na nova ordem de Deus, é imperioso que andemos na verdade. Devemos ter a atitude do salmista, que orou: “Faze-me saber os teus próprios caminhos, ó Jeová; ensina-me as tuas próprias veredas. Faze-me andar na tua verdade e ensina-me.” (Sal. 25:4, 5) De modo similar, devemos acatar o conselho do profeta Samuel ao antigo Israel: “Não vos deveis desviar para seguir às irrealidades que não são de proveito e que não livram, . . . somente temei a Jeová, e tendes de servi-lo em verdade, de todo o vosso coração.” — 1 Sam. 12:21, 24.

      ‘MODELOS’ PARA O NOSSO TEMPO

      8, 9. (a) Que benefícios obteve Israel por andar na verdade, em contraste com as nações circunvizinhas? (b) O que aconteceu quando Israel deixou de continuar a andar na verdade?

      8 Os tratos de Deus com pessoas, no passado, fornecem ‘modelos’ ou exemplos para nós. Destes podemos aprender como Deus realmente lida com aqueles que andam na verdade e com os que não o fazem. (1 Cor. 10:11; Rom. 15:4) Um modelo de que podemos aprender é o do antigo Israel. Esta nação foi favorecida por receber as leis de Deus. Enquanto os israelitas andavam nas Suas verdades, eram ricamente abençoados. Por exemplo, não caíam vítimas de nações inimigas. (Deu. 28:7) Suas safras e seus rebanhos eram abundantes. (Deu. 11:8-15) Seu sistema social era tão ordeiro e tão altamente desenvolvido, que não havia necessidade de prisões. (Êxo. 22:1-15) Não sofriam as epidemias de doenças que sobrevinham às nações ímpias. (Deu. 7:15) E Jeová prometeu-lhes que, se continuassem a andar na verdade, ‘tornar-se-iam o mais abençoado de todos os povos’. (Deu. 7:14) Em contraste, note a condição degradante das nações cananéias, circunvizinhas, conforme menciona o Manual Bíblico, de Henry H. Halley:

      “Era assim, licenciosamente, que os cananeus prestavam seu culto aos deuses e também assassinando seus primogênitos em sacrifício dos mesmos deuses.

      “Parece que, em grande escala, a terra de Canaã tornou-se uma espécie de Sodoma e Gomorra de âmbito nacional. . . . Teria direito de continuar a existir por mais tempo uma civilização de tão abominável imundície e brutalidade? . . .

      “Os arqueólogos que têm escavado as ruínas das cidades dos cananeus admiram-se de Deus não as haver destruído há mais tempo.”

      9 Todavia, Israel deixou de continuar a andar na verdade. Em resultado, Deus retirou seu apoio daquela nação. Foi por isso que Jesus, no templo, disse a Israel: “Eis que a vossa casa vos fica abandonada.” (Mat. 23:38) Ele declarou também: “O reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que produza os seus frutos.” (Mat. 21:43) Não seriam mais a nação favorecida de Deus, suas testemunhas.

      10. Como veio a manifestar-se uma nova nação espiritual, no primeiro século?

      10 No primeiro século de nossa Era Comum, Deus desenvolveu uma nova nação espiritual. Tratava-se da congregação cristã, uma organização composta de pessoas de muitas nacionalidades diferentes. (Atos 10:34, 35; 13:46) O porta-voz designado por Deus, Jesus, lançara o alicerce para ela, dizendo: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.” (João 14:6) Por meio daquilo que ele ensinou e realizou, provou que realmente possuía a verdade e tinha o apoio de Deus. (Mat. 3:16, 17; 15:30, 31; Atos 2:22) Os cristãos do primeiro século provaram o mesmo, sendo claramente identificados como testemunhas cristãs de Deus. (Atos 1:8; 2:1-4, 43) O apóstolo Paulo disse a respeito das verdades que então fluíam por intermédio destes cristãos: “É a nós que Deus as tem revelado por intermédio de seu espírito.” Em contraste, ele observou: “Esta sabedoria, nenhum dos governantes deste sistema veio a conhecer.” (1 Cor. 2:8, 10) Aconteceu exatamente assim como Jesus dissera: “[Tu, Deus,] escondeste estas coisas dos sábios e dos intelectuais, e as revelaste aos pequeninos.” — Mat. 11:25.

      11, 12. (a) Como predisse a Bíblia o restabelecimento da verdadeira adoração em nosso tempo? (b) Para que fim haveria este restabelecimento?

      11 Até o fim daquele primeiro século, Deus realizara mais uma coisa. Terminara o inspirado registro escrito, que mais tarde podia ser usado como base para se saber a verdade. (2 Tim. 3:16, 17) Estas Escrituras completas incluíam muitas profecias, história escrita de antemão. (2 Ped. 1:21) Essas profecias mostravam que, após a morte dos apóstolos, começaria um período de desvio da verdade. (Atos 20:29) Mas, mostravam também que, posteriormente, durante a “parte final dos dias”, pouco antes do fim deste sistema, haveria o restabelecimento da verdadeira adoração. (Isa. 2:1-4; Miq. 3:12 a 4:5) Jesus mencionou que as pessoas seriam ajuntadas em dois grupos: as que fariam o bem aos irmãos de Cristo, andando na verdade, seriam recompensadas com a “vida eterna”; as que não fariam isso iriam sofrer o “decepamento eterno”. — Mat. 25:31-46; 2 João 4; 3 João 3, 4.

      12 O ajuntamento e a reorganização da congregação cristã, nos tempos modernos, teria vários objetivos. Em primeiro lugar, receberia instruções unificadas de Deus: “Ele nos instruirá sobre os seus caminhos e nós andaremos nas suas veredas”, diz a profecia de Isaías 2:3. (Também Miquéias 4:2.) Por andarem na verdade, estes servos de Deus apoiariam a legitimidade de Seu domínio universal, dando-lhe glória e honra, e recebendo muitos benefícios. (Pro. 12:22) Deus, por sua vez, os usaria como suas testemunhas hodiernas, equipando-os para transmitirem Sua mensagem à atual geração.

      13. Usou Jeová alguma vez mais de uma organização na terra, em qualquer tempo específico?

      13 Usaria Deus mais de uma organização para transmitir suas verdades nestes “últimos dias”? Ora, será que Deus usou alguma vez mais de uma, em qualquer outro período de julgamento? Nos dias de Noé, será que quaisquer outros barcos com gente, além da arca de Noé, tiveram a proteção de Deus e sobreviveram ao dilúvio? Não, apenas a arca e seus ocupantes sobreviveram. (1 Ped. 3:20) Havia duas organizações cristãs no primeiro século? Não, Deus lidou apenas com uma. O mesmo se dá também em nossos dias, havendo ainda apenas “um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. (Efé. 4:5) Que só poderia haver uma única congregação unida foi esclarecido pelas palavras de Paulo, de que “todos faleis de acordo, e que não haja entre vós divisões”. — 1 Cor. 1:10.

      “PELOS SEUS FRUTOS”

      14. Como se pode saber quem é que está hoje com a verdade?

      14 Como podemos saber hoje quem é que está com a verdade, estando assim habilitados para serem usados por Deus como suas testemunhas na terra? Um princípio básico para se distinguir o verdadeiro do falso foi expresso por Jesus, quando disse: “Pelos seus frutos os reconhecereis. . . . Toda árvore boa produz fruto excelente, mas toda árvore podre produz fruto imprestável.” (Mat. 7:16, 17) Sim, teria de haver “frutos”, ou evidência, de que o poderoso espírito santo de Deus estava apoiando este povo. E que espécie de frutos produziria este poder de Deus nos seus servos? Sua Palavra responde: “Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio.” — Gál. 5:22, 23.

      15. De que modo se relaciona o amor a Deus com o seu nome?

      15 Note especialmente o “fruto” mencionado primeiro, o do amor. Um modo em que os verdadeiros servos de Deus têm de manifestá-lo é assim como Jesus declarou: “Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente.” (Mat. 22:37) O amor a Deus é demonstrado de diversas maneiras. Uma delas é a de amar o nome de Deus. (Heb. 6:10; Sal. 69:36; 119:132) De fato, os cristãos tirados deste mundo têm de tornar-se “um povo para o seu nome”. (Atos 15:14-18) Quem são os que hoje defendem o nome de Deus (em português: Jeová) e o divulgam em toda a terra? — Isa. 43:10-12.

      16. Como se demonstra amor a Deus em conexão com os interesses do Reino?

      16 O amor a Deus significa também crer no seu iminente governo para toda a terra, seu Reino celestial, e divulgá-lo. Jesus ensinou-nos a orar: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mat. 6:9, 10) Quem dentre a humanidade toma hoje o reino de Deus como doutrina central de seu ensino e de sua pregação, assim como Jesus? Quem visita as pessoas nos seus lares, para falar-lhes sobre o que o reino de Deus fará na terra? Quem cumpre a comissão mencionada por Jesus, quando predisse: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim”? — Mat. 24:14.

      17. De que outra maneira manifesta-se o amor a Deus?

      17 O amor a Deus manifesta-se ainda de mais outra maneira: pela obediência a todas as suas leis. (1 João 5:3) Quando há um conflito entre as leis de Deus e as leis dos homens, a regra bíblica para os que realmente têm a verdade é: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” (Atos 5:29) Somente os que fazem isso obtêm o apoio do “espírito santo, que Deus tem dado aos que obedecem a ele como governante”. (Atos 5:32) Por exemplo, os cristãos, hoje, obedecendo às leis de Deus, “não fazem parte do mundo”, sendo neutros para com os assuntos políticos do mundo, assim como Jesus e os cristãos do primeiro século foram. (Luc. 4:5-8; João 6:15; 15:19; 17:14-16) Quem é que hoje em dia mantém tal separação do mundo com sua corrução política, sua violência e sua imoralidade, estando disposto até mesmo a sofrer encarceramento ou morte, por seguir os passos de Jesus? — 1 Ped. 2:21; veja também Hebreus, capítulo 13.

      18. Apresente outro sinal claro de identificação dos que realmente estão com a verdade.

      18 Ainda há outro aspecto deste “fruto” do espírito, o amor. Jesus disse: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) Muitos outros textos mostram também que tal amor seria o claro sinal de identificação dos verdadeiros servos de Deus. Por exemplo:

      “Os filhos de Deus e os filhos do Diabo evidenciam-se pelo seguinte fato: Todo aquele que não está praticando justiça não se origina de Deus, nem aquele que não ama seu irmão. . . . devemos ter amor uns pelos outros; não como Caim, que se originou do iníquo e que matou a seu irmão.” — 1 João 3:10-12.

      “Se alguém fizer a declaração: ‘Eu amo a Deus’ e ainda assim odiar o seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão, a quem tem visto, não pode estar amando a Deus a quem não tem visto.” — 1 João 4:20, 21.

      Que grupo internacional de pessoas mostra tal tipo de amor mútuo, não só em palavras, mas em atos? Durante o último século, que grupo se refreou, em tempo de guerra, de matar seus concrentes de outras nações, e de permitir que se interpusessem entre eles preconceitos raciais, nacionalistas, culturais ou econômicos?

      QUEM É QUE ESTÁ HOJE COM A VERDADE?

      19. Quem é que está hoje com a verdade, e por que diz isso?

      19 O que mostra a evidência a respeito deste fruto vital do espírito de Deus, o amor? Quem está à altura dele? Onde vemos uma grande multidão de pessoas, de todas as diferentes nacionalidades e raças, unidas em nome de Jeová, para o servir lealmente e para falar a outros sobre o seu reino? Sim, onde encontramos uma genuína fraternidade mundial, unida pelo amor? (Rev. 7:9, 10; Col. 3:14) A publicação religiosa Interpretation, num capítulo intitulado “A Bíblia e as Religiões Modernas, Testemunhas de Jeová”, observou o seguinte:

      “Na sua organização e obra de testemunho, [as Testemunhas de Jeová] chegam o mais perto que um grupo pode chegar a igualar a primitiva comunidade cristã.

      “Seu alheamento do mundo, sua urgência em dar testemunho e sua impassibilidade aos ataques do mundo são tais como só têm aqueles que firmemente crêem que estão entre os escolhidos e que têm dado sua lealdade sem reserva a Deus.

      “Poucos grupos fazem uso tão extensivo das Escrituras nas suas mensagens, tanto orais como por escrito, como elas. Poucos outros grupos obtêm daqueles que chamamos de leigos tanto serviço na promoção da obra da organização como elas.”

      20. O que devem fazer todos os que amam a verdade?

      20 A investigação imparcial da Palavra de Deus, comparando-a com os ensinos e as práticas das Testemunhas de Jeová, fornece a evidência de que são deveras apoiadas pelo espírito de Deus, e que ele as usa como seu instrumento para proclamar hoje a verdade. Todavia, todos os que amam a verdade são convidados a examinar esta afirmação, de que as Testemunhas de Jeová é que estão com a verdade. Fazendo isso, deveriam imitar aquilo que os do primeiro século fizeram, quando ouviram a pregação dos apóstolos: “Recebiam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim.” — Atos 17:11.

  • Como Jeová guia seu povo
    A Sentinela — 1979 | 1.° de julho
    • Como Jeová guia seu povo

      “Porque este Deus é o nosso Deus por tempo indefinido, para todo o sempre. Ele mesmo nos guiará até morrermos.” — Sal. 48:14.

      1. Como mostra a Bíblia que Jeová guia aqueles que o amam?

      NO DECORRER dos séculos, Jeová tem guiado os que o amam e que querem servi-lo. O salmista foi um deles, porque pediu a Deus: “Envia tua luz e tua verdade. Guiem-me estas mesmas.” (Sal. 43:3) O profeta Daniel sabia que “há nos céus um Deus que é Revelador de segredos”, e predisse que em nosso tempo, neste “tempo do fim”, ‘o verdadeiro conhecimento se tornaria abundante’. (Dan. 2:28; 12:4) Também Isaías profetizou que nesta “parte final dos dias” a verdadeira adoração ficaria “firmemente estabelecida” e que Jeová guiaria seu povo: “Ele nos instruirá sobre os seus caminhos e nós andaremos nas suas veredas.” De modo que se faz hoje às pessoas o convite: “Vinde, e andemos na luz de Jeová.” — Isa. 2:2-5.

      2. O que é que Jeová toma em consideração quando guia seu povo nas suas verdades?

      2 Como é que Jeová guia seu povo nas suas verdades? Em primeiro lugar, ele toma em conta que criou os homens com livre-arbítrio. Neste respeito, o apóstolo Paulo observou a “livre vontade” de Filêmon. (Filêm. 14) Visto que Deus criou este “livre-arbítrio”, não o anula por obrigar as pessoas a crer nas suas verdades ou a agir de certo modo, iguais a robôs. Assim, durante esta era cristã, ele apela amorosamente para as pessoas de coração justo a virem e se associarem com a sua organização aprovada, e depois as guia brandamente por meio do espírito santo, de sua Palavra inspirada e de sua organização divulgadora da verdade na terra.

      3. O que é especialmente importante termos em mente quanto a como Jeová guia seu povo?

      3 Outra consideração relacionada com a orientação que Deus dá ao seu povo é a que Deus dá entendimento de suas verdades no seu próprio tempo e do seu próprio modo. (Dan. 12:9) Também, Jeová guia seu povo de modo progressivo na verdade. Tendo criado a mente humana, Jeová sabe que demasiado pouco ‘alimento’ espiritual não a sustenta devidamente, mas que ‘alimento’ demais, de uma só vez, pode estar além da capacidade humana de absorvê-lo. Em João 16:12, Jesus disse aos seus apóstolos fiéis: “Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não sois atualmente capazes de suportá-las.” Para ilustrar isso: Quando alguém emerge dum longo confinamento num quarto escuro, o melhor é expô-lo pouco a pouco à luz. Luz demais, muito depressa, pode causar um choque e talvez até mesmo ser prejudicial. A necessidade de esclarecimento progressivo das verdades de Deus é similar. Isso corresponde ao que diz o sábio: “A vereda dos justos é como a aurora, cujo brilho cresce até o dia pleno.” — Pro. 4:18, Centro Bíblico Católico.

      4. (a) O que indicou Jesus sobre a necessidade de esclarecimento progressivo da verdade? (b) Visto que as verdades de Jeová são esclarecidas gradualmente, o que devem estar dispostos a fazer os seus servos?

      4 Jesus sabia muito bem que a maneira de Jeová era esclarecer progressivamente as suas verdades. Ele disse aos seus apóstolos que o espírito de Deus, mais tarde, os guiaria a toda a verdade. (João 16:12, 13) E visto que as verdades anteriormente estabelecidas seriam esclarecidas passo a passo, haveria a necessidade correspondente dos servos de Deus de corrigirem e ajustarem seus conceitos sobre diversos assuntos bíblicos, com o passar do tempo.

      ORIENTAÇÃO REFERENTE ÀS VERDADES DO REINO

      5, 6. Quanto ao reino de Deus, o que mostra que os discípulos de Jesus tinham conceitos incorretos?

      5 Ao guiar os cristãos do primeiro século, Jeová não lhes esclareceu de uma vez todas as verdades relacionadas com os seus propósitos. Por exemplo, considere a doutrina central da Bíblia, o reino de Deus. Jesus ensinou aos seus seguidores a orarem: “Venha o teu reino.” (Mat. 6:10) Ele exortou: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça.” (Mat. 6:33) Mas, será que seus seguidores, durante aqueles anos em que ele estava na terra, entenderam todos os pormenores sobre o governo do Reino? Puderam responder com exatidão a perguntas sobre ele, tais como: O que é o reino de Deus? Quem exercerá o governo nele e quantos governantes haverá? Quando virá? O que fará a favor da terra e dos homens?

      6 Que aqueles que conversavam com Jesus não possuíam todo este conhecimento é evidenciado pela pergunta que lhe fizeram após a ressurreição dele: “Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?” (Atos 1:6) Em vez de responder por falar-lhes sobre cada aspecto do governo do Reino, Jesus declarou: “Não vos cabe obter conhecimento dos tempos ou das épocas que o Pai tem colocado sob a sua própria jurisdição.” (Atos 1:7) Por que tratou Jesus o assunto desta maneira? Porque os discípulos tinham conceitos bem arraigados, mas errôneos, sobre o Reino. Acreditavam que o Reino seria um governo terrestre, que acabaria com a dominação pelos romanos. No entanto, a verdade era que o Reino havia de ser celestial, e que os escolhidos para governarem com Cristo seriam levados da terra para o céu. (Rev. 5:9, 10; 14:3; 20:4) Além disso, a pergunta deles mostrava que esperavam que o Reino fosse estabelecido imediatamente. Mas, não ia ser assim, porque se passariam antes muitos séculos.

      7. (a) Apesar de seus conceitos incorretos sobre o Reino, qual foi a atitude de Jesus para com esses discípulos? (b) Entendemos tudo sobre o governo do reino de Deus?

      7 Embora seus discípulos tivessem conceitos incorretos, Jesus não os condenou, nem rejeitou. Sabia que obteriam gradualmente o entendimento das verdades de Deus, e que o espírito santo guiaria progressivamente seus seguidores, para obterem entendimento claro no tempo devido. No fim, teriam conhecimento total sobre o governo do Reino. Mas, no ínterim, Jesus inculcou naqueles primitivos seguidores um profundo interesse e zelo em buscarem primeiro o Reino, e a disposição de fazer ajustes nos conceitos que tinham sobre ele. Assim, embora tivessem limitado conhecimento exato sobre as verdades do Reino, o que sabiam habilitava-os, enquanto esperavam, a ter “bem em mente a presença do dia de Jeová”. (2 Ped. 3:12) Hoje, nosso conhecimento sobre o governo do reino de Deus, o que é e o que realizará, é muito mais avançado, mas ainda assim não é inteiramente completo.

      VERDADES SOBRE OS GENTIOS

      8. Que problema havia com respeito aos gentios, e foi este pelo menos mencionado em Pentecostes?

      8 Outra questão que demonstra que o entendimento da verdade de Deus é progressivo tem que ver com a maneira em que os conversos não-judeus, ou gentios, eram encarados por alguns judeus que se converteram ao cristianismo. Por exemplo, deviam ser circuncidados, assim como haviam sido os judeus naturais? Foi esta questão pelo menos mencionada em 33 E.C., quando o espírito santo de Deus foi derramado em Pentecostes? (Atos 2:1-4) Não, porque, embora aquele derramamento confirmasse que Deus estava com aqueles discípulos e os guiaria daí em diante, não lhes deu milagrosamente conhecimento sobre cada pormenor das verdades de Deus. Isto pode ser visto no fato de que a questão da circuncisão só foi decidida em decretos emitidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém uns 16 anos depois de Pentecostes, no ano 49 E.C. — Atos 16:4.

      9-11. (a) Depois de seguirem a orientação de Jeová no decorrer dos anos, por que estavam os seus servos melhor habilitados a lidar com o problema da circuncisão? (b) Como ajudou a visão dada a Pedro no ajuste ao entendimento correto da verdade?

      9 Durante todos estes anos, Jeová permitiu que seu povo visse como ele realmente lidava com os gentios. Assim se aprofundaram seu apreço e entendimento do assunto. Portanto, quando surgiu uma questão que exigia ação decisiva, seus servos haviam ficado bem preparados para lidar com ela com sabedoria e perspicácia. Por exemplo, tome o ajuste que Pedro teve de fazer no seu conceito. Mais de três anos depois de Pentecostes, o apóstolo Pedro foi guiado por espírito santo a corrigir seu conceito sobre os gentios, que havia considerado como aviltados e impuros.

      10 Numa visão, mandou-se a Pedro que comesse de alimentos considerados impuros sob a lei mosaica. Quando ele, espantado, respondeu que nunca comia tais alimentos, uma voz do céu lhe disse que aquilo que Deus declarava puro não devia mais ser considerado impuro. E naquele mesmo instante chegaram mensageiros enviados pelo gentio Cornélio. Cornélio os mandara para pedir a Pedro que viesse à sua casa, para falar-lhe sobre os propósitos de Deus. Mas, Pedro acabava de expressar seu horror diante de comer alimentos impuros, e agora se lhe pedia ir ao lar dum gentio, a quem também considerava impuro! O que devia fazer? O espírito santo orientou a resposta: “Levanta-te, desce e vai com eles, não duvidando nada, porque eu os mandei.” — Atos 10:9-20.

      11 Pedro entendeu o ponto em questão. A visão sobre Jeová tornar puro algo que anteriormente havia sido considerado como impuro não se referia apenas ao alimento, mas, o que era mais importante, referia-se à atitude de Pedro para com os gentios. Mostrando que entendeu, Pedro disse mais tarde a Cornélio e aos de sua casa: “Por isso vim, realmente sem objeção, quando fui chamado.” Então foi derramado espírito santo sobre aquela família gentia, e eles foram batizados. O espírito santo havia mostrado que Deus favoreceria então os gentios sem eles serem circuncidados. — Atos 10:21-48.

      12. (a) Que problema adicional surgiu com respeito aos gentios, e quando? (b) Em que base podia o corpo central dar uma resposta decisiva?

      12 Todavia, satisfez isso todos os judeus cristianizados com respeito aos gentios? Não, porque se passaram mais 13 anos, quando a questão sobre se os gentios tinham de ser circuncidados foi levantada por alguns judeus circuncisos, que chegaram a Antioquia da Síria. (Atos 15:1, 2) Portanto, no ano 49 E.C., providenciou-se uma reunião com o corpo central dos apóstolos e outros anciãos em Jerusalém. Naquela reunião, Pedro, Paulo e Barnabé relataram o que Deus havia realizado entre os gentios incircuncisos, a quem haviam pregado. Depois de examinarem como Jeová realmente havia lidado com esses gentios já por muitos anos, eles confirmaram unanimemente o testemunho das Escrituras Sagradas, reforçando a verdade de que os gentios não precisavam ser circuncidados.

      13. Como vieram alguns a mostrar falta de apreço pelo modo em que Jeová guia seu povo, e com que resultado provável?

      13 Nem todos os seguidores de Cristo estavam dispostos a corrigir conceitos ultrapassados. Alguns tomavam os esclarecimentos como desculpa para abandonar a verdade, em vez de encará-los como evidência da maneira progressiva em que Jeová guiava seu povo. Por exemplo, quando Jesus apresentou a ilustração a respeito de se comer simbolicamente de sua carne e beber seu sangue, o registro bíblico diz que, “devido a isso, muitos dos seus discípulos foram embora para as coisas deixadas atrás e não andavam mais com ele”. (João 6:53-66) Quão míope isso era! Quanta falta de apreço pela maneira em que Jeová lidera seu povo! Trinta e oito anos mais tarde, alguns deles provavelmente pagaram um preço caro, visto que os que não continuaram a andar no entendimento progressivo da verdade também, sem dúvida, rejeitaram as ordens de Jesus, de fugir de Jerusalém, antes de ela ser destruída. Isto lhes custou a vida, ao passo que os que continuaram a deixar-se guiar por Jeová fugiram e foram poupados. — Luc. 21:20-24.

      ORIENTAÇÃO NOS NOSSOS DIAS

      14. Até que ponto foi corrigido nosso conceito sobre as verdades básicas durante o século que passou?

      14 Quando examinamos o que tem sido publicado pela organização de Jeová por meio das páginas da Sentinela e em outras publicações, no último século, encontramos uma abundância de alimento espiritual sadio. No começo deste período, esclareceram-se verdades básicas da Bíblia, que permanecem claras até o dia de hoje. Nosso conceito sobre o inferno, a trindade, o purgatório, a alma, sobre onde estão os mortos, o resgate, a ressurreição, o destino da terra, o Reino e outras doutrinas-chave praticamente não sofreram mudança nesses 100 anos. A verdade sempre é verdade, embora nosso entendimento dela às vezes exigiu ajustes. — Veja João 16:13.

      15. Tem havido necessidade de que os atuais servos de Jeová ajustassem seus conceitos?

      15 Jeová tem continuado a guiar seu povo passo a passo até um apreço mais pleno de suas verdades, e isto a seu próprio tempo e modo. Por causa disso, as Testemunhas de Jeová, desde os tempos mais primitivos no século decorrido, têm entendido que têm de estar dispostas a modificar e corrigir seus conceitos sobre doutrina, prática e procedimento organizacional, quando se torna evidente que o espírito de Jeová as dirige a fazerem tais ajustes. Conforme reconhecido por Bryan Wilson, na revista New Society (Nova Sociedade), as Testemunhas de Jeová “sempre têm sustentado que o estudo contínuo da Bíblia pode levar a um conhecimento mais pleno, e, em ocasiões anteriores, admitiram-se erros na interpretação profética”.

      16. (a) Por que é a profecia bíblica um campo que requer em especial a disposição de reajustar conceitos? (b) Como reagiram os servos de Jeová diante da informação sobre os “últimos dias”, e como foram apoiados nisso?

      16 O campo que talvez requeira realmente mais disposição para se reajustar é o da profecia bíblica. A maioria das profecias são fornecidas apenas em esboço geral. Por isso requer fé para aguardar o desenrolar dos pormenores. (Heb. 11:1) Um exemplo disso refere-se às profecias bíblicas que mostram que este atual sistema iníquo de Satanás será destruído e substituído por “novos céus e uma nova terra”. (2 Ped. 3:13) No entanto, fornecem-se na Bíblia aspectos suficientes do “sinal” geral do iminente fim, para marcar claramente o tempo atual como sendo os “últimos dias”, “o tempo do fim”. (2 Tim. 3:1; Dan. 12:4) Isto tem estimulado os servos de Deus a intensificar a obra de cumprir as palavras de Jesus: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” (Mat. 24:14) Tiveram êxito nisso e em sobreviver como organização, também em prosperar espiritualmente, apesar de enorme perseguição, bem como em revestir-se da nova personalidade e em demonstrá-la, neste mundo degradado. Tudo isso é testemunho do fato de que Jeová, deveras, os tem apoiado. — Isa. 54:17.

      17. Significa o não-cumprimento de nossas próprias expectativas prematuras que Jeová modificou seus propósitos?

      17 Entretanto, durante estes “últimos dias”, será que alguns servos de Jeová anteciparam conceitos errôneos sobre o fim ou telos (em grego) deste sistema? Sim, anteciparam. Alguns desses conceitos envolvem a duração do tempo até chegar o fim. Por zelo e por entusiasmo pela vindicação do nome, da Palavra e dos propósitos de Jeová, e pelo desejo do novo sistema, alguns de seus servos, às vezes, se precipitaram nas suas expectativas. Isto é similar ao conceito que os discípulos tiveram nos seus dias a respeito da iminência do reino de Deus. (Atos 1:6) Mas, só porque as expectativas, às vezes, foram prematuras e não se cumpriram, significa isso que Deus, de algum modo, mudou de propósito? De maneira alguma. “Meu próprio conselho ficará de pé e farei tudo o que for do meu agrado”, disse Jeová. (Isa. 46:10) Portanto, os propósitos e o tempo de Jeová para estabelecer uma nova ordem justa estão firmemente fixos.

      18. Por que é importante restringir-se às “coisas que estão escritas”?

      18 Isto certamente incute em nós a necessidade de pesarmos cuidadosamente todos os fatores bíblicos, não enfatizando alguns a ponto de ofuscar outros. Conforme o próprio Jesus disse com tanta clareza: “Acerca daquele dia e daquela hora ninguém sabe.” (Mat. 24:36) Há sempre necessidade de prestar detida atenção ao conselho do apóstolo Paulo: “Não vades além das coisas que estão escritas.” — 1 Cor. 4:6.

      19. Embora tenha havido reajuste em conceitos, como é o próximo fim deste sistema confirmado pela evidência?

      19 Embora muitas Testemunhas de Jeová tiveram de ajustar seus conceitos neste assunto, será que podemos negar que estamos no “tempo do fim”? Certamente, cada dia aumenta a evidência a respeito do iminente fim deste sistema, ao passo que vemos o crescente colapso das instituições, tais como o casamento, a família, o governo e a religião mundana, bem como o aumento do crime e da violência, e o crescente desrespeito por Deus. — 2 Tim. 3:1-5.

      20, 21. Como serão recompensados os que continuarem a andar na luz progressiva de Jeová?

      20 Embora reste ainda um tempo indeterminado destes “últimos dias”, uma coisa é certa. Os que continuarem a andar na crescente luz de Jeová e estiverem dispostos a ser reajustados, farão parte do restante ungido e da “grande multidão” dos que “saem da grande tribulação” para a nova ordem justa de Deus. “O Cordeiro, que está no meio do trono, os pastoreará [os da grande multidão] e os guiará a fontes de águas da vida. E Deus enxugará toda lágrima dos olhos deles.” — 2 Ped. 3:14, 15; Rev. 7:9-17.

      21 Assim, os que recorrem a Jeová em busca de orientação podem aguardar com confiança o estabelecimento dum novo sistema, no qual “os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre”. Ali, “o iníquo não mais existirá”. Mas, no lugar dele, os mansos e os dóceis “se deleitarão na abundância de paz”. — Sal. 37:10, 11, 29.

      22. Que confiança podem os servos de Jeová ter agora e quanto ao futuro?

      22 Portanto, assim como se tem dado nos últimos 100 anos com a hodierna organização do povo de Jeová, confiamos em que também se dará durante o tempo remanescente destes últimos dias, que “Deus é o nosso Deus por tempo indefinido, para todo o sempre. Ele mesmo nos guiará até morrermos”. (Sal. 48:14) E então, na sua nova ordem, podemos com igual confiança aguardar a contínua orientação de Jeová para seus servos, durante a eternidade, sem terem de morrer, porque “aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. — 1 João 2:17.

  • Perguntas dos Leitores
    A Sentinela — 1979 | 1.° de julho
    • Perguntas dos Leitores

      ● A que se refere “a coroa da vida” mencionada em Tiago 1:12, e de quem se pode dizer que obtém esta coroa?

      Tiago 1:12 reza: “Feliz o homem que estiver perseverando em provação, porque, ao ser aprovado, receberá a coroa da vida, que Jeová prometeu aos que continuarem a amá-lo.”

      A expressão “a coroa da vida” tem sido explicada como significando a forma mais elevada de vida, a vida imortal, assim como os seguidores ungidos dos passos de Cristo recebem na primeira ressurreição. (1 Cor. 15:53, 54; Rev. 20:4, 6) Não há dúvida de que tal vida será uma coroa para os que a tiverem e que se trata da forma mais elevada de vida. Mas, referiu-se Tiago, com o uso da palavra “coroa”, a tal forma superlativa de vida?

      Não parece necessário atribuirmos a idéia de algo superlativo ao termo “coroa da vida”. A palavra grega é stefanos. Deriva-se duma raiz que significa “rodear”, e assim é usada para se referir a uma coroa, grinalda, prêmio ou recompensa que se dava ao vencedor duma corrida. O apóstolo Paulo, em 2 Timóteo 4:7, 8, escreve assim: “Tenho corrido até o fim da carreira. . . . Doravante me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, o justo juiz, me dará como recompensa naquele dia.” Ele não se referiu à justiça superlativa, mas ao prêmio, à recompensa pela justiça, que receberia. (Veja Filipenses 4:1; 1 Tessalonicenses 2:19, 20.) De modo que, em Tiago 1:12, “a coroa da vida” é o prêmio ou o dom da vida recebido por suportar tribulações. Pode-se dizer da “grande multidão” de sobreviventes da tribulação que, se perseverarem fielmente, receberão “a coroa da vida”, sendo a deles a vida eterna na terra. — Rev. 7:9, 10.

      Em Revelação 2:10 temos uma expressão similar, que se refere ao prêmio da vida. Os que o recebem são aqueles que perseveraram fielmente até a morte. Neste caso, porém, fala-se aos cristãos ungidos, que podem obter a vida imortal nos céus. (Rev. 2:26, 27) Pode-se dizer que as palavras de Tiago 1:12 declaram um princípio geral, em vez de se referirem a uma classe específica de pessoas, assim como faz Revelação 2:10.

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