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“Se a trombeta der um toque incerto . . .”Despertai! — 1987 | 8 de setembro
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noções de Schulz não são novas, ou nem sequer raras” era o fato de que, durante as audiências de instrução e julgamento, ele “se dirigia à uma galeria composta de estudantes de teologia, que às vezes o aplaudia”. E, apesar das medidas tomadas, “a comissão insistiu que ela ainda era favorável a ‘um amplo espectro’ de interpretações individuais”.
Apontando para este amplo espectro de interpretações individuais, o editorial dum jornal afirma que a teologia protestante carece de “clareza conceitual e de exatidão teórica”, e a chama de “teologia elementar mesclada que resulta ser não menos estéril do que rançoso dogmatismo”. Um boletim protestante suíço acrescenta: “O ‘isto ou aquilo’ da percepção cristã” foi “substituído pelo ‘isto, bem como aquilo’”. Não é de admirar que os teólogos discordem!a
Ruma a Casa de Lutero Para o Desabamento?
A crise da igreja é, na realidade, uma crise de fé. Mas, pode a fé ser cultivada em pessoas nutridas por uma “teologia elementar mesclada”, e guiada por irresoluta orientação, tipo “isto, bem como aquilo”? Pode o protestantismo esperar motivar suas fileiras à ação cristã com tal toque indistinto de trombeta?
Já por volta de 1932, o professor de teologia, Dietrich Bonhoeffer, queixava-se: “Ela [a Igreja Luterana] tenta estar em toda a parte e acaba não estando em parte alguma.” Será que já é tarde demais para a igreja encontrar sua identidade? A maioria das autoridades eclesiásticas concorda que os métodos usuais de revitalização não funcionarão. Precisa-se de algo novo, e diferente. Mas, o quê? O aposentado Bispo Hans-Otto Wölber afirma: “O futuro da igreja não é uma questão de métodos, mas de conteúdo. . . . É a mensagem que importa. . . . Em outras palavras, ao lado da Bíblia é que tomamos posição.”
Sem dúvida.
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As perspectivas futuras do protestantismo — e suas também!Despertai! — 1987 | 8 de setembro
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As perspectivas futuras do protestantismo — e suas também!
“JÁ VENHO estudando a teologia luterana por sete semestres, e, assim sendo, sou um prospectivo ministro da igreja”, iniciava uma carta ao editor publicada por um jornal alemão em novembro de 1986. Prosseguia dizendo: “Gostaria de trazer à atenção que a nossa formação consiste basicamente em destroçar a Bíblia — deixando intatas apenas as suas capas. . . . Ao passo que a fé do aluno, ou a base dela, as Escrituras, está sendo abalada, a maioria de seus preletores lhe ensina o ‘novo evangelho’ do socialismo, desta forma dando à igreja uma substância inteiramente nova. Deus está morto — viva o socialismo! Jesus apodreceu no túmulo, nós temos de salvar a nós mesmos! Esta é a mensagem que muitos ministros levam ao seu púlpito, domingo após domingo. Precisamos urgentemente de novos meios para nos ensinar a Bíblia, mas, no momento, a igreja está suprimindo-os.”
Sendo a Palavra de Deus tratada de forma tão desprezível, existe alguma esperança de que a igreja e seus paroquianos possam ainda recuperar-se de sua confusão espiritual? Comentou corretamente um tradutor da Bíblia, do século 18: “A condição de saúde da igreja é determinada pela forma como ela trata as Escrituras.”
Ajudaria um Novo Reformador?
“Dietrich Bonhoeffer é mais honrado e citado, nos dias de hoje, do que qualquer outro teólogo de nosso século”, afirma o professor de teologia Georg Huntemann. Bonhoeffer, destacado membro da “Igreja Confessional”, foi preso pelos nazistas em 1943, e executado em 1945, por alegado envolvimento num complô para assassinar Hitler. Huntemann afirma que Bonhoeffer bem que poderia ser o novo reformador de que a igreja precisa. Observe os seguintes trechos tirados de alguns de seus sermões. Pergunte a si mesmo: O que significaria o acatamento das palavras dele para a Igreja Luterana? para a minha igreja?
“Na religião, só há uma coisa de importância, essencial, que ela seja verdadeira.” Isto concorda com o que Jesus disse: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”a — João 4:24; veja também João 8:32; 14:6; 16:13.
Está seguro de que tudo que sua igreja ensina é realmente verdadeiro? Ensina ela que o homem possui uma alma imortal — uma que não pode morrer — ou concorda ela com a Bíblia, que diz: “A alma que pecar, essa morrerá”? (Ezequiel 18:4, 20) Ensina sua igreja que Deus não tem nome, ou que ele se chama Jesus, ou concorda ela com a Bíblia, que diz: “Tu, a quem só pertence o nome de JEOVÁ, és o Altíssimo sobre toda a terra”? (Salmo 83:18) Ensina, sua igreja que todos os bons serão levados para o céu, quando a Terra for destruída por fogo, ou concorda ela com a Bíblia, que diz: “Os justos herdarão a terra e habitarão nela para sempre”? — Salmo 37:29; veja também Salmo 104:5.
“Ela [a igreja] tem de empenhar-se a favor da pureza de ensino.” Isto concorda com o que Jesus disse: ‘Guardai-vos do fermento da doutrina dos fariseus e dos saduceus.’ — Mateus 16:11, 12; veja também 1 Coríntios 5:8.
Acolhe sua igreja “‘um amplo espectro’ de interpretações individuais”, ou age em harmonia com o conselho divino: “Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem distensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles”? — Romanos 16:17; veja também 2 Timóteo 2:16-18; 2 João 9, 10.
“No Dia do Juízo, Deus certamente não nos perguntará: Celebraram impressionantes festas da Reforma, antes: Deram ouvidos à minha Palavra e a observaram?” Isto concorda com o que Jesus disse: “Meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam.” — Lucas 8:21; veja também Mateus 7:21; João 15:14.
Será que sua igreja dá mais ênfase ao ritual, às cerimônias e aos prédios do que à obtenção de conhecimento exato da Palavra de Deus? Será que se julga suficiente o comparecimento ocasional à igreja, num dia santo, em contraste com o conselho de “não deixa[r] a nossa congregação, . . . e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia [de julgamento]”? — Hebreus 10:25.
Incentiva-o a sua igreja a ler diariamente a Palavra de Deus, oferecendo-lhe ajuda pessoal para compreendê-la, e provendo-lhe a motivação para fazer o que ela requer?
“Religião significa trabalho, talvez o mais difícil e, com toda a certeza, o trabalho mais sagrado que um humano pode fazer.” Isto concorda com o que Jesus disse: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.” — João 4:34.
Ensina-lhe a sua igreja que o trabalho de Deus para os cristãos, hoje em dia, é o de pregar “este evangelho do reino . . . em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes”? (Mateus 24:14; veja também Mateus 28:19.) Estimula-o a partilhar esta gloriosa mensagem do Reino com “qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”? — 1 Pedro 3:15.
Pelo menos nos casos acima, Bonhoeffer deu bom conselho à sua igreja. “Mas, por que as palavras dele, sua admoestação reformadora para a igreja, deixam completamente de ser acatadas?”, pergunta Huntemann. Ainda mais significativa, porém, é a pergunta: Por que as palavras de peso de Cristo Jesus deixam de ser acatadas, numa medida muito mais plena?
O teólogo Ulrich Betz afirma que a sociedade alemã ocidental pensa e age dum modo “pós-cristão, para não se dizer neopagão”. A Igreja Luterana tem de aceitar a culpa pelo menos no caso dos 25 milhões de membros dessa sociedade que são luteranos. Assim como uma árvore que produz fruto podre é suspeita, assim também o é uma igreja que produz pseudocristãos. Explicou Jesus: “Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.” — Mateus 7:16-18.
Faça esta honesta avaliação: Que tipo de fruto produz a sua igreja? Aprimora a personalidade de seus membros? Promove a paz e a união na família, na comunidade, e nos níveis globais? É um baluarte contra a toxicomania, a imoralidade e o crime? Poderia você afirmar, sem hesitação, que o mundo seria um melhor lugar de se viver se todos pertencessem à sua igreja?
Observe, na página oposta, por que alguns luteranos na Alemanha, depois de fazerem tal avaliação honesta, voltaram-se para outra parte, em busca de orientação espiritual.
Se a Igreja Deixa de Agir, Agirá Você?
Se, depois de uma pesquisa honesta, não ficar satisfeito diante do que vê, faça mais do que simplesmente queixar-se. Um jornalista, ao comentar a declaração de Karl Barth de que uma igreja é o que são os seus membros, concluiu logicamente: “Os membros da igreja . . . são responsáveis pelo que a igreja diz e faz.” Assim, pergunte a si mesmo: Estou disposto a partilhar da responsabilidade por tudo que minha igreja diz e faz? Posso realmente orgulhar-me de ter a todos os seus membros como irmãos espirituais?
Ao considerar tais perguntas, não desperceba o significado de Apocalipse 18:4, 8. Falando de o império mundial da religião falsa, que desagrada a Deus, o texto diz: “Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas . . . [pois] num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga.”
Talvez creia sinceramente que sua igreja não é parte da religião falsa que Deus diz que em breve destruirá. Mas sua vida depende de estar 100 por cento certo. Está?
A religião falsa não tem futuro, nem os que a apóiam. A religião verdadeira durará para sempre, junto com aqueles que a praticam. Faça sua escolha de acordo com isso.
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