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  • Parou de ‘armazenar tesouros na terra’?
    A Sentinela — 1976 | 15 de maio
    • Parou de ‘armazenar tesouros na terra’?

      “Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam.” — Mat. 6:19.

      1. (a) Qual é o objetivo dos comerciantes atuais? (b) Por que não há satisfação no cumprimento dos ‘desejos criados’?

      O MUNDO tem atualmente abundância de bens e propriedades materiais. Não há fim ou limite para a variedade das coisas materiais que o dinheiro pode comprar. Reconhecendo isso, o comércio atual tem por alvo obter os maiores lucros para si, em vez de satisfazer as necessidades básicas do povo. Por conseguinte, os comerciantes investem grandes somas de dinheiro em publicidade e mais publicidade. Com que fim? Com o fim de criar em você, leitor, um desejo, o desejo de obter os seus produtos, para que possam explorá-lo. Uma vez que passou a não só satisfazer suas necessidades reais, mas também a tentar satisfazer esses desejos criados, verifica que segue um caminho interminável, que consumirá a maior parte de seu tempo, energia, atenção e interesse, sem lhe dar, no fim, a satisfação que deseja. Quão verazes são as palavras do sábio Salomão, que escreveu: “O mero amante da prata não se fartará de prata, nem o amante da opulência, da renda. Também isso é vaidade”! — Ecl. 5:10.

      2, 3. (a) Que conselho excelente deu Jesus com respeito a tesouros terrenos? (b) Que proveito podem tirar deste conselho tanto o “restante” como as “outras ovelhas”?

      2 O Salomão maior, Jesus Cristo, no seu Sermão do Monte, mostrou que os que procuram as bênçãos do reino messiânico de Deus se ocupam com um tesouro muito mais importante. Conseqüentemente, quão oportuno é hoje seu conselho aos seus discípulos: “Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. Antes, armazenai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam”! — Mat. 6:19, 20.

      3 Que conselho excelente para o restante dos discípulos ungidos do Senhor Jesus Cristo, que têm a perspectiva duma “herança incorruptível” nos céus espirituais! (1 Ped. 1:4; Efé. 1:18) Porque, afinal, no término de sua carreira terrestre, terão de deixar atrás TODOS os seus bens materiais. Não poderão levá-los consigo para o céu. O mesmo se dá com os da “grande multidão” de “outras ovelhas”, que têm a perspectiva de sobreviver à “grande tribulação” que é iminente, para viverem eternamente numa terra paradísica. (Rev. 7:9-14; Mat. 24:21, 22; Sal. 37:29) Jeová Deus não prometeu a estes das “outras ovelhas” que preservará todos os seus bens materiais aqui na terra durante aquela “grande tribulação”, para os usarem depois.

      EXEMPLOS HISTÓRICOS

      4. Como mostra Pedro a capacidade que Jeová tem para livrar, e o que aprendemos do exemplo de Noé?

      4 Certamente, não temos motivos para duvidar da capacidade de Jeová, de nos preservar e livrar. Este poder foi demonstrado em muitas ocasiões e de muitos modos, na antiguidade. O apóstolo Pedro nos faz lembrar disso e nos assegura que “Jeová sabe livrar da provação os de devoção piedosa”. (2 Ped. 2:9) Neste respeito, ele nos fornece alguns exemplos notáveis, tais como quando Jeová “não se refreou de punir um mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, junto com mais sete, quando trouxe um dilúvio sobre um mundo de pessoas ímpias”. (2 Ped. 2:5) A Palavra de Deus preserva esta narrativa para nós de modo claro e exato, sendo que ela remonta quatro mil anos, ao tempo em que Jeová livrou este patriarca fiel, Noé, e sua família, durante o dilúvio global, numa arca que esse teve o privilégio de construir segundo as instruções de Deus. (Gên. 6:1-16) Todavia, precisamos observar que não se faz menção de que Deus tivesse preservado o lar, a moradia fixa, de Noé e sua família na terra. Sem dúvida, esses bens terrenos e materiais foram arrasados quando se romperam “todos os mananciais da vasta água de profundeza e abriram-se as comportas dos céus. E o aguaceiro sobre a terra continuou por quarenta dias e quarenta noites”. — Gên. 7:11, 12.

      5. Como é este ponto ainda mais salientado pela libertação de Ló?

      5 Pedro menciona a seguir o tempo do sobrinho de Abraão, Ló. Quando Deus trouxe um fim ardente sobre as cidades iníquas e imorais de Sodoma e Gomorra, “ele livrou o justo Ló a quem afligia grandemente que os que desafiavam a lei se entregavam à conduta desenfreada — porque esse justo, pelo que via e ouvia de dia a dia, enquanto morava entre eles, atormentava a sua alma justa em razão das ações deles contra a lei”. (2 Pedro 2:7, 8) Aqui também observamos que, quando Ló fugiu com sua esposa e suas duas filhas, não há registro de levarem consigo seus bens materiais. Não podiam fazer isso. A instrução angélica para eles era: “Escapa-te, por tua alma!” Mas a esposa de Ló sem dúvida, ainda “almejava” as coisas materiais deixadas atrás. Desobedeceu às instruções angélicas, olhando para trás, o que resultou em ela se tornar uma coluna de sal. — Gên. 19:17, 23-26.

      6. Que instruções foram dadas aos judeus cristianizados com respeito a Jerusalém?

      6 Igualmente, no primeiro século de nossa Era Comum, depois do sítio temporário da Cidade Santa de Jerusalém pelas legiões romanas, sob a chefia do general romano Céstio Galo, os judeus cristianizados tiveram de obedecer ao conselho do Senhor Jesus Cristo. Tiveram de abandonar suas propriedades e bens em Jerusalém e na Judéia, e ‘fugir’ para os montes fora da província da Judéia, deixando praticamente tudo para trás. Os que naquele tempo se achavam fora deste distrito, não deviam entrar nele com o fim de reivindicar algo que talvez tivessem ali em sentido material. — Luc. 21:20-24.

      7, 8. Em 657 A. E. C. que dois homens receberam a bênção especial de Jeová, e como?

      7 Remontando ainda mais na história, encontramos uma situação similar. A Palavra de Deus mostra que, no ano 607 A. E. C., houve dois homens mencionados especialmente por Jeová Deus, que teriam suas bênçãos especiais no tempo em que a Cidade Santa de Jerusalém fosse destruída pelos exércitos babilônicos. Um destes homens era um etíope chamado Ebede-Meleque. Foi ele quem intercedeu perante o Rei Zedequias, de Jerusalém, a favor do profeta Jeremias, a fim de que o rei socorresse Jeremias, que estava em perigo de morrer numa cisterna. (Jer. 38:6-13) Falando sobre a recompensa de Ebede-Meleque, pela sua consideração para com o servo de Jeová, Jeová disse-lhe: “‘Sem falta te porei a salvo e não cairás à espada; e certamente virás a ter a tua própria alma por despojo, porque confiaste em mim’, é a pronunciação de Jeová.” — Jer. 39:18.

      8 O outro homem mencionado por Jeová era Baruque, secretário fiel do profeta Jeremias. Ele teve o privilégio maravilhoso de escrever dois rolos, ditados por Jeremias, proclamando a mensagem profética da condenação de Jerusalém. Durante a escrita do primeiro rolo, que mais tarde foi queimado pedaço por pedaço por Jeoiaquim, Baruque queixou-se de fadiga. Jeová acautelou-o: “Mas, no que se refere a ti, estás procurando grandes coisas para ti. Não continues a procurar.” No entanto, por causa de sua fidelidade, prometeu-se-lhe preservação e segurança, não só durante aquele terrível sítio de Jerusalém, mas também mais tarde, quando fugitivos rebeldes obrigaram a ele e Jeremias a descer com eles ao Egito. (Jer. 36:4-32; 43:4-7) Mas, note em que consistiria esta preservação: “‘Pois eis que trago uma calamidade sobre toda a carne’, é a pronunciação de Jeová, ‘e vou dar-te a tua alma por despojo em todos os lugares aos quais fores’.” (Jer. 45:1-5) Assim, tanto a Baruque como a Ebede-Meleque não se prometeu nada mais do que a sua “alma”, sua mera vida, durante o tempo do sítio e da destruição da cidade de Jerusalém.

      PERGUNTAS A FAZER A NÓS MESMOS

      9. Em vista do tempo em que vivemos, que perguntas devemos considerar seriamente?

      9 Ao considerarmos estes bens exemplos e apreciarmos hoje que ‘se tem aproximado o fim de todas as coisas’ (1 Ped. 4:7), que vivemos num período de tempo muito mais sério, na iminência duma destruição muito maior, somos induzidos a perguntar a nós mesmos seriamente: É sensato gastarmos muito tempo e energia numa educação especializada para uma profissão superior neste sistema mundano de coisas, a fim de aumentarmos nossa renda? É razoável querermos aumentar nossos bens terrenos além de nossas necessidades reais, para melhorarmos as condições de nossa vida futura aqui na terra e vivermos com mais conforto e luxo, no curto período restante antes da “grande tribulação”? Deixamos de compreender que há algo muito mais importante e valioso com que devíamos preocupar-nos agora? Falta-nos fé em que nosso Grande Preservador, se o colocarmos em primeiro lugar na nossa vida, cuide de nós nos dias vindouros? Estas são perguntas que cada um de nós tem de considerar individualmente. Nossa vida depende disso!

      10. Por que devemos preocupar-nos com as palavras de Jesus em Lucas 17:26-30?

      10 Uma vez que vivemos numa geração em que tantas coisas podem consumir nosso tempo, nosso interesse e nossa atenção, quanto precisamos ter bem em mente as palavras proféticas de Jesus! Ele disse: “Ademais, assim como ocorreu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem: comiam, bebiam, os homens casavam-se, as mulheres eram dadas em casamento, até aquele dia em que Noé entrou na arca, e chegou o dilúvio e destruiu a todos. Igualmente, assim como ocorreu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam, construíam. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, e destruiu a todos. Do mesmo modo será naquele dia em que o Filho do homem há de ser revelado.” (Luc. 17:26-30) Em vista deste conhecimento antecipado, em que situação se encontra? Está mergulhado nos assuntos da vida cotidiana? É ali que está seu tesouro, que está seu coração, (2 Ped. 3:17; Mat. 6:21) Quão apropriado é, portanto, que Jesus Cristo aconselha a todos os seus discípulos, inclusive a nós os que vivemos hoje no fim deste sistema de coisas, que armazenem para si tesouros no céu! Quanta bênção será para nós se fizermos isso!

      11, 12. (a) O que significa ‘armazenar tesouros no céu’? (b) Como é isso possível?

      11 Mas, talvez pergunte: O que significa isso, armazenar tesouros no céu? Como é que se faz isso? Significa o seguinte: Que nos esforcemos a obter e manter uma boa posição perante nosso Criador, Jeová Deus. Significa seguir na vida o proceder de ser “rico para com Deus”. (Luc. 12:21) Os antecedentes de “obras excelentes” da pessoa são iguais a riquezas depositadas junto ao Criador no céu, assegurando à pessoa os benefícios eternos que nem mesmo a morte pode tirar. (Heb. 10:24; Tia. 3:13; João 11:25) Mantemos esta posição por continuarmos firmes na fé e na lealdade ao nosso Deus, Jeová, e em fazer a vontade divina. — Rom. 11:20; 2 Cor. 1:24.

      12 Jesus enfatizou continuamente estes tesouros celestiais e estabeleceu para nós uma norma. (1 Ped. 2:21; Heb. 10:5-10) Depois de aconselhar seus discípulos a respeito dos tesouros terrenos, exortou-os: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas.” (Mat. 6:33) Portanto, para armazenarmos esses tesouros celestiais, é da máxima importância que vivamos e atuemos agora com o objetivo de estabelecer um registro de aprovação junto ao nosso Pai no céu, Jeová Deus. — Sal. 5:12; Pro. 12:2; João 6:27.

      13, 14. Quem foi Zaqueu, e que mudança dramática ocorreu na sua vida?

      13 No primeiro século de nossa Era Comum, tivemos o exemplo de um homem que fez isso, que abandonou seus tesouros aqui na terra, a fim de devotar-se aos interesses do reino messiânico. Quem foi? Foi um homem muito rico, chamado Zaqueu, um dos principais cobradores de impostos, que vivia na cidade de Jericó. Até hoje, o distrito em volta de Jericó um pouco ao oeste do rio Jordão, é muito fértil e produtivo. Sem dúvida, na antiguidade, produzia bastante impostos. Do mesmo modo como faziam muitos cobradores de impostos dos seus dias, Zaqueu empregava métodos questionáveis, relacionados com sua posição, para conseguir parte de sua notável riqueza. — Luc. 19:2, 8.

      14 Jesus veio a Jericó na primavera setentrional de 33 E. C., pouco antes de ir a Jerusalém e morrer ali. Zaqueu, querendo ver Jesus, mas sendo de estatura baixa e não podendo ver por cima da multidão, correu à frente e conseguiu um ponto de observação vantajoso por subir numa árvore. Isto evidentemente atraiu a atenção de Jesus, que o mandou descer e informou de que se hospedaria com ele enquanto em Jericó. Isto perturbou o povo da cidade, que se queixou: “Entrou para pousar com um homem que é pecador.” (Luc. 19:3-7) No entanto, a associação com Jesus teve um efeito dramático sobre Zaqueu. Escutando Jesus, evidentemente passou a apreciar o tesouro verdadeiro, pois exclamou: “Eis que a metade dos meus bens, Senhor, dou aos pobres, e o que for que eu extorqui de qualquer um por meio de acusação falsa, eu restituo quatro vezes mais.” Sim, expressou seu desejo de se desfazer de sua riqueza e se tornar seguidor fiel do Senhor Jesus Cristo. Que alegria maravilhosa deve ter sentido Zaqueu, quando Jesus lhe disse: “Neste dia entrou a salvação nesta casa, porque ele também é filho de Abraão”! — Luc. 19:8, 9.

      EXEMPLOS HODIERNOS

      15. Que exemplo moderno temos de alguém que colocou os tesouros celestiais em primeiro lugar na sua vida?

      15 Assim, notamos hoje com alegria exemplos modernos de pessoas que acharam próprio fixar sua atenção nas coisas do Reino e dar as costas ao acúmulo adicional de riqueza aqui na terra. Um de tais exemplos é o daquele irmão, cuja história da vida foi contada na Sentinela de 15 de novembro de 1968, que havia sido comerciante muito bem sucedido. Suas aptidões naturais habilitaram-no a ser muito bem sucedido no campo da compra, venda e administração de imóveis. Em certa ocasião, alguns colegas de negócios, que conheciam muito bem sua sagacidade comercial, chegaram-se a ele com uma oferta comercial aparentemente muito tentadora. De que se tratava? Duma proposta pela qual podia obter para si um milhão de dólares em apenas um ano! O que fez ele? Deu-lhes as costas! Por quê? Porque teria de devotar todo o seu tempo, durante este período, a intensivos assuntos comerciais. Conforme ele disse: “Não é possível abandonar meus privilégios maravilhosos de servir a Jeová aqui, nem um ano sequer, não, nem por TODO o dinheiro do mundo. Servir meus irmãos aqui em Washington, D. C., é mais precioso para mim, e sei que aqui tenho a bênção de Jeová. Sem dúvida, conseguiria ganhar um milhão de dólares, mas, no fim daquele ano, com tal tipo de vida, como me sentiria espiritualmente, ou até mesmo fisicamente?” Faria você uma decisão similar, caso se lhe apresentasse tal oferta tentadora?

      16. Que outro exemplo podemos apreciar hoje? Por quê?

      16 Considere também outro exemplo de um tempo anterior, o de um homem que estava chegando aos seus vinte anos, lá na década dos 1870, no Condado de Allegheny, na Pensilvânia, E. U. A. Ele era sócio de seu pai, administrando uma cadeia de lojas de artigos para homens e estava em caminho para se tornar milionário. Isto foi antes de John D. Rockefeller começar no negócio do petróleo e tornar-se multimilionário. Mas o que fez este jovem de Allegheny? Ele compreendeu a prioridade de estudar a Bíblia, de descobrir o que ela ensinava e qual era sua mensagem para hoje. Em 1879, viu a necessidade de publicar em inglês uma nova revista religiosa, A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo (agora A Sentinela, em português). Mais tarde, tornou-se o primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos E. U. A.). Seu nome era Charles T. Russell, e ele investiu toda a sua fortuna na pregação das boas novas do Reino. Sim, que exemplos excelentes temos, do passado e do presente, daqueles que colocaram os interesses do Reino em primeiro lugar na sua vida! Faz decisões sábias assim, a fim de armazenar para si tesouros no céu?

      17, 18. (a) Como é possível sofrermos privação espiritual antes de nos apercebermos disso? (b) Que proceder de Jesus pode ajudar-nos a apreciar o verdadeiro valor das riquezas deste mundo?

      17 Se alguém lhe fizesse uma oferta de Cr$ 100.000,00, renunciaria à sua fé em Jeová e ao seu privilégio de servi-lo? Aceitaria o dinheiro? Que dizer de um milhão ou de dez milhões de cruzeiros? “Ora, isto nem é imaginável”, talvez responda. “Nenhuma quantia de dinheiro no mundo me induziria a fazer isso!” Esta é a única decisão correta a tomar, não é? Contudo, quantos aceitaram responsabilidades maiores, talvez um emprego adicional ou apenas trabalhar “algumas” noitinhas por semana, ou nos fins-de-semana, a fim de “ganhar um pouco mais” ou obter algo que desejam muito! Isto, naturalmente, impede-lhes assistir regularmente às reuniões programadas da congregação e tirar proveito da boa associação ali. É também um empecilho para sua atividade de pregação e afeta a influência do espírito de Deus na sua vida. Antes de se darem conta disso, já sofreram privação espiritual, perdendo seu amor e apreço por Jeová e sua organização. Ficaram materialmente mais ricos, é verdade, porém muito mais pobres em sentido espiritual. Que preço a pagar por “um pouco a mais” ou alguns bens adicionais, e ainda por cima tiveram de trabalhar arduamente para obter isso!

      18 Quando o Diabo levou Jesus a um alto monte e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse que tudo seria dele se tão-somente “te prostrares e me fizeres um ato de adoração”, Jesus disse: “Vai-te, Satanás! Pois está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.’” (Mat. 4:8-10) Apreciemos igualmente o valor do tesouro celestial, tomando decisões que dêem crédito a Deus e tenham sua aprovação.

      O VALOR DO TESOURO CELESTIAL

      19. Em que sentido é sábio acatar o conselho de Jesus a respeito dos bens materiais?

      19 Apreciemos sempre a sabedoria das palavras de Jesus a respeito dos bens materiais. Ele disse que estes se corroem, que estão em contínuo perigo de se perderem, de serem furtados ou destruídos. Quanto mais alguém possui, tanto mais tem de preocupar-se. Quantas vezes isto constitui um fardo desnecessário! Dar-se atenção demais a esses bens materiais pode também fazer com que se perca a “verdadeira vida”. (1 Tim. 6:19) Disso temos um exemplo do primeiro século.

      20-22. (a) Que conselho deu Jesus a um governante rico e jovem e o que mostrou o jovem quanto ao que vinha em primeiro lugar na sua vida? (b) Se ele viveu até 70 E. C., o que aconteceu provavelmente a este jovem governante?

      20 Por volta do ano 33 E. C., Jesus estava percorrendo a Província da Peréia, na margem oriental do rio Jordão. Um homem, governante rico e jovem, veio correndo a Jesus e perguntou: “Instrutor, que preciso fazer de bom, a fim de obter a vida eterna?” (Mat. 19:16) Jesus disse-lhe o que devia fazer, e aconselhou-lhe a não se deixar impedir pelos seus bens materiais na terra de obter o tesouro eterno no céu. Jesus disse: “Vai vender teus bens, e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu, e vem, sê meu seguidor.” (Mat. 19:21) Visto que estava sob a Lei, tinha por obrigação ajudar israelitas necessitados. (Lev. 25:35; Deu. 15:7-11; Isa. 58:6, 7; Eze. 18:5, 7-9) Mas, apreciava ele este conselho de Jesus? Não! (Mat. 19:22) O que aconteceu então com este jovem? Continuou ele a ser bem sucedido em obter maior riqueza? Se viveu mais trinta e sete anos, até 70 E. C., ficou sujeito a algumas mudanças drásticas.

      21 Conforme mencionado, vivia na província para a qual a maioria dos judeus cristianizados fugiu em 66 E. C., a fim de salvar a vida da destruição de Jerusalém, que era iminente. Os soldados romanos não se viram obrigados a invadir a Província da Peréia, para sufocar ali uma rebelião de judeus. Mas que dizer deste jovem governante rico, que vivia naquela província com todos os seus bens terrenos? Ele observava bem conscienciosamente a lei de Moisés. (Mat. 19:20) Se sobreviveu até 70 E. C., este cumpridor consciencioso da Lei provavelmente cruzou o rio Jordão para a margem ocidental, entrando na Província da Judéia e subindo à cidade de Jerusalém, para celebrar a Páscoa anual para Deus. — Deu. 16:1, 2.

      22 Estando assim na cidade, deve ter ficado encurralado pelas legiões romanas, que cercaram o Lugar Santo. De modo que deve ter perecido na destruição de Jerusalém ou sobrevivido para ser levado cativo pelos soldados romanos e levado à escravidão, em alguma parte do Império Romano. De qualquer modo, teria de deixar tudo atrás de si, nesta terra, mas não por causa de Jesus Cristo, nem como um de seus discípulos. Quanta estupidez da parte daquele jovem! No caso de cada um de nós, quanto estamos necessitados de ter crédito, uma posição boa, perante Deus, lá nos céus! E nosso crédito ou nossa posição perante ele é algo muito valioso e perdurará para sempre.

      23. Como se pode ver a sabedoria de Provérbios 23:4, 5?

      23 Os governos desta terra não podem garantir que nossos bens materiais não percam seu valor com o tempo, quer por uma depressão econômica, inflação, desvalorização da moeda, quer por um colapso desastroso na bolsa de valores. A Palavra de Deus nos assegura, em Provérbios 23:4, 5: “Não labutes para enriquecer. Deixa da tua própria compreensão. Fizeste teus olhos relanceá-la, sendo que ela não é nada? Pois, sem falta fará para si asas como as da águia e sairá voando em direção aos céus.”

      24. O que ilustra a tolice de se confiar em tesouros terrestres?

      24 “Quão veraz é isso, quando consideramos as condições econômicas apenas dentro desta geração! “Na Alemanha, no fim de 1923, eram precisos 1.200.400.000.000 de marcos de papel para comprar apenas o que 35 marcos podiam comprar só dois anos antes, e na Hungria, eram necessários 1,4 nonilhões de pengoes para comprar em 1946 o que se podia obter por um único pengo em 1938. (Um nonilhão é igual a 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.)” (Veja Money and Economic Activity, de Houghton Mifflin.) No Uruguai, na América do Sul, durante um ano recente, o custo de vida aumentou em cerca de 500 por cento. Em outro país próximo, o Chile, o algarismo foi de 375 por cento. Certamente, se armazenarmos tesouros no céu, não sofrerão tal desvalorização, tornando-se baratos e finalmente perdendo todo o valor. — Luc. 12:33.

      25, 26. (a) Em vista do tempo, que proceder devemos seguir? (b) Que futuro há para os que armazenam para si “tesouros no céu”?

      25 Assim, pois, cabe a nós, hoje, seguir o conselho do Senhor Jesus Cristo, e em vez de mergulharmos no jogo de obter mais riquezas para nós mesmos, mergulhemos na obra mais urgente de todos os tempos: a pregação das boas novas do reino de Deus e fazer discípulos de pessoas de todas as nações. (Mat. 28:19, 20; Atos 1:8? Lembremo-nos de que nenhuma quantidade de riquezas materiais nos levará através da vindoura “grande tribulação”. Assim como está escrito em Provérbios 11:4: “Coisas valiosas de nada aproveitarão no dia da fúria, mas a justiça é que livrará da morte.”

      26 Tomemos por decisão olhar para o céu e colocar o reino de Deus e seus interesses em primeiro lugar na nossa vida. Se fizermos isso, asseguraremos para nós inúmeras bênçãos, bênçãos indescritíveis, tanto materiais como espirituais, desde já, e também, após o Armagedom, a vida eterna no novo sistema de coisas de Deus. Isto é algo que não pode ser comprado nem com todo o dinheiro no mundo. É o que deseja? Então saiba que a vida eterna, a paz e a felicidade na nova ordem justa de Deus, sob o reino de Cristo, são a recompensa de todos os que hoje param de armazenar para si tesouros na terra. — Isa. 9:7; 1 Tim. 6:17-19.

  • “Não tendo nada, e ainda assim possuindo todas as coisas”
    A Sentinela — 1976 | 15 de maio
    • “Não tendo nada, e ainda assim possuindo todas as coisas”

      “Como pobres, mas enriquecendo a muitos, como não tendo nada, e ainda assim possuindo todas as coisas.” — 2 Cor. 6:10.

      1. Em que sentido satisfaz o dinheiro uma necessidade?

      O DINHEIRO certamente é essencial para a vida diária. Sem ele, como poderia viver neste atual sistema de coisas? Como poderia obter as necessidades da vida? Em muitas partes da terra, pode comprar serviços hospitalares, transporte, eletricidade, aquecimento e água encanada, coisas úteis para o homem. Mas, se não tiver dinheiro, como poderia alimentar e vestir a si mesmo e a sua família? Como poderia obter um lugar para morar e mantê-lo? Conforme Eclesiastes 10:19 expressa isso tão sabiamente: “O pão é para o riso dos trabalhadores, e o próprio vinho alegra a vida; mas o dinheiro é o que encontra resposta em todas as coisas.”

      2. Contra que deve prevenir-se continuamente o cristão? Por quê?

      2 Assim, enquanto permanecer este atual sistema de coisas, o dinheiro pode ser usado muito bem pelos cristãos para satisfazer suas necessidades diárias, especialmente com respeito a realizar seu serviço do Reino. Todavia, por causa de sua utilidade e da multidão de coisas que pode conseguir, o cristão precisa usar continuamente de autodomínio, sempre mantendo o dinheiro (as riquezas, os bens materiais) no seu devido lugar, isto é, como instrumento e servo. Nunca se deve permitir que se torne alvo do amor, “desejo do coração” da pessoa. Quão necessário, portanto, é que o cristão, em vista do tempo em que agora vivemos, obtenha agora e mantenha o conceito correto para com as riquezas!

      3. (a) Como nos ajuda Paulo a encarar as riquezas materiais? (b) Em que fixou ele seu coração?

      3 O apóstolo Paulo, por ser da tribo de Benjamim, hebreu, e, quanto ao judaísmo, fariseu (os quais tinham a reputação de serem ‘amantes do dinheiro’), podia falar dum fundo de experiência para nos ajudar a obter o devido equilíbrio espiritual. (Fil. 3:5; Luc. 16:14) Por causa de sua capacidade e educação, tendo sido instruído pelo erudito fariseu Gamaliel, sem dúvida poderia ter sido muito bem sucedido em acumular riquezas materiais. (Atos 5:34; 22:3) Todavia, Paulo demonstrou onde estavam as verdadeiras riquezas. Depois de gastar mais; de vinte e cinco anos na obra de pregação por tempo integral e ser lançado na prisão por causa dela, escreveu a respeito de sua convicção e de sua decisão em renunciar a uma vida de possivelmente grande lucro material, dizendo: “Considero também, deveras, todas as coisas como perda, por causa do valor superior do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele tenho aceitado a perda de todas as coisas e as considero como uma porção de refugo, para que eu possa ganhar a Cristo e ser achado em união com ele . . . para ver se de algum modo consigo alcançar a ressurreição mais breve dentre os mortos.” Paulo mostrou em que se fixava seu coração e o que realmente era de valor na sua vida. (Fil. 3:8-14; Heb. 6:10-12) Visto que tinha uma atitude sadia para com as riquezas materiais, podia manter um conceito sadio. Durante sua vida, observou os efeitos prejudiciais que o amor às riquezas tinha sobre muitos. — 2 Tim. 4:10.

      O LAÇO DO DESEJO EGOÍSTA

      4. A que perigo foi alertado Timóteo?

      4 Preocupando-se genuinamente com o jovem Timóteo, Paulo escreveu-lhe quando Timóteo estava em Éfeso, na Ásia Menor, que naquele tempo era uma cidade comercial bem abastada. Alertando-o ao perigo de cultivar um desejo ardente de riqueza material e aos resultados desastrosos, acautelou: “Os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, que lançam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor, foram desviados da fé e se traspassaram todo com muitas dores.” (1 Tim. 6:9, 10) Aprecia este conselho? Acata-o? Observou sua veracidade na vida de muitos hoje em dia,

      5. (a) Como pode o desejo de riqueza material tornar-se um “laço”? (b) Por que não se pode servir a dois amos?

      5 Quando seu interesse no dinheiro, para prover as necessidades da vida, muda para ser um desejo ardente de ser rico ou de adquirir coisas além de suas necessidades, o dinheiro deixa de ser seu instrumento, seu servo. Em vez disso, torna-se seu amo! Torna-se então um “laço”. Jesus disse: “Ninguém pode trabalhar como escravo para dois amos; pois, ou há de odiar um e amar o outro, ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis trabalhar como escravos para Deus e para as riquezas.” (Mat. 6:24) A Bíblia não condena as riquezas; condena tornar-se escravo delas. Por quê? Porque, quando seu desejo cobiçoso de lucro material se torna tão grande que ele fica escravo dele, não mais tem a Jeová Deus por seu Amo. Não poderá então ‘amar a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. (Mat. 22:37) Alguns dizem que “o dinheiro fala”. Mas, quando você, leitor, se torna escravo dele, ele até mesmo pensa em seu lugar!

      6. (a) Que efeito prejudicial pode o amor ao dinheiro ter sobre o cristão? (b) Como é o dinheiro encarado por alguns?

      6 Esta ânsia de dinheiro (riquezas) pode ser tão consumidora da alma, que pode corroer as qualidades cristãs. Pode degradar a pessoa a se tornar animalesca. Pode fazer com que se perca de vista a justiça, a verdade, a honestidade, ser generoso e mostrar misericórdia. (Deu. 16:19, 20; Êxo. 23:8) Ter o forte desejo de abundância material leva facilmente a se entregar às práticas comerciais desonestas do mundo. “O homem de atos fiéis receberá muitas bênçãos, mas aquele que se precipita para enriquecer não ficará inocente.” (Pro. 28:20) Mas, talvez diga: “Isto não se dá comigo; posso controlar isso. Como é que jamais poderia criar afeto a ele! Afinal, dinheiro é apenas papel!” Isso é verdade, mas quanto tempo e esforço gasta em adquiri-lo? Passou a ser seu amo? David T. Bazelon, no seu livro A Economia de Papel (em inglês), faz uma confissão honesta: “O dinheiro é um sonho. É um pedaço de papel em que está impresso em tinta invisível o sonho de todas as coisas que comprará . . . A maioria de nós, que não somos perdedores diretos na Grande Luta Norte-americana, amamos o dinheiro muito mais do que quaisquer das coisas que se comprarão com ele. Não é um meio para alcançar um fim para nós, é uma paixão.” Vivemos num tempo profeticamente indicado por Paulo, em 2 Timóteo 3:1, 2, e sobre o qual ele disse: “Nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão . . . amantes do dinheiro.” Assim, quão importante é que o cristão mantenha o devido equilíbrio, prevenindo-se contra este apetite insaciável de riqueza material!

      7. Em que resultou muitas vezes a labuta para obter riquezas?

      7 Esta labuta pelas riquezas e o amor a elas têm causado uma série infinita de mágoas, miséria, sofrimentos, infelicidade, frustração e derramamento de sangue. São lastimáveis os exemplos daqueles que perderam o equilíbrio, que cultivaram coração cobiçoso. Reconheçamos, assim como Paulo, que “as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução” e que são “aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas”. — Rom. 15:4; 1 Cor. 10:11.

      “O PODER ENGANOSO DAS RIQUEZAS”

      8. (a) Que atitude de coração manifestou Acã? (b) Que lição aprendemos disso?

      8 Lembremo-nos do tempo em que Jeová Deus guiava os israelitas através do ermo e eles estavam quase prontos para tomar posse da Terra da Promessa. Como primícias da conquista, a cidade de Jericó tinha “de tornar-se algo devotado à destruição . . . pertence a Jeová”, foi o que se lhes informou. As instruções de Deus proibiam o saque dela, como se costumava fazer ao capturar uma cidade, mas ela devia ser incendiada. A prata e o ouro deviam ser entregues ao “tesouro de Jeová”. (Jos. 6:17-19) No entanto, Acã, da tribo de Judá, permitiu que seu coração se tornasse cobiçoso. Mais tarde, ele confessou: “Quando cheguei a ver no meio do despojo um manto oficial de Sinear, de bom aspecto, e duzentos siclos de prata e um lingote de ouro, cujo peso era de cinqüenta siclos, então os desejei e os tomei.” (Jos. 7:21) O amor às riquezas induziu Acã à deslealdade, à desonestidade e a furtar de Jeová. Quando Israel tentou capturar a próxima cidade, Ai, Jeová retirou seu espírito de Israel, até que Acã, o transgressor, foi exposto. Quando foi descoberto, Acã, sua família e todo o seu gado foram apedrejados até morrerem e foram queimados. Que preço a pagar por um tesouro corrutível! — Jos. 7:1-26.

      9. (a) Como mostrou Geazi seu “amor ao dinheiro”? (b) De modo similar, o que fez com que Ananias e Safira perdessem a vida?

      9 Tome também o ajudante de Eliseu, Geazi. Depois de Eliseu curar o general sírio Naamã de sua lepra, Naamã quis expressar apreço e dar um presente a Eliseu, mas este o recusou. Geazi, porém, amava as riquezas. Tentou transformar este acontecimento milagroso num de lucro pessoal. Isto o levou a inventar uma mentira tanto para Naamã como para Eliseu. Com que resultado, Eliseu disse: “De modo que a lepra de Naamã se apegará a ti e à tua descendência por tempo indefinido.” (2 Reis 5:20-27) Houve também Ananias e sua esposa Safira, que ‘trapacearam a Deus’ e secretamente retiveram parte do preço de seu campo, perdendo a vida em resultado disso. — Atos 5:1-10.

      10. A que extremos pode nos levar o coração cobiçoso?

      10 Depois, temos o exemplo de alguém que teve o privilégio maravilhoso de ser um dos apóstolos de Jesus, Judas Iscariotes. Sem dúvida, no começo foi fiel e fidedigno, passando a cuidar das finanças comuns de Jesus e dos doze; mais tarde, porém, tornou-se ladrão ganancioso e praticante. (João 12:6) Por apenas trinta moedas de prata, seu coração cobiçoso o induziu a trair seu Amo. E em que acabou isso? Depois de ver que Jesus fora condenado, saiu e “enforcou-se”. (Mat. 27:3-5) Este é o perigo para aqueles que se tornam escravos das riquezas!

      11. Em que sentido são enganosas as riquezas materiais? Explique isso.

      11 A Bíblia fala a respeito do “poder enganoso das riquezas”. (Mat. 13:22) O motivo de serem enganosas é que aquele que as procura ou se empenha por elas costuma deixar de reconhecer suas limitações. Fica enganado porque, nas riquezas que tão diligentemente busca, nunca realmente encontra a satisfação que anseia tanto. Ele acha sempre que aquilo que não se consegue com pouca riqueza consegue-se com riqueza maior. Por isso, há constante fome de se obter cada vez mais, nunca ficando satisfeito. O interessante é que esta fome aumenta quanto mais se procura saciá-la. Conforme admitiu verazmente certa vez o estadista estadunidense Benjamin Franklin: “O dinheiro ainda nunca tornou o homem feliz, e nunca o tornará. Não há nada na sua natureza para produzir a felicidade. Quanto mais o homem tem, tanto mais ele quer. Ao invés de encher um vácuo, cria um. Se satisfaz certo desejo, duplica e triplica tal desejo de outra forma. O seguinte é um verdadeiro provérbio de um homem sábio, pode confiar nisso. ‘Melhor é o pouco com o temor do SENHOR, do que grande tesouro e junto com ele dificuldades.’” — Pro. 15:16, Authorized Version.

      12. Como nos ajudará a compreensão das limitações das riquezas materiais a manter o conceito correto para com elas?

      12 Reconhecermos as limitações das riquezas materiais nos ajudará a manter o equilíbrio. A riqueza material falha quando as necessidades humanas são maiores. Conforme disse Jesus, a vida da pessoa não depende dos bens materiais que possui. (Luc. 12:15-21) Quando se perde um ente querido na morte, pode o dinheiro aliviar a dor da tristeza? Pode alguma quantidade de dinheiro comprá-lo de volta do Seol, da sepultura? Quando se perde a juventude e começa a velhice, podem títulos e valores livrar a pessoa das rugas e torná-la novamente jovem e forte? Quando a saúde falha, que felicidade se pode obter por ter todo um banco cheio de dinheiro? Se nasceu cego, pode todo o dinheiro do mundo fazê-lo ver as expressões de amor no rosto de seus pais, o belo pôr do sol ou animaizinhos brincando? Se nasceu surdo, pode um monte de ouro substituir a faculdade de ouvir uma bela sinfonia, o som do oceano ou até mesmo a sua própria voz? Quão limitados são os poderes dos tesouros materiais!

      13. Que conceito nos fornece Provérbios 30:8, 9?

      13 Obter a aprovação e a bênção de Jeová não depende do que tenhamos ou não tenhamos, mas de como usamos e encaramos aquilo que temos. “Não me dês nem pobreza nem riquezas. Devore eu o alimento que me é prescrito, para que eu não me farte e realmente te renegue, e diga: ‘Quem é Jeová?’ E para que eu não fique pobre e realmente furte, e ataque o nome de meu Deus.” (Pro. 30:8, 9) Quer tenhamos pouco dos bens deste mundo, quer abundância, uma ou outra destas coisas pode ser perigosa, se não mantivermos equilíbrio e o conceito correto.

      14. (a) Que ponto de vista adotam alguns que são pobres quanto aos bens deste mundo? (b) É correto tal raciocínio?

      14 Alguém a quem faltam bens materiais pode mostrar ter um amor muito forte às riquezas. Não tendo nada, talvez se sinta justificado em furtar ou em ser desonesto, de outras maneiras, para obter o que anseia. Invejando o que outros têm, poderá sentir-se plenamente justificado de gastar todo o seu tempo e esforço em adquirir as coisas que deseja. Ou talvez, assim como muitos fazem hoje, ache que o mundo lhe deve seu sustento. Todavia, esta é uma questão de ponto de vista. Aquele mesmo que acha que é pobre, talvez aos olhos de outro que vive num país diferente, pode parecer rico em comparação. Precisamos apreciar o que temos e usá-lo corretamente: “Não se jacte o sábio da sua sabedoria, nem se jacte o poderoso da sua potência. Não se jacte o rico das suas riquezas.” (Jer. 9:23) Aqui se expressa a atitude correta, não importa se alguém é sábio, poderoso ou rico. Não é que a pessoa tenha de ser uma dessas coisas, mas ela precisa ser equilibrada. Jacte-se de conhecer a Jeová. — 1 Cor. 1:31.

      15. (a) Como mostra Paulo que não é errado ter abundância? (b) Que perigos, porém, confrontam os que a têm?

      15 A Palavra de Deus não condena a pessoa por ter abundância dos bens deste mundo. Reconhecendo que alguns eram ricos, nos seus dias, Paulo não mandou que Timóteo aconselhasse esses irmãos ricos a se despojarem de sua riqueza, para se tornarem pobres e levarem uma vida de pobreza. Não! Antes, exortou-os a manterem a atitude correta para com as riquezas. “Dá ordens aos que são ricos no atual sistema de coisas, que não sejam soberbos e que não baseiem a sua esperança nas riquezas incertas, mas em Deus, que nos fornece ricamente todas as coisas para o nosso usufruto; para praticarem o bem, para serem ricos em obras excelentes, para serem liberais, prontos para partilhar, entesourando para si seguramente um alicerce excelente para o futuro, a fim de que se apeguem firmemente à verdadeira vida.” (1 Tim. 6:17-19) Paulo advertiu contra o perigo de se possuir demais. Pode-se ter a tendência de depositar a esperança nas riquezas. Estas podem desviar das coisas espirituais. Pode-se ficar escravo de cuidar delas, de protegê-las. Quer alguém seja rico, quer pobre, há um limite para quanto pode comer e vestir. Não importa o que tenhamos, devemos estar contentes, usando-o para a promoção dos interesses do Reino e apegando-nos “firmemente à verdadeira vida”.

      A BUSCA DAS VERDADEIRAS RIQUEZAS

      16. Que conceito sobre o futuro devemos adotar com respeito aos bens materiais?

      16 Até que ponto, então, devemos preocupar-nos com coisas materiais? Paulo aconselhou: “Não trouxemos nada ao mundo, nem podemos levar nada embora. Assim, tendo sustento e com que nos cobrir, estaremos contentes com estas coisas.” (1 Tim. 6:7, 8) Instruindo seus discípulos a orar, Jesus disse: “Dá-nos o nosso pão para o dia, segundo as exigências do dia.” (Luc. 11:3) Não se faz nenhuma menção de armazenagem. Esteja simplesmente preocupado com as suas necessidades diárias, não criando caso sobre o que deve ter no futuro. Por que armazenar riquezas para um tempo que talvez nunca venha? Por que armazenar tesouros num mundo que está desaparecendo? — 1 João 2:15-17.

      17, 18. (a) Como nos protegemos contra a ansiedade? (b) Que ponto é salientado pelas ilustrações de Jesus?

      17 Pode ter a certeza de que Jeová cuidará de que tenha as necessidades materiais, se colocar os interesses do reino dele em primeiro lugar na sua vida. Jesus apresentou o conceito correto: “Por esta razão eu vos digo: Parai de estar ansiosos pelas vossas almas, quanto a que haveis de comer ou quanto a que haveis de beber, ou pelos vossos corpos, quanto a que haveis de vestir. Não significa a alma mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário?” (Mat. 6:25) Jesus enfatizou as coisas importantes, as espirituais, a “alma”, a vida da pessoa, não as coisas materiais que podem causar tal ansiedade! Ele nos manda ‘observar atentamente as aves’, como Jeová ‘as alimenta’, e aprender ‘uma lição dos lírios do campo, . . . que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestia como um destes’. Tocando no próprio motivo básico da ansiedade, ele disse: “Portanto, nunca estejais ansiosos, dizendo: ‘Que havemos de comer?’ ou: ‘Que havemos de beber?’ ou: ‘Que havemos de vestir?’ Porque todas estas são as coisas pelas quais se empenham avidamente as nações. Pois o vosso pai celestial sabe que necessitais de todas essas coisas. Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas essas outras coisas vos serão acrescentadas.” (Mat. 6:26-33) Possui tal fé?

      18 Isto não significa que devemos recostar-nos e não fazer nada, esperando até que Deus nos dê comida e roupa. A ilustração de Jesus mostra que as aves buscam aquilo de que precisam. Jeová dá-lhes a capacidade e a força para isso. Fará o mesmo para nós. (Fil. 4:13) O que se enfatiza é que não nos devemos preocupar demais com assuntos materiais, mas devemos fazer de nosso serviço a Deus o nosso tesouro. Fazermos isso resultará em inúmeras bênçãos. Isto significa ir além das limitações das riquezas materiais e receber a recompensa de coisas que o dinheiro não pode comprar, de riquezas sem igual! — Rom. 11:33.

      19. Por que nem se podem comparar as riquezas espirituais com as materiais?

      19 O valor superior dessas riquezas é bem definido para nós em Provérbios 3:13-18: “Feliz o homem que achou sabedoria e o homem que obtém discernimento, porque tê-la por ganho é melhor do que ter por ganho a prata, e tê-la como produto é melhor do que o próprio ouro. Ela é mais preciosa do que os corais, e todos os outros agrados seus não se podem igualar a ela. Na sua direita há longura de dias; na sua esquerda há riquezas e glória. Seus caminhos são caminhos aprazíveis e todas as suas sendas são paz. Ela é árvore de vida para os que a agarram, e os que a seguram bem devem ser chamados de felizes.” Estas riquezas dão verdadeira paz e felicidade, de fato, nossa própria vida futura!

      20. (a) Que exemplo deu Jesus com respeito aos bens materiais? (b) O que tornou ele disponível?

      20 Aprecia esses tesouros? Jesus os apreciava! Seu tesouro era fazer a vontade de seu Pai. De fato, ele disse: “Meu alimento é eu fazer a vontade daquele que me enviou e terminar a sua obra.” (João 4:34; 6:38) Tudo o mais na sua vida ocupava lugar secundário. Avaliava corretamente as verdadeiras riquezas. Embora fosse o Filho de Deus, não lemos que Jesus tivesse abundância de riquezas materiais enquanto na terra. Bem ao contrário! “As raposas têm covis e as aves do céu têm poleiros, mas o Filho do homem não tem onde deitar a cabeça.” (Luc. 9:58) Embora fosse pobre, era rico. Considere a vida dele e verificará que era feliz e pacífico, e estava contente. Era como alguém que tinha poucos dos bens do mundo, mas podia remir toda a raça humana, tornando disponíveis as maiores riquezas, a saber, a perspectiva de seus seguidores se tornarem “filhos de Deus”. Além disso, também outras riquezas espirituais tornaram-se-lhes disponíveis. — 2 Cor. 8:9; Rom. 8:14, 19; Tia. 2:5; Col. 1:27; 2:2, 3.

      21. (a) Como mostraram os apóstolos de Jesus apreço do tesouro celestial? (b) Que perguntas devemos considerar?

      21 O mesmo se dava com os apóstolos. Também eles mantiveram o conceito correto por colocarem em primeiro lugar os tesouros celestiais. Pedro e seu irmão André eram pescadores, mas, ao convite de Jesus, reagiram e, “abandonando imediatamente as redes, seguiram-no”. (Mat. 4:20) João e Tiago reagiram de modo similar. “Deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.” (Mat. 4:22) Quanto eles apreciavam a oportunidade de servir a Jeová Deus com o Filho que enviou! Se você, leitor, estivesse lá naquele tempo, o que teria feito? Teria abandonado imediatamente suas redes? Ou teria adiado sua decisão, pensando que, visto que o negócio da pescaria era muito lucrativo, poderia continuar por mais um pouco, até estar em melhor situação financeira para o seguir? Quanto precisamos hoje apreciar onde está o verdadeiro tesouro! Prova agora por meio de seu proceder na vida que esses tesouros espirituais são a coisa mais importante na sua vida? (Mat. 13:44-46) Aumenta em apreço dos tesouros espirituais, de buscar o favor e as bênçãos de Jeová? Reconhece todos os benefícios espirituais que nos advêm por meio da organização de Deus e aproveita-se deles plenamente?

      MANTENHAMOS NOSSO “OLHO” EM FOCO

      22. (a) De que modo é nosso olho “a lâmpada do corpo”? Explique isso. (b) O que significa ter em foco os ‘olhos de nosso coração’?

      22 Jesus disse: “A lâmpada do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho for singelo [sincero; unidirecional, em foco, generoso], todo o teu corpo será luminoso; mas, se o teu olho for iníquo [egoísta, Moffatt, em inglês], todo o teu corpo será escuro. Se, na realidade, a luz que está em ti é escuridão, quão grande é essa escuridão!” (Mat. 6:22, 23) Quão apropriado é este conselho! Não apreciamos todos nós uma luz num lugar escuro, para impedir que tropecemos ou batamos em algo, ferindo-nos assim? Para ter a visão correta, nosso olho precisa ser singelo, quer dizer, unidirecional no desempenho de sua função. Precisa estar em foco, captando fielmente todos os raios de luz que pode, procedentes dum objeto, e podendo registrá-los de tal modo, que os objetos sejam vistos como realmente são. Assim se dá também com os ‘olhos de nosso coração’. (Efé. 1:18) Esses também precisam estar em foco, precisam ser unidirecionais. Precisamos encarar os assuntos na sua perspectiva correta para fazer as decisões certas. Ter olho sincero (generoso) nos ajudará a não nos preocuparmos demais com nós mesmos. Desejaremos compartilhar com outros. (Fil. 2:4) Termos ‘olho mau’ ou fora de foco resultaria em seguirmos um proceder de auto-satisfação, fazendo escolhas erradas. Todo o nosso corpo ficaria totalmente “escuro”.

      23. (a) Como podemos enriquecer a muitos, embora sendo pobres? (b) Que conceito podemos adotar para com o serviço de tempo integral?

      23 Possuindo tal ‘olho generoso’, podemos apreciar a declaração de Paulo, de que era “como pobre, mas enriquecendo a muitos, como não tendo nada, e ainda assim possuindo todas as coisas”. (2 Cor. 6:10) Paulo não tinha obrigações financeiras que exigissem dele manter um emprego regular na fabricação de tendas, mas as vezes fabricava tendas, a fim de não ser um fardo financeiro para as congregações locais. Nenhuma quantia de dinheiro pode comparar-se com o tesouro de se servir a Jeová com atenção completa. Iguais a Paulo, atualmente há milhares que, por manterem seu olho “singelo”, podem devotar todo o seu tempo à pregação e ao ensino como pioneiros, superintendentes especiais e trabalhadores nos lares de Betel. Com a perspectiva correta para com o dinheiro, consideram estas bênçãos espirituais de valor muito maior do que os bens materiais que poderiam ter, se gastassem a maior parte de seu tempo em empenhos seculares.

      24. De que modo pode o dar ser um tesouro?

      24 Por termos o olho ‘em foco’, podemos apreciar a alegria incomparável de ajudarmos outros a aprender as maravilhosas verdades de Deus e de presenciar a mudança que causam na sua vida. Este é motivo para verdadeira alegria! Conforme Jesus disse: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” (Atos 20:35) A alegria e a bênção de ajudar outros, especialmente de modo espiritual, enriquece mais do que qualquer quantidade de bens materiais. “Vê” e aprecia isso?

      25. De que maneira são os “frutos do espírito” um tesouro? Por que especialmente hoje?

      25 Considere também o tesouro do espírito santo de Deus. Este não pode ser comprado. (Atos 8:18-20) Tampouco pode qualquer quantia de dinheiro comprar os frutos do espírito de Deus. Descrevendo este tesouro, a Bíblia diz: “Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio.” (Gál. 5:22, 23) Nestes dias de luta mundial, pense em quão valiosas são essas qualidades. Quão precioso é ter a “paz de Deus, que excede todo pensamento”. Ela “guardará os vossos corações e as vossas faculdades mentais por meio de Cristo Jesus”. (Fil. 4:7) Se evitar o espírito amante do dinheiro deste mundo, se se harmonizar com a vontade de Deus, pela oração constante, pedindo o espírito dele e entendimento, e se isto for a força predominante na sua vida, poderá também alcançar as bênçãos deste tesouro.

      26. Que recompensa recebem os das “outras ovelhas”, que mantêm seu olho “singelo”?

      26 Com visão espiritual clara, pode ver aquele outro tesouro · a perspectiva de vida eterna, Sim! Imagine, viver para sempre numa terra paradísica, Esta é a recompensa daqueles das “outras ovelhas” que agora mantêm seu olho “singelo”, unidirecional. (João 10:16; Tito 1:2; 1 João 2:17; 1 Tim. 6:12) Nenhuma quantidade de riquezas materiais poderia jamais obter isso. (Luc. 12:15-21) Pois, “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha a vida eterna”. (João 3:16) Esta é a promessa de Deus para os que o amam e fazem a sua vontade, inclusive as “outras ovelhas”.

      27. (a) Em vista do tempo em que vivemos, que conceito sobre a riqueza material devemos manter? (b) Que alegria e privilégio temos?

      27 Que todos nós, então, mantenhamos nossa visão espiritual clara, por mantermos o conceito correto sobre as riquezas, lembrando-nos de que todo o dinheiro deste sistema de coisas está destinado a se tornar algo do passado e inútil. (Eze. 7:19; Luc. 16:9) Em breve, quando a “grande tribulação” acabar com todas as nações da terra, terá desaparecido o valor das riquezas deste mundo, tanto para os mortos como para os sobreviventes da “tribulação”. Acatemos o conselho de Jesus e usemos o que temos para glorificar a Deus. (João 15:8) Mostremos, não só pelas nossas palavras, mas por meio de nossas ações, que colocamos as riquezas espirituais em primeiro lugar, por aproveitarmos plenamente as muitas provisões feitas por Jeová. Compartilhemos com outros as boas novas do Reino, ajudando-os a obter riquezas espirituais e continuamente mantendo nossos bens materiais no seu devido lugar, estabelecendo bons antecedentes perante nosso Pai nos céus. Tenhamos a alegria e o privilégio de ser “como pobres, mas enriquecendo a muitos, como não tendo nada, e ainda assim possuindo todas as coisas”. — 2 Cor. 6:10.

  • Preservação duma consciência limpa
    A Sentinela — 1976 | 15 de maio
    • Preservação duma consciência limpa

      ● Às vezes é preciso ter forte fé para se agir dum modo que não avilte a própria consciência. Isto aconteceu com uma testemunha cristã de Jeová em Gana. Seu marido, que não era Testemunha, estava desempregado, e toda a família dependia dela para seu sustento. No entanto, ela passou a reconhecer que continuar a vender produtos de fumo estava em desacordo com os princípios bíblicos. Decidida a ter uma boa consciência perante Deus e os homens, encomendou-se aos cuidados de Jeová e fechou a sua tabacaria. Sofreu sua família em resultado disso? Não. Logo na semana seguinte, uma atacadista entrou em contato com ela, a procura de alguém honesto para vender seus produtos e compartilhar nos lucros. Pouco depois, uma segunda pessoa deu-lhe um contrato de vender um produto local chamado “manteiga de Galam”, visto que muitos se mostraram indignos de confiança neste serviço. Essas oportunidades comerciais surgiram porque esta Testemunha tinha uma boa reputação. Por causa de seu interesse em ter uma consciência limpa, em pouco tempo tinha um negócio ainda melhor do que aquele que fechara.

  • Perguntas dos Leitores
    A Sentinela — 1976 | 15 de maio
    • Perguntas dos Leitores

      ● Quando um cônjuge incrédulo se separa do cônjuge crente, há nisso motivo para se dissolver biblicamente o casamento, em vista de 1 Coríntios 7:15, onde Paulo diz: “ . . . o irmão ou a irmã não está em servidão em tais circunstâncias, mas Deus vos chamou à paz”?

      Não, o apóstolo não está considerando ali o divórcio, mas apenas está tranqüilizando o cristão, de que ele ou ela não precisa sentir-se desaprovado se o incrédulo deliberadamente se afastar, apesar dos esforços conscienciosos do crente, de morar em paz com o cônjuge incrédulo.

      Paulo acabava de animar o cônjuge crente a não partir, se o incrédulo “estiver disposto a morar com” o cristão ou a cristã. Por quê? “Pois o marido incrédulo esta santificado em relação à sua esposa, e a esposa incrédula está santificada em relação ao irmão; de outro modo, os vossos filhos seriam realmente impuros, mas agora são santos.” — 1 Cor. 7:12-14

      Em vista disso, naturalmente surge a pergunta sobre qual seria a situação em que ficaria o crente, se o cônjuge incrédulo se afastasse apesar dos bons esforços do crente. Deve ele ou ela sentir-se então desaprovado por Deus ou achar que os filhos não são santos, por causa da separação forçada, sobre a qual o crente não tinha controle?

      Não, porque o apóstolo responde: “Mas, se o incrédulo passar a afastar-se, deixa-o afastar-se; o irmão ou a irmã não está em servidão em tais circunstâncias, mas Deus vos chamou à paz.” Tendo feito tudo o que era razoavelmente possível para evitar a separação, o crente ou a crente não precisa sentir a responsabilidade de correr atrás do incrédulo ou da incrédula na tentativa de cumprir alguma “servidão” para com tal. Se o incrédulo tivesse permanecido e tivesse estado disposto a morar com a crente em paz, ou vice-versa, o crente estaria em servidão para cumprir com as responsabilidades maritais. Mas o apóstolo reconhece que a separação forçada torna isso impossível ao crente.

      O cristão ou a cristã tem assim uma medida de paz, em que pode servir a Jeová, embora a separação normalmente cause alguns ajustes emocionais e físicos. Além disso, tentar forçar uma reconciliação provavelmente aumentaria a tensão das relações. Talvez, com o tempo, o incrédulo queira voltar. Isto seria desejável, visando viverem juntos em paz e com a esperança de que o incrédulo se torne concrente? Isso estaria em harmonia com as instruções gerais dadas anteriormente nos 1 Co 7 versículos 10 e 11, de que, no caso da separação, devem ‘permanecer sem se casar, ou, senão, reconciliar-se novamente’.

      No ínterim, isto não impede que a esposa, se for crente, tome ação legal para sustentar a si mesma e a seus filhos, se achar isso aconselhável e necessário. As Escrituras, e muitas vezes a lei do país, lançam sobre o pai e marido a responsabilidade de sustentar a sua família.

      Jesus não disse que estaria certo que o crente se casasse de novo, se o cônjuge incrédulo se afastasse do crente e obtivesse um divórcio legal. E o apóstolo Paulo não foi além do que Jesus disse, por dar ali o que as autoridades católicas chamam de ‘privilégio paulino”. Paulo argumenta fortemente a favor da preservação do vínculo marital, não do rompimento dele. A morte obviamente rompe o vínculo marital. Mas, enquanto ambos os cônjuges vivem, apenas a “fornicação” (em grego:

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