Nem todas as “pechinchas” são verdadeiras pechinchas
‘GANHE um carro ao comprar de nós uma casa nova.’ Assim rezava o anúncio do corretor de imóveis. Mas, quando um agente do Escritório de Melhores Negócios dos EUA telefonou e disse não estar interessado no carro, o corretor lhe ofereceu a casa com uma redução de Cr$ 13.650,00. Assim, era grátis o carro? Não, seu custo fora acrescido ao preço da casa nova. Quem comprou uma casa nova pensando ter obtido uma pechincha por causa do carro “grátis” estava simplesmente sendo enganado.
Uma “pechincha” é algo cujo valor para o comprador, excede consideravelmente seu custo. As donas de casa são grandes caçadoras de pechinchas, e isso é correto, visto terem a obrigação de esticar ao máximo que puderem a renda de seus maridos. Mas, ao procurar pechinchas, aplica-se o velho adágio: “Que o comprador se cuide.” E isso por dois motivos. Não só há o risco de os outros se aproveitarem de sua pessoa, mas, a menos que se seja cuidadoso, o próprio desejo da pessoa de conseguir uma pechincha, ou “algo em troca de nada”, pode mover a pessoa a fazer compras insensatas.
Práticas Enganosas Típicas
É prática difundida atrair compradores por oferecer algo “grátis”, enquanto se elevam realmente os preços. É feito com freqüência pelas lojas de móveis. Assim, certa loja oferecia uma máquina de costura grátis junto com “moderno sofá-cama de espuma de nylon” por Cr$ 845,00, porém, meses depois, anunciou o sofá-cama apenas por Cr$ 247,00.
Outra armadilha que os caçadores de pechinchas devem precaver-se é a oferta de artigos de “liquidação”. Tais, naturalmente, deviam significar considerável economia, pois eliminam o lucro do varejista. Mas, anunciar uma “liquidação” é com freqüência simples disfarce, golpe ou truque para atrair fregueses à loja. Assim, seria sábio olhar as lojas e ficar a par dos preços e valores’ senão o preço de “liquidação” talvez seja realmente maior do que o costumeiro preço do varejo.
“Etiquetas fictícias” é outro artifício usado para enganar os fregueses de modo que pensem obter pechinchas quando não estão. Certos fabricantes de boa reputação carimbam na embalagem o preço de varejo sugerido. Outros, porém, marcam preços bem acima do valor real, de modo que o vendedor tenha bom argumento: ‘Como vê, o preço regular deste relógio é Cr$ 325,00, mas para o senhor nós deixamos por Cr$ 160,00.’ Na realidade, talvez só valha Cr$ 130,00.
Daí, então, a descrição talvez seja enganosa. Um joalheiro certa vez anunciou um “perfeito” diamante solitário de um quilate por Cr$ 3.250,00. Isto deveras seria uma pechincha. Mas, a investigação mostrou que o diamante, longe de ser perfeito, apresentava-se cheio de jaça. Uma agência do governo foi notificada e o joalheiro recebeu ordens de desistir de anunciar tais diamantes como sendo perfeitos. A prudência indicaria que, ao comprar tais coisas como um diamante ou um relógio, a pessoa deveria ter base para confiar no vendedor.
Deve-se também ter grande cuidado ao contratar o pagamento dum artigo. Certifique-se de que o contrato realmente declare todos os termos do acordo. Amiúde o vendedor faz promessas ou declara condições não incluídas no contrato. Todas essas declarações são de valor questionável, e, quando um homem compra à base de tais declarações, bem que poderá verificar que a pechincha que pensou comprar não era nenhuma pechincha. Leia cuidadosamente tudo o que está impresso em letrinha bem miúda, de modo que entenda de forma plena o que está contratando. Lembre-se, uma assinatura é legalmente válida, mas a promessa dum vendedor não é!
É compreensível que, sendo como é a natureza humana, sempre haja a tentação de o vendedor louvar seu artigo mais do que merece. Ou, ele talvez busque deliberadamente aproveitar-se do comprador, em especial se o comprador não for sábio segundo o mundo. Por isso, como certo jornal de compras expressou-se, o comprador sábio “separa os fatos da ‘conversa’ que o vendedor lhe passa”. Exemplos de firmas que cederam à tentação de exagerar pretensões ou apresentar seus produtos em luz falsa, e da ação governamental contra eles, nos EUA, aparecem regularmente nos números de Consumer Reports.
Não se dá que todas as indústrias e firmas estejam minadas de práticas desonestas. Muitos negociantes se pautam pelo princípio de que “a honestidade é a melhor norma”. Mas, bem amiúde parece como se ela não fosse a melhor norma! É por isso que os Escritórios de Melhores Negócios têm tanto trabalho a fazer, por que as revistas de consumidores dispõem de tão ampla circulação, e por que os ‘defensores dos consumidores’ se tornaram instituições populares.
Mas, a Culpa Pode Ser Sua
Um policial de Nova Iorque certa vez comentou que as pessoas que foram defraudadas por algum vendedor inescrupuloso raramente relatam o assunto à polícia, visto que a transação as expõe como simplórias ou até dispostas a participar num negócio questionável. Assim, para conseguir uma verdadeira pechincha, terá de vigiar não só a outra pessoa, o vendedor, mas também a si mesmo, o comprador. É fácil deixar-se levar pela emoção quando o vendedor lisonjeia a pessoa, ou quando parece oferecer-lhe uma pechincha inaudita. O interesse próprio pode facilmente cegar o discernimento ou distorcer o julgamento da pessoa. É natural que a pessoa se orgulhe de obter uma pechincha, trazendo à mente um antigo provérbio inspirado: “‘Uma pechincha ruim!’, afirma o comprador ao vendedor, mas então sai para se jactar sobre isso.” — Pro. 20:14, Nova Bíblia Inglesa.
Obviamente, a “pechincha” não é verdadeira pechincha se o preço inferior representar um sacrifício da qualidade. Em Nova Iorque, a pessoa pode comprar cerca de dois litros de sorvete garantido como contendo produtos naturais, tais como frutas, açúcar, leite e creme, por cerca de Cr$ 10,00. Mas, também pode comprar uns dois litros do que não é garantido, mas admite conter sabores artificiais, colorantes e não se sabe mais o que por pouco mais de Cr$ 5,00. A preocupação com a saúde da pessoa indicaria qual é, talvez, a pechincha.
O mesmo princípio se aplica a compras mais custosas. Ao comprar roupas, deve notar tanto a fazenda como o corte. Normalmente deveria esperar pagar mais por lã virgem do que pela lã e poliéster, e mais por isso do que pelo raiom ou acetato. Observe também a costura, a forma em que os padrões se casam, o acabamento das casas, a espécie de zíper usado, bem como a qualidade dos botões. Roupa barata não é pechincha.
Em especial, deve ter cuidado quanto à qualidade, ao comprar móveis. Cuidado com as ofertas sensacionais. Superficialmente, uma mobília para três quartos por algumas centenas de cruzeiros é uma pechincha, mas o que dizer se começar a cair aos pedaços dentro de seis meses? Melhor pechincha talvez signifique pagar mais para mobiliar apenas um quarto. Tome o tempo para examinar a mobília e ver como é feita.
Quando “Pechinchas” São Verdadeiras Pechinchas
Existem verdadeiras pechinchas. Mas, é preciso mais do que apenas desejar uma pechincha para obter uma. Não deixe que suas emoções o tornem simplório, ingênuo e crédulo. Tome o tempo para averiguar um pouco sobre a mercadoria que precisa. Uma pechincha anunciada poderá bem se tornar tal no fim de estação ou por ser uma amostra ou sofrer desgaste pela exposição, ou porque certa variedade foi descontinuada. Quando uma loja anuncia uma venda especial, é mui provável que ofereça pechinchas. Mas, então, precisa chegar cedo à loja de modo a conseguir a melhor mercadoria, e certificar-se de que compra aquilo que lhe agrada e de que precisa.
Quando se trata de comida, poderá amiúde notar que o preço reduzido não envolve demasiada redução da qualidade. Também poderá notar que, considerando a economia de tempo, bem como não haver desperdício, alimentos congelados são pechinchas em comparação com legumes frescos, exceto, talvez, nas épocas de maior oferta. Talvez seja apreciador de certa marca muito anunciada de atum ou salmão, por causa de sua alta qualidade, mas talvez também tenha preço mais elevado. Alguns supermercados têm suas próprias marcas que talvez possa achar comparáveis favoravelmente às outras, e, todavia, custam menos. Se conseguir ovos de casca marrom mais baratos do que os de casca branca, também seriam pechincha, uma vez que tenham tamanho igual.
Outra questão a considerar é o prazer ou usufruto daquilo que compra, quer seja comida, roupa ou algum artigo doméstico. Deve ter prazer em usar um terno, um vestido, uma charpa, uma camisa ou uma gravata. Se derivar muito prazer de usar certo artigo de vestuário, ou de usar certa peça de mobília, então terá sido uma pechincha, mesmo se, no tempo em que o comprou não era especialmente barato. Lembre-se, o preço logo é esquecido, mas permanecem a satisfação e o prazer. Havia o rapaz que só comprava ternos quando estavam em liquidação, e que sempre admirava os ternos dos seus amigos mais do que os dele. Por quê? Porque estava mais preocupado com o custo, ao passo que eles se preocupavam com o tecido, os padrões, a cor e a qualidade. Assim, suas “pechinchas” nem sempre eram tais, afinal de contas.
Na verdade, há muitos fatores a considerar quando se compra, se há de conseguir “pechinchas” que sejam deveras pechinchas. Deve precaver-se não só das afirmações e táticas do vendedor, mas também de suas próprias fraquezas e seu desejo de obter “algo em troca de nada”, para que não faça uma compra imprudente. Considere a questão da qualidade, bem como o prazer derivado de sua compra.
É preciso perícia e trabalho árduo para que a maioria das pessoas ganhem dinheiro. Se também exercerem perícia em gastá-lo, então, como diz o ditado “um centavo economizado é um centavo ganho”.