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  • Sábado
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • Nem instituíram um novo sábado, um “dia do Senhor”. Muito embora Jesus fosse ressuscitado no dia que agora é chamado de domingo, em parte alguma a Bíblia indica que este dia de sua ressurreição devia ser comemorado como um “novo” sábado, ou de qualquer outro modo. Alguns têm recorrido a 1 Coríntios 16:2 e Atos 20:7 como base para observar-se o domingo como um sábado. No entanto, o primeiro texto indica simplesmente que Paulo instruiu os cristãos a pôr de lado, em suas casas, para os irmãos carentes de Jerusalém, uma certa quantia, a cada primeiro dia da semana. O dinheiro não devia ser entregue em seu local de reuniões, mas devia ser retido até a chegada de Paulo. Quanto ao último texto, era somente lógico que Paulo se reunisse com seus irmãos em Trôade no primeiro dia da semana, visto que partiria logo no dia seguinte.

      Do precedente, torna-se claro que a guarda literal dos dias de sábado e dos anos sabáticos não fazia parte do cristianismo do primeiro século. Tertuliano, um escritor cristão de perto do início do terceiro século, comentou: “Nada temos que ver com os sábados, as luas novas, e as festas em que Deus, certa vez, se agradava.” (De Idolatria, c. 4, sec. 4; c. 14) Não foi senão em 321 EC que Constantino decretou que o domingo (latim: dies Solis, um velho título associado com a astrologia e a adoração do sol, e não Sabbatum [sábado] ou dies Domini [dia do Senhor]) fosse um dia de descanso para todos, exceto os lavradores. De acordo com tal decreto, a escolha do primeiro dia da semana, feita por Constantino, foi, pelo menos em parte, motivada pelo seu ódio aos judeus e à identidade deles: “Que não tenhamos nada em comum com a ralé muitíssimo hostil dos judeus.”

      O GRANDE DIA DE DESCANSO DE DEUS

      O apóstolo Paulo mostra em Hebreus, capítulos 3 e 4, que o dia de descanso ou sábado do próprio Deus, mencionado em Gênesis 2:2, 3 e em Salmo 95:7-11, é um descanso de continuidade ininterrupta em que os judeus, no deserto, não puderam entrar pela falta de fé e pela desobediência. (Heb. 3:18, 19; Núm. 14:28-35) Aqueles que realmente entraram na Terra Prometida, sob Josué, experimentaram um descanso, mas não o pleno descanso a ser usufruído sob o Messias. Era apenas típico ou uma sombra da realidade. (Heb. 4:8; 1 Cor. 10:11; Heb. 10:1) Por conseguinte, Paulo continua, resta ainda um sábado (o qual, nos dias dele, já existia por mais de 4.000 anos, e agora, nesta ocasião do século XX, tem c. 6.000 anos) “para o povo de Deus” (Heb. 4:9) que é obediente e exerce fé em Cristo, desta forma usufruindo o verdadeiro sábado — o descanso de suas próprias obras egoístas ou obras de justificação própria. (Compare com Romanos 9:31, 32; 10:3; Hebreus 6:1; 9:14.) Os homens entravam no sábado de Deus nos dias de Paulo, e a oportunidade permanece aberta até agora. — Heb. 4:3, 6, 10.

      O SÁBADO MILENAR

      Seguir-se o padrão sabático de santificar a sétima parte faria dos últimos 1.000 anos do descanso de Deus, de 7.000 anos, um grandioso dia sabático, ou sábado, no âmbito do sábado de 7.000 anos. É interessante que Revelação 20:1-6 afirma que Satanás é acorrentado “por mil anos”, de modo que as nações da terra não sejam desencaminhadas enquanto Cristo Jesus — que era o “Senhor do sábado” quando estava na terra e o é agora no céu — reina qual Rei. Que descanso! As obras miraculosas que ele realizou na terra durante sua primeira presença, muitas das quais no sábado, evidentemente mostram o que ele fará como “Senhor do sábado” para soerguer a humanidade à perfeição espiritual e física. (2 Ped. 3:8; Mat. 12:8; 1 Cor. 15:25-28; Luc. 13:10-17; Rev. 21:1-4) Assim, o sábado literal é “sombra das coisas vindouras, mas a realidade pertence ao Cristo”. — Col. 2:16, 17.

  • Sábado, Jornada De Um
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • SÁBADO, JORNADA DE UM

      Veja JORNADA.

  • Sabático, Ano
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    • SABÁTICO, ANO

      Veja ANO SABÁTICO.

  • Sabedoria
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • SABEDORIA

      Os termos básicos que significam sabedoria são o hebraico hhokhmáh (verbo, hhakhám) e o grego sophía, com suas formas relacionadas. Há também o termo hebraico tushiyáh, que pode ser traduzido “trabalho eficiente” ou “sabedoria prática”, e os termos gregos phrónimos e phrónesis (de phren, a “mente”), relacionados com “sensatez”, “discrição” ou “sabedoria prática”.

      Para o vocábulo hhokhmáh, os Commentaries on the Old Testament (Comentários Sobre o Velho Testamento; O Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, p. 230), de Keil e Delitzsch, fornecem o sentido básico de “solidez, compactação”, e descrevem-no como “conhecimento sólido do que é verdadeiro e certo”. O sentido bíblico de sabedoria, quer expresso pelo termo hebraico hhokhmáh, quer pelo grego sophía, dá ênfase ao são julgamento, baseado em conhecimento e entendimento; à capacidade de utilizar com êxito o conhecimento e o entendimento para equacionar problemas, evitar ou afastar perigos, atingir certos alvos ou aconselhar outros a fazê-lo. “A sabedoria é provada justa [“justificada”] por todos os seus filhos [ou, pelas suas obras].” (Luc. 7:35; Mat. 11:19, Int) É o oposto de tolice, estupidez e loucura, com as quais é amiúde contrastada. — Deut. 32:6; Pro. 11:29; Ecl. 6:8.

      A sabedoria subentende assim uma amplitude de conhecimento, e uma profundeza de entendimento, estas suprindo a solidez e a clareza de julgamento características da sabedoria. O sábio ‘entesoura conhecimento’, possui um fundo do qual pode retirá-lo. (Pro. 10:14) Ao passo que “sabedoria é a coisa principal”, o conselho é no sentido de que “com tudo o que adquirires, adquire compreensão [entendimento]”. (Pro. 4:5-7) O entendimento (termo amplo que com freqüência abrange o discernimento e a perspicácia) dá forças à sabedoria, contribuindo grandemente para a discrição e a previsão, que também são características notáveis da sabedoria. A discrição subentende a prudência, podendo ser expressa na cautela, no autodomínio, na moderação ou restrição. O “homem discreto [phrónimos]” constrói sua casa sobre a rocha, prevendo a possibilidade duma tempestade; o tolo edifica a dele sobre a areia e sofre o desastre. — Mat. 7:24-27.

      O entendimento fortalece a sabedoria de outras formas também. À guisa de exemplo, uma pessoa talvez obedeça a certo mandamento de Deus em virtude de reconhecer a justeza de tal obediência, e isto é sabedoria de sua parte. Mas, se tiver verdadeiro entendimento da razão de tal mandamento, do seu bom objetivo e dos benefícios advindos do mesmo, torna-se grandemente fortalecida a sua determinação de coração de continuar a seguir este proceder sábio. (Pro. 14:33) Afirma Provérbios 21:11 que “por se dar perspicácia ao sábio, ele obtém conhecimento”. O sábio valoriza a perspicácia (uma faceta do entendimento) e sente-se feliz de obter qualquer informação que lhe conceda uma visão mais clara das subjacentes circunstâncias, condições e causas dos problemas. Desta forma, ele “obtém conhecimento” quanto a como agir em relação ao assunto, sabe que conclusões tirar e o que é necessário para solucionar o problema existente. — Compare com Provérbios 9:9; Eclesiastes 7:25; 8:1; Ezequiel 28:3.

      A SABEDORIA DIVINA

      A sabedoria em sentido absoluto é encontrada em Jeová Deus, que é o “único sábio” neste sentido. (Rom. 16:27; Rev. 7:12) O conhecimento é a familiaridade com os fatos e, sendo o Criador, que é “de tempo indefinido a tempo indefinido” (Sal. 90:1, 2), Deus conhece tudo que se possa conhecer sobre o universo, a sua composição e seu conteúdo, sua história até o presente. As leis, os ciclos e os padrões físicos de que os homens dependem em suas pesquisas e em seus inventos, e sem os quais ficariam desvalidos, não tendo nada estável sobre o qual se alicerçar, são todos criados por Ele. (Jó 38:34-38; Sal. 104:24; Pro. 3:19; Jer. 10:12, 13) Logicamente, Seus padrões morais tornam-se ainda mais vitais para a estabilidade, o são julgamento e a vida humana bem-sucedida. (Deut. 32:4-6) Não existe nada fora do alcance de Seu entendimento. (Isa. 40:13, 14) Embora Deus possa permitir que surjam coisas que são contrárias a seus padrões justos, e até mesmo prosperem temporariamente, o futuro por fim cabe a Ele e se ajustará de forma precisa. à Sua vontade, e as coisas ditas por ele ‘terão êxito certo’. (Isa. 55:8-11; 46:9-11) Por todos estes motivos, é evidente que “o temor de Jeová é o início da sabedoria” — Pro. 9:10.

      “A sabedoria de Deus em segredo sagrado”

      A rebelião irrompida no Éden apresentou um desafio para a sabedoria de Deus. Seus meios sábios para pôr fim a tal rebelião, eliminar seus efeitos e restaurar a paz, a harmonia e a ordem correta em sua família universal constituíam um “segredo sagrado, a sabedoria escondida, que Deus predeterminou antes dos sistemas de coisas”, isto é, aqueles sistemas que se desenvolveram durante a história do homem fora do Éden. (1 Cor. 2:7) Seus contornos estavam contidos nos modos de Deus lidar com seus fiéis servos, e em suas promessas feitas a eles, durante muitos séculos; foram prefigurados e simbolizados no pacto da Lei feito com Israel, incluindo seu sacerdócio e seus sacrifícios, e foram indicados em inumeráveis profecias e visões.

      Por fim, depois de mais de 4.000 anos, a sabedoria desse segredo sagrado foi revelada em Jesus Cristo. (Efé. 1:8-11; Col. 1:26-28) Foram revelados a provisão de Deus do resgate para a salvação da humanidade obediente, e seu propósito de um governo do Reino, encabeçado por seu Filho, e capaz de pôr fim a toda a iniquidade. Visto que o grandioso propósito de Deus se alicerçava e se centralizava em seu Filho, Cristo Jesus “se tornou para nós [cristãos] sabedoria de Deus”. (1 Cor. 1:30) “Cuidadosamente ocultos nele se acham todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.” (Col. 2:3) Somente por intermédio dele, e pela fé nele — o “Agente Principal da vida” da parte de Deus — é que se pode obter salvação e vida. (Atos 3:15; João 14: 6; 2 Tim. 3:15) Por conseguinte, não existe verdadeira sabedoria que deixe de considerar a Jesus Cristo, que não baseie seu julgamento e suas decisões solidamente no propósito de Deus conforme revelado nele. — Veja Jesus Cristo (Seu Lugar Vital no Propósito de Deus).

      A SABEDORIA HUMANA — AMPLA OU LIMITADA, CARNAL OU ESPIRITUAL

      A sabedoria é personalizada no livro de Provérbios, sendo ali representada como uma mulher que convida as pessoas a receberem o que ela lhes tem a oferecer. Estes relatos, e textos afins mostram que a sabedoria é deveras um amálgama de muitas coisas: conhecimento, entendimento (incluindo a perspicácia e o discernimento), a faculdade de raciocínio, a experiência, a diligência, a argúcia (o contrário de ser crédulo ou bitolado [Pro. 14:15, 18]), e o julgamento correto. Mas, uma vez que a verdadeira sabedoria começa com o temor de Jeová Deus (Sal. 111:10; Pro. 9:10), tal sabedoria superior vai além da sabedoria comum e inclui o apego a elevados padrões, a manifestação da retidão e da justiça, e a aderência à verdade. (Pro. 1:2, 3, 20-22; 2:2-11; 6:6; 8:1, 5-12) Nem toda sabedoria se enquadra em tal sabedoria superior.

      A sabedoria humana nunca é absoluta, mas é relativa. O homem, através de seus próprios esforços, pode alcançar a sabedoria em escala limitada, embora ele tenha, em qualquer caso, de utilizar a inteligência com que Deus inicialmente dotou o homem (tendo Deus até mesmo dado aos animais certa sabedoria instintiva [Jó 35:11; Pro. 30:24-28]). O homem aprende pela observação dos materiais da criação de Deus, e por trabalhar com eles. Tal sabedoria pode variar em tipo e em amplitude. O vocábulo grego sophía é amiúde aplicado à perícia em certa profissão ou ofício; à perícia e ao sólido critério administrativo nos campos governamentais e comerciais; ou ao conhecimento extensivo em determinado campo da ciência ou da pesquisa humanas. Similarmente, os termos hebraicos hhokhmáh e hhakhám são empregados para descrever a ‘perícia’ dos marujos e dos calafates de navios (Eze. 27:8, 9; compare com Salmo 107:23, 27), e dos trabalhadores em pedra e em madeira (1 Crô. 22:15), e a sabedoria e a perícia de outros artífices, alguns possuindo grande talento numa ampla variedade de ofícios. (1 Reis 7:14; 2 Crô. 2:7, 13, 14) Tais termos até mesmo descrevem o perito esculpidor de imagens ou fabricante de ídolos. (Isa. 40:20; Jer. 10:3-9) A prática arguciosa do mundo dos negócios é uma forma de sabedoria. — Eze. 28:4, 5.

      É possível demonstrar-se toda essa sabedoria mesmo que seus possuidores não disponham da sabedoria espiritual, advogada especialmente pelas Escrituras. Todavia, o espírito de Deus pode ressaltar alguns destes tipos de sabedoria nos casos em que são úteis para a realização de Seu propósito. Seu espírito ativou os que construíam o tabernáculo e seu equipamento, e que teciam as vestes sacerdotais —  tanto homens como mulheres — enchendo-os ‘tanto de sabedoria como de entendimento’. Desta forma, eles não só entenderam o que era desejado, e os meios de realizar tal trabalho, mas também demonstraram o talento, os dotes artísticos, a visão e o critério necessários para projetar e produzir obras esplêndidas. — Êxo. 28:3; 31:3-6; 35:10, 25, 26, 31, 35; 36:1, 2, 4, 8.

      Homens sábios da antiguidade

      José, com a ajuda do espírito de Deus, demonstrou tamanha discrição e sabedoria que o Faraó que então governava o Egito fez dele o seu primeiro ministro. (Gên. 41:38-41; Atos 7:9, 10) “Moisés foi instruído em toda a sabedoria dos egípcios”, e era “poderoso nas suas palavras e ações” até mesmo antes de Deus o tornar o Seu porta-voz. Mas esta sabedoria e capacidade humanas não habilitaram Moisés para o propósito de Deus. Depois de sua primeira tentativa (por volta dos 40 anos) de trazer alívio a seus irmãos israelitas, Moisés teve de esperar outros quarenta anos antes de Deus o enviar, como homem espiritualmente sábio, para liderar Israel para fora do Egito. — Atos 7:22-36; compare com Deuteronômio 34:9.

      Salomão já era um homem sábio antes de passar a exercer a plena realeza (1 Reis 2:1, 6, 9), todavia, reconheceu-se humildemente, em oração a Jeová, como sendo “apenas um rapazinho”, buscando a Sua ajuda para julgar o povo de Deus e sendo galardoado com “um coração sábio e entendido”, sem par entre os reis de Judá. (1 Reis 3:7-12) Sua sabedoria ultrapassou a famosa sabedoria dos orientais e do Egito, fazendo de Jerusalém um lugar para o qual os monarcas ou seus representantes viajavam, a fim de aprenderem do rei de Judá. (1 Reis 4:29-34; 10:1-9, 23-25) Certas mulheres dos tempos antigos também se destacaram por sua sabedoria. — 2 Sam. 14:1-20; 20:16-22; compare com Juízes 5:28, 29.

      A qualidade vã de grande parte da sabedoria humana

      Salomão verificou que, ao passo que tal sabedoria humana produzia variados prazeres e a proficiência que trazia a riqueza material, ela não podia trazer verdadeira felicidade ou satisfação duradoura. O sábio morria juntamente com o estúpido, não sabendo o que seria feito de seus bens, e sua sabedoria humana cessava no túmulo. (Ecl. 2:3-11, 16, 18-21; 4:4; 9:10; compare com Salmo 49:10.) Até mesmo em vida, “o tempo e o imprevisto” talvez trouxessem súbita calamidade, deixando o sábio sem até mesmo tais necessidades básicas como o alimento. (Ecl. 9:11, 12) O homem, por sua própria sabedoria, jamais poderia descobrir “o trabalho do verdadeiro Deus”, jamais poderia obter sólido conhecimento de como equacionar os mais elevados problemas do homem. — Ecl. 8:16, 17; compare com Jó, capítulo 28.

      Salomão não afirma que a sabedoria humana é totalmente desprovida de valor. Comparada com a mera tolice, que ele também investigou, a vantagem da sabedoria sobre a tolice é como a da ‘luz sobre a escuridão’. Pois os olhos do sábio ‘estão na sua cabeça’, servindo às suas faculdades intelectuais, as quais, por sua vez, nutrem o coração, ao passo que os olhos do estúpido não vêem com ponderado discernimento. (Ecl. 2:12-14; compare com Provérbios 17:24; Mateus 6:22, 23.) A sabedoria é uma proteção de maior valor do que o dinheiro. (Ecl. 7:11, 12) Mas Salomão mostrou que seu valor era totalmente relativo, dependendo inteiramente de sua conformidade com a sabedoria e o propósito de Deus. (Ecl. 2:24; 3:11-15, 17; 8:12, 13; 9:1) Alguém pode exceder-se em esforçar-se a demonstrar sabedoria, empenhando-se além dos limites de sua capacidade imperfeita, num proceder autodestrutivo. (Ecl. 7:16; compare com 12:12.) Mas, por servir de modo obediente a seu Criador e contentar-se com o alimento, a bebida e o bem que seu trabalho árduo lhe traga, Deus lhe dará a necessária “sabedoria, e conhecimento, e alegria”. — Ecl. 2:24-26; 12:13.

      ”A sabedoria do mundo” versus a sabedoria do segredo sagrado de Deus

      No primeiro século EC, os gregos eram especialmente renomados por sua cultura e seu conhecimento acumulado, por suas escolas e seus grupos filosóficos. Foi provavelmente por este motivo que Paulo teceu um paralelo entre os ‘gregos e os bárbaros’ e os ‘sábios e os insensatos’. (Rom. 1:14) Paulo sublinhou fortemente aos cristãos em Corinto, Grécia, que o cristianismo não dependia, nem era caracterizado, pela “sabedoria [sophían] do mundo” (1 Cor. 1:20), isto é, o mundo da humanidade alienada de Deus. (Veja Mundo [O mundo alienado de Deus].) Não era o caso de que, entre as múltiplas facetas da sabedoria do mundo, não existia nada de útil ou de benéfico, pois Paulo às vezes utilizou na fabricação de tendas a perícia que adquirira, e também, vez por outra, citou as obras literárias de autores mundanos para ilustrar certos pontos da verdade. (Atos 18:2, 3; 17:28, 29; Tito 1:12) Mas a perspectiva geral, os métodos, os padrões e os alvos do mundo — sua filosofia — não estavam em harmonia com a verdade, eram contrários à ‘sabedoria de Deus no segredo sagrado’

      Assim o mundo, em sua sabedoria, rejeitou a provisão de Deus mediante Cristo como sendo tolice; seus governantes, embora possam ter sido administradores capazes e judiciosos, até mesmo ‘pregaram o glorioso Senhor numa estaca’. (1 Cor. 1:18; 2:7, 8) Deus, porém, por sua vez, provava “então ser tolice a sabedoria dos sábios segundo o mundo, envergonhando seus sábios por empregar o que eles consideravam “uma coisa tola de Deus”, bem como pessoas que eles julgavam ‘tolas, fracas e ignóbeis’, para realizar Seu invencível propósito. (1 Cor 1:19-28) Paulo recordou aos cristãos coríntios que “a sabedoria deste sistema de coisas, [e] a dos governantes deste sistema de coisas” seria reduzida a nada; por isso, tal sabedoria não era parte da mensagem espiritual do apóstolo. (1 Cor. 2:6, 13) Ele admoestou os cristãos em Colossos para não serem enlaçados pela “filosofia [philosophías, literalmente, “amor â sabedoria”] e . . . vão engano, segundo a tradição de homens”. — Col. 2:8: compare com os versículos 20-23.

      Assim sendo, não importa quanto da sabedoria do mundo a pessoa talvez possua em virtude de sua perícia em ofícios, sua argúcia no comércio, sua capacidade administrativa, ou erudição científica ou filosófica, a regra era: “Se alguém entre vós pensar que é sábio neste sistema de coisas, torne-se ele tolo, para que se torne sábio.” (1 Cor. 3:18) Devia orgulhar-se apenas de ‘ter perspicácia e de ter conhecimento de Jeová, Aquele que usa de benevolência, de juízo e de justiça na terra’, pois é disto que Jeová se agrada. — Jer. 9:23, 24; 1 Cor. 1:31; 3:19-23

      Travar a guerra espiritual

      O apóstolo Paulo confiava na sabedoria piedosa para travar uma guerra espiritual contra qualquer pessoa que ameaçasse perverter as congregações cristãs, tais como a de Corinto. (1 Cor. 5:6, 7, 13; 2 Cor. 10:3-6; compare com 6:7.) Ele sabia que a “sabedoria é melhor do que os apetrechos para a peleja, e um único pecador pode destruir-lá muito bem”. (Ecl. 9:18; 7:19) Sua referência a “demolir as coisas fortemente entrincheiradas” (2 Cor. 10:4) corresponde à idéia da tradução, feita pela Septuaginta grega, de parte de Provérbios 21:21 Paulo estava a par da tendência humana de dar atenção primária aos que possuem modos impressionantes, óbvio talento ou forte personalidade e linguagem; ele sabia que a ‘linguagem serena dum homem sábio dotado de poucas riquezas materiais’ é amiúde ignorada em favor dos que dão demonstração de maior poderio. (Compare com Eclesiastes 9:13-17.) Até mesmo Jesus, que não dispunha da riqueza e da posição terrestres possuídas por Salomão, mas que era dotado de sabedoria amplamente superior, foi muito pouco respeitado e recebeu pouca atenção por parte dos governantes e do povo. — Compare com Mateus 12:42; 13:54-58; Isaías 52:13-15; 53:1-3.

      ADQUIRIR A VERDADEIRA SABEDORIA

      O provérbio aconselha: “Compra a própria verdade e não a vendas — sabedoria, e disciplina, e compreensão [entendimento].” (Pro. 23:23) Jeová, a Fonte da verdadeira sabedoria, a concede generosamente aos que, com sinceridade, a buscam, a pedem em fé, demonstrando salutar temor reverente por Ele. (Pro. 2:1-7; Tia. 1:5-8) Mas quem a busca precisa gastar tempo estudando a Palavra de Deus, aprender os Seus mandamentos, leis, advertências e conselho, considerar a história dos atos e feitos de Deus, e então aplicá-los em sua própria vida. (Deut. 4:5, 6; Sal. 19:7; 107:43; 119:98-101; Pro. 10:8; compare com 2 Timóteo 3:15-17.) Ele compra sabiamente o tempo oportuno, não agindo desarrazoadamente numa época iníqua, mas “percebendo qual é a vontade de Jeová”. (Efé. 5:15-20; Col. 4:5, 6) Tem de desenvolver firme fé e convicção inabalável de que o poder de Deus é invencível, que Sua vontade certamente será bem-sucedida, e que são seguras a Sua capacidade e Sua promessa de recompensar a fidelidade (Heb. 11:1, 6; 1 Cor. 15:13, 14, 19) Somente deste modo é que a pessoa pode fazer decisões acertadas quanto a seu proceder na vida, e não ser dominada pelo medo, pela ganância, pelo desejo imoral, e por outras emoções prejudiciais. — Pro. 2:6-16; 3:21-26; 8:34-36; 13:14; 24:13, 14; Isa. 33:2, 6

      O coração é mais importante do que a mente

      A inteligência é, obviamente, um fator principal na sabedoria, todavia, o coração, que se relaciona de forma destacada com a motivação e a afeição, é evidentemente um fator mais importante na obtenção da verdadeira sabedoria. (Sal. 49:3, 4; Pro. 14:33) O servo de o Deus deseja obter “pura sabedoria” em seu “segredo do íntimo”, ter a motivação sábia ao planejar seu proceder de vida. (Compare com Salmo 51:6, 10; 90:12.) “O coração do sábio está à sua direita [isto é, pronto a ajudá-lo e a protegê-lo em momentos críticos (compare com Salmo 16:8; 109:31)], mas o coração do estúpido está à sua esquerda [deixando de lhe proporcionar a boa motivação necessária].” (Ecl. 10:2, 3; compare com Provérbios 17:16; Romanos 1:21,  22.) A pessoa verdadeiramente sábia treina e disciplina seu coração para lhe dar a motivação correta (Pro. 23:15, 16, 19; 28:26); é como se ela tivesse escrito os mandamentos e a lei justos ‘na tábua do seu coração’. — Pro. 7:1-3; 2:2, 10.

      A experiência e a associação corretas

      A experiência contribui mensuravelmente para a sabedoria. Até mesmo Jesus cresceu em sabedoria no decorrer dos anos de sua infância. (Luc. 2:52) Moisés designou como maiorais homens que eram “sábios, e discretos, e experientes”. (Deut. 1:13-15) Ao passo que a pessoa deriva certa medida de sabedoria por sofrer castigo ou observar outros recebê-lo (Pro. 21:11), um modo superior e que economiza tempo para se alcançar sabedoria é tirar proveito e aprender da experiência dos que já são sábios, preferindo a companhia deles à dos “inexperientes”. (Pro. 9:1-6; 13:20; 22:17, 18; compare com 2 Crônicas 9:7.) As pessoas mais idosas têm maior probabilidade de possuir tal sabedoria, em especial as que manifestam o espírito de Deus. (Jó 32:7-9) Isto foi notavelmente ilustrado por ocasião da realeza de Roboão. (1 Reis 12:5-16) Não obstante, “melhor é o filho necessitado, mas sábio [falando-se em sentido relativo], do que um rei velho, mas estúpido, que não veio saber o bastante para ser ainda avisado”. — Ecl. 4:13-15.

      As portas da cidade (amiúde possuindo praças públicas adjacentes) eram locais em que os anciãos forneciam sábios conselhos e rendiam sábias decisões judiciais. (Compare com Provérbios 1:20, 21; 8:1-3.) A voz dos tolos usualmente não era ouvida em tal atmosfera (quer em se solicitar sabedoria, quer em oferecê-la), sua palra sendo ouvida em outras partes. (Pro. 24:7) Embora associar-se com sábios resulte em disciplina e em ocasional censura, isto é muito melhor do que o canto e o riso do estúpido. (Ecl. 7:5, 6) Aquele que se isola, buscando seu próprio conceito estreito e restrito de vida, e seus próprios desejos egoístas, por fim acaba saindo pela tangente, contrário a toda sabedoria prática. — Pro. 18:1.

      Revelada na conduta e na linguagem pessoais

      Provérbios 11:2 declara que “a sabedoria está com os modestos”; Tiago fala da “brandura que pertence à sabedoria”. (Tia. 3:13) O ciúme e a contenda, a jactância e a teimosia, expõem a pessoa como carente da verdadeira sabedoria, como sendo antes guiada pela sabedoria que é “terrena, animalesca, demoníaca”. A verdadeira sabedoria é “pacífica, razoável, pronta para obedecer”. (Tia. 3:13-18) “A verga dá altivez está na boca do tolo, mas os próprios lábios dos sábios os guardarão.” Eles sabiamente se restringem da linguagem presunçosa, dura ou impetuosa. (Pro. 14:3; 17:27, 28; Ecl. 10:12-14) Da língua e dos lábios dos sábios emana a linguagem refletida, curativa, agradável e proveitosa (Pro. 12:18; 16:21; Ecl. 12:9-11; Col. 3:15, 16), e, em vez de atiçar dificuldades, procuram trazer a calma e ‘ganhar almas’ pela sábia persuasão. — Pro. 11:30; 15:1-7; 16:21-23; 29:8.

      Sabedoria na família

      A sabedoria edifica uma casa familiar, não apenas um prédio, mas a família e sua vida bem-sucedida como uma unidade. (Pro. 24:3, 4; compare com Provérbios 3:19, 20; Salmo 104:5-24.) Os pais sábios não retêm a vara e a repreensão, mas, através da disciplina e do conselho, protegem os filhos da delinqüência. (Pro. 29:15) A esposa sábia contribui grandemente para o êxito e a felicidade da família. (Pro. 14:1; 31:26) Os filhos que se submetem sabiamente à disciplina parental trazem alegria e honra à família, sustentando sua boa reputação contra a calúnia ou acusações, e fornecem provas a outros da sabedoria e do treinamento dado por seus pais. — Pro. 10:1; 13:1; 15:20; 23:24, 25; 27:11.

  • Sabeus
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • SABEUS

      Veja SABÁ

  • Saca (Sacola)
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • SACA (SACOLA)

      Veja ALFORGE; BOLSA.

  • Sacerdote
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • SACERDOTE

      [Heb., kohén; gr., hiereús]. O sentido original da palavra kohén não é conhecido, mas seu significado, conforme empregado na Bíblia, pode ser claramente entendido através dum exame de muitos textos em que aparece tal palavra, junto com seu contexto. Uma excelente definição dela é fornecida em Hebreus 5:1: “Todo sumo sacerdote tomado dentre os homens é designado a favor dos homens sobre as coisas referentes a Deus, a fim de oferecer dádivas e sacrifícios pelos pecados.” O sacerdote ‘se aproxima de Jeová’ (Êxo. 19:22), representando a Deus perante o povo a quem ele serve, instruindo-o sobre Deus e suas leis e, por sua vez, representando o povo perante Deus, aproximando-se de Deus em favor do povo, oferecendo sacrifícios, e intercedendo e suplicando a favor deles. — Núm. 16:43-50; Heb. 6:20; 7:25.

      NOS PRIMÓRDIOS DOS TEMPOS

      Nos tempos patriarcais, o cabeça familiar servia como sacerdote a favor de sua família, o dever passando para o filho varão primogênito no caso da morte do pai. Assim, nos tempos bem antigos, encontramos Noé representando sua família numa capacidade sacerdotal (Gên. 8:20, 21) Abraão, cabeça familiar, possuía uma grande casa com a qual ele viajava de um lugar para outro, edificando altares e oferecendo sacrifícios a Jeová em vários acampamentos. (Gên. 14:14; 12:7, 8; 13: 4) No entanto, a Bíblia não chama tais homens especificamente de kohén ou de hiereús. Por outro lado, Jetro, o cabeça familiar e sogro de Moisés, é chamado de “sacerdote [kohén] de Midiã”. — Êxo. 2:16; 3:1; 18:1.

      Melquisedeque, rei de Salém, era um sacerdote [kohén] extraordinário. A Bíblia. não fornece nenhum registro de seus ancestrais, de seu nascimento ou de sua morte. Seu sacerdócio não foi obtido por herança, e ele

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