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Rosa-cruzismo — compatível com o cristianismo?A Sentinela — 1963 | 1.° de novembro
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origem nos Estados Unidos ao ano de 1694.5,6
Sobre o rosa-cruzismo histórico pode-se dizer que originalmente teve grande odor protestante e parece que houve um esforço de combinar doutrinas cristãs e pagãs, ciência e religião, astrologia e filosofia, medicina e ocultismo, amor ao conhecimento com amor humano. Disse certa autoridade no assunto: “A Doutrina Secreta do Rosa-Cruzismo é uma porção de ensinamentos esotéricos, transmitidos através das eras por homens sábios, profundamente versados em doutrinas esotéricas e ciências ocultas. Esta ciência veio originalmente pelo Oriente e, de fato, até hoje inclui parte das Doutrinas Internas de algumas das mais conceituadas Irmandades Orientais . . . Devemos ‘Olhar para o Oriente, donde vem toda a luz’.”7
Por séculos a alquimia, a tentativa de transformar em ouro os metais inferiores, parece ter sido a preocupação principal dos rosa-cruzistas, embora seus porta-vozes modernos insistam que a intencionada era a alquimia espiritual, a referente ao “caráter” do indivíduo.8 Segundo o Amorc, o rosa-cruzismo é “uma fraternidade internacional. Os membros . . . estudam os mistérios e as leis da ciência do mundo . . . Os rosa-cruzistas atuais crêem que a alma interna do homem o pode ajudar a solucionar os problemas da vida diária”.9
É o rosa-cruzismo compatível com o cristianismo? Segundo os do grupo Amorc, que não pretendem ser religiosos, é sim. Dizem eles: “Cristãos ortodoxos dos mais devotos podem coerentemente pertencer à Ordem da Rosa-Cruz, assim como um cristão devoto pode estudar lei ou música, arte ou química, sem comprometer a sua posição na igreja cristã.”10 Outros dizem que são “Rosa-Cruzistas Cristãos”.11
SUA PRINCIPAL DOUTRINA
Visto que se pretende que o rosa-cruzismo é cristão ou compatível com o cristianismo, ele deve ser compatível com a Bíblia, pois o Fundador do cristianismo, declarou: “A tua palavra é a verdade:’ E o apóstolo Paulo escreveu: “Toda Escritura é inspirada por Deus” e útil para equipar completamente o homem de Deus para “toda boa obra”. — João 17:17; 2 Tim. 3:16, 17, ALA.
Entre as mais básicas doutrinas do rosa-cruzismo estão a reencarnação e a sua correlata, a imortalidade da alma. “Como parte muito importante de sua doutrina, os rosa-cruzistas aceitam a doutrina ocultista da metempsicose, da reencarnação ou transmigração das almas, sendo que a essência de tal doutrina é a sobrevivência da alma individual, depois que ela passa pela morte do corpo físico, e a sua reencarnação, pelo renascimento, em um corpo físico, depois de residir temporariamente no lugar de descanso das almas.”12 E disse Lewis, sôbre Amorc: “Descobrimos na reencarnação e no Carma a única explicação racional e aceitável e a causa da aparente injustiça e disparidades da vida . . . Só as leis da reencarnação tornam inteligíveis e aceitáveis as condições e experiências de nossa vida . . . Tôda personalidade veio à existência ‘no princípio da criação’ e tem sempre existido e existirá para sempre.”13
Pretendem que há prova da reencarnação nas impressões e noções que às vezes as pessoas têm de que já experimentaram certas coisas ou que já viveram em outros tempos, e também porque a hereditariedade não pode ser responsabilizada por todas as diferenças em personalidades nem pelas crianças-prodígios, tais como Mozart. Todavia, os diversos grupos de rosa-cruzistas têm suas próprias especificações referentes à quantidade de tempo que a alma paira sobre o corpo depois da morte, referentes aos estágios transitivos e aos intervalos entre os renascimentos. Jesus Cristo, segundo os do grupo Amorc, foi o único que completou as reencarnações e se uniu com Deus.14
O que se pode dizer acerca das doutrinas da imortalidade da alma e da reencarnação? São elas compatíveis com um cristianismo baseado na Bíblia? Não, não são! Como o poderiam ser, quando a Bíblia diz que Jesus “derramou a sua alma até a morte”, que “a alma que pecar — essa mesma morrerá”, que quando o homem “volta ao seu solo, naquele dia perecem seus pensamentos” e que no seol ou lugar de habitação dos mortos, “não há obra, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria”? — Isa. 53:12; Eze. 18:20; Sal. 146:4; Ecl. 9:10.
Se a reencarnação fosse verdade, não poderia haver ressurreição, pois não haveria mortos, mas todos estariam num estado de “transição”. Mas Jesus Cristo disse claramente: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão.” Quanto às pretensas provas da reencarnação, se é que todos tenham vivido anteriormente na terra, então por que só em raras exceções tem alguém a impressão de ter vivido anteriormente, e por que apenas um em centenas de milhões se revela prodígio como Mozart, se todos os humanos são reencarnações? Não, tal evidência circunstancial é demasiadamente forçada, muito tênue, muito frágil, um fiozinho que segura a doutrina da reencarnação, mesmo se ela não contradissesse a Bíblia!a — João 5:28, 29.
CRISTIANISMO — ÚNICO E EXCLUSIVO
Que o rosa-cruzismo não é compatível com o cristianismo pode-se ver no fato de que o cristianismo reivindica ser único e exclusivo. Disse Jesus: “Eu sou a luz do mundo”, e “eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Referente a si próprio e aos seus seguidores, ele disse em adição: “Eles não são do mundo como também eu não sou.” Foi dito aos cristãos que não pode haver participação, nem associação, nem harmonia, nem acordo entre eles e outras religiões. — João 8:12; 14:6; 17:16; 2 Cor. 6:14-16.
Mas o rosa-cruzismo não concorda com estes princípios cristãos, pois somos informados de que o cristão Rosenkreuz “fundou a misteriosa ordem do rosa-cruzismo com o objetivo de lançar a luz do ocultismo sôbre a mal compreendida religião cristã”.15 Êle pretende também que Amenhotep IV, para quem muitos rosacruzistas olham como “seu primeiro Grão-Mestre tradicional”, e “conhecido como o rei herético, . . . aboliu a religião politeísta de então, para promover no seu lugar a primeira doutrina monoteísta do mundo”.16 — 1375-58 A. C.
Mas não é assim. O monoteísmo era a forma de adoração praticada por Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque e Jacó, muito tempo antes de Amenhotep IV vir ao mundo. E em 1513 A. C. instituiu Jeová Deus, por intermédio de Moisés, e com a nação de Israel, um completo sistema de adoração, uma característica distintiva do que era uma adoração monoteísta do único verdadeiro Deus Jeová. Em harmonia com a posição bíblica sobre isto estão obras recentes, tais como Man, God and Magic (Homem, Deus e Magia), de Ivar Lissner, que desenvolve o tema de que o ‘conceito original sobre Deus era monoteísta’. — Êxo. 20:1-7.
O rosa-cruzismo pretende ainda que Moisés adquiriu do Egito a sua sabedoria e que Jesus, na infância, foi ao Egito, não só por proteção, mas também para receber instrução e treinamento.17 Mas se isto fosse verdade, por que é que nem os escritos de Moisés nem os Evangelhos contêm algo referente aos mistérios da Irmandade Branca egípcia? Dão muito valor ao Livro de Jasher18 e à Grande Pirâmide do Egito,19 mas nem Jesus nem os seus apóstolos fizeram referência a quaisquer deles. Frisaram a necessidade de se dirigir à Palavra de Deus e demonstraram que esta era tudo o que precisamos para orientar o caminho de nossa vida.
O rosa-cruzismo, misturando sabedoria mundana com doutrinas bíblicas, pretende ‘explicar o mistério da vida e do Ser, segundo o conceito científico e em harmonia com a religião”.15 Mas, segundo a Palavra de Deus, a sabedoria divina e a sabedoria mundana não podem ser misturadas: “Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos entendidos. Onde está o sábio [do mundo]? onde o escriba onde o inquiridor dêste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? . . . o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria.” — 1 Cor. 1:19-21, ALA.
OUTRAS FRAQUEZAS
Entre outras, uma fraqueza que se deve atribuir ao rosa-cruzismo é a sua divisão. O rosa-cruzismo está tão perniciosamente dividido como o está a cristandade, considerando-se o seu tamanho. Assim, um grupo frisa a astrologia como doutrina principal do rosa-cruzismo,20 ao passo que outro insiste que ele nada tem a ver com astrologia.21 Certa “autoridade” tem escrúpulos contra o termo “metempsicose” e outras o usam como sinônimo de reencarnação.
A historicidade do rosa-cruzismo deixa muito a desejar. Não é tão clara como muitos devotos querem que creiamos, tampouco é bem esclarecida no que pode ser a mais compreensiva discussão do rosa-cruzismo, pelo menos no idioma inglês, a saber, The Brotherhood of the Rosy Cross, (A Irmandade da RosaCruz).
Ainda outra fraqueza de pelo menos certos ramos do rosa-cruzismo é a sua incoerência. Isto se dá especialmente com o rosa-cruzismo Amorc, aparentemente devido a êle tentar atrair a tantos quantos possível a um curso por correspondência. Por isso, por um lado se diz que “só a reencarnação torna inteligíveis e aceitáveis as condições e experiências de nossa vida”,13 e, por outro lado, se diz que, “se a doutrina da reencarnação é verdadeira ou não, não é importante para o estudante dos ensinamentos práticos do rosa-cruzismo”.22
Em adição, se diz que o rosa-cruzismo Amorc não é absolutamente uma religião; todavia, o que é a reencarnação, a doutrina básica, se não for uma crença religiosa? E ainda mais, pretende-se que não há nada no rosa-cruzismo que possa descontentar um judeu ou um maometano,23 todavia, pretende-se que a ciência e o misticismo “revelam só um incidente conhecido de desenvolvimento perfeito de qualquer Ego, que terminou a necessidade de reencarnações adicionais sôbre a terra. Êste foi o caso de Jesus Cristo, que . . . chegando a ser Cristo mediante a mais elevada perfeição e pureza de consciência, ascendeu ao céu e ali foi absorvido na consciência de Deus e ali o Ego de Jesus tornou-se um dos elementos Divinos do Deus-chefe”.24 Concordaria com isto um judeu ou um maometano?
Também, a perspectiva apresentada ao inquiridor é que ele pode adquirir toda esta informação sem gastar muito tempo e sem muito esforço, meramente uma hora ou uma hora e meia por semana, e não precisa instrução superior.25 Mas quando ele penetra fundo no rosa-cruzismo Amorc, descobre que é vital uma “idiossincrasia psíquica” e “que o estudante que começa a estudar ciência nesta vida não pode esperar tornar-se um expoente da técnica nesta mesma vida”.26
NÃO É COMPATIVEL
Deveras, o rosa-cruzismo não é compatível com o cristianismo. Enquanto que o cristianismo é mui exclusivo, o rosa-cruzismo é um dos mais ecléticos movimentos das doutrinas ou das organizações fraternais sôbre a terra, pois êle tomou emprestado e se apossou das mais variadas crenças e práticas. Entre os seus variados grupos estão os que frisam a origem egípcia, mas citam liberalmente a Bíblia; os que se apropriaram tanto do misticismo da cabala judaica como do nirvana budista; os que reivindicam relação com a sabedoria grega e com os alquimistas da Idade Média; os que pretendem ser científicos, mas sustentam tantas coisas que não podem ser comprovadas histórica ou cientificamente; os que se apossam de obras teosóficas, bem como de doutrinas ioga.2 Pode-se dizer que é um supremo esforço de absorver toda a sabedoria deste mundo, ao mesmo tempo, colorindo-a com a Bíblia.
O rosa-cruzismo dá ênfase especial em “Homem, conhece a ti mesmo”. Obviamente, então, ele é orientado por homem e, portanto, muito incompatível com o cristianismo baseado na Bíblia, que foi orientada por Deus e que aconselha: “Isto significa a vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” Negando a existência de Satanás e seus demônios, o rosa-cruzismo foi vencido por êles. Por conseguinte, é realmente um caso de se escolher entre o eclético rosa-cruzismo e o cristianismo exclusivo e baseado na Bíblia. Os dois não são compatíveis em sentido algum da palavra. — João 17:3; 2 Cor. 4:4.
REFERÊNCIAS
1 Rosicrucian Questions and Answers — Lewis, pág. 171.
2 Not Under the Rosy Cross — Clymer.
3 The Encyclopwdia Britannica, 11a. edição, Vol. 23, pág. 737.
4 The Encyclopedia Americana, Vol. 23, pág. 701.
5 The Mysteries of Osiris — Clymer.
6 American People’s Encyclopedia, Vol. 16, pág. 948.
7 The Secret Doctrines of the Rosicrucians — C. E. Brooksmith, pág. 12.
8 Rosicrucian Questions and Answers — Lewis, pág. 229.
9 World Book Encyclopedia, Vol. 15, pág. 443.
10 Rosicrucian Questions and Answers — Lewis, pág. 263.
11 Rosicrucian Christianity — Max Heindel, preleção n° 4.
12 The Secret Doctrines of the Rosicrucians — C. E. Brooksmith, pág. 165.
13 Mansions of the Soul — Lewis, págs. 104-107.
14 Ibid., pág. 199.
15 The Rosicrucian Fellowship, fevereiro de 1963, pág. 88.
16 Who and What Are the Rosicrucians? — Amore, pág. 8.
17 The Mysteries of Osiris — Clymer, págs. 115, 175.
18 The Book of Jasher — edição Amore.
19 The Symbolic Prophecy of the Great Pyramid — Lewis.
20 The Rosicrucian Fellowship, de fevereiro de 1963, págs. 67, 90.
21 Rosicrucian Questions and Answers — Lewis, pág. 225.
22 Ibid., pág. 267.
23 Ibid., pág. 261.
24 Mansions of the Soul — Lewis, pág. 199.
25 The Mastery of Life — Amore, pág. 23.
26 The Technique of the Master — Andrea, pág. 28.
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Visitando a casa dos mortosA Sentinela — 1963 | 1.° de novembro
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Visitando a Casa dos Mortos
◆ Certos turistas passaram vários minutos de arrepiar o cabelo, ao visitarem em 1962 a Capela de Kudowa Czermna, na Polônia. Esta capela é famosa pela suas numerosas caveiras. Quando Ricardo Makowski, o cicerone, explicava a história da capela, milhares de caveiras (das vitimas das pragas e da Guerra de Trinta Anos) começaram a cair das paredes em cima dos turistas assustados. Eles ficaram aterrorizados, mas não houve feridos sérios. Uma parede já começara a ruir-se, indicando que o edifício necessitava de reparo urgente. Mas, visto que não desejaram fechar a capela durante a época de turismo, o trabalho foi adiado. Mas as caveiras não esperaram, e caíram. Certo clérigo então residindo em Kudowa Czermna, edificou em 1772 esta Capela das Caveiras, uma verdadeira casa dos mortos. Ajuntou nos campos de Klody, Polônia, crânios e ossos das vítimas da Guerra de Trinta Anos e da praga. Foram então colocados na capela. Há outras capelas similares — verdadeiros depósitos de crânios humanos — na vizinhança de Klody, também em Roma e em Praga, na Checoslováquia. — Express Wieczorny de 2 de setembro de 1962.
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