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Inocência mediante respeito pela santidade do sangueA Sentinela — 1960 | 15 de junho
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Inocência mediante respeito pela santidade do sangue
“Estou limpo do sangue de todos os homens.” — Atos 20:26, NM.
1. Quão precioso para nós é o nosso sangue? E como difere a atitude de Cristo como Rei, daquela dos que fazem explodir bombas atômicas?
QUÃO precioso é o sangue em nossos corpos! Nossa vida depende do sangue, e ele constitui entre uma décima a uma duodécima parte do nosso corpo. Estremecemos, naturalmente, só em pensar na ameaça resultante de qualquer aumento na doença do sangue, uniformemente fatal, conhecida como leucemia, em resultado dos resíduos radioativos que caem do céu, provenientes das explosões de bombas atômicas acima do solo. Num único mês de intensivas provas atômicas, durante o outono de 1958, a União Soviética quase que duplicou a quantidade de resíduos radioativos na atmosfera de nossa terra. Assim disse o Dr. W. E. Libby, cientista que é membro da Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos. Isto aumenta em todo o mundo o perigo para o sangue. De que modo? Entre os perigos a que o homem está exposto devido aos resíduos radioativos, o produto radioativo de maior importância, procedente das explosões de bombas atômicas efetuadas acima do solo, é a substância química conhecida como estrôncio 90, substância radioativa de longa vida que pode causar o câncer dos ossos e a leucemia. É no tutano de nossos ossos que se fabrica o sangue. (Times de Nova Iorque, 14 de março de 1959) Certamente, a atitude dos homens que realizam explosões que constituem tal perigo para o sangue humano é muito diferente da atitude de Cristo, a quem o nosso Criador designou como Rei dum novo mundo. A profecia sagrada diz a respeito deste Rei: “Salvará as almas dos indigentes. Remirá as suas almas da opressão e da violência, e precioso será aos seus olhos o sangue deles.” — Sal. 72:13, 14.
2. Hoje em dia, o que é pouco apreciado pelos homens em geral quanto às leis divinas concernentes ao sangue, e por que precisamos informar-nos sobre isso?
2 Ninguém conhece melhor o valor do sangue e da íntima relação entre o sangue e a vida do que o Criador deste tecido vivo, animado, nos corpos animais. Ele, como nosso Criador e Dador da vida, estabeleceu há muito tempo certas leis com respeito ao sangue. Estas leis mostraram que ele atribui ao sangue qualidade sagrada, santidade. Hoje em dia é pouco reconhecido pelos homens em geral que eles estão sob a lei do Criador no que se refere ao sangue, e que serão punidos se violarem a sua santidade. Esta punição não é leve, mas exigirá deles a própria vida. Já se passaram mais de 4.327 anos desde o dilúvio dos dias de Noé, mas a lei que Deus proclamou então com respeito ao sangue ainda está em vigor. Ainda mais, aplica-se a toda a humanidade; pois todos nós, quer judeus, quer não-judeus, descendemos de homens que não eram judeus, e a quem se declarou esta lei santa, a saber, Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafet. Nossa vida depende de estarmos informados desta lei e de a guardarmos. Tiraremos proveito e ficaremos esclarecidos se notarmos o que esta lei diz a toda a humanidade atualmente viva.
3, 4. (a) Que se pode dizer sobre se o sacrifício de Noé, depois do dilúvio, foi violação da santidade do sangue? (b) Que disse Jeová na sua leia Noé concernente ao sangue?
3 Quando Noé e os outros passageiros saíram da arca, na qual eles e os animais e aves sobreviveram ao maior dilúvio presenciado pelo homem, Noé chefiou a sua família na oferta de sacrifícios a Deus. Noé matou ali, no monte Ararat, alguns dos animais e das aves limpas. Isto não era violação da santidade do sangue. Mais de quinze séculos antes do Dilúvio, o fiel Abel, segundo filho de Adão, ofereceu um sacrifício, o que significou matar primogênitos de seu rebanho de ovelhas. Mas, Deus aceitou este sacrifício e deu a Abel testemunho de que era justo e inocente. (Gên. 4:1-4; Heb. 11:4) Do mesmo modo, Deus aprovou o sacrifício de Noé, constituído de animais e aves limpas, e Noé “tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé”. (Gên. 8:18-22; Heb. 11:7) Foi quando expressou a sua aprovação de Noé e dos filhos dele que Deus, o Salvador da raça humana, declarou a sua lei concernente ao sangue, que nos deve governar. Lemos:
4 “Deus continuou a abençoar Noé e seus filhos, e a dizer-lhes: ‘Sede frutíferos, e tornai-vos muitos, e enchei a terra. E o medo de vós e o terror de vós continuará sobre toda a criatura vivente na terra e sobre toda a criatura volante do céu, sobre tudo o que se arrasta pelo chão, e sobre todos os peixes do mar. Ficam agora entregues na vossa mão. Todo o animal rastejante que vive pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, eu vos dou tudo. Somente a carne com sua alma — seu sangue — não deveis comer. E, além disso, requererei de volta o sangue de vossas almas. Da mão de toda criatura vivente o requererei de volta; e da mão do homem, da mão daquele que é seu irmão, requererei de volta a alma do homem. Qualquer que derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” — Gên. 9:1-6, NM; Elberfelder; Segond; Lienart; DeVaux.
5. Por que não comeram carne os homens tementes a Deus antes do Dilúvio? De que modo autorizou Deus aos homens que comessem carne depois do Dilúvio?
5 Abel nunca comeu carne com sangue, que é a sua alma ou vida. Abel era homem temente a Deus, e ainda não se dera a permissão para que os homens comessem a carne de animais inferiores, aves e peixes. Do mesmo modo, nem Noé nem os que com ele sobreviveram tinham comido carne antes do dilúvio, pela mesma razão. Deus permitiu então, com pleno respeito pelo valor precioso e pelo significado do sangue, que a humanidade comesse a carne de animais e de aves, mas não com o sangue da criatura consumida.
6. Quem foi o primeiro a mencionar o sangue, e sob que circunstâncias?
6 Já antes do Dilúvio, Deus permitira e aprovara o derramamento do sangue de vítimas sacrificiais no seu santo altar, mas nem o sangue nem a carne que o continha podiam ser absorvidos no corpo humano como alimento. O primeiro a mencionar o sangue, na Bíblia, foi o próprio Deus. Quando Caim se negou a confessar que matara a seu irmão Abel, Deus disse a Caim: “Que fizeste? a voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra. Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão.” — Gên. 4:10, 11.
7. Que fato estabeleceu Jeová cinqüenta e cinco séculos antes de os cientistas da medicina o provarem? O que é hoje desconsiderado pela medicina?
7 Por mencionar o sangue de Abel, em vez de falar de seu corpo de carne, Deus salientou o fato de que a vida está no sangue. Cinqüenta e cinco séculos antes de isso ser provado pelos cientistas da medicina, Deus estabeleceu o fato de que o princípio da vida está no sangue. Mas a medicina moderna recusa-se a reconhecer a lei do próprio Deus, que ordena respeito pela santidade do sangue. A medicina moderna desconsidera o fato de que toda a humanidade está sujeita a este decreto sobre o sangue e se acha sujeita à punição das mãos de Deus pela violação da lei sagrada com respeito ao sangue.
8, 9. (a) Nos dias de Nemrod, de que se afastou a humanidade, e por quê? (b) Como enfatizou a linguagem de Rubem, referente a José, que a vida é representada pelo sangue?
8 Noé teve um bisneto chamado Nemrod, que se tornou rei de Babilônia. Sob a influência dele, a maior parte do mundo da humanidade começou a desviar-se da lei do próprio Deus concernente à santidade do sangue. Isto era de se esperar, pois o Rei Nemrod chegou a destacar-se como “poderoso caçador em oposição a Jeová”. (Gên. 10:8-10, NM) Abraão, o homem que teve fé em Jeová Deus, veio da vizinhança do antigo reino de Nemrod. Abraão teve doze bisnetos, através de Isaac e Jacó, que se tornaram os chefes das doze tribos de Israel. Houve ciúme, e a vida de um destes chefes tribais, José, ficou ameaçada pelos seus irmãos. No esforço de salvá-lo, seu irmão mais velho, Rubem, disse: “Não derrameis sangue.” Por fim, seus irmãos não viram nenhum proveito egoísta em matar José e “encobrir o seu sangue”, e o venderam como escravo. Anos depois, Jeová Deus tirou José da escravidão e do encarceramento no Egito, e o elevou à posição de primeiro ministro de Faraó, rei dó Egito.
9 Para vencer a fome na Palestina, os dez irmãos de José, anteriormente ciumentos, foram mandados ao Egito para comprar os necessários suprimentos de víveres. Foram levados perante José, mas não o reconheceram, sendo ele o primeiro ministro do Egito. A fim de pôr à prova a sua atitude de coração, José, por meio dum intérprete, acusou-os de serem espiões e os ameaçou com a pena de morte. Ameaçados de perderem as suas próprias vidas, os dez irmãos se lembraram de sua culpa e começaram a falar em hebraico sobre como tinham vendido José, causando-lhe possivelmente a morte. Rubem falou então: “Não vos disse eu: Não pequeis contra o menino; e não querieis ouvir? por isso também eis que o seu sangue é requerido.” (Gên. 37:21-28; 42:21, 22) O israelita Rubem usou assim a mesma expressão que Jeová Deus usara quando impôs a lei concernente à santidade do sangue sobre toda a humanidade. Rubem enfatizou, pela linguagem que usou, que a vida humana é representada pelo sangue todo necessário.
10. Como insistiu Jeová que Israel guardasse a sua lei dada a Noé, quando ele fez o seu pacto com Israel?
10 Séculos depois, Jeová libertou as doze tribos de Israel da escravidão no Egito e as levou ao monte Sinai, na Arábia. Ali, usando o profeta Moisés como mediador, ele estabeleceu um pacto, uma relação contratual, entre si mesmo e as doze tribos de Israel, para ele ser o seu Deus e elas serem o seu povo escolhido. Além dos Dez Mandamentos, deu-lhes centenas de outras leis. Para que lhe fossem um povo santo, diferente dos povos não-israelitas do mundo, Jeová Deus insistiu que guardassem a lei que ele dera ao seu antepassado, Noé, quanto à santidade do sangue. Proibiu-lhes, por isso, que ingerissem sangue humano ou animal como alimento ou bebida.
11. O que proibia a lei de Jeová tanto aos residentes estrangeiros como aos israelitas, e por quê?
11 Uma das suas leis que lhes deu especificou: “Não comereis nenhum sangue em qualquer lugar que morardes, quer o de ave quer o de, animal. Qualquer alma que come qualquer sangue, essa alma tem de ser cortada do seu povo.” Nem mesmo aos estrangeiros residentes no meio de sua nação permitia-se ingerir sangue como alimento. A lei de Jeová dizia: “Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou a algum residente temporário que resida por um tempo no vosso meio, que comer qualquer espécie de sangue, eu certamente porei o meu rosto contra a alma que comer o sangue e deveras a cortarei dentre o seu povo. Pois a alma da carne está no sangue, e eu mesmo o tenho posto por vós sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma nele. É por isso que eu disse aos filhos de Israel: ‘Nenhuma alma de vós deve comer sangue e nenhum residente temporário que resida por um tempo no meio de vós deve comer sangue.’” — Lev. 7:26, 27; 17:10-12, NM.
12. Que diz a Cyclopædia de McClintock e Strong sobre a proibição do sangue como alimento e a violação desta proibição?
12 A Cyclopædia de McClintock e Strong, sobre literatura bíblica, teológica e eclesiástica, Tomo I, página 834, diz a respeito da proibição do sangue como alimento: “Nos casos em que a proibição é introduzida em conexão com as substâncias lícitas e ilícitas para a alimentação, a razão dada geralmente no texto é que ‘o sangue é a alma’, e ordena-se que seja derramado no chão assim como água. Mas, onde é mencionado com referência às partes das vítimas que haviam de ser oferecidas ao Senhor, então o texto, em adição à primeira razão, insiste que ‘o sangue expia pela alma’. (Lev. xvii, 11, 12). Esta estrita proibição não só se aplicou aos israelitas, mas até mesmo aos estrangeiros que residiam no meio deles. A penalidade aplicada por esta transgressão era ser ‘cortado do povo’, que parece indicar a pena de morte (compare com Hebreus x, 28), embora seja difícil de apurar se esta foi infligida pela espada ou por apedrejamento.”
13. Que fatos vitais salientaram as leis de Deus para os caçadores israelitas?
13 Deus, portanto, disse a cada caçador israelita que não fosse como Nemrod, o poderoso caçador babilônico, mas que respeitasse o sangue da presa: “Neste caso, ele tem de derramar o sangue dele e tem de cobri-lo com pó. Pois a alma de toda sorte de carne é o seu sangue pela alma nele. Conseqüentemente, eu disse aos filhos de Israel: ‘Não comereis o sangue de qualquer sorte de carne, porque a alma de toda sorte de carne é o seu sangue. Todo aquele que o comer será extirpado.’” (Lev. 17:13, 14, NM) O sangue era como a alma. Por isso Jeová Deus disse mais a cada caçador em pacto com ele: “Tome simplesmente a firme resolução de não comer sangue, porque o sangue é a alma e não deves comer a alma [em hebraico: néfes] com a carne. Não a comerás. Deves derramá-la no chão como água.” (Deu. 12:23, 24, NM) Comer a alma significa comer a vida dada por Deus, e isto faz o comedor responsável por tirar de Deus uma vida.
OS CRISTÃOS NÃO ESTÃO ISENTOS DA LEI DO SANGUE
14, 15. (a) Que reconheciam os primitivos cristãos judeus quanto ao pacto da Lei e a lei do próprio Deus dada a Noé? (b) Portanto, que instruções mandou o corpo governante aos cristãos não-judeus?
14 Que se pode então dizer dos cristãos, os que realmente seguem as pisadas de Jesus Cristo, o Filho de Deus? Jesus estabeleceu a congregação cristã na terra. Durante três anos e meio depois de sua morte e ressurreição, a congregação compunha-se exclusivamente de judeus ou israelitas e prosélitos circuncisos. Estes cristãos judeus reconheciam que o pacto da Lei, feito por Jeová Deus com a nação de Israel, por intermédio de Moisés, tinha sido cancelado e como que pregado na estaca de tortura em que Jesus Cristo foi pendurado como sacrifício humano perfeito. Paulo, o apóstolo cristão, que fora anteriormente fariseu judeu, afirmou este fato. (Efé. 2:13-16; Col. 2:13-17, NM) A congregação cristã estava num novo pacto com Jeová Deus, por meio do sangue derramado de Jesus Cristo. Não obstante, reconheciam que ainda se achavam sob a lei do próprio Jeová, dada a Noé, quanto à santidade do sangue, lei santa que nunca foi cancelada ou revogada. Portanto, os doze apóstolos e outros cristãos maduros da congregação em Jerusalém, como corpo governante, enviaram as seguintes instruções aos cristãos batizados que não foram anteriormente judeus circuncisos.
15 “O espírito santo e nós próprios somos a favor de não vos acrescentar nenhuma carga adicional, exceto estas coisas necessárias, que vos conserveis livres das coisas sacrificadas aos ídolos, e de sangue, e das coisas mortas sem que se deixasse escorrer seu sangue, e da fornicação. Se cuidadosamente vos guardardes destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós!” — Atos 15:28, 29; 21:24, 25, NM.
16. Apesar da revogação do pacto da Lei e a introdução dum novo pacto, o que não podem fazer os cristãos, e por quê?
16 Não, apesar da revogação do pacto da Lei e apesar de Jeová Deus ter introduzido o novo pacto validado pelo sangue sacrificado de Jesus Cristo, Jeová Deus não mudara a sua lei quanto à idolatria, o sangue e a imoralidade sexual. Assim, os cristãos não podiam adorar a Deus pelo uso de imagens ou símbolos; não podiam cometer adultério ou fornicação; não podiam derramar sangue em homicídio ou alimentar seus corpos com sangue de aves, de animais ou de homens.
17. Por que não constitui o beber do cálice comum na refeição noturna do Senhor nenhuma violação do pacto concernente ao sangue?
17 É verdade que aqueles cristãos do primeiro século celebravam cada ano a refeição noturna ou ceia do Senhor, na qual cada congregação participava dum cálice comum de vinho. Mas, ao beberem deste cálice comum, não bebiam o sangue literal do Cordeiro sacrificial, Jesus Cristo. Horas antes de o soldado romano lancear o lado esquerdo de Jesus, pendurado na estaca, de modo que saiu sangue e água, o Senhor Jesus oferecera o cálice emblemático aos seus onze apóstolos fiéis, numa sala superior, em Jerusalém, e dissera-lhes: “Bebei dele, todos vós; pois isto significa meu ‘sangue do pacto’ que há de ser derramado a favor de muitos para a remissão de pecados. Mas, digo-vos, que daqui em diante de nenhum modo beberei deste produto da videira [isto é, do vinho] até aquele dia em que o beberei, novo, convosco no reino de meu Pai.” (João 19:33-37; Mat. 26:26-29, NM) O vinho tinto naquele cálice era apenas simbólico. Era símbolo do sangue vital de Jesus, que havia de ser derramado em sacrifício a Deus, para nos purificar de pecados.
18. De que modo participam os celebrantes da refeição noturna do Senhor no sangue do Cristo?
18 Anos depois, o apóstolo Paulo escreveu aos celebrantes da refeição noturna do Senhor: “O cálice de bênção que abençoamos, não é a participação no sangue do Cristo?” (1 Cor. 10:16, NM) Beberem deste cálice memorial de vinho foi representativo de participarem dos benefícios da vida humana sacrificada de Jesus, representada pelo seu sangue. Fazem isso por meio de sua fé nele como sendo Aquele que morreu a fim de comprá-los de volta do pecado e da morte.
19. Como autorizou Deus que o sangue fosse usado para se ganhar a vida, e, assim, como consideram os verdadeiros cristãos o sangue de Cristo?
19 Deus tinha autorizado que se derramasse sobre o seu santo altar o sangue duma vítima sacrificial, como oferta de vida a ele. Concordemente, os cristãos reconheciam o sangue humano perfeito de Jesus como derramado sobre o verdadeiro altar de sacrifício de Deus, a fim de fornecer a vida eterna a todos os que aceitassem o seu sacrifício. Por isso era sangue precioso e tinha poder aquisitivo perante Deus. O apóstolo Pedro escreveu a seus companheiros cristãos: “Sabeis que não foi com coisas corrutíveis, com prata ou com ouro por resgate, que fostes libertos de vossa forma de conduta infrutífera, recebida por tradição de vossos antepassados. Mas foi com sangue precioso, semelhante ao dum cordeiro imaculado e sem mancha, sim, o de Cristo.” — 1 Ped. 1:18, 19, NM.
20. Por que teve o derramamento do sangue de Cristo um efeito diferente sobre os judeus que insistiam que Pilatos mandasse executar a Jesus?
20 Assim, o derramamento do seu sangue sobre o altar de Deus não afetou aqueles cristãos crentes do mesmo modo como afetou os judeus que insistiam que o governador romano mandasse matar a Jesus numa estaca de tortura. O Governador Pilatos lavou as mãos em água diante da multidão, dizendo: “Estou inocente do sangue deste, fique o caso convosco!” Eles concordaram com isso, dizendo: “Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos.” (Mat. 27:24, 25, ARA) Concordaram voluntariamente em assumir a responsabilidade pelo derramamento do sangue de Jesus e em transmitir esta responsabilidade aos seus filhos.
21. Por beberem do cálice na refeição noturna do Senhor, de que foram acusados os primitivos cristãos, e o que mostra a sua defesa quanto à lei dada a Noé?
21 Os primitivos cristãos celebravam cada ano a refeição noturna do Senhor, ocasião em que bebiam dum cálice comum de vinho, simbólico do sangue de Jesus. Sem dúvida, ou em parte, foi por isso que os incrédulos pagãos acusavam estes fiéis cristãos de beber sangue humano. Esta foi uma das acusações falsas contra que os porta-vozes da congregação cristã tinham de defender-se. Eles fecharam a boca destes adversários do cristianismo por explicar que o sangue humano era muito superior e muito mais valioso do que o sangue animal; e que os cristãos estavam tão opostos a beber sangue humano, que era contrário à lei de seu Deus beber até mesmo o sangue de animais inferiores, de criaturas brutas, irracionais. Numerosos são os testemunhos no sentido de que aqueles cristãos fiéis não absorveram sangue humano no seu organismo, para nenhum fim. — Veja-se Origines Ecclesiasticae, ou, Antiquities of the Christian Church, de Joseph Bingham [1668-1723]; Livro 17, capítulo 5, parágrafo 20.a
22. Quando começaram certos pretensos cristãos a argumentar contra a lei de Deus dada a Noé? E como?
22 Foi só depois do tempo do teólogo católico romano Agostinho (354-430), bispo na África do Norte, que alguns que afirmavam ser cristãos começaram a argumentar que a regra divina, proibindo que os seguidores de Cristo participassem de sangue como alimento, foi apenas uma proibição temporária e que não se aplica agora. Este argumento, porém, foi parte da apostasia da verdadeira fé por parte dos pretensos cristãos, predita pelo apóstolo Paulo. — 2 Tes. 2:1-3.
23. Visto que Jeová não muda, de que modo seguem os cristãos a exortação de Judas e se mantém inocentes?
23 Depois que Deus predisse a vinda de seu Filho, Jesus Cristo, ao templo, para a obra de julgamento, ele disse “Eu Jehovah não mudo.” (Mal. 3:1-6) Deveras, os fiéis cristãos da atualidade seguem a exortação do discípulo Judas, de “travar uma luta árdua pela fé que de uma vez para sempre foi confiada aos santos”. (Jud. 3, NM) De acordo com esta fé, mantêm-se inocentes quanto ao sangue. Evitam a penalidade da violação da santa lei imutável de Deus quanto à santidade do sangue. Deus não exigirá deles nenhuma vida ou alma de homem.
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Uma congregação francesa ajunta as ovelhasA Sentinela — 1960 | 15 de junho
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Uma congregação francesa ajunta as ovelhas
NA FRANÇA, onde a obra das testemunhas de Jeová está decididamente aumentando, a distância entre os seus lares, em algumas regiões, ainda é um grande problema no seu ministério. Por exemplo, no ano passado, certo grupo em Chauny, na França, composto de trinta Testemunhas, estendia as suas atividades a uma distância de setenta a oitenta quilômetros. Dirigiam estudos bíblicos domiciliares com vinte e cinco pessoas de boa vontade espalhadas pelas aldeias. O problema era trazê-las ao Salão do Reino. Mas, quando se aproximou a época do Memorial da morte de Cristo, fez-se um arranjo especial. Fretou-se um ônibus para fazer uma ronda de mais de cento e sessenta quilômetros para ajuntar estas pessoas e trazê-las ao salão.
Assim, em 3 de abril, às 14,30 horas, não havia apenas as costumeiras dezoito a vinte pessoas sentadas no Salão do Reino, mas eram cinqüenta e cinco, algumas delas ficando bastante surpresas de descobrir que conhecidos seus no mundo também se associavam com as Testemunhas. Mas o Memorial só seria realizado depois do pôr do sol. Que haviam de fazer estas pessoas? Foram todas convidadas a acompanhar as testemunhas de Jeová no seu ministério de casa em casa, e as Testemunhas levaram as pessoas com que estudavam ao serviço de campo.
E o resultado? Dez novas pessoas, inclusive algumas que apenas estudavam por algumas semanas, tornaram-se publicadores das boas novas do reino de Deus, e a congregação ultrapassou ali mesmo seu alvo de 20 por cento de aumento em pregadores do Reino, pelo qual se esforçavam, e venceu assim felizmente o desânimo causado pelo seu anterior problema de transporte.
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Conservando-se “limpo do sangue de todos os homens”A Sentinela — 1960 | 15 de junho
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Conservando-se “limpo do sangue de todos os homens”
1. Com que palavras indicou Paulo que há ainda outro modo de se manterem os cristãos limpos de sangue?
ALÉM de se manterem limpos do sangue literal dos homens, dos animais e das aves, os que não desejam desagradar a Deus e merecer a punição da parte dele precisam manter-se alertas ainda de outro modo para se conservarem limpos do sangue. O apóstolo Paulo indica isto quando disse aos superintendentes cristãos da cidade de Éfeso, na Asia Menor: “E agora, vêde! eu sei que todos vós, entre os quais andei pregando o reino [de Deus, Al; So; Fi; Tr], não vereis mais a minha face. Portanto, chamo-vos hoje como testemunhas de que estou limpo do sangue de todos os homens.” (Atos 20:25, 26, NM) Por que podia especialmente Paulo dizer isto? E em que sentido são as suas palavras e seu exemplo um aviso para nós hoje?
2. Como iniciou o homem conhecido por Paulo a sua carreira de perseguidor?
2 Paulo era outrora conhecido como Saulo, da cidade de Tarso, na Ásia Menor. Por algum tempo, ele tinha pesada culpa de sangue. Na ocasião em que o Supremo Tribunal judaico em Jerusalém mandou que a fiel testemunha cristã, Estevão, fosse apedrejado até morrer, este Saulo de Tarso ficou observando isso e cuidava das vestes exteriores dos apedrejadores que executavam a sentença. Saulo mostrou assim abertamente que aprovava este homicídio. Parte da responsabilidade pelo sangue de Estêvão recaía sobre a sua cabeça. (Atos 7:58; 8:1; 22:19, 20) Ele iniciou assim uma carreira de perseguição. “Saulo, porém, começou a lidar brutalmente com a congregação. Invadindo uma casa após outra e arrastando para fora tanto homens como mulheres, entregava-os à prisão.” Com exceção dos apóstolos, os cristãos foram dispersos de Jerusalém. — Atos 8:3, NM.
3. Que perseguição confessou Paulo perante Festo e Agripa?
3 “Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco [na Síria], a fim de que, caso achasse, alguns que fossem do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém.” (Atos 9:1, 2, ARA) Quando deu testemunho perante o Governador Festo e o Rei Herodes Agripa II, ele disse: “Eu é que fui realmente um que pensava no íntimo que devia cometer muitos atos de oposição contra o nome de Jesus, o Nazareno; o que, de fato, foi o que eu fiz em Jerusalém, e encerrei muitos dos santos nas prisões, visto que recebera autorização dos principais sacerdotes; e quando iam ser executados, lancei meu voto contra eles. E por puni-los muitas vezes em todas as sinagogas tentei obrigá-los à abjuração; e, visto que eu estava extremamente enfurecido contra êles, ia até o ponto de persegui-los mesmo nas cidades de fora.” — Atos 26:9-11, NM.
4. Sob que culpa veio Saulo deste modo, e por que foi importante mudar ele de ocupação?
4 Por este proceder enfurecido, Saulo veio a ter pesada culpa de sangue, culpa do derramamento de sangue inocente. Como se libertou dela? Por aceitar a misericórdia divina. Em caminho a Damasco, onde projetava continuar a sua perseguição, Saulo foi detido pelo mesmo a quem realmente perseguia. O ressuscitado e glorificado Jesus apareceu milagrosamente a Saulo e repreendeu-o, dizendo: “Eu sou Jesus, a quem persegues.” O Senhor Jesus ofereceu então a Saulo uma mudança de ocupação, a de “ministrante e testemunha, tanto das coisas que viste como das coisas que eu te farei ver a respeito de mim; livrando-te deste povo e das nações, às quais eu te envio, para abrir-lhes os olhos, para desviá-las da escuridão para a luz e da autoridade de Satanás para Deus, a fim de que recebam perdão de pecados e uma herança entre os santificados pela sua fé em mim”. (Atos 26:12-18; 9:3-6, NM) A questão era então: Mudaria Saulo de ocupação, de perseguidor para ministrante e testemunha de Jesus Cristo? A sua vida dependia disso, pois a sua então pesada culpa de sangue merecia a morte. Também a sua vida eterna dependia disso.
5. Que proceder adotou Saulo então, e que evidência pública disso deu ele imediatamente?
5 Saulo viu então que merecia morrer, mas, segundo a misericórdia de Deus por meio de Cristo, não precisava morrer pela sua extrema culpa de sangue. Durante os três dias de sua milagrosa cegueira, em Damasco, ele confessou o seu terrível pecado e se arrependeu; pedindo misericórdia por meio do sacrifício de resgate de Jesus Cristo. Ele se converteu e mudou de atitude, afastando-se do seu proceder homicida de perseguidor, como fariseu judaico, e se dedicou a Jeová Deus como seguidor de Seu Filho Jesus Cristo. Ao decidir assim fazer a vontade de Deus quanto à sua pessoa, ele aceitou a designação de serviço que Jesus lhe ofereceu. Assim que a sua vista foi milagrosamente restabelecida no terceiro dia, Saulo foi batizado em água para dar evidência pública de sua dedicação a Deus como seguidor de Jesus; e ele foi beneficiado pela lavagem dos seus pecados por meio do sangue precioso do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. (Atos 9:17-19; 22:12-16) Logo depois disso, ele começou a agir como testemunha semelhante a Jesus Cristo. — Atos 9:19-26.
6, 7. (a) O uso de que, da parte de Deus, livrou Saulo da culpa de sangue? (b) O que diz ele às pessoas que hoje em dia sentem o peso da mesma culpa?
6 Saulo nos diz que ele foi aliviado de sua pesada culpa de sangue pela benevolência de Deus por meio de Jesus Cristo, o qual lhe apareceu mesmo depois de sua ascensão ao céu: “Por último, apareceu também a mim, como a um nascido prematuramente. Pois eu sou o mínimo dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a congregação de Deus. Mas, pela benignidade imerecida de Deus, sou o que sou. E a sua benignidade imerecida para comigo não se mostrou em vão, mas eu trabalhei mais que todos eles, todavia, não eu, mas a benignidade imerecida de Deus que está comigo.” (1 Cor. 15:8-11, NM) Saulo, na sua ignorância, acumulou fanàticamente culpa de sangue sobre si mesmo. Para as pessoas que hoje em dia sintam o peso insuportável da mesma espécie de culpa de sangue, Paulo diz:
7 “[Ele me tem] considerado fidedigno, designando-me para um ministério, embora eu outrora fosse blasfemador, e perseguidor, e homem insolente. Não obstante, mostrou-se-me misericórdia, porque eu era ignorante e agia com falta de fé. Mas a benignidade imerecida de nosso Senhor abundou excessivamente, junto com fé e amor, que está em relação com Cristo Jesus. Fidedigno e merecedor de plena aceitação é a declaração de que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores. Destes eu sou o principal. Não obstante, a razão pela qual se me mostrou misericórdia foi para que, por intermédio de mim, como o caso principal, Cristo Jesus pudesse demonstrar toda a sua longanimidade como exemplo para aqueles que irão depositar sua fé nele para a vida eterna.” — 1 Tim. 1:12-16, NM.
8. Portanto, assim como Saulo, que passos podemos dar para ficarmos livres da terrível culpa de sangue e sermos designados para o serviço cristão?
8 Visto que confessou os seus grandes pecados, arrependeu-se deles, converteu-se e desviou-se deste confesso proceder pecaminoso, sendo que aceitou humilde e grato a benignidade imerecida que Deus lhe demonstrou por meio de Seu Filho Jesus Cristo, dedicando-se ele a Deus, para fazer a vontade de Deus conforme revelada, e simbolizando esta dedicação pelo batismo em água, Saulo de Tarso iniciou o seu serviço designado como cristão limpo do sangue dos cristãos cuja execução ele causara. Também nós, hoje, podemos do mesmo modo ficar limpos da terrível culpa de sangue. Poderemos assim guardar o pacto concernente à santidade do sangue por nos conservarmos limpos do sangue e das coisas mortas sem que se deixasse escorrer o sangue.
9. Conforme indicado por Paulo, como assume a pessoa que se dedica uma nova responsabilidade para com o sangue de outros homens?
9 Todavia, o que é este conservar-se “limpo do sangue de todos os homens” de que Paulo fala mais tarde? Quando alguém se torna cristão, assume este dedicado uma nova responsabilidade para com o sangue de outros homens? Sim; porque os outros homens estão em perigo de morte, da parte de Deus, assim como nós estávamos, e nós sabemos agora como eles podem escapar de tal morte. Ficamos assim responsáveis de usar a favor deles o conhecimento que temos. Nós não somos os únicos pecadores que Cristo veio salvar por derramar o seu sangue. Ele foi anunciado como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. — João 1:29.
10. Conforme indicado em Provérbios 24:11, 12, que obrigações têm as pessoas a quem já se mostrou misericórdia, a fim de que outros se aproveitem dos meios de salvação?
10 Como, porém, poderiam outros ser salvos pelo seu sacrifício a favor dos pecados, se estes nunca chegassem a saber disso e nunca tivessem a oportunidade de aceitá-lo e tirar proveito dele? A salvação acha-se assim possível a inúmeras outras pessoas, além de nós atualmente salvos. Aqueles a quem já se mostrou misericórdia recebem a responsabilidade de mostrar misericórdia e de familiarizar outros com os meios de salvação. Se não fizermos isso, não devia então o fracasso dos outros, em não atingir a salvação, ser atribuído em grau maior ou menor a nós, os que negligenciamos ou falhamos em dar a necessária informação? Isto se aplica especialmente ao tempo do juízo divino, quando há de haver e está iminente a execução da sentença. Mostrando a nossa responsabilidade neste assunto, Provérbios 24:11, 12 (NM) diz: “Livra os que estão sendo levados para a morte e os que tropeçam para a matança, se quiseres ser poupado. Caso disseres: ‘Vê! nós não conhecíamos a este’, não o discernirá aquele que avalia os corações, e não saberá aquele que observa a tua alma e não pagará certamente de volta ao homem terreno segundo a sua atividade?” Foi assim que Paulo considerou a situação. Mostrara-se-lhe ilimitada misericórdia; por isso tinha de mostrar misericórdia a outros, visto que ele mesmo vivia pela misericórdia de Deus por meio de Cristo.
MOSTRANDO O CAMINHO DE ESCAPE
11. Que pergunta, nos dias de Paulo, era oportuna com respeito a Jerusalém? Portanto, o que é que Paulo se sentiu obrigado a fazer para se manter livre de culpa?
11 O apóstolo Paulo é um exemplo para nós atualmente. Ele desejava conservar-se livre da responsabilidade pela execução dos outros, pelo grande Juiz Jeová, visto que tal execução significaria a destruição de corpo e alma na Geena. (Mat. 10:28) Nos dias de Paulo, os judeus viviam num período de juízo divino. O Senhor Jesus dissera que Jerusalém estava confrontada por uma horrível destruição, por ela não ter discernido o tempo em que foi inspecionada pelo próprio Filho de Deus. (Luc. 19:41-44) A pergunta era: Quem pereceria junto com Jerusalém? Quem continuaria sob a culpa de sangue, que os que exigiram a morte de Jesus queriam que recaísse sobre eles e seus filhos? Paulo sentiu-se assim obrigado a dar o aviso e a mostrar a via de escape e de salvação para a vida eterna. Por isso ele pregou, dando a sua atenção primeiro aos judeus em perigo. Este desejo consciencioso de se conservar livre da responsabilidade pela destruição de outros é revelada naquilo que Paulo disse em Corinto.
12. Por causa de sua atividade de pregação em Corinto, que situação crítica se desenvolveu, e o que disse e fez Paulo para solucioná-la?
12 Paulo trabalhava naquela cidade grega como fabricante de tendas, junto com um crente judeu, de nome Áquila, marido de Priscila. Em cada sábado judaico, porém, ele proferia um discurso na sinagoga local e assim conseguiu convencer do cristianismo vários dos judeus e dos gregos. Ao se juntarem finalmente a Paulo os seus companheiros de viagem, ele “começou a ocupar-se intensamente com a palavra, testemunhando aos judeus para provar que Jesus é o Cristo”. Surgiu então uma situação crítica. Exigia que Paulo fizesse uma declaração mostrando por que tomava o assunto tão a sério. Lemos: “Quando [os judeus] continuaram a opor-se e a falar abusivamente, ele sacudiu as suas vestes e lhes disse: ‘Recaia vosso sangue sobre as vossas próprias cabeças. Eu estou limpo. Doravante irei às pessoas das nações.’ Concordemente, ele passou para diante e entrou na casa dum homem chamado Tício Justo, adorador de Deus, cuja casa era contígua à sinagoga. Mas Crispo, presidente da sinagoga, tornou-se crente no Senhor, e assim também toda a sua família. E muitos dos coríntios, ouvindo, começaram a crer e a ser batizados.” — Atos 18:1-8; 1 Cor. 1:14-16, NM.
13. Como, provavelmente, foram incluídos os judeus incrédulos em Corinto na execução do juízo sobre Jerusalém, e por que não podia Paulo ser responsabilizado por isso?
13 Paulo sabia que a nação judaica achava-se num tempo de juízo e que a destruição de Jerusalém viria dentro da geração que então vivia. Judeus de todas as partes da terra, “de todas as nações debaixo do céu”, subiam a Jerusalém para as celebrações ou festas anuais dos judeus. Sem dúvida, alguns da sinagoga judaica de Corinto, que se opuseram ali a Paulo por volta dos anos 50/51 E. C., subiram vinte anos depois a Jerusalém, para celebrar a Páscoa do ano 70 (E. C.). Ficaram ali presos quando o general romano Tito lançou as suas legiões contra a cidade e engarrafou ali todos os celebrantes da Páscoa. A morte pelo sítio, pela fome, pela pestilência e pela luta interna apanhou a maioria deles. Somente o pequeno número dos sobreviventes foi levado cativo a todas as partes do Império Romano. Se aqueles judeus se tivessem tornado cristãos e tivessem sido batizados por Paulo, assim como Crispo e sua família, teriam ficado longe de Jerusalém e da Judéia, especialmente depois de o romano Cesto Galo ter cercado a cidade condenada com os seus exércitos, num curto sítio, no ano 66 (E. C.). Teriam assim dado ouvidos às palavras de Jesus em Lucas 21:20-22 e não teriam perecido junto com os um milhão e cem mil judeus, como opositores obstinados e deliberados de Cristo, que rejeitaram a salvação por meio dele. No entanto, quer tenham perecido em Jerusalém, quer não ali, aqueles judeus morreram como inimigos obstinados do Salvador da humanidade. Paulo, todavia, não podia ser considerado como responsável pelo fato de eles morrerem fora da provisão de salvação que Deus fez por meio de Jesus Cristo.
14. Como podia Paulo, ao se desviar dos judeus em Corinto, afirmar ser inocente da culpa de sangue para com eles? Para quem se voltou então?
14 Paulo podia de boa consciência sacudir as vestes e negar qualquer culpa de sangue quanto àqueles judeus de Corinto. Estava limpo e inocente na questão. Pregara na sinagoga deles até no seu dia de descanso. Quando seus companheiros Silas e Timóteo vieram ter com ele, ocupou-se ainda mais intensamente com a palavra, isto é, a palavra falada, pela pregação e pelo ensino. Isto, sem dúvida, exigia que gastasse menos tempo com a fabricação de tendas. Mas, ele se sentiu obrigado a isso, por causa da responsabilidade que tinha para com os judeus que estavam sendo diretamente julgados perante seu Deus Jeová, estando assim em perigo da destruição eterna. Quando eles continuaram a opor-se à mensagem da salvação e a falar abusivamente a respeito de Jesus Cristo, era perda de tempo e má aplicação dos esforços continuar a falar com eles como comunidade. Ele podia então de boa consciência deixá-los entregues às conseqüências de seu deliberado proceder anticristão, sem levar a mínima mancha de culpa de sangue. Por isso êle se voltou para a sua outra responsabilidade, a de servir como “apóstolo para as nações [não judaicas]”. (Rom. 11:13, NM) Estas também se achavam ao alcance da possibilidade de serem salvas, desde que atendessem à mensagem. Paulo avisou por isso os judeus abandonados de Corinto: “Doravante irei às pessoas das nações.”
15. O que provou que era correto o proceder de Paulo neste assunto e que ele estava sem mancha do sangue dos judeus oponentes?
15 Foi este o proceder correto e estava Paulo realmente limpo, recaindo o sangue dos judeus sobre a própria cabeça deles? O Senhor mostrou que sim. De que modo? Ora, depois de Paulo se ter voltado exclusivamente para os pagãos ali em Corinto, ele recebeu uma mensagem do céu. Lemos: “Ora, de noite disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales; porque eu estou contigo e ninguém te tocará para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade. E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus.” (Atos 18:9-11, NTR) O “muito povo nesta cidade”, que o Senhor tinha, deve ter sido os não-judeus que se tornaram cristãos. Os judeus oponentes tentaram então instaurar processo contra a pregação de Paulo, perante o procônsul Gálio, como juiz do caso. Isto fracassou. O caso foi rejeitado pelo tribunal. Depois de ficar ali ainda muitos dias ensinando aos não judeus a Palavra de Deus, Paulo partiu em paz de Corinto e fez uma visita a Jerusalém. — Atos 18:12-22.
COMO FOI CONSERVADO LIMPO?
16. Segundo os relatos das viagens de Paulo, a quem servia ele como testemunha, e que declaração desafiadora e incontestável fez ele aos superintendentes efésios?
16 Nada inferior às testemunhas de Jeová da atualidade, Paulo foi testemunha em grande parte da terra habitada, ao máximo que lhe era possível pregar, a fim de dar testemunho: aos sírios, aos judeus, aos árabes, aos cilicianos, aos cipriotas, aos panfilianos, aos gálatas, aos lícios, aos asiáticos, aos macedônios, aos gregos, aos malteses e aos italianos, tanto quanto sabemos definitivamente das viagens de Paulo. Aonde quer que este apóstolo fosse e onde quer que tivesse oportunidade de dar testemunho, ele mostrou a nós hoje como nos podemos conservar ‘limpos do sangue de todos os homens’. Como fez isso? O discurso de despedida que ele deu perante os superintendentes da congregação de Éfeso, principal cidade da província romana da Ásia, explica em especial como fez isso. Quando Paulo parou na vizinha Mileto, na sua viagem final a Jerusalém, ele mandou chamar estes homens mais idosos da congregação de Éfeso. Fez-lhes a seguinte declaração como repto: “Portanto, chamo-vos hoje como testemunhas de que estou limpo do sangue de todos os homens.” (Atos 20:16, 17, 26, NM) Podia isso ser disputado pelos superintendentes de Éfeso, e disputavam eles isso? Não! Por que não? Porque Paulo lhes apresentara cabalmente a mensagem de salvação.
17. O que sabiam muito bem esses efésios, desde o dia em que Paulo se apresentou no meio deles? O que eram as “coisas que eram proveitosas” mencionadas por ele?
17 Verifiquemos as palavras de Paulo neste respeito. Ele disse àqueles representantes da congregação cristã em Éfeso: “Bem sabeis como desde o primeiro dia em que pisei no distrito da Ásia, eu estive convosco todo o tempo, agindo como escravo do Senhor, com a maior humildade da mente, e com lágrimas e provações que me sobrevieram pelas maquinações dos judeus; enquanto não me esquivei de vos comunicar quaisquer das coisas que eram proveitosas, nem de vos ensinar publicamente e de casa em casa.” (Atos 20:18-20, NM) Note-se aqui que as “coisas que eram proveitosas” eram as que provinham da Palavra de Deus e que tinham que ver com eles serem salvos e ficarem na condição salva. Mas como pregava e ensinava Paulo publicamente e de casa em casa em Éfeso? O registro nos mostra isso.
18. Que obra fez Paulo “publicamente” em Éfeso, com respeito aos judeus?
18 Depois que partiu de Corinto, e em viagem para Jerusalém, Paulo parou em Éfeso. Que trabalho fazia ele “publicamente”? “Ele mesmo entrou na sinagoga e arrazoou com os judeus. Embora continuassem a pedir-lhe que permanecesse ali por mais algum tempo, ele não consentiu, mas despediu-se e disse-lhes: ‘Eu rumarei outra vez para cá a vós, se Jeová quiser.’” (Atos 18:19-21, NM) Depois de cumprir o seu voto em Jerusalém, Paulo voltou a Éfeso. Novamente apareceu em público. “Entrando na sinagoga, falou com franqueza, por três meses, dando discursos e usando de persuasão concernente ao reino de Deus.” Quando os judeus começaram a objetar a viva voz, abandonou Paulo o seu serviço público? O relato diz que não. “Mas, quando alguns passaram a endurecer-se e a descrer, falando injuriosamente do Caminho perante a multidão, retirou-se deles e separou deles os discípulos, proferindo diariamente discursos no auditório da escola de Tirano. Isto se deu por dois anos, de modo que todos os que moravam no distrito da Ásia ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos.” — Atos 19:1, 8-10, NM.
19. Portanto, o que fez Paulo para dar diariamente discursos públicos? Que efeito teve isso no decurso de dois anos?
19 Assim, Paulo apenas trocou de local para as conferências públicas, passando da sinagoga judaica para o auditório duma escola. Ali proferia diariamente discursos biblicos. Empenhava-se em algum trabalho secular, para o seu próprio sustento e mesmo o de outros; mas, arranjava seu horário de modo a poder falar diariamente da Bíblia. Isto teve tal efeito sobre o público, no decurso dos dois anos, que todos os habitantes do distrito romano da Asia ficaram conhecendo a mensagem do Senhor, tanto judeus como não-judeus.
20. Que acontecimentos a respeito do demonismo revelaram a espécie de testemunho público que Paulo havia dado, e como afetou isso a palavra de Jeová?
20 Certos judeus viajantes tentaram imitar alguns dos milagres que Paulo fazia. Disseram aos demônios que obsedavam certas vitimas: “Conjuro-vos solenemente por Jesus; a quem Paulo prega.” Não só aqueles judeus sabiam o que Paulo pregava pùblicamente, mas também os demônios o sabiam. Num caso, o demônio respondeu-lhes: “Eu sei de Jesus e conheço a Paulo; mas quem sois vós? O que sucedeu então ficou conhecido em toda a Éfeso. Lemos: “Todos eles ficaram com medo, e o nome do Senhor Jesus continuou a ser magnificado. E muitos dos que se tornaram crentes vinham e confessavam, e relatavam abertamente as suas práticas. De fato, um número bastante grande dos que praticavam artes mágicas juntaram os seus livros e os queimaram perante todos. E calcularam juntos o preço deles, verificando que valiam cinqüenta mil moedas de prata. Assim a palavra de Jeová continuava a crescer e a prevalecer de modo poderoso.” (Atos 19:11-20, NM) Este último proceder mencionado é o certo para os que atualmente tenham praticado o espiritismo, que é demonismo. Que confessem abertamente as suas anteriores práticas e peçam o perdão de Deus, destruindo então seus livros demonistas ou obras de referência, não importa qual o custo deles em valor no mundo. No entanto, a coisa principal que se precisa notar aqui é que, por causa do ensino público de Paulo, as conversações sobre a Palavra de Deus continuaram a aumentar e a prevalecer sobre os ensinos pagãos e sobre as tradições judaicas, e isso de modo poderoso.
21. Por causa da pregação pública feita por Paulo fora da sinagoga, dentre quem surgiu oposição? Como é que Demétrio, o prateiro, criou um tumulto?
21 Por causa da pregação de Paulo nas sinagogas, havia surgido uma forte oposição entre os judeus. Agora, seu serviço público fora da sinagoga judaica foi tão bem sucedido entre os não-judeus que suscitou oposição entre os pagãos. Admitindo relutantemente o bom êxito do serviço público de Paulo, Demétrio, o prateiro, disse aos seus colegas de trabalho, que fabricavam pequenos santuários de prata, de Ártemis, ou Diana, cujo suntuoso templo se achava em Éfeso: “Homens, bem sabeis que deste negócio vem a nossa prosperidade: Também estais vendo e ouvindo como não só em Éfeso, mas em quase toda a província da Ásia, este Paulo tem convencido uma multidão bastante grande, levando-a a outra opinião, dizendo que não são deuses os feitos por mãos. Além disso, não só há perigo que esta nossa ocupação caia em descrédito, mas também que o templo da grande deusa Artemis seja estimado em nada, e que até mesmo a sua magnificência, adorada por toda a província da Ásia e pela terra habitada, venha a ser demolida.” Com isso criaram um tumulto em Éfeso.
22. Que evidência da publicidade ganha por Paulo foi demonstrada no caso das autoridades públicas por ocasião do tumulto?
22 Como evidência da publicidade que Paulo ganhou como ministro cristão, as autoridades tentaram protegê-lo contra dano. Os discípulos não permitiram que Paulo entrasse no teatro da cidade para falar à populaça confusa e exaltada. Lemos: “Mesmo alguns dos comissários das festas e dos jogos, que lhe tinham amizade, mandaram e começaram a instar com ele que não se arriscasse no teatro.” Por fim, o escrivão da cidade chamou a populaça à razão e dissolveu a assembléia tumultuosa. — Atos 19:23-41, NM.
23. Que evidência há de que Paulo ensinou de casa em casa, e quem não pôde negar essa obra efetuada por Paulo?
23 Como, porém, ensinara Paulo “de casa em casa” em Éfeso? Não temos nenhum registro específico sobre isso. Todavia, quando Paulo fez esta primeira revisita a Éfeso, encontrou ali alguns professos discípulos, cerca de doze homens. O registro não diz que encontrou estes homens na sinagoga judaica. É portanto razoável que os tenha encontrado trabalhando de casa em casa, a respeito de que ele testifica mais tarde perante os superintendentes efésios. Visto que não se diz que Paulo falasse a estes doze professos discípulos na sinagoga, deve ter-lhes explicado o assunto num lar particular. Eles não sabiam nada sobre o espírito santo, o que explica por que este não operava neles. Tinham sido batizados em água; mas não foi em batismo cristão. Foi no “batismo de João”. Porém, até mesmo João Batista dissera aos seus discípulos que ‘cressem naquele que havia de vir depois dele, isto é, Jesus’. Os doze homens foram assim rebatizados, esta vez “em o nome do Senhor Jesus”, e receberam pelas mãos de Paulo o espírito santo e os seus dons de falar milagrosamente em outras línguas e de profetizar. Depois disso, Paulo dirigiu-se a um lugar público, a sinagoga. Além disso, as pessoas que precisavam de ajuda milagrosa mandaram chamar Paulo aos seus lares. (Atos 19:1-7, 11) Nem os superintendentes efésios negaram a declaração de Paulo, de que trabalhara como instrutor cristão, indo de casa em casa. — Atos 20:20.
AS “COISAS QUE ERAM PROVEITOSAS”
24, 25. (a) Quais foram as coisas que Paulo ensinou publicamente e de casa em casa? (b) Como se revela esta informação?
24 Os superintendentes efésios não podiam acusar Paulo de reter algo que lhes fosse necessário para escaparem da destruição e ganharem a salvação eterna. O que lhes ensinara então Paulo, tanto publicamente como de casa em casa? A verdade a respeito do verdadeiro Deus, o arrependimento dos pecadores para com Deus, a fé no Senhor Jesus, a benignidade imerecida de Deus por meio de Jesus, o reino de Deus, a Palavra de Deus, a herança dos santificados de Deus e copiar Jesus em dar, antes do que receber. Esta informação é revelada nas palavras seguintes de Paulo aos superintendentes efésios:
25 “Não me esquivei de vos comunicar . . . Mas eu dei cabalmente testemunho, tanto a judeus como a gregos [portanto a todos os homens], a respeito do arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus. E agora, vede! preso no espírito, viajo para Jerusalém, embora não sabendo o que me acontecerá ali, exceto que, de cidade em cidade, o espírito santo me dá repetidamente testemunho, dizendo que cadeias e tribulações estão à minha espera. Não obstante, não considero a minha alma de qualquer modo preciosa para mim mesmo, contanto que eu complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar cabalmente testemunho das boas novas da benignidade imerecida de Deus. E agora, vede! eu sei que todos vós, entre os quais andei pregando o reino, não vereis mais a minha face.” — Atos 20:20-25, NM.
26. Além daquilo que Jesus mencionou em Lucas 24:46-48, o que pregou Paulo publicamente e de casa em casa?
26 Paulo estava cumprindo as instruções que Jesus deu aos seus discípulos quando disse: “Assim está escrito que o Cristo havia de sofrer e que havia de surgir dentre os mortos no terceiro dia, e que, à base de seu nome, se pregaria o arrependimento para o perdão dos pecados, em todas as nações — começando de Jerusalém, vós haveis de ser testemunhas destas coisas.” (Luc. 24:46-48, NM) Paulo ensinava mais do que o sacrifício de resgate de Jesus Cristo, à base do qual podemos receber o perdão de Deus para os nossos pecados; pelo arrependimento para com ele. Ele pregava também o reino de Deus, no qual Jesus Cristo será o Rei ungido de Deus e em prol do qual Jesus ensinou os seus discípulos a orar a Deus: “Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu.” (Mat. 6:10) Também, os discípulos fiéis de Jesus, os “santificados”, haviam de ter herança neste reino celestial. Paulo deu por vários anos testemunho cabal a toda espécie de homens, judeus e gregos, com respeito a estas coisas proveitosas, ensinando-as publicamente e de casa em casa.
27. O que disse Paulo aos superintendentes efésios quanto ao seu objetivo principal, e como cumpriu este propósito?
27 O objetivo principal de Paulo era completar a sua carreira assim como o cristão deve fazer, sim, e completar a obra de testemunho, o ministério que recebera do Senhor Jesus, que veio encontrá-lo no caminho. Paulo fez isso não somente por pregar em público, mas também pela pregação mais íntima, pessoal, no contato direto de casa em casa.
A CONSCIÊNCIA LIMPA
28. Que crédito deu isso a Paulo perante todos os envolvidos? Por que podia Paulo ter tal sentimento acerca desta questão séria?
28 Ora, que crédito dava isso a Paulo perante Deus e perante as pessoas de Éfeso, e especialmente perante a congregação cristã ali? Deixou Paulo livre de dívida, não devendo nada aos efésios. Deixou-o com a consciência pura, “com uma consciência perfeitamente limpa”. (Atos 23:1, NM) Portanto, depois de recapitular a sua bem conhecida atividade perante os superintendentes efésios, ele continuou a dizer: “Portanto, chamo-vos hoje como testemunhas de que estou limpo do sangue de todos os homens.” Não sentia nenhuma culpa de sangue para com os judeus ou não-judeus dentro e em volta de Éfeso. Ele deu a razão disso, dizendo: “Porque não me refreei de vos dizer [como representantes de ‘todos os homens’ em Éfeso] todo o conselho de Deus.” — Atos 20:26, 27, NM.
29. Além da instrução pela palavra falada, que outra atenção deu Paulo aos efésios, e que idéia nos dá isso acerca do que ele lhes pregou pela palavra falada?
29 Além da instrução que Paulo deu verbalmente aos efésios, a respeito de todo o conselho de Deus, deu-lhes também atenção por escrever cartas. Anos depois, por volta de 60 E. C., enviou-lhes a sua chamada Carta aos Efésios, de Roma, onde teve tempo para escrever, na prisão. Esta carta dá-nos algumas idéias do que ele pregara aos efésios, pois a sua carta ainda falava do “livramento por resgate pelo sangue daquele um, sim, o perdão de nossos delitos, segundo as riquezas da sua benignidade imerecida”, e sobre a aproximação a Deus “pelo sangue do Cristo” e como “por meio dele, nós, ambos os povos, temos acesso ao Pai [Deus] por um só espírito”. — Efé. 1:7; 2:13; 18, NM.
30. (a) A despeito de se referir ao sangue, o que indica que Paulo não se referia a uma questão militar? (b) Portanto, a que responsabilidade, por causa do juízo, se referia Paulo ao falar sobre sangue?
30 Quando Paulo falou aos superintendentes, efésios, ele tinha cerca de quarenta anos de idade. Portanto, quando falou sobre conservar-se limpo do sangue de todos os homens, ele não estava falando da questão militar. Naturalmente, conhecia o texto de Números 31:19. Este versículo diz que até mesmo os judeus designados como executores dos inimigos de Deus tinham de passar por uma purificação de sete dias por terem matado alguém ou por terem tocado no cadáver de alguém, para se livrarem da mancha do sangue ou da contaminação pelo sangue. Mas, Paulo estava falando da responsabilidade que o cristão dedicado assume para com o sangue dos homens, independente de qualquer responsabilidade pelo derramamento de sangue humano em homicídio ou por ajudar a outro na matança ou no derramamento de maneira irregrada, descuidada, indiferente ou deliberada. Paulo estava pensando no vindouro juízo de Deus sobre “todos os homens”. Estava pensando também na execução do juízo de Deus, que significaria a morte e a destruição de criaturas humanas que poderiam ter sido beneficiadas pelo sacrifício de resgate de Jesus Cristo e pelo reino de Deus. Tais criaturas só podem ser salvas desta morte e destruição pela mensagem de salvação, todo o conselho de Deus. Este conselho se confiou ao cristão dedicado, como testemunha e ministro.
31. Por que têm os clérigos da cristandade uma dupla culpa de sangue?
31 Considerado deste ponto de vista, podemos ver que os clérigos da cristandade têm uma dupla culpa de sangue, não só por causa do sangue derramado nas guerras internacionais, mas também por dizerem mentiras religiosas ao povo, e não “todo o conselho de Deus”, conforme contido na Sua Palavra. — Jer. 2:34; Eze. 35:6.
ASSUMINDO A SUA PRÓPRIA RESPONSABILIDADE
32, 33. (a) Além de avisar os superintendentes do perigo atual, que outra coisa fez Paulo? (b) Por que os exortou a prestarem atenção a si mesmos e ao rebanho de Deus?
32 Durante o tempo de vida de Paulo e enquanto ele estava presente no meio das “ovelhas” espirituais, ele tinha de vigiar como pastor sobre o “rebanho de Deus”, para protegê-lo contra a morte por inanição espiritual ou pelos inimigos lupinos. Também tinha de pensar nelas para o tempo em que as deixaria ou depois de sua própria morte, quando não lhes podia mais dar a sua supervisão direta, em vida. Por esta razão avisou as ovelhas não só sobre os perigos então presentes, mas também sobre os perigos que haviam de confrontá-las depois da sua partida.
33 Sendo ele membro do corpo governante cristão, Paulo treinou e nomeou superintendentes do “rebanho de Deus”, sob a orientação do espírito de Deus. Avisou-os também sobre os problemas futuros e os perigos futuros que teriam relação com a segurança deles próprios e a de todo o rebanho de Deus. Em vista de sua previsão profética e com a ajuda das profecias escritas, Paulo tinha a obrigação de dar tais avisos. Ele tinha de servir como vigia e olhar para a frente. Por isso ele disse aos superintendentes efésios: “Prestai atenção a vós mesmos e a todo o rebanho, entre o qual o espírito santo vos nomeou superintendentes para apascentardes a congregação de Deus, a qual ele comprou com o sangue de seu próprio Filho. Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos opressivos que não tratarão o rebanho com ternura, e dentre vós mesmos se levantarão homens e falarão coisas deturpadas para atrair após si os discípulos. Portanto, ficai despertos, e lembrai-vos de que por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar com lágrimas a cada um de vós.” — Atos 20:28-31, NM.
34. O que significava o fato de Paulo lançar a responsabilidade sobre os próprios superintendentes? Por que levariam eles mais responsabilidade?
34 Tendo-se eximido de toda a responsabilidade pelo sangue deles, Paulo fez assim que os pastores espirituais assumissem a sua própria responsabilidade. Então, se quaisquer destes superintendentes, avisados de antemão e plenamente instruídos, fossem executados pelo juízo de Deus e perdessem a vida eterna, não seria culpa de Paulo. Ele não seria mais responsável por perderem a vida eterna. Seria deles próprios, e não de Paulo, a culpa pelo seu sangue derramado ou sua vida perdida. Como superintendentes treinados e instruídos, receberam mais instrução, atenção e orientação do que o público judeu e gentio, ou mesmo os membros em geral da congregação. Conseqüentemente, eram mais responsáveis, pois sabiam mais e, tinham mais vantagens.
35. O que lhes disse Paulo, finalmente, antes de orar com eles?
35 Tendo-se comportado tão fielmente como ministro cristão e superintendente em Éfeso, durante os três anos de sua presença e atividade ali, e tendo-lhes dado então este aviso final, Paulo estava em condições de dizer aos superintendentes efésios: “E agora vos entrego a Deus e à palavra da sua benignidade imerecida, palavra que vos pode edificar e dar a herança entre todos os santificados. Não cobicei nem a prata, nem o ouro, nem a vestimenta de ninguém. Vós mesmos sabeis que estas mãos têm cuidado das minhas necessidades, bem como das daqueles que estão comigo. Em tudo vos mostrei que, trabalhando assim, precisais socorrer os fracos e lembrar-vos das palavras do Senhor Jesus, quando ele mesmo disse: ‘Há mais felicidade em dar do que há em receber.’” Daí, Paulo orou com eles. — Atos 20:32-36, NM.
36. Como podia Paulo realmente encomendar a Deus esses cristãos efésios?
36 Paulo podia realmente encomendar a Deus os superintendentes e a congregação de Éfeso. Dera-lhes instrução a respeito de Jeová Deus, como sendo o Pai do Senhor Jesus Cristo, e introduzira-os na relação com Deus. Durante pelo menos três anos, dia e noite, não se refreou de lhes dizer todo o conselho de Deus. A maior parte da congregação, se não toda ela, recebeu sem dúvida de Paulo, o apóstolo, o espírito santo e os seus dons milagrosos. (Atos 19:1-7) Tendo de deixá-los então, sem esperança de vê-los novamente, Paulo tinha de entregá-los aos cuidados do sempre presente, sempre vivo Zelador, Jeová Deus, a quem Paulo os conduzira, de modo que se tornaram os Seus “santificados”, Seu rebanho de ovelhas.
37. Como podia Paulo realmente encomendá-lo à ‘palavra da benignidade imerecida de Deus’?
37 Paulo podia ao mesmo tempo encomendar estes superintendentes efésios aos cuidados da “palavra da . . . benignidade imerecida [de Deus]”, pois lhes ensinara a Palavra de Deus. Explicou-lhes as Escrituras Hebraicas, desde Gênesis até Malaquias. Trouxe-lhes também as palavras e os ensinos do Senhor Jesus Cristo, bem como as revelações que ele mesmo recebera milagrosamente por meio de Cristo. Escreveu também a Carta aos Efésios, que se tornou parte da Palavra escrita de Deus. Por métodos eficientes e ensino, Paulo incutiu a Palavra de Deus na mente deles, para que a ‘tivessem continuamente, embora ele mesmo os deixasse para sempre. Por isso podia com segurança confiá-los àquela Palavra e ao poder esclarecedor, preservador, protetor e santificador. Era doutrina bíblica, sã e salutar, e ele sabia que esta podia edificá-los espiritualmente e ajudar-lhes a receber por fim o reino celestial, a prometida “herança entre todos os santificados”. Paulo deixou assim as ovelhas de Deus numa condição segura.
NÃO SILENCIADOS POR DINHEIRO GANHO A CUSTA DE SANGUE
38. Para se desincumbir de que dever não prezou Paulo a sua vida?
38 O apóstolo Paulo não prezava a sua vida física, exceto para se desincumbir fielmente do seu ministério e ajudar outros a fugir da destruição eterna e a ganhar a vida eterna. Portanto, seu objetivo não era ganhar dinheiro mediante as boas novas de Deus. Seu objetivo era poder manter-se livre da responsabilidade quanto ao sangue de outros homens, ameaçado de ser derramado na execução do juízo de Deus.
39. O que motivou Paulo a se empenhar no seu ministério vitalizador?
39 Portanto, Paulo se empenhava no seu ministério livre de custo, sem cobrar nada aos que buscavam a salvação. Ele não usava a Palavra de Deus para lhe prover uma renda, comercializando-a assim. Nas ocasiões em que isso se tornou necessário, ele trabalhava num emprego secular, como fabricante de tendas, para que o seu serviço como vigia não fosse um serviço remunerado materialmente, como o de alguém assalariado. Não; mas ele vigiava como subpastor semelhante a Cristo, amando tanto o Pastor Principal como as ovelhas do Pastor Principal. Paulo queria realmente ver os outros viver e usufruir a benignidade imerecida de Deus, junto com si mesmo. Amava realmente ao seu próximo e por isso não negligenciava os interesses do seu próximo, ao ponto de se tornar responsável pelo sangue do seu próximo, se fosse derramado na execução divina. Salvava realmente vidas pela alegria, pelo privilégio e pelos bons resultados que isso dava. Reconhecia o perigo em que se achava seu próximo e sentia-se obrigado a fazer algo a respeito disso com os meios que Deus lhe confiara. Queria assim socorrer o seu próximo, para que não perecesse, se este aceitasse a ajuda de Paulo.
40. Como estabeleceu Paulo um modelo para nós, a fim de ganharmos a felicidade que Jesus teve?
40 Isto mostra como nós devemos agir hoje em dia. Se continuarmos neste proceder altruísta e abnegado, às nossas próprias custas, a fim de que possamos ajudar a outros a ganhar a vida eterna, aprenderemos quão verazes são as palavras de Jesus, que Paulo citou: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” Na ajuda aos fracos, há felicidade revigorante em dar de si mesmo, dar de sua própria força com que fomos fortalecidos por Deus. Não há felicidade em receber o que importaria em dinheiro ganho a custa de sangue, dinheiro que silenciaria as nossas bocas para não darem o aviso e não fornecerem “todo o conselho de Deus”. Não há felicidade em ser culpado do sangue de outro, mas apenas uma consciência que condena. Paulo queria felicidade. Nós também a queremos.
NOSSO DEVER E NOSSO PROCEDER ATUAL
41. Por que estamos ansiosos de ajudar outros a serem salvos da morte e da destruição?
41 Nós, os que amamos a salvação, estamos ansiosos de partilhar a salvação com outros. Ao fugirmos da morte e da destruição provenientes das mãos de Deus, estamos ansiosos de salvar outros de tal calamidade. Iguais a Jeová Deus, nós, seus ministros e vigias, dizemos: “Acaso tenho eu prazer na morte do ímpio? . . . não quero eu antes que se converta do seu caminho, e viva?” (Eze. 18:23) Portanto, iguais a Deus, desejamos ajudar ao ímpio a se converter do seu caminho e a viver. Não gostamos da perspectiva de ficar manchados do sangue dos que perecem, pois sabemos que teríamos de prestar contas disso como vigias preguiçosos. Trabalhemos em prol da felicidade cristã, pois esta felicidade significa vida eterna.
42. Por que vivemos numa época em que assumimos responsabilidade de sangue, e, portanto, o que não nos atrevemos fazer?
42 Assim como se deu nos dias de Paulo, pouco antes da destruição de Jerusalém e da Judéia, e assim antes da dispersão da nação judaica, assim também nós, hoje, vivemos num tempo em que está em jogo o sangue de nossos patrícios, das outras criaturas iguais a nós. Está iminente a “guerra do grande dia do Deus Todo-Poderoso”, e no campo de batalha do Armagedon será executado o juízo de Deus contra todos os que recusam a mensagem do reino de Deus e se opõem a ela. Estes, como comunidade mundial, terão de saldar a sua dívida de sangue com Deus pelo seu próprio sangue, assim como se deu com Jerusalém e com Babilônia. (Mat. 23:33-38; Jer. 51:3, 4, 48, 49) Se quisermos sobreviver à guerra de julgamento e viver no novo mundo de Deus, teremos de conservar-nos ‘limpos do sangue de todos os homens’. Não é a vontade de Deus que este mundo condenado fique em ignorância, sendo que perecerá por falta de conhecimento. Uma vez que nós temos o conhecimento bíblico, não nos atrevemos a deixar as pessoas na ignorância, a menos que queiram ficar nela. Temos de avisá-las a respeito do Armagedon e de Gog de Magog, que conduz a humanidade à luta contra Deus e Cristo. Não nos atrevemos a deixar que as pessoas possam alegar ignorância diante de Deus, por nós termos fracassado quanto a fazer esforço de transmitir-lhes a mensagem de salvação.
43. Quão zelosos devemos ser nesse respeito? Como devemos declarar, “todo o conselho de Deus”, sem nos refrear?
43 Iguais á Paulo, temos de ser zelosos em avisar e esclarecer as pessoas, como se fosse o nosso último conselho aos que estão em perigo. Está chegando a isso! Iguais a Paulo, temos sido encarregados por Deus, através de Cristo, a pregar as boas novas do reino de Deus, mas o reino de Deus já está agora em poder. (Mat. 24:14) Precisamos fazer isso como testemunho e aviso, antes que venha o fim deste velho mundo. Não nos podemos refrear de dar “todo o conselho de Deus”. Iguais a Paulo, quem nos disse: “tornai-vos meus imitadores, como eu o sou de Christo”, temos de fazer isso por pregar publicamente e ensinar de casa em casa. — 1 Cor. 11:1.
44. Se assim fizermos, o que poderemos dizer na ocasião de prestar contas, e com que conseqüências para nós?
44 Se fizermos isso, o que então? Poderemos, às portas do Armagedon, usar as palavras de Paulo e dizer a todo o mundo, sem nos envergonhar: “Chamo-vos hoje como testemunhas de que estou limpo do sangue de todos os homens, porque não me refreei de vos dizer todo o conselho de Deus.” Assim não morreremos com alguma culpa de sangue. Com mãos, cabeças e reputação limpas seremos assim introduzidos no inocente novo mundo de Deus, de vida e felicidade para todo o sempre.
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Ela queria pão, mas recebeu uma pedraA Sentinela — 1960 | 15 de junho
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Ela queria pão, mas recebeu uma pedra
Certo sacerdote católico em Nassau visitou uma ovelha do seu rebanho e descobriu que ela lia o livro “Novos Céus e Uma Nova Terra”. Disse-lhe que se tratava de “coisa venenosa e perniciosa” e que ela era infiel só por ler o livro. Se ela queria algo para ler, então lhe forneceria isso. Trouxe-lhe então uma novela baseada na suposta vida amorosa de Maria Madalena. Isto, porém, não a satisfez, pois estava faminta da verdade e não de ficção. Depois de ler mais algumas publicações da Torre de Vigia, esta senhora, de disposição de ovelha, chegou a ver que os ensinos das testemunhas de Jeová são realmente a verdade. Em vista da tática usada pelo sacerdote, é de se admirar que haja hoje uma “fome sobre a terra” quanto a “ouvir as palavras de Jehovah”? — Amós 8:11.
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