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Que dizem as igrejas e os outros?Despertai! — 1982 | 22 de setembro
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Que dizem as igrejas e os outros?
A Religião — Força Para Paz ou Para Guerra?
ESTAMOS na era da ciência e da tecnologia. Entretanto, a religião ainda é uma força poderosa na vida das pessoas e nas questões mundiais. As pessoas, na maioria, ainda pertencem a uma religião ou outra. Ainda é comum crer que todas as religiões são para o bem da humanidade.
As diversas religiões se reúnem de vez em quando para conferenciar sobre a paz. Por exemplo, em agosto de 1979, 338 representantes de 47 países se reuniram em Princeton, Nova Jersey, E.U.A., na Terceira Assembléia da Conferência Mundial Sobre Religião e Paz. Representavam todas as principais religiões do mundo: budista, cristã, confucionista, hindu, judaica, muçulmana, xintoísta, zoroastriana e outras.
Em reuniões como essas, os líderes religiosos externam sua preocupação com a paz mundial. E muita coisa é dita sobre a contribuição que cada religião faz em prol da paz. Todavia, repetidas vezes os oradores tocaram num ponto comum: nem todos praticam aquilo que pregam.
Falando sobre o papel que o hinduísmo desempenha na paz mundial, Swami Ranganathananda, de Calcutá, Índia, disse: “Um estudo dos alvos e dos objetivos da religião revela que é essencialmente uma disciplina em prol da paz. Contudo, mesmo um estudo superficial da história da religião indica que todas as religiões do mundo têm contribuído para a guerra tanto quanto para a paz em variados graus.”
O professor K. G. Saiyadain, de Nova Délhi, Índia, disse: “Na história humana, foram tantos os conflitos e as perseguições, e tantas as guerras precipitadas em nome da religião, que muitas pessoas bem-intencionadas a abandonaram e não desejam a cooperação dela nos seus empenhos pela paz.” Também, com respeito à religião islâmica, o professor, ele próprio um muçulmano, disse a seguir: “Ao me referir ao islamismo e sua contribuição em prol da paz . . . não estou apresentando uma defesa dos desencaminhados ou irreligiosos dirigentes muçulmanos nem de outros que se tenham desviado do caminho e desafiado a insistência islâmica sobre a paz como o único modo de vida correto.”
Ao falar sobre o papel da cristandade na paz mundial, o clérigo John H. Burt, de Ohio, E.U.A., disse que os verdadeiros antecedentes dos cristãos são “um registro cheio de relatos tristes e desonestos no que diz respeito à guerra”.
Estas são deveras declarações que fazem a pessoa ponderar. Faz ponderar ainda mais a pergunta: É a religião uma força para a paz ou para a guerra? Que revelam os fatos?
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Que revelam os fatos?Despertai! — 1982 | 22 de setembro
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Que revelam os fatos?
A Religião — Força Para Paz ou Para Guerra?
EMBORA o mundo como um todo pareça estar em paz, “mais de uma vintena de guerras pequenas crepitam e fervem ao redor do globo . . . destruindo milhões de vidas”, diz uma notícia da Associated Press. Um exame mais de perto revela a “verdade funesta de que provavelmente metade ou mais das guerras travadas atualmente ao redor do mundo ou são claramente conflitos religiosos ou estão envolvidas em disputas religiosas”, diz o colunista de jornal C. L. Sulzberger. Por exemplo:
No Líbano, um dos palcos de guerra das Cruzadas, as facções políticas dos cristãos e dos muçulmanos ainda estão empenhadas no que o despacho da Associated Press chamou de “guerras arraigadas em inimizades de há séculos”. O conflito é principalmente entre os cristãos maronitas e os muçulmanos sunitas. Mas estão também envolvidos ortodoxos gregos e cristãos uniatas, muçulmanos xiitas e drusos secretos. O número de mortes desde 1975 é de pelo menos 42.000. Levando em conta o tamanho do país, bem pode essa guerra civil ser classificada como uma das mais sangrentas da história.
“A matança mútua em nome da religião na Irlanda do Norte custou a vida de 2.079 pessoas em 12 anos; 144 das quais eram policiais”, diz o Times de Los Angeles, E.U.A. Embora a questão fundamental vejam os direitos civis — os direitos da minoria católica versus os da maioria protestante — a religião está profundamente envolvida, e ambos os lados recorreram a uma solução militante. O resultado? O país se transformou “de sossegada região retirada e baluarte de estritas normas morais para uma sociedade de vida imoderada dos meados do século 20, corrompida e mudada por palavras e ações violentas”, escreve Barry White no Star de Toronto, Canadá.
Nas Filipinas, o “Ministério da Defesa tem oferecido recompensas de 4 mil dólares americanos [c. de 720 mil cruzeiros] pela captura de cada um dos dois sacerdotes filipinos ‘rebeldes’, vivos ou mortos”, informa o Times de Nova Iorque. Outra notícia diz que “quatro sacerdotes católicos romanos que abandonaram suas paróquias . . . foram vistos liderar insurretos comunistas em escaramuças com tropas do governo”. Ao passo que “sacerdotes ativistas portam armas” no norte, segundo Newsweek, os muçulmanos no sul travam sua ‘guerra santa’ contra o domínio da maioria católica.
Os conflitos que envolvem a religião não se limitam de forma alguma a esses poucos lugares. Há conflitos entre turcos e gregos em Chipre, entre hindus e muçulmanos na Índia, entre árabes e israelenses no Oriente Médio, entre cristãos e budistas na Birmânia, entre muçulmanos e coptas no Egito. E há envolvimento do clero nos movimentos políticos e de guerrilha na América Central e do Sul. Naturalmente, há outros fatores envolvidos em tais guerras. Mas, por que está a religião envolvida nelas? E por que é a religião incapaz de impedi-las?
[Foto na página 4]
Jovens religiosos no Ulster com bombas de gasolina.
[Foto na página 5]
Insurretos religiosos filipinos em sessão de treinamento.
[Mapa na página 5]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Focos de Agitação
El Salvador
Irlanda do Norte
Chipre
Egito
Líbano
Paquistão
Camboja
Filipinas
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Por que a religião está envolvidaDespertai! — 1982 | 22 de setembro
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Por que a religião está envolvida
A Religião — Força Para Paz ou Para Guerra?
DIANTE da inegável realidade do envolvimento das religiões na guerra, surge inevitavelmente a pergunta: Por quê? Muitos acham que a culpa não está nas religiões, mas nos que deixam de praticar o que sua religião lhes ensina. Acham que, se mais pessoas aplicassem sua crença religiosa à sua vida diária, a paz seria atingível.
Embora haja certa verdade nisso, não devemos desperceber o fato de que muitos dos que se empenham em guerras religiosas fazem isso com tanto zelo e tanta convicção que deixam envergonhados os soldados de guerras convencionais.
Através dos séculos, o conceito de guerra “santa” ou “legítima” tem tido tremenda influência nos adeptos de muitas religiões. São exemplos destacados disso as Cruzadas da cristandade e, do outro lado, as guerras religiosas dos maometanos. Os promovedores das cruzadas recorriam costumeiramente à Bíblia em apoio de seus argumentos. Mas é reconhecido pelos historiadores que “na Igreja primitiva prevalecia amplamente o conceito de que a guerra é uma iniqüidade organizada com a qual a Igreja e os seguidores de Cristo nada têm que ver”. — Encyclopœdia of Religion and Ethics, de Hastings.
Em tempos posteriores, porém, proeminentes líderes eclesiásticos, como Agostinho e Tomás de Aquino, argumentaram fortemente a favor da guerra “legítima”. “Agostinho (em princípios do quinto século) criou a primeira grande síntese da fé cristã e da prática da guerra”, escreve Robert Culver, professor de teologia, em Christianity Today. Isso “se tornou a norma de todos os principais ramos da igreja desde então até hoje”.
A doutrina de guerra “legítima”, ou “justificada”, parte da premissa de que os dirigentes têm o dever e o poder, conferidos por Deus, de manter a lei e a ordem numa sociedade imperfeita por meio da força — polícia, tribunais, prisões e patíbulos — quando necessário. Sendo assim, então são também justificados quanto a usar o exército, a marinha e qualquer outra coisa para manter a paz e a segurança nacionais quando necessário.
Pode-se ver facilmente por que tal doutrina foi acatada bem favoravelmente pela classe governante. Mas teve também aceitação popular porque aliviava a pessoa comum do fardo de fazer decisões conscienciosas. Tudo o que tal pessoa precisa fazer é seguir o que o Estado lhe ordena. Sua cooperação, de fato, pode fazer com que sinta que está fazendo a vontade de Deus ou que Deus está do seu lado. Não é assim que a bem dizer todo soldado se sente na guerra?
Conceito Errado Sobre o Reino Milenar
“A busca do Milênio, amiúde liderada por uma figura messiânica, tem desencadeado numerosos movimentos revolucionários, muitos dos quais produziram significante inovação política e social”, escreve Gunter Lewy em Religion and Revolution.
Um exemplo especialmente interessante e esclarecedor é o da rebelião dos taipingues, de 1850-64, na China, durante um tempo de opressão estrangeira e corrupção interna. O culto era uma estranha mistura de confucionismo e evangelismo cristão. O líder, Hung Hsiu-chuã, afirmava que, como filho de Deus e irmão de Jesus, ele fora enviado por Deus à terra para estabelecer o Taipingue Tien-kuo, o Reino Celestial de Grande Paz. O movimento penetrou por fim em 16 das 18 províncias, capturou umas 600 cidades e ocupou Nanquim, tornando-a a “capital celestial” na terra. Tem sido chamado “o maior movimento pré-moderno das massas na história”, e com a sua queda perderam-se provavelmente uns 40 milhões de vidas.
Em outros lugares e em outros tempos houve os macabeus e os zelotes do judaísmo, os monges budistas políticos da Birmânia e do Ceilão, os Homens da Quinta Monarquia da Revolução Puritana do século 17 na Inglaterra, os madistas maometanos do Sudão, que levaram ao infame sítio de Cartum — a lista poderia prosseguir indefinidamente.
Os líderes religiosos continuam a pedir a cooperação inter-religiosa a bem da paz mundial. Evidentemente, acham que, se tão-somente puderem solucionar suas diferenças religiosas, a paz será assegurada. Mas, os fatos mostram que são poucas as guerras travadas unicamente por causa de diferenças doutrinais. Antes, elas têm muito a ver com questões sociais, econômicas, territoriais, políticas e numerosas outras. Mas, ao contrário de evitar tais guerras, a religião se envolveu nessas questões e, às mãos de alguns clérigos mal-orientados, infundiu nas multidões de ‘fiéis’ fervor e zelo para pegarem em armas.
Claramente, a religião fracassou em ser uma força para paz. Mas o que dizer da Palavra de Deus, a Bíblia? É ela realmente uma força para a paz?
[Quadro na página 6]
“As guerras religiosas tendem a ser extraviolentas. Quando as pessoas lutam por causa de território, para vantagem econômica, chegam a um ponto em que não vale a pena o custo da batalha e portanto transigem. Quando a causa é religiosa, a transigência e a conciliação parecem ruins — “Roger Shinn, professor de ética social, do Seminário Teológico da União.”
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A religião verdadeira — uma força para a pazDespertai! — 1982 | 22 de setembro
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A religião verdadeira — uma força para a paz
A Religião — Força Para Paz ou Para Guerra
A Bíblia inspira paz não apenas em palavras. Para os que seguem seus ensinamentos, é uma poderosa força para a paz.
Os primitivos cristãos não só falavam sobre paz, mas eram também conhecidos pela sua firme posição neutra em questões militares e políticas e pelos maus tratos que suportavam em razão disso. “Desde o fim do período do Novo Testamento até a década de 170-180, não há absolutamente nenhuma evidência de cristãos no exército”, escreve o historiador Roland Bainton, da Universidade de Yale, E.U.A. “Está bastante claro que antes de cerca de 174 A.D. é impossível falar de soldados cristãos”, acrescenta Guy Franklin Herschberger.
Que dizer dos nossos dias? É a Bíblia ainda uma força para a paz na vida dos que de todo o coração seguem seus ensinamentos?
Paul Johnson, na sua obra A History of Christianity (História do Cristianismo), escreveu sobre as atividades das igrejas na Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial e disse: “Os mais valentes eram as Testemunhas de Jeová, que proclamavam sua inequívoca oposição doutrinal desde o início e sofreram em conseqüência disso. . . . Muitos foram sentenciados à morte por recusarem prestar serviço militar . . . ou foram levados a Dachau ou a manicômios. Um terço deles foram realmente mortos; noventa e sete por cento sofreram perseguição de uma forma ou outra.”
Mais recentemente, apareceram as seguintes observações num destacado jornal de um país da América do Sul: “Nega-se liberdade de religião a diversos milhares de Testemunhas de Jeová neste país porque sua religião não lhes permite saudar a bandeira nem cantar o hino nacional ou pegar em armas. Em conseqüência disso membros das Testemunhas de Jeová foram presos, queixaram-se de terem sido espancados e de seus filhos terem sido expulsos das escolas, e se lhes negou receber educação escolar.”
Em abril do ano passado, a Gazette de Arkansas, E.U.A., publicou um artigo sobre os refugiados cubanos em Fort Chaffee, Arkansas. Segundo essa, quando se perguntou a um refugiado por que as Testemunhas de Jeová em Cuba eram tratadas como banidos, ele replicou: “Não conheço nenhuma Testemunha em Cuba que estivesse na força militar. . . . Isso não se dá com nenhuma outra religião em Cuba.” Ele disse também que o motivo de as Testemunhas sofrerem tanta dificuldade era “sua posição neutra”.
Benefícios Decorrentes de se Buscar a Paz
O que se conseguiu pela “posição neutra” deles? Alguns podem achar que não lhes trouxe outra coisa senão dificuldades. Entretanto, sua posição firme a favor dos princípios da Bíblia lhes trouxe também reconhecimento e elogios. Eis aqui alguns desses casos:
Um rabino judeu, que sobreviveu aos campos de Sachsenhausen, após ler um relato sobre as Testemunhas de Jeová nos campos nazistas de concentração, escreveu: “O conhecimento de que houve homens e mulheres [Testemunhas de Jeová] que preferiram a morte a sacrificar sua mais profunda fé e suas vividamente sustentadas convicções permanecerá para sempre para mim como uma das experiências verdadeiramente inspiradoras e enobrecedoras de minha vida.”
O Times de Londres publicou uma carta escrita pelo Dr. Bryan Wilson, da Universidade de Oxford, a respeito da neutralidade das Testemunhas de Jeová em Zâmbia e em outros países africanos. Em parte, o Dr. Wilson disse: “As Testemunhas de Jeová acham-se entre os cidadãos mais íntegros e diligentes dos países africanos. Se os valores que endossam e pelos quais vivem tão coerentemente fossem mais amplamente difundidos na África, alguns dos piores problemas sociais que os países africanos enfrentam seriam consideravelmente mitigados.”
A respeito dos refugiados cubanos que eram Testemunhas de Jeová, em Fort Chaffee, a reportagem da Gazette de Arkansas dizia: “Foram os primeiros a serem relocalizados em novos lares porque seus ‘irmãos e irmãs’ americanos — co-Testemunhas de Jeová — os procuraram. . . . Quando as Testemunhas chamam seus correligionários de ‘irmãos e irmãs’, falam de verdade.”
As Testemunhas de Jeová, depositando confiança no reino de Deus, atestam o fato de que a verdadeira religião, baseada na Bíblia, é uma poderosa força para a paz quando seguida coerentemente.
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