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A união da igreja cristãA Sentinela — 1961 | 1.° de fevereiro
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A união da igreja cristã
“[Eu] lhes dei a glória que me deste, para que sejam um, assim como nós somos um.” — João 17:22, NM.
1. Por que pode Jeová ser chamado de grande Unificador?
JEOVÁ é o grande Unificador. É Ele quem é maravilhosamente capaz de reunir criaturas inteligentes numa unidade para o fim que desejar. Durante milhões de anos antes de o homem chegar a ver a luz do dia, Jeová trabalhara em perfeita união com seu Filho primogênito, por meio do qual criou tudo. O prosseguimento da obra de criação de Jeová e o aumento do número de criaturas inteligentes no universo não produziu confusão. Jeová reuniu todos numa unidade harmoniosa, de funcionamento suave, ligando-os a si próprio e entre si num vínculo de amor. Como ilustração desta união feliz, ele fala de sua organização universal de fiéis criaturas celestiais como sendo sua esposa, com a qual está unida num matrimônio feliz. — Col. 1:16; 1 João 4:8, 11-13; Isa. 54:5, 6.
2. Qual é o laço mais forte para produzir uma unidade de pessoas, e de que modo se tornou Israel a única verdadeira congregação ou igreja de Deus naqueles tempos?
2 Quando Jeová Deus começou -a edificar a sociedade humana, ele começou com a menor unidade dela, a união matrimonial, que normalmente é um dos vínculos mais fortes de que o homem participa. Isto se dá porque o fator unificador no matrimônio é o amor, e este é o cimento mais forte em qualquer união de criaturas. De fato, é a única base em que qualquer união pode durar. Em círculos cada vez maiores, os pais e os filhos estão ligados entre si por laços fortes de amor numa união familiar, e foram as famílias ou tribos dos doze filhos de Jacó, o patriarca, que Jeová Deus uniu numa unidade nacional. Fez-se um acordo ou pacto entre ele e os israelitas, no sentido de que não fosse apenas seu Rei, mas também seu Deus; e isso transformou Israel não só numa nação, mas também numa congregação ou igreja de Deus, a única igreja verdadeira daquele tempo. — Gên. 2:24; Êxo. 19:5, 6, 8; 20:1, 2; Atos 7:38; Sal. 147:20.
3. Foi Jeová nacionalista ao selecionar Israel como sua congregação?
3 Por que selecionou Jeová a nação de Israel para fazer dela uma igreja ou congregação? Foi ele um Deus nacionalista? Não, não foi. Mas, foi por causa duma promessa feita ao seu amigo Abraão, antepassado dos israelitas, que se lhes permitiu constituir o corpo daquela nova igreja. Mas, Jeová não impediu, num espírito nacionalista, que os não-israelitas se tornassem membros da única igreja verdadeira pela circuncisão. Todas as pessoas tementes a Deus que quisessem juntar-se a Israel na adoração do verdadeiro Deus foram aceitas, sem consideração de nacionalidade e raça, religião anterior ou afiliação política. Houve provisões para fazer de todos estes estrangeiros circuncisos parte da união que Deus tinha com Israel, por se lhes prover constitucionalmente um lugar dentro da organização congregacional debaixo da qual se achava Israel. Israel foi mandado amar o estranho assim como Jeová o amava. Tampouco mostrou Deus qualquer consideração de nacionalidade ou raça por formar unidades ou igrejas separadas com adoradores circuncisos de origem não-israelita. Havia apenas um templo onde Deus podia ser encontrado, apenas um sumo sacerdote, uma só Lei, uma só unidade ou igreja para todos os adoradores se unirem nela. O registro bíblico mostra que alguns povos e tribos, tais como a multidão mista que saiu do Egito, os gabaonitas e os recabitas circuncisos, bem como muitas pessoas tais como as mulheres Raab e Rute, entraram em união com Israel. Jeová mostrou assim que era o primeiro Unificador bem sucedido de nações. — Deu. 10:17-19; 1 Reis 8:41-43; Êxo. 12:38; 2 Sam. 21:1, 2; Jer. 35:18, 19.
4. Como chegou a congregação cristã a ser a verdadeira igreja de Deus?
4 A igreja ou congregação judaica, porém, não mostrou amor a Jeová, no decorrer do tempo; e, em conseqüência disso, foi cortada da união com ele, e a congregação cristã tornou-se a verdadeira igreja de Deus, a partir de Pentecostes de 33 E. C.
UNIÃO
5, 6. Como sabemos que a congregação de Deus precisa ser uma só, e quem está incluído nesta unidade?
5 O que se destacava na primitiva igreja cristã foi a sua união. Em primeiro lugar, estava unida a Jeová Deus e a Cristo Jesus, e esta é a união mais importante. Jesus enfatizou esta união na sua ilustração da videira: “Eu sou a videira, vós os ramos. Aquele que permanece em união comigo, e eu em união com ele, este dá muito fruto, porque sem mim não podeis fazer absolutamente nada. Se alguém não permanecer em união comigo, ele é lançado fora.” — João 15:4-6, NM.
6 A união com Cristo precisa também conduzir à união entre os que estão unidos com ele. Portanto, na sua oração imediatamente antes de ser traído, Jesus rogou por tal união entre seus seguidores, dizendo: “Faço solicitação, não a respeito destes somente, mas também a respeito daqueles que depositam fé em mim através da palavra deles, para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em união comigo e eu em união contigo, que também eles estejam em união conosco, para que o mundo creia que tu me enviaste. Também lhes dei a glória que me deste, para que sejam um, assim como nós somos um. Eu em união com eles e tu em união comigo, .de modo que sejam aperfeiçoados em um, para que o mundo tenha o conhecimento de que me enviaste e que os amaste assim como me amaste.” Note que direção esta unidade toma. Todos os seus seguidores devem ser um; não só os que viviam então, mas também os que depositassem fé nele através da palavra deles, isto é, dos seus discípulos; com isso, a unidade abrangia o futuro e inclui a todos os verdadeiros cristãos atualmente vivos. Ao mesmo tempo abrange o céu, incluindo a Jesus Cristo e a Jeová Deus, a fim de que seus seguidores estivessem “em união conosco”, conforme Jesus disse. — João 17:20-23, NM.
O ALCANCE DA UNIÃO
7. O que faz que uma união seja frouxa e fraca, e o que a torna intima e forte?
7 Que espécie de união pedia Jesus na sua famosa oração? Quantos e quão fortes seriam os laços que os manteriam unidos? Nem todas as uniões têm a mesma força. Algumas uniões afetam apenas certo campo de atividade nas vidas dos seus membros. Por exemplo, as pessoas podem pertencer à mesma união para a proteção de animais e ainda estar tão separadas como o Leste e o Oeste em questões de religião, de política e de outros interesses. Tais uniões são frouxas. Em contraste com elas, as uniões maritais ou familiares são íntimas e fortes, porque afetam toda uma série de interesses nas vidas de seus membros. Numa família normal, coisas tais como laços sangüíneos, amor mútuo, o lar comum, seu espírito ou ambiente, o nome da família, a tradição, a religião, a norma cultural, a confiança ao ponto de se partilharem os segredos, o respeito e a compreensão são todos coisas que os membros dela têm em comum; e quanto mais coisas as pessoas partilham, tanto mais íntimo e forte é o vínculo.
8. O que fez que a união da primitiva igreja cristã fosse tão forte?
8 Agora, voltando à nossa pergunta. De que espécie de união estava Jesus falando em João 17? Tratava-se apenas duma união frouxa, afetando somente um ou dois interesses nas vidas dos seus seguidores? Não, ele estava rogando pela união mais forte que há. “[Eu] lhes dei a glória que me deste, para que sejam um, assim como nós somos um.” Não podemos pensar em nenhuma união mais íntima e mais forte do que a existente entre Jeová Deus e seu Filho, Cristo Jesus. A força dessa união foi provada pelo proceder obediente de Jesus, mesmo até a morte na estaca de tortura. Jesus pediu que’ seus discípulos fossem incluídos na união familiar mais íntima de Deus, numa filiação privilegiada, e por isso lhes ‘deu a glória que Jeová lhe dera’, “glória tal como a que pertence a um filho unigênito de um pai”. (João 1:14, NM) Algumas das muitas coisas que haviam de ter em comum são mencionadas por Paulo em Efésios 4:3-6, onde ele fala sobre “procurando diligentemente observar a unidade do espírito no laço unificador da paz”; e daí passa a enumerar: “Há um só corpo, e um só espírito, como também fostes chamados em uma só esperança à qual fostes chamados; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todas as pessoas, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos.” (NM) Quão unido e compacto o corpo dos seus seguidores deve ter-se tornado, tomando-se em consideração quantas coisas tinham em comum!
9. O que ilustra Paulo ao se referir ao corpo humano, em 1 Coríntios, capítulo 12, e Efésios, capítulo 4?
9 Ilustrando ainda mais a intimidade e a unidade compacta, Paulo a compara ao corpo humano: “Porque, assim como o corpo é uma só coisa, mas tem muitos membros, e todos os membros daquele corpo, embora muitos, são um só corpo, assim também é o Cristo. Pois, na verdade, por um só espírito temos todos sido batizados em um só corpo, quer judeus quer gregos, quer escravos ,quer livres, e todos fomos dados a beber de um só espírito. . . . Deus formou o corpo, dando honra mais abundante à parte que carecia dela, para que não houvesse divisão no corpo, mas para que os membros tivessem igual cuidado uns pelos outros.” “Falando a verdade, cresçamos, por amor, em todas as coisas, naquele que é a cabeça, Cristo. Por ele é que o corpo inteiro, harmoniosamente ligado e movido a cooperar mediante toda junta que fornece o necessário, de acordo com o funcionamento de cada membro respectivo, na medida exata, efetua o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.” Poderia haver uma união mais perfeita do que a existente entre os membros do corpo humano? Seria possível dividir o corpo? Poderia haver mais de uma cabeça no corpo? Que ilustração excelente para mostrar o mais elevado grau de união e unidade entre os muitos membros que constituem a congregação cristã! — 1 Cor. 12:12-25; Efé. 4:15, 16, NM.
10. Por que foi a igreja cristã um verdadeiro milagre do espírito de Deus, desde o seu inicio?
10 Desde o primeiro dia de sua existência, a congregação cristã mostrou-se capaz de assimilar na sua unidade não só pessoas da Palestina, mas também de muitos países diferentes, com suas línguas diferentes, pessoas de todas as seitas do judaísmo, judeus e prosélitos circuncisos, fazendo que as várias opiniões religiosas e locais cedessem ao modo cristão de pensar. Pessoas de origens sociais inteiramente diferentes, humildes pescadores, lavradores, pastores, cobradores de impostos, foram introduzidos numa unidade com fariseus eruditos e com médicos, ricos e pobres, jovens e velhos, homens, mulheres e crianças, e foram conjugados na união da congregação. Eles eram um até o ponto de partilhar temporariamente seus meios materiais para enfrentar uma situação crítica que surgiu em Jerusalém durante o primeiro influxo de membros e que exigiu ação imediata de socorro. “A multidão dos que criam tinha um só coração e uma só alma, e ninguém dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.” Foi um verdadeiro milagre do espírito de Deus. Nos primeiros três anos e meio de sua existência, porém, os membros da igreja permaneciam judeus e prosélitos judeus, que saíram do judaísmo. — Atos 2:5-11, 41; 4:32-35, NTR.
11. Em que sentido houve em 36 E. C. uma mudança na congregação cristã?
11 Depois, em 36 E. C. a congregação cristã entrou numa nova fase de sua história. Naquele ano aconteceu algo que surpreendeu a todos: Um homem incircunciso e sua família, gentios que não tinham estado antes em relação pactuada com Jeová Deus, tornaram-se repentinamente parte da congregação cristã, com plenos direitos e obrigações iguais, conforme demonstrado pelo fato de que estes gentios foram batizados e receberam o espírito santo, do mesmo modo que os crentes que procediam da organização judaica. Havia de se cumprir então o famoso mandamento de Jesus: “Ide e fazei discípulos de pessoas de todas as nações.” Passando de unidade ou organização de crentes judeus, a congregação devia abrir bem as suas portas para o resto da humanidade e expandir-se para se tornar uma organização internacional, encarando todos os problemas que as organizações internacionais sempre tiveram de enfrentar. Assim se preservaria a verdadeira união nos laços da paz e do amor. — Atos 10:44-48; Mat. 28:19, NM.
OUTRAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
12. Por que se interessava o Império Romano em reunir os seus povos subjugados numa unidade? Como se empenhava nisso e que êxito teve?
12 O Império Romano pagão daqueles tempos estava construindo e mantendo uma organização internacional do melhor modo que sabia fazê-lo. Depois de conquistar a maior parte do mundo civilizado, sua tarefa era manter os muitos povos, nações e raças em sujeição ao domínio romano. Como no caso de qualquer outra potência mundial, os sentimentos nacionais e religiosos eram os maiores obstáculos à unificação da grande variedade de pessoas sob o seu controle. Fizeram-se tentativas para equiparar as classes diferentes e para substituir os costumes locais por leis e administração uniformes, e para suplantar as religiões nacionais por uma só religião comum, a fim de amalgamar todo o império num só bloco sólido; mas esses esforços nunca foram coroados de êxito. O Hastings Dictionary of the Bible, Tomo IV, pág. 293, diz: “Roma nunca foi capaz de fazer de seu Império uma nação sólida. . . . O Império tinha no princípio objetivos mais elevados, e o senso do dever de conquistar o mundo aumentou com o tempo; mas, não pôde nem restaurar nem criar o patriotismo duma nação. A antiga nação romana ficou perdida nó mundo; e se o mundo ficou perdido em Roma, não constituiu uma nova nação romana. Os gregos ou os gauleses podem ter-se chamado de romanos e podem ter aparentemente esquecido seu povo antigo no orgulho da civitas [‘estado’] romana; mas permaneciam gregos e gauleses. . . . Havia povos em grande variedade; mas as antigas nações tinham morrido e a nova nação nunca nasceu.”
13. Por que não têm os governantes mundiais dos nossos dias nenhuma razão para menosprezar Roma?
13 Os governantes mundiais dos nossos dias não têm nenhuma razão para se gabar, porque não conseguiram melhores resultados do que os romanos, apesar do esclarecimento do século vinte e da sua organização das Nações Unidas. H. G. Wells, no seu livro Uma História do Mundo, compara as consecuções do seguinte modo: “O povo romano achava-se empenhado numa vasta experiência administrativa quase sem se aperceber disso. . . . Estava sempre mudando, nunca atingindo qualquer rigidez. Em certo sentido, a experiência [administrativa] fracassou. Em certo sentido, a experiência ficou por terminar, e a Europa e a América da atualidade ainda estão resolvendo os problemas da estadística mundial que primeiro confrontou o povo romano.” — Capítulo 33, “O Desenvolvimento do Império Romano”, páginas 149-151 da edição inglesa publicada em 1922.
14. Como blocos singulares, solucionaram o Oeste ou o Leste o problema de produzir uma verdadeira unidade de nações?
14 Nem o Oeste democrático nem o Leste comunista, como blocos singulares de nações, têm solucionado o problema da união internacional. No mundo ocidental, uma aliança militar internacional tal como a OTAN vê muitas vezes frustrada a cooperação por causa do orgulho nacional da parte de alguns, dos seus membros. No Leste, quando a Iugoslávia se separou do resto do bloco comunista e preferiu a sua própria marca de comunismo, o movimento internacional tão altamente idealista como o comunista e que por anos tinha trabalhado sob o lema: “Trabalhadores do mundo, uni-vos”, teve de encarar o fato de que nem todos os comunistas estavam preparados a sacrificar o seu orgulho nacional no altar da união comunista internacional. Embora o movimento comunista tenha obtido resultados notáveis em reunir os povos de muitas nações em volta dum plano político, fracassou em fazer dos comunistas uma unidade internacional. O nacionalismo, as raças, a religião, as línguas e muitos outros fatores divisórios têm sido como rochedos no mar, nos quais naufragaram mais cedo ou mais tarde os navios dos governantes humanos internacionais.
15. (a) O que tornou a igreja cristã internacional uma maravilha maior do que a igreja cristã originalmente judaica? (b) Como obteve este resultado?
15 E este mar, tão cheio de rochedos submersos e de restos de naufrágios, havia então de ser navegado pela congregação cristã, jovem e inexperiente em questões internacionais. Poderia ela manter a sua absoluta unidade conseguida, ao se ramificar e abrir as suas portas a pessoas de todas as nações, ao enfrentar todas as formas de religião e filosofia pagã, de orgulho nacional, de barreiras lingüísticas e de controvérsias raciais, políticas e sociais? Poderia ela proceder assim sem ter de transigir nos seus ensinos e nas normas para seus membros? Poderia ela ainda manter imutável o arranjo teocrático de sua organização, com um corpo governante visível em Jerusalém? Não se desfaria em grupos nacionais com alguma forma de autodeterminação para cada grupo, os quais seriam então juntados de algum modo? Poderia ela manter a sua feição? Se a igreja judaica nacional já foi um milagre, então este foi pequeno em comparação com o milagre da igreja internacional, especialmente conforme observada no fundo histórico. O que para os edificadores humanos do mundo tem sido um problema insolúvel até o dia de hoje, não foi problema para Cristo Jesus, o Chefe da igreja cristã. Os cristãos puseram-se a trabalhar na própria raiz do que divide bem como une, a saber, a mente humana. Começaram a transformar as mentes de pessoas humildes e tementes a Deus em toda a parte. Tais pessoas em todas as nações, em pouco tempo, passaram por uma mudança de personalidade ao começarem a imitar o seu Chefe, Cristo Jesus, e o resultado foi notável: Desapareceram todas as barreiras divisórias ao passo que as pessoas das nações eram incorporadas no corpo de Cristo. Paulo escreveu à congregação local em Colossos, na Ásia Menor: “Despojai-vos da velha personalidade com as suas práticas, e revesti-vos da nova personalidade que, por meio de conhecimento acurado, se renova segundo a imagem daquele que a criou, onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, estrangeiro, cita, escravo, livre, mas Cristo é todas as coisas e em todos.” E aos da igreja na Galácia escreveu: “Vós todos sois, de fato, filhos de Deus por meio da vossa fé em Cristo Jesus. Pois todos vós, os que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. Não há nem judeu nem grego, não há nem escravo nem livre, não há nem macho nem fêmea, pois todos vós sois um em união com Cristo Jesus.” — Col. 3:9-11; Gál. 3:26-28, NM.
16. Qual é um dos pré-requisitos para haver uma só igreja e possuíam-no os primeiros cristãos?
16 A base para uma só igreja é a uniformidade de ensino e de crença, e enquanto estavam presentes os apóstolos e outros irmãos maduros, cheios de espírito, tal uniformidade foi preservada. Certa vez, ,quando surgiu a tendência de criar seitas na congregação de Corinto, Paulo lembrou-lhes: “Acaso Cristo está dividido?” e foram exortados a que falassem “todos a mesma cousa, e que não haja entre vós divisões; antes sejais inteiramente unidos, na mesma atitude mental e no mesmo parecer”. A fé comum produz uma igreja comum, não importa quem são os crentes ou onde se encontram. — 1 Cor. 1:10, 13, ARA.
17. Que outro fator contribuiu para a união Internacional?
17 Outro fator em apoio da unidade cristã foi o conceito específico que os primeiros cristãos formavam sobre o governo. Não eram parte deste mundo e do seu sistema político, e só este fato já contribui muito para a união. Contudo, não se consideravam como um povo sem governo ou sem governante, mas tinham confiança nas Escrituras Hebraicas e nas palavras do próprio Jesus quanto a ele ser o verdadeiro Rei num verdadeiro reino, exercendo realmente o governo e tendo um exército bastante forte para destruir todos os outros reinos, no tempo devido. Confessavam o Rei supernacional, Jesus Cristo, como seu Senhor e dedicavam as suas vidas ao reino de Deus, por meio dele, em lealdade inabalável. Ainda permaneciam cidadãos obedientes das nações onde moravam, mas em caso de choque entre os mandamentos de seu Senhor e Mestre e os de’ homens, eles adotavam a atitude de que tinham de obedecer antes a Deus do que aos homens; e estavam decididos nisso, conforme descobriram os césares de Roma quando procuravam interferir na união em que os cristãos se achavam com Deus e com seu Rei. Eles não tinham a idéia de que o reino de Deus fosse apenas algo nos corações dos homens, assim como muitos professos cristãos pensam hoje em dia. Por se manterem separados do mundo, fixando os olhos firmemente no reino celestial e deixando-se guiar pelo espírito santo que produz amor, eles eram “um só corpo”, embora este fosse internacional. — João 17:16; 18:36, 37; Dan. 2:44; Atos 5:29.
18. (a) Foram as congregações locais da primitiva Igreja orientadas diretamente pelo espírito? (b) Por que seria de supor que surgissem complicações com as decisões feitas pelo corpo governante visível em Jerusalém? E, surgiram tais complicações?
18 Já que havia apenas uma organização, podia haver apenas uma agência administrativa central para a organização inteira. Os apóstolos e irmãos maduros em Jerusalém constituíam tal agência ou corpo governante visível sob a orientação do espírito. Era reconhecido e recebia toda a cooperação em todo o mundo. Os problemas de importância internacional para a igreja foram apresentados em Jerusalém para a sua decisão. Quando surgiu a questão da circuncisão, Paulo não convocou um sínodo dos superintendentes das congregações de Antioquia e do resto da, província da Síria, a fim de que a questão fosse discutida e decidida, nem esperava êle que o espírito de Deus fornecesse orientação direta às congregações, mas ele se dirigiu ao corpo governante visível em Jerusalém; e depois de se decidir ali a questão, sob a orientação do espírito sobre êsse corpo, ele foi enviado de volta às congregações, para as fazer saber a decisão. Este processo não criou complicações da parte dos não-judeus, conforme seriam de esperar em outras circunstâncias. Do ponto de vista mundano, não teria sido surpresa ouvir os gregos levantar objeções, por chamarem atenção às suas orgulhosas tradições do passado. Afinal de contas, não eram gregos os principais historiadores, poetas, matemáticos e arquitetos do mundo? Não era realmente grego tudo o que existia em nome da cultura, mesmo em todo o Império Romano? Ou os romanos, os convencidos cidadãos da capital do mundo, por que deveriam eles dar atenção a judeus desprezados, que, em certas ocasiões, nem tiveram permissão de viver em Roma? Não tinha, a dominação do mundo pela raça semítica passado para a raça ariana, com a queda de Babilônia? Por que deviam então os romanos e gregos arianos aceitar ordens de judeus semíticos, de língua aramaica, em Jerusalém? Não tinham eles mesmos bastante capacidade para pensar? Não há nenhum indício nos registros que indique que tal pensamento nacionalista ou racial mundano solapasse as raízes da união cristã. Evidentemente, todos formavam o mesmo conceito como o apóstolo Paulo: “‘Não há distinção entre judeu e grego, pois há o mesmo Senhor sobre todos.” Longe de isso causar dissensões, o registro diz: “Então, ao passo que viajavam através das cidades, entregavam aos que havia ali, pára a observância deles, os decretos decididos pelos apóstolos e pelos homens mais idosos que se achavam em Jerusalém. Assim, deveras, as congregações continuavam a ser fortalecidas na fé e a aumentar em número de dia em dia.” — Atos 15:2, 41; 16:4, 5; Rom. 10:12, NM.
19. Em que sentido foi a primitiva igreja cristã algo nunca visto?
19 Deveras, a igreja foi uma maravilha e uma exceção notável na história da humanidade; foi uma organização internacional, no entanto, caracterizava-se por “um só coração e uma só alma”, pela “mesma atitude mental” e o “mesmo parecer”, ‘um só corpo, um só espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai’. (Atos 4:32, NTR; 1 Cor. 1:10, ARA; Efé. 4:4-6, NM) Foi algo nunca visto. Um verdadeiro produto do espírito de Deus. Jeová, certamente, tinha cumprido a oração de Jesus em prol da união da igreja cristã. — João 17:20-23.
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O sinal do espíritoA Sentinela — 1961 | 1.° de fevereiro
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O sinal do espírito
“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” — João 13:34, 35, ALA.
1. (a) Por que é somente lógico esperar-se que a união cristã seja hoje visível no mundo? (b) De que proveito seria para nós encontrarmos tal união?
PARA Jesus, a união e o amor existentes entre seus verdadeiros seguidores eram algo exclusivo, algo que os distinguiria de todos os outros, algo que constituiria um sinal especial para o mundo inteiro, provando que ele tinha sido enviado pelo Pai e que eles tinham sido enviados por ele. Visto que Jesus orou pelos seus futuros seguidores, para que fossem parte da unidade cristã, e prometeu que o ‘Hades não prevaleceria’ contra a sua congregação e que estaria com ela “todos os dias até a consumação do sistema de coisas”, é somente lógico esperar-se que um sinal específico fosse visível ao mundo atual, e que tal sinal pudesse servir como meio de identificação de sua congregação ou igreja. E isto tanto mais em visita do fato de que a Igreja Católica Romana, as igrejas ortodoxas orientais e uma conferência ecumênica mundial de protestantes concordam que a igreja das Escrituras Gregas é uma igreja visível. Por isso observaremos os sistemas eclesiásticos que se chamam cristãos para ver que união podemos encontrar. — João 13:35; 17:23; Mat. 16:18; 28:20, NM.
AS IGREJAS PROTESTANTES
2. Por que não afirma nenhuma das igrejas protestantes ser a verdadeira igreja?
2 Conforme é de conhecimento geral, não há nada no mundo protestante que possa ser comparado com a união da primitiva igreja cristã, Nem as igrejas protestantes como um todo, .nem qualquer igreja separada deles, podem afirmar ser internacionais ou universais e assim mesmo constituir uma unidade na fé e na organização. Isto é tão óbvio, que nenhuma das igrejas protestantes, por esta e por outras razões, afirma ser a verdadeira ekklesia ou igreja das Escrituras Gregas.
3. Considerando-se a sua evidente separação, como explicam os protestantes a sua crença em uma só igreja?
3 Por aceitarem o Credo de Nicéia, todas as igrejas protestantes professam crer na igreja ‘una, santa, católica, apostólica’, mas, como em todas as outras questões de crença, há um vasto número de especulações teológicas sobre a unidade da igreja. Algumas dizem que a união não é absolutamente necessária e é até uma desvantagem. Desde os dias da Reforma, muitas delas têm crido numa chamada igreja “invisível” e “visível”, a invisível sendo composta de todos os cristãos sinceros em todas as seitas, que estão dedicados a Deus e têm sido aceitos por ele. O conjunto ou corpo destes não pode ser discernido por olhos humanos, sendo por isso chamado de invisível, em contraste com o número comum de membros das igrejas, a parte visível, que, conforme se verificou, é difícil de identificar como sendo os verdadeiros seguidores de Cristo. Nos Estados Unidos é comum a chamada “teoria dos ramos”. As diversas igrejas são comparadas aos ramos da videira na ilustração de Jesus, em João, capítulo quinze, e constituem supostamente uma unidade por estarem ligadas a Cristo, a videira. Outras acham que não precisa haver união em organização, mas apenas em espírito; e anda outras acreditam numa espécie de já existente união mística e sobrenatural em Cristo, apesar de todas as evidências de desunião. Nos relatórios das conferências ecumênicas do Conselho Mundial de Igrejas fala-se por isso paradoxalmente da “união em Cristo” das igrejas-membros, embora nunca se faça nenhuma tentativa séria de explicar em que consiste realmente esta união.
4. Que declaração a respeito da igreja fez a conferência mundial sobre Fé e Ordem, realizada em Lund?
4 As discussões interconfessionais entre as diversas partes raras vezes conduzem a um conceito comum sobre um assunto. Contudo, com respeito ao assunto do corpo de Cristo, a conferência mundial do movimento ecumênico chamado Fé e Ordem, realizada em Lund, na Suécia, em 1952, declarou no seu relatório oficial a opinião majoritária: “A imagem paulina da Igreja como sendo o Corpo de Cristo não é apenas metáfora, mas expresso uma viva realidade.” E mais: “Estamos acordes que não há duas Igrejas, uma visível e a outra invisível, mas apenas uma só Igreja, que precisa encontrar a sua expressão visível na terra.”
5. A que conclusão chegou o Bispo Giertz em vista da divisão da cristandade?
5 Reconhecendo a necessidade de que a congregação cristã seja una, poucas coisas mortificam as igrejas protestantes tanto como o fato de que não são assim. O Bispo Bo Giertz, da Suécia, disse a respeito da divisão na cristandade: “É simplesmente um pecado, e é um pecado da espécie mais fatal, um pecado contra o próprio corpo de Cristo. . . . A conclusão aterrorizadora que somos obrigados a tirar disso é que uma igreja dividida não é mais uma igreja verdadeira. . . . Enquanto estivermos divididos, o corpo de Cristo está sangrando, e não sabemos em que dia morrerá de perda de sangue.”
6. (a) O que é o Conselho Mundial de Igrejas? (b) O que torna impossível identificar a primitiva igreja cristã dentro do mundo protestante?
6 Muitos protestantes, na sua aflição, depositam a sua esperança nas discussões ecumênicas ou interconfessionais que começaram especialmente durante o nosso século e que têm resultado na fundação do Conselho Mundial de Igrejas, em 1948, uma organização internacional que inclui a maioria das igrejas protestantes e a Igreja Ortodoxa Oriental, mas não a Igreja Católica Romana. Contudo, o Conselho Mundial de Igrejas não é uma igreja e não afirma ser tal. Diz que nem é “Superigreja” nem “Una Sancta” ou igreja “una e santa”, mas acha que seu objetivo é “estabelecer um contato vivo entre as igrejas”. Quanto à sua capacidade de atingir este objetivo, há opiniões divergentes entre os teólogos. O professor dinamarquês Dr. Regin Prenter disse: “De qualquer modo, uma coisa é certa: Este conselho mundial de igrejas cristãs de modo algum representa uma verdadeira reunião das igrejas separadas. O Conselho Mundial de Igrejas é ainda apenas uma federação de comunidades eclesiásticas mutuamente independentes. . . . Pode também significar que o novo contato que as igrejas estabeleceram entre si dentro do Conselho Mundial de Igrejas conduza a uma condenação mútua mais severa entre certas comunidades eclesiásticas do que havia antes, simplesmente porque antes não se conheciam o bastante para se poderem condenar mutuamente.” Algumas das coisas que impedem os cristãos dedicados de ver nas igrejas protestantes a igreja de Jesus Cristo e dos apóstolos é a falta de uniformidade de ensino e de organização, em escala nacional e internacional.
AS IGREJAS ORTODOXAS ORIENTAIS
7. O que torna evidente que não há união na Igreja Ortodoxa Oriental?
7 As igrejas ortodoxas orientais não são uma só igreja, mas são uma série de igrejas nacionais, principalmente na Europa oriental e na península dos Balcãs, que lutaram e ganharam a sua independência do patriarcado de Istambul. Algumas delas reconhecem nominalmente o patriarca de Istambul como chefe de sua igreja, outras reconhecem o patriarca de Moscou, mas nenhum dos patriarcas tem qualquer influência nos negócios internos das outras igrejas. Entre os dois patriarcados trava-se uma luta constante pela jurisdição sobre as igrejas na Finlândia, na Polônia e na colônia dos emigrantes russos em Paris. Visto que a igreja de Deus e de Cristo foi uma só igreja internacional e não várias igrejas nacionais, não podemos encontrar na Igreja Ortodoxa Oriental nenhum vestígio da união da primeira igreja cristã.
A IGREJA CATOLICA ROMANA
8-11. O que prova que a igreja romana não é um só corpo? Que prova decisiva quanto á verdadeira união não pode a igreja romana e as outras passar com bom êxito?
8 Não é a Igreja Católica Romana uma grande igreja internacional com uniformidade de ensino e de organização? Embora tenha uma série uniforme de dogmas para toda a igreja internacional, as crenças religiosas dos católicos romanos não são iguais em toda a parte. A idéia de Deus e de Cristo Jesus, e do que eles fazem a favor da humanidade, dificilmente é.a mesma para um católico romano na Itália e para um católico romano em Haiti, que ainda pratica ao mesmo tempo a sua religião pagã do vodu (macumba).
9 Nem é a união da organização tão firme como muitos pensam. Se a Igreja Católica Romana é realmente um só corpo, com o papa por chefe visível, então por que não obedecem todos os católicos ao chefe? O sacerdote católico romano e autor Peter Schindler disse na sua apologia da Igreja Católica diante das acusações de intolerância para com os protestantes na Espanha e na Colômbia: “Por que não intervém o papa? Quem diz que ele não ‘intervém’? Afinal de contas, nós os que estamos em Roma temos um pouco mais de idéia da sua impotência. O papa não é ditador na Espanha, nem presidente na Colômbia, e se os católicos locais (chefiados pelos líderes de sua igreja) desconsideram a lei de sua própria igreja assim como em muitos lugares desconsideram as instruções papais (por exemplo, as encíclicas sociais), então o próprio papa é impotente.” Se os membros não obedecem à cabeça, pode haver um só corpo vivo?
10 Se a igreja romana é apenas um só corpo, então por que existem as diferentes ordens, tais como os franciscanos, os dominicanos, os jesuítas, e assim por diante, agindo como corpos separados? Por que lutam entre si estas ordens, como se fossem partidos políticos, para obter a influência decisiva sobre ó papa e sobre a política da igreja?
11 É a igreja realmente uma unidade quando seus membros, tais como os católicos na Itália, participam de todos os partidos políticos, desde a extrema direita até à extrema esquerda comunista Poderiam jamais constituir um só verdadeiro corpo de igreja; ser um, assim como Jeová e Cristo Jesus são um? Poderiam ser um em sentido internacional, quando são chefiados por cardeais que, por razões nacionalistas, nem se falam E no caso duma guerra, preserva a igreja romana, bem como as outras seitas, a união que professam ter? Todo o mundo sabe que não. Todas elas cedem quando são submetidas à prova decisiva quanto à sua unidade como igreja, e provam assim que os laços que as ligam às unidades mundanas são mais fortes do que os que as ligam à sua unidade como igreja e a seu deus. Tudo isso torna impossível ver a união da igreja cristã na organização eclesiástica internacional, católica, romana.
UM SINAL PARA O MUNDO
12. (a) Que prova têm as testemunhas de Jeová para a sua afirmação de terem verdadeira união? (b) Com que direito juntam-se a Paulo em usar Romanos 8:35-39?
12 Em contraste com toda esta divisão desanimadora, alegra o coração encontrar hoje um corpo internacional de cristãos na terra, que constituem uma verdadeira união, uma verdadeira fraternidade internacional, unida na fé e na organização pelos laços do amor. Convidamos a todos a convencer-se deste fato, e não somos imodestos ao indicar que as testemunhas de Jeová, embora internacionais, são de “um só coração e uma só alma”, têm a “mesma atitude mental” e o “mesmo parecer”, e têm ‘um só corpo, um só espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai’. São cristãos em união com Jeová Deus e Cristo Jesus, e com seus irmãos, com laços de amor tão fortes, que nada, nem mesmo as guerras, podem separá-los. Sua organização-igreja internacional abrange testemunhas em muitos países e se compõe do restante da classe da noiva de Cristo Jesus; e unida a ela, em “um só rebanho” debaixo de “um só pastor” há uma grande multidão de “outras ovelhas”. (João 3:28-30; 10:16, NM) A história moderna destas testemunhas mostra que têm bastante experiência para se juntarem ao apóstolo Paulo em dizer: “Quem nos separará do amor do Cristo? Será tribulação, ou aflição, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Assim como está escrito: ‘Por tua causa estávamos sendo mortos o dia inteiro, fomos contados como ovelhas para a matança.’ Ao contrário, em todas estas coisas saímos completamente vitoriosos por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem governos, nem coisas existentes, nem coisas vindouras, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” — Rom. 8:35-39, NM.
13. Que ponderações suscita a união das testemunhas de Jeová, e de que é isto um sinal? Para quem?
13 A união mundial das testemunhas de Jeová suscita várias ponderações. Se a fraternidade internacional da primitiva igreja do primeiro século foi um verdadeiro milagre e admitidamente o produto exclusivo do espírito santo, e se Deus fez na sua igreja o que outros tentaram por séculos sem o conseguir, então, certamente, uma fraternidade internacional idêntica neste caótico século vinte não é menos milagre, nem é menos prova da manifestação única, do espírito ou da forma ativa invisível de Deus. Segundo Jesus, tal união não é um acaso, mas é um sinal para o mundo de que Jeová ama os unidos assim como ele ama a Jesus, e que são discípulos dele: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” — João 13:34, 35; 17:23, ALA.
14. Por que não era impróprio que os primeiros cristãos indicassem a sua igreja como sendo a única verdadeira?
14 Os primeiros cristãos estavam convencidos de que pertenciam à única igreja verdadeira, a “congregação de Deus”. Duvidar disso teria sido um pecado contra o espírito santo. Tinham a evidência do sinal do espírito, e um sinal não é de valor a menos que seja visto. Era então impróprio para os primeiros cristãos indicar a sua igreja como sendo a única que tinha tal sinal? Era fora de harmonia, em relação à igreja judaica do judaísmo, que os cristãos, em verdadeira humildade, chamassem atenção a este sinal do espírito, embora revelassem com isso a flagrante falta do espírito de Deus na casa dividida de Israel? Ao contrário, tinham a obrigação de não pôr a sua luz sob um cêsto, mas de deixá-la “brilhar. . . perante a humanidade, para que vejam as vossas obras corretas e dêem glória a vosso Par que está nos céus”. — Mat. 5:14-16, NM.
15. E falta de virtude cristã quando as testemunhas de Jeová indicam a sociedade do Novo Mundo, da qual a congregação cristã ungida é parte, como a única que é verdadeiramente de Deus?
15 Portanto, obviamente sendo o sinal do espírito, a união amorosa mundial das testemunhas de Jeová é uma das razões por que estas testemunhas, que são membros ungidos do corpo de Cristo, estão convencidos de que pertencem à única igreja verdadeira, e, visto que os das “outras ovelhas” se associam com esses ungidos na sociedade unida do Novo Mundo, estão convencidos de que esta é deveras a organização de Deus que pratica a verdadeira adoração. Não seria um pecado contra o espírito duvidar disso? É imodesto da parte deles chamar a atenção do mundo ao fato de que esta organização se destaca em mostrar o sinal do espírito? Ao contrário, em benefício de todos os sinceros que anseiam a congregação visível do povo unido de Deus, e para a glória de Deus e de Cristo Jesus, não devem pôr a sua luz debaixo dum cesto, mesmo às custas de serem considerados vaidosos.
BIBLIOGRAFIA
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8. Katolicismen i vor Tid, (dinamarquês) página 137. Autor: Peter Schindler, sacerdote católico e autor. Editôra: H. Hirschsprungs Forlag, Copenague, 1957.
9. L’Espresso (jornal italiano). Artigo: “Atrás do Trono de Pio XII — O Ataque dos Jesuítas e a Rendição dos Dominicanos.” Autor: Dr. Carlo Falconi, editor religioso.
10. Katolicismen i vor Tid, página 130.
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“Deus amou o mundo de tal maneira”A Sentinela — 1961 | 1.° de fevereiro
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“Deus amou o mundo de tal maneira”
“O cristianismo é às vezes apresentado de tal modo que parece como se fosse a obra dum Jesus suave e amoroso para pacificar um Deus severo e irado, como se Jesus tivesse feito algo que mudou a atitude de Deus para com os homens. O Novo Testamento não sabe nada disso. Todo o processo da salvação começou porque Deus amou o mundo.” — Barclay na obra More Testament Words.
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