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Tornarão os mortos a viver?A Sentinela — 1962 | 1.° de novembro
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NO CÉU E NA TERRA
Em todo país há uma capital ou uma organização governamental em que uma minoria ocupa cargos. As decisões e as ações das autoridades governamentais afetam as vidas da maioria que vive sob tal governo. Assim se dá com o domínio do Reino de Deus sobre esta terra. Cristo é o Rei ungido de Deus, e uma minoria, a quem Jesus chamou o seu “pequeno rebanho” são levados, mediante a ressurreição, à organização capital no céu, onde “serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele os mil anos”. (Luc. 12:32; Apo. 20:6, ALA) O Senhor Jesus, na Revelação (Apocalipse) a seu apóstolo João, revelou que haveria apenas 144.000 desses que seriam tirados da terra para serem associados com ele, o Cordeiro de Deus, sobre o Monte Sião celestial, na organização do Reino. (Apo. 14:1-3) Os fiéis apóstolos foram os primeiros chamados para compor esse “pequeno rebanho” celestial, e, a respeito deles e de seus co-herdeiros do prêmio celestial, João escreveu: “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição.” (Apo. 20:6; 1 Ped. 1:4, ALA) Mas é evidente de que este pequeno número não inclui todos os que exerceram fé em Jesus e na esperança da ressurreição. O que dizer dos outros, da vasta maioria de crentes?
A maioria da humanidade a ser ressuscitada retornará como súditos, não dominadores, do reino do céu. Serão abençoados com a vida numa terra paradísica, livre de sofrimento e dores. É a tais súditos terrestres do seu reino que Jesus se referiu ao dizer: “Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco [celestial], a mim me convém conduzi-las: elas ouvirão a minha voz; então haverá um rebanho e um pastor.” — João 10:16, ALA.
Conforme declarado por Jesus, estarão incluídos entre os ressuscitados “os que tiverem feito o bem” e alguns dos “que tiverem praticado o mal”. (João 5:29, ALA) “Os que tiverem feito o bem” refere-se aos fiéis servos de Deus, a pessoas que moldaram a sua vida em harmonia com a vontade de Deus. Esses terão uma “ressurreição da vida”, e, conforme vimos, a grande maioria deles será ressuscitada para a vida na terra. João Batista será incluído neste grupo. Visto que ele morreu antes de o sacrifício de Jesus abrir o caminho para a vida celestial, ele não podia receber uma ressurreição celestial, e por esse motivo Jesus disse: “Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.” (Mat. 11:11, ALA) Muitos homens e mulheres desde Abel até João mantiveram a integridade a Deus “para alcançarem melhor ressurreição”. (Heb. 11:35, VB) Paulo escreveu a respeito desses: “Todos estes, tendo alcançado bom testemunho pela sua fé, comtudo não alcançaram a promessa, tendo Deus provido alguma cousa melhor no tocante a nós, para que elles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.” (Heb. 11:39, 40, VB) Portanto, é só depois do estabelecimento da organização dominante celestial que os súditos terrestres do Reino receberão a sua recompensa.
Temos a certeza dada por Jesus de que Jeová Deus se lembrará seguramente daqueles servos pré-cristãos: “E que os mortos hão de ressuscitar, Moisés o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus de mortos, e, sim, de vivos; porque para ele todos vivem.” — Luc. 20:37, 38, ALA.
Misericordiosamente, até mesmo alguns dos “que tiverem praticado o mal” serão ressuscitados dentre os mortos, a fim de serem julgados segundo as coisas que fizerem depois. O malfeitor que foi morto ao lado de Jesus será incluído entre esses. (Luc. 23:43) Não os incorrigivelmente iníquos, mas as pessoas que, embora fizessem o mal na ignorância, atenderiam prontamente à justiça, serão incluídas entre os ressuscitados, dando-se-lhes a oportunidade de aprenderem a vontade divina e se conformarem a ela.
JUSTIÇA E FELICIDADE
A base dessas informações bíblicas, podemos hoje olhar alegremente para ‘novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes habitará a justiça’. (2 Ped. 3:13) Aquele justo domínio, junto com a ressurreição miraculosa de todos os que estiverem nos túmulos memoriais, trará alegria ao coração de muitos que agora choram pelos seus mortos.
Lembra-se da felicidade da mãe e do pai da menina a quem Jesus ressuscitou? “Ficaram sobremaneira admirados.” (Mar. 5:42, VB) Essa será a emoção que poderá partilhar ao ver a ressurreição de homens, mulheres e crianças que conheceu pessoalmente ou mediante a Bíblia. Assim como a pessoa conserva a sua identidade desde a infância até ser adulta, embora as aparências variem, assim também a personalidade dos ressuscitados será reconhecida em qualquer corpo que Deus se agrade dar-lhes.
Os pais que receberem de volta à vida um filho morto ficarão tão contentes, que não lamentarão que o filho ressuscitado terá de crescer e levar a sua própria vida. Casais como Áquila e Prisca que ganham a ressurreição celestial, com alegria eterna como “noiva” de Cristo, não se lamentarão de que não são mais marido e mulher. (Rom. 16:3) A alegria na ressurreição de Abraão e de Sara; de Isaque e de Rebeca, de Jacó, Léia e Raquel não será diminuída só porque, iguais aos anjos, “não casam nem se dão em casamento”. A sua suprema exultação será viver no círculo familiar de Deus, “sendo filhos da ressurreição”. (Luc. 20:34-36, ALA) Portanto, qualquer de nós que vir voltar dentre os mortos alguém que anteriormente fora filho, esposa, marido, pai ou mãe ficará sobremaneira extasiado. Tal felicidade não ficará diminuída só porque o Pai celestial não reúne em matrimônio as pessoas ressuscitadas que outrora eram marido e mulher. A sua alegria superabundará em poderem gozar da convivência mútua como herdeiros da vida. Elevar-se-ão orações de gratidão a Jeová Deus de que um ente querido retornou ao círculo familiar de Deus, a fim de partilhar as bênçãos da vida sem fim no justo novo mundo. Os filhos gratos de Deus não pediriam mais que isso.
A realização desse justo mundo próximo irá fazer plena justiça à reputação de Jeová como um Deus de amor, sabedoria, justiça e poder. Temos agora a resposta terminante à pergunta: “Tornarão os mortos a viver?”: “Vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos [memoriais, NM] ouvirão a sua voz e sairão.” — João 5:28, 29, ALA.
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A honestidade da BíbliaA Sentinela — 1962 | 1.° de novembro
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A honestidade da Bíblia
◆ O colunista de jornal, Sydney J. Harris, ficou tão impressionado com a perfeita honestidade da Bíblia, que escreveu na sua coluna: “A maioria dos livros que propagam um único ponto de vista, que propõem uma fé especifica, fazem precisamente o seguinte: Ignoram estritamente todas as incoerências, todas as fraquezas, todos os comentários adversos feitos pelos seus inimigos. Mas o Velho Testamento transborda de evidência de tais falhas e fraquezas humanas. Considere os livros cortantes dos profetas, como Isaías, que atacam os líderes religiosos, condenam o povo pela perversão da sua fé e avisam que o juízo de Deus será severo contra eles. Pode alguém imaginar a Comissão Nacional Republicana dos Estados Unidos incluir uma denúncia pungente por Adlai Stevenson na sua literatura de campanha? Ou vice-versa, naturalmente. Contudo, é exatamente isto que os editores do Velho Testamento permitiram que se tornasse parte da Escritura Sagrada.” — The Telepraph-Journal, de 16 de dezembro de 1959.
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