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CiroAjuda ao Entendimento da Bíblia
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grande senhor, um protetor de seu povo/adoradores, viu com prazer suas boas ações e sua mente reta (e, assim) ordenou-lhe que marchasse contra sua cidade, Babilônia. Fez com que se pusesse na estrada para Babilônia, seguindo ao seu lado como verdadeiro amigo. Suas tropas espalhadas — seu número, como o da água dum rio, não podia ser determinado — caminhavam junto dele, com as armas guardadas. Sem luta, ele o fez entrar em sua cidade, Babilônia, poupando Babilônia de qualquer calamidade.” — Ancient Near Eastern Texts, de James B. Pritchard, 1955, p. 315.
Malgrado esta interpretação pagã dos eventos, a Bíblia mostra que, ao fazer sua proclamação que autorizava os exilados judeus a voltar para Jerusalém e reconstruir ali o templo, Ciro reconheceu: “Jeová, o Deus dos céus, deu-me todos os reinos da terra, e ele mesmo me comissionou para lhe construir uma casa em Jerusalém, que está em Judá.” (Esd. 1:1, 2) Isto, naturalmente, não quer dizer que Ciro se tornou um converso judeu, mas simplesmente que ele sabia dos fatos bíblicos relacionados com a sua vitória. Em vista da elevada posição administrativa em que Daniel foi colocado, tanto antes como depois da queda de Babilônia (Dan. 5:29; 6:1-3, 28), seria muitíssimo incomum se Ciro não fosse informado das profecias que os profetas de Jeová haviam registrado e proferido, inclusive a profecia de Isaías que continha o próprio nome de Ciro. Quanto ao Cilindro de Ciro, supracitado, reconhece-se que outros, além do rei, podem ter tido parte na preparação desse documento cuneiforme. O livro Biblical Archaeology (Arqueologia Bíblica), de G. Ernest Wright (p. 200) fala do “rei, ou do conselho, que formulou o documento” (compare com o caso similar que se deu com Dario, em Daniel 6:6-9), ao passo que o Dr. Emil G. Kraeling [Rand McNally Bible Atlas (Atlas Bíblico de Rand McNally), p. 328] chama o Cilindro de Ciro de “um documento de propaganda, composto pelos sacerdotes babilônios”. Pode, deveras, ter sido composto sob a influência do clero babilônico (veja Ancient Near Eastern Texts, de Pritchard, p. 315, nota marg. 1), destarte servindo ao seu objetivo de atenuar o completo fracasso de Marduque (também conhecido como Bel) e de outros deuses babilônios em salvar a cidade, chegando mesmo ao ponto de atribuir a Marduque as próprias coisas que Jeová fizera. — Compare com Isaías 46:1, 2; 47:11-15.
DECRETO DE CIRO PARA A VOLTA DOS JUDEUS EXILADOS
Por decretar o fim do exílio dos judeus, Ciro cumpriu sua comissão, como ‘pastor ungido’ de Jeová para Israel. ( 2 Crô. 36:22, 23; Esd. 1: 1-4) A proclamação foi feita “no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia”, significando seu primeiro ano como regente da conquistada Babilônia. O registro bíblico em Daniel 9:1 se refere ao “primeiro ano de Dario”, e este parece ter-se situado entre a queda de Babilônia e o “primeiro ano de Ciro” sobre Babilônia. Isto significaria que o primeiro ano de Ciro talvez não se tenha iniciado senão em fins do ano 538 A.E.C. Mesmo se se encarasse a regência de Dario sobre Babilônia como a de um vice-rei, de modo que seu reinado decorresse paralelamente com o de Ciro, o costume babilônico ainda colocaria o primeiro ano de reinado de Ciro como decorrendo de nisã de 538 a nisã de 537 A.E.C.
Em vista do registro bíblico, o decreto de Ciro, que libertava os judeus para voltarem a Jerusalém, foi provavelmente feito em fins do ano de 538, ou no início de 537 A.E.C. Isto daria tempo para que os exilados judeus se preparassem para sair de Babilônia e fazer a longa jornada até Judá e Jerusalém (viagem que talvez levasse cerca de quatro meses, segundo Esdras 7:9), e, ainda assim, se estabelecessem “nas suas cidades”, em Judá, já no “sétimo mês” (tisri) do ano 537 A.E.C. (Esd. 3:1, 6) Isto assinalava o fim dos 70 anos profetizados da desolação de Judá, que começaram no mesmo mês de tisri de 607 A.E.C. — 2 Reis 25:22-26; 2 Crô. 36:20, 21.
A cooperação de Ciro com os judeus estabelecia notável contraste com o tratamento que lhes foi dado por anteriores regentes pagãos. Ele restaurou os preciosos utensílios do templo, que Nabucodonosor levara para Babilônia, deu a permissão real para que eles importassem cedros do Líbano, e autorizou a alocação de fundos da casa do rei para cobrir as despesas da construção. (Esd. 1:7-11; 3:7; 6:3-5) De acordo com o Cilindro de Ciro, este regente persa seguia uma política geralmente humana e tolerante para com os povos conquistados de seu domínio. A inscrição o cita como afirmando: “Devolvi a [certas anteriormente mencionadas] cidades sagradas, do outro lado do Tigre, os santuários que haviam sido arruinados por longo tempo, as imagens que (costumavam) viver neles, e estabelecí para elas santuários permanentes. Eu (também) reuni todos os seus (anteriores) habitantes e devolvi(-lhes) suas habitações.” — Ancient Near Eastern Texts, de James B. Pritchard, 1955, p. 316.
Além da proclamação real citada em Esdras 1:1-4, o registro bíblico fala de outro documento emitido por Ciro, um “memorando” arquivado na casa de registros em Ecbátana, na Média, e ali descoberto durante o reinado de Dario, o Persa. (Esd. 5:13-17; 6:1-5) Sobre este segundo documento, afirma o professor Wright: “[Ele] é explicitamente intitulado de dikrona, um termo aramaico oficial para um memorando que registrava uma decisão oral do rei ou de outro alto oficial, e que dava início a uma medida administrativa. Jamais se visava publicá-lo, mas era unicamente para ser visto pela autoridade correta, após o que era guardado nos arquivos governamentais.” — Biblical Archaeology p. 200.
Crê-se que Ciro morreu em batalha por volta de 530 A.E.C., embora tais relatos sejam um tanto obscuros. Antes de sua morte, Cambises, filho dele, evidentemente se tornou co-regente dele, sucedendo-o no trono persa como único regente quando seu pai morreu.
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CisneAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CISNE
[Heb. , tinshémeth]. O cisne é uma ave aquática grande e graciosa, que possui um longo e delgado pescoço curvo. Há cisnes que chegam a pesar até 18 kg, e suas asas podem ter uma envergadura de até 2, 40 m.
O nome hebraico (tinshémeth), que aparece na lista de criaturas voadoras impuras (Lev. 11:13, 18; Deut. 14:12, 16), significa, segundo se pensa, um “respirador profundo” ou “resfolegadouro”. Isso talvez descreva o cisne, com seu alto som sibilante, solto quando a ave está excitada ou irada, e é assim vertido em várias traduções (BJ; CBC; NM; PIB, So). Tal identificação remonta pelo menos à Vulgata latina, em que Jerônimo traduziu o hebraico tinshémeth (em Levítico 11:18) pela palavra latina cygnus (“cisne”).
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CisternaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CISTERNA
Uma cavidade subterrânea artificial usada costumeiramente como depósito de água. As cisternas, diferentes dos poços cavados para captar a água subterrânea natural, destinam-se comumente a captar e reter a água da chuva ou a água de escoamento das fontes naturais. Não sendo abertas como os tanques, geralmente são cobertas no topo. A palavra hebraica bohr, traduzida “cisterna”, também é traduzida “cova” (IBB; ou, “cova d’água”), especialmente quando parece não conter água (Gên. 37:20-29; 2 Sam. 23:20), como “masmorra”, quando usada para tal fim (Gên. 40:15), e como “poço” (ou cova, BJ), quando se refere ao “Seol”, ou é um paralelo dele. — Sal. 30:3; Pro. 1:12; Eze. 31:14, 16.
As cisternas eram vitais na Palestina dos tempos bíblicos. Com freqüência, eram o único meio de manter suficiente reserva d’água, porque os poços e as fontes naturais não eram abundantes na região montanhosa e, quando eram encontrados, amiúde ficavam secos perto de fins do verão. Estas cisternas de água construídas pelo homem até mesmo permitiram que surgissem povoados em lugares em que o suprimento de água seria, de outra forma, escasso demais, tais como o Negebe. Afiançadamente, Jeová prometeu a seu povo que este encontraria cisternas já cavadas quando entrasse na Terra Prometida. (Deut. 6:10, 11; Nee. 9:25) Menciona-se o Rei Uzias como escavando “muitas cisternas” por toda Judá. (2 Crô. 26:1, 10) Desde a Galiléia Superior até o Negebe, havia literalmente milhares de cisternas, e foram descobertas dezenas delas, que praticamente permeavam partes da região. Parecia desejável que cada família tivesse sua própria cisterna, mesmo entre os moabitas. Seu Rei Mesa, do décimo século A.E.C., segundo a Pedra Moabita, declarou: “Não havia nenhuma cisterna dentro da cidade de Qarhoh, assim, eu disse a todo o povo: ‘Que cada um de vós cave uma cisterna para si mesmo em sua casa!’” [Ancient Near Eastern Texts (Textos Antigos do Oriente Próximo), 1955, p. 320] Senaqueribe tentou engodar os habitantes de Jerusalém por lhes prometer que, se capitulassem diante dele, eles ‘beberiam cada um a água da sua própria cisterna’. — 2 Reis 18:31; Isa. 36:16.
As cisternas eram, mais comumente, escavadas na rocha. Se a rocha era maciça e não tinha fendas, havia poucos problemas de vazamento, mas, na porosa pedra calcária que recobria grande parte da Palestina era necessário vedar com reboco as paredes internas. As cisternas escavadas na terra eram revestidas de tijolos ou de pedras, e então rebocadas, para tornar sólidas as suas paredes. Tais cisternas tinham usualmente a forma de pera, sendo mais largas no fundo e estreitando-se no topo; às vezes sua boca tinha apenas uns 30 ou 60 cm de diâmetro. Quando cavernas naturais eram modificadas ou ampliadas para servirem como cisternas, colunas de rocha natural serviam de apoio para o teto, ou, como no caso de algumas das cisternas descobertas no Negebe, construíam-se arcos, dentro da cisterna, para servirem para esse mesmo fim. Canais nas encostas das colinas levavam as águas das chuvas para o reservatório subterrâneo. Ilustrando as grandes dimensões de algumas cisternas, uma dentre as várias situadas na área do templo, em Jerusalém, tinha uma capacidade entre uns 7.500.000 a 11.300.000 litros; tinha mais de 12 m de profundidade e uns 213 m de circunferência, sendo alimentada por um aqueduto que vinha dos tanques de Salomão.
Eclesiastes 12:6 refere-se à “roda de água para a cisterna”, mas, geralmente, a água era retirada por meio de jarros suspensos por cordas. A quebra ocasional de tais jarros explica os fragmentos de vasos encontrados no fundo da maioria das cisternas. O costume primitivo de se jogar terra numa cisterna de água estagnada ou poluída, a fim de fazer depositar a escuma, explica, em parte, por que muitas delas acham-se parcialmente cheias de terra. As tampas impediam, até certo ponto, a contaminação da água, e impossibilitavam que pessoas ou animais caíssem nela, embora um cadáver que acidentalmente caísse nela não tornava as águas cerimonialmente impuras; quem removesse o cadáver, contudo, ficava impuro. (Êxo. 21:33; Lev. 11:35, 36) Ademais, a tampa duma cisterna ajudava a manter fresca a água e reduzia sua perda pela evaporação. (Jer. 6:7) Algumas cisternas grandes possuíam várias aberturas por meio das quais se podia tirar a água. Em cisternas de grandes dimensões e profundidades, havia escadas que conduziam às águas, tendo até 30 m ou mais.
OUTRAS UTILIZAÇÕES
São poucos os casos em que as cisternas eram usadas para outros fins que não o de depósitos de água. Em localidades secas, e se vedadas
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