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O que é realmente valioso?A Sentinela — 1986 | 15 de junho
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O que é realmente valioso?
“Muitos levam uma vida vazia, não param num emprego, não têm relacionamentos duradouros e se mudam a esmo de lugar em lugar numa órbita isolada — e ninguém se importa com isso. A razão: São extremamente ricos.” — The New York Times, 15 de maio de 1984.
VOCÊ bem sabe que o dinheiro é necessário para custear alimentos, roupas, abrigo, transporte, assistência médica e outros essenciais à vida. De fato, provavelmente reconhece que na sociedade moderna seria difícil viver sem dinheiro, pois, como diz a Bíblia, “o dinheiro é o que encontra resposta em todas as coisas”. — Eclesiastes 10:19.
Não obstante, o artigo de jornal supracitado abordava os problemas emocionais dos ricos. Obviamente, é perigoso centralizar a vida em adquirir dinheiro e bens. Mesmo assim, é isso o que muitos fazem. A ambição gananciosa às vezes é fatal. Há homens ultradinâmicos na faixa dos 30 ou 40 anos de idade que morrem de ataque cardíaco. Alguns desses arriscaram a sua saúde, até mesmo a sua vida, para satisfazer suas ambições relacionadas com dinheiro. Não precisamos ser profundamente religiosos para concordar que teria sido melhor se tivessem acatado as palavras de Jesus Cristo: “De que proveito será para o homem, se ele ganhar o mundo inteiro, mas pagar com a perda da sua alma?” — Mateus 16:26.
O Que É de Real Valor?
Com certeza você sabe que não há fim das coisas que poderíamos ser tentados a querer possuir. Videocassete, casa própria, custosos equipamentos de esporte — em alguns países esses são itens a almejar. Em outros, o alvo pode ser mais modesto. Uma jovem num certo país se prostituiu para poder comprar roupas melhores.
Embora saibamos que há perigos relacionados com um enfoque puramente materialista da vida, como nos podemos proteger? Temos que desprezar a sociedade, tornando-nos reclusos ou ermitões, como alguns se tornaram? Ademais, ao considerarmos o que é realmente valioso, devemos perguntar: O que nos trará felicidade e contentamento genuínos a longo prazo?
Como ajuda, consideremos o exemplo dum homem que por séculos tem sido admirado e respeitado como modelo de comportamento. Ele era advogado rabínico, e pertencia à uma seita judaica do primeiro século cujos membros eram conhecidos como “amantes do dinheiro”. (Lucas 16:14) O seu nome era Paulo, e ele era instruído e tinha o necessário dinamismo para acumular riquezas e melhorar ainda mais o seu status na sociedade.
Contudo, através duma experiência abaladora, ele discerniu que algo muito diferente era realmente de valor superior na vida. Quer você tenha essa mesma mentalidade no presente, quer não, vale a pena refletir no que Paulo concluiu.
Ele chegou à conclusão de que a principal coisa de valor na vida era ter uma posição aprovada perante Deus qual discípulo de Jesus. Isso lhe era tão valioso que, como apóstolo de Jesus, pôde suportar durezas e perseguições. Assemelhava-se a um anterior homem famoso, Moisés, que “estimava o vitupério do Cristo como riqueza maior do que os tesouros do Egito”. — Hebreus 11:26; 2 Coríntios 11:23-27.
Também é bom saber que Paulo jamais lamentou que ter-se tornado apóstolo cristão resultara em perda de prestígio na sociedade judaica. Depois de ter sido cristão devoto por uns 25 anos, escreveu: “As coisas que para mim eram ganhos, estas eu considerei perda por causa do Cristo. Ora, neste respeito, considero também, deveras, todas as coisas como perda, por causa do valor superior do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele tenho aceito a perda de todas as coisas e as considero como uma porção de refugo, para que eu possa ganhar a Cristo e ser achado em união com ele.” (Filipenses 3:7-9) Terá de admitir que Paulo estava convencido de que adquirira algo realmente valioso.
A opção de Paulo não significa que ele não mais tinha bem material algum. Reflita, por exemplo, nas suas palavras: “Em tudo e em todas as circunstâncias aprendi o segredo tanto de estar suprido como de ter fome, tanto de ter abundância como de sofrer carência.” — Filipenses 4:12.
Qualquer que seja a sua posição no tocante ao cristianismo, é provável que reconheça quão excelente foi o final no caso de Paulo. A sua opção quanto ao que é valioso trouxe-lhe um contentamento que foge à compreensão dos homens e mulheres mais ricos do mundo. Jean Paul Getty, o milionário do petróleo, admitiu: “O dinheiro não necessariamente tem qualquer ligação com a felicidade. Talvez tenha com a infelicidade.”
Mas, alguém talvez afirme ser cristão e, ainda assim, deixe de reconhecer o que é de valor maior. Isso aconteceu no primeiro século, pois Paulo disse sobre um associado seu: “Demas me abandonou, porque amava o atual sistema de coisas.” (2 Timóteo 4:10) Numa ocasião em que poderia ter ajudado o apóstolo preso, Demas desistiu, preferindo o que o atual sistema lhe oferecia.
Apontando para a grave situação de perigo a que um conceito materialista pode levar o cristão, Paulo disse: “Os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, que lançam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor . . . se traspassaram todo com muitas dores.” — 1 Timóteo 6:9, 10.
Portanto, poderá perguntar: Que papel deve o dinheiro ou os bens exercer em minha vida? Examinemos um pouco mais o assunto, para ver como poderá possuir o que é realmente valioso.
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Sua esperança — Deus ou riquezas?A Sentinela — 1986 | 15 de junho
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Sua esperança — Deus ou riquezas?
“Por anos ela vivia recolhida na sua suntuosa mansão cercada de um muro com tela de arame e protegida por dois portões de ferro trancados.”
FOI nesses termos que uma notícia se referiu a certa viúva rica morta por ladrões que levaram jóias e um milhão de dólares em dinheiro da sua mansão. Depois que o corpo dela foi encontrado, a polícia usou um carrinho de supermercado para transportar da casa outros 5 milhões de dólares em dinheiro. A polícia encontrou também milhares de “presentes de aniversário” com cartões endereçados “a Jesus Cristo” e “a Deus”.
Essa herdeira parecia não ter amigos, e vivia sempre com medo. Pergunte-se: Quão realmente valiosos eram os milhões que ela tanto valorizava? Ou: Quão rica era ela perante Deus? Com certeza você sabe que “presentes de aniversário” não compram o favor de Deus, e que a paz de Deus não resulta de possuir riquezas. Pode-se deduzir isso do conselho bíblico de ‘não basear a nossa esperança nas riquezas incertas, mas em Deus, que nos fornece ricamente todas as coisas para o nosso usufruto’. — 1 Timóteo 6:17.
Por que são tão incertas as riquezas? Ora, é provável que saiba quão verazes são as palavras de Jesus: “Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam.” (Mateus 6:19) Como sabe, há sempre o perigo de que o fogo destrua uma casa. Alguns guardam seus bens num banco, mas, não têm sido estes também assaltados? Mesmo um carro novo por fim enferrujará.
Que dizer sobre a economia das nações?
Em muitos países a inflação age como ladrão; reduz o patrimônio da pessoa. “Depois que a hiperinflação assolou a Alemanha durante o início dos anos 20, os compradores precisavam de cestos de dinheiro . . . para as compras no armazém . . . Os preços na Alemanha aumentaram mais de um trilhão por cento de agosto de 1922 a novembro de 1923.” (The World Book Encyclopedia) Quão desapontador pode ser confiar no dinheiro!
Jesus aconselhou sabiamente: “Armazenai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam.” (Mateus 6:20) Que tesouros são esses? São os nossos antecedentes quanto a obras excelentes, sermos ricos para com Deus. ‘O que exige isso de mim?’, talvez pergunte. Em parte, a Bíblia responde que isso significa ‘praticar o bem, ser rico em obras excelentes, ser liberal, pronto para partilhar’. — 1 Timóteo 6:18.
Atualmente, milhões de Testemunhas de Jeová em toda a terra podem atestar honestamente que o partilhar com outros coisas espirituais e materiais — especialmente por ajudar pessoas a aprenderem sobre a esperança do Reino através das atividades de pregação, de ensino e de fazer discípulos — são obras excelentes que têm a aprovação de Jeová e que produzem real satisfação. Nem mesmo a morte pode privar a pessoa das recompensas que tal armazenamento de tesouros no céu produz. Por quê? Jesus prometeu: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem exercer fé em mim, ainda que morra, viverá outra vez.” — João 11:25.
Tesouros Inestimáveis Que Podemos Usufruir Agora
Após mencionar que devemos depositar a nossa esperança “em Deus”, Paulo acrescenta que é ‘Deus quem nos fornece ricamente todas as coisas para o nosso usufruto’. (1 Timóteo 6:17) Além das necessidades diárias da vida, o Altíssimo amorosamente provê tesouros inestimáveis para os a quem ele aprova. Que tesouros são esses?
Note o que diz Provérbios 3:13-18: “Feliz o homem que achou sabedoria e o homem que obtém discernimento, porque tê-la por ganho é melhor do que ter por ganho a prata, e tê-la como produto é melhor do que o próprio ouro. Ela é mais preciosa do que os corais, e todos os outros agrados teus não se podem igualar a ela. Na sua direita há longura de dias; na sua esquerda há riquezas e glória. . . . Ela é árvore de vida para os que a agarram, e os que a seguram bem devem ser chamados de felizes.” Portanto, a “sabedoria” é um tesouro que ultrapassa o valor de todas as riquezas do mundo.
Sabedoria significa aplicar corretamente o conhecimento. É a habilidade de usar com êxito o conhecimento e o entendimento para resolver problemas, para evitar ou afastar perigos, para atingir certos objetivos ou para ajudar outros nesse sentido. Não concorda que precisamos hoje dessa sabedoria para lidarmos com bom êxito com as provações da vida e para mantermos uma boa posição perante Deus?
Ao descrever a sabedoria, Provérbios 3:13-18 destaca a felicidade. Não é a felicidade um tesouro que todos almejamos? A sabedoria piedosa nos concederá essa felicidade, porque a verdadeira felicidade pode advir unicamente de sua Fonte, Jeová Deus. A experiência provou que a verdadeira felicidade não pode ser alcançada à parte da obediência ao Altíssimo e da submissão à operação de seu espírito. A felicidade prometida na Bíblia depende de mantermos para com o nosso Pai celestial uma relação correta, ou condição aprovada. (Mateus 5:3-10) Portanto, por aplicarmos o que aprendemos do estudo da Bíblia, estaremos mostrando “a sabedoria de cima”, que nos dará a felicidade que todas as riquezas do mundo juntas não podem conseguir.
Mas, lembre-se também de que Provérbios 3:16 diz: “Na sua direita há longura de dias.” Entende-se que isso se refere à direita de proteção, pronta para ajudar e proteger a pessoa em tempos críticos. Muitos hoje se entregam à licenciosidade, à imoralidade sexual, ao abuso de drogas, e assim por diante. Provavelmente já leu que a AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) relaciona-se com tais práticas. Pelo que tem observado, são realmente felizes as pessoas que as praticam? Ou será que trazem sobre si mesmas e outros muita tristeza e dor e até mesmo a morte?
Em contraste, a aplicação dos conselhos sábios da Palavra de Deus estará sempre à nossa “direita”, para nos proteger contra tais perigos. Portanto, a sabedoria pode prolongar a nossa vida, resguardando-nos contra um proceder que levaria à morte prematura. Assim, a sabedoria piedosa certamente tornará mais agradável a nossa vida atual.
Viva Sabiamente
A evidência que nos cerca mostra que vivemos nos “últimos dias” deste sistema de coisas. (2 Timóteo 3:1-5) Assim, é vital que cuidemos para não sucumbirmos ao espírito do mundo. Este espírito destaca as coisas materiais por apelar aos desejos egoístas. Uma das acusações levantadas contra Jó, um homem fiel da história bíblica, foi que ele servia a Deus por interesses egoístas, por lucro material. (Jó 1:9-11) Poderia tal acusação ser levantada com justiça contra nós?
Se a nossa resposta for negativa, talvez seja sinal de que estamos resistindo bem ao materialismo moderno. Mas, esse perigo, o materialismo, é um dos mais sutis que enfrentamos. Jesus Cristo disse que “as ansiedades deste sistema de coisas e o poder enganoso das riquezas sufocam a palavra”. (Mateus 13:22) É bem evidente que devemos estar sempre alertas contra “o poder enganoso das riquezas”, pois estas não são realmente valiosas.
Sempre temos que nos lembrar do valor relativo das coisas materiais. A Palavra de Deus diz: “As coisas valiosas do rico são a sua vila fortificada, e na sua imaginação são como uma muralha protetora.” (Provérbios 18:11) Sim, a segurança que as riquezas podem prover é mera imaginação, um engano. Não é que as coisas materiais em si sejam más. O errado é centralizar nossa vida em torno delas, em vez de em ganhar a aprovação de Deus. Jesus, reconhecido como um dos mais sábios instrutores da história, disse acertadamente: “Mesmo quando alguém tem abundância, sua vida não vem das coisas que possui.” — Lucas 12:15.
Portanto, sigamos um proceder que nos tornará ‘ricos para com Deus’. (Lucas 12:21) Nada é mais valioso do que uma posição aprovada perante o Criador. Todos os esforços para mantê-la contribuem para ‘entesourarmos para nós mesmos um alicerce excelente para o futuro, a fim de que nos apeguemos firmemente à verdadeira vida’. — 1 Timóteo 6:19.
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A bênção de Jeová enriqueceA Sentinela — 1986 | 15 de junho
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A bênção de Jeová enriquece
“Será difícil para um rico entrar no reino dos céus.” — MATEUS 19:23.
1, 2. Que contraste pode ser traçado entre tipos de riqueza?
QUE dizer se alguém lhe notificasse: “Você ficou rico!”? Muitos se emocionariam com essa notícia, se esta significasse que ficaram ricos em dinheiro, em terras ou em bens luxuosos. Mas, considere o assunto de riquezas deste ponto de vista: “A bênção de Jeová — esta é o que enriquece, e ele não lhe acrescenta dor alguma.” — Provérbios 10:22.
2 Nos seus tratos com os antigos patriarcas e com a nação de Israel, Deus abençoou a fidelidade deles com prosperidade. (Gênesis 13:2; Deuteronômio 28:11, 12; Jó 42:10-12) O Rei Salomão foi abençoado desse modo. Tornou-se muito rico. Mas, ele aprendeu por experiência própria que uma vida voltada às riquezas materiais “era vaidade e um esforço para alcançar o vento”. (Eclesiastes 2:4-11; 1 Reis 3:11-13; 9:14, 28; 10:10) Portanto, quando Salomão escreveu: “A bênção de Jeová — esta é o que enriquece”, ele não se referia às riquezas materiais. Ele declarava a verdade de que, se a pessoa goza das bênçãos de Deus, sua vida é incomparavelmente mais rica do que a dos que não o servem. Como assim?
3. Em que sentidos você é realmente rico, se tem as bênçãos de Deus?
3 Sendo cristão, já agora você pode ter a aprovação de Jeová e receber bênçãos dele, tais como a sabedoria piedosa. Você pode ser aceito numa congregação, semelhante a uma família, composta de cristãos basicamente felizes, confiáveis e interessados em sua pessoa. As leis de Deus protegem-no contra muitas doenças e perigos. Ademais, você tem motivos para contar com a proteção divina na “grande tribulação” que se abaterá sobre este sistema iníquo — e daí esperar ganhar a vida no Paraíso infindável que em seguida será estabelecido na terra. Portanto, como vê, com essas bênçãos e perspectivas maravilhosas, você pode realmente dizer: “Eu sou rico!” — Mateus 24:21, 22.
4. Como poderia colocar em risco a sua condição de espiritualmente rico? (Revelação 3:17, 18)
4 A sua condição de “rico” em bênçãos de Jeová pode, porém, ser colocada em risco por outras riquezas — dinheiro ou bens materiais. Poucos de nós (quer financeiramente bem, quer de poucos meios) admitiríamos prontamente: ‘Corro real perigo de ser desviado pelo amor ao dinheiro.’ Mas, lembre-se do aviso: “O amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor, foram desviados da fé e se traspassaram todo com muitas dores.” (1 Timóteo 6:10) Isso foi escrito numa época em que todos os cristãos aprovados eram ungidos com o espírito de Deus, como indício de que se poderiam tornar governantes celestiais com Cristo. É provável que muitos desses haviam conhecido pessoalmente alguns apóstolos e outros que haviam andado com Jesus. Se até mesmo alguns desses ungidos “foram desviados” pelo dinheiro, quão grande é o perigo para nós! — 2 Coríntios 5:5; Romanos 8:17, 23.
O Rico e o Camelo
5. Qual era o conceito de Jesus quanto às riquezas?
5 Jesus muitas vezes trouxe à atenção o perigo das riquezas, pois é um perigo que ameaça a todos, tanto os ricos como os que não o são. (Mateus 6:24-32; Lucas 6:24; 12:15-21) Como base para exame pessoal considere o que Jesus disse certa ocasião, conforme relatado em Mateus 19:16-24, Marcos 10:17-30 e Lucas 18:18-30. Realmente, por que não pausar agora e ler um desses relatos, ou todos eles?
6, 7. (a) Que diálogo houve entre Jesus e certo jovem? (b) Depois disso, que conselho deu Jesus?
6 Certo jovem governante foi a Jesus e perguntou: “Por fazer o que hei de herdar a vida eterna?” Jesus dirigiu a atenção dele para a Lei, mostrando assim que Jeová não deixara de indicar o que era necessário. O homem respondeu que guardava os mandamentos de Deus ‘desde a mocidade’. Era como se ele já estivesse à porta da vida, mas pressentia que, apesar disso, faltava-lhe algo. Talvez imaginasse que haveria algum bem adicional, algum ato heróico, que seria o passo final pela porta de acesso à vida eterna. A resposta de Jesus tem implicação ampla: “Vende todas as coisas que tens e distribui aos pobres, e terás um tesouro nos céus; e vem ser meu seguidor.” Que aconteceu? “Ouvindo isso, ele ficou profundamente contristado, pois era muito rico [ou, tinha muitas propriedades].” Assim, o homem partiu. — Lucas 18:18, 21-23; Marcos 10:22.
7 Depois, Jesus disse: “Quão difícil será para os que têm dinheiro abrirem caminho para entrar no reino de Deus! De fato, é mais fácil para um camelo passar pelo orifício duma agulha de costura, do que para um rico entrar no reino de Deus.” (Lucas 18:24, 25) Foi esse conselho dirigido apenas àquele governante rico? Ou será que se aplica também a você, quer seja rico, quer pobre? Vejamos.
8. (a) A quem se poderia comparar aquele jovem governante judeu? (b) Qual era o seu defeito, e por que deve isso nos interessar?
8 O que talvez o ajude a entender a situação daquele jovem governante é imaginar um equivalente moderno — um jovem cristão puro, com bom conhecimento bíblico, excelente moral, e proveniente duma família rica. Talvez inveje tal pessoa. Mas, Jesus achou uma grande falta com relação ao jovem judeu: A sua riqueza ou as suas propriedades eram importantes demais na vida dele. Por isso, Jesus deu aquele conselho. Pode-se ver por que esse relato bíblico é útil para todos nós, quer ricos, quer pobres. O dinheiro e os bens podem tornar-se importantes demais para qualquer um de nós, quer já os tenhamos, quer apenas os almejemos.
9. Como sabemos que Jesus não condenava a riqueza em si?
9 Jesus não estava dizendo que alguém que possuísse riquezas materiais não pudesse servir a Deus. Muitos serviram. Aquele jovem judeu fez isso — até certo ponto. Houve o cobrador de impostos Zaqueu, que “era rico”. (Lucas 19:2-10) Alguns cristãos ungidos do primeiro século eram ricos e, assim, enfrentavam o desafio especial de “serem liberais, prontos para partilhar”. (1 Timóteo 6:17, 18; Tiago 1:9, 10) Também hoje há alguns cristãos abastados. Muitos deles têm feito doações generosas em apoio à obra do Reino, têm colocado seus lares à disposição para reuniões e usado seus carros no ministério. Por que, então, falou Jesus aquilo a respeito do rico e do camelo? O que podemos aprender disso?
10. O que podemos concluir do conselho de Jesus naquela ocasião?
10 Como sabe, começar a adorar a Deus é uma coisa; ser fiel até o fim é outra coisa. (Mateus 24:13; Filipenses 3:12-14) Talvez Jesus tivesse isso em mente ao dizer: É mais fácil um camelo passar pelo orifício duma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus.” (Marcos 10:25) Camelo algum poderia espremer-se através do buraquinho duma agulha de costura, portanto, Jesus obviamente usava uma hipérbole, isto é, uma exageração que não deve ser tomada literalmente. Ela mostra, porém, quão difícil é para um rico fazer algo. O quê? Não apenas começar a servir a Deus, não, mas “entrar no reino”, realmente ganhar a vida eterna. Quanto a você, independente de sua situação financeira, o conselho de Jesus pode ajudá-lo a ter o conceito correto, a fazer progresso espiritual e a ganhar vida duradoura.
Por Que É Tão Difícil Para os Ricos?
11. Qual foi a reação dos pobres e dos ricos à pregação de Jesus?
11 Por meio da pregação feita por Jesus e pelos apóstolos, ‘as boas novas foram declaradas aos pobres’. (Mateus 11:5) Não havia discriminação contra os ricos. Todavia, parece que dentre os pobres era maior o número dos que reconheciam a sua necessidade espiritual e aceitavam a mensagem de esperança. (Mateus 5:3, 6; 9:35, 36) Os judeus ricos estavam em geral satisfeitos com a situação das coisas. (Veja Lucas 6:20, 24, 25.) Mesmo assim, havia exceções, e há exceções hoje. Alguns ricos aceitam a mensagem da Bíblia e servem a Deus. O resultado para eles poderá ser maravilhoso. Foi assim no caso de Paulo, que não permitiu que a sua condição na vida o impedisse. (Filipenses 3:4-8) Não obstante, Jesus disse que para os ricos seria mais difícil.
“O Poder Enganoso das Riquezas”
12, 13. (a) Numa ilustração, o que ensinou Jesus a respeito de ansiedades? (b) Por que enfrentam os ricos um obstáculo adicional?
12 Na sua ilustração das sementes que caíram em diferentes solos, Jesus disse que algumas “caíram entre os espinhos, e os espinhos cresceram e as sufocaram”. Ele explicou: “Quanto ao semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra, mas as ansiedades deste sistema de coisas e o poder enganoso das riquezas sufocam a palavra, e ele se torna infrutífero.” (Mateus 13:7, 22) Quase todos sentem em alguma medida as “ansiedades deste sistema de coisas”. E fácil compreender por que isso se dá no caso dum pobre, desempregado ou deficiente físico. Quem tem segurança financeira talvez não sinta as mesmas ansiedades, embora possa sentir-se um tanto ansioso quanto aos efeitos da inflação, a mudanças nos impostos ou aos perigos do roubo. Portanto, tanto os ricos como os pobres talvez sintam ansiedades. — Mateus 6:19-21.
13 Jesus mostrou que, para alguns, o “poder enganoso das riquezas” também serve de obstáculo. Ser financeiramente bem-sucedido pode absorver totalmente a pessoa. O milionário Aristóteles Onassis comentou certa vez: “Depois que se atinge certo ponto, o dinheiro não é mais importante. O que importa é o sucesso. Para mim, a coisa sensata seria parar agora. Mas, não posso. Tenho que continuar a almejar cada vez mais alto — só por causa da emoção que isso me dá.” Similarmente, o cristão poderia achar emocionante galgar os degraus de promoção numa empresa. Ou, talvez poderia ser seduzido a expandir seus negócios muito depois de ter conseguido o que mais cedo na vida teria considerado “suficiente”. Em vez de reduzir seu trabalho (ou se aposentar) para tornar-se ministro de tempo integral, ele ‘derruba seus celeiros [ou casas] e constrói maiores’. (Veja Lucas 12:15-21.) Dar-se-ia isso no seu caso? Acha que a pessoa nessa situação seria julgada por Deus como servindo-o de toda a alma? — Mateus 22:37.
14. Como se pode ilustrar o fato de que as riquezas podem representar um impedimento para o cristão? (Provérbios 28:20)
14 Ainda há outras maneiras em que as riquezas (ou a obsessão de possuí-las) podem impedir o cristão de ‘herdar a vida eterna’. Uma delas é que o amor às riquezas poderá levá-lo a adotar práticas mundanas, tais como não declarar certos rendimentos ou usar outras táticas desonestas, embora comuns. Ou, caso empregue companheiros cristãos honestos e trabalhadores, talvez coloque o seu lucro pessoal acima dos interesses da espiritualidade deles. Por exemplo, para envolvê-los profundamente no emprego, talvez os incentive a cultivar um estilo de vida mais dispendioso (ou mesmo a incorrer em dívidas para comprar coisas supérfluas). E, visto ser ele o patrão deles, pode acontecer que esse relacionamento se estenda a assuntos congregacionais.
15. Como talvez sentiram alguns cristãos primitivos os efeitos prejudiciais das riquezas? (Salmo 73:3-8, 12, 27, 28)
15 Alguns cristãos ricos do primeiro século talvez figurassem entre os vitimados pelo “poder enganoso das riquezas”. Tiago escreveu sobre as ‘misérias que hão de sobrevir aos ricos’. Eles tinham roupas caras, acumularam ouro e prata às custas de empregados mal pagos e a vida de luxo os ‘engordou’. (Tiago 5:1-5) A riqueza não raro faculta a pessoa usufruir alimentos e bebidas requintados, que podem prejudicar seu organismo. Pode também possibilitar viagens constantes, que a desligam da sua congregação. Com isso não se quer dizer que boas roupas, jóias, alimentos requintados e viagens sejam prejudiciais em si mesmos. Contudo, os “ricos” sobre os quais Tiago escreveu não foram beneficiados por tais coisas; com as suas sofríveis espiritualidade e posição perante Deus, eles tinham motivos para ‘chorar, uivando por causa das misérias a sobrevir’.
16. Por que deu Jesus um conselho tão claro a respeito de riquezas, e o que deve você perguntar a si mesmo?
16 Jesus certamente sabia das aflições e dos obstáculos à espiritualidade que os ricos em muitos casos enfrentam. Também sabia que os objetos de valor podem degenerar-se literalmente, ou perder seu valor, o que jamais ocorrerá às riquezas cristãs. (Provérbios 11:28; Marcos 10:29, 30) Assim, Jesus prestava a todos nós um genuíno serviço ao avisar: “Quão difícil será para os que têm dinheiro abrirem caminho para entrar no reino de Deus!” (Lucas 18:24) O aviso dele nos pode beneficiar mesmo se os nossos recursos forem bem limitados. Como? Por reprimirmos qualquer ambição de nos tornar ricos agora. Os cristãos crêem que Jesus falou a verdade. Cremos e vivemos segundo o que Jesus disse a respeito de seu Pai, a respeito do fim deste sistema e a respeito de cultivar amor. Ele, que sempre fala a verdade, disse também: “É mais fácil um camelo passar pelo orifício duma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus.” (Mateus 19:24) Crê realmente nisso? Será que as suas ações, o seu estilo de vida e as suas atitudes confirmam isso?
Continue Rico — Ao Modo de Deus
17. De que modo estão muitos cristãos se colocando em condições de serem enriquecidos por Jeová?
17 Do mundo todo chegam evidências de que a grande maioria dos servos de Deus está acatando conselhos como o de Mateus 19:16-24. Bom número de jovens cristãos decidem que, uma vez terminem seu período normal de escolarização, dedicar-se-ão ao ministério de tempo integral. Esposas que poderiam fazer serviço secular para aumentar a renda familiar estão, em vez disso, devotando mais tempo às atividades cristãs, enriquecendo espiritualmente a si mesmas e a outros. Até mesmo alguns homens com a responsabilidade bíblica de prover para sua família estão achando meios de ampliar a sua participação no ministério.
18, 19. Que passos deram alguns que esperam ser abençoados por Jeová?
18 Certo ancião de uns 35 anos de idade admite que “ser ministro de tempo integral sempre foram meras palavras que fluíam da minha boca”. Ele ganhava mais de 25.000 dólares (346.000 cruzados) por ano, e tinha além disso ajuda de custo e um carro da empresa à disposição. Foi convidado a proferir o discurso “Como Fixar e Atingir Objetivos Corretos”, no congresso de 1983. Ele admite: “Ao ler ansiosamente a matéria, fiquei tão perturbado e envergonhado que a minha consciência me arrasava.” Antes de chegar o dia do congresso, ele e sua esposa consideraram a situação deles. Logo conseguiu um emprego de tempo parcial e juntou-se à esposa como pioneiro. Ainda são pioneiros, usufruindo alegremente muitas bênçãos espirituais.
19 Outros se mudaram de regiões de boas possibilidades econômicas para lugares em que puderam expandir suas atividades espirituais. Um casal canadense escreveu sobre seu serviço de pioneiro na América Latina: “Embora exista muita pobreza entre os irmãos, eles têm um zelo maravilhoso pela verdade. Talvez sejam pobres em sentido mundano, mas espiritualmente são milionários. Temos 38 publicadores, 10 dos quais são pioneiros regulares. É preciso realizar reuniões em duas sessões, visto que a assistência é muito grande — de 110 a 140 pessoas em média. Os dois anciãos e três servos ministeriais precisam cuidar de todas essas reuniões. Estamos reaprendendo de nossos humildes irmãos locais o que realmente significa pôr Jeová em primeiro lugar na vida. Eles nos mostram que é possível servir a Jeová de toda a alma, independente de quais sejam as nossas circunstâncias.”
20. Qual deve ser o nosso sentimento íntimo quanto a ser materialmente rico?
20 Tais cristãos não têm razão válida para invejar uma pessoa rica, quer de fora, quer de dentro da congregação, ou de se preocupar com ambições materialistas. Sabem que algum dinheiro é necessário para uma vida normal. (Eclesiastes 5:3; 7:12) Mas, reconhecem também que Jesus falou a verdade — os ricos enfrentam, espiritualmente falando, muitos obstáculos, desafios e perigos. Um desafio difícil é que os ‘ricos no atual sistema de coisas não sejam soberbos e não baseiem a sua esperança nas riquezas incertas, mas em Deus’. — 1 Timóteo 6:17.
21. Qual é a recompensa dos que buscam riquezas espirituais?
21 Infelizmente, aquele jovem governante que falou com Jesus deixou de encarar esse desafio. Outros, semelhantes a ele, serviram a Deus por algum tempo, mas, depois, sofreram aflições e fracasso espiritual relacionados com a sua riqueza. Em contraste, há os milhões de cristãos leais que continuam a provar que “a bênção de Jeová — esta é o que enriquece, e ele não lhe acrescenta dor alguma”. (Provérbios 10:22) A vida deles tem significado; eles têm alvos valiosos e um senso de realização. As suas boas obras terão efeitos duradouros, dando-lhes intensa alegria agora e no futuro. Esforcemo-nos todos para sermos ricos nesse sentido. — Filipenses 4:1; 1 Tessalonicenses 2:19, 20.
Reflexões a Considerar
◻ A que tipo de riquezas se refere Provérbios 10:22?
◻ Qual era o ponto em questão no comentário de Jesus sobre o rico e o camelo?
◻ Por que em muitos casos a vida é mais difícil para os ricos?
◻ Como nos podemos esforçar para ser ricos à maneira de Deus?
[Quadro na página 10]
A Riqueza e a Família
AO MEDITAR sobre os efeitos em potencial da riqueza, não deixe de levar em conta a sua família. Considere os seguintes pontos:
Do Canadá vem este relatório de psiquiatras que analisaram filhos de super-ricaços: “A vida os enfada. Não têm quaisquer objetivos a não ser agradar a si mesmos, e não são capazes de tolerar nem mesmo a mínima frustração.
Sentem poucas emoções de qualquer espécie. A sua principal atividade é comprar coisas, viajar e descobrir novas fontes de excitação.”
O The New York Times disse sobre certo ex-milionário: “Quando se tornou mais bem-sucedido nos negócios e adquiriu riquezas, ele disse que viu a sua família mudar. ‘A minha esposa e as minhas filhas avaliavam uma pessoa à base do dinheiro que tinha, e, se eu desse a uma filha uma casa no valor de 300.000 dólares, teria de dar à outra filha 300.000 dólares em dinheiro.’” Depois de sofrer um ataque cardíaco, “além de ver o que a riqueza causara à esposa e às filhas”, ele mudou seu modo de vida.
Sobre certo país rico em petróleo, do Oriente Médio, Arnold Hottinger disse: A riqueza como patologia também é algo familiar a muitos médicos estrangeiros que aqui vêm em busca de altos rendimentos. Em lugar nenhum, dizem eles, os males psicossomáticos são tão comuns como aqui — males que causam sofrimento genuíno, mas não causados por qualquer falha demonstrável no organismo físico. Existem, dizem eles, jovens que apresentam todos os sinais de serem mais velhos, e idosos que se comportam como adolescentes.’
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Os Evangelhos — fato ou ficção?A Sentinela — 1986 | 15 de junho
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Os Evangelhos — fato ou ficção?
OS CHAMADOS altos críticos há muito têm atacado de muitos lados os relatos evangélicos da vida de Jesus: Afirmam que tais relatos estão repletos de contradições e foram escritos muito depois dos acontecimentos para serem história válida. Rejeitam os elementos milagrosos como meras invenções.
O historiador Will Durant, em seu livro César e Cristo (em inglês), empenhou-se em examinar os relatos evangélicos dum ponto de vista puramente objetivo — como documentos históricos. Admitindo haver aparentes contradições e problemas nos relatos evangélicos, não obstante concluiu: “As contradições são de minúcia [pormenores triviais], não de essência; nos pontos essenciais os evangelhos sinópticos concordam notavelmente bem, e formam uma imagem coerente de Cristo.”
Mas, que dizer das afirmações dos altos críticos de que os Evangelhos não satisfazem o critério da história real? Durant prosseguiu: “No entusiasmo de suas descobertas, a Alta Crítica tem aplicado ao Novo Testamento testes de autenticidade tão severos que por meio deles uma centena de antigas pessoas ilustres — e.g., Hamurábi, Davi, Sócrates — virariam lendas. Apesar dos preconceitos e das predisposições teológicas dos evangelistas, eles registram muitos incidentes que meros inventores teriam ocultado — a competição dos apóstolos em busca de posições elevadas no Reino, sua fuga após a prisão de Jesus, a negação de Pedro . . . Ninguém que lê essas cenas pode duvidar da realidade do personagem por trás delas.”
O historiador Durant concluiu: “Terem alguns homens simples de uma só geração inventado personalidade tão vigorosa e atraente, ética tão sublime e visão tão inspiradora de fraternidade humana seria um milagre muito mais incrível do que qualquer milagre registrado nos Evangelhos. Após dois séculos de Alta Crítica, os perfis da vida, do caráter e do ensino de Cristo permanecem razoavelmente claros e constituem o aspecto mais fascinante da história do homem ocidental.”
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