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A necessidade de segurança financeiraDespertai! — 1976 | 22 de julho
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A necessidade de segurança financeira
TODOS desejam ter segurança financeira, não importa qual seja sua idade. Mas, especialmente quando as pessoas se adentram nos anos, torna-se mais premente a necessidade de tal segurança. Acham-se numa época da vida em que têm de trabalhar menos, ou até mesmo aposentar-se. Mas, ainda desejam viver com razoável conforto e dignidade.
Para ajudar os idosos, e outros, muitos países em todo o mundo dispõem de sistemas de “previdência social”. São usualmente planos para conceder benefícios tais como pensões para os idosos, renda para os inválidos ou desempregados, e cuidados médicos para os que não podem pagá-los.
Um dos maiores sistemas de previdência social do mundo é o dos Estados Unidos. Visto que tal país é a base principal da economia do mundo ocidental, o que acontece com seus assuntos sociais e financeiros é de grande interesse em toda a parte.
As pessoas em todo o mundo talvez esperassem que os EUA, com toda sua riqueza e seus recursos, por certo dispusessem dum sistema adequado para cuidar dos necessitados. Isto incluiria razoável previdência para os idosos que se aposentam, depois duma vida de trabalho árduo.
No entanto, será este o caso? Muitas autoridades agora afirmam que não. Dizem que há graves e crescentes problemas, bem como grande preocupação com o sistema de previdência social daquela nação.
Problemas Básicos
Entre os problemas relacionados à previdência social acham-se dois problemas básicos: (1) Como cobrir os custos crescentes do número avolumante de beneficiários; (2) O fato de que esses próprios auxílios não fornecem razoável previdência para muitos, em especial os idosos.
Alguns economistas afirmam que os problemas não são graves. Mas, outros se dizem genuinamente “alarmados” diante das crescentes dificuldades. Deveras, certa manchete de jornal de Detroit indagava: “É Agora Uma Fraude a Previdência Social,” O artigo sugeria que sim.
O primeiro grande problema, o de como financiar o programa, começa a entrar agora em maior foco. É óbvio que os meios atuais de financiar os auxílios se tornam inadequados. Assim, U. S. News World Report declarava:
“O enorme sistema de previdência social para os idosos, seus dependentes e supérstites, e para os inválidos, acha-se em graves dificuldades. . . .
“Expresso claramente, o problema é que os custos dos auxílios correram à frente dos recursos captados.”
A publicação também observou que, por volta do início da década de 1980, “a parte básica do sistema, a da aposentadoria e dos supérstites, entrará em falência”. Similarmente, o Instituto Estadunidense de Pesquisas Econômicas declarava: “A Lei da Previdência Social tornou-se uma bomba relógio, tiquetaqueando durante os poucos anos até o desastre financeiro.”
A respeito do outro problema principal, se os auxílios fornecem adequada “previdência”, muitos estão convictos de que não fornecem. Os idosos, em especial, pensam assim. E o triste é que, nos EUA, como em vários outros países dotados de programas similares, o maior grupo de pessoas que vivem na pobreza é constituído de idosos!
Uma Ajuda
Não queremos dizer com isso que não há modalidades boas em tais programas governamentais. Por certo, qualquer ajuda financeira para os idosos, os doentes, os desempregados e os inválidos tem seu valor e é apreciada.
Ora, não faz muito tempo quando não havia nenhuma ajuda fornecida pelo governo. Somente neste século, deveras, apenas nas últimas décadas, tornaram-se comuns em muitos países os auxílios governamentais aos idosos e outros necessitados. No entanto, muitas sociedades nos tempos passados eram rurais e viviam do solo. Usualmente, as famílias cuidavam de seus próprios parentes idosos, e os amigos ajudavam.
Contudo, com o despontar da era industrial, os trabalhadores deixaram as fazendas aos milhões e afluíram às cidades, onde se localizavam as fábricas. Isto se deu, em especial, no caso da Europa e da América do Norte. Nas cidades, as famílias e os parentes tenderam a não ser tão unidos como antes. Era mais difícil cultivar amizades. Assim, os parentes e os amigos não tinham tanta possibilidade de, ou não podiam, ajudar a cuidar das necessidades dos idosos como na época em que viviam como unidades achegadas na sociedade rural.
Mas, à medida que a força operária industrial cresceu em vigor, conseguiu negociar para obter mais benefícios. Gradualmente, os governos foram pressionados a ajudar.
Entre as primeiras nações industriais a pôr em vigor alguma espécie de previdência social achava-se a Alemanha. O seguro contra acidentes foi introduzido ali em 1883, e o seguro de saúde no ano seguinte. O auxílio obrigatório da previdência social veio em 1891.
A necessidade de ajuda governamental se tornou muito mais evidente depois da Grande Depressão da década de 1930. Então, milhões de pessoas foram despedidas em todas as nações industriais. Exemplificando: O livro Social Security in Canada (Previdência Social no Canadá) afirma sobre aquele país: “O amplo desemprego durante a depressão da década de 1930 obrigou a que se tomassem várias medidas de auxílio-desemprego.”
Nos EUA, o Presidente Franklin D. Roosevelt sancionou a Lei da Previdência Social, em 1935. De início, proviam-se apenas auxílios de aposentadoria. Mais tarde, acrescentaram-se os auxílios aos supérstites. Daí, o programa foi ampliado para incluir auxílios de invalidez e desemprego.
Em 1975, mais de trinta milhões de estadunidenses recebiam pensões mensais regulares do governo para as cláusulas de velhice, invalidez e supérstites inclusas na lei. Mais de dez milhões recebiam auxílios de desemprego durante a recessão recente, e milhões de outros receberam auxílios para tratamentos médicos, para filhos dependentes e por outras razões.
Na maioria dos países, porém, o maior elemento constante dos pagamentos da previdência social é o feito aos idosos e aposentados. Usualmente, a idade de aposentadoria é de 65 anos, com proventos reduzidos se a pessoa decidir aposentar-se mais cedo, por exemplo, nos EUA, com 62 anos.
Como são financiados os pagamentos da previdência social? Quais são seus benefícios? São suficientes para que a pessoa viva decentemente? E, acha-se o sistema estadunidense realmente em dificuldades?
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Quem financia a “Previdência Social”?Despertai! — 1976 | 22 de julho
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Quem financia a “Previdência Social”?
QUEM paga os benefícios concedidos aos necessitados? Que espécie de carga isto coloca sobre os que têm de pagá-los?
Em alguns países, os auxílios, tais como as pensões para os idosos, são pagos diretamente com fundos do governo. Na União Soviética e na China, o total geral é financiado pelo local em que a pessoa trabalhou, ou por subsídios adicionais do governo.
Em geral, porém, o termo “previdência social é ligado a programas em que tanto o empregado como o patrão financiam tal arranjo. Por exemplo, o sistema, nos EUA e no Brasil, exige que parte do salário do empregado seja deduzido de cada envelope de pagamento. Em 1875, esta dedução só para a previdência social era de 5,85% (8% no Brasil), incluindo a cobertura para auxílio-médico. O patrão também teve de pagar 5,85 por cento (8% no Brasil).
Assim, o empregado que pagasse este imposto de 5,85% (ou 8%) numa renda anual de US$ 5.000 (ou de uns Cr$ 12.000,00 no Brasil), sofria a redução de US$ 292,50 (ou de Cr$ 960,00) em seus envelopes de pagamentos. E seu patrão tinha de contribuir outros US$ 292,50 (ou Cr$ 960,00) dos fundos da empresa para tal programa.
No entanto, nem toda a renda duma pessoa é tributável para efeitos da previdência social, nos EUA. Em 1975, este imposto especial era pago até US$ 14.100 da renda anual dum empregado. A renda acima disso não era tributável para este fim específico.
Crescente Carga
Com o decorrer das décadas, alguns vieram a considerar tais deduções como carga sempre crescente. Acham que o imposto, em especial para as famílias de baixa renda, está realmente começando a prejudicá-las.
Quando se introduziu inicialmente a previdência social nos EUA, o empregado tinha de deduzir apenas 1 por cento de seu salário. O patrão acrescentava outro 1 por cento. Mas, em 1975, o imposto era quase seis vezes superior.
Não só o imposto pulou quase seis vezes, mas o total tributável também ascendeu dramaticamente. De início, a renda máxima que podia ser tributada para a previdência social era de US$ 3.000 por ano. Mas, esse total continuou crescendo, alcançando US$ 14.100 por ano em 1975. E, em fins de 1975, o governo dos EUA anunciou que, em 1976, a renda tributável para a previdência social subiria para US$ 15.300.
Assim, houve um aumento duplo — na porcentagem deduzida da renda e também no total seduzível da renda. Quão enorme este tipo de aumento de tributos se tornou pode ser visto pela seguinte comparação: 1 por cento dos US$ 3.000 iniciais era apenas US$ 30; mas 5,85 por cento dos US$ 14.100 de 1975 representam US$ 824,85, e, em 1976, planeja-se que seja de US$ 895,05. Isso representa gigantesco aumento nas deduções máximas nos cheques de pagamentos da pessoa — cerca de trinta vezes mais do que no início do programa. É algo muito maior do que qualquer aumento do custo de vida no mesmo período, devido à inflação.
Uma das razões principais por que alguns encaram isto como crescente carga tributária é que se trata duma adição a todos os demais impostos que a pessoa tem de pagar. E estes, também, vêm aumentando com o passar dos anos. Os impostos de consumo municipais, certa vez inexistentes, subiram significativamente, sendo agora de 6 a 8 por cento em alguns lugares dos EUA. Há impostos de consumo estaduais hoje em lugares onde não havia nenhum, anos atrás. Os impostos prediais e territoriais também subiram. E, daí, há o imposto de renda federal. Agora, os trabalhadores estadunidenses acham-se tão pesadamente tributados que muitos deles deduzem mais de um terço de sua renda em pagamento destes vários gravames.
Outros países também presenciam similares aumentos dos impostos da previdência social. Na Alemanha Ocidental, em 1975, a dedução mensal media era de 9 por cento tanto do empregado como do empregador até uma quantia máxima de 33.600 marcos alemães por ano (cerca de Cr$ 134.000,00). Se um empregado ganhasse menos de 280 marcos por mês (cerca de Cr$ 1.200,00), então o patrão tinha de pagar os inteiros 18 por cento. A respeito do sistema daquela nação, U. S. News & World Report disse:
“O sistema de previdência social da Alemanha Ocidental, já tão oneroso que alguns administradores afirmam que prejudica seu planejamento de investimentos, será ainda mais custoso no próximo ano.
“O Governo decretou um aumento de 50 por cento nas deduções dos patrões e dos empregados para o fundo de seguro-desemprego de Bonn. . . .
“Para o industriário mediano alemão, isto significa uma contribuição pessoal de quase US$ 130 por mês. Seu patrão entrega outros US$ 130 e assume ainda outros encargos do tipo da previdência social. . . .
“Os custos da previdência social subiram vertiginosamente — de cerca de 128 milhões de dólares anuais, no caso dum grupo de firmas alemãs, para 240 milhões, três anos depois.
“É por isso que os executivos afirmam que esta desaparecendo a possibilidade de operações de investimento.”
Reduzindo a Poupança
Nos tempos recentes, os impostos e o custo de vida aumentaram muito mais rápido do que a renda real das pessoas. Assim, muitos agora têm grande dificuldade em economizar para sua velhice.
Os estadunidenses notam que, em média, não conseguem poupar tanto quanto poupavam há trinta anos. E, naturalmente, devido à inflação, o dinheiro poupado vale agora muito menos, deveras, apenas uma fração do que costumava valer. Em vista disso, o crescente imposto de previdência social engole maior fatia dessa poupança. Observou o News de Detroit:
“Em 1942, a família mediana estadunidense, depois de todas as deduções de impostos e de custos de vida, podia dar-se ao luxo de depositar US$ 767 no banco. Naquele ano, para cada US$ 100 que os estadunidenses conseguiam poupar, US$ 3,70 eram tirados das folhas de pagamentos dos EUA pela Administração de Previdência Social, para o fundo de aposentadoria. . . .
“Em 1950, a fatia do bolo tinha aumentado para US$ 20,40 para cada US$ 100 e . . . Em 1960 . . . US$ 63,90 para cada US$ 100 . . .
“O ano passado foi o pior da história. Muito embora a família mediana estadunidense economizasse em níveis ligeiramente superiores aos de 1945, a Administração de Previdência Social levava US$ 84 de cada US$ 100 que poupávamos.”
Por esses motivos, o economista Milton Friedman cognominou os últimos 20 anos da previdência social de “esmagadora derrota para o assalariado mediano”, visto que consumia tão crescente parte de suas parcas economias. E, quanto aos trabalhadores de baixa renda, o imposto representava uma carga mais significativa, visto que era maior do que suas deduções do imposto de renda federal.
Ainda assim, há que considerar o seguinte: Na sociedade industrial hodierna, se os trabalhadores tivessem de financiar diretamente as necessidades, tais como pagar as pensões e os tratamentos médicos que os membros idosos de suas próprias famílias recebem agora, será que estariam em condições de fazê-lo? Poucos estariam. Assim, sem dúvida, os sistemas de previdência social retiram dos trabalhadores grande parte da carga de cuidar dos necessitados.
Todavia, quanta segurança real se obtém desta crescente carga tributária? O que acontece com os necessitados, tais como os idosos aposentados que desejam viver com razoável dignidade e conforto?
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Quanta “segurança” existe realmente?Despertai! — 1976 | 22 de julho
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Quanta “segurança” existe realmente?
NATURALMENTE, os benefícios advindos dos programas da previdência social variam de um país para outro. Em alguns lugares, parecem suficientes para prover condições decentes de vida.
Exemplificando: Um observador na Suécia disse a respeito dos grandes auxílios providos naquela nação: “Muitos dos que recebem pensões afirmam que nunca passaram tão bem quanto agora em sentido financeiro.”
Mas, países assim constituem exceção. As condições gerais até mesmo nos ricos países ocidentais mostram que os que tentam viver mormente dos auxílios da previdência social acham-se em grandes dificuldades.
Queda dos Padrões de Vida
A maioria dos idosos que se aposentam com pouca renda, além do que recebem da previdência social, sofrem significativa queda de seu padrão de vida.
Em 1975, no Canadá, certo plano governamental básico de pensões para a velhice concedia a uma pessoa solteira, que não tinha outras rendas, cerca de 210 dólares por mês, um casal aposentado retirando o equivalente de cerca de US$ 400 por mês, com ajustes segundo a inflação. Mas, tais auxílios tornam patente que as pessoas que costumavam ganhar várias vezes essa quantia quando trabalhavam sofreriam aguda queda em seu padrão de vida, se não tivessem outra fonte substancial de renda na aposentadoria.
É isso que com freqüência ocorre na maioria dos países industriais do Ocidente. O aposentado usualmente recebe pensões mensais muito inferiores ao salário da época em que trabalhava. Na Austrália, por exemplo, o salário médio semanal era superior a US$ 150 em 1975. A pensão básica, porém, do aposentado solteiro era de US$ 36 por semana, os casais aposentados recebendo US$ 60 por semana. Nos EUA, o trabalhador qualificado mediano ganhava mais numa semana do que o aposentado mediano recebia num mês, da previdência social.
Os idosos se Queixam
Nestas nações industriais do Ocidente, o maior grupo de pessoas que vivem na pobreza são usualmente os idosos. E sua situação se agravou nos anos recentes, devido à galopante inflação.
No Canadá, o Star de Toronto noticiou que “cerca de 50 por cento dos idosos canadenses vivem na pobreza”, segundo uma enquête governamental. Não dispunham de renda suficiente “para viver com dignidade e livres da penúria”. Observava que “a pobreza entre os idosos é duas ou três vezes superior ao nível das outras faixas etárias”. Dizia também o Star: “A dificuldade é que a maioria dos cidadãos idosos não dispõem de pensões de sua firma, independente da ajuda pública.”
O problema se agrava quando os idosos não conseguem viver junto com suas famílias, tal como seus filhos, ou não são donos duma casa própria. Um observador australiano afirma sobre tais pensionistas: “Quando as pessoas precisam pagar altos aluguéis para morarem, ficam em difícil situação econômica.” Os que tem de pagar os altos aluguéis da atualidade, ou que ainda têm de pagar altas prestações da compra duma casa, verificam que tais custos são uma carga esmagadora.
É por isso que muitos “cidadãos idosos” sentem como se tivessem sido jogados no montão de lixo da sociedade, depois de toda uma vida de trabalho árduo. Certo canadense que dirigia uma equipe oficial de investigações disse: “Verifiquei, vez após vez, que a perda até mesmo de renda real marginal na aposentadoria priva as pessoas dum padrão decente de vida, e reduz a qualidade da vida que conseguiram antes de aposentar-se.” Adicionou: “São as pessoas esquecidas da sociedade canadense.”
O prefeito de certa cidade ali declarou: “Concedi uma audiência a um senhor idoso que representava a 140 pensionistas. Ele rompeu em prantos e suplicou ajuda. Era pungente ver um homem, que gastara a sua vida toda trabalhando, metido numa situação em que receava não poder pagar seu aluguel.” Em outra cidade, uma autoridade disse que fora visitada por certa senhora idosa que “chorava incontrolavelmente” em seu gabinete e que admitira que ela estava tão sem dinheiro que “tinha de comer comida enlatada para animais”.
“Os Problemas Nunca Terminam”
Uma pessoa idosa nesta situação declarou: “Estou tão cansado de lutar, tão frustrado, tão transtornado! Ficamos sempre em casa para não gastar dinheiro, comemos coisas tão baratas, e minha esposa, ela chora muito, tentando ser compreensiva. Costumava pensar que os idosos não tinham problemas. Agora, sou velho e os problemas nunca terminam.”
O Star de Toronto noticiou sobre os idosos do Canadá: “Muitos deles morrem a sós num quarto. Muitos dos quartos são tristes e desarrumados. Não é incomum verificar-se que alguns morreram numa ruela esquecida.”
A respeito dos EUA, escreveu o colunista Jack Anderson: “A: sociedade empurra seus idosos indesejáveis para um canto, para que esperem a morte sozinhos e sem cuidados. Os Estados Unidos simplesmente não parecem importar-se. E agora existe um novo fenômeno assustador: os idosos começam a afastar-se para’ os cantos e apinhar-se em sórdidas ‘favelas geriátricas’. Espeluncas e velhos prédios de apartamentos foram remodelados às pressas como asilos não licenciados para velhos.” Observou ele também: “A melhor estimativa é de que seis milhões de pessoas idosas vivam na pobreza: sem alimentos adequados, tapeadas com remédios de alto custo receitados, mal abrigadas e desamadas.”
Um artigo do Post de Nova Iorque, escrito por Harriet Van Horne, fixou o total de pessoas idosas que vivem na pobreza como sendo ainda mais alto. Declarou: “Com efeito, 30 por cento dos idosos vivem abaixo do nível da pobreza. Isso significa pelo menos oito milhões de pessoas.” Em aditamento, há milhões de outros que mal conseguem ficar acima do nível da pobreza. Esta colunista também disse:
“Os esquimós eram mais bondosos. Quando seus parentes idosos se tornavam improdutivos, eram colocados numa massa flutuante de gelo, onde eles cortesmente morriam congelados da noite para o dia.
“Por contraste, somos um montão de gente podre. Colocamos nossos parentes idosos em asilos para velhice, onde 27 por cento deles morrem no primeiro mês em que ali residem. chegando sãos, rebaixem-se rapidamente a senilidade e à confusão.
“Os que sobrevivem não raro sofrem fome, maus tratos, são narcotizados, negligenciados e reduzidos a um monte trêmulo de ossos.”
Assim, o Dr. Robert N. Butler, autor do livro Why Survive? (Por Que Sobreviver?), declarou: “Na verdade, é mais fácil enfrentar o problema da morte do que o problema de viver como pessoa idosa” com uma pensão reduzida numa sociedade custosa. Observou que “cerca de uns 30 por cento das casas de pessoas idosas não dispunham de vasos sanitários com descarga, dentro de casa, cerca de 40 por cento não tinham banheira nem chuveiro com água quente, e cerca de 54 por cento dispunham de aquecimento mínimo no inverno.
Obviamente, então, para grande número de pessoas idosas, a “previdência social” fornece muito pouca previdência real. A menos que a pessoa tenha outras rendas, ou sua família cuide dela, tal pessoa estará em condições desesperadoras, embora viva num país relativamente rico.
Mas, é preciso que isso continue assim? Existe alguma esperança de que tais condições terminem dentro em breve?
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Serão equacionados os problemas?Despertai! — 1976 | 22 de julho
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Serão equacionados os problemas?
SERÃO alguma vez equacionados os problemas financeiros da previdência social, e as más condições em que vivem tantos idosos? Sim, serão. Pode-se ter certeza absoluta disso!
Como sucederá isso? Por alguma idéia nova na administração da previdência social? Não, isso não é provável no mundo ocidental, porque seus assuntos financeiros têm piorado continuamente nos anos recentes.
Futuro da Previdência Social
É de se esperar que os problemas da previdência social, da forma como o sistema se desenvolve agora, venham a aumentar grandemente em breve. No ano passado, nos EUA, os auxílios da previdência social ultrapassaram os impostos coletados para tal fim em cerca de três bilhões de dólares.
Esta tendência está acelerando-se, à medida que aumenta o número de idosos que se aposentam. As somas que terão de ser pagas no futuro aos trabalhadores que agora contribuem para a previdência social são estonteantes. Alguns economistas crêem que tais auxílios jamais serão pagos.
The Wall Street Journal observou que as obrigações já contratadas agora, sem se considerar o aumento nos auxílios para contrabalançar a inflação, totalizarão pelo menos ‘um déficit projetado de 2,5 trilhões de dólares no Sistema de Previdência Social’ nos EUA. Adicionava: “Como os liberais gostam de argumentar, a nação deve isso a si mesma, e será pago pelo aumento das deduções no futuro. Naturalmente, trata-se de uma tolice. Aumentar as futuras deduções em tal magnitude só poderá desintegrar a base tributária.”
O que está errado? Por um lado, os que estabeleceram o programa de previdência social imaginavam que uma população sempre crescente supriria um número cada vez maior de jovens trabalhadores que pagassem impostos e que cuidassem dos idosos que se aposentavam. Mas, não foi bem assim que as coisas aconteceram. As tendências demográficas nos EUA são para a redução, e não para aumento, à medida que as famílias têm menos filhos.
Assim, o enorme dilúvio de novos trabalhadores para pagar impostos não se concretizou. Antes, há crescente onda de pessoas idosas, aposentadas, que precisam ser sustentadas por proporcionalmente menos empregados.
Em Vital Speeches of the Day (Discursos Vitais da Atualidade), William Cotter, executivo duma firma, que fazia parte dum grupo nomeado pelo governo para examinar o problema, disse o seguinte,
“Visto que os atuais aposentados obterão seus auxílios dos empregados atuais, o número de empregados por pessoa aposentada se torna importante cálculo.
“Quando o sistema foi instituído, havia 7 empregados que pagavam impostos para cada pessoa aposentada que obtinham auxílios. Na atualidade, há apenas 3 empregados para cada aposentado. E tal proporção está declinando.
“Nossa força-tarefa, usando extrapolações demográficas do Departamento de Estatísticas, calculou que, no fim do século, só haverá 3 empregados para cada dois aposentados.”
Obviamente, isso significará uma carga tributária impossível de ser levada. É por isso que alguns peritos acham que o programa se destina à falência certa, ou, pelo menos, à mudança radical. Afirmam que, visto que o sistema não pode financiar-se nem mesmo agora, não há modo de fazê-lo quando ainda maiores cargas forem colocadas sobre ele no futuro. Assim, um boletim especial de investimentos do Instituto Estadunidense de Pesquisas Econômicas, declarava:
“Já é bem evidente que os auxílios concedidos aos que têm direito a eles, segundo a Lei da Previdência Social e inúmeros planos particulares de pensões, correm perigo.
“O aspecto da pensão para velhice da Previdência Social tornou-se um mecanismo autodestrutivo que tende a empobrecer os que têm de pagar os impostos da Previdência Social nos anos à frente e aumenta o risco de que os que têm direito aos auxílios talvez não os recebam.”
Socorro Governamental?
Pode o governo prestar seu socorro?: É isso que alguns esperam. Mas, como indicava The Wall Street Journal: “O governo federal, creiam ou não? está no mesmo barco.”
O governo dos EUA, como no caso de muitos outros, enfrenta as mesmas dificuldades — as desposas continuam crescendo mais rápido do que as receitas. O déficit no orçamento do governo para o ano fiscal de 1975 era de cerca de US$ 43 bilhões. O déficit para o ano fiscal de 1976, segundo se esperava, seria de cerca de US$ 70 bilhões. Estes são os maiores déficits da história, em tempos de paz. E a dívida pública nacional aproxima-se dos US$ 600 bilhões.
Visto que as dívidas governamentais já são tão enormes, qualquer esperança de que os amplos pagamentos futuros da previdência social possam ser feitos com fundos do governo é irrealística, segundo acham muitos economistas.
Também, a história mostra grande instabilidade dos governos, dos líderes, dos sistemas sociais e dos arranjos econômicos. Assim, não faz sentido depositar sua confiança, a fim de obter segurança, em instituições humanas que fracassam.
O Que Nos Reserva o Futuro
O que as pessoas precisam é dum sistema muito melhor de segurança do que tudo que os humanos já tenham inventado. Precisam desesperadamente ver o fim permanente da insegurança.
Existe alguma esperança genuína, realística, de tal tipo de segurança? Sim, existe! E as condições transtornadas da atualidade apenas servem para corroborar a realidade de tal esperança.
A profecia bíblica predisse meridianamente que o atual sistema de coisas entraria num “tempo do fim”, ou período chamado de “últimos dias”, em que todas as instituições provariam grandes aflições e fracassos. (Dan. 11:40; 2 Tim. 3:1-5; Mat. 24:3-14) As próprias condições que agora existem em todo o mundo significam que estamos nesse tempo.
Isto quer dizer que está próximo o tempo em que o Criador da humanidade, Jeová Deus, intervirá nos assuntos humanos para endireitar as coisas aqui na terra. Jesus Cristo disse a seus seguidores que aguardassem isto, quando lhes falou sobre o governo de Deus, seu reino celeste, controlar a terra no tempo designado. (Mat. 6:9, 10) Por isso, estamos chegando bem perto do dia em que o atual sistema insatisfatório de coisas será esmagado, dando lugar a uma nova ordem, sob a direção de Deus. — 2 Ped. 3:13.
A profecia bíblica prediz que, na nova ordem de Deus, não haverá mais insegurança de nenhum tipo para minar a felicidade dos habitantes da terra. Terão desaparecido a guerra, a fome, a ganância, a competição econômica e a opressão. Ao invés, as pessoas “deveras se deleitarão [requintadamente] na abundância de paz”, com verdadeira “segurança por tempo indefinido”. Quão bem acolhido isso será, tendo-se em vista a crescente insegurança atual! — Sal. 37:11; Isa. 32:17.
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O mundo às avessas da preguiçaDespertai! — 1976 | 22 de julho
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O mundo às avessas da preguiça
‘QUE está fazendo aquela vassoura velha na bifurcação dessa árvore?’ Quão surpreso ficou o indagador de saber que aquilo que pensava ser uma “vassoura velha” era na realidade um animal — um mamífero! Pela primeira vez na vida ele via uma preguiça em seu habitat nativo.
As preguiças vivem nas florestas tropicais da América do Sul e Média. Acham-se entre as mais vagarosas de todas as criaturas. Esta lentidão é atribuída à sua baixa temperatura corporal. Na maior parte de sua vida, as preguiças ficam penduradas de cabeça para baixo pelas patas, sentam-se nas bifurcações das árvores ou descansam suas costas sobre um ramo mais baixo. Quando estão nas árvores, suas unhas em forma de gancho sempre ficam firmemente fechadas em torno dum galho da árvore. Para as preguiças, comer, dormir, sim, até mesmo o acasalamento e dar à luz, são todas atividades às avessas.
Usualmente nasce uma preguicinha de cada vez. O filhote pode ser descrito apropriadamente como uma bola de pelo.
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