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Sobre que fundamento está edificada a verdadeira igreja?A Sentinela — 1963 | 1.° de setembro
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A GRANDE QUESTÃO
Com o acima em mente, faça um quadro do que aconteceu na ocasião. Os profetas tinham predito a vinda do Messias ou Cristo. Os discípulos de Jesus conheciam as profecias. No distrito da Cesaréia de Filipe Jesus perguntou-lhes: “Quem dizem os homens que é o Filho do homem?” Eles disseram: “Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, e outros que é Jeremias, ou algum dos profetas.” Jesus então fez-lhes diretamente a pergunta: “E vós quem dizeis que eu sou?” Pedro, com sua prontidão costumeira, respondeu: “Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo.” — Mat. 16:13-16, So.
Quando Pedro disse que Jesus era “o Cristo”, Jesus logo o pronunciou “feliz” ou “bendito”, porque o seu conhecimento e fé não eram resultado de inteligência natural nem de instrução humana, mas de revelação do Pai. (Mat. 16:17) Outros israelitas tinham a mesma instrução, mas ainda não tinham crido em Jesus como “o Cristo, Filho de Deus vivo”. Pedro tinha aceitado o que Deus tinha revelado. Sua fé e seu conhecimento eram de qualidade espiritual e salvadora. Foi por isso que Jesus o pronunciou feliz.
Todavia, naquela ocasião, Pedro ainda ignorava muitas outras verdades espirituais. Ele ainda não compreendia a necessidade de Jesus morrer para que se pagasse um resgate para toda a humanidade obediente. (Mat. 16:21-23) Pedro pouco conhecia o seu próprio coração. Ele tinha certas esperanças errôneas. E depois disto cometeu grandes erros, sim, até pecando e incorrendo em repreensões e castigos. (Mat. 26:31-35; Atos 1:6; Gál. 2:11-14) Passou por muitas perseguições, mas morreu fiel. Apesar de suas tribulações Pedro era “feliz” porque tinha crido sinceramente em Jesus Cristo. Crendo assim, abriu-se-lhe uma felicidade eterna.
A DECLARAÇÃO DE JESUS
A confissão de Pedro de que ‘Jesus era o Cristo’ fez surgir-lhe uma ocasião com referência ao nome de Pedro (Grego: Petros), que tinha dado ao apóstolo anteriormente, para declarar que sobre aquela “pedra” (petra) edificaria a sua igreja. — João 1:42.
A declaração ou confissão de Pedro contém uma verdade fundamental que todos os que desejam a vida devem reconhecer, a saber: que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Assim, com efeito, Jesus disse a Pedro: ‘Sobre este que você confessou, sobre mim mesmo como uma pedra (petra), edificarei a minha igreja, minha assembléia, minha congregação de pessoas que compartilham esta preciosa fé.’
A expressão “esta rocha” não tem referência alguma a Pedro, mas aplica-se exclusivamente a Cristo, o Ungido de Deus, a quem Jeová colocou como genuíno e eterno fundamento da organização do seu reino. Sobre este fundamento, a saber, Jesus Cristo, a igreja permaneceria tão firme que nenhuma maquinação ou esforço, demoníaco ou humano jamais poderia subvertê-la. Nem o poder da morte podia destruir a esperança dos que depositam fé nela. A inteira congregação de 144.000 seria mais que vencedora mediante aquele que a amou.
Em prova adicional de que Jesus incutia então na mente dos seus discípulos que ele era o Cristo, note as suas palavras depois desta palestra: “Então ordenou a seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era Jesus, o Cristo.” (Mat. 16:20, So) Por conseguinte, concluindo a palestra, não faz menção de Pedro nem de ter-lhe dado primazia alguma.
Em todas as Escrituras a prova conclusiva é que a edificação da igreja ou congregação não seria sobre o apostolo Pedro, mas sobre Jesus Cristo, o “fundamento” ou “preciosa pedra angular”. Agostinho admite isto. Na Bíblia católica de Haydock se diz o seguinte sobre Agostinho, que foi canonizado pela Igreja Católica Romana: “É verdade que Sto. Agostinho, num ou dois luares, assim explica estas palavras, e sobre esta pedra (i. e. sobre mim mesmo), ou sobre esta pedra que Pedro tinha confessado” — não sobre o próprio Pedro, mas sobre Jesus que Pedro tinha confessado ser o Cristo. Isto mostra que Agostinho entendia corretamente. O Arcebispo Kenrick, no seu livro Inside the Vatican Council, disse que a maioria dos “padres da igreja” não aplicavam Mateus 16:18 a Pedro. De oitenta e cinco dos mais destacados só dezessete sustentaram que Pedro era a pedra sobre a qual Cristo edificou a sua igreja, quarenta e quatro disseram que era a verdade dita por Pedro e dezesseis criam que o próprio Jesus era a pedra. Portanto, não só a Igreja Católica Romana discorda do apóstolo Pedro que, segundo as suas palavras em 1 Pedro 2:4-7, ensinou que Jesus era a pedra fundamental, mas também discorda do homem que ela “santificou” e venera como “Santo Agostinho” e dos outros “padres da igreja”.
Se Pedro fosse o cabeça da primitiva igreja ou congregação, então devíamos encontrar os apóstolos e outros dando a Pedro um lugar proeminente como tem o papa de Roma hoje em dia. Mas não vemos tal honra ser dada a Pedro, quer pelos apóstolos quer por outros discípulos. Pedro nunca aludiu a si mesmo como papa. Tampouco Paulo ou outros escritores bíblicos referiram-se a qualquer primazia de Pedro. Quando os apóstolos e outros homens mais idosos se reuniram em Jerusalém para discutirem a questão da circuncisão, vemos que não foi Pedro e sim Tiago quem fez o resumo da questão. (Atos 15:12-21) Se Pedro fosse o cabeça e estivesse no lugar de Cristo certamente seria ele quem faria isto. Mas ele não o fez.
Está claro que Pedro não era o cabeça da congregação cristã. Ela não tinha sido edificada sobre ele como pedra fundamental angular. Foi edificada sobre o próprio Jesus Cristo, o imaculado Filho de Deus. — Heb. 7:26.
Nem a primitiva congregação cristã nem os antigos “padres da igreja” sustentaram que Pedro era a pedra sobre a qual a igreja foi edificada. Pois a pedra não é outro senão o próprio Jesus Cristo. E ai de quem ao menos tenta lançar outro fundamento: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento senão o que foi posto, que é Jesus Cristo.” — 1 Cor. 3:11, So.
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Perseverança paciente traz recompensasA Sentinela — 1963 | 1.° de setembro
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Perseverança Paciente Traz Recompensas
Uma das testemunhas de Jeová de Oaio relatou a seguinte experiência durante uma assembléia em Point Pleasant, na Virgínia Ocidental, EUA, em 1962: “Há uns dez ou doze anos atrás estive trabalhando numa pequena aldeia onde conhecia todo mundo e todo mundo me conhecia. Quando bati em certa porta, a senhora disse: ‘Entre. Eu sou Adventista do Sétimo Dia e nunca entrou uma testemunha de Jeová em minha casa. De fato, não teria deixado você entrar se não a conhecesse. Sei o suficiente acerca da Bíblia para ver que só há uma verdade, só uma religião que Deus reconhece. As nossas não podem estar todas as duas certas. Quero saber a verdade, venha de onde vier. Se a minha religião não agüentar todos os testes, então não presta.’ Concordei: ‘As nossas não podem estar todas as duas certas. Como a senhora, eu também desejo uma religião que agüenta qualquer teste.’
Nesta base começamos então um estudo bíblico no livro ‘Seja Deus Verdadeiro’. Fomos bem por certo tempo, até que chegamos no capítulo sobre o sábado. Nos seis a oito anos seguintes esta pessoa parou e começou novamente a estudar por multas vezes e estudou o capítulo sobre o sábado umas dez vezes ou mais com Testemunhas diferentes. Nos últimos cinco ou seis anos ela vinha de vez em quando ao Salão do Reino. Nunca se sabia quem estava com ela; talvez o marido, a Irmã, a filha, um vizinho ou outro parente. Em 1960, ela começou a pregar comigo as boas novas do Reino. É agora publicadora regular. Em setembro de 1962, ela e a sua irmã foram batizadas. Hoje, uma das minhas maiores alegrias, é vê-la usar a Bíblia para explicar o sábado a uma pessoa de boa vontade.”
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