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Sombras do passadoA Sentinela — 1961 | 1.° de março
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a ti, não o farás servir como escravo. Como jornaleiro e peregrino estará contigo; até ao ano do jubileu te servirá: então sairá de tua casa, ele e seus filhos com ele, e tornará à sua família, e à possessão de seus pais. Quando o estrangeiro, ou peregrino, que está contigo, se tornar rico, e teu irmão junto dele empobrecer, e vender-se ao estrangeiro . . . depois de haver-se vendido, haverá ainda resgate para ele:um de seus irmãos poderá resgatá-lo.” (Lev. 25:3941, 47-49, ALA) Incidentalmente, em contraste com o arranjo brando que se acaba de mencionar havia também o costume de fazer escravos involuntários dos cativos de guerra, os quais não podiam ser remidos. Este último arranjo opressivo deve ter-se originado de Nemrod e dos seus sucessores satânicos, que recorriam à guerra.
Os homens, como membros da família humana, encontram-se hoje na escravidão ao pecado e à morte. O antepassado Adão sujeitou-se tola e voluntariamente à escravidão ao pecado e à morte, pelo preço de comer obstinadamente do fruto proibido. Ele vendeu a si mesmo bem como a toda a sua família futura ao serviço da morte. A morte começou a dominar como rei. Esta escravidão ao pecado ficou assim imposta a todos os homens. Todos foram vendidos e sujeitos a uma existência servil insegura. “Pois a criação foi sujeita à futilidade.” (Rom. 8:20, NM) Nem um único membro da família humana foi capaz de pagar o preço extremamente alto duma vida humana perfeita para resgatar-se desta escravidão mortífera. “Por um só homem entrou o pecado no mundo e a morte pelo pecado, e assim a morte se estendeu a todos os homens, visto que todos pecaram. No entanto, a morte dominou como rei desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é parecido com aquele que havia de vir.” (Rom. 5:12, 14, NM) Satanás, o deus iníquo deste velho mundo mau, depois de ter orginalmente induzido o homem a perder a sua liberdade na família teocrática de Deus, tem procurado adicionalmente manter a humanidade na escravidão a si mesmo, bem como na escravidão à morte. Satanás tem-se tornado o grande carcereiro e escravizador de toda a sua organização de homens e demônios. Por esta razão, os mais de dois bilhões de pessoas que agora vivem na terra estão na grande escravidão de dois amos opressivos, o “Deus Satanás”, e sua aliada, a “Rainha Morte”. — 2 Cor. 4:4.
A REDENÇÃO NA REALIDADE
Há qualquer esperança de se ficar livre desta escravidão: Sim, há. E isso em razão da possibilidade de redenção prefigurada na lei patriarcal que permitia a compra de escravos para libertá-los da escravidão. Lembre-se de que era o parente quem tinha o direito de remir ou comprar o seu parente para libertá-lo da escravidão. Outrossim, o preço de resgate tinha de ser pago por um parente chegado. Quem, então, podia ser o parente chegado do homem pecador, para pagar o preço extremamente alto exigido para a sua redenção? Esse parente chegado, como redentor, não é outro senão o Perfeito, Jesus Cristo, que se tornou carne a fim de que pudesse tornar-se parente dos homens fiéis. A Bíblia chama-o de “último Adão”. Jesus chamou a si mesmo de “Filho do homem”. (João 1:14; 1 Cor. 15:45; Mat. 16:13) Há assim abundante evidência que mostra que Jeová Deus enviou misericordiosa e amorosamente o seu Filho amado para a terra, a fim de que se tornasse parente chegado do homem, para libertar da destruição os fiéis. “Pois Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exerce fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” — João 3:16, NM.
As Escrituras mostram também que os homens fiéis foram comprados com um preço de resgate, pois elas dizem, “porque fostes comprados por bom preço”. (1 Cor. 6:20, Al) Qual é, então, este preço? Segundo os princípios divinos de ‘vida por vida’ e de que ‘a vida está no sangue’, a justiça de Deus exigia que o prego de resgate correspondesse perfeitamente ao que Adão perdeu, a saber, a vida dum homem perfeito. (Êxo. 21:23; Lev.17:11) Em outras palavras, o preço seria o sangue dum homem perfeito, para corresponder ao do Adão perfeito antes de entrar na escravidão à morte. E isto é exatamente o que a Bíblia indica, “Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu a si mesmo em resgate correspondente por todos — é isto o que deve ser testificado a seus próprios tempos.” — 1 Tim. 2:5, 6, NM.
O próprio Jesus dá testemunho de que um dos objetivos de sua vinda à terra foi derramar o seu sangue vital perfeito na morte, como preço de resgate, para comprar o livramento de multidões de pessoas da escravidão. “O Filho do homem veio, não para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” (Mat. 20:28, NM) Jesus Cristo forneceu o preço de resgate em Jerusalém, na sexta-feira, 14 de Nisan (1.° de abril) de 33 E. C., quando seus inimigos, a hierarquia judaica e seus aliados romanos, o mataram numa estaca de tortura. Mas a vitória de seus inimigos foi de curta duração, pois em 16 de Nisan (3 de abril), Jeová Deus fez o seu maior milagre ao ressuscitar o seu Filho fiel para a vida imortal. Quarenta dias depois, este entrou no céu e pagou o mérito de seu sacrifício de resgate, estando ali o valor dele disponível para ser aplicado à humanidade fiel, para dar-lhe vida eterna. — Mat. 27:1-50; Heb. 9:25-28.
Para provar adicionalmente que Jesus é o grande emancipador ou libertador da escravidão, note o seguinte texto onde os remidos são chamados de “filhos jovens”. “Visto que os ‘filhos jovens’ são participantes de sangue e carne, ele [Jesus] participou também similarmente das mesmas coisas, para que, pela sua morte, pudesse destruir aquele que tem os meios de causar a morte, isto é, o Diabo, e emancipasse a todos aqueles que, com medo da morte, estavam sujeitos à escravidão durante toda a sua vida.” (Heb. 2:14, 15, NM) A verdadeira libertação da escravidão em que o homem se encontra está em Cristo Jesus, o redentor da humanidade. Portanto, os que exercem fé nesta provisão de resgate feita por Jeová Deus estão já agora numa liberdade relativa quanto ao controle de Satanás e o medo da morte. Outrossim, têm a esperança de serem libertos completamente da morte, quer pela ressurreição, quer por passarem vivos para o novo mundo, por ocasião do Armagedon.
Tendo alcançado a liberdade da escravidão que domina a humanidade, enfrentamos uma renhida luta para manter esta liberdade relativa que nos foi dada pela verdade de Deus. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão.” (Gál. 5:1, ARA) Isto significa seguir um proceder novo e limpo, afastado do sistema mortífero da escravidão encontrado na sociedade do velho mundo. Temos de resistir ao proceder pecaminoso da carne e seguir o novo caminho da liberdade, o que significa adotar a justiça e tornar-nos obedientes à vontade de Deus. “Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça” (Rom. 6:16, Maredsous) Já servimos por bastante tempo como escravos das nações gentias, em atos de conduta desenfreada, e estes deixaram os seus sinais. Mas agora, já que veio a libertação, vivamos pelo resto dos nossos dias com um objetivo mais elevado, o de ser servos agradáveis a nosso Deus. Pedro instou este proceder para os verdadeiros cristãos. “A fim de que viva, no tempo que ainda lhe resta na carne, não mais para os desejos dos homens, mas para a vontade de Deus. Porque já basta o tempo passado em que tendes feito a vontade das nações, quando praticastes atos de conduta desenfreada.” — 1 Ped. 4:2, 3, NM.
As obras e os atos que os cristãos costumavam praticar enquanto estavam na escravidão à organização de Satanás, e que agora são deixados de lado, foram bem descritos e comentados por Paulo. “Ora, as obras da carne são manifestas, e estas são a fornicação, a impureza, a conduta desenfreada, a idolatria, a prática do espiritismo, ódios, lutas, ciúmes, acessos de ira, contendas, divisões, seitas, invejas, bebedices, orgias e outras coisas semelhantes. Quanto a estas coisas, eu vos aviso de antemão, do mesmo modo como já vos avisei de antemão, que aqueles que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus.” Em contraste com isso, observe agora o que a recente libertação do cristão da escravatura satânica significa para ele, e que frutos isso produz. “Por outro lado, os frutos do espírito são amor, gôzo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, autocontrole. Contra estas coisas não há lei. Ainda mais, aqueles que pertencem a Cristo Jesus penduram na estaca a carne junto com suas paixões e desejos.” — Gál. 5:19-24, NM.
Não só nos libertamos da escravidão de Satanás, mas temos também a comissão de libertar outros, para que eles também possam aceitar a Cristo Jesus como seu redentor e achar a verdadeira liberdade. A comissão do ministro cristão é a mesma que a de Jesus, quando ele disse citando Isaías: “O espírito de Jeová está sobre mim, porque me ungiu para declarar boas novas aos pobres, enviou-me para pregar libertação aos cativos.” (Luc. 4:18, NM; Isa. 61:1) Por pregarmos a Cristo Jesus como único redentor do homem, instamos com os prisioneiros e escravos para que venham e aceitem a liberdade. ‘Por isso, saí do meio deles e separai-vos’, diz Jeová, ‘e deixai de tocar em coisa imunda’.” — 2 Cor. 6:17, NM.
“E ouvi outra voz do céu dizer: ‘Saí dela, povo meu, se não quiserdes participar com ela nos seus pecados, e se não quiserdes receber parte das suas pragas.’” (Apo. 18:4, NM) Isto significa que todos os libertos precisam romper completamente com a organização do velho mundo de Satanás. Precisam manter-se física, moral, social e espiritualmente separados dela. Quando chegar a hora H para a destruição da casa de escravidão de Satanás, no Armagedon, os cristãos libertos não se encontrarão presos nela, para sofrer a mesma sorte dos não libertos, na aniquilação dessa organização impura por Deus. Visto que somos avisados por estas sombras do passado remoto quanto ao nosso proceder atual, não sejamos dos que desconsideram os avisos claros dados nas Escrituras quanto ao nosso bem-estar presente e futuro.
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Obras de caridadeA Sentinela — 1961 | 1.° de março
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Obras de caridade
● Quantos donativos são feitos para se exibir perante os homens? É tão raro que alguém não queira algum distintivo na lapela, seu nome inscrito em algum lugar ou outro reconhecimento público, que, quando isso acontece — ora, é novidade! No estado de Texas, EUA, um jornal reconheceu isso ao noticiar que “Doador ‘Desconhecido’ Contribui Anualmente $ 300 Para Uma Igreja de Illinóis”. No entanto, Jesus declarou especìficamente a respeito da caridade: “Cuidai bem de não praticardes vossa justiça diante dos homens, a fim de serdes observados por eles; . . . Portanto, quando começares a oferecer dádivas de misericórdia, não toques a trombeta diante de ti, assim como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens.” Mesmo em questões simples como esta, o “cristianismo” atual está longe de Cristo. — Mat. 6:1-4, NM.
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