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A invasão dos robôsDespertai! — 1982 | 22 de julho
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Uma mera máquina automática é projetada unicamente para fazer uma só coisa. Por exemplo, os exemplares de assinantes desta revista em alguns países são dobrados e embrulhados individualmente por uma máquina especialmente projetada para esse fim. Esta é a única função dela. Não pode realizar nenhuma outra operação. Um robô, por outro lado, pode ser programado de modo a executar muitas coisas. Pode limpar janelas, fritar um ovo, pode pintar ou soldar, pode embrulhar esta revista. Nisto está o verdadeiro valor do robô no mundo industrial.
Os movimentos de um robô são em si flexíveis e podem ser descritos em termos humanos: cintura, ombro, cotovelo, pulso, flanco e a dobra do braço e do pulso. Podem fazer quase todos os movimentos de um braço e de um pulso humano, até mesmo misturar café numa xícara. Para a satisfação de seu empregador, todos os seus movimentos são plenamente programáveis — a fim de executarem um determinado trabalho vez após vez ou pararem e fazerem outra coisa. São projetados para trabalharem junto com os humanos, num ritmo humano, de modo a não entrarem em conflito com as operações existentes. Será que se trata da última palavra em matéria de servo do homem?
Ah, mas não é tudo! Os predicados do robô vão cada vez mais longe. Pode-se ensinar facilmente a um robô até mesmo as operações mais complicadas. Note quão fácil é, segundo descrito no próprio manual de um fabricante de robôs:
“Usando-se um sistema de ensino como que por se pegar pela mão, ensina-se ao robô o seu trabalho por literalmente conduzi-lo pela mão à sua tarefa designada. As velocidades da execução são independentes das velocidades do ensino, de modo que as operações ensinadas lentamente podem ser realizadas com exatidão em altas velocidades. Este método de ensino assegura rapidez em pôr em operação um trabalho, rapidez na mudança para novos serviços e rapidez nos ajustes de programação. Muitos programas podem ser armazenados na memória e utilizados quando necessários. Podem ser ensinadas sub-rotinas, para facilitar trabalhos complexos, e porções dos programas podem ser alteradas sem interrupção da produção. Os programas podem ser armazenados em fitas magnéticas para uso futuro. A capacidade de memória pode ser aumentada para a execução de tarefas mais complexas.”
Já pensou alguma vez, na qualidade de operário humano, que você era muito necessário? De repente, sente-se ameaçado? Se você for operário numa fábrica, que percentual de serviço num dia de trabalho produz realmente no seu emprego? É queixoso? Falta ao serviço por “doença” mais do que seus colegas de trabalho? Cuidado com isso! Poderá ser substituído por um robô. Seu empregador talvez já esteja estudando as excelentes vantagens de contratar um robô. Eles nunca se cansam do trabalho. Podem trabalhar o dia inteiro e a noite inteira. Nunca reclamam, nunca pedem aumentos, nunca faltam por doença, sempre começam na hora, nunca tiram férias, nunca é preciso cuidar para que não desperdicem tempo — e não há pausa para café. Considere: algo está causando a invasão dos robôs.
A General Motors, dos E.U.A., tem cerca de 400 robôs nas suas fábricas. Estes são usados principalmente para soldagem, pintura e pulverização, para manipulação de peças e para fundição de moldes. Um dos mais recentes robôs está sendo usado para inspeção de carroceria de automóvel. Os robôs, munidos de câmaras fotográficas, têm habilidade de “enxergar” inigualável à dos humanos. Há atualmente apenas 400, mas a General Motors prediz que até 1985 serão instalados 5.000. Segundo as notícias publicadas, planejam instalar mais de 14.000 até 1990. Uma palavra aos sábios: Esses robôs podem ser operados ao custo de US$ 5,50 (Cr$ 935,00) por hora. Isto inclui o preço da compra e da manutenção. Compare com os US$ 18,10 (Cr$ 3.077,00) por hora pagos aos operários da indústria de automóveis em salários e benefícios, e o atrativo dos robôs fala por si só.
Seja considerado que, quando os robôs são colocados na força do trabalho, substituem as pessoas. Por exemplo, quando uma companhia elétrica no Japão instalou um robô-computador para produzir peças de aspirador de pó descobriu-se que o robô e mais quatro pessoas puderam fazer o trabalho feito antes por 120 trabalhadores. Com a ajuda dos robôs, a mão-de-obra necessária para a montagem de aparelhos de televisão no Japão é menos do que a metade requerida pela maioria dos fabricantes dos Estados Unidos. Na fábrica da Volkswagen, em Wolfsburg, República Federal da Alemanha, quatro robôs “contratados” como soldadores substituíram 22 soldadores humanos. Os estudos feitos ali sobre o uso de robôs na força do trabalho indicam que, para cada emprego preenchido pelos robôs, entre cinco e sete empregos são eliminados.
Os defensores dos robôs na indústria argumentam que os operários acolherão bem os trabalhadores autômatos na sua indústria, especialmente para tarefas em que há perigo na manipulação de materiais ou para trabalhos servis que os operários acham enfadonhos. Em face disso, este argumento pode parecer digno de elogios. Mas o argumento torna-se suspeito quando consideramos que é o empregador e não o trabalhador quem decide quais os trabalhos enfadonhos e perigosos.
Há também o argumento apresentado pelos dirigentes das indústrias, que já usam ou antecipam o uso de robôs, de que os operários substituídos pelos robôs serão simplesmente transferidos para empregos de categoria média. Isto também soa bem quando proferido pelos que estão na direção. Mas, quantos operários mudados de seus serviços se qualificarão para preencher empregos de categoria média que surgirem?
Embora os robôs na força do trabalho possam ser responsáveis por uma produtividade maior e qualidade mais alta de trabalho, representam ao mesmo tempo problemas para os trabalhadores deslocados. Falando sobre o assunto da automatização, Robert T. Lund, diretor adjunto do Centro para Alternativas de Diretrizes, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, E.U.A., disse que haverá “problemas gerais para todo aquele que for afetado pelas novas tecnologias nas fábricas e nos escritórios”. Daí, acrescentou: “Os trabalhadores terão de se deslocar, terão de aprender novas habilidades, mudar de serviços — todas estas coisas criam dificuldades.” Quem ficará confrontado com as maiores dificuldades? O operário jovem talvez aceite ser deslocado, aceite aprender novas habilidades e mudar de serviços como sendo um desafio aventureiro. Mas o que dizer dos operários de meia-idade, e dos que passaram da meia-idade? Será que aclamarão as mudanças e transformações?
Atualmente, a maior parte dos robôs está sendo usada na indústria automobilística. A General Motors, a Ford e a Chrysler (dos E.U.A.), todas elas “contrataram” robôs. Muitos países europeus também empregam robôs na indústria de automóveis. A revista Business Week, de 3 de agosto de 1981, comentou um estudo feito pela Universidade de Carnegie-Mellon sobre o impacto dos robôs. A conclusão do estudo é que “os robôs, mais os que estão sendo desenvolvidos com habilidades sensórias rudimentares, poderão executar cerca de 7 milhões de tarefas existentes na indústria, pelo menos 45% das quais são abrangidas pelos contratos sindicais”. Business Week acrescenta: “O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automobilística, um dos poucos sindicatos que procuram acelerar a automatização, espera que o número de seus associados da indústria automobilística diminua de 1 milhão para 800.000 entre 1978 e 1990, mesmo levando-se em conta um aumento anual de 1,8% na venda nacional de automóveis.”
Na Europa, onde são feitos os famosos automóveis Volkswagen e Fiat, há cada vez mais temores de que, com a invasão dos robôs em suas fábricas, venha a haver muitos operários deslocados. A Fiat já decidiu eliminar 7.500 empregos. Os operários da Volkswagen, que aclamaram a integração dos trabalhadores autômatos para a execução dos serviços mais desagradáveis, estão mudando de idéia. Vêem que os robôs estão sendo feitos com maior Q.I., com a habilidade de “enxergar” e “sentir”, e assim excluir o operário humano e o relegar a serviços mais servis — uma integração ao contrário.
Quase cada semana, através de algum meio noticioso, os prós e os contras dos robôs estão sendo discutidos. Alguns argumentam que a solução seria uma semana de trabalho de quatro dias úteis. Com a inflação que aumenta cada vez mais, outros argumentam que as pessoas desejam mais pagamentos de horas extras ao invés de menos horas de serviço. Mas, quaisquer que sejam os prós e os contras, o robô impõe a sua presença. Por mais inocente que seja, deve ser levado em conta. É realmente verdade: Os robôs não estão para chegar — já chegaram!
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Uma estranha aula de “catecismo”Despertai! — 1982 | 22 de julho
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Uma estranha aula de “catecismo”
Um casal de jovens italianos, em visita ao exterior, começou a ter palestras sobre a Bíblia com as Testemunhas de Jeová. Mas, logo estava indeciso quanto à escolha de religião que se veria confrontado a fazer, e, ao regressar à sua pequena cidade na Itália, descontinuou seu estudo bíblico.
Mais tarde, o irmão da esposa preparava-se para se casar, e o sacerdote da cidade veio fazer palestras de catecismo sobre os deveres de um casal. Durante a conversação, da qual o jovem casal participou também, o sacerdote tirou do bolso um pequeno livro azul. O casal ficou surpreso ao reconhecê-lo. Não era aquele livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna — que as Testemunhas de Jeová amiúde usam ao dirigirem palestras bíblicas familiares gratuitamente? Era, sim!
O sacerdote dava sua aula de “catecismo” usando o capítulo “Estabelecendo Uma Vida Feliz em Família” nesse livro. O casal o interrogou sobre seu uso do livro Verdade, e o sacerdote replicou que se podia encontrar alguma coisa boa mesmo nesse livro. Portanto, os dois decidiram que, se o sacerdote podia usar o livro, eles também o podiam estudar. Reiniciaram suas palestras com as Testemunhas e ambos se tornaram testemunhas dedicadas de Jeová. Dois outros membros da família também começaram a se associar com a congregação local.
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