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A eliminação da mancha do pecadoA Sentinela — 1981 | 1.° de junho
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A eliminação da mancha do pecado
QUANDO Jeová Deus acabou sua atividade criativa, ele examinou tudo o que tinha feito e o declarou “muito bom”. (Gên. 1:31) Tudo o que fizera era perfeito. (Deut. 32:4) Quando este arranjo justo foi invadido pelo pecado, era como se uma indesejável célula cancerosa tivesse invadido um corpo sadio.
Na realidade, os humanos não foram os únicos a se rebelarem contra Deus e pecarem. A Bíblia fala sobre “os anjos que pecaram”. (2 Ped. 2:4) Foi uma criatura espiritual, Satanás, o Diabo, quem primeiro levou Adão e Eva ao seu proceder errado. (João 8:43, 44) Todavia, não se pode fazer nada por esses espíritos iníquos. Eles haviam sido perfeitos e haviam feito uma escolha deliberada. Portanto, seu pecado era inescusável. A mancha de sua pecaminosidade será eliminada do universo pela sua destruição final no tempo devido de Deus. — Mat. 25:41.
De maneira similar, Adão e Eva escolheram pecar. Embora criados perfeitos, fizeram deliberadamente o que era errado. Assim se tornaram voluntariamente escravos do pecado, visto que o próprio Jesus explicou: “Todo praticante do pecado é escravo do pecado.” (João 8:34) Por fim, foram eliminados do cenário, quando Deus permitiu que morressem em resultado de sua imperfeição induzida pelo pecado. — Gên. 3:19; 5:5.
Conosco, porém, é diferente. Nós também somos escravos do pecado, mas não inteiramente por nossa escolha. Somos pecadores porque nascemos assim, como se tivéssemos sido vendidos como escravos já antes de nascermos. (Rom. 5:12; 7:14) Por isso, Jeová Deus, no seu amor e na sua sabedoria, fez a provisão para que pudéssemos sair da escravidão ao pecado, se realmente quiséssemos.
A Solução do Problema
Jeová, nos seus tratos com a nação de Israel, mostrou que aceita o princípio da reaquisição. Por exemplo, quando um israelita ficava pobre e tinha de vender-se como escravo a um não-israelita, um parente chegado podia readquiri-lo ou resgatá-lo, se tivesse os meios para isso. (Lev. 25:47-49) O preço era calculado com exatidão, de modo que a reaquisição era inteiramente justa.
Jeová estabeleceu também o princípio da equivalência ao lidar com a culpa pelo pecado. Por exemplo, quando alguém causou deliberadamente um dano físico a outro israelita, então, segundo a justiça, ele tinha de sofrer a mesma espécie de dano. A lei especificava “alma por alma, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, pancada por pancada” — Êxo. 21:23-25.
Comparavelmente, Deus permite a reaquisição da humanidade da escravidão ao pecado, mas isso tem de se dar de acordo com a justiça. O preço pago tem de ser correto, não trivial, como se aquilo que se recompra não tivesse valor real. Qual é o preço? Ora, pense um pouco. O que Adão perdeu foi uma vida humana perfeita, sem pecado, com a perspectiva de viver para sempre. Era algo bem valioso.
Nada do que o homem possui equipara-se a isso em valor. Mesmo os homens mais ricos do mundo têm de morrer algum dia. Toda a sua prata e ouro não podem prolongar nem mesmo esta vida imperfeita, muito menos ainda comprar a vida eterna. O salmista inspirado disse: “Nenhum deles pode de modo algum remir até mesmo um irmão, nem dar a Deus um resgate por ele . . . que ele ainda assim viva para sempre e não veja a cova.” (Sal. 49:7-9) Por isso, a ajuda tinha de vir de fora da raça humana.
Deus revelou pela primeira vez o seu propósito de prover esta ajuda logo depois de Adão e Eva terem escolhido o pecado, em vez de a obediência. Ele predisse a vinda dum “descendente” que se oporia à influência da iníqua criatura espiritual que havia levado a humanidade à pecaminosidade. (Gên. 3:15) Por meio de revelações sucessivas, ele identificou a família que produziria este descendente ou descendência. Por fim, essas revelações enfocaram um casal de noivos, chamados José e Maria, que viviam na Palestina durante o tempo do Império Romano. — Gên. 22:15-18; 49:10; Luc. 1:26-35.
Este casal ficou sabendo que Maria iria ter um filho, o qual desempenharia uma parte vital na eliminação da mancha do pecado da criação de Deus. O anjo de Jeová informou José num sonho: “José, filho de Davi, não tenhas medo de levar para casa Maria, tua esposa, pois aquilo que tem sido gerado nela é por espírito santo. Ela dará à luz um filho, e terás de dar-lhe o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos pecados deles.” (Mat. 1:20, 21) Por fim havia ali alguém que podia “remir até mesmo um irmão”.
Jesus nasceu como filho de Maria, e, portanto, era realmente judeu da família de Davi. No entanto, conforme foi revelado mais tarde, ele teve realmente uma existência pré-humana no céu. Sua vida foi transferida pelo poder milagroso de Jeová para o ventre de Maria, para que o Filho de Deus pudesse nascer como homem. (João 1:1-3, 14) Desta maneira, Jesus não herdou a pecaminosidade que havia aleijado toda a humanidade até o seu tempo. Igual a Adão, era perfeito. Dessemelhante de Adão, permaneceu obediente. Portanto, único na história humana, Jesus era um homem que nunca pecou. O apóstolo Pedro disse: “Ele não cometeu pecado, nem se achou engano na sua boca.” Paulo explicou que Jesus era “leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores”. — 1 Ped. 2:22; Heb. 7:26.
Jesus possuía assim a única coisa equivalente em valor à duma vida humana perfeita: outra vida humana perfeita. Quando morreu, sua morte não era “o salário pago pelo pecado”. (Rom. 6:23) Jesus não mereceu morrer. Por isso, na sua morte, ele sacrificou algo que era o equivalente exato da vida perfeita que Adão havia perdido. — 1 Tim. 2:6.
O sacrifício de Jesus tem o efeito exatamente oposto ao do pecado de Adão. O apóstolo Paulo disse: “Assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.” (1 Cor. 15:22) Jesus pôde usar sua vida humana perfeita como preço para comprar a humanidade de volta do pecado. “Ele se entregou pelos nossos pecados, a fim de nos livrar do atual sistema iníquo de coisas, segundo a vontade de nosso Deus e Pai.” — Gál. 1:4.
Alívio do Pecado
De modo que existe agora uma saída para a humanidade! Pagou-se um preço redentor. Significa isso que todos ficarão agora automaticamente livres da escravidão ao pecado e serão restabelecidos em perfeição? De modo algum. A maneira de funcionar esta provisão foi explicada pelo próprio Jesus, que disse: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” (João 3:16) Sim, os que exercerem fé em Jesus Cristo, por meio de quem Deus fez a provisão do resgate, usufruirão a vida eterna de que foram privados pela desobediência deliberada de Adão.
Mesmo já agora, os que realmente aceitam o sacrifício de Jesus derivam benefícios. Naturalmente, ainda são imperfeitos. O tempo de Deus para restabelecer a humanidade na literal perfeição humana ainda não chegou. Mas, se cometerem um pecado, por causa da imperfeição, isto não romperá irremediavelmente sua relação com o seu Pai celestial. O apóstolo João escreveu: “Escrevo-vos estas coisas para que não cometais pecado. Contudo, se alguém cometer pecado, temos um ajudador junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo.” (1 João 2:1, 2) Sim, caso caiamos no pecado, por causa da imperfeição, podemos orar a Deus à base do sacrifício de Jesus, confiantes em que Jeová nos perdoará. — 1 João 1:7-9.
Significa isso, então, que o pecado realmente não importa mais? Por causa desta provisão amorosa, será que podemos agora cometer qualquer pecado que queiramos, com a certeza de que seremos perdoados por causa do sacrifício de Jesus? Não, não é absolutamente assim. Se quisermos tirar proveito desta provisão, teremos de demonstrar a mesma atitude para com o pecado que Jesus tinha. Ele ‘ama a justiça e odeia o que é contra a lei’, e nós devemos fazer o mesmo. (Heb. 1:9) Iguais a Paulo, devemos ‘amofinar o nosso corpo e conduzi-lo como escravo’, para vencer a tendência ao pecado. (1 Cor. 9:27) Isto envolve entender bem o que é pecado e lutar para resistir a ele. Deus nos ajudará, e isso pode resultar na nossa verdadeira transformação como pessoa. — Rom. 12:2.
No entanto, se não combatermos nossas tendências pecaminosas, pode acontecer que se apliquem a nós as palavras adicionais de Paulo: “Pois, se praticarmos o pecado deliberadamente, depois de termos recebido o conhecimento exato da verdade, não há mais nenhum sacrifício pelos pecados, mas há uma certa expectativa terrível de julgamento.” — Heb. 10:26, 27.
Finalmente, os que demonstram que, apesar de sua carne imperfeita, desejam realmente escapar da escravidão ao pecado têm uma perspectiva ainda mais maravilhosa. Promete-se-lhes a oportunidade de viverem numa nova ordem em que o pecado será coisa do passado. Terá sido completamente eliminado da criação de Deus. Nesse tempo, “não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar”. (Isa. 11:9) O salmista inspirado promete-nos que “o iníquo [ou o deliberadamente pecaminoso] não mais existirá”. Ao contrário, “os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz”. — Sal. 37:10, 11.
Todos os resultados maus do pecado — a doença, a morte e o alheamento de Deus — serão coisas do passado. (Rev. 21:3, 4) Em vez disso, cumprir-se-á plenamente o propósito de Deus para com esta terra. — Mat. 6:9, 10.
Sim, graças ao sacrifício resgatador de Jesus, a humanidade crente tem finalmente a maravilhosa oportunidade de sair da escravidão ao pecado. Por isso, é bem oportuno o incentivo do salmista: “Desvia-te do que é mau e faze o que é bom, e reside assim por tempo indefinido. Porque Jeová ama a justiça e ele não abandonará aqueles que lhe são leais. Hão de ser guardados por tempo indefinido.” — Sal. 37:27, 28.
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O que proporciona verdadeira paz mental?A Sentinela — 1981 | 1.° de junho
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O que proporciona verdadeira paz mental?
PAZ mental? Quem a pode achar hoje neste mundo turbulento? Terroristas amiúde põem em perigo a vida dos outros. Refugiados recorrem à fuga de um país para outro. Há abundância de armas nucleares e elas constituem sentinelas potencialmente mortíferas para toda a raça humana. A inflação consome rapidamente as economias acumuladas e muitas vezes a poupança de toda uma vida. Acrescente a isso as muitas “batalhas” pessoais com problemas de saúde, o pesar causado pela morte dum ente querido — e as miríades de ansiedades compartilhadas por todos, em toda a parte — e isso certamente torna a verdadeira paz mental um item raro na atual sociedade humana.
Mas, onde é que muitos procuram segurança e a esperada paz mental? Muitas vezes é na posse de dinheiro e de muitas coisas materiais. No entanto, será que isso dá verdadeira paz mental?
Talvez pareçam assim. Todavia, silenciosamente, quase de modo imperceptível, o valor das coisas materiais diminui com o passar dos anos. Por exemplo, um homem rico talvez tenha muitos ternos caros. Mas, quão imprudente é dar valor demais ao guarda-roupa! Um inseto de quatro asas — especialmente no seu estágio de larva — pode causar grandes estragos na roupa cara. Sim, a traça pode ser ameaça, e, pelo menos até certo ponto, pode privar a pessoa de seu senso de segurança e de sua suposta paz mental. Quanto a isso, até mesmo quando a roupa escapa dos ataques das traças, ela se gasta ou pode ser roubada por um ladrão.
“Um Tesouro Que Nunca Falha”
Isaías, profeta de Deus, mostrou que o resultado final de seus opositores obstinados seria comparável ao duma roupa gasta e carcomida pelas traças. Mas, no mesmo contexto, Isaías indicou a verdadeira fonte de segurança e paz mental, dizendo: “Eis que o próprio Soberano Senhor Jeová me ajudará. Quem
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