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O respeito pela santidade do sangueA Sentinela — 1962 | 15 de março
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O respeito pela santidade do sangue
“Somente a carne com sua alma — seu sangue — não deveis comer.” — Gên. 9:4
1. (a) Que atitude do mundo exige que o cristão demonstre fé em Deus e na sua lei? (b) Qual tem sido o registro do mundo quanto ao sangue?
VIVENDO, como vivem, num mundo que se faz surdo para com a Palavra de Deus, os cristãos defrontam-se diariamente com circunstâncias provadoras de sua fé em Deus e na justeza da lei divina. Deus exige respeito pela santidade do sangue. Mas o mundo extraviou-se tanto dos Seus caminhos, que muitos desconhecem que há uma lei divina que governa coisas tais como o uso do sangue, e os que conhecem a lei a violam tão freqüentemente sem qualquer sentimento de terem pecado. Com a bênção da clerezia religiosa, têm derramado o sangue de incontáveis pessoas nos campos de batalha e enquanto fazem isto, oram para Deus estar com eles. Quando ouvem que em muitas partes do mundo o sangue de animais é ingerido regularmente como alimento, ou quando vêem produtos feitos com sangue ser vendidos nos mercados onde fazem compras, não vêem nada demais nisso. E quando ouvem relatórios sobre o tremendo aumento no número de transfusões de sangue — atualmente bem acima de cinco milhões por ano — vêem nisto uma evidência do progresso da medicina.
2. (a) Que têm dito os clérigos e a imprensa pública dos que mostram respeito para com. a santidade do sangue? (b) Que atitude da parte de pessoas mal-informadas para com a lei de Deus tem resultado desta falsa representação, mas como devemos considerar o assunto?
2 Em vivo contraste com a indiferença do mundo, acha-se o registro de quase um milhão de pessoas de todas as partes do mundo que obedecem à lei de Deus referente à santidade do sangue. Enfrentaram a prova de sua fé e permaneceram firmes. Mas a imprensa pública aproveitou-se da ignorância do povo e as representou falsamente como fanáticos religiosos, especialmente com respeito à sua rejeição de transfusões de sangue. E os clérigos religiosos da cristandade e do judaísmo uniram as suas vozes, declarando que esta lei de Deus não se aplica nos casos em que estiver envolvida a vida de uma pessoa. O resultado é que muitas pessoas não-informadas se voltaram contra Deus e contra a sua Palavra como sendo irracionais e desamorosos. Mas como pode ser irracional a própria Fonte de toda a sabedoria? Como pode ser desamoroso o próprio Deus, que é amor e que dotou o homem com à capacidade de amar? Ele não pode ser e não é! O seu modo é o certo, e uma consideração cuidadosa de sua Palavra nos ajudará a focalizar as coisas pelo ângulo correto. Como Dador da vida, ele nos diz o que devemos fazer para que continuemos a viver. Mediante suas leis amorosas ele nos protege contra fazermos ignorantemente coisas que possam causar-nos danos, até mesmo a perda da vida. Os fatos mostram que isto é verdadeiro com referência à sua lei sobre a questão do sangue. — Pro. 2:6; 1 João 4:16; Sal. 25:4.
A LEGISLAÇÃO DIVINA SOBRE O SANGUE
3. Quando foi declarada pela primeira vez a lei de Deus sôbre o sangue e o que requer da humanidade?
3 A questão não é nova, não é algo peculiar a este século vinte com suas pesquisas quanto ao uso medicinal do sangue. Foi há mais de 4.300 anos, quando Noé e sua família, os únicos sobreviventes humanos do dilúvio global, saíram da arca, que Deus lhes declarou a sua lei sobre o sangue. Antes diste, o homem tinha comido somente vegetação e frutos sem alma, mas agora, pela primeira vez, Deus deu permissão para o homem acrescentar carne à sua alimentação, dizendo: “Todo o animal rastejante que vive pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, eu vos dou tudo. Somente a carne com sua alma — seu sangue — não deveis comer.” (Gên. 9:3, 4) Esta lei é clara. A carne pode ser comida, mas não com o sangue ainda nela, porque o sangue representa a alma ou a vida da criatura. O homem precisa respeitar a santidade do sangue e por assim fazer, respeita o Dador da vida, Jeová Deus.
4. Como foi frisada a lei do sangue aos israelitas e que razão se lhes deu para a proibição?
4 Cerca de oito séculos mais tarde, quando os israelitas, que acabavam de ser preservados da aniquilação no Egito, se reuniram ao pé do Monte Sinai, Jeová frisou outra vez a restrição quanto ao sangue. “É um estatuto por tempo indefinido para vossas gerações, em todas as vossas moradias: Não deveis comer absolutamente nenhuma gordura nem, qualquer sangue.” (Lev. 3:17) Não se fez nenhuma distinção quanto à origem do sangue; quer fosse animal quer humano, não devia ser tomado no corpo como alimento. Não devia nem ser armazenado, como se mostra ao prosseguir Deus, dizendo: “Quanto a qualquer homem dos filhos de Israel ou a algum residente estrangeiro que estiver residindo rio seu meio que, ao caçar, apanhar um animal selvagem ou uma ave que possa ser comida, neste caso, ele tem de derramar o sangue dela e tem de cobri-lo com pó. Pois a alma de toda sorte de carne é o seu sangue pela alma nela.” (Lev. 17:13, 14) A razão foi claramente exposta. A alma ou a vida da carne está no sangue, e a obediência à lei de Deus sobre o sangue mostra respeito apropriado para com a santidade e Fonte da vida.
5. Justifica uma emergência que envolva uma vida humana pôr-se de lado a lei divina sobre o uso do sangue, por quê?
5 Mesmo em casos de emergência, era reconhecido que não havia justificativa para se pôr de lado a lei divina concernente à santidade do sangue. Isto é demonstrado por uma ocorrência quando o exército de Israel, sob o comando do Rei Saul, guerreava contra os filisteus. Tinha sido uma luta dura e os homens estavam exaustos. “E o povo começou a atirar-se avidamente sobre o despojo e a tomar ovelhas, bois e bezerros e a matá-los sobre a terra, e o povo se inclinou a comer com o sangue.” Isto não era coisa insignificante, desculpável por causa da condição física dos homens. Foi relatado a Saul: “Vê! O povo peca contra Jeová por comer com o sangue.” (1 Sam. 14:32, 33) Eles não consideraram o assunto assim como teorizam certos rabinos hoje, que qualquer requisito da Lei pode ser posto de lado quando a salvação de uma vida especifica está em jogo. O que os homens estavam fazendo era pecado contra Deus e se tomou ação imediatamente para acabar com ele.
A OBRIGAÇÃO CRISTÃ
6. Por que se aplica a lei do sangue aos cristãos, que não estão sob o pacto da lei?
6 Naturalmente, os cristãos não estão sob o pacto da lei, feito com Moisés como mediador. Este pacto da lei terminou, tendo cumprido o seu propósito, quando o fosse pacto foi feito no sangue de Jesus Cristo. Significa isto que as restrições quanto ao uso do sangue terminaram também? Absolutamente não! Porque o que o pacto da lei tinha a dizer sobre o refreamento de comer sangue meramente frisou o requisito estabelecido na lei de Deus dada a Noé e ela é imposta a toda a humanidade. Para fixar este ponto bem claro na mente de todos os cristãos, tanto judeus como gentios, nenhum dos quais estava doravante sob a Lei, o corpo governante cristão em Jerusalém dirigiu a atenção deles para as obrigações que lhes tocavam neste respeito, dizendo: “O espírito santo e nós próprios somos a favor de não vos acrescentar nenhuma carga adicional, exceto, estas coisas necessárias, que vos conserveis livres das coisas sacrificadas aos ídolos, e de sangue, e das coisas mortas sem que se deixasse escorrer seu sangue, e da fornicação. Se cuidadosamente vos guardardes destas coisas, prosperareis.” — Atos 15:28, 29.
7, 8. Que argumentos são apresentados por comentaristas teológicos no esforço de limitar o alcance do decreto apostólico sobre o sangue, e o que mostra que tais não são argumentos válidos?
7 Entretanto, vários comentaristas teológicos dizem sobre este texto que não é nada que nos concirna. ‘Era apenas algo temporário’, dizem eles, ‘destinado a evitar ofender os judeus convertidos. Tendo acabado a necessidade de tal proibição, a revogação é subentendida, embora não declarada’. Mas perguntamos: Que necessidade acabou? Ainda há judeus naturais associados com a congregação cristã, assim não se pode dizer que a sua ausência removeu a necessidade. As Escrituras tornam claro que o homem deve abster-se do sangue porque a vida está nele. É menos verdade agora de que a vida está no sangue do que era então? E se se argumentar que o respeito para com o uso sacrificial do sangue não é mais obrigatório porque os cristãos não são mais chamados para oferecer sacrifícios de animais; então, note-se que tal uso de sacrifício animal entre os seguidores de Cristo já tinha terminado dezesseis anos antes de sair o decreto apostólico. Além disso, os que afirmam que o ensino de Jesus: ‘o que entra pela boca não é o que contamina o homem, mas o que sai da boca’, tornou obsoleta a ordenança quanto to ao sangue, estão de fato, argumentando que a ordenança quanto à abstinência cristã do sangue, que foi decretada sob a direção do espírito santo de Deus; foi revogada antes mesmo de ter sido decretada, porque Jesus tinha feito a sua referida declaração dezessete anos antes de a decisão quanto ao sangue ser feita pelo concilio em Jerusalém. — Mat. 15:11.
8 O corpo governante que expediu a decisão sobre o sangue não tinha em mente que se tratava de mero expediente, em razão da situação existente e que mais tarde pudesse ser dispensado. Se a decisão quanto ao sangue fosse temporária, então o restante da decisão deveria estar na mesma categoria, o que significaria que a abstinência da idolatria e da fornicação também seria temporária, designadas para evitar ferir os sentimentos dos recém-convertidos. Mas passou a necessidade destas proibições, de modo que a fornicação e a idolatria sejam permissíveis aos cristãos? Definitivamente não! A terminologia do decreto não indica nenhuma limitação de tempo; as restrições são “coisas necessárias” agora, assim como eram então. Como Clark’s Commentary (O Comentário de Clarke), discutindo Gênesis 9:4, observou apropriadamente: “Que a proibição foi renovada sob a dispensação cristã, pode ser admitido quase sem dúvida por qualquer que leia desapaixonadamente Atos xv. 20, 29; xxi. 25, em que até mesmo os conversos gentios são ordenados a se abster dele pela autoridade, não semente dos apóstolos, mas também do espírito santo, . . . não com medo de fazer tropeçar os judeus convertidos, os parentes dos teólogos, mas porque era um, dos pontos necessários da carga . . . da obediência, da qual não podiam ser escusados.”
9, 10. (a) Que fatos da história mostram que os primitivos cristãos reconheciam a abstinência do sangue como uma coisa séria? (b) O que disseram sobre isto os escritores cristãos do terceiro século? (c) Tão tarde quanto no ano 692, qual se mostra ser a atitude dá igreja oriental quanto ao sangue?
9 Os fatos da história confirmam este entendimento do assunto. Os primitivos cristãos não viam a proibição do sangue como de valor apenas para evitar ofender os judeus convertidos. Não achavam que podiam coloca-lá de lado se a insistência pusesse em perigo a sua vida. Era bem, divulgado, mesmo entre seus perseguidores, que os cristãos não comiam sangue, eles provavam uma pessoa para ver se era verdadeira cristã, não só por instar com que oferecesse incenso aos deuses pagãos de Roma, mas também, em certas ocasiões, por instar que comesse chouriço. Tão importante era a questão, que comer sangue era considerado repúdio da fé cristã. Tertuliano, que viveu no princípio do terceiro século, referiu-se a isto quando adereçou os seus escritos ao mundo romano. Disse ele: “Envergonhai-vos do vosso erro perante os cristãos; pois nós não incluímos nem mesmo sangue de animal em nossa alimentação regular. Pois que nos abstemos das coisas estranguladas ou que morrem por si, para que não sejamos, de algum modo, poluídos pelo sangue, mesmo que esteja imbuído na carne. Finalmente, quando provais os cristãos lhes ofereceis chouriços cheios de sangue; estais perfeitamente cônscios de fato, de que entre eles isto é proibido; mas quereis fazê-los transgredir.”a Também Orígenes, outro escritor, em defesa dos ensinamentos cristãos, declarou: “Quanto ás coisas estranguladas, somos proibidos pelas Escrituras de participar delas, porque o sangue ainda está nelas.”b
10 Mesmo tão tarde quanto no ano 692, um concílio religioso, em Constantinopla (o Sínodo de Trullus), no seu 67.° cânon, declarou: “Repreendemos apropriadamente os que, de algum modo, preparam as suas refeições, usando o sangue de qualquer animal e assim comem para satisfazer o ventre glutão. Se, portanto, alguém tentar daqui em diante comer o sangue de qualquer animal, de qualquer maneira, ele será, se for sacerdote, destituído do cargo, se for leigo, excomungado.”c A crença na importância do decreto apostólico sobre o sangue ainda continua na Igreja Ortodoxa Oriental.
11. Que eventos demonstraram crescente desrespeito pelas restrições do sangue na igreja de Roma?
11 No Ocidente, entretanto, o desrespeito pela lei divina sobre o sangue aumentou notavelmente do quarto século em diante. Agostinho, mediante quem o ensino de Platão sobre a imortalidade inerente da alma foi também popularizado, argumentou que o decreto tinha perdido a sua importância, visto que o seu propósito tinha sido cumprido.d Finalmente, no século quinze, a igreja de Roma tinha-se afastado tanto do ponto de vista dos primitivos cristãos, que o sangue; não de animais, mas de três rapazinhos foi usado numa tentativa inútil de salvar a vida do papa doente de Roma, Inocêncio VIII, às custas da vida de todos os três doadores de sangue. Assim, é evidente que a indiferença da cristandade atual para com a santidade do sangue, não é um reflexo da fé cristã, mas o ‘resultado de se cair da fé. — 1 Tim. 4:1.
USO ERRÔNEO DO SANGUE COMO ALIMENTO
12. Quais são algumas das práticas modernas que violam a santidade da vida e que cristãos as evitam?
12 Isto faz que seja vital que os cristãos neste tempo do fim estejam alertas se hão de mostrar respeito apropriado para com a santidade do sangue. Devem evitar o uso errôneo do sangue, pelo mundo. Por exemplo, na África há alguns nativos que suplementam a sua alimentação, bebendo sangue da veia jugular do gado. Em muitos lugares, as pessoas fazem fila; nos matadouros para beber sangue de animais na hora, crendo que isto lhes cure certas doenças. Há muitos lugares no Extremo Oriente onde se usa o sangue como ingrediente básico para certas sopas e molhos. Um prato muito popular na América, do Sul consiste em sangue de porco com arroz ou batata e temperos, o sangue é até vendido e comido como guloseimas. O chouriço de sangue, com nomes diferentes, está disponível quase em toda a parte. Todas estas práticas indicam flagrante desrespeito pela santidade da vida, porque elas violam a lei do Dador da vida quanto ao sangue.
13. Por que se deve exercer cuidado na matança apropriada dos animais a serem usados como alimento, assim, o que poderá isto exigir que o cristão taça?
13 A lei sobre o sangue também proíbe comer qualquer coisa que morra estrangulada porque o sangue não teria escorrido. Assim; qualquer animal, encontrado sufocado ou morto numa armadilha e os animais baleados e não sangrados imediatamente, não são apropriados para se comer. O costume em muitos países, de matar galinha por estrangulamento, destroncando o pescoço, mas não o cortando, também as torna impróprias para o consumo dos cristãos. Alguns magarefes, sem consideração, para com a lei divina neste respeito, não sangram apropriadamente os animais que preparam como alimento; de fato, podem impedir deliberadamente o escoamento para a carne pesar mais. Se um cristão descobrir que seu Magarefe não dá atenção ao escoamento do sangue, então procurará outro lugar para comprar ou até mesmo se absterá de comer carne se não houver outra disponível. Do mesmo modo, uma pessoa de consciência não comerá carne num restaurante, se souber que é costume local não dar atenção à sangria apropriada. Em tais circunstâncias, o cristão possivelmente tenha de comprar o animal ou a ave viva e arranjar que se faça a matança para ele.
14. De que outras maneiras é o sangue usado erroneamente em produtos alimentícios, assim, o que deve o cristão cuidar de fazer?
14 O desrespeito pela lei de Deus está tão generalizado, que o sangue integral, o plasma de sangue ou frações de sangue são usados livremente em inúmeros produtos que são vendidos para alimento. Por exemplo, diz-se que alguns enlatadores de carnes adicionam sangue como parte de sua fórmula regular de salsichas, lingüiças e outros frios. Podem não chamar isto de sangue, mas, a despeito de como o chamem, se for sangue ou frações de sangue, está errado. Nem todos os enlatadores de carnes fazem isto, absolutamente, mas alguns fazem. Sabe-se também que em alguns lugares a almôndega é, feita em grande parte de gordura e acréscimos de sangue. Na Rússia, há anos começou-se a fazer pão de sangue, com sete partes de farinha de centeio por três de sangue defibrinado de boi. Em outros, países, alguns padeiros usam plasma em pó nas massas em lugar de clara de ovo. E vários tônicos é comprimidos vendidos pelos farmacêuticos mostram no rótulo que contêm frações de sangue, tais como a hemoglobina. Assim, é preciso estar alerta, estar a par dos costumes na comunidade, fazer perguntas razoáveis nos lugares onde se compram carnes, ler e entender os rótulos nos invólucros das mercadorias. Ao passo que o velho mundo se torna cada vez mais negligente na sua atitude para coma lei de Deus quanto ao sangue, torna-se importante que os cristãos tenham maior cuidado se hão de se manter ‘sem mácula do mundo’. — Tia. 1:27.
TRANSFUSÃO DE SANGUE
15. Quais tem sido os desenvolvimentos no uso de sangue nos tratamentos médicos?
15 O uso errôneo do sangue por parte do homem tem tomado diversas formas através dos séculos. Os antigos príncipes do Egito usavam sangue para rejuvenescer; outros bebiam o sangue de seus inimigos. Mas não houve nenhum esforço extensivo quanto a fazer transfusão de sangue para o sistema circulatório de nutra criatura, senão após a pesquisa da circulação do sangue, por William Harvey, no século dezessete. Após ter sofrido severos reveses devidos a fatalidades, a transfusão de sangue finalmente veio a ser mais favorecida em princípios deste século vinte, quando as pesquisas tornaram possível identificar certos tios de sangue. As duas guerras mundiais e a guerra na Coréia deram ampla oportunidade para os médicos fazerem experiências com o uso terapêutico, do sangue, que o processo tem sido agora desenvolvido ao ponto de os médicos usarem não só sangue integral e plasma de sangue, que é um líquido quase incolor, no qual as células do sangue são transportadas, mas também os glóbulos vermelhos do sangue sem o plasma e as várias proteínas plasmáticas, conforme acham que haja necessidade.
16. É o uso do sangue em tratamentos médicos para suster a vida uma violação da lei de Deus?
16 É violada a lei de Deus em tais usos medicinais do sangue? É errado suster a vida mediante infusões de sangue, plasma, glóbulos vermelhos, ou várias frações de sangue? Sim! A lei fique Deus deu a Noé e que se aplica a todos os seus descendentes torna pecado qualquer pessoa comer sangue, isto é, usar o sangue de outra criatura para alimentar ou suster a vida. Como Tertuliano mostrou em sua Apology (A Apologética), a maneira em que os cristãos primitivos arrazoavam sobre este assunto, assim também hoje se reconhece que, se esta proibição se aplica ao sangue de animal, ela se aplica mais ainda ao sangue humano. Inclui “qualquer sangue”. — Lev. 3:17.
17. Como provam os fatos da história que o sangue humano era outrora usado erroneamente e assim foi incluído na proibição declarada pelo primitivo corpo governante cristão?
17 Os argumentos de que a proibição do uso de sangue, decretada pelo corpo governante da igreja cristã primitiva não tratou de sangue humano, mas somente de sangue animal, demonstram ignorância dós fatos da história. Na Roma antiga, que dominou o mundo mediterrâneo no primeiro século, os espectadores das lutas de gladiadores, corriam para a arena, depois da luta, para chupar o sangue que escorria do pescoço do gladiador derrotado. Alguns citas, segundo relatórios, comiam.seus parentes mortos. Faziam-se tratados entre alguns povos, bebendo ambos uma porção de sangue um do outro; o sangue humano apanhado na mão e bebido selava a iniciação nos ritos da deusa pagã, Belona. Assim, quando os apóstolos disseram sob a direção do espírito santo que os cristãos deviam resguardar-se do sangue, tinham em mente também o sangue humano.
18. O que mostra que a transfusão, de sangue é “se alimentar” de sangue?
18 Não faz diferença o sangue ser assimilado no corpo através das veias em vez da boca. Nem importa a pretensão de alguns de que isto não é o mesmo que alimentação endovenosa. O fato é que alimenta; ou sustém a vida do corpo. Isto está em harmonia com a declaração no livro Hemorrhage and Transfusion (Hemorragia e Transfusão), de George W. Crile, licenciado em artes e doutor em medicina, que cita uma carta de Denys, médico francês e antigo pesquisador no campo das transfusões. Diz ele: “Fazer transfusão não é nada mais que alimentar por um caminho mais curto do que o ordinário — isto é, pôr nas veias o sangue pronto em vez de tomar alimento que só se tornará sangue depois de várias transformações.”
19, 20. (a) Em vista dos constantes desenvolvimentos na terapia médica, como se pode determinar se tratamentos que envolvam o uso de sangue devam ser aceitos ou rejeitados? (b) Que excelente exemplo neste sentido estabeleceu Davi, mostrando respeito para com a santidade do sangue?
19 Em vista de se frisar o uso de sangue no mundo médico, novos tratamentos que envolvem o seu uso são constantemente recomendados. Mas, quer seja sangue integral quer fração de sangue, quer seja tomado do próprio corpo quer de outrem, quer seja administrado por transfusão quer. por injeção, a lei divina se aplica. Deus não deu o sangue ao homem para usá-lo como usa outras coisas; ele exige respeito ela santidade do sangue.
20 Que ótimo exemplo de respeito a esta lei foi demonstrado pelo piedoso Rei Davi! Antes de os inimigos do povo de Deus serem expulsos, os filisteus tinham uma guarnição em Belém, perto de Jerusalém e um dia “David sentiu um grande desejo e disse: Quem me dera beber a água do poço de Bethleem, que está junto á porta!” Sim, ele desejava que os filisteus já tivessem ido, para que ele pudesse ir livremente à cisterna e refrescar-se com a sua água. Mas, ao ouvi-lo, “três [valentes] romperam pelo arraial dos philisteus, e tiraram água do poço de Bethleem, que estava junto á porta, tomaram della e trouxeram a David”. O que trouxeram não era nada mais que água, mas fizeram isto arriscando a vida, e Davi sabia disto. “David, porém, não quiz beber, mas a derramou em libação a Jehovah, e disse: Não permitta meu Deus que eu faça isso. Beberei eu o sangue destes homens que expozeram as suas vidas? pois com perigo das suas vidas a trouxeram. Portanto não a quiz beber.” (1 Crô. 11:16-19; 2 Sam. 23:15-17, VB) Davi respeitava a lei de Deus. Não só se abstinha de sangue de animais, ele evitava o erro muito maior de consumir sangue humano. Sim, evitava fazer qualquer coisa que até mesmo parecesse violação desta lei. Era um homem segundo o coração de Deus. É um proceder similar de obediência de coração que move os cristãos maduros hoje a se abster de qualquer prática em absoluto que envolva o uso errôneo do sangue. Por amor a Deus, mostram respeito para com a santidade do sangue.
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Usando a vida em harmonia com a vontade de DeusA Sentinela — 1962 | 15 de março
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Usando a vida em harmonia com a vontade de Deus
1. (a) A vontade de quem deve governar o uso do sangue, e que práticas proíbe ele? (b) O que aconteceu nos dias de Caim e Abel que indica o uso correto de sangue derramado?
A ÚNICA maneira que o sangue vital de qualquer criatura pode ser usado apropriadamente é em harmonia com a vontade de Deus. É proibido como alimento. Não é autorizado por Deus administrá-lo em outra pessoa à guisa de tratamento médico para suster a vida. Além da função de sustentar a vida no corpo da pessoa dona dele, há somente um uso do sangue sancionado por Deus. Este foi esclarecido nos dias de Caim e Abel, filhos de Adão. “Abel tornou-se pastor de ovelhas, Caim, porém, tornou-se um cultivador do solo. E aconteceu que, ao cabo de algum tempo, Caim passou a trazer alguns frutos do solo como oferta a Jeová. Mas, quanto a Abel, ele também tomou algumas primícias do seu rebanho, até mesmo os pedaços gordurosos. Aí, enquanto Jeová olhava favoravelmente para Abel e para a sua oferta, ele não olhava com qualquer favor para Caim e para a sua oferta.” (Gên. 4:2-5) A oferta de Caim vinha da vegetação sem alma: O sacrifício de Abel representava uma vida, exigiu o derramamento de sangue. Pela sua aceitação do sacrifício de Abel, Jeová deu a primeira indicação de que o derramamento de sangue era exigido no sacrifício. Mas Caim não aceitou a orientação de Deus no caso; em vez disso, ele matou violentamente o seu irmão Abel, o único homem na terra que estava usando a vida, tanto a sua como a do seu rebanho, em harmonia com a vontade de Deus.
2. Qual foi o único uso de sangue derramado que Deus permitiu, a quem se revelou isto e como?
2 Os servos fiéis de Deus reconheceram que o derramamento do sangue vital dos animais em sacrifício a Jeová era a vontade de Deus e Noé, Abraão e outros são mencionados na Bíblia como tendo feito assim. (Gên. 8:20; 22:13) Quando os descendentes deles, os israelitas, estavam reunidos no sopé do monte Sinai onde foram organizados nacionalmente, Jeová Deus lhes disse em linguagem inconfundível, que só há um uso apropriado em que se pode .aplicar o derramamento de sangue de qualquer criatura. Disse ele: “Eu mesmo o tenho posto por vós sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma nele.” (Lev. 17:11) Visto que o sangue está tão ‘intimamente envolvido no processo da vida e visto que o pecado conduz à perda da vida, Deus exige como sacrifício em expiação de pecados, aquilo que representa a vida, a saber,, o sangue. “Sem derramamento de sangue não há remissão.” — Heb. 9:22, ARA.
3. Que sacrifício maior prefiguraram os sacrifícios de animais, e como beneficia o sangue deste a humanidade?
3 Todos estes sacrifícios de animais prefiguraram outro muito maior, um sacrifício capaz de remover eternamente o pecado e de abrir a oportunidade de vida, eterna, aos servos de Deus. Este sacrifício não foi selecionado dos rebanhos ou do gado de Israel; foi Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele que João Batista identificou quando exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29, ARA) Ele foi a provisão do próprio Jeová em benefício da humanidade; foi seu Cordeiro, seu Filho, cuja vida foi dada em sacrifício. Por meio deste arranjo amoroso se tornou possível que fosse aberto para homens e mulheres na terra os privilégios de serviço na corte celestial com Cristo, o Rei, porque foram “declarados justos pelo seu sangue”. (Rom. 5:9) Além deste “pequeno rebanho” de cento e quarenta e quatro mil membros, uma “grande multidão” de outros que servem a Deus, diante do trono, no escabelo de seus pés, a terra, têm-se aproveitado deste sacrifício remissor, lavando assuas vestes e as embranquecendo no sangue do Cordeiro e, como resultado, gozam do perdão de seus pecados e são pessoas justas aos olhos de Deus. — Apo. 7:14, 15.
4. Da aceitação de que depende a nossa vida, e por quê?
4 O sacrifício perfeito de Jesus Cristo preencheu completamente a necessidade de um sacrifício a Deus, em favor da humanidade pecadora. Não necessita ser repetido. Não se requer mais sacrifícios de animais; de fato, agora são detestáveis a Deus porque mostram desrespeito para com o sacrifício que ele mesmo proveu. Portanto, o sacrifício resgatador de Jesus Cristo é absolutamente o único arranjo que Deus autorizou entre as suas testemunhas cristãs pelo qual o,sangue de uma criatura pode ser usado em favor de outrem para salvar a vida. “Por meio dele temos o livramento por resgate pelo sangue daquele um, sim, o perdão de nossos delitos, segundo as riquezas da sua benignidade imerecida. (Efé. 1:7) A nossa vida depende de nossa aceitação desta provisão, portanto, da aceitação do arranjo divino quanto ao uso correto do sangue. Os que desejam receber vida das mãos de Deus se refreiam sabiamente de usar o sangue de qualquer modo que não tenha sido autorizado por ele, como o Dador da vida.
AMANDO A DEUS DE TODA A ALMA
5. (a) Respondendo a um inquiridor, o que disse Jesus que se deve fazer para herdar a vida eterna? (b) O que implica amar a Deus de toda a alma e por quê?
5 Numa ocasião, certo homem versado na Lei, perguntou a Jesus: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna” Em sua resposta Jesus estabeleceu um princípio orientador que nos ajuda a determinar o que fazer com a nossa vida presente a fim de ganhar a recompensa da vida eterna. Disse ele: “‘Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força, e de toda a tua mente’, e, ‘ao teu próximo como a ti mesmo’.” (Luc.10:25-27) Agora, justamente o que está incluído neste caso de amar a Deus de toda a alma? Isto significa dar, a nossa vida a Deus em dedicação, sim, devotar a nossa vida na execução de qualquer obra que Deus nos dê, para fazer. Visto que demos a nossa vida em dedicação a Deus, devemos saber o que a Bíblia usa para representar a vida. É o sangue, que é a base da vida ou alma. Por isso, quando uma vida é tomada, se diz que foi derramado sangue. O sangue está tão fundamentalmente envolvido no processo da vida, que a Bíblia diz que a alma ou a vida da pessoa é o seu sangue. Deus, falando a Noé, usou paralelamente as expressões, alma ou vida e sangue, dizendo: “Somente a carne com sua alma — seu sangue — não deveis comer.” (Gên. 9:4) E aos israelitas ele disse simplesmente: “O sangue é a alma”, ou “o sangue é a vida”. (Deu. 12:23, margem, edição de 1953) Conseqüentemente, quando dedicamos a nossa vida a Deus devemos sem dúvida cuidar de usar aquilo que representa a vida, o nosso sangue, em harmonia com a lei divina.
6, 7. Tem o cristão liberdade de doar o seu sangue vital a outra pessoa, e é isto seguro do ponto de vista medicinal?
6 Este maior mandamento de todos, portanto, indica que o cristão não tem liberdade de doar seu sangue vital para o uso de outrem. A vida pertence a Deus e nós temos liberdade de dá-la apenas a ele, no seu serviço. Nem seria apropriado argumentar que o amor ao próximo requer que se lhe dê sangue. Não é amar ao próximo colaborar com ele na violação da lei de Deus. E visto que a Palavra de Deus indica que é errado tomar transfusão, é também errado dar alguém o sangue para transfusão.
7 Requer-se obediência dos servos de Deus, é também uma bênção para eles porque os protege contra malefícios. É interessante notar que, apesar da impressão geral dada pelas organizações que estão ansiosas para que lhes doe sangue ser que o método é perfeitamente seguro, as opiniões não são unânimes. Pois, no livro Physiology and Clinic of Blood Transfusiona (Fisiologia e Clínica de Transfusão), declara-se entre outras coisas: “Como mostram as mais recentes pesquisas, podem surgir desordens consideráveis na saúde por parte do doador de sangue.” Os cristãos fiéis estão livres de tais perigos que podem prejudicar o serviço deles a Deus.
EVITADO O PERIGO PELA OBEDIÊNCIA
8. Sabre o que baseiam as testemunhas de Jeová a sua atitude para com a transfusão de sangue, então por que considerar evidências médicas sobre o assunto?
8 A posição adotada pelas testemunhas de Jeová com referência à transfusão de sangue não se baseia na aprovação ou desaprovação que tal prática defronta nos círculos médicos. Não é a segurança ou o perigo que governa a decisão delas, mas a Palavra de Deus. Entretanto, algum conhecimento sobre os efeitos dos quais está-se protegido pela obediência à lei de Deus sobre o sangue, realça a apreciação pela justiça dos métodos de Jeová.
9. Qual é o parecer geral no mundo quanto á transfusão de sangue, mas é ela medicinalmente sadia?
9 O costume geral entre os doutores em medicina nos anos recentes tens sido dar sangue, crendo que possivelmente faça algum bem. Às vezes é dado por causa da insistência do paciente ou para satisfazer, os parentes que querem ter a certeza de que “se fez o possível”. Concernente a isto, o diretor do banco de sangue do Centro Médico da Universidade de Nova Iorque e Bellevue, disse: “As transfusões de sangue têm sido administradas sob a teoria de que nunca podem causar qualquer dano e que possivelmente beneficiem o paciente. Esta idéia está errada porque há perigos inerentes na transfusão de sangue.” O jornal da Academia Americana de Prática-Geral diz: “É pena que, tantos tenham perdido o fosse de transfusão e agora pedem uma transfusão tão folgazes como quem pede um vidro de salino.” Há mais de quatro mil anos atrás Jeová disse que o homem não devia receber sangue de outra criatura em seu corpo; a medicina moderna confirma que de fato a violação desta lei está cheia de perigos graves.
10, 11. (a) Quais são alguns dos perigos que confronta quem toma uma transfusão de sangue, e são os médicos capazes de eliminar estes perigos? (b) Em vista destes fatos, pode-se dizer que as transfusões de sangue salvam realmente a vida?
10 Um dos perigos imediatos que confronta a qualquer um a quem é dado uma transfusão de sangue é a possibilidade de hemólise, isto é, uma dissolução rápida dos glóbulos vermelhos que carregam o oxigênio. Isto pode resultar em violentas dores de cabeça, dores no peito e nas costas e retorno de venenos ao sistema devido ao mal funcionamento dos rins: A morte pode ocorrer dentro ,de poucas horas ou de poucos dias. O conhecimento médico não tem removido este perigo. “Tentar como podemos, somos capazes apenas de reduzir a incidência das reações. Não podemos eliminá-las e os pacientes continuarão a ser prejudicados devido a transfusões de sangue.” Assim diz W. H. Crosby, chefe do Departamento de Hematologia no Instituto de Pesquisa do hospital militar de Walter Reed. Mesmo quando tais reações hemolíticas não ocorram em resultado de anticorpos naturais existentes na corrente sanguínea do paciente, antígenos na transfusão podem estimular a produção de anticorpos de modo que ocorrerá uma severa reação em qualquer tempo que se der outra vez sangue que contenha estes fatures. Com as divulgadas possibilidades de combinações conhecidas de fatores de sangue que agora chegam a 15.000.000, a probabilidade de se dar sangue que combine com o próprio e não faça efeito adverso está remota à quase impossibilidade.
11 Há outros perigos. Visto que é difícil o médico saber exatamente quanto sangue tenha sido perdido, ele pode tentar dar mais sangue do que se pode conter, o que, conforme relatado no jornal Medical Science (julho de 1959), é muito freqüente e desastroso. Também, pode entrar ar na corrente sanguínea durante a transfusão com iguais efeitos mortais. Daí, também, o sangue retirado do corpo se contamina logo, e certas bactérias que se encontram mesmo no ar são de tal natureza que se reproduzem no sangue armazenado mesmo na temperatura do refrigerador, tornando mortífera até mesmo pequena quantidade dele para o que a receber. Como pode tal tratamento ser considerado verdadeiro salva-vidas?
12. Nomeie os perigos de doença que podem surgir de uma transfusão de sangue, e mostre em que estes podem resultar para o enfermo.
12 Assustador como seja o quadro, ele não representa toda a extensão dos perigos a que está sujeito o paciente quando se lhe dá transfusão de sangue. O médico, que dá a transfusão de sangue talvez nunca saiba quanto final causou porque as doenças transmitidas pela transfusão podem não atacar imediatamente. Mas, todas as autoridades médicas reconhecem que sífilis, malária e hepatite podem ser transmitidas pela transfusão de sangue. Não só podem ser transmitidas; relatam-se regularmente casos em que foram transmitidas. Com a crescente imoralidade através do mundo e a doença venérea resultante, aumenta o perigo da sífilis — uma doença que pode resultar em nascimento prematuro, cegueira, surdez, paralisia, doença do coração, insanidade e morte. Os testes usados para se determinar a sífilis no sangue não revelam o perigo nos primeiros estágios e o paciente é quem sofre. Em fevereiro de 1961, o Times do Japão relatou um caso em que uma mulher tinha ganho uma demanda contra o hospital universitário do governo em Tóquio na base de que ela tinha recebido transfusão com sangue sifilítico, resultando na perda da vista e no divórcio do marido. A compensação financeira decretada pelo tribunal deu pouco consolo pelo dano cometido. O que dizer quanto ao risco de se contrair malária? Os portadores de malária nem sempre sabem que a têm; os testes de sangue raramente a revelam, mas qualquer que receber o sangue pode ser a vítima. O perigo não está decrescendo, ao contrário, qualquer um que tenha morado numa área malariosa ou a visitado; é um possível portador e as viagens internacionais fazem o número crescer de dia em dia. A hepatite do soro não é o mínimo perigo em absoluto, mas requer atenção por causa de sua freqüência. É tão real o perigo da hepatite invalidar ou matar que o Dr. Alvarez, emérito consulente na medicina na Clínica Mayo, disse que jamais permitiria a alguém dar-lhe uma transfusão de sangue a me; nos que ele achasse, ser absolutamente necessário.
13. Qual é o tributo adicional quanto aos filhos pode pagar uma mulher a quem se dá sangue?
13 Como se o dano no paciente não fosse suficiente; ele não pára nisso. No caso das mulheres, o dano pode envolver até mesmo os seus filhos por nascer. Devido a alguns fatores conhecidos e outros desconhecidos, uma mulher a quem se dê uma transfusão incompatível de sangue pode descobrir que a sua oportunidade de dar à luz filhos normais, sadios, lhe foi tirada.
14. Como protege Deusa seu povo contra tais calamidades?
14 Quão melhor é ouvir a Palavra de Deus; quando ela nos diz para mantermos livres do sangue! Quão mais felizes seremos se, como os filhos ouvem a seus pais, ouvirmos o conselho de Deus e vivermos em harmonia com ele! “Filho meu, atenta, para as minhas palavras; aos meus ensinamentos inclina o teu ouvido. Não os deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-os no mais intimo do teu coração. Porque são vida para quem os acha, e saúde para o seu corpo.” — Pro. 4:20-22, ALA.
PERSONALIDADE INFLUENCIADA
15. Como alguns homens sábios através do mundo arrazoam sobre os perigos da transfusão; mas que fatos quanto à origem do sangue suscitam sérias questões?
15 Os que estão mais inclinados a depositar confiança no conhecimento dos homens do que na sabedoria de Deus podem achar que o cuidado exercido na seleção dos doadores do sangue torne possível se evitar todos estes perigos. Mas, considere os fatos. Talvez lhe choque saber que sangue de mortos tem sido usado nos pacientes hospitalizados, mas relatos da Rússia e da Espanha revelam que isto é exatamente o que se tem feito ali e até mesmo nos Estados Unidos da América do Norte se tem feito experiências com transfusão de sangue de cadáveres!b Naturalmente, isto pode não ser o costume em sua comunidade. Mas a revista Times, de 26 de maio de 1961, relatou um caso de uma senhora de 49 anos de idade a quem se administrou, no Hospital Geral de Pontiac, mais de um litro de sangue do cadáver de um rapazinho de 12 anos que se afogou num lago próximo e estava morto de duas e meia a três horas. Também que, há tanto tempo atrás como em 1935, um médico num subúrbio de Chicago tinha usado uma técnica semelhante a esta dos russos e que este médico americano é responsabilizado por cerca de trinta e cinco transfusões de cadáveres em dois anos. Talvez o doador seja um de seus parentes vivos, uma pessoa reputadamente sadia. Garante isto segurança? Não, isto não removerá o perigo devido à incompatibilidade nem garante que a pessoa não seja portadora de alguma doença, talvez desconhecida a ela mesma. Em muitos casos, entretanto, o que recebe sangue não tem a mínima idéia de quem seja o doador. Algum pode vir de pessoas sadias; algum de alcoólicos e degenerados. Dá-se aos criminosos em prisão a oportunidade de doar sangue. Por exemplo, o Times de Nova Iorque de 6 de abril de 1961, relatou: “Os Reclusos da Prisão de Sing Sing em Ossining doarão sangue à Cruz Vermelha hoje.” Um ato elogiável! Talvez nem tanto benéfico aos seus semelhantes como se faz crer na comunidade.
16. (a) Que observação interessante sobre o sangue é feita numa nota marginal bíblica sobre Deuteronômio 12:15? (b) O que dizem os médicos modernos sobre este mesmo assunto, e por que é isto de interesse para os cristãos?
16 Quando os israelitas se preparavam para entrar na terra prometida, Jeová moveu Moisés a repetir-lhes a lei proibindo o consumo de sangue. Como registrado em Deuteronômio 12:25, ele disse: “Não o deves comer, a fim de que te vá bem a ti e a teus filhos depois de ti, porque farás o que é correto aos olhos de Jeová.” Uma edição do Pentateuco publicado por J. H. Hertz contém a nota marginal sobre esta expressão, “afim de que te vá bem”, que diz: “Ibn Esdras sugeriu que o uso do sangue teria um efeito desmoralizador sobre a natureza moral e física e passaria hereditariamente a infetar as gerações futuras.” O ponto é interessante e que pode aplicar-se no caso de transfusão de sangue é testificado por doutores em medicina. Por exemplo, em seu livro Who Is Your Doctor and Why? (Quem É o Seu Médico e Por Quê?), o Doutor Alonzo Jay Shadman; diz: “O sangue em qualquer pessoa é, na realidade, a própria pessoa. Ele contém todas as peculiaridades da pessoa de quem veio. Isto inclui infecções hereditárias, suscetibilidades a doenças, venenos devidos a modos pessoais de vida, hábitos de comer e de beber. . . . As peçonhas que produzem os impulsos de se suicidar, de matar ou roubar, estão no sangue.” E o Dr. Américo Valério, médico e cirurgião brasileiro por mais de quarenta anos, concorda: “Loucura moral, perversões sexuais, recalques, complexos de inferioridade, delitos frívolos — eis muitas vezes, o cortejo das transfusões de sangue”,c diz ele. Apesar disso, é reconhecido através da imprensa pública que as organizações cujos suprimentos de sangue são considerados de confiança, obtêm o sangue para transfusão de criminosos que se sabe, possuem tais características. Certamente, ninguém que está tentando abandonar as obras da carne e usar a sua vida do modo que Deus dirige mediante a Sua Palavra, se entregará abertamente a tal futuro ruinoso. — Rom. 12:2; Efé. 4:22-24.
DEMONSTRANDO FÉ NO DADOR DA VIDA
17. (a) Objetam as testemunhas de Jeová em base religiosa a todos os tratamentos médicos? (b) Há alguma coisa que pode ser feita para um cristão que sofra uma grande perda de sangue?
17 O que significam estes fatos no caso de um cristão que tenha sofrido severa perda de sangue e estiver necessitando de tratamento? Não há nada que se possa fazer? Deve simplesmente esperar a morte? Absolutamente não! As testemunhas de Jeová não têm objeção religiosa contra nenhum tratamento que não entra em conflito com, a lei de Deus e o fato é que outros tratamentos estão disponíveis. Os médicos que reconhecem que o homem é uma criação de Deus em vez de um produto da evolução estão usualmente mais inclinados a reconhecer que o corpo humano foi dotado por Deus com poderes maravilhosos de recuperação e eles cooperam com estes em vez de acharem que a proibição do uso do sangue seja uma barreira à recuperação. O nosso próprio corpo está equipado maravilhosamente para enfrentar emergências, até mesmo as ocasionadas pela perda de sangue. (Sal. 139:14) De acordo com a The Encyclopedia Britannica: “Além do sangue que realmente circula nas artérias, nas veias e nos vasos capilares, o corpo possui reservas que podem ser mobilizadas. Sabe-se que uma delas está localizada no baço. Ao iniciar a hemorragia o baço se enruga, espremendo sangue como uma esponja, em circulação.”d Em vista disto, muitos médicos reconhecem que é mais seguro cooperar com o sistema manufaturador de sangue do corpo do que tentar tomar o lugar dele por transfundir sangue alheio. Até mesmo a mui respeitada publicação médica The Surgical Clinics of North America (fevereiro de 1959) disse: Não se deve esquecer que, não a transfusão, mas a “ferro-terapia é o tratamento a ser escolhido para anemia por perda de sangue”. Em casos de emergência, quando a perda do fluido do corpo tenha sido excessiva, há “plasmas expandidores de volume” que podem ser usados sem violar a proibição de Deus quanto ao sangue e de acordo com o testemunho de muitos médicos, estes têm-se provado muito mais seguros do que transfusões de sangue. Embora não possam fazer pelo corpo o que o próprio sangue faz, entretanto, ajudam a manter o restante dos glóbulos vermelhos em circulação para que o oxigênio alcance os vários órgãos durante o tempo necessário para ó corpo restituir a perda de sangue. Assim, os cristãos enfermos, em vez de serem apressados em aceitar sangue sob a alegação de ser a única esperança, buscam um médico que seja habilidoso, paciente e respeitador da .consciência religiosa, disposto a tratá-los sem sangue.
18. Por que é tolice tentar salvar a vida por violar a lei de Deus?
18 Os esforços de se salvar por meios antibíblicos nunca podem produzir bons resultados duradouros. Quão tolo é pensar que alguém pode salvar a vida por violar as leis do Dador da vida! Embora isto possa produzir resultados aparentemente benéficos por algum tempo, pode no fim cobrar o seu tributo em doenças, em filhos natimortos, como resultado direto de tal curso imprudente. Mesmo que não resulte em dano físico ao enfermo ou à descendência dele, a violação da lei de Deus põe em sério perigo a oportunidade de ganhar a vida eterna no novo mundo de Deus.
19. (a) Quem argumentou que o homem faria tudo, até mesmo voltar-se contra Deus, para salvar a sua vida presente? (b) Como podemos beneficiar-nos da repreensão que Jesus passou em Pedro sobre este assunto? (c) Qual é a recompensa que Deus dará aos que lhe obedecem mesmo em tempo de tribulação?
19 No caso de Jó, Satanás contendeu que o homem faria tudo, até mesmo voltar-se contra o seu Deus para salvar a presente vida. “Tudo o que o homem tem ele dará pela sua alma”, argumentou ele. (Jó 2:4, margem, edição de 1957) Mas Cristo, notavelmente, fez isto. Certa ocasião Jesus estava falando sobre seguir um curso de ação que significaria a sua morte no serviço de Deus. “Em vista disso, Pedro tomou-o a parte e começou a levantar-lhe fortes objeções.” Mas, Jesus o repreendeu. “‘Para trás de mim Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não tens os pensamentos de Deus, mas, sim, os dos homens.’ Então disse Jesus aos seus discípulos: ‘Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo e tome a sua estaca de tortura e siga-me continuamente. Pois todo aquele que quiser salvar a sua alma, perdê-la-á; mas, todo aquele que perder a sua alma por minha causa, acha-la-á.’” (Mat. 16:21-25; Mar. 8:31-35) Que nenhum de nós jamais nos tornemos como Satanás para com nossos irmãos cristãos, instando com eles para abandonarem a confiança em Deus em favor da sabedoria do mundo! Há somente um modo de se ganhar, a vida, este é viver em harmonia com a vontade de Deus. A confiança em Deus nunca é mal colocada. Como Médico Divino, ele pode fazer o que nenhum médico humano jamais pode: ele pode estender vida aos seus servos, não apenas por uns poucos anos dificultosos, más para toda a eternidade — se for necessário, pela ressurreição dos mortos — no seu glorioso novo mundo, agora tão perto, às portas. — Sal. 23:4; Atos 24:15.
20. O que faremos agora para usar a nossa vida em harmonia com a vontade de Deus?
20 Com tais perspectivas maravilhosas diante de nós; sejamos cuidadosos em viver em harmonia com á vontade de Deus. Não tornemos cada vez mais negligentes, como o mundo, em nossa atitude para com o sangue de nosso semelhante. Agora é o tempo de mostrarmos maior interesse no seu sangue vital por instar com eles para que exerçam fé no sangue de Jesus Cristo, o único sangue que tem valor real aos olhos de Deus quanto a salvar vida. Indiquem-lhes o reino, ajudem-nos a ficar conhecendo as suas leis, encorajem-nos pacientemente ao se porem a caminhar pelo caminho da vida. Faça disso a sua determinação, ser capaz de dizer como Paulo: “Estou limpo do sangue de todos os homens, porque não me refreei de vos dizer todo o conselho de Deus.” — Atos 20:26, 27.
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