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  • Cristãos neutros num mundo manchado de sangue
    A Sentinela — 1986 | 1.° de setembro
    • Cristãos neutros num mundo manchado de sangue

      “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” — GÊNESIS 9:6.

      1. Que acontecimentos desde 1914 causam preocupação?

      OCEANOS de sangue, de mais de 100 milhões de seres humanos, foram derramados em guerras, desde 1914. E qual é a perspectiva para o futuro? A devastação de duas cidades japonesas, em 1945, eliminou cerca de 200.000 vidas e acabou originando uma nova doutrina, formulada pelas superpotências e apropriadamente rotulada de “MAD” (sigla em inglês de Destruição Mútua Assegurada). Isto se tornou a base de um equilíbrio de terror, fundado sobre estoques de armas nucleares que poderiam arrasar a terra muitas vezes seguidas. Submarinos transportam tais armas diabólicas para dentro dos oceanos, e recentemente a ameaça de guerra no espaço aumentou o perigo. Até mesmo o equilíbrio de terror está agora abalado nos seus alicerces. Existe alguma saída desta loucura?

      2. O que profetizou Jesus sobre estes tempos, mas com que garantia para os cristãos?

      2 Sim, existe. Mas a escolha não será feita pelas nações. Jesus profetizou sobre o atual dilema delas: “Haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas, e na terra angústia de nações, não sabendo o que fazer por causa do rugido do mar e da sua agitação, os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada; porque os poderes dos céus serão abalados.” Jesus concluiu essa profecia garantindo que os cristãos que ‘se mantivessem despertos . . . seriam bem-sucedidos em escapar de todas estas coisas que estão destinadas a ocorrer’. — Lucas 21:25, 26, 36.

      Buscar a Paz com Deus

      3. (a) De que modo servem as nações aos interesses do “deus deste mundo”? (b) Que solução dará Jeová ao assunto?

      3 As nações, especialmente as que dispõem de armas nucleares, estão presas numa competição pela dominação mundial, que concebivelmente poderia terminar em aniquilação mundial. Isto serve aos interesses do “deus deste mundo”. As nações “se aglomeraram à uma contra Jeová e contra o seu [Cristo]”, agora entronizado no céu. Quando Jeová ordenar, Cristo quebrantará essas nações como que com um cetro de ferro. Então se cumprirá a promessa: “O Deus que dá paz, por sua parte, esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés.” — 2 Coríntios 4:4, A Bíblia de Jerusalém; Salmo 2:2, 6-9; Romanos 16:20.

      4. Como podemos buscar a paz com Deus? (1 Pedro 3:11)

      4 Nós, de nossa parte, devemos querer buscar a paz com tal Deus. Como podemos fazer isso? Por um lado, devemos querer ter o ponto de vista dele sobre a santidade da vida humana e o precioso sangue da vida que flui nas nossas artérias e veias.

      5. Que exemplos indicam que Jeová vinga o derramamento leviano de sangue?

      5 Jeová é o Criador do homem e da maravilhosa corrente sanguínea que transporta a nutrição para o corpo humano, mantendo-nos vivos. Deus nunca quis que o sangue humano fosse derramado levianamente. Depois que Caim praticou o primeiro assassinato, Jeová declarou que o sangue de Abel clamava por vingança. Mais tarde, um dos descendentes de Caim, Lameque, tornou-se assassino e declarou poeticamente que, se ele mesmo fosse morto, esta culpa de sangue deveria ser vingada. Com o tempo, um mundo corrupto encheu-se de violência. Jeová causou o dilúvio para destruir aquele primeiro mundo da humanidade. Apenas a família do pacífico Noé, cujo nome significa “Descanso”, sobreviveu. — Gênesis 4:8-12, 23, 24; 6:13; 7:1.

      6. O que diz a lei de Deus a respeito do sangue, e a quem isto se aplica?

      6 Daí, Jeová informou a Noé a respeito de Sua expressa vontade concernente ao sangue. Ele culminou isto dizendo: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” (Gênesis 9:3-6) Toda a humanidade atual descende de Noé; portanto, essa lei divina que enfatiza o respeito pela vida se aplica a todos os humanos que desejam a aprovação de Deus. O sexto dos Dez Mandamentos também declarava: “Não deves assassinar.” A culpa de sangue exige a devida ação e compensação. — Êxodo 20:13; 21:12; Deuteronômio 21:1-9; Hebreus 10:30.

      7. (a) Por que foi apropriado que Jeová ordenasse que Israel guerreasse? (b) Em que guerra estão empenhados hoje os cristãos?

      7 Visto que o derramamento de sangue era tão claramente proibido, por que Jeová permitiu, e até mesmo ordenou, que a nação de Israel se empenhasse em guerra? Temos de nos lembrar que se tratava de guerra santificada, por meio da qual Jeová, o Juiz de toda a terra, exterminou nações adoradoras de demônios. Os cananeus, por exemplo, eram ocupantes ilegítimos da Terra Prometida e seguiam um estilo de vida demoníaco e imoral, que poria em perigo o povo santo de Deus. Jeová fez com que a terra “vomitasse” de seu território esses humanos depravados, usando a guerra teocrática para cumprir tal objetivo. (Levítico 18:1-30; Deuteronômio 7:1-6, 24) Isto justifica a guerra espiritual dos cristãos hodiernos. — 2 Coríntios 10:3-5; Efésios 6:11-18.

      8. O que mostra que Deus desaprova o derramamento de sangue inocente?

      8 Contudo, Jeová não aprovou o derramamento de sangue indiscriminado. Assim, está escrito concernente a um rei de Judá: “Também sangue inocente derramou Manassés em quantidade muito grande, até encher Jerusalém de ponta a ponta.” Embora Manassés mais tarde se arrependesse e se humilhasse diante de Jeová, aquela culpa de sangue não se afastou dele e de sua dinastia. O piedoso neto de Manassés, o Rei Josias, agiu positivamente para purificar a terra e restaurar a adoração verdadeira. Mas, ele não podia remover aquela culpa de sangue. Durante o reinado do filho de Josias, Jeoiaquim, Jeová cuidou que Nabucodonosor avançasse contra Judá, para executar julgamento contra aquela nação. “Foi somente pela ordem de Jeová que isto sucedeu a Judá, a fim de removê-lo da sua vista por causa dos pecados de Manassés, conforme tudo o que tinha feito; e também por causa do sangue inocente que tinha derramado de modo a encher Jerusalém de sangue inocente, e Jeová não consentiu em dar perdão.” — 2 Reis 21:16; 24:1-4; 2 Crônicas 33:10-13.

      A Norma Para os Cristãos

      9. Que norma estabeleceu Jesus para os cristãos no tocante a derramar sangue?

      9 Esperaríamos que Jesus, o Fundador do Cristianismo, estabelecesse a norma para os cristãos com respeito a derramar sangue. Fez ele isto? Ora, logo depois de instituir a Comemoração de sua morte, Jesus providenciou que seu grupo de discípulos carregasse duas espadas. Com que finalidade? Para estabelecer um princípio vital, a que todos os cristãos teriam de obedecer. Quando o grupo de soldados veio para prender Jesus em Getsêmani, o impetuoso Pedro puxou da espada e decepou a orelha direita de Malco, servo do sumo sacerdote judeu. Não seria algo nobre lutar assim em favor do Filho de Deus? Jesus não pensava assim. Ele restaurou a orelha do escravo e lembrou a Pedro que Seu Pai celestial poderia enviar 12 legiões de anjos para socorrê-lo. Jesus estabeleceu ali este princípio fundamental: “Todos os que tomarem a espada perecerão pela espada.” — Mateus 26:51-53; Lucas 22:36, 38, 49-51; João 18:10, 11.

      10. (a) Que importante princípio se estabelece em João 17:14, 16 e 18:36? (b) Que proceder resultou na salvação dos cristãos do primeiro século?

      10 Os cristãos do primeiro século mais tarde se lembraram da fervorosa oração de Jesus a Jeová, na qual ele disse a respeito de seus discípulos: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” Eles se lembravam da resposta explicativa de Jesus a Pôncio Pilatos: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.” (João 17:14, 16; 18:36) Naqueles dias, as facções judaicas lutavam entre si, tanto verbalmente como pelo derramamento de sangue. Mas, os discípulos de Jesus não se envolveram nessas campanhas revolucionárias. Por cerca de 30 anos eles esperaram em Jerusalém. Daí, obedeceram ao sinal profético de Jesus por ‘fugirem para os montes’. A sua posição neutra e a sua fuga resultaram na salvação deles. — Mateus 24:15, 16.

      11, 12. (a) Que decisão tiveram de tomar Cornélio e Sérgio Paulo quando se tornaram crentes? (b) De onde receberiam ajuda para fazerem a decisão certa? (c) O que isto indica para nós hoje?

      11 Alguns talvez perguntem: ‘Que dizer de Cornélio, o centurião, e Sérgio Paulo, o procônsul de Chipre, apoiado pelo exército? Não estavam esses homens ligados às forças militares? Estavam, na época em que aceitaram a mensagem cristã. As Escrituras, no entanto, não nos dizem o que Cornélio e outros fizeram após a sua conversão. Sem dúvida, Sérgio Paulo, que era “homem inteligente” e “ficou assombrado com o ensino de Jeová”, logo examinaria a sua situação secular à luz de sua recém-encontrada fé e faria uma decisão correta. Cornélio talvez tivesse feito o mesmo. (Atos 10:1, 2, 44-48; 13:7, 12) Não há registro de que os discípulos lhes dissessem que ação deviam tomar. Eles poderiam ver isso à base de seu próprio estudo da Palavra de Deus. — Isaías 2:2-4; Miquéias 4:3.

      12 Similarmente, os hodiernos cristãos não devem dar ordens a outros individualmente quanto a que posição devem adotar em assuntos relacionados com a neutralidade cristã. Cada um precisa fazer a sua própria decisão em harmonia com seu entendimento dos princípios bíblicos. — Gálatas 6:4, 5.

      Nos Tempos Modernos

      13. Como se saíram os Estudantes da Bíblia quanto a tentarem evitar a culpa de sangue durante a Primeira Guerra Mundial?

      13 Foi em 1914 que pela primeira vez a guerra total invadiu o cenário mundial. Todos os recursos das nações, inclusive seu potencial humano, foram aplicados à guerra. Muitos Estudantes da Bíblia, como as Testemunhas de Jeová eram chamadas naquele tempo, fizeram elogiáveis esforços para evitar a culpa de sangue. Foram amargamente perseguidas, exatamente como Jesus predissera. — João 15:17-20.

      14, 15. (a) Como foi que Jeová proveu orientação durante a Segunda Guerra Mundial? (b) Que posição inequívoca tomaram então as Testemunhas de Jeová? (c) Como isto se contrastava com o procedimento dos fanáticos religiosos que faziam parte do mundo?

      14 Quando de novo irrompeu um conflito global em 1939, Jeová proveu clara orientação para os seus servos. Dentro de dois meses após a declaração da guerra, esta orientação veio em forma de matéria de estudo bíblico intitulado “Neutralidade”, na edição de 1.º de novembro de 1939 de A Sentinela, em inglês, e em fevereiro de 1940, em português. O estudo concluiu com a seguinte sentença: “Todos os que estão do lado do Senhor serão neutros no tocante às nações litigantes, estando inteiramente a favor do grande TEOCRATA e do seu Rei.”

      15 O que resultou disso? Como fraternidade mundial, as Testemunhas de Jeová coerentemente se refrearam de derramar o sangue de pessoas inocentes, incluindo seus irmãos de outros países. Enquanto católicos, protestantes, budistas e outros se matavam uns aos outros, os verdadeiros discípulos de Jesus obedeciam ao seu novo mandamento: “Assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.” — João 13:34.

      16. (a) Como foi que as Testemunhas de Jeová mostraram ser cidadãos íntegros? (b) Como foi que as Testemunhas persistiram em retribuir a Deus as coisas de Deus, e às vezes com que resultado?

      16 Estes cristãos continuaram a retribuir a César as coisas de César. Obedeciam às leis do país quais cidadãos íntegros. (Mateus 22:17-21; Romanos 13:1-7) Mas, o que é mais importante, eles retribuíam a Deus as coisas que pertenciam a ele, incluindo suas vidas dedicadas e adoração cristã. Assim, quando César exigia para si as coisas de Deus, os cristãos agiam em harmonia com os princípios declarados em Atos 4:19 e 5:29. Quer o assunto fosse derramamento de sangue, serviço militar não-combatente, serviço alternativo, quer saudar uma imagem tal como uma bandeira nacional, os cristãos fiéis adotavam a posição de que não havia meio-termo. Em alguns casos, foram executados por causa desta posição. — Mateus 24:9; Revelação 2:10.

      Elas não Transigiram

      17. (a) De acordo com certo livro, como foram as Testemunhas de Jeová tratadas pelos nazistas? (b) Ao enfrentarem o desafio, como foi que as Testemunhas de Jeová se contrastavam com outros?

      17 Um livro recente intitulado Of Gods and Men (A Respeito de Deuses e Homens), declarou que durante o Terceiro Reich de Hitler, as Testemunhas de Jeová eram o grupo religioso que sofreu “a mais extrema oposição”. As Testemunhas de Jeová não transigiram. Os membros de outras religiões na Alemanha seguiram a seus capelães militares, deste modo dando seus préstimos religiosos ao estado alemão e recebendo a “marca” da fera política “na sua mão direita ou na sua testa”. (Revelação 13:16) Estes deram a ativa mão direita de apoio à máquina política alemã, e tornaram sua posição claramente visível por dar salvas a Hitler e saudar a suástica nazista.

      18. (a) Que fatos registrados mostram se as Testemunhas de Jeová eram ou não “politicamente ‘neutras’”? (b) Como deve esse registro nos afetar individualmente hoje?

      18 Que posição adotaram os verdadeiros cristãos ali? O livro supracitado diz: “Apenas as Testemunhas de Jeová resistiram ao regime. Elas lutaram com unhas e dentes e, em resultado, metade de suas fileiras foi presa e um quarto executado. . . . Elas, em contraste com [outras religiões], são não-mundanas no sentido de que não buscam a aprovação ou as recompensas do mundo material e não se consideram membros dele. São politicamente ‘neutras’, visto que já pertencem a outro mundo — o de Deus. . . . Elas não buscam e nem oferecem concessões. . . . Servir no exército, votar ou saudar a Hitler teria significado um reconhecimento de que as reivindicações deste mundo predominavam sobre as reivindicações de Deus.” O empenho pela paz e não-violência por parte das Testemunhas de Jeová foi reconhecido até mesmo nos campos de concentração. Como assim? No sentido de que “apenas às Testemunhas se permitia barbear os guardas da S.S. com navalhas, pois somente nelas se podia confiar que não matariam”.

      19. Como seguiram as Testemunhas de Jeová o corajoso exemplo de Jesus, e com que resultado?

      19 Durante a Segunda Guerra Mundial, as Testemunhas de Jeová se tornaram um notável exemplo de neutralidade cristã. Coerentemente, em toda a terra elas seguiram com coragem o exemplo de Jesus de ‘não fazer parte do mundo’; venceram este mundo culpado de sangue, assim como Cristo venceu. — João 17:16; 16:33; 1 João 5:4.

      Refugiar-se da Culpa de Sangue

      20. (a) Por que é urgente fugir da religião falsa? (b) Onde, apenas, pode o verdadeiro refúgio ser encontrado hoje?

      20 Organizações religiosas têm manchado de vermelho as páginas da História por derramarem sangue inocente em cruzadas, guerras “santas” e inquisições. Fizeram concordatas com ditadores sedentos de sangue. Deram o seu apoio quando esses ditadores lançaram Testemunhas de Jeová nas prisões e nos campos de concentração, onde muitas morreram. Deram apoio voluntário a líderes que executaram Testemunhas por fuzilamento e decapitação. Estes sistemas religiosos não podem escapar do julgamento justo de Jeová. Não tardará. Tampouco deve qualquer amante da justiça demorar-se em sair da religião falsa — a manchada de sangue “Babilônia, a Grande” — e buscar refúgio na organização de Deus. — Revelação 18:2, 4, 21, 24.

      21. O que prefigurou o arranjo das cidades de refúgio, feito por Deus?

      21 Muitos de nós, antes de termos estudado a Palavra de Deus, talvez tenhamos derramado sangue humano ou sido membros de religiões ou de organizações políticas culpadas de sangue. Nisto podemos ser comparados com o assassino não-intencional, em Israel. Ele poderia fugir para uma das seis cidades especificadas em que poderia encontrar refúgio e, por fim, o livramento quando falecesse o sumo sacerdote de Israel. Hoje, isto significa aceitar e permanecer sob os benefícios do serviço ativo do Sumo Sacerdote de Deus, Jesus Cristo. Por permanecermos ali, associados com o povo ungido de Deus, poderemos sobreviver quando o hodierno “vingador de sangue”, Cristo Jesus, executar o julgamento de Deus contra os culpados de sangue. A “grande multidão” que agora foge para a organização de Deus precisa permanecer nesse refúgio até que Cristo, na qualidade de Sumo Sacerdote, ‘morra’ com respeito a completar a sua obra de redenção. — Números 35:6-8, 15, 22-26; 1 Coríntios 15:22-26; Revelação 7:9, 14.

      22. Com respeito a Isaías 2:4, como diferem as nações da ONU da nação santa de Deus?

      22 Num paredão na praça da ONU, em Nova Iorque, EUA, lê-se as seguintes palavras tiradas de Isaías 2:4 (Almeida): “Converterão as suas espadas em enxadões, e as suas lanças em foices: não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear.” Mas, quem é que atualmente age em harmonia com tais palavras? Nenhum dos países membros das assim chamadas Nações Unidas. Apenas a pacífica “nação” global de mais de três milhões de testemunhas de Jeová tem demonstrado claramente como a neutralidade cristã pode ser mantida num mundo manchado de sangue.

      Perguntas Para Recapitulação

      ◻ Como podemos buscar a paz com Deus?

      ◻ Como encara Jeová o derramamento leviano de sangue?

      ◻ O que significa neutralidade cristã?

      ◻ Que excelentes exemplos de integridade temos?

      ◻ Como podemos encontrar refúgio para a salvação?

  • Respeito piedoso pelo sangue
    A Sentinela — 1986 | 1.° de setembro
    • Respeito piedoso pelo sangue

      “Eu vos chamo como testemunhas, no dia de hoje, de que estou limpo do sangue de todos os homens.” — ATOS 20:26.

      1. Como refletem as palavras de Paulo em Atos 20:26 o conceito de Jeová sobre o sangue?

      ESTAS palavras do apóstolo Paulo como cristão refletem seu saudável respeito para com o sangue, o fluido da vida. Mais adiante neste estudo, examinaremos o que Paulo quis dizer com essa declaração. Mas, vejamos primeiro o que o Criador das almas humana e animal diz sobre o sangue. Já mencionamos antes que Jeová considera sagrado o sangue, como representativo da vida. Aqueles que leviana ou displicentemente derramam sangue, e em especial sangue humano, tornam-se culpados de sangue perante Deus. Contudo, não existem maneiras de usar o sangue para beneficiar a humanidade?

      2. (a) Para os em Israel, porque era comer sangue um delito punível com a morte? (b) Como eram beneficiados os israelitas por obedecerem a essa lei?

      2 A lei de Deus a Israel concernente ao sangue declarava enfaticamente: “Não deveis comer o sangue de qualquer tipo de carne, porque a alma [a vida, Almeida, atualizada; Soares] de todo tipo de carne é seu sangue. Quem o comer será decepado da vida.” Comer sangue, mesmo para a necessária alimentação, era um delito punível com a morte, tanto no caso dos israelitas como dos estrangeiros que residiam entre eles. Antes de comerem a carne, eles deviam derramar o sangue e cobri-lo com pó, deste modo simbolicamente devolvendo a vida a Deus. (Levítico 17:13, 14) Era uma lei divina. Por obedecê-la, aqueles israelitas mantinham uma saudável relação espiritual com Jeová, a Fonte da vida. E também gozavam de benefícios secundários, em forma de preservação da saúde física.

      O Sangue de Cristo

      3. (a) Por que é o sangue de Jesus notavelmente “precioso”? (b) Como é que as Escrituras Hebraicas apontam para o sacrifício de Jesus?

      3 No entanto, Jeová tinha em mente um uso notável do sangue. Tratava-se de resgatar a humanidade do pecado e da morte por meio do “sangue precioso” de Cristo Jesus. Mesmo antes da “fundação do mundo” (pela produção duma descendência remível, pelos pecaminosos Adão e Eva), Jeová já sabia como livraria a humanidade. (1 Pedro 1:18-20; Romanos 6:22, 23) É “o sangue de Jesus, seu Filho, [que] purifica-nos de todo o pecado”. (1 João 1:7) Este uso do sangue é tão importante que Deus fez registrar nas Escrituras Hebraicas muitos símbolos e prefigurações que apontavam para o sacrifício perfeito de Jesus. — Hebreus 8:1, 4, 5; Romanos 15:4.

      4. Que vislumbres ofereceu o episódio registrado em Gênesis, capítulo 22?

      4 Séculos antes de dar a Lei a Israel, Jeová ordenou a Abraão que sacrificasse Isaque no Monte Moriá. Deste modo Deus ilustrou como iria sacrificar seu Filho unigênito, Jesus. A submissão voluntária de Isaque nesse episódio dramático prefigurou a obediência de Jesus à vontade de seu Pai, por derramar seu sangue vitalício em sacrifício. — Gênesis 22:1-3, 9-14; Hebreus 11:17-19; Filipenses 2:8.

      5. Em que sentido eram os sacrifícios da Lei mosaica repletos de significado espiritual?

      5 A Lei mosaica também proveu “uma sombra das boas coisas vindouras”, apontando para o sacrifício de Jesus em favor da humanidade. A Lei permitia apenas um único uso do sangue — em sacrifícios animais a Jeová. Tais sacrifícios não eram meros rituais. Estavam repletos de significado espiritual. Nos mínimos detalhes, prefiguravam o sacrifício de Jesus e tudo o que seria conseguido por meio desse sacrifício. — Hebreus 10:1; Colossenses 2:16, 17.

      6. Os sacrifícios do Dia da Expiação prefiguraram a redenção para que dois grupos? Em que sentido?

      6 Por exemplo, o manejo dos sacrifícios no Dia da Expiação, por Arão, prefigurava como o grande Sumo Sacerdote, Jesus, usa o mérito de seu próprio precioso sangue vitalício para prover a salvação, primeiro para a sua “casa” sacerdotal de 144.000 cristãos ungidos, a fim de que se lhes possa imputar a justiça e ganhem uma herança quais reis e sacerdotes com ele no céu. A seguir, o sacrifício em favor do “povo” prefigurou o resgate de Jesus em favor de todos os da humanidade que receberão a vida eterna aqui na terra. Mesmo agora, “uma grande multidão” destes são considerados justos, podendo assim sobreviver à iminente grande tribulação. Isto porque “lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”, e mostram a sua fé por prestarem a Deus serviço sagrado. — Levítico 16:6, 15, 18-22; Hebreus 9:11, 12; Revelação 14:1, 4; 7:4, 9, 14, 15.

      7. Por que nos podemos regozijar com o cumprimento dessas antigas prefigurações?

      7 ‘A vida está no sangue.’ O sangue de Jesus era perfeito, de modo que seu sacrifício resulta em conferir vida perfeita a todos os que exercem fé. Quanto nos podemos alegrar de que aquelas antigas prefigurações se cumpriram no amoroso sacrifício de Jesus! — Levítico 17:14; Atos 20:28.

      Sangue — Uma Questão Moral

      8, 9. (a) Quais são algumas das maravilhosas funções do sangue? (b) Iguais a Davi, como podemos expressar respeito piedoso pela maneira como fomos feitos?

      8 Observa-se espantosa sabedoria na estrutura e composição do sangue. Os evolucionistas, ainda sem saberem como explicar a origem da vida, tentariam nos dizer que o nosso sangue vitalício de algum modo evoluiu. Quão inacreditável!

      9 O nosso complexo sangue realmente realiza funções maravilhosas. Ele transporta oxigênio e nutrientes sustentadores da vida a todas as partes do corpo. Remove os resíduos. Transporta glóbulos brancos para combater doenças e plaquetas que regeneram pequenos e grandes ferimentos. Ajuda a controlar a temperatura do corpo. O nosso sangue é distinto um dos outros; geneticistas da Inglaterra falam até mesmo em usar “impressões digitais de ADN” produzidas de amostras de sangue para a identificação de criminosos. O sangue é um dos elementos dentre muitos componentes do corpo humano que levou o Rei Davi a exclamar: “Ó Jeová, tu me esquadrinhaste e me conheces. Elogiar-te-ei porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante”! — Salmo 139:1, 14.

      10. (a) Quem deve determinar como o sangue pode ser usado? (b) Que clara instrução deu Deus a Noé e a Israel? (c) Que exemplo mostra que o sangue é sagrado mesmo quando surge uma emergência?

      10 Não deveria ser o justo Formador da humanidade, o Projetista do nosso sangue, quem determinasse como esse fluxo de vida pode ser corretamente usado? (Jó 36:3) Ele fez isto de maneira nada incerta. Ele disse ao nosso antepassado Noé: “Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer.” (Gênesis 9:4) E, ao repetir a sua Lei a Israel ele afirmou claramente: “Apenas toma a firme resolução de não comer o sangue, porque o sangue é a alma e não deves comer a alma junto com a carne. Não o deves comer. Deves derramá-lo na terra como água.” (Deuteronômio 12:23, 24) Sem dúvida, Davi tinha esta ordem em mente quando três de seus guerreiros arriscaram a vida ao apanharem água para ele beber da cisterna de Belém. Davi “derramou-a para Jeová”, como que representando o sangue vitalício deles. (2 Samuel 23:15-17) A qualidade sagrada do sangue não pode ser desconsiderada nem mesmo numa emergência. — Veja também 1 Samuel 14:31-34.

      Na Congregação Cristã

      11, 12. (a) Que corpo, dirigido pelo espírito de Deus, legislou sobre questões doutrinais no primeiro século? (b) Em sentido religioso, em que nível esse corpo colocou a ingestão de sangue? (c) Por que devem as transfusões de sangue ser consideradas o mesmo que comer sangue pela boca?

      11 Visualize um grande recinto na Jerusalém do primeiro século. Reunidos ali estão os apóstolos de Jesus e outros anciãos da congregação cristã. Qual é o assunto em pauta? Paulo e Barnabé vieram de Antioquia para apresentar a eles um problema que surgira ali concernente à circuncisão. Aquela assembléia decide que os cristãos recém-convertidos não precisam submeter-se à circuncisão carnal. — Atos 15:1, 2, 6, 13, 14, 19, 20.

      12 Ao formular tal decisão, o ancião que presidia, Tiago, resume os requisitos que ainda se exigem dos cristãos. Ele diz: “Pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas [que retêm o sangue], e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós!” (Atos 15:28, 29) Assim, a idolatria, o ingerir sangue e a fornicação são colocados no mesmo nível, em sentido religioso. Os cristãos têm de se abster de todas estas coisas, para manterem boa saúde espiritual e se beneficiarem do cumprimento das promessas de Deus. Quanto ao sangue, não importa se este é ingerido pela boca ou transfundido pelas veias. O objetivo é o mesmo — sustentar e nutrir o corpo. Como Tiago claramente indica, não se abster do sangue é uma violação da lei de Deus.

      13. (a) Absterem-se de sangue tem resultado em que proteção adicional para as Testemunhas de Jeová? (b) Como têm outras leis divinas servido para proteger o povo de Deus?

      13 A atual proliferação da AIDS, da hepatite e de outras doenças através de transfusões de sangue indica que não raro a saúde física também pode estar em causa quando se trata de obedecer às leis de Deus. Nos tempos bíblicos, Deus deu a Israel leis específicas sobre dieta, quarentena, higiene e saneamento que eram mui adequadas à permanência temporária deles em regiões desérticas. (Levítico 11:2-8; 13:2-5; Deuteronômio 23:10-13) Por observarem tais regulamentos, Israel não só mantinha uma íntima relação espiritual com seu Deus, mas também se protegia fisicamente contra doenças que afligiam os povos vizinhos. Foi apenas durante o último século que os homens da medicina passaram a reconhecer a sabedoria prática por trás de algumas dessas leis. Além disso, muitos agora estão-se dando conta de que a lei de Deus sobre o sangue faz sentido.

      14. Quando Israel obedecia, de que proteção contra doenças e outras bênçãos dispunham?

      14 Quando Israel obedecia, Deus cumpria a promessa: “Se escutares estritamente a voz de Jeová, teu Deus, e fizeres o que é direito aos seus olhos, e deveras deres ouvido aos seus mandamentos e guardares todos os seus regulamentos, não porei sobre ti nenhuma das enfermidades que pus sobre os egípcios; porque eu sou Jeová, quem te sara.” O que é mais importante, a obediência mantinha Israel em condições de se beneficiar de futuras bênçãos do Reino. — Êxodo 15:26; 19:5, 6.

      15. Que exemplo recente ilustra como podemos ser abençoados por obedecer aos regulamentos de Deus?

      15 As Testemunhas de Jeová apreciam os muitos benefícios providos pela medicina moderna. Por exemplo, quando um Salão do Reino perto de Sídnei, Austrália, foi destruído por uma bomba terrorista no ano passado e mais de 50 Testemunhas feridas foram levadas às pressas para um hospital nas imediações, estas se sentiram gratas de que os médicos tinham à disposição um bom suprimento de fluidos não-sanguíneos para transfundir. Todos os feridos sobreviveram. Podiam sentir-se gratos por essas transfusões que se harmonizavam com os regulamentos de Jeová. Como vantagem adicional, nenhum deles correu o perigo de ser infectado por doenças que podem ser transmitidas pelo sangue.

      “Limpo do Sangue de Todos os Homens”

      16. Como Paulo, que atitude devemos mostrar para com o serviço sagrado?

      16 Retornemos, porém, ao primeiro século. Haviam-se passado uns sete anos desde que Paulo e Barnabé ouviram Tiago anunciar a proibição da idolatria, do sangue e da fornicação. Nesse período, Paulo fizera duas viagens missionárias através da Ásia Menor e em direção à Europa Oriental. Agora, em sua volta através de Mileto, ele tem a oportunidade de falar com os anciãos efésios, que se dirigiram para lá a fim de encontrá-lo. Paulo lembra a eles que, quando estava em seu meio, ele não se poupara quanto a ‘trabalhar como escravo para o Senhor, com a maior humildade mental, e com lágrimas e provações’. Somos nós hoje igualmente abnegados em dar o nosso tudo no serviço de Jeová? Devíamos ser. — Atos 20:17-19.

      17. Iguais a Paulo, como devemos realizar o nosso serviço?

      17 Como realizou Paulo tal serviço? Ele dava testemunho onde quer que encontrasse pessoas, principalmente em suas casas, e sem fazer distinção da formação religiosa delas. Ele não se refreara de instruir aqueles anciãos e, sem dúvida, eles o haviam acompanhado à medida que ensinava “publicamente e de casa em casa”. Eles não haviam sido os únicos que se beneficiaram do zeloso ministério de Paulo, pois ele dera “cabalmente testemunho, tanto a judeus como a gregos, do arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus”. Note a palavra “cabalmente”. Somos nós hoje cabais quanto a cuidar que todos os tipos de pessoas e todos os grupos étnicos ouçam o testemunho? — Atos 20:20, 21; Revelação 14:6, 7.

      18. (a) Iguais a Paulo, como devemos pôr a nossa alma no serviço de Deus? (b) Iguais a Paulo, como devemos proceder em face de crescentes pressões?

      18 A palavra “cabal” aparece também na próxima declaração de Paulo: “Não levo a minha alma em conta como estimada por mim, desde que eu possa terminar a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho cabal das boas novas da benignidade imerecida de Deus.” (Atos 20:24) A sua alma, ou vida, não teria valor se ele não cumprisse daquela maneira o seu ministério. Pensamos o mesmo com respeito ao nosso ministério? À medida que estes últimos dias se esgotam e à medida que as tensões, perseguições, doenças ou a idade avançada pesam sobre nós, será que ainda mostramos um espírito semelhante ao de Paulo na procura cabal dos ‘merecedores’? — Mateus 10:12, 13; 2 Timóteo 2:3, 4; 4:5, 7.

      19. Por que podia Paulo dizer: “Estou limpo do sangue de todos os homens”?

      19 Paulo não esperava rever aqueles anciãos efésios. Mas, com plena confiança podia dizer-lhes: “Eu vos chamo como testemunhas, no dia de hoje, de que estou limpo do sangue de todos os homens.” Como assim? Paulo não havia derramado sangue na guerra. Não havia ingerido sangue. Mas, estivera muito interessado na vida de outros, representada pelo sangue deles. Não queria que, por deixar de lhes dar um testemunho cabal, eles perdessem a vida no Dia de Julgamento de Deus. Ele não se refreou de transmitir àqueles anciãos e a outros “todo o conselho de Deus”. — Atos 20:26, 27.

      20. (a) Em harmonia com o repetido aviso de Jeová a Ezequiel, que responsabilidade precisamos cumprir hoje? (b) Qual será o resultado para nós e para os que nos escutarem?

      20 À medida que a “grande tribulação” se aproxima, a necessidade de declarar todo o conselho de Deus se torna ainda mais urgente. A situação é similar à que existia uns 2.600 anos atrás, quando a destruição de Jerusalém era iminente. Jeová dirigiu sua palavra ao profeta Ezequiel, dizendo: “Filho do homem, constituí-te vigia para a casa de Israel, e terás de ouvir a fala procedente da minha boca e terás de avisá-los da minha parte. Quando eu disser ao iníquo: ‘Positivamente morrerás’, e tu realmente não o avisares e não falares para avisar o iníquo do seu caminho iníquo, a fim de preservá-lo vivo, ele, sendo iníquo, morrerá no seu erro, mas o seu sangue demandarei da tua própria mão.” (Ezequiel 3:17-21; 33:7-9) Os servos ungidos de Jeová e a “grande multidão” de seus companheiros têm hoje uma responsabilidade similar. O nosso testemunho deve ser cabal. Assim, no dia da vingança de Deus poderemos ser salvos junto com os que nos escutarem. — Isaías 26:20, 21; 1 Timóteo 4:16; Revelação 7:9, 14, 15.

      21. De que maneiras podemos mostrar respeito piedoso para com o sangue, e com que resultado final?

      21 Nas questões de neutralidade cristã, de abster-se de sangue, de dar testemunho cabal e de exercer fé no precioso sacrifício de Jesus, esteja cada um de nós determinado a obedecer a todo o conselho de Deus. Assim, poderemos participar no jubiloso cumprimento do Salmo 33:10-12: “O próprio Jeová rompeu o conselho das nações; frustrou os pensamentos dos povos. O próprio conselho de Jeová ficará de pé por tempo indefinido . . . Feliz a nação cujo Deus é Jeová.”

      Qual É Sua Resposta?

      ◻ Qual é o único uso do sangue que resulta em bênçãos duradouras?

      ◻ Em que sentido nos beneficiamos por nos abstermos de sangue?

      ◻ Como podemos manter-nos “limpos do sangue de todos os homens”?

      ◻ Que exemplo de atividade cabal devemos imitar?

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