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Livro bíblico número 19 — Salmos“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
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exclamação: “Louvai a Jah!” (V. Salmo 104:35) Em hebraico, este convite para que os verdadeiros adoradores dêem a Jeová o louvor devido ao Seu nome é uma só palavra: ha·lelu-Yáh ou “Aleluia”, sendo esta última forma conhecida hoje em toda a terra. Deste versículo em diante, essa expressão ocorre 24 vezes, diversos salmos iniciando e terminando com tal expressão.
18. (a) Que refrão destaca o Salmo 107? (b) O que são os Salmos chamados Hallel?
18 Livro Quinto (Salmos 107-150). No Salmo 107, temos uma descrição das libertações efetuadas por Jeová, acompanhada do melodioso refrão: “Oh! agradeça-se a Jeová a sua benevolência e as suas obras maravilhosas para com os filhos dos homens.” (Vv. Salmo 107:8, 15, 21, 31) Os Salmos 113 a 118 são os chamados Salmos Hallel. Segundo a Míxena, estes eram entoados pelos judeus na Páscoa e nas festas de Pentecostes, das Barracas e da Dedicação.
19. Como se contrastam os Salmos 117 e Sal. 119, e quais são algumas das características deste último?
19 O Salmo 117 é poderoso na sua simplicidade, sendo o mais curto de todos os salmos e de todos os capítulos da Bíblia. O Salmo 119 é o mais comprido de todos os salmos e de todos os capítulos da Bíblia, perfazendo um total de 176 versículos nas 22 estrofes alfabéticas de 8 versos cada uma. Todos, exceto dois destes versículos (Sal 119:90 e 122), se referem de alguma forma à palavra ou à lei de Jeová Deus, repetindo diversas ou todas as expressões (lei, advertência, ordens, mandamento, decisões judiciais) do Salmo 19:7-14 em cada estrofe. A palavra de Deus é mencionada mais de 170 vezes em uma ou outra das seguintes 8 expressões: Advertência(s), decisão(ões) judicial(is), declaração(ões), lei, mandamento(s), ordens, palavra(s) e regulamentos ou estatutos.
20, 21. (a) O que são os Cânticos das Subidas? (b) Como expressam eles o apreço de Davi pela necessidade de adoração unida?
20 A seguir, encontramos outro grupo de salmos, os 15 Cânticos das Subidas, os Salmos 120-134. Os tradutores vertem esta expressão de diversos modos, visto que o significado dela não é plenamente entendido. Alguns dizem que se refere ao conteúdo exaltado destes salmos, embora não pareça haver razão clara para exaltá-los acima dos outros salmos inspirados. Muitos comentaristas sugerem que o título se deriva do uso que os adoradores faziam desses cânticos ao viajarem, ou ‘subirem’, a Jerusalém por ocasião das festividades anuais, sendo a viagem à capital considerada uma subida, porque a cidade se achava situada bem alto nos montes de Judá. (Compare com Esdras 7:9.) Davi reconhecia de modo especial a necessidade que o povo de Deus tinha de se unir em adoração. Ele se regozijou ao ouvir o convite: “Vamos à casa de Jeová”, à qual subiram as tribos, “para dar graças ao nome de Jeová”. Por este motivo, ele buscava sinceramente a paz, a segurança e a prosperidade para Jerusalém, orando: “Por causa da casa de Jeová, nosso Deus, vou continuar a procurar o teu bem.” — Sal. 122:1, 4, 9.
21 O Salmo 132 fala do voto de Davi, segundo o qual não descansaria até achar um adequado lugar de repouso para Jeová, representado pela arca do pacto. Depois de se instalar a Arca em Sião, descreve-se Jeová em bela linguagem poética, dizendo que escolheu Sião, “meu lugar de descanso para todo o sempre; ali morarei, pois o almejei”. Ele reconhecia este lugar central de adoração, pois “ali Jeová ordenou que estivesse a bênção”. “Jeová te abençoe desde Sião.” — 132:1-6, 13, 14; 133:3; 134:3; veja também o Salmo 48.
22. (a) Como é exaltado Jeová como digno de louvor? (b) De que modo vai a um crescendo, nos salmos concludentes, o glorioso tema do livro?
22 O Salmo 135 exalta Jeová como o Deus digno de louvor, que faz tudo quanto lhe apraz, em contraste com os ídolos vãos e fúteis, iguais aos quais se tornarão os que os fabricam. O Salmo 136 é para ser cantado com responsos, concluindo cada versículo: “Pois a sua benevolência é por tempo indefinido.” Tais responsos eram usados em muitas ocasiões, segundo demonstrado. (1 Crô. 16:41; 2 Crô. 5:13; 7:6; 20:21; Esd 3:11) O Salmo 137 relata a saudade de Sião que os judeus tinham no coração quando, exilados, estavam em Babilônia, e atesta também que não haviam esquecido os cânticos, ou salmos, de Sião, embora estando longe da sua terra. O Salmo 145 exalta a bondade e a realeza de Jeová, mostrando que “guarda a todos os que o amam, mas a todos os iníquos ele aniquilará”. (V. Salmo 145:20) Por fim, como conclusão para mover a ação, os Salmos 146-150 acentuam novamente o glorioso tema do livro, e cada um desses salmos começa e termina com as palavras: “Louvai a Jah!” Este canto de louvores vai num crescendo sublime até o ponto culminante no Salmo 150, onde 13 vezes, no espaço de seis versículos, toda a criação é convidada a louvar a Jeová.
POR QUE É PROVEITOSO
23. (a) Que mensagem viva está contida nos Salmos? (b) Como são exaltados o nome e a soberania de Jeová?
23 Em razão da perfeição de beleza e de estilo, os salmos da Bíblia podem ser incluídos entre as obras-primas literárias em todos os idiomas. Entretanto, são muito mais do que obra literária. São a mensagem viva do Supremo Soberano de todo o universo, do próprio Jeová Deus. Permitem aprofundarmos nosso entendimento dos ensinos fundamentais da Bíblia, falando primeiro e acima de tudo de Jeová, seu Autor. Atestam claramente que ele é o Criador do universo e de tudo quanto há nele. (8:3-9; 90:1, 2; 100:3; 104:1-5, 24; 139:14) Na verdade, o livro dos Salmos magnifica o nome “Jeová”, que aparece mais de 700 vezes. Além disso, a forma abreviada “Jah” encontra-se 43 vezes, de modo que ao todo o nome divino é mencionado cerca de 5 vezes, em média, em cada Salmo. Outrossim, fala-se de Jeová como ʼElo·hím, ou Deus, umas 350 vezes. Faz-se alusão à supremacia governamental de Jeová pela expressão “Soberano Senhor” referente a ele em diversos dos salmos. — 68:20; 69:6; 71:5; 73:28; 140:7; 141:8.
24. O que se diz nos Salmos sobre o homem mortal, e que conselhos preciosos são dados?
24 Faz-se contraste entre o Deus eterno e o homem mortal que nasceu no pecado e necessita de redentor, e mostra-se que ele morre e retorna “à matéria quebrantada”, indo ao Seol, a sepultura comum de toda a humanidade. (6:4, 5; 49:7-20; 51:5, 7; 89:48; 90:1-5; 115:17; 146:4) O livro dos Salmos sublinha a necessidade de obedecer à lei de Deus e de confiar em Jeová. (1:1, 2; 62:8; 65:5; 77:12; 115:11; 118:8; 119:97, 105, 165) Coloca-nos de sobreaviso contra a presunção e os “pecados escondidos” (19:12-14; 131:1), e aconselha associações honestas e salutares. (15:1-5; 26:5; 101:5) Mostra que a boa conduta traz a aprovação de Jeová. (34:13-15; 97:10) Oferece uma esperança maravilhosa, ao dizer que “a salvação pertence a Jeová”, assegurando aos que o temem que ele irá “livrar a sua alma da própria morte”. (3:8; 33:19) Isto nos leva ao aspecto profético dos Salmos.
25. (a) Em que é rico o livro de Salmos? (b) Como usou Pedro os Salmos para revelar a identidade do Davi Maior?
25 O livro de Salmos é rico em profecias, dirigindo a atenção a Jesus Cristo, o “filho de Davi”, bem como ao papel que desempenharia na qualidade de Ungido de Jeová e Rei.a (Mat. 1:1) Na ocasião do nascimento da congregação cristã, no dia de Pentecostes, em 33 EC, o espírito santo começou a esclarecer os apóstolos quanto ao cumprimento dessas profecias. Naquele mesmo dia, Pedro citou repetidamente os Salmos para desenvolver o tema do famoso discurso que proferiu. Dizia respeito a uma pessoa: “Jesus, o nazareno”. A última parte de sua argumentação se baseia quase inteiramente em citações dos Salmos, provando que Cristo Jesus é o Davi Maior e que Jeová não deixaria a sua alma no Hades, mas o ressuscitaria dentre os mortos. Não, “Davi não ascendeu aos céus”, mas, conforme ele predisse no Salmo 110:1, o seu Senhor ascendeu. Quem é o Senhor de Davi? O discurso de Pedro atinge o seu ponto culminante ao responder ele de modo poderoso: “Este Jesus, a quem pregastes numa estaca”! — Atos 2:14-36; Sal. 16:8-11; 132:11.
26. Quão proveitoso foi o discurso de Pedro?
26 Foi proveitoso o discurso de Pedro, baseado nos Salmos? O fato de que cerca de 3.000 pessoas foram batizadas e acrescentadas à congregação cristã naquele mesmo dia é em si uma resposta. — Atos 2:41.
27. Como interpretou o “espírito santo” o Salmo 2?
27 Pouco tempo depois, por ocasião de uma reunião especial, os discípulos apelaram para Jeová, citando o Salmo 2:1, 2. Disseram que isto se cumprira na oposição unida dos dominadores contra o ‘santo servo Jesus, a quem Deus ungiu’. E o relato passa a dizer que todos ficaram “cheios de espírito santo”. — Atos 4:23-31.
28. (a) Fazendo referência aos Salmos, que argumento desenvolve Paulo em Hebreus, capítulos 1 a 3? (b) Como constitui o Salmo 110:4 a base da consideração que Paulo faz sobre o sacerdócio melquisedeciano?
28 Consideremos agora a carta dirigida aos hebreus. Nos dois primeiros capítulos, encontramos diversas citações dos Salmos a respeito da superioridade de Jesus sobre os anjos como entronizado Filho celestial de Deus. Referindo-se ao Salmo 22:22 e a outras passagens, Paulo mostra que Jesus possui uma congregação composta de “irmãos” que fazem parte da semente de Abraão e são “participantes da chamada celestial”. (Heb. 2:10-13, 16; 3:1) Depois, a partir de Hebreus 6:20 até o fim do Heb. capítulo 7, o apóstolo discorre longamente sobre a outra função de Jesus como “sumo sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque”. Isto se refere à promessa juramentada de Deus, no Salmo 110:4, à qual Paulo se refere muitas vezes, para provar a superioridade do sacerdócio de Jesus sobre o de Arão. Paulo explica que, por juramento de Jeová, Jesus Cristo é sacerdote, não na terra, mas no céu, e “permanece sacerdote perpetuamente” — os benefícios de seu serviço sacerdotal serão eternos. — Heb. 7:3, 15-17, 23-28.
29. Que notável modelo de devoção devemos seguir, segundo declarado nos Salmos e explicado em Hebreus 10:5-10?
29 Outrossim, em Hebreus 10:5-10, informa-se-nos quanto Jesus apreciava o proceder sacrificial que era a vontade de Deus para ele, e que estava determinado a cumprir essa vontade. Isto se baseia nas palavras de Davi, em Salmo 40:6-8. É de máximo proveito que consideremos este modelo de devoção e o imitemos, a fim de recebermos a aprovação de Deus. — Veja também Salmo 116:14-19.
30. Como predisseram os Salmos em pormenores a linha de conduta adotada por Jesus, e como deve ter ele derivado consolo deles?
30 A linha de conduta adotada por Jesus, que culminou na terrível provação que suportou na estaca de tortura, fora predita nos Salmos em notáveis pormenores. Incluía que se lhe ofereceria vinagre para beber, que se lançariam sortes sobre suas vestes exteriores, que receberia tratamento cruel nas mãos e nos pés, que se zombaria dele e que na pior angústia mental ele daria o grito de agonia: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mat. 27:34, 35, 43, 46; Sal. 22:1, 7, 8, 14-18; 69:20, 21) Segundo indica João 19:23-30, mesmo durante aquelas horas difíceis, Jesus deve ter obtido grande consolo e orientação dos Salmos, sabendo que todas estas passagens bíblicas tinham de se cumprir ao pé da letra. Jesus sabia que os Salmos falavam também da sua ressurreição e glória. Ele tinha sem dúvida essas coisas em mente, ao presidir, quando ‘cantou louvores’, ou salmos, com seus apóstolos na última noite antes de sua morte. — Mat. 26:30.
31. O que prediz o livro de Salmos relativo à Semente do Reino e à congregação de Jesus?
31 Assim, pois, o livro de Salmos identifica claramente o “filho de Davi” e a Semente do Reino como sendo Cristo Jesus, que está agora exaltado como Rei e Sacerdote na Sião celestial. O espaço não nos permite descrever em pormenores todas as passagens dos Salmos que são mencionadas nas Escrituras Gregas Cristãs e que se cumpriram neste Ungido de Jeová, mas alistamos aqui mais alguns exemplos: Sal. 78:2—Mat. 13:31-35; Sal. 69:4—João 15:25; Sal. 118:22, 23—Mar. 12:10, 11 e Atos 4:11; Sal. 34:20—João 19:33, 36; Sal. 45:6, 7—Heb. 1:8, 9. A congregação dos verdadeiros seguidores de Jesus foi também predita nos Salmos, não como indivíduos, mas como grupo favorecido por Deus, composto de pessoas de todas as nações, para participar duma obra que consiste em louvar o nome de Jeová. — Sal. 117:1—Rom. 15:11; Sal. 68:18—Efé. 4:8-11; Sal. 95:7-11—Heb. 3:7, 8; 4:7.
32. (a) O que revela o estudo de Salmos quanto à vindicação de Jeová e aos propósitos do Reino? (b) Em apreço da Sua realeza, como devemos expressar nossa lealdade e gratidão?
32 O estudo dos Salmos aumenta muito o nosso apreço da realeza que Jeová Deus exerce por intermédio da prometida Semente e Herdeiro do Reino, para a Sua glória e vindicação. Estejamos sempre entre os leais que exultam sobre o ‘esplendor glorioso da dignidade de Jeová’, e de quem se fala no Salmo 145 como sendo um “louvor, de Davi”: “Palestrarão sobre a glória do teu reinado e falarão sobre a tua potência, para dar a conhecer aos filhos dos homens seus atos potentes e a glória do esplendor do seu reinado. Teu reinado é um reinado por todos os tempos indefinidos, e teu domínio é durante todas as gerações sucessivas.” (145:5, 11-13) Em harmonia com o salmo profético, o esplendor do estabelecido Reino de Deus, por Cristo, é dado a conhecer mesmo agora aos filhos dos homens em todas as nações. Quão gratos devemos ser por esse Reino e seu Rei! São realmente apropriadas as palavras finais dos Salmos: “Toda coisa que respira — louve ela a Jah. Louvai a Jah!” — 150:6.
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Livro bíblico número 20 — Provérbios“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
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Livro bíblico número 20 — Provérbios
Proferidos por: Salomão, Agur, Lemuel
Lugar da Escrita: Jerusalém
Escrita Completada: c. 717 AEC
1. Que sabedoria encontramos no livro de Provérbios?
QUANDO Salomão, filho de Davi, se tornou rei de Israel em 1037 AEC, orou a Jeová, pedindo-lhe “sabedoria e conhecimento” para “julgar este grande povo”. Em resposta, Jeová lhe deu ‘conhecimento e sabedoria, e um coração entendido’. (2 Crô. 1:10-12; 1 Reis 3:12; 4:30, 31) Em resultado disso, Salomão chegou a “falar três mil provérbios”. (1 Reis 4:32) Parte dessas palavras de sabedoria foi assentada por escrito no livro bíblico de Provérbios. Visto que a sua sabedoria era realmente a que “Deus lhe pusera no coração”, então, ao estudarmos Provérbios, estamos estudando, com efeito, a sabedoria de Jeová Deus. (1 Reis 10:23, 24) Esses provérbios englobam verdades eternas. Têm o mesmo valor hoje como quando foram proferidos pela primeira vez.
2. Por que era o tempo de Salomão uma época propícia para Deus prover tal orientação?
2 O reinado de Salomão era uma época propícia para Deus guiar seu povo. Dizia-se que Salomão ‘se sentava no trono de Jeová’. O reino teocrático de Israel estava no seu apogeu, e Salomão foi favorecido com superabundante “dignidade real”. (1 Crô. 29:23, 25) Era época de paz, fartura e segurança. (1 Reis 4:20-25) Entretanto, mesmo sob aquele domínio teocrático, o povo tinha seus problemas e suas dificuldades pessoais em virtude das imperfeições humanas. É compreensível que o povo se voltasse para o sábio Rei Salomão em busca de ajuda para solucionar seus problemas. (1 Reis 3:16-28) Ao pronunciar julgamento nesses numerosos casos, ele proferiu ditos proverbiais que se adequavam a muitas circunstâncias da vida do dia-a-dia. Esses ditos breves, mas cheios de significado, foram
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