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Página doisDespertai! — 1990 | 22 de novembro
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Página dois
Até o Feto Está Preparado Para Lutar
Meses antes de nascer, o feto já se prepara para a batalha. Está produzindo armas para o sistema imunológico. Na ocasião em que o bebê nasce, suas defesas estão sendo aprontadas para detectar e neutralizar substâncias estranhas. Anticorpos da mãe acham-se no sangue do bebê, já em concentrações maiores do que no sangue materno. Os fagócitos aguardam, nos tecidos do bebê, a oportunidade de tragar quaisquer invasores estranhos. Estes e outros defensores contra as doenças estão nas trincheiras, prontos para a batalha. E é bom que estejam lá, pois, por ocasião do nascimento, o recém-nascido se vê exposto a um ataque maciço de microorganismos sempre presentes.
Pouco depois do nascimento, o sistema imunológico do bebê recebe um grande impulso no poder de fogo para combater quaisquer invasores — o inteiramente decisivo poder de fogo que provém das primeiras sugadas do leite materno, por parte do bebê. O leite materno naqueles primeiros dias é chamado de colostro e está repleto de uma variedade de anticorpos. Este manda o bebê bem equipado para as guerras.
“Já aos dois ou três meses de idade, . . . os fabricantes de armas na medula vermelha e no timo estão trabalhando ao máximo. Quando a criança atinge os dez anos, o sistema imunológico humano está em seu ponto mais forte, armado até os dentes. Depois disso, seus poderes vão decrescendo gradualmente.” — The Body Victorious (O Corpo Vitorioso), páginas 34-5.
As guerras começam com o início da vida e não terminam senão com o último fôlego.
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Nosso sistema imunológico — um milagre da criaçãoDespertai! — 1990 | 22 de novembro
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Nosso sistema imunológico — um milagre da criação
Não conseguimos vê-los, mas eles estão ali. Seus abundantes milhões estão por toda a nossa volta, aderindo a nós e determinados a penetrar em nós. Anseiam a tepidez úmida e nutritiva do nosso interior, e, uma vez ali, eles se proliferam de forma alarmante. Se não sofressem interferência, logo nos dominariam por completo. Nossa única reação a esta força destrutiva é a guerra, uma guerra travada em nosso interior. Tem de ser uma guerra imediata e total entre estes invasores estranhos, patológicos [que transmitem doenças], e nosso sistema imunológico, com seus dois trilhões de defensores.a Não se pede nenhum quartel, e nenhum é concedido. Disso depende a nossa vida. São eles ou nós. Geralmente, vencemos nós. Mas nem sempre. O resultado depende de quão rápida e completamente nosso sistema imunológico se prepara para a luta.
O SISTEMA imunológico é um dos mecanismos mais incríveis e complexos de nossos corpos, feitos de modo surpreendente e maravilhoso. Ele é comparado favoravelmente ao órgão mais complexo de todos, o cérebro humano. O imunologista William Paul, dos Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA, diz: “O sistema imunológico possui uma capacidade fenomenal de processar informações, de aprendizagem e de memorização, de criação e de armazenamento e utilização de informações.” Grandes elogios, mas não são exagerados. O Dr. Stephen Sherwin, diretor de pesquisas clínicas da Genentech, Inc., acrescenta o seguinte tributo: “Trata-se de um sistema incrível. Ele reconhece moléculas que jamais estiveram no corpo. Consegue diferençar o que faz parte dele e o que não faz.” E, se não fizer, declara-se-lhe guerra!
Como é que nosso sistema imunológico sabe o que faz parte do corpo e o que não faz? Uma molécula especial de proteína, chamada de MHC (sigla, em inglês, de complexo de histocompatibilidade principal), situa-se na superfície de quase toda célula de nosso corpo. É uma etiqueta de identificação que diz ao sistema imunológico que tal célula é um amigo, que faz parte de nós, sendo ímpar em nós. O sistema imunológico desta forma reconhece nossas próprias células e as aceita, mas ataca quaisquer células que revelem diferentes moléculas em sua superfície — e todas as células que não são nossas deveras apresentam moléculas de superfície diferentes das nossas.
Assim, é por meio destas moléculas de superfície que nosso sistema imunológico reconhece cada célula como parte de “nós” ou de “eles”, como do eu ou do não-eu. Se for do não-eu, aciona uma reação por parte de nosso sistema imunológico. “O conceito de que o sistema imunológico tem de diferençar continuamente entre o eu e o não-eu”, afirma o livro Immunology, (Imunologia), “é a pedra fundamental de toda a teoria imunológica”. Na categoria do não-eu situam-se organismos patológicos como os vírus, os parasitos, os fungos e as bactérias.
A Pele — Mais do que Uma Cobertura Passiva
A pele é a primeira linha de defesa contra estes invasores estranhos. Sendo mais do que uma simples cobertura protetora passiva, possui células que avisam o sistema imunológico sobre os microorganismos invasores. Bilhões de bactérias amigáveis subsistem na pele — em alguns lugares, cerca de 3 milhões por centímetro quadrado. Algumas delas produzem ácidos graxos que impedem a proliferação de espécies prejudiciais de bactérias e de fungos. A revista Scientific American, de junho de 1985, chama a pele de “elemento ativo do sistema imunológico”, com células especializadas que “possuem papéis interativos na reação aos invasores externos”.
Colaborando com a pele, como parte da cobertura protetora do corpo, acham-se as membranas que revestem as superfícies internas do corpo. Tais membranas segregam um muco que enreda os micróbios. A saliva, as secreções nasais e as lágrimas contêm substâncias microbicidas. Os cílios nas vias aéreas que levam aos pulmões impulsionam o muco e os resíduos para a garganta, onde podem ser eliminados pelo espirro e pela tosse. Se quaisquer invasores alcançarem o estômago, eles são mortos pelos ácidos ali existentes, decompostos pelas enzimas digestivas ou enredados pelo muco que reveste o estômago e os intestinos. Por fim, são eliminados junto com outros resíduos orgânicos.
Os Fagócitos e os Linfócitos — Os Grandes Canhões!
Mas estas são simples escaramuças quando comparadas com as batalhas travadas entre uma parte e a outra, uma vez que os organismos estranhos atravessem tais defesas externas e penetrem na corrente sanguínea e nos tecidos ou fluidos do corpo. Eles invadiram o território dos grandes canhões do sistema imunológico — os glóbulos brancos, dois trilhões deles. Nascidos na medula óssea — cerca de um milhão por segundo — eles emergem para amadurecer e formar três divisões distintas: os fagócitos e dois tipos de linfócitos, a saber, as células T (três tipos principais — as células auxiliadoras, as supressoras e as citotóxicas) e as células B.
Bem, o sistema imunológico pode ter um exército de trilhões de soldados, mas cada soldado só pode combater um tipo de invasor. Numa doença, milhões de germes podem ser gerados, e cada um destes germes terá o mesmo tipo de antígeno. Diferentes doenças, porém, e até variedades da mesma doença, têm diferentes antígenos. Antes de as células T e as células B poderem atacar tais invasores, precisam ter receptores que possam interagir com os antígenos específicos. Assim sendo, entre as células T e as células B, é preciso que haja muitos receptores diferentes, receptores específicos para cada doença diferente — mas cada célula T e célula B, individual, possui receptores que são específicos para o antígeno de uma única doença.
Daniel E. Koshland Jr., editor da revista Science, diz o seguinte sobre este ponto: “O sistema imunológico foi projetado para reconhecer os invasores estranhos. Para fazer isso, gera diferentes tipos de receptores imunes da ordem de 1011 (100.000.000.000), de modo que, não importa qual a configuração ou a forma do invasor estranho, haverá algum receptor complementar para reconhecê-lo e efetuar sua eliminação.” (Science, 15 de junho de 1990, página 1273) Assim, existem grupos de células T e de células B que, entre eles, podem compatibilizar-se com cada antígeno de doenças que penetre em nosso corpo — assim como uma chave se ajusta a uma fechadura.
À guisa de ilustração: Dois chaveiros trabalham inteiramente independentes um do outro. Um deles faz milhões de fechaduras de todos os tipos, mas não chaves. O outro faz milhões de chaves de todos os formatos, mas não faz fechaduras. Daí, os bilhões de fechaduras e de chaves são jogados num gigantesco receptáculo e sacudidos cabalmente, e cada chave encontra uma fechadura e se ajusta a ela. Impossível? Só por milagre? Pareceria ser assim.
Como fechaduras com seus buracos, milhões de germes, junto com seus antígenos, invadem o seu corpo e circulam pela corrente sangüínea e pelo sistema linfático. Como milhões de chaves, suas células imunes, com seus receptores, também circulam ali e se ajustam aos antígenos compatíveis dos germes. Impossível? Só por milagre? Pareceria ser assim. Mas, mesmo assim, o sistema imunológico consegue fazer isso.
Cada categoria de linfócito possui seu papel especial a desempenhar na luta contra as infecções. As células T auxiliadoras (um dos três tipos de principais células T) são cruciais. São aquelas que orquestram as várias reações do sistema imunológico, comandando a estratégia da batalha. Impulsionadas pela presença de antígenos inimigos, as células T auxiliadoras, por meio de sinais químicos (proteínas chamadas de linfocinas) juntam as tropas do sistema imunológico e aumentam aos milhões as suas fileiras. Incidentalmente, são as células T auxiliadoras que o vírus da AIDS escolhe atacar. Uma vez destruídas, o sistema imunológico se torna virtualmente desvalido, o que deixa a vítima de AIDS vulnerável a todo tipo de doença.
Nesta oportunidade, contudo, considere o papel das células T auxiliadoras junto aos fagócitos, que são metabolizantes. Seu nome significa “células que comem”. Eles não são exigentes — ingerem tudo que pareça suspeito, quer sejam microorganismos estranhos, células mortas ou outros resíduos. Funcionam não só como um exército que defende o corpo contra germes patogênicos, mas também como um serviço de limpeza, que traga o lixo. Eles até ingerem os contaminantes da fumaça de cigarro, que enegrecem os pulmões. Se a pessoa continuar a fumar por longo período, a fumaça destrói os fagócitos mais rápido do que eles podem ser produzidos. Algumas das coisas que estas células ingerem, contudo, são indigeríveis e até mesmo fatais — pó de sílica e fibras de amianto, por exemplo.
Há dois tipos de fagócitos: os neutrófilos e os macrófagos. A medula óssea produz cerca de cem bilhões de neutrófilos por dia. Eles subsistem apenas alguns dias, mas, durante uma infecção, seus números aumentam vertiginosamente, quintuplicando. Cada neutrófilo consegue engolfar e destruir até 25 bactérias e então morre, mas os substitutos chegam em corrente contínua. Os macrófagos, por outro lado, podem destruir cem invasores, antes de expirarem. São maiores, mais resistentes e vivem mais do que os neutrófilos. Reagem apenas de uma forma tanto aos invasores como ao lixo — ingerem-nos. Seria um erro, contudo, pensar nos macrófagos como sendo apenas unidades de disposição do lixo. Eles “conseguem fabricar até 50 tipos diferentes de enzimas e de agentes antimicrobianos” e funcionam como elos de comunicação entre “não apenas as células do sistema imunológico, mas também as células produtoras de hormônios, as células nervosas e até mesmo as células cerebrais.”
Socorro! Há um Inimigo em Nosso Meio!
Quando o macrófago ingere um microorganismo inimigo, ele faz mais do que apenas comê-lo. Como virtualmente todas as células do corpo, ele transporta em sua superfície as moléculas MHC que o identificam como parte do eu. Mas, quando o macrófago ingere um germe, a molécula MHC puxa e exibe um fragmento deste antígeno inimigo, nos sulcos da superfície. Esta faixa do antígeno atua então como uma bandeira vermelha para o sistema imunológico, soando o alarme de que um organismo estranho está solto dentro de nós.
O macrófago, ao soar este alarme, pede reforços, mais macrófagos, milhões deles! E é aí que entra a célula T auxiliadora. Bilhões delas estão percorrendo o corpo, mas o macrófago tem de recrutar um tipo específico. Precisa de um com a espécie de receptor que se ajuste ao antígeno específico que o macrófago está exibindo.
Uma vez chegue esse tipo de célula T auxiliadora, e se prenda ao antígeno inimigo, o macrófago e a célula T auxiliadora trocam sinais químicos. Estas substâncias químicas parecidas a hormônios, ou linfocinas, são proteínas extraordinárias que apresentam uma série fantástica de funções, a fim de regular e estimular a reação do sistema imunológico aos germes patológicos. O resultado é que tanto o macrófago como a célula T auxiliadora começam a reproduzir-se prodigiosamente. Isto significa mais macrófagos para ingerir mais dos germes invasores e mais do tipo correto de células T auxiliadoras para prender-se aos antígenos que tais macrófagos exibirão. Assim, há um tremendo aumento das fileiras das forças imunes e são derrotadas multidões destes germes patológicos específicos.
[Nota(s) de rodapé]
a As estimativas do número de glóbulos brancos (leucócitos) variam de um a dois trilhões. Seus números flutuam grandemente.
[Quadro nas páginas 4, 5]
“Armas Pré-fabricadas Contra Todo Invasor Imaginável”
O sistema imunológico mantém “um arsenal de armas pré-fabricadas contra todo invasor imaginável”. Esta profusão de armas, “segundo se sabe, é produzida por um complexo processo genético em que partes dos genes são trocadas e recombinadas”. Atualmente, a notícia de uma grande descoberta recente elucida como isto acontece.
“Crê-se que o gene recém-descoberto desempenhe um papel importante no processo genético de recombinação. Os cientistas chamaram o gene de RAG-1, sigla [em inglês] de gene ativador da recombinação.” Tal descoberta foi noticiada na revista Cell, de 22 de dezembro de 1989. Mas os cientistas do Instituto Whitehead de Pesquisas Biomédicas de Cambridge, Massachusetts, EUA, que descobriram o RAG-1, preocupavam-se de que “o gene recombinante era ineficaz e lento demais para explicar como o corpo produz uma variedade tão contínua e estonteante de proteínas imunes. Para adequar-se à possibilidade de qualquer tipo de invasão, o corpo tem de manter à disposição muitos milhões de anticorpos e receptores da célula T, todos com a configuração diferente o bastante para que pelo menos alguns deles possam reconhecer até mesmo um tipo inteiramente novo de agente patogênico”. — The New York Times, de 26 de junho de 1990.
Assim, estes mesmos cientistas começaram a procurar outro gene capaz de transpor tal dificuldade. Seis meses depois, a revista Science, de 22 de junho de 1990, informava que eles o haviam encontrado. “Os cientistas dizem que o novo gene, RAG-2, trabalha junto com o primeiro gene para tecerem anticorpos e proteínas receptoras mais rapidamente. Quando operam em série, os dois genes podem recombinar partes do sistema imunológico que são de 1.000 a um milhão de vezes mais eficientes do que qualquer desses genes possa fazê-lo independentemente.” Trabalhando em série, o RAG-1 e o RAG-2 produzem os milhões de anticorpos e de receptores das células T necessários.
Esta pesquisa é descrita como “uma mostra científica mui elegante”. Trata-se de uma grande descoberta que poderá abrir as portas para melhor entendimento de algumas doenças genéticas em que falham os sistemas de defesa do corpo. — The New York Times, 22 de dezembro de 1989.
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As células t e as células b cursam a faculdadeDespertai! — 1990 | 22 de novembro
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As células t e as células b cursam a faculdade
AS CÉLULAS T e as células B não podem simplesmente sair da medula óssea e ir para a guerra. Seu armamento é ultramoderno. É mister que recebam treinamento em alta tecnologia, antes de irem para o campo de batalha. As células T estarão envolvidas na guerra biológica. As células B estarão especializando-se em mísseis teleguiados. Elas obtêm treinamento para isto em faculdades técnicas do sistema imunológico.
Assim sendo, metade dos milhões de linfócitos produzidos a cada minuto na medula óssea vão para o timo — pequena glândula situada por trás do esterno — para serem treinadas como células T. A respeito disto, diz o livro The Body Victorious (O Corpo Vitorioso): “Os linfócitos, que cursam a faculdade técnica do timo, são as células auxiliadoras, supressoras, e citotóxicas [assassinas] chamadas de linfócitos T (ou células T). Acham-se entre as forças armadas mais indispensáveis do sistema imunológico.”
Anticorpos — 10.000 por Célula, por Segundo!
A outra “metade dos linfócitos não instruídos”, diz-nos o livro The Body Victorious, são as células B que vão para os linfonodos e tecidos relacionados, para serem treinadas a fim de fabricar e lançar mísseis teleguiados, chamados anticorpos. Quando as células B “juntam-se nestes tecidos, elas são como páginas em branco: nada sabem, e têm de aprender do zero” a “adquirir a capacidade de reagir especificamente a substâncias estranhas ao corpo”. Nos linfonodos, uma célula B madura, ativada por células T auxiliadoras e o antígeno compatível, “prolifera e se diferencia de modo a formar células plasmáticas que segregam idênticos anticorpos com uma especificidade única, a uma taxa de cerca de 10.000 moléculas por célula, por segundo”. — Immunology (Imunologia).
Para ajudar-nos a assimilar a magnitude do que o sistema imunológico realiza, um artigo publicado na revista Nacional Geographic, de junho de 1986, fornece pormenores do problema que confronta o timo: “De alguma forma, à medida que as células T amadurecem no timo, uma delas aprende a reconhecer os antígenos, digamos, do vírus da hepatite, outra a identificar uma cepa de antígenos da gripe, uma terceira a detectar o rinovírus 14 [um vírus do resfriado], e assim por diante.” Depois de comentar a “estonteante tarefa confrontada pelo timo”, o artigo diz que, na natureza, existem “antígenos em centenas de milhões de diferentes configurações. O timo precisa produzir um grupo de células T que reconheça a cada uma delas. . . . O timo envia células T às dezenas de milhões. Embora apenas algumas delas possam reconhecer qualquer antígeno específico, a força patrulhadora coletiva é bastante ampla para identificar a variedade quase que infinita de antígenos que a natureza produz”.
Ao passo que algumas das células T auxiliadoras estimulavam os macrófagos a multiplicar-se, outras, nos linfonodos, ligavam-se com as células B ali localizadas, fazendo que estas se multiplicassem. Muitas delas se tornam plasmócitos. De novo, é preciso que haja os receptores corretos nas células T auxiliadoras para juntar-se às células B e fazer com que estas produzam plasmócitos. São estes plasmócitos que começam a lançar milhares de anticorpos por segundo.
Visto que cada plasmócito só fabrica um tipo de anticorpo, com um receptor específico para apenas um antígeno patogênico, logo bilhões se acham nas linhas de frente, dirigindo-se para os antígenos de uma doença específica. Eles caem sobre os invasores, tornando-os lentos, fazendo com que se agrupem e se tornem petiscos mais tentadores para os fagócitos os tragarem. Isto, junto com a liberação de certas substâncias químicas pelas células T, atiça os macrófagos a alimentar-se freneticamente, fazendo com que traguem milhões dos microorganismos invasores.
Ademais, os próprios anticorpos podem levar à morte destes microorganismos. Uma vez eles tenham aderido aos antígenos de superfície, moléculas especiais de proteína, chamadas fatores complementares, afluem ao germe. Quando o número exigido de fatores complementares já se acha no local, eles penetram na membrana do microorganismo, um líquido flui para dentro, e a célula estoura e morre.
Estes anticorpos, naturalmente, também têm de possuir os receptores certos para aderir aos intrusos. Sobre este ponto, o volume 1989 Medical and Health Annual (Livro do Ano de Medicina e Saúde 1989) da Encyclopædia Britannica, página 278, afirma que as células B conseguem “produzir entre 100 milhões e um bilhão de diferentes anticorpos”.
As Células T Assassinas Travam Uma Guerra Biológica
Já então as células T auxiliadoras recrutaram milhões de macrófagos metabolizantes para tragar o inimigo, e estimularam as células B, com seus anticorpos, para ajudar na briga contra os invasores, mas existem ainda outras forças que as células T auxiliadoras convocam para a batalha. Elas convocam milhões dos mais mortíferos combatentes para participar na batalha — as células T assassinas [citotóxicas].
O alvo dos vírus, das bactérias e dos parasitas é penetrar nas células do corpo, porque, uma vez ali, eles estão seguros contra os macrófagos e as células B e seus anticorpos — mas não contra as células T assassinas! Uma destas células infectadas só precisa roçar numa célula T assassina para fazer com que esta ataque: crivando a célula infectada de buracos por atirar proteínas letais, destruir seu DNA (ou ADN), e derramar seu conteúdo até a morte. Desta forma, as células T assassinas podem atacar e destruir até mesmo as células mutantes e as células que se tornaram cancerosas.
Além das células T assassinas, existem outras células assassinas no arsenal do sistema imunológico, a saber, as células assassinas naturais. Estas células assassinas naturais, diferentes das células T e B, não precisam ser acionadas por um antígeno específico. As células cancerosas e as células invadidas por outros vírus são vulneráveis a seus ataques. Mas o alcance delas talvez não se limite aos vírus. A revista Scientific American, de janeiro de 1988, afirma que “julga-se que seus principais alvos são as células tumorais, e, talvez, também as células infectadas por agentes diferentes dos vírus”.
Como é que estes combatentes contra as doenças confrontam os microorganismos invasores? Será apenas uma questão de acertar ou errar? Não. Nada é deixado ao acaso. Os antígenos patogênicos e as células T, as células B, os fagócitos e os anticorpos circulam pelo corpo através da corrente sanguínea e do sistema linfático. Os órgãos linfóides secundários, tais como os linfonodos, o baço, as amígdalas, as adenóides, porções de tecido especializado do intestino delgado, e o apêndice, são sítios onde se iniciam as respostas imunes. Os linfonodos desempenham um papel principal. A linfa é o líquido que banha as células de nossos tecidos. Origina-se em tais tecidos, coleta-se em vasos de parede tênue e flui para os linfonodos, prossegue indo por todo o restante do sistema linfático e, por fim, completa sua circulação por esvaziar-se nas grandes veias que levam ao coração.
À medida que os antígenos patogênicos atravessam os linfonodos, eles são filtrados e enredados. Os combatentes contra as doenças, do sistema imunológico, levam 24 horas para completar o inteiro circuito linfático, mas 6 horas desse tempo são gastas nos linfonodos. Ali, eles encontram os enredados antígenos invasores, e começam grandes batalhas. Semelhantemente, os antígenos inimigos que percorrem a corrente sanguínea não escapam. São canalizados para o baço, onde os combatentes contra as doenças os esperam, a fim de confrontar-se com eles.
Então termina a guerra em nosso interior. As forças invasoras foram derrotadas. Venceu o sistema imunológico, com seu trilhão ou mais de glóbulos brancos. É tempo para que outra categoria de células T entrem em ação, a saber, as células T supressoras. Quando notam que a guerra já foi vencida, elas dão por terminada a batalha e encerram a produção de forças combatentes do sistema imunológico.
Células de Memória e de Imunidade, com Complicações
Por volta desse tempo, contudo, as células B e as células T já realizaram outro serviço vital: Produziram células de memória que circulam na corrente sanguínea e nos vasos linfáticos por muitos anos — em alguns casos, por toda a vida. Caso o leitor seja alguma vez infectado com a mesma cepa de vírus da gripe ou do resfriado, ou com qualquer outra substância estranha já encontrada no passado, estas células de memória a identificarão de imediato e convocarão o sistema imunológico para um ataque rápido e avassalador. As células de memória produzirão rapidamente um dilúvio do tipo específico de células B e de células T que travaram o primeiro ataque contra este atacante específico. Esta nova invasão é barrada antes que possa ganhar uma cabeça-de-ponte. O que, originalmente, talvez tenha levado três semanas para derrotar, é agora eliminado antes de começar. Sua infecção prévia, por parte daquele invasor específico, deixou-o imune a ele.
O quadro, contudo, se complica devido à existência de diferentes cepas de vírus da gripe, não raro se originando em diferentes partes do mundo. Além disso, existem cerca de 200 cepas de vírus do resfriado, e cada cepa possui seu próprio antígeno específico. Assim, tem de haver 200 tipos diferentes de células T auxiliadoras, cada tipo possuindo um receptor que se compatibilize com o antígeno de um dos 200 vírus do resfriado. Mas, isso não é tudo. Os vírus do resfriado e da gripe estão em constante mutação, e cada vez que isso acontece, existe um novo antígeno do resfriado ou da gripe que requer um novo receptor da célula T auxiliadora para compatibilizar-se com ele. O vírus do resfriado persiste em mudar as fechaduras, de modo que a célula T tem de continuar trocando de chaves.
Antes de zombar dos médicos, que não conseguem curar o resfriado comum, compreenda o problema. Talvez o leitor se cure do resfriado específico que apresenta no momento, e este nunca mais o ataque, mas logo surge um novo vírus mutante do resfriado, e seu sistema imunológico precisa apresentar uma célula T auxiliadora inteiramente nova para convocar as forças imunes a fim de combatê-lo. Uma vez ganha uma batalha, outra logo se inicia. A guerra é infindável.
O Cérebro e o Sistema Imunológico Se Comunicam
Não é de admirar que o sistema imunológico tenha sido comparado de modo favorável com o cérebro. As pesquisas continuam demonstrando que tal sistema e o cérebro conversam entre si a respeito de nossa saúde e que a mente exerce influência sobre o corpo, inclusive sobre o sistema imunológico. As seguintes citações indicam um relacionamento entre o cérebro e o sistema imunológico. Trata-se dum caso de a mente governar o corpo e o corpo governar a mente.
“Os imunologistas estão descobrindo mais sobre os elos entre a mente e o corpo, os mecanismos da doença psicossomática.” — Nacional Geographic, junho de 1986, página 733.
Reconhecida, mas pouco entendida, é a conexão entre o sistema imunológico e o cérebro. O stress mental, o sentimento de perda dum ente querido, a solidão e a depressão influem no funcionamento dos glóbulos brancos, ou linfócitos, e isto reduz a atividade das células T. “A base biológica destas interligações continua sendo, em grande medida, um mistério. É claro, contudo, que os sistemas nervoso e imunológico estão inexplicavelmente ligados, anatômica e quimicamente.” — The Incredible Machine (A Incrível Máquina), páginas 217, 219.
“O sistema imunológico . . . se rivaliza com o sistema nervoso central em sensibilidade, especificidade e complexidade.” — Immunology, página 283.
A revista Science informou sobre o elo existente entre o cérebro e o sistema imunológico: “Uma grande dose de evidência mostra que os dois sistemas estão inexplicavelmente interligados. . . . O quadro emergente mostra que os sistemas imune e nervoso acham-se altamente integrados, sendo capazes de um falar livremente com o outro para coordenar suas atividades.” — 8 de março de 1985, páginas 1190-1192.
Tudo isto reflete a infinita sabedoria do Criador tanto do sistema imunológico como do cérebro. E isto, por sua vez, faz-nos indagar se o nosso Criador, depois de criar em nós tão surpreendentes maravilhas, como o cérebro e o sistema imunológico, nos programaria então para morrer. Em realidade, ele não fez isso; são os cientistas que dizem que fomos feitos assim. Diz-se-nos que as células se dividem — mais de 200 milhões são criadas em nosso corpo a cada minuto — para substituir as células feridas ou desgastadas. Mas nossas células, dizem os cientistas, não se dividirão mais de 50 vezes. Logo estamos perdendo-as mais do que conseguimos substituir, instala-se a velhice, e segue-se a morte.
Mas não foi assim que o homem foi criado; o homem trouxe isso sobre si. Ele foi criado para viver, para ser frutífero, multiplicar-se, encher a Terra e assumir os cuidados da Terra — enquanto fosse obediente ao seu Criador. Mas, ele foi avisado: Desobedeça e “morrendo morrerás”. O primeiro homem desobedeceu, ele teve sentimentos de culpa, e escondeu-se. Daquele momento em diante, a humanidade tem estado num processo de morte. — Gênesis 1:26-28; 2:15-17, Bíblia com Referências, nota de rodapé; Gê 3:8-10.
Com o tempo, fortes pensamentos negativos se tornam uma “podridão para os ossos”, e “o espírito abatido resseca os ossos”. O resultado é um sistema imunológico dotado de capacidade reduzida, visto que uma medula óssea saudável e úmida é necessária para produzir uma abundância dos glóbulos brancos, que combatem as doenças. — Provérbios 14:30; 17:22.
Mas o processo da morte será substituído pelo da vida, e um sistema imunológico que funcione perfeitamente será um importante fator em contribuir para isso. O propósito de Jeová de ter uma Terra paradísica cheia de humanos justos e obedientes será realizado por meio do sacrifício de resgate de Cristo Jesus. Então, ninguém ficará doente, a morte será destruída, e toda a carne se ‘tornará mais fresca do que na juventude’. (Jó 33:25; Isaías 33:24; Mateus 20:28; João 17:3; Revelação [Apocalipse] 21:4) Daí, o surpreendente sistema imunológico, projetado por Jeová, jamais perderá uma batalha contra quaisquer agentes invasores.
Mesmo agora, nosso sistema imunológico, com suas falhas, é um milagre da criação. Quanto mais aprendemos sobre ele, tanto mais ficamos assombrados diante de seu Grandioso Criador, Jeová Deus. Juntamo-nos ao salmista Davi em sua expressão inspirada: “Elogiar-te-ei porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante. Teus trabalhos são maravilhosos, de que minha alma está bem apercebida.” — Salmo 139: 14.
[Quadro/Diagramas nas páginas 8, 9]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Defensores nas Fileiras do Sistema Imunológico
1. Fagócitos. Células que comem, de dois tipos: neutrófilos e macrófagos. Ambos são metabolizantes que consomem resíduos inanimados, células mortas e outros lixos, e grandes números de micróbios invasores. Os macrófagos são maiores, mais resistentes e mais fortes do que os neutrófilos, vivendo mais e ingerindo muitos outros microorganismos. Sendo muito mais do que unidades de disposição de lixo, eles fabricam diferentes enzimas e agentes antimicrobianos e funcionam como elos de comunicação entre outras células do sistema imunológico e até mesmo o cérebro.
2. MHC (sigla, em inglês, do complexo de histocompatibilidade principal). Moléculas de superfície das células que identificam as células como parte do corpo. Nos macrófagos, o MHC exibe um pouco dos antígenos das vítimas que o macrófago ingeriu, o que estimula tanto a célula T auxiliadora como o macrófago a multiplicar-se prodigiosamente a fim de aumentar suas fileiras para combater a infecção.
3. Células T Auxiliadoras. São os chefes de operação do sistema imunológico, identificando inimigos e estimulando a produção de outros guerreiros do sistema imunológico, conclamando-os a juntar-se na batalha contra os invasores. Eles convocam reforços nas fileiras dos macrófagos, de outras células T e células B, e estimulam a produção de plasmócitos.
4. Linfocinas. Proteínas semelhantes a hormônios, inclusive interleucinas e interferon gama, por meio dos quais as células imunes comunicam-se umas com as outras. Elas acionam muitas respostas vitais do sistema imunológico, desta forma acelerando sua resposta aos germes patogênicos.
5. Células T assassinas [citotóxicas]. Estas células T destroem as células em que vírus e micróbios se ocultaram. Elas lançam proteínas letais dentro de tais células, abrindo buracos em suas membranas e fazendo com que tais células se rompam. Elas também eliminam células que se tornaram cancerosas.
6. Células B. Sob o estímulo das células T auxiliadoras, as células B aumentam em número, e algumas se dividem e maturam, transformando-se em plasmócitos.
7. Plasmócitos. Estas células produzem anticorpos aos milhões, os quais, como mísseis teleguiados, então circulam por todo o corpo.
8. Anticorpos. Quando anticorpos deparam com antígenos aos quais seus receptores podem compatibilizar-se, eles os agarram, reduzem a velocidade deles, fazem com que se agrupem a fim de tornar-se petiscos mais tentadores para os fagócitos tragarem. Ou eles próprios executam tal tarefa, com a ajuda dos fatores complementares.
9. Proteínas complementares. Uma vez os anticorpos tenham aderido à superfície do microrganismo, afluem as proteínas chamadas complementares e injetam líquido nele, fazendo com que se rompa e morra.
10. Célula T supressora. Quando a infecção é contida e o sistema imunológico venceu, as células T supressoras entram em ação e utilizam sinais químicos para parar o inteiro âmbito das respostas imunes. Está ganha a batalha.
11. Células de memória. Por volta desse tempo as células T e as células B já produziram e deixaram células de memória que circulam pela corrente sanguínea e pelo sistema linfático durante anos, até mesmo a vida toda. Se outra invasão for realizada pelo mesmo tipo de organismo já previamente derrotado, estas células de memória lançam sobrepujante ataque, e esta nova invasão é rapidamente esmagada. O corpo está agora imune a esse microorganismo específico. Trata-se do mecanismo que torna eficazes as vacinas na eliminação de doenças que, outrora, eram flagelos — sarampo, varíola, febre tifóide, difteria e outras.
[Quadro na página 10]
Um Aumento Fenomenal de Conhecimento, mas o Mistério Continua
Desde que o vírus da AIDS passou a assolar e visou a derrubada do sistema imunológico, houve enorme aceleração das pesquisas. O conhecimento aumentou tremendamente. Todavia, o sistema imunológico é tão surpreendentemente complexo que muita coisa sobre ele ainda continua um mistério, como mostram as seguintes citações feitas por imunologistas.
Afirma o imunologista John Kappler: “O campo avança tão rapidamente que os periódicos ficam desatualizados assim que são publicados.” — Time, 23 de maio de 1988, página 56.
O imunologista Leroy Hood, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, EUA, diz: “Já obtivemos bom atendimento do hardware [equipamentos] do sistema imunológico, mas não sabemos quase nada, ainda, sobre o software [programa] que faz funcionar o sistema — os genes que dizem às nossas células o que elas devem fazer.” A respeito dos sinais químicos semelhantes a hormônios que acionam reações, as linfocinas, Hood afirma que os descobertos até agora são “apenas a ponta do iceberg”. — Nacional Geographic, junho de 1986, página 732; Time, 23 de maio de 1988, página 64.
Diz o pesquisador Edward Bradley: “Provavelmente sabemos tão pouco sobre o sistema imunológico, atualmente, quanto Colombo sabia sobre as Américas depois de sua primeira viagem.” — Nacional Geographic, junho de 1986, página 732.
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Fumar maconha “desempenha um papel crucial em debilitar o sistema imunológico por limitar o desenvolvimento de certos glóbulos brancos”. — Industrial Chemist, novembro de 1987, página 14.
[Quadro na página 11]
Quando a Guerra Torna-se Uma Guerra Civil
“A capacidade de diferençar o eu do não-eu é a marca registrada do sistema imunológico.” (Immunology, página 368) Mas, quando ocorre uma disfunção do sistema — como acontece, às vezes — ele deixa de diferençar o eu do não-eu e termina em guerra civil, lutando contra si mesmo. As moléstias que então nos afligem são chamadas de doenças auto-imunes. Julga-se que, entre elas, acham-se a febre reumática, a artrite reumatóide, a esclerose múltipla, o diabetes Tipo 1, a miastenia grave e o lúpus eritematoso sistêmico.
Adicionalmente, o sistema imunológico às vezes se equivoca quando considera intrusos inofensivos como perigosos inimigos. Pode ser um grão de pólen, uma partícula de pó, escaras animais ou alguns ácaros que provocam uma reação alérgica. Quantidades excessivas de potentes substâncias químicas, tais como as histaminas, são produzidas para combater itens que, em si, são inofensivos. Os sintomas destas reações alérgicas podem ser bem incomodativos — respiração ofegante, espirros, nariz fungando, coriza, olhos lacrimejantes. Em casos extremos, tais reações podem levar a um estado de choque chamado anafilaxia, e podem causar até a morte.
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Cresce a evidência de que as transfusões de sangue são prejudiciais ao sistema imunológico. Centenas de documentos científicos nos últimos anos têm relacionado as transfusões de sangue com a supressão imunológica. “Bastava uma só unidade de sangue total para se ver a imunossupressão”, dizia um comunicado. — Medical World News, 11 de dezembro de 1989, página 28.
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Imunidade espiritual para com o colapso moralDespertai! — 1990 | 22 de novembro
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Imunidade espiritual para com o colapso moral
NOSSO organismo físico acha-se cercado de milhões de micróbios que clamam por penetrar em nós e nos dominar. Felizmente, temos à espera, dentro de nós, milhões de defensores, prontos para se lançar sobre eles e derrotá-los primeiro. A reação deles aos invasores é automática; nem precisamos pensar neles. Existe, porém, outro tipo de invasão sobre a qual devemos refletir muito, se havemos de sobreviver. Este, também, ameaça a nossa vida, e existem forças por trás dele que são até mais invisíveis do que os organismos patogênicos!
Estas forças atacam a mente e o coração, o modo de pensar e os sentimentos. Suas manifestações visíveis mimam a carne e sufocam as necessidades e alegrias do espírito. Tanto de formas sutis como de formas flagrantes, as massas da humanidade são levadas de roldão no colapso moral, cada vez maior, que aflige
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