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Bilhões dos que agora estão mortos em breve viverão de novoÉ Esta Vida Tudo o Que Há?
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Capítulo 19
Bilhões dos que agora estão mortos em breve viverão de novo
A ADMINISTRAÇÃO do Reino, às mãos de Jesus Cristo e de seus 144.000 co-regentes, deveras concederá grandiosas bênçãos aos sobreviventes da “grande tribulação”. Naquele tempo, os efeitos prejudiciais de Adão ter mergulhado a si mesmo e a sua descendência por nascer no pecado não serão lembrados de modo tal que sejam mental e emocionalmente dolorosos. As palavras inspiradas do profeta Isaías prometem: “Não haverá recordação das coisas anteriores, nem subirão ao coração.” — Isaías 65:17.
Para isto acontecer, a dor e a tristeza resultantes dos efeitos mortíferos do pecado precisam ser completamente desfeitas. Isto inclui a ressurreição à vida de bilhões de pessoas agora mortas. Por quê?
Ora, se sobrevivesse à “grande tribulação”, estaria realmente feliz sabendo que amigos e parentes queridos, que faleceram em anos anteriores, ainda estavam privados da vida e de suas bênçãos? Não lhe daria isso dor de coração e da mente? Para eliminar qualquer possibilidade de tal dor, é preciso que os mortos sejam ressuscitados. Só se eles puderem ser restabelecidos à vida e ajudados a alcançar a perfeição física e mental apagar-se-ão plenamente os efeitos prejudiciais do pecado.
As Escrituras Sagradas asseguram-nos que os mortos, em geral, viverão novamente. Receberão a oportunidade de ter mais do que apenas uma vida curta que acabe na morte. Jeová Deus deu ao seu Filho Jesus Cristo poderes para ressuscitá-los. (João 5:26-28) Ter Jesus poderes para ressuscitar os mortos concorda com ele ser chamado profeticamente, na Bíblia, de “Pai Eterno”. (Isaías 9:6) Ao ressuscitar à vida os adormecidos na morte, Jesus torna-se seu Pai. — Veja Salmo 45:16.
BASE PARA A CRENÇA
Quem aceitar a existência de Deus, não deverá ter problemas em ter uma crença firme na ressurreição. Não é razoável que Aquele que originalmente iniciou a vida humana seja também bastante sábio para restabelecer os mortos à vida, para recriar os humanos mortos? Jeová Deus prometeu pessoalmente que os mortos viverão de novo. Realizou também obras poderosas que fortalecem nossa confiança nesta promessa.
Jeová Deus habilitou alguns de seus servos fiéis a realmente ressuscitarem os mortos. Em Sarefá, não muito longe do litoral oriental do Mar Mediterrâneo, o profeta Elias ressuscitou o filho único duma viúva. (1 Reis 17:21-23) Seu sucessor Eliseu ressuscitou o filho único duma mulher hospitaleira, de destaque, de Suném, na parte setentrional de Israel. (2 Reis 4:8, 32-37) Jesus Cristo ressuscitou a filha de Jairo, presidente duma sinagoga perto do Mar da Galiléia; o filho único duma viúva em Naim, ao sudoeste do Mar da Galiléia, e seu querido amigo Lázaro, que já estava morto por quatro dias e enterrado perto de Jerusalém. (Marcos 5:22, 35, 41-43; Lucas 7:11-17; João 11:38-45) Em Jope, no litoral mediterrâneo, o apóstolo Pedro ressuscitou Dorcas (Tabita) dentre os mortos. (Atos 9:36-42) E o apóstolo Paulo, numa escala na província romana da Ásia, ressuscitou a Êutico, depois de este ter despencado duma janela do terceiro andar, para a sua morte. — Atos 20:7-12.
A ressurreição mais notável foi a do próprio Jesus Cristo. Este acontecimento histórico bem atestado fornece a prova mais forte de que há uma ressurreição. Isto foi o que o apóstolo Paulo salientou aos reunidos no Areópago, em Atenas, na Grécia: “[Deus] se propôs julgar em justiça a terra habitada, por meio dum homem a quem designou, e ele tem fornecido garantia a todos os homens, visto que o ressuscitou dentre os mortos.” — Atos 17:31.
A ressurreição de Jesus foi um fato confirmado além de qualquer sombra de dúvida. Houve muito mais do que duas ou três testemunhas que puderam atestá-la. Ora, em certa ocasião, o ressuscitado Jesus Cristo apareceu a mais de quinhentos discípulos. A sua ressurreição foi tão bem confirmada, que o apóstolo Paulo pôde dizer que a negação da ressurreição significava negar a fé cristã como um todo. Ele escreveu: “Se, deveras, não há ressurreição dos mortos, tampouco Cristo foi levantado. Mas, se Cristo não foi levantado, a nossa pregação certamente é vã e a nossa fé é vã. Além disso, somos também achados como falsas testemunhas de Deus, porque temos dado testemunho contra Deus, de que ele levantou o Cristo, a quem ele, porém, não levantou, se realmente é que os mortos não hão de ser levantados.” — 1 Coríntios 15:13-15.
Os primitivos cristãos, iguais ao apóstolo Paulo, sabiam com certeza que Jesus havia sido ressuscitado dentre os mortos. Tinham uma convicção tão forte de serem recompensados com a ressurreição, que estavam dispostos a enfrentar severa perseguição, e até mesmo a própria morte.
RESSURREIÇÃO À VIDA ESPIRITUAL
A ressurreição de Jesus Cristo mostra que ressuscitar os mortos não significa trazer de volta à vida o mesmíssimo corpo. Jesus não foi ressuscitado para a vida humana, mas para a vida espiritual. Com referência a isso, o apóstolo Pedro escreveu: “Ora, até mesmo Cristo morreu uma vez para sempre quanto aos pecados, um justo pelos injustos, a fim de conduzir-vos a Deus, sendo morto na carne, mas vivificado no espírito.” (1 Pedro 3:18) Na sua ressurreição, Jesus não recebeu um corpo de carne e sangue, mas um adequado para a vida celestial. — 1 Coríntios 15:40, 50.
Este corpo espiritual, naturalmente, era invisível aos olhos humanos. Por isso, a fim de seus discípulos poderem vê-lo após a sua ressurreição, Jesus tinha de assumir carne. Deve-se notar que Jesus não foi enterrado com roupa, mas foi enrolado em faixas de linho fino. Depois de sua ressurreição, as faixas permaneceram no sepulcro. Portanto, assim como Jesus teve de materializar roupa, ele também assumiu carne, para se tornar visível aos seus discípulos. (Lucas 23:53; João 19:40; 20:6, 7) Estranho? Não; isto foi exatamente o que anjos fizeram antes disso, quando apareceram aos homens. Materializar Jesus um corpo de carne explica por que seus discípulos nem sempre logo o reconheceram e porque ele pôde aparecer e desaparecer de repente. — Lucas 24:15-31; João 20:13-16, 20.
Apenas os 144.000 co-herdeiros, associados com Jesus Cristo na regência, terão uma ressurreição semelhante à dele. Considerando esta ressurreição à vida espiritual, a Bíblia nos diz:
“Aquilo que semeias não é vivificado a menos que primeiro morra; e, quanto ao que semeias, semeias, não o corpo que se há de desenvolver, mas o mero grão, seja de trigo ou de qualquer dos outros, mas Deus lhe dá um corpo assim como lhe agrada, e a cada uma das sementes o seu próprio corpo. . . .
“Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se em corrução, é levantado em incorrução. Semeia-se em desonra, é levantado em glória. Semeia-se em fraqueza, é levantado em poder. Semeia-se corpo físico, é levantado corpo espiritual. Se há corpo físico, há também um espiritual. Até mesmo está escrito assim: ‘O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente.’ O último Adão tornou-se espírito vivificante. Não obstante, o primeiro é, não o que é espiritual, mas o que é físico, depois aquilo que é espiritual. O primeiro homem é da terra e feito de pó; o segundo homem é do céu. Assim como é aquele feito de pó, assim são também esses feitos de pó; e assim como é o celestial, assim são também esses que são celestiais. E assim como temos levado a imagem daquele feito de pó, levaremos também a imagem do celestial.” — 1 Coríntios 15:36-49.
RESSURREIÇÃO À VIDA NA TERRA
Mas que dizer dos que, dessemelhantes de Jesus Cristo e seus 144.000 co-regentes, serão ressuscitados para a vida terrestre? Visto que ‘voltaram ao pó’, será que Deus terá de reunir todos os átomos que antes formavam seus corpos, para que seus corpos sejam idênticos, em todos os sentidos, ao que eram por ocasião da morte?
Não, simplesmente não poderia ser assim. Por que não? Em primeiro lugar, porque isto significaria que seriam trazidos de volta à vida numa condição beirando a morte. Os ressuscitados no passado não foram trazidos de volta na mesma condição doentia que precedeu à sua morte. Embora não perfeitos por ocasião de sua ressurreição, tinham corpos íntegros, razoavelmente sadios.
Além disso, não seria razoável insistir em que exatamente os mesmos átomos fossem reunidos para formar seu corpo restabelecido. Após a morte e pelo processo da decomposição, o corpo humano é convertido em outras substâncias químicas, orgânicas. Estas podem ser absorvidas pelas plantas, e as pessoas podem comer estas plantas ou seus frutos. Assim, os elementos atômicos que compunham a pessoa falecida podem por fim vir a estar em outras pessoas. É evidente que, por ocasião da ressurreição, os mesmos átomos não podem ser reunidos em cada pessoa trazida de volta dentre os mortos.
Então, o que significa a ressurreição para a pessoa? Significa que está sendo trazida de volta à vida como a mesma pessoa. E o que faz com que alguém seja a pessoa que é? São as substancias químicas que compõem o seu corpo? Não, visto que as moléculas do corpo estão sendo substituídas regularmente. O que realmente a distingue de outras pessoas, então, é sua aparência física, geral, sua voz, sua personalidade, suas experiências, seu desenvolvimento mental e sua memória. Portanto, quando Jeová Deus, mediante seu Filho Jesus Cristo, ressuscitar alguém dentre os mortos, é evidente que lhe proverá um corpo com as mesmas caraterísticas de antes. A pessoa ressuscitada terá a mesma memória desenvolvida durante a sua vida e terá plena percepção desta memória. A pessoa poderá identificar-se, e os que a conheciam também poderão fazer isso.
‘Mas, se a pessoa é assim recriada’, poderá dizer alguém, ‘é ela realmente a mesma pessoa, não é apenas uma cópia?’ Não, porque tal raciocínio despercebe o fato já mencionado de que, mesmo durante a vida, nossos corpos passam por constantes mudanças. Cerca de sete anos atrás, as moléculas que compunham nosso corpo eram diferentes das moléculas que o compõem hoje. Até mesmo temos aparência diferente com o passar dos anos. Contudo, não temos as mesmas impressões digitais? Não somos a mesma pessoa? Certamente que sim.
Aqueles para quem a ressurreição parece quase que incrível deviam pensar num processo maravilhoso, similar, que ocorre por ocasião da concepção humana. A minúscula célula formada pela união do espermatozóide e do óvulo contém em si o potencial de se tornar uma pessoa diferente de qualquer outra pessoa que já viveu. Dentro desta célula, há os fatores que dirigem o desenvolvimento da pessoa e a formação da personalidade básica que herdou de seus pais. Daí, naturalmente, as experiências que têm na vida acrescentam depois algo a esta personalidade. Similar ao que acontece por ocasião da concepção, na ocasião da ressurreição ou recriação, restabelecer-se-á ao falecido sua personalidade e o registro de sua vida, gravando-se em cada célula de seu corpo as caraterísticas que o fizeram diferente de todas as outras pessoas. E seu coração, sua mente e seu corpo terão gravados neles as qualidades, tendências e capacidades adicionais que desenvolveu durante a sua vida anterior.
O salmista inspirado notou a respeito do Criador: “Teus olhos viram até mesmo meu embrião, e todas as suas partes estavam assentadas por escrito no teu livro, referente aos dias em que foram formadas, e ainda não havia nem sequer uma entre elas.” (Salmo 139:16) Por conseguinte, assim que se formam as combinações genéticas por ocasião da concepção, Jeová Deus é capaz de perceber e manter registro das tendências básicas da criança. Por isso, é inteiramente lógico que ele seja capaz de manter um registro exato, segundo o qual pode recriar alguém que faleceu.
Podemos ter confiança na memória perfeita de Jeová. Ora, até mesmo homens imperfeitos, por meio de vídeotape, podem preservar e formar reproduções visíveis e audíveis de pessoas. A capacidade de Deus, de guardar tais registros, é muito maior, porque ele chama todas as inúmeras estrelas por nome! — Salmo 147:4.
Pode-se ver, assim, que a ressurreição ou a recriação é possível, porque o falecido vive na memória de Deus. Por causa de sua lembrança perfeita dos padrões de vida e de seu propósito de ressuscitar os mortos, Jeová Deus podia considerar homens de fé, falecidos, tais como Abraão, Isaque e Jacó, como estando vivos. Isto foi o que Jesus Cristo trouxe à atenção dos saduceus incrédulos, dizendo: “Que os mortos são levantados, até mesmo Moisés expôs, no relato sobre o espinheiro, quando ele chama Jeová ‘o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó’. Ele é Deus, não de mortos, mas de viventes, pois, para ele, todos estes vivem.” — Lucas 20:37, 38.
Há deveras uma ampla base para se crer na ressurreição ou recriação. É verdade que alguns talvez rejeitem esta idéia. Mas, estaria em melhores condições se fechasse os olhos e a mente para com a evidência e se negasse a crer na ressurreição? Tornar-lhe-ia isto mais fácil perder um parente ou amigo querido na morte? Estaria melhor preparado para enfrentar a perspectiva cruel de sua própria morte?
Saber que esta vida não é tudo o que há liberta do temor de tê-la cortada prematuramente por meios violentos. Este temor foi explorado por Satanás, o Diabo, para manter as pessoas em escravidão, manobrando-as por meio de seus agentes terrestres para fazer a vontade dele. (Mateus 10:28; Hebreus 2:14, 15) Temendo a possibilidade de serem executados, muitos deixaram de seguir os ditames de sua consciência e cometeram crimes horríveis contra a humanidade, assim como se fez nos campos de concentração da Alemanha nazista.
Quem tem forte fé na ressurreição, porém, é fortalecido na sua determinação de fazer o que é direito, mesmo que signifique para ele a morte. Para ele, a vida que usufruirá ao ser ressuscitado dentre os mortos é muito mais preciosa do que alguns anos de vida agora. Não deseja pôr em perigo sua oportunidade de obter a vida eterna em troca do que, em comparação, dificilmente poderia ser chamado de prolongamento de sua vida. Ele é semelhante aos homens da antiguidade, sobre os quais o livro bíblico de Hebreus relata: “Foram torturados porque não queriam aceitar um livramento por meio de algum resgate [alguma transigência no que era direito], a fim de que pudessem alcançar uma ressurreição melhor.” — Hebreus 11:35.
Por certo, os que têm confiança na promessa de Deus, de ressuscitar os mortos, estão em situação muito melhor do que os que não têm esperança duma ressurreição. Podem aguardar o futuro sem temor.
A evidência bíblica mostra que este sistema acabará dentro em breve, dentro desta geração, e será substituído por uma administração justa, às mãos de Jesus Cristo e seus co-regentes. É por isso que bilhões dos que agora estão mortos em breve viverão de novo e começarão a tirar proveito da regência do Reino. Quão grandioso será para os sobreviventes da “tribulação” acolherem de volta os mortos! Pense na alegria de novamente poder gozar da companhia animadora de amigos queridos e parentes amados, de ouvir suas vozes conhecidas e vê-los com boa saúde.
Que efeito deve ter isso sobre você, leitor? Não deve induzi-lo a agradecer a Deus a maravilhosa esperança da ressurreição? Não deve sua gratidão induzi-lo a fazer tudo o que pode para aprender algo sobre ele e depois servi-lo fielmente?
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A quem beneficiará a ressurreição?É Esta Vida Tudo o Que Há?
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Capítulo 20
A quem beneficiará a ressurreição?
SÃO muitas as perguntas que surgem sobre a ressurreição dos mortos. Quem será ressuscitado? Bebês? Crianças? Tanto os justos como os iníquos? Serão os que antes estavam casados reunidos com seus anteriores cônjuges?
A Bíblia não entra em todos os pormenores sobre a ressurreição. No entanto, ela contém a promessa maravilhosa de que os mortos serão ressuscitados à vida e fornece pormenores suficientes para firmar a fé nesta promessa. Deve seu silêncio sobre certos assuntos impedir que apreciemos a validez desta promessa?
Nos nossos tratos com o próximo, não esperamos que cada pormenor seja especificado, não é verdade? Por exemplo, se fosse convidado a um banquete, não perguntaria àquele que lhe faz o convite: ‘Aonde se sentarão todas as pessoas? Está preparado para cozinhar para tantas pessoas? Que certeza posso ter de que usará bastante utensílios e pratos para servir?’ Fazer tais perguntas seria um insulto, não seria? Ninguém pensaria em dizer ao anfitrião: ‘Convença-me primeiro de que eu me divertirei.’ Ter o convite e saber de quem é deve bastar para se ter confiança em que tudo sairá bem.
De fato, ninguém apreciaria que se exigisse dele explicar ou provar cada declaração que faz. Digamos que um conhecido relate como salvou alguém do afogamento. Se for um amigo respeitado, não lhe pediremos que prove que realmente fez as coisas que descreveu. Exigir isso mostraria falta de confiança e fé. Não seria base para edificar e manter uma amizade. É evidente, pois, que aquele que não aceitasse a promessa duma ressurreição por Deus sem que se esclarecessem primeiro todos os pormenores nunca poderia ser contado como amigo Dele. Deus aceita como seus amigos apenas os que têm fé, que confiam na sua palavra. (Hebreus 11:6) Ele fornece evidência abundante em que basear tal fé, mas não obriga as pessoas a crer por prover e provar cada pormenor, ao ponto de que a fé seja desnecessária.
Assim, a ausência de certos pormenores serve para testar as pessoas quanto ao que são no coração. Há os que têm uma elevada opinião de si mesmos e de suas próprias idéias prediletas, seguindo um proceder de independência. Não querem prestar contas a ninguém. A crença na ressurreição exigiria deles reconhecer a necessidade de viver em harmonia com a vontade de Deus. Mas não querem fazer isso. Portanto, por causa da ausência de certos pormenores sobre a ressurreição, podem achar o que consideram ser uma justificativa para a sua descrença. São bem semelhantes aos saduceus, no tempo do ministério terrestre de Jesus. Os saduceus negaram-se a crer na ressurreição e apontaram para o que acharam ser um problema intransponível. Disseram a Jesus:
“Instrutor, Moisés nos escreveu: ‘Se morrer o irmão dum homem que tiver esposa, mas não tiver filhos, seu irmão deve tomar a esposa e suscitar dela descendência para seu irmão.’ Concordemente, havia sete irmãos; e o primeiro tomou uma esposa e morreu sem filhos. De modo que o segundo e o terceiro a tomaram. Do mesmo modo até os sete: não deixaram filhos, porém, morreram. Por último, morreu também a mulher. Conseqüentemente, na ressurreição, de qual deles torna-se ela esposa? Pois os sete a tiveram como esposa.” — Lucas 20:28-33.
Respondendo à sua pergunta, Jesus Cristo expôs o erro do raciocínio dos saduceus e enfatizou a certeza da promessa da ressurreição. Ele respondeu:
“Os filhos deste sistema de coisas casam-se e são dados em casamento, mas os que têm sido contados dignos de ganhar aquele sistema de coisas e a ressurreição dentre os mortos, nem se casam nem são dados em casamento. De fato, tampouco podem mais morrer, porque são como os anjos, e são filhos de Deus por serem filhos da ressurreição. Mas, que os mortos são levantados até mesmo Moisés expôs, no relato sobre o espinheiro, quando ele chama Jeová ‘o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó’. Ele é Deus, não de mortos, mas de viventes, pois, para ele, todos estes vivem.” — Lucas 20:34-38.
POR QUE A RESSURREIÇÃO NÃO OFERECE NENHUMA PROMESSA DE CASAMENTO
À base da resposta de Jesus aos saduceus, alguns talvez fiquem perturbados por ele dizer que não haverá casamento entre os ressuscitados dentre os mortos. Podem até mesmo pensar que, sem casamento, a ressurreição é algo indesejável, que não lhes traria proveito.
No entanto, ao raciocinarmos sobre a resposta de Jesus, faremos bem em nos lembrar que somos imperfeitos. O que gostamos ou não gostamos depende em grande parte das coisas com as quais nos acostumamos. De modo que ninguém tem realmente qualquer motivo para ter certeza de que não gostaria das provisões futuras que Deus fará para os ressuscitados. Pois, também, não se forneceram todos os pormenores. Isto foi realmente uma benignidade da parte de Deus. Ora, nós, como homens imperfeitos, poderíamos logo reagir desfavoravelmente às coisas que, na realidade, encheriam nossa vida com alegria, num estado perfeito. Portanto, tais pormenores talvez estejam além de nossa atual capacidade de compreensão. Cristo Jesus mostrou percepção e consideração das limitações dos homens imperfeitos, conforme se evidencia no que ele disse aos seus discípulos, em certa ocasião: “Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não sois atualmente capazes de suportá-las.” — João 16:12.
Os que obterão uma ressurreição para a vida espiritual, imortal, nos céus, não têm nenhuma idéia de como será. Não podem compará-la com nada que conheçam na terra. Seus corpos serão inteiramente diferentes. Todas as diferenças sexuais, relacionadas com os humanos, serão para eles coisas do passado. De modo que não poderá haver casamento entre os ressuscitados à vida espiritual nos céus, porque todos eles juntos, como corpo, tornam-se a “noiva” de Cristo.
Mas que dizer dos que são trazidos de volta dos mortos para viver na terra? Serão reunidos com seus cônjuges anteriores? Nenhuma declaração na Bíblia indica que será assim. As Escrituras mostram definitivamente que a morte dissolve o casamento. Romanos 7:2, 3, reza: “A mulher casada está amarrada por lei ao seu marido enquanto ele viver; mas, se o seu marido morrer, ela está exonerada da lei de seu marido . . . de modo que não é adúltera caso se tornar de outro homem.”
Portanto, se alguém decidir casar-se agora de novo, não precisa preocupar-se com o efeito que isto possa ter no futuro sobre o cônjuge ressuscitado. Se o celibato não for para ele, não precisa lutar para mantê-lo, na esperança de ser reunido em casamento com seu cônjuge anterior, na ressurreição. Certamente, pois, foi uma bondade da parte de Deus não exigir que as anteriores relações maritais vigorem no tempo da ressurreição da pessoa, conforme pensavam erroneamente os saduceus.
Embora não saibamos onde na terra ou com quem os ressuscitados viverão, podemos ter a certeza de que qualquer arranjo que existir contribuirá para a felicidade dos ressuscitados. As dádivas de Deus, inclusive a ressurreição, satisfarão inteiramente os desejos e as necessidades da humanidade obediente. Suas dádivas são perfeitas, imaculadas. (Tiago 1:17) As dádivas generosas que já recebemos como expressão de seu amor nos convencem disso.
CRIANÇAS E OUTROS A SEREM RESSUSCITADOS
Que dizer das crianças que morrem? Retornarão também à vida, quando a justiça prevalecer nesta terra? Isto certamente é o que pais amorosos desejariam para os filhos que talvez tenham perdido na morte. E há uma base sólida para se ter tal esperança.
Entre os de quem a Bíblia relata como tendo sido ressuscitados estavam crianças. A filha de Jairo, que viveu na Galiléia, tinha cerca de doze anos de idade; Jesus a trouxe de volta à vida. (Lucas 8:42, 54, 55) Os meninos ressuscitados dentre os mortos pelos profetas Elias e Eliseu, podem ter sido mais velhos ou mais moços. (1 Reis 17:20-23; 2 Reis 4:32-37) Em vista destas ressurreições passadas de crianças, não é correto esperar que haja uma ressurreição de crianças em grande escala durante o reinado de Jesus? Certamente que sim! Podemos ter a certeza de que, não importa o que Jeová Deus se proponha fazer neste sentido, será justo, sábio e amoroso para todos os envolvidos.
A Bíblia revela que a grande maioria da humanidade — homens, mulheres e crianças — será ressuscitada dentre os mortos. Conforme o apóstolo Paulo afirmou, na sua defesa perante o Governador Félix: “Eu tenho esperança para com Deus . . . de que há de haver uma ressurreição tanto de justos como de injustos.” (Atos 24:15) Os “justos” são os que viviam no favor de Deus. Os “injustos” são os demais da humanidade. Mas, significa isto que cada morto individual terá uma ressurreição? Não, não significa isso.
OS QUE NÃO SERÃO RESSUSCITADOS
Alguns já foram julgados por Deus como não merecendo a ressurreição. A respeito dos que no tempo atual se recusam a se sujeitar à regência de Cristo e deixam de fazer o bem aos “irmãos” dele na terra, a Bíblia diz: “Estes partirão para o decepamento eterno.” (Mateus 25:46) Sofrerão este decepamento eterno da vida quando Jesus Cristo, junto com suas forças angélicas, destruir todos os opositores de seu governo justo, na “grande tribulação”, agora próxima.
Quanto a quaisquer candidatos ao reino dos céus que se mostrarem infiéis a Deus, somos informados: “Não há mais nenhum sacrifício pelos pecados, mas há uma certa expectativa terrível de julgamento e há um ciúme ardente que vai consumir os que estão em oposição.” — Hebreus 10:26, 27.
Também, há classes de pessoas de que se fala como sofrendo a destruição eterna. Jesus Cristo indicou que os fariseus impenitentes e outros líderes religiosos dos seus dias, como classe, haviam pecado contra o espírito santo. Ele disse a respeito de tal pecado: “Toda sorte de pecado e blasfêmia será perdoada aos homens, mas a blasfêmia contra o espírito não será perdoada. Por exemplo, quem falar uma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas quem falar contra o espírito santo, não lhe será perdoado, não, nem neste sistema de coisas, nem no que há de vir.” (Mateus 12:31, 32) Não havendo perdão de tal pecado, todos os culpados de negar manifestações óbvias do espírito de Deus pagam a penalidade por tal pecado imperdoável, por permanecerem mortos para sempre.
Além do que a Bíblia diz especificamente sobre os que pereceram eternamente, não estamos em condições de dizer que determinadas pessoas não serão ressuscitadas dentre os mortos. No entanto, não serem alguns ressuscitados deve servir como aviso para nós, a fim de evitarmos um proceder que leve à desaprovação divina.
UMA RESSURREIÇÃO DE JULGAMENTO
Ser a maioria da humanidade ressuscitada dentre os mortos é deveras uma benignidade imerecida da parte de Deus. É algo que Deus não precisa fazer, mas seu amor e sua compaixão para com a humanidade o induziram a lançar a base para isso, por prover seu Filho como resgate. (João 3:16) Por isso, é difícil de imaginar que haja homens que deixem de ter apreço de ser ressuscitados dentre os mortos com a perspectiva da vida eterna. Contudo, haverá alguns que não desenvolverão um apego pleno, inquebrantável e leal a Jeová Deus. Por isso, perderão as bênçãos eternas que se lhes oferecerão por serem trazidos de volta à vida.
Jesus Cristo chamou atenção para isso ao falar duma “ressurreição de julgamento” e pô-la em contraste com a “ressurreição de vida”. (João 5:29) Contrastar-se ali a vida com o julgamento torna claro que está envolvido um julgamento condenatório. Qual é esta condenação?
Para entender isso, contraste primeiro a situação dos ressuscitados para a vida terrestre com a dos ressuscitados para a vida celestial. A Bíblia diz a respeito dos que compartilham da “primeira ressurreição”: “Feliz e santo é todo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes a segunda morte não tem autoridade.” (Revelação 20:6) Ressuscitados para a vida imortal nos céus, os 144.000 co-herdeiros de Cristo não podem mais morrer. Sua lealdade a Deus é tão certa, que ele pode conceder-lhes uma vida indestrutível. Mas isto não se dá com todos os ressuscitados para a vida na terra. Haverá alguns destes últimos que se tornarão desleais a Deus. O julgamento condenatório aplicado a eles pela infidelidade será a “segunda morte”, morte de cuja “autoridade” não haverá restabelecimento possível.
Ora, por que acabaria alguém seguindo um proceder que leve a um julgamento condenatório quando se lhe concedeu o favor imerecido de ser ressuscitado dentre os mortos?
A resposta a esta pergunta pode ser entendida melhor à luz do que Jesus Cristo disse sobre os que seriam ressuscitados. Falando aos seus conterrâneos incrédulos, Jesus disse:
“Homens de Nínive se levantarão no julgamento com esta geração e a condenarão; porque eles se arrependeram com o que Jonas pregou, mas, eis que algo maior do que Jonas está aqui. A rainha do sul será levantada no julgamento com esta geração e a condenará, porque ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, mas, eis que algo maior do que Salomão está aqui.” — Mateus 12:41, 42; Lucas 11:31, 32.
Referindo-se a uma cidade que obstinadamente recusava escutar a mensagem da verdade, Jesus observou:
“No Dia do Juízo será mais suportável para a terra de Sodoma e Gomorra do que para essa cidade.” — Mateus 10:15; veja também Mateus 11:21-24.
De que modo seria mais suportável para Sodoma e Gomorra no Dia do Juízo? Como é que a “rainha do sul” e os ninivitas, que aceitaram a pregação de Jonas, condenariam a geração dos conterrâneos de Jesus?
Isto se dará no modo em que tais ressuscitados reagirão à ajuda prestada durante o reinado de Jesus Cristo e de seus 144.000 reis-sacerdotes associados. Este período de governo será um “Dia do Juízo”, visto que proverá a todos a oportunidade de demonstrar se querem ou não sujeitar-se aos arranjos de Deus. No caso dos semelhantes aos habitantes incrédulos das cidades que presenciaram as obras poderosas de Jesus Cristo, não será algo fácil.
Será difícil para eles reconhecer humildemente que estavam errados, ao rejeitarem Jesus como o Messias, e depois ter de se sujeitar a ele como seu Rei. O orgulho e a obstinação tornarão a submissão mais difícil para eles do que para os habitantes de Sodoma e Gomorra, os quais, embora pecadores, nunca rejeitaram oportunidades grandiosas tais como as apresentadas aos que presenciaram as obras de Jesus Cristo. A melhor reação dos ninivitas ressuscitados e da rainha de Sabá servirá como repreensão para a ressuscitada geração dos conterrâneos de Jesus que viveram no tempo de seu ministério terrestre. Será muito mais fácil para tais ninivitas e outros similares aceitar o governo de alguém para com quem nunca tiveram preconceito.
Os que positivamente se negarem a fazer progresso no caminho da justiça, sob o reino de Cristo, receberão o julgamento condenatório da “segunda morte”. Em certos casos, isto acontecerá antes de atingirem a perfeição humana.
Além disso, outros, depois de terem sido levados à perfeição humana, com falta de apreço, deixarão de demonstrar devoção leal a Jeová Deus quando postos à prova. Depois do reinado milenar de Cristo, Satanás, o Diabo, será solto por um pouco de tempo de sua restrição no abismo. Assim como ele atacou a soberania de Deus, para seduzir Eva, que depois persuadiu Adão, ele novamente procurará fazer com que os homens perfeitos se rebelem contra o governo de Deus. Sobre a tentativa de Satanás e seu resultado, Revelação 20:7-10, 14, 15, diz:
“Assim que tiverem terminado os mil anos, Satanás será solto de sua prisão, e ele sairá para desencaminhar aquelas nações nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de ajuntá-los para a guerra. O número destes é como a areia do mar. E avançaram sobre a largura da terra e cercaram o acampamento dos santos e a cidade amada. Mas desceu fogo do céu e os devorou. E o Diabo que os desencaminhava foi lançado no lago de fogo e enxofre . . . Este significa a segunda morte, o lago de fogo. Outrossim, todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” Isto significa a destruição ou o aniquilamento eterno deles. Tais infiéis terão assim o que Jesus chamou de “ressurreição de julgamento”, um julgamento condenatório.
Por outro lado, os que se negarem a se juntar a Satanás em rebelião serão julgados merecedores de receber a vida eterna. Regozijar-se-ão para sempre em ter a vida como humanos perfeitos, expressando amor e sendo amados por toda a eternidade. A sua mostrará ser uma “ressurreição de vida”.
Já agora podemos começar a desenvolver as qualidades que Deus procura nos que ele reconhece como seus servos aprovados. Se mostrarmos apreço por tudo o que ele fez e obtivermos uma dianteira no caminho da justiça, poderemos ter a perspectiva maravilhosa de ter muito mais do que a vida atual. Sim, podemos ter a vida eterna em perfeição, livre de toda a tristeza e dor!
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Como poderá obter mais do que apenas esta vida?É Esta Vida Tudo o Que Há?
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Capítulo 21
Como poderá obter mais do que apenas esta vida?
EM VISTA de toda a informação precedente, é bastante claro que há muitíssimo mais referente à vida do que agora temos. Imagine só! Jeová Deus apresentou à humanidade a grandiosa perspectiva de vida aqui na terra, em condições justas, livre de doença e morte! Poderá usufruí-la não apenas por cem anos ou mil anos, mas para sempre. E o tempo em que isto se tornará realidade já está muito perto!
Estará entre os que tirarão proveito do cumprimento do glorioso propósito de Deus para o homem e seu lar, a terra? Certamente que poderá estar. Mas terá de agir sem demora. Vivemos agora no tempo em que o aviso bíblico assume um tom de grande urgência: “Antes que venha sobre vós a ira ardente de Jeová, antes que venha sobre vós o dia da ira de Jeová, procurai a Jeová, todos os mansos da terra, que tendes praticado a Sua própria decisão judicial. Procurai a justiça,
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