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Por que o visitam as Testemunhas de Jeová repetidas vezes?A Sentinela — 1972 | 1.° de novembro
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homens e mulheres, morreriam nas ruas, e as crianças seriam despedaçadas, depois de um longo sítio da cidade. As condições de fome se tornariam tão sérias, que alguns comeriam seus próprios filhos. — Lam. 2:11, 12, 20, 21; 4:4, 9, 10; 5:11, 12.
Ezequiel, embora não estivesse em Jerusalém, apoiava o profeta Jeremias, que estava em Jerusalém, provendo assim um segundo testemunho da verdade da mensagem enviada por Deus. Sem dúvida, ficou bem conhecido em Jerusalém que Ezequiel, em Babilônia, também dava aviso da ruína de Jerusalém. Os judeus em Babilônia certamente ficaram muito agitados pela mensagem de Ezequiel. Eles também precisavam da mensagem, para que Deus não os abandonasse completamente pelo seu conceito errôneo e rebelde.
Ezequiel, ao servir de vigia, embora fosse ordenado a proferir a mensagem de Deus, não poderia servir a Jeová Deus de modo correto se não estivesse de coração em harmonia com o seu trabalho, se não expressasse no seu ministério o espírito daquilo que tinha de dizer.
Por este motivo, Deus mandou que Ezequiel comesse simbolicamente um rolo. Este rolo continha os julgamentos de Deus contra Jerusalém e Judá. Advertia das calamidades futuras, pormenorizando quão seriamente os judeus se haviam corrompido e quais as injustiças e opressões que eles, e especialmente seus líderes, haviam praticado. O rolo tinha sabor doce quando Ezequiel o comeu. Receber o privilégio de servir como profeta e vigia de Deus era deveras agradável. Mas, mostrou-se amargo no estômago de Ezequiel, e, conforme disse Ezequiel: “Fui, amargurado, no furor do meu espírito.” — Eze. 3:14.
MENSAGEM CHOCANTE, MAS VITAL PARA TODOS
As particularidades contidas no rolo eram tão chocantes, que Ezequiel ficou aturdido por sete dias. Precisou de tempo para absorver seu conteúdo e assimilá-lo. Daí, quando começou a falar àqueles judeus exilados em Tel-Abibe, ‘a mão de Jeová sobre ele era forte’, fortalecendo-o a expressar no seu ministério as coisas escritas no rolo, que eram julgamentos muito amargos da parte de Jeová.
Ezequiel, como “vigia”, prestou um serviço valioso àqueles judeus lá naquele tempo. De que modo era ele também uma ilustração para o tempo atual?
Em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, as nações que afirmam ser o povo de Deus, ou a cristandade, causaram muita dificuldade às testemunhas de Jeová, de fato, ‘matando’ a sua obra. Mas, em 1919, estas testemunhas a favor de Deus foram revivificadas, receberam o “rolo” simbólico e obtiveram compreensão de todas as violações das leis de Deus cometidas pela cristandade. A mensagem era chocante e atordoante. Assim como Ezequiel ficou “aturdido” por algum tempo, assim também as testemunhas de Jeová levaram tempo para se ajustar à espantosa obra do após-guerra, cuja execução mundial compreenderam.
Mas, então, ‘a mão de Jeová sobre elas era forte’, e nada podia impedir a sua proclamação. A Bíblia fala no seu último livro profeticamente sobre a ‘matança’ e a revivificação desta obra de testemunho:
“E os dos povos, e tribos, e línguas, e nações olharão para os seus cadáveres por três dias e meio, e não deixam que os seus cadáveres sejam colocados num túmulo. . . . E depois dos três dias e meio entrou neles espírito de vida da parte de Deus, e puseram-se de pé, e caiu grande temor sobre os que os observavam.” — Rev. 11:9-11.
Então, quanto ao seu dever como vigia, Ezequiel tinha de vigiar como os filhos de Israel cumpriam suas obrigações pactuadas com Deus. Se não o fizessem, recairia sobre eles um grande perigo. Do mesmo modo, as pessoas nas nações chamadas cristãs estão num perigo sério e grave. Este perigo não é proveniente dos crimes, da poluição ou de guerra, mas é o perigo muito maior da destruição por causa dos julgamentos de Deus em vista de sua violação das leis dele. Por causa disso, ele está prestes a fazer um ajuste de contas com estas nações. Destruir ele a iniqüidade libertará a humanidade sobrevivente dos perigos que os homens temem agora e trará paz e justiça à terra.
Portanto, as testemunhas de Jeová, que adotaram o nome de Deus e que conhecem suas leis e seus julgamentos, são iguais a uma sentinela que, se adormecesse e deixasse de proteger seus camaradas adormecidos, perderia a sua própria vida.
Concordemente, as testemunhas de Jeová precisam fazer visitas para dar a todos os outros homens a oportunidade de saber o que Deus vai fazer e o que ele exige, para que todos os que desejam viver possam fazê-lo e não morrer.
Jeová Deus não é duro para com as suas testemunhas ao lhes impor esta obrigação. Realmente, fornece uma prova do amor delas. E elas fazem isso voluntariamente e de bom grado, conforme predisse o salmista: “Teu povo se oferecerá voluntariamente no dia da tua força militar.” — Sal. 110:3.
Tampouco é Deus desamoroso para com as pessoas, ao enviar-lhes suas testemunhas, embora a visita delas e a mensagem que levam possam às vezes ser consideradas por alguns como perturbadoras. O trabalho que fazem origina-se realmente de Deus, porque ele envia suas testemunhas e ordena-lhes que falem a todos, especialmente os que estão na cristandade.
Além disso, é a maior benignidade imerecida de Deus advertir todas as pessoas, inclusive as que mostram ser seus inimigos. Ele diz: “‘Acaso me agrado de algum modo na morte do iníquo’, é a pronunciação do [Soberano] Senhor Jeová, ‘e não em que ele recue dos seus caminhos e realmente continue a viver?’” — Eze. 18:23; ed. ingl. 1971.
O maior perigo que confronta as pessoas na cristandade que não escutam o que diz a Palavra de verdade de Deus, a Bíblia, não é o perigo de morrerem de modo natural, mas sim de serem executadas às mãos de Deus. É por isso que as testemunhas de Jeová tomam seu dever tão a sério. Elas mesmas foram primeiro visitadas por outros e estudaram a Bíblia. Vêem e compreendem o que Deus está fazendo e o que vai fazer. Gostariam de ver que todos vivessem. Além disso, não querem que o sangue de alguém recaia sobre a sua cabeça por não se terem preocupado o bastante com a preservação da vida, ao ponto de darem o aviso. Aceitam a obrigação de remodelar a sua própria vida segundo os princípios bíblicos e de informar outros, porque sabem que somente os que vivem segundo os princípios puros do Criador viverão na sua nova ordem.
O motivo da atividade zelosa das Testemunhas, visitando cada lar, é mostrado naquilo que aconteceu a seguir a Ezequiel. Como vigia recém-designado, ele nos conta:
“E a mão de Jeová veio a estar sobre mim e ele passou a dizer-me: ‘Levanta-te, sai até o vale plano e lá eu falarei contigo.’ Levantei-me, pois, e saí ao vale plano, e eis que estava ali parada a glória de Jeová, igual à glória que eu tinha visto junto ao rio Quebar, e eu fui lançar-me com a minha face por terra.” — Eze. 3:22, 23.
OPOSIÇÃO DA PARTE DE PROFESSOS SERVOS DE DEUS
Não era mais tempo de continuar aturdido pela sua visão, mas era tempo de ação. O carro celeste que vira na visão, acompanhado pela glória de Jeová (Ezequiel, capítulo 1), representava a organização celestial de Deus, dirigindo-se à guerra. Seguira a Ezequiel desde Tel-Abibe até o seu novo lugar, indicando que a organização divina o acompanhava no seu ministério. Mas, foi então informado de que sofreria oposição da parte de seu próprio povo, os judeus, conforme Ezequiel relata:
“Então entrou em mim espírito e me fez ficar de pé, e ele começou a falar comigo e a dizer-me: ‘Vem, fica encerrado na tua casa. E tu, ó filho do homem, eis que certamente porão sobre ti cordas e te atarão com elas, para que não possas sair para o meio deles. E a tua própria língua eu farei ficar apegada ao céu da boca e certamente ficarás mudo, e não te tornarás para eles um homem que dá repreensão, porque são uma casa rebelde. E quando eu falar contigo, abrirei a tua boca, e terás de dizer-lhes: “Assim disse o [Soberano] Senhor Jeová.” Ouça aquele que ouve e refreie-se aquele que se refreia de ouvir, porque são uma casa rebelde.’” — Eze. 3:24-27.
Sim, eram professos servos de Deus, que realmente procurariam impedir e restringir Ezequiel de sair de sua casa para proclamar as palavras de Jeová. Mas, Ezequiel não devia confiar em si mesmo, nem falar palavras de sua própria opinião sobre os assuntos. Quando Jeová não tivesse mensagem para ele proferir, então, neste respeito, Ezequiel seria mudo. Mas quando Jeová tivesse uma mensagem, abriria a boca de Ezequiel para proclamá-la, não importando o que fizessem aqueles israelitas rebeldes.
De modo similar, abriram-se os olhos das testemunhas de Jeová para verem e reconhecerem que há fundamentalmente apenas duas organizações, a de Jeová Deus, e a de Satanás, o Diabo. Reconhecem que Satanás é “o deus deste sistema de coisas”, que Deus destruirá. Colocam-se à disposição da organização de Jeová. Não afirmam ter inspiração divina, nem dizem ao povo o que elas pessoalmente acham. Antes, estribam-se na Palavra de Deus, a Bíblia. Confiam no espírito, de Deus para ajudá-las a ter coragem de falar.
Todas as pessoas nos países chamados cristãos sabem que os sistemas religiosos, por meio de seus líderes, têm odiado as testemunhas de Jeová e têm falado mal delas. Além disso, têm instigado ação política contra as Testemunhas, e, mediante informações errôneas sobre elas, têm incitado distúrbios para pará-las, se possível.
Mas as testemunhas de Jeová são destemidas. Continuam a visitar as pessoas para ajudá-las, confiando nas palavras de Jesus aos seus discípulos, encontradas na sua profecia sobre a “terminação do sistema de coisas”, a saber:
“Também, em todas as nações têm de ser pregadas primeiro as boas novas. Mas, quando vos levarem para vos entregar, não estejais ansiosos de antemão sobre o que haveis de falar; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai, porque não sois vós quem fala, mas o espírito santo. Outrossim, irmão entregará irmão à morte, e o pai ao filho, e os filhos se levantarão contra os pais, e os farão matar; e vós sereis pessoas odiadas por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que tiver perseverado até o fim é o que será salvo.” — Mar. 13:10-13; Mat. 24:3-14.
Já estamos na década de 1970, e apesar de tudo o que a cristandade tem tentado fazer-lhes, por meio de seu clero religioso e dos ataques ferrenhos dos ditadores Benito Mussolini, Adolf Hitler, José Stálin e outros, os servos ungidos de Jeová têm perseverado até agora como vigia para a cristandade. Estão decididos a perseverar até o fim do seu ministério terrestre, o que será também até o fim da cristandade e o fim deste sistema de coisas do qual a cristandade tem sido a parte destacada.
Portanto, quando as testemunhas de Jeová o visitarem no seu lar, tome tempo para ouvir o que dizem e pense nisso. Veja se é uma mensagem veraz da Palavra de Deus. (1 Tes. 5:21) Daí, aceite-a ou rejeite-a, conforme achar conveniente. Se não acreditar agora no que dizem, talvez as circunstâncias mudem seu ponto de vista até a próxima visita delas. As testemunhas de Jeová continuarão a visitar seu lar, porque têm perante Deus a obrigação de dar ao povo o aviso do que vem no futuro. Querem livrar a sua própria alma, e desejam de coração ajudar a quantos puderem para fazer o mesmo. Têm a sincera esperança de que sobreviva ao fim deste sistema de coisas para usufruir a vida real na terra, sob o governo messiânico de Deus.
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Nossa recordação dos falecidosA Sentinela — 1972 | 1.° de novembro
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Nossa recordação dos falecidos
É DEUS QUEM LEVA NOSSOS ENTES QUERIDOS?
O QUE DIZ SOBRE ISSO A PALAVRA DE DEUS?
A MORTE do homem não é coisa natural, pois o homem não foi criado para morrer. Não era este o propósito de seu Criador para ele. Por isso, a morte causa tristeza pela perda sentida profundamente pelos parentes e amigos sobreviventes. Recordamos nossos entes queridos, sua personalidade, sua cordialidade, seu amor e suas esperanças, e isto nos entristece.
Quando alguém morre, sofremos uma perda permanente? Deve a tristeza causada pela morte ser causa de profundo pesar e de desespero? As Escrituras respondem que os que crêem em Deus não devem ser “pesarosos como os demais que não têm esperança”. Por que não? Porque Deus fez uma provisão amorosa que nos consola grandemente. — 1 Tes. 4:13, 14; 2 Cor. 1:3, 4.
Então, podemos dizer corretamente que Deus “levou” o falecido? Não, porque a morte é chamada de “inimigo” na Bíblia, e Deus não coopera com os inimigos da humanidade. Ao contrário, promete destruir tanto a morte como todos os outros inimigos do homem. — 1 Cor. 15:26.
ORIGEM E DESTRUIÇÃO DA MORTE
Como veio a existir a morte! Surgiu por motivo da própria desobediência do homem a Deus, para a qual o Diabo contribuiu. Adão rebelou-se contra Deus. Por isso, “por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado”. — Rom. 5:12; Gên. 2:17; 3:19.
É natural sentir-se aflito com a condição dos falecidos. Onde é que estão! poderá perguntar. A Bíblia diz que estão no Seol ou Hades. Estas duas palavras, nas Escrituras Hebraicas e nas Gregas respectivamente, significam a mesma coisa: a sepultura comum da humanidade. Os que estão na Seol (Hades) estão realmente mortos, e não estão sofrendo. “Não estão cônscios de absolutamente nada.” “Não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol”, dizem as Escrituras. (Ecl. 9:5, 10; Gên. 42:38) O próprio Jesus esteve lá por partes de três dias. O apóstolo Pedro disse que Jesus esteve no Hades, mas não foi abandonado por Deus, porque Deus o ressuscitou. — Atos 2:31, 32.
Jesus comparou a condição de seu amigo Lázaro na morte à inconsciência do sono. Disse aos seus discípulos: “Eu viajo para lá para o despertar do sono.” Quando seus discípulos não compreenderam, “Jesus disse-lhes francamente: ‘Lázaro morreu’”. Não há registro de que Lázaro descrevesse qualquer sensação de consciência durante os seus quatro
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