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Em defesa da verdade bíblica!A Sentinela — 1979 | 1.° de julho
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Em defesa da verdade bíblica!
ENQUANTO viajava no seu carro em direção ao sul, o oficial fez o que você provavelmente tem feito no trem, no ônibus ou no avião. Leu. Leu a Bíblia, e confrontou-se com um problema que você talvez já tenha tido.
A narrativa, encontrada no livro bíblico de Atos, diz que o evangelista Filipe se aproximou e perguntou ao viajante etíope: “Sabes realmente o que estás lendo?” A resposta foi: “Realmente, como é que eu posso, a menos que alguém me guie?” — Atos 8:27-31.
A maioria daqueles que hoje lêem a Bíblia têm sentido a necessidade de orientação. Isto é intensificado pelo fato de que as igrejas que usam a Bíblia têm tantas doutrinas conflitantes. É claro que nem todos estes ensinos diferentes podem ser a verdade bíblica. (1 Cor. 14:33) Mas, onde se pode obter ajuda valiosa para encontrar e conhecer a verdade bíblica?
Foi com o objetivo de prover tal ajuda necessária que a revista A Sentinela passou a ser publicada em 1879. Defenderia as verdades vitais da Palavra de Deus. A página de título de seu primeiro número mostrou claramente que não estava devotada a propagar doutrinas eclesiásticas conflitantes, mas a divulgar verdades das Escrituras, as quais são proveitosas para “corrigir, para instruir em justiça”. (2 Tim. 3:16, 17, Almeida, rev. e corr.) Por exemplo, suscita-se a pergunta significativa:
É VOCÊ IMORTAL, OU NÃO?
No que se refere ao conteúdo da Bíblia, a maioria das pessoas pensa primeiro no que possa dizer a respeito delas e de seu futuro. O que amiúde vem à mente é algo que talvez tenham ouvido desde a infância, que cada pessoa tem em si uma alma imortal; isto é ensinado pela maioria das igrejas. Por isso, muitos esperam que, quando morrem, sua alma irá para o céu, a fim de estar com Deus.
Seriam esses conceitos populares endossados pela Sentinela? Ao contrário, ela defende a verdade da Palavra de Deus sobre o assunto. Já em abril de 1881, o artigo “A Ressurreição” dizia:
“Qualquer ser é corretamente chamado de alma ou pessoa. Este é o sentido e uso bíblico da palavra alma. . . . Lemos sobre a criação de Adão: ‘E o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida (ruah — o mesmo fôlego de que se diz que foi dado a animais, aves e peixes) e o homem tornou-se alma vivente’ (ser vivente). Gên. 2:7.” — P. 1.
O artigo mostrou, com amplo apoio bíblico, que, na morte, a alma — a pessoa — morre. (Sal. 33:19; Isa. 53:10-12; Eze. 18:4) Biblicamente, quando uma pessoa (uma alma) morre, ela fica numa condição inconsciente, semelhante ao sono, até o tempo futuro da ressurreição. Por meio do milagre da ressurreição, a pessoa pode receber vida imortal no céu, como se deu com Jesus, ou ter a perspectiva de vida perfeita na terra paradísica. — Ecl. 9:5, 10; 1 Cor. 15:12-16, 50-53.
Alguns dos que leram essas verdades nas páginas desta revista, no decorrer do último século, talvez tenham ficado chocados, porque seus líderes eclesiásticos não ensinaram nada disso. Mas, os tempos estão mudando. São cada vez mais os clérigos e teólogos, em todo o mundo, que admitem estas verdades bíblicas, há muito defendidas na Sentinela. Veja os seguintes exemplos:
Oscar Cullmann, lente da Faculdade de Teologia da Universidade de Basiléia e da Sorbonne de Paris, escreveu:
“Se perguntássemos hoje a um cristão comum . . . sobre o que ele concebe ser o ensino do Novo Testamento a respeito da sorte do homem após a morte, com poucas exceções, receberíamos a resposta: ‘A imortalidade da alma.’ Mas, esta amplamente aceita idéia é um dos maiores mal-entendidos do cristianismo.” — Immortality of the Soul or Resurrection of the Dead (1958), p. 15.
O teólogo batista Dr. Robert Laurin explica:
“O Novo Testamento não ensina a imortalidade da ‘alma’ desencarnada, da idéia platônica. O derradeiro destino do homem está num corpo num lugar terrestre.” — The Expository Times, fevereiro de 1961, p. 132.
Robert Koch, professor católico do Antigo Testamento, em Roma, escreve:
“A alma não existe como massa independente no corpo, como que numa prisão, da qual ficaria liberta na morte. A ‘alma’ é o homem na sua totalidade. O homem não tem uma alma, ele é uma alma.” — Teologia della redenzione in Genesi 1-11 (1966), p. 69.
O “Frade” Pierre Pascal escreveu no periódico La Vie Catholique, da França:
“A Bíblia ensina que, quando o homem morre, toda a sua pessoa morre. Todavia, ele tem a promessa de emergir do nada da morte, e de ser restabelecido em vida, no fim do tempo, por meio duma ressurreição.” — Julho de 1975, p. 37.
Alguns talvez se surpreendam de que os clérigos admitem tais coisas. Mas, trata-se de verdades bíblicas que esta revista tem defendido já por 100 anos.
COMO ISSO SE RELACIONA COM O INFERNO
Levemos este assunto um passo mais adiante. Se a alma não é imortal e se os mortos não estão cônscios, mas estão aguardando uma ressurreição, como poderia ser verdadeira a doutrina das igrejas, de que Deus envia os iníquos para sofrerem tormentos num inferno? O fato é que a Bíblia não ensina nada disso. A Sentinela muitas vezes tem defendido a verdade bíblica neste assunto; este é apenas um exemplo disso:
“Verificamos que [inferno] é a tradução da palavra hebraica seol, que significa simplesmente o estado ou a condição de morte. Não contém nem a mínima idéia de vida ou de tormento, . . . Mas, ainda assim, [os clérigos] continuam pregando esta idéia falsa sobre um inferno, o que não é nada mais do que calúnia contra o caráter de Deus.” — Novembro de 1883, p. 4.
Será que os clérigos aceitam agora a posição bíblica sobre o inferno? Embora alguns relutem em dizê-lo diretamente, quando os líderes admitem o que a Bíblia diz sobre a “alma”, eles mostram que o “inferno de fogo” não tem base bíblica. Por exemplo, o pastor dinamarquês Kai Jensen admitiu a situação resultante:
“A conversa sobre a perdição eterna é loucura. Não é cristianismo. Foi só no passado que houve pregadores do inferno, que trovejavam do púlpito sobre o diabo e o fogo inextinguível. Mas esse tempo acabou.” — Hvor gaar vi hen? (Para Onde Vamos?), p. 119.
Embora a maioria talvez não ouça mais falar muito sobre o fogo do inferno, na sua igreja, é provável que tampouco aprenda ali o que a Bíblia diz sobre este assunto. Muitos são similares ao secretário duma autoridade da igreja presbiteriana na Austrália, que disse: “Evitamos o céu e o inferno, visto que perturba muitas pessoas. De fato, eu não me importaria de falar com alguém sobre isso, para esclarecer a minha própria mente.”
A QUEM ADORA?
Outra verdade bíblica defendida na Sentinela tem que ver com a identidade do verdadeiro Deus a quem adoramos. Milhões de pessoas têm repetido a chamada oração do “Pai-Nosso”, ensinada por Jesus. (Mat. 6:9-13) Mas, será que já pensaram no significado da frase: “Santificado seja o teu nome”, ou notaram a importância que Jesus deu a honrar o nome de Deus? (João 12:28; 17:6) Ou será que este nome lhes é desconhecido, porque os clérigos o evitam e os tradutores o substituem por “Senhor” e “Deus”?
Muitos eruditos admitem agora a importância do nome. O teólogo católico John L. McKenzie escreve no Bible Dictionary (1965):
“O Deus de Israel é chamado pelo Seu nome pessoal mais freqüentemente do que por todos os outros títulos em conjunto; o nome não só identifica a pessoa, mas revela seu caráter.” — P. 316.
J. A. Motyer, Deão do Trinity College, da Inglaterra, acrescenta:
“Muita coisa é perdida na leitura da Bíblia, quando nos esquecemos de olhar para mais além da palavra substituta [Senhor ou Deus], para o nome pessoal, íntimo, do próprio Deus. Por declarar seu nome ao seu povo, Deus intencionou revelar-lhes seu caráter mais íntimo.” — The Lion Handbook to the Bible (1973), p. 157.
A Sentinela tem usado constantemente o Nome Divino. Por exemplo, depois de explicar que a palavra hebraica el significa “deus”, o número de outubro de 1881 (p. 9) passou a dizer:
“Jeová é o principal ‘el’ e domina sobre todos os outros el — poderosos. E todos devem saber que Jeová é o nome aplicado a nenhum outro senão o Ser Supremo — nosso Pai, aquele a quem Jesus chamou de Pai e Deus.”
E o número de 1.º de janeiro de 1926 tratou do importante tema: “Quem Honrará a Jeová?” Esta defesa do Nome de Deus prossegue. Desde a publicação da Tradução do Novo Mundo (em inglês, 1950-1961; em português, 1967), esta tem sido a versão mais vezes citada nela, porque usa o nome de Deus até mesmo no “Novo Testamento”, quando a evidência o favorece. O Professor G. Howard, há pouco tempo, tratou do uso do nome de Deus no “Novo Testamento”. É de interesse notar que ele salientou:
“É razoável crer-se que os escritores do N[ovo] T[estamento], ao citarem as Escrituras, preservaram o tetragrama [o nome de Deus em hebraico] dentro do texto bíblico.” — Journal of Biblical Literature, 1977, pp. 63-83.
A Sentinela destacou este mesmo ponto já anos antes.
O Professor Howard disse também que, mais tarde, quando o nome de Deus foi tirado e substituído por “Senhor”, isto provavelmente criou confusão para se distinguir o Senhor Jesus do Senhor Jeová; isto contribuiu para a agora amplamente crida doutrina da Trindade.
DEUS TRINO?
A fórmula “Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo” flui facilmente da boca de muitos. Resume seu conceito de que há três pessoas coiguais e coeternas em Deus.
No entanto, A Sentinela, já por um século, tem exortado os leitores a examinarem o que a Palavra de Deus diz realmente sobre o assunto, tal como mostrar-se repetidas vezes que Jesus não é igual ao seu Pai, mas é inferior e está sujeito a Jeová. (João 14:28; 17:3; 1 Cor. 11:3) Citando-se um exemplo, o seguinte foi publicado em 1882, junto com textos em apoio:
“Cremos assim em um só Deus e Pai, e também em um só Senhor Jesus Cristo. . . . Mas estes são dois, e não um só ser. . . . Rejeitamos, como totalmente não-bíblico, o ensino de que [Jeová, Jesus e o espírito ou a força ativa de Deus] sejam três Deuses em uma só pessoa, . . . A doutrina da Trindade surgiu no terceiro século.”
Que a Trindade não é apresentada na Bíblia, mas é um desenvolvimento eclesiástico posterior, está sendo admitido agora cada vez mais. Na Suíça, o Vocabulaire biblique (1954, p. 72) declara: “Nenhuns escritos do Novo Testamento oferecem qualquer garantia explícita dum Deus trino.” Ian Henderson, da Universidade de Glasgow, escreve na Encyclopedia International (1969):
“A doutrina da Trindade não fazia parte da pregação dos apóstolos, conforme esta é relatada no Novo Testamento.” — P. 226.
Daí, o jornal Observer, de Londres, noticiou em 3 de dezembro de 1978:
“Um dos principais teólogos anglicanos da Grã-Bretanha, o Rev. Dr. Geoffrey Lampe, . . . surgiu com um forte desafio à histórica doutrina cristã da Trindade. . . . Ele disse que a doutrina da Trindade — de Deus consistir em três ‘Pessoas’ — ‘não tem muito’ futuro.”
Quando os teólogos se restringem ao que a Bíblia diz sobre Deus e Cristo, em vez de em doutrinas eclesiásticas, posteriores, o resultado é muitas vezes o que esta revista já está defendendo por muito tempo. O Doutor de Teologia J. Schneider, de Berlim, Alemanha, escreveu:
“Jesus Cristo não usurpa o lugar de Deus. Sua unidade com o Pai não significa identidade absoluta de ser. Embora o Filho de Deus, no seu ser pré-existente, estivesse na forma de Deus, resistiu à tentação de ser igual a Deus (Fil. 2:6). . . . Embora completamente coordenado com Deus, permanece subordinado a ele.” — Theologisches Begriffslexikon zum Neuen Testament (1965), Vol. 2, p. 606.
A VOLTA VITAL DE CRISTO
Relacionado com a ressurreição de Jesus por Deus há um evento da maior importância para todos os cristãos. Trata-se da volta de Cristo, ou da sua segunda vinda. Jesus manteve este assunto vital diante de seus seguidores, e eles aguardavam com ansiedade essa volta. Pouco antes de sua morte, imploraram-lhe: “Dize-nos: Quando sucederão estas coisas e qual será o sinal da tua presença [em grego: parousia] e da terminação do sistema de coisas?” (Mat. 24:3; Atos 1:6) A Bíblia conclui com as palavras emocionantes de Jesus: “Sim; venho depressa”, ao que o apóstolo João respondeu fervorosamente: “Vem, Senhor Jesus.” — Rev. 22:20; 1:7.
Uma enciclopédia luterana menciona quão vital é este ensino:
“Todas as expectativas quanto ao futuro eram dominadas pela certeza de que o Senhor voltaria e estaria para sempre com a sua congregação, . . . Esta esperança deu aos primitivos cristãos a inabalável confiança de que todos os poderes e todas as mudanças neste mundo são apenas temporários: Cristo está vindo!” — The Encyclopedia of the Lutheran Church, Vol. III, p. 2149.
Que contraste chocante, porém, há nas crenças influentes dos modernos teólogos! Por exemplo, há pouco tempo, o Dr. A. C. Thiselton, da Universidade de Sheffield, Inglaterra, resumiu as principais:
O teólogo católico Teilhard de Chardin “tem pouco a dizer sobre a parousia [ou: presença]”. Paul Tillich apresenta “uma teologia do futuro, na qual a parousia praticamente não desempenha nenhum papel”. Rudolf Bultmann “considera a parousia como mito escatológico”. E J. A. T. Robinson afirma que ‘o próprio Jesus não esperava que houvesse uma segunda vinda’. — Tyndale Bulletin, 1976, pp. 27-53.
Visto que os clérigos tiram a ênfase da volta de Cristo, esta grande verdade tem pouco significado na vida da maioria dos religiosos praticantes. Considere apenas um exemplo da seriedade disso: A volta de Cristo envolve o derradeiro triunfo da justiça sobre a iniqüidade; portanto, o que acontece à preocupação das pessoas com a justiça, quando os líderes espirituais dão a entender que Jesus talvez nunca volte?
Todavia, coerente com as Escrituras e com o modelo dos primitivos cristãos, desde o seu primeiro número, em 1879, a Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo (como se chamava originalmente A Sentinela) tem proclamado e defendido a volta e presença de Cristo.
Além disso, o que temos presenciado em nossa vida — guerras, fome, terremotos, violação da lei em escala global — é ampla prova de que AGORA testemunhamos o ‘sinal da presença de Cristo’, profetizado por Jesus. (Mat. 24:3-14) Isto significa que o fim do sistema de coisas está muito próximo! Certamente, esta e outras verdades bíblicas, que acabamos de considerar, merecem ser defendidas. Isto se dá especialmente porque Jesus disse que os que querem agradar a Deus “têm de adorá-lo com espírito e verdade”. — João 4:24.
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O Reino de Deus — a única esperançaA Sentinela — 1979 | 1.° de julho
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O Reino de Deus — a única esperança
A HUMANIDADE é afligida por toda espécie de dificuldades. Mas, há uma solução para isso. Do que se precisa é um governo mundial justo, que administre os assuntos da terra de maneira amorosa e atenciosa, em benefício de todos. Não seria de se esperar que esta solução fosse o tema do ensino de Jesus?
E foi. “O Reino foi o tema predominante de seu ensino”, observou o periódico religioso Christianity and Crisis, acrescentando: “Nenhum outro assunto ocupou tanto a mente dele ou foi tão central para a sua mensagem. É mencionado mais de cem vezes nas narrativas evangélicas.” Sim, Jesus disse: “Tenho de declarar as boas novas do reino de Deus . . ., porque fui enviado para isso.” (Luc. 4:43) Ele ensinou aos seus seguidores a orar pela vinda do reino de Deus. — Mat. 6:9, 10.
O que é o reino de Deus? Como virá para solucionar as dificuldades do mundo?
VERDADE BÍBLICA VITAL
A maioria das pessoas sabe que o rei é um governante, e que o reino dele inclui o domínio ou território sobre o qual reina. Portanto, não deve ser difícil de compreender que o reino de Deus será um domínio ou governo sobre a terra inteira, administrado por seu próprio Filho, Jesus Cristo. Este reino de Deus substituirá todos os governos da terra.
Esta verdade bíblica sobre o Reino tem sido enfatizada na Sentinela já por 100 anos. De fato, desde 1939 (em português, desde 1943), o nome oficial desta revista tem sido “A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová”. O número de dezembro de 1881 dizia: “O estabelecimento deste reino, naturalmente, envolverá a derrubada de todos os reinos da terra, visto que todos — mesmo os melhores deles — se baseiam na injustiça, em direitos desiguais, na opressão de muitos e no favor de poucos — conforme lemos: ‘Esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre.’” — Dan. 2:44.
No entanto, a maioria das pessoas, inclusive os professos cristãos, desconhece esta verdade bíblica. Verifique isso. Conforme tenha a oportunidade, pergunte às pessoas: ‘O que é o reino de Deus, e como virá?’ Talvez fique surpreso com a muita confusão sobre o assunto, e com o pouco entendimento. Por que se dá isso?
A CULPA É DOS LÍDERES RELIGIOSOS
Isso acontece porque os próprios líderes religiosos estão confusos sobre o Reino. Um editorial no periódico The Church Quarterly Review admite:
“Já por algum tempo estamos em perigo de ser inundados pela crescente onda de teorias e contrateorias sobre qual é realmente a idéia essencial do Reino.”
Na maior parte, por causa da confusão religiosa, as igrejas têm-se expressado pouco sobre o assunto. Francis P. Miller, destacado presbiteriano, lamentou:
“O silêncio da maioria dos cristãos sobre o Reino de Deus é uma das maiores tragédias dos nossos tempos.” Por isso, em conclusão, ele escreveu: “Como leigo, rogo aos nossos teólogos e aos nossos clérigos: Falem-nos sobre o Reino de Deus, expliquem-nos o que é e como deve ser relacionado com o mundo dos nossos tempos . . . A necessidade é urgente. Nossos teólogos e clérigos precisam expressar-se em palavras que os leigos possam entender, sobre o Reino de Deus que está próximo.” — Christianity and Crisis, 13 de junho de 1960.
Mas, fazem isso? O desconhecimento e a confusão da maioria das pessoas a respeito do reino de Deus revela que não fazem isso. Pense por uns instantes nas idéias que ouviu expressas sobre o Reino. Será que refletem alguns dos seguintes conceitos ensinados pelas igrejas?
CONCEITOS DAS IGREJAS
Por muito tempo ensinava-se que a Igreja Católica Romana, na realidade, era o reino de Deus na terra. Mas, na primeira parte deste século, a Enciclopédia Católica (1910, em inglês), dizia sob “Reino de Deus”:
“O ‘reino’ não significa tanto um objetivo a ser alcançado ou um lugar . . . antes, é uma disposição mental (Lucas, xvii 20-21), representa uma influência que precisa permear a mente dos homens, se eles hão de ser um com Ele e atingir os Seus ideais.”
Parece-lhe isso familiar? Tem sido muito popular e foi expresso por muitos líderes eclesiásticos. Por exemplo, a Convenção dos Batistas do Sul, de 1925, expressou-o do seguinte modo:
“O Reino de Deus é o reinado de Deus no coração e na vida da pessoa, em toda relação humana, e em toda forma e instituição da sociedade organizada. . . . O Reino de Deus será completo quando todo pensamento e vontade do homem forem levados ao cativeiro à vontade de Cristo.”
No entanto, há outro conceito popular. As igrejas também identificaram o reino de Deus com os esforços políticos dos homens de solucionar as dificuldades do mundo. O sacerdote católico Martin K. Hopkins, tratando da oração que Jesus ensinou, escreveu: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Isto explica como virá finalmente o reino de Deus. Requer olhar-se além dos dias atuais e trabalhar pelo restabelecimento de todas as instituições humanas em Cristo.”
Que dizer destas diversas idéias? Depende o Reino de algum modo dos esforços humanos de cristianizar instituições e povos? É o Reino um “reinado de Deus no coração e na vida da pessoa”?
CONCEITOS INCORRETOS
Os conceitos acima mencionados sobre o reino de Deus, que tantas pessoas têm, são incorretos. Não estão em harmonia com a Bíblia. E, nos últimos tempos, isto tem sido admitido pelos próprios líderes eclesiásticos. O Dicionário da Igreja Apostólica, editado por James Hastings (em inglês), declara:
“Praticamente não há nenhum vestígio nas Epístolas, da idéia medieval de que a Igreja, na terra, seja o Reino de Deus. E a idéia de alguns hodiernos escritores teológicos, de que este mundo, como o conhecemos, se desenvolverá sob a influência cristã até se tornar o Reino, é bastante alheia ao pensamento delas.”
Embora os líderes eclesiásticos costumassem referir-se ao Reino como sendo uma ‘disposição mental’ ou um ‘reinado no coração’, este conceito, em geral, é agora abandonado, conforme observa o periódico The Church Quarterly Review:
“Alguns de nós podemos lembrar-nos dos dias em que esta questão não envolvia nenhuma dificuldade. O Reino era simplesmente o reinado de Deus no coração e na vida da pessoa . . . Hoje, esta simplicidade não se tornou mais do que a nota dum jornalismo antiquado ou de programa político.”
Em contraste com os conceitos incorretos das igrejas, porém, a mensagem do Reino, proclamada pelas colunas da Sentinela, tem provado estar em harmonia com a Bíblia. Sim, as Escrituras mostram claramente que o reino de Deus é um reinado de Deus exercido por intermédio de seu Filho, Jesus Cristo. Este governo foi predito na Bíblia nas seguintes palavras: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros . . . Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim.” (Isa. 9:6, 7, Imprensa Bíblica Brasileira) O governo celestial do reino de Deus é iminente. Em breve derrubará e substituirá todos os governos humanos. — Dan. 2:44.
A ATITUDE CRISTÃ
Portanto, qual é a atitude cristã, correta, para com este sistema que o reino de Deus deve substituir? A Bíblia explica que o mundo atual está sob o domínio de Satanás. (Mat. 4:9; João 12:31; 14:30; 2 Cor. 4:4) Há muito tempo, já trazendo à atenção esta verdade, o número de dezembro de 1882 da revista A Sentinela explicava:
“Se entendermos claramente que os governos atuais são os do ‘príncipe deste mundo’ e terão de ser despedaçados e ceder seu lugar ao Reino de Deus, pelo qual oramos: ‘Venha o teu reino’, então não teremos mais o desejo de misturar-nos de algum modo com eles.”
Em contraste com as igrejas da cristandade, A Sentinela, durante os últimos 100 anos, tem mostrado aos seus leitores a atitude cristã, correta, conforme declarada por Jesus: “Não fazeis parte do mundo.” Tem enfatizado repetidas vezes o ensino de Jesus: “Meu reino não faz parte deste mundo.” (João 15:19; 18:36) Portanto, em vez de se meterem nos assuntos políticos deste mundo, os verdadeiros cristãos têm apoiado de todo o coração o governo do reino de Deus. — João 6:15.
O QUE O REINO DE DEUS TRARÁ
O que esperaria dum governo da parte de Deus? Em primeiro lugar, certamente esperaria que seu governante fosse justo, bondoso e compassivo. E o próprio Jesus Cristo mostrou ser tal pessoa. (Mat. 11:28-30) Cristo, sob a direção de Deus, tem escolhido pessoas com as mesmas qualidades, para governarem com ele no céu. (Luc. 22:28-30; Rev. 5:9, 10; 20:6) Um destes homens escreveu a outro, que tinha a mesma esperança: “Se perseverarmos, havemos também de reinar juntos.” — 2 Tim. 2:12.
Certamente, esperaríamos que o reinado de tais reis fosse de justiça e paz, dando felicidade e saúde a toda a humanidade — seus súditos na terra. Cristo demonstrou seu poder dado por Deus para curar toda forma de doença, quando estava na terra; até mesmo ressuscitou os mortos! Sob o governo do Reino, exercerá novamente estes poderes milagrosos, para abençoar e beneficiar cada pessoa na terra! Com o tempo, toda a terra será transformada num belo paraíso. — Luc. 23:43; Rev. 21:4.
O reino de Deus, certamente, é a única esperança para a obtenção das bênçãos que todos ansiamos tão fervorosamente!
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