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A busca da segurançaA Sentinela — 1981 | 1.° de março
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A busca da segurança
O SR. e a Sra B—— e seus três filhos adolescentes moravam na África. Desenvolveram durante 20 anos sua bela fazenda e investiram seus ganhos num lar confortável, em safras, em gado e em maquinaria agrícola. Isto se tornou sua pequena fortaleza, seu refúgio em tempos de dificuldade e aflição, sua fonte de refrigério e descanso após cada dia de trabalho duro. Sentiam-se seguros.
De um dia para outro, as coisas mudaram. Forças políticas haviam-se fortalecido no país durante algum tempo. Homens empenhados em causar uma mudança à força cometiam atos de terrorismo e haviam armado minas nas estradas acidentadas, não-pavimentadas, nas regiões agrícolas. Quando o Sr. B—— voltava em seu jipe Land Rover duma viagem semanal à cidade, detonou uma dessas e foi morto instantaneamente.
A Sra. B—— e seus filhos não se sentiam mais seguros. Com o aumento das ameaças de violência na vizinhança, a ansiedade de cuidar da fazenda e de não haver homem na casa, ela se sentiu obrigada a abandonar a fazenda que certa vez lhe significara segurança. A família partiu para outro país, na esperança de encontrar um modo de vida mais seguro.
Neste mesmo país africano, o cenário mudou tremendamente em poucos anos. Fazendas cercadas de rica vegetação tropical, com aspecto acolhedor, foram rodeadas de cercas altas de aço, com arame farpado por cima. Foram colocados sacos de areia ao redor das paredes das casas, e as janelas foram protegidas com tela de aço.
A vida na cidade também mudou, ao passo que cada vez mais pessoas instalavam alarmes contra ladrões, colocavam portões pesados com fechaduras e correntes à entrada das propriedades, e mantinham cães de guarda para repelir quaisquer intrusos indesejáveis. As vitrinas das lojas foram revestidas com fitas especiais para impedir que se estilhaçassem. Colocaram-se guardas para revistar os fregueses ao entrarem nos supermercados. Os que saíam em férias contratavam policiais para proteger a casa durante os períodos de ausência.
Em muitas regiões, uma viagem pela zona rural africana, que antes era tranqüila, tornou-se viagem tensa de uma cidade para outra. Os viajantes eram aconselhados a contatar a polícia antes de partir, e muitos viajavam em comboio, protegidos por veículos blindados. Lei marcial e toques de recolher tornaram-se coisas que as pessoas passaram a encarar como parte da vida diária.
À parte destas medidas de segurança, muitos que tinham condições para isso fizeram arranjos adicionais para sua própria segurança por investirem em ouro, prata, jóias e obras de arte, ou por depositarem seu dinheiro em contas bancárias estrangeiras. Fizeram isso para que, se as coisas não corressem bem, eles tivessem ainda alguns recursos.
Tais acontecimentos não são peculiares somente a esse país. É possível que tenha visto em sua comunidade algumas destas mesmas medidas de segurança e a acentuada atenção dada por muitas pessoas à segurança do próprio lar e da família. A pergunta é: Resultam tais esforços realmente na paz mental e na segurança que todos desejamos?
É o Poderio Militar a Resposta?
A mesma preocupação com a segurança se reflete nas ações dos governos. Muitos estão adotando medidas inéditas para defender suas fronteiras e proteger seus diplomatas. A visita da rainha da Inglaterra ao sul da África e a visita do papa à Irlanda envolveram a mobilização de centenas de homens unicamente com propósitos de segurança. Movimentos de navios, aviões e tropas para lugares considerados como tendo importância estratégica são interpretados por alguns países como ameaça à segurança nacional, e são amiúde combatidos por ações militares opostas.
A maioria dos governos partilha a crença geral de que a segurança nacional depende da prontidão militar. Para ilustrar isso, a UNESCO (Organização das Nações Unidas Para a Educação, a Ciência e a Cultura) relatou recentemente que os gastos mundiais em armamentos ‘não estão longe de 1 milhão de dólares (c/Cr$ 70.000.000,00) por minuto’, e que 75 por cento disto são gastos no Terceiro Mundo. (The Courier, abril de 1979, p. 19) Mas, resulta este enorme gasto militar numa sensação de verdadeira segurança para as pessoas que moram nos países onde vêem a fome e as doenças propagadas pela água fazerem diariamente milhares de vítimas?
Perguntamos novamente: Significa o poderio militar realmente segurança? De fato, pode ser que a pessoa nem se preocupe muito com isto. Mas, pode ela realmente sentir-se segura quando contempla seriamente o fato de que os governos em todo o mundo têm o suficiente na forma de engenhos explosivos para matar a todos nós várias vezes? Para ilustrar: Poderia descansar tranqüilamente à noite, com uma metralhadora sob a cama, enquanto sabe que seu vizinho tem outra igual apontada para sua casa e que ele só quer uma oportunidade para usá-la quando achar que não haverá perigo para ele mesmo?
O Desejo de Segurança Comum a Todos
É somente natural que todos nós desejemos sentir-nos seguros. Até mesmo no mundo animal há o desejo inerente de segurança. As aves constroem seu ninho nos lugares mais disfarçados e difíceis de alcançar. Os esquilos armazenam nozes para o período mais frio do ano. A gata, quando prestes a ter filhotes, investiga todos os armários da casa em busca dum canto seguro onde alimentá-los.
A pergunta com que todos nos confrontamos hoje é: Para onde podemos olhar em busca de segurança? Os animais baseiam instintivamente seu senso de segurança em coisas materiais. Mas, que dizer do homem? Baseia-se nossa segurança em coisas materiais, não nos tornando melhores do que os animais? Depende ela do nosso emprego ou, talvez, de riquezas acumuladas na forma de ouro, prata ou contas bancárias? Podem os armamentos tornar seguro nosso modo de vida? Ou a segurança deverá encontrar-se sob uma forma específica de governo que se mostre mais estável que as outras?
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Segurança agora e para sempreA Sentinela — 1981 | 1.° de março
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Segurança agora e para sempre
NOSSO Criador, que conhece o valor de tudo, inspirou homens a darem o seguinte conselho: “O que confia na sua riqueza cairá.” “A vitória do Rei não está nas suas tropas, nem o guerreiro se salva pela sua força.” “É engano ter o cavalo como auxílio; não é ele que salva pela sua grande força.” (Pro. 11:28; Sal. 33:16, 17, Missionários Capuchinhos) Jesus Cristo declarou verazmente que “mesmo que um homem viva na abundância, a sua vida não depende dos seus bens”. — Luc. 12:15, MC.
Naturalmente, no meio dum ambiente criminoso cada vez pior, podemos tomar certas medidas práticas para proteger nossa vida e nossos bens. Mas, temos de reconhecer que, no melhor dos casos, essas medidas são apenas temporárias e de modo algum garantem a nossa segurança. O que realmente queremos é a garantia de que nenhuma série de circunstâncias externas possa prejudicar-nos permanentemente. É possível viver com tal confiança? Existe alguma fonte de força e autoridade que possa tornar nossa vida segura agora e mesmo para sempre? Podemos viver em segurança mesmo quando ameaçados por violência, escassez de víveres ou colapso econômico?
Identificada a Verdadeira Segurança
O seguinte é algo a ponderar: Por que é que, no antigo Israel, as famílias podiam deixar sua casa e sua aldeia desprotegidas, e viajar a Jerusalém para as suas festividades religiosas, embora estivessem cercadas por nações inimigas? Como é que se deu que, quando Jerusalém estava ameaçada de ser sitiada pelo poderoso exército assírio, não se derramou nenhuma gota de sangue dos israelitas, quando 185.000 soldados inimigos caíram em uma só noite? (2 Reis 19:32-35) Como é que uma nação de cerca de três milhões de homens, mulheres e crianças podia viver por 40 anos num “imenso e temível deserto, repleto de serpentes venenosas e de escorpiões, terra estéril e sem água”? — Deut. 8:15, MC.
Foi Jeová, seu Deus, o Criador de todas as coisas, quem tornou sua vida segura. Foi exatamente assim como declarara o inspirado salmista Davi: “Vou tanto deitar-me como dormir em paz, pois somente tu, ó Jeová, me fazes morar em segurança.” — Sal. 4:8.
Duvida de que Jeová Deus, nosso Pai celestial, possa cuidar de nós, no século 20, assim como cuidou dos israelitas lá naquele tempo? Suponhamos que o presidente de seu banco local lhe dissesse: “Não quero que se preocupe com coisa alguma. Deixe-me apenas saber do que precisa e eu cuidarei disso.” Não aliviaria tal promessa a sua preocupação com a segurança? Naturalmente, é bem pouco provável que o presidente dum banco possa prover tal garantia. No entanto, Jeová Deus assegurou a todos os seus servos fiéis que cuidará de todas as necessidades deles. (Mat. 6:31-33) Podemos ter plena confiança nisso, porque o Altíssimo sempre cumpre a sua palavra, conforme mostrado pelos exemplos no passado e no presente. — Jos. 21:45.
O sábio Rei Salomão chegou a reconhecer o valor limitado das coisas materiais, e, ao mesmo tempo, sentiu a relação íntima com Jeová Deus, que o habilitou a viver em segurança. Salomão escreveu: “As coisas valiosas do rico são a sua vila fortificada, e na sua imaginação são como uma muralha protetora.” (Pro. 18:11) Quão veraz — “na sua imaginação”! O rico imagina que essas coisas valiosas o protegerão ao surgir uma calamidade. Mas, quantas vezes tem mostrado a experiência que tal “muralha protetora” é irreal e não fornece nenhuma proteção em tempos de colapso econômico, de inflação galopante, de distúrbios políticos ou de doença de paciente desenganado!
Em Provérbios 18:10, Salomão faz o seguinte contraste: “O nome de Jeová é uma torre forte. O justo corre para dentro dela e recebe proteção.” Não há nenhuma crise, não importa de que proporções, nem qualquer série de circunstâncias, que possa colocar o servo de Deus além da ajuda divina. Nisto há novamente a fonte de verdadeira segurança — nossa relação pessoal com o nosso amoroso Pai. — Sal. 59:16, 17; 62:5-8.
Que Certeza Podemos Ter de Proteção?
Esta confiança não se desenvolve da noite para o dia. Nossa fé em Jeová, igual a uma árvore que fica cada ano mais forte e que com cada temporal ao qual sobrevive fica mais firme, é fortalecida ao passo que vemos que seus modos justos resultam no que é melhor na nossa vida. Nosso estudo diário de sua Palavra, o tempo que gastamos na pregação das “boas novas”, recorrermos regularmente a ele em oração — tudo isso contribui para este vínculo pessoal.
Isaías descreve a espécie de segurança que desejamos, nas seguintes palavras: “É ele quem residirá nas próprias alturas; sua altura protetora serão lugares rochosos de difícil acesso. Certamente se lhe dará seu próprio pão; seu suprimento de água não falhará.” (Isa. 33:16) Todavia, esta segurança existe apenas para os que desejam levar uma vida que contribui para o bem-estar dos outros. Isaías declarou também: “Há um que anda em contínua justiça e fala o que é reto, que rejeita o lucro injusto procedente de fraudes, que sacode a sua mão para se livrar de segurar um suborno, que tapa seu ouvido para não escutar falar de derramamento de sangue e que fecha seus olhos para não ver o que é mau.” (Isa. 33:15) Como se aplicam nos tempos modernos esses requisitos para se ter a proteção de Deus?
“Contínua justiça” sugere o empenho diário pelas normas de justiça ou honestidade de Jeová. As palavras “rejeita o lucro injusto” fazem-nos lembrar de que não devemos imitar os modos do mundo em ficar ricos depressa. Além de não aceitar subornos, nunca permitindo que algum favor ou lucro material lhe turve o critério, aquele que deseja ter a aprovação de Jeová precisa ser alguém “que tapa seu ouvido para não escutar falar de derramamento de sangue e que fecha seus olhos para não ver o que é mau”. Os filmes, os livros e as revistas do século 20 não estavam disponíveis ao profeta, mas aquele que deseja ter amizade íntima com Jeová evita a diversão violenta e imoral da atualidade.
Nossa aderência a princípios corretos contribui para usufruirmos segurança. O sábio Rei Salomão resumiu o assunto em poucas palavras: “Quem anda em integridade andará em segurança.” — Pro. 10:9.
Algumas Testemunhas de Jeová, às vezes, também têm passado por aquilo que consideram como proteção divina. Por exemplo, o irmão Z——. Certo dia, ele estava lendo A Sentinela no seu carro, quando alguém o agarrou de repente pelo pescoço. Ele orou fervorosamente a Jeová. O atacante ficou imóvel e afrouxou as mãos. O irmão Z—— deu partida ao carro, disse adeus e deixou o homem parado qual estátua no meio da rua.
Depois houve o caso duma missionária de Quênia. Seus pais se opunham violentamente quando começou a servir a Jeová. O pai ameaçou-a de morte, se não abandonasse aqueles “macacos brancos”, como chamava as Testemunhas. Ele contratou uns rufiões para feri-la. Ela relata: “A proteção de Jeová habilitou-me a nunca cair nas mãos deles.”
Conforme essas experiências ilustram, os cristãos têm de lidar com situações críticas. Mas, com plena confiança em Jeová, podemos confiar de que absolutamente nada pode prejudicar-nos permanentemente. Nosso Pai celestial prometeu: “De modo algum te deixarei e de modo algum te abandonarei.” Por isso, podemos reagir confiantemente a qualquer ameaça à nossa segurança, dizendo: “Jeová é o meu ajudador; não terei medo. Que me pode fazer o homem?” — Heb. 13:5, 6.
Muito em breve, toda a família humana passará por uma crise que demolirá as muralhas, aparentemente protetoras, providas pela riqueza, pelo poderio militar ou pela força política. Somente os que tiverem confiado na mão invisível, mas poderosa, de Jeová sobreviverão e usufruirão a segurança para sempre, sob o governo justo do reino de Deus. (Rev. 21:1, 4) Seja esta a sua sorte feliz, por ter estabelecido um íntimo vínculo pessoal com o Altíssimo.
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O sábio rei Salomão disse:A Sentinela — 1981 | 1.° de março
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O sábio rei Salomão disse:
“Resguarda a sabedoria prática e o raciocínio, e mostrar-se-ão vida para a tua alma e encanto para a tua garganta. Neste caso andarás em segurança no teu caminho e até mesmo teu pé não baterá em coisa alguma. Quando te deitares, não sentirás pavor; e hás de deitar-te e teu sono terá de ser prazenteiro. Não precisarás ter medo de uma repentina coisa pavorosa, nem da tempestade sobre os iníquos, porque ela está chegando. Porque o próprio Jeová, de fato, mostrará ser tua confiança e ele certamente guardará teu pé da captura.” — Pro. 3:21-26.
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A verdade bíblica mostra o caminho para a segurançaA Sentinela — 1981 | 1.° de março
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A verdade bíblica mostra o caminho para a segurança
Relato da República Dominicana
CERCA de 960 quilômetros ao leste da Flórida, entre as ilhas de Cuba e Porto Rico, jaz a ilha Hispaníola, das Antilhas. A República Dominicana ocupa dois terços orientais desta ilha. A terra é bem irrigada, o que contribui para boa agricultura. Os produtos incluem a cana-de-açúcar, o café e o cacau, bem como frutas tais como o mamão, a banana, a manga e o abacaxi.
O povo da República Dominicana é amigável e aprecia participar de conversas animadas. Fazem gestos com as mãos, o rosto e até mesmo com todo o corpo. Muitos dominicanos são protestantes, mas a maioria é católica romana, como os colonos europeus que vieram à ilha Hispaníola, procedentes da Espanha, durante o século 15.
Como acolheria o povo amistoso e humilde deste país antilhano a verdade bíblica? Em 1.º de abril de 1945, missionários da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia passaram a descobrir isso. Hospedaram-se num hotel, no centro de São Domingos, e no mesmíssimo dia saíram para encontrar um médico que expressara interesse em estudar a Bíblia e cujo endereço haviam recebido enquanto moravam em Nova Iorque. O médico foi localizado e começou a estudar as Escrituras. Um vizinho também tomou parte nessas palestras. Em resultado, Juan Pedro Green e Moisés Rollins foram os primeiros dominicanos a se tornarem Testemunhas de Jeová.
A obra de partilhar a verdade bíblica com os dominicanos não ficou restrita a São Domingos, mas logo se expandiu para o interior. Os missionários trabalharam em direção ao norte, até Santiago, a segunda maior cidade da república. Depois, avançaram mais para o norte, até Puerto Plata, na costa. Nestes lugares, muitos apreciaram ouvir as verdades bíblicas que nunca haviam ouvido na igreja.
Logo após suas atividades de pregação terem início, as Testemunhas de Jeová, na República Dominicana, desfrutaram a visita de N. H. Knorr e F. W. Franz, o presidente e o vice-presidente da Sociedade Torre de Vigia naquela época. Em resultado desta visita, foram enviados mais missionários ao país. Por fim, foram estabelecidos lares missionários em Santiago, Puerto Plata, San Francisco de Macorís, La Romana e San Pedro de Macorís.
No fim de 1946, havia 28 Testemunhas na república. Visto que a maioria das pessoas aqui não estavam familiarizadas nem mesmo com os ensinamentos bíblicos básicos, a mensagem proclamada por este pequeno grupo soava-lhes estranha. O número de Testemunhas cresceu lentamente no início. De fato, a obra enfrentou séria oposição pouco depois de começar. Mas, ‘em tempos de aflição, Jeová tornava-se sua altura protetora’, assim como disse o salmista Davi. — Sal. 9:9.
Os seguidores de Jesus Cristo tomam uma posição neutra com respeito a assuntos políticos e conflitos humanos. Por isso, esperam encontrar perseguição em alguns lugares. (João 15:18-20) A oposição às Testemunhas de Jeová, na República Dominicana, começou em 1948. Naquele tempo, o país era governado pelo ditador Rafael Trujillo. Durante 1948, destacado membro do Partido Dominicano de Trujillo aceitou a mensagem bíblica proclamada pelas Testemunhas de Jeová, e fez importantes mudanças em sua vida. Começou a divulgar destemidamente a mensagem bíblica a outros, em sua cidade natal, San Cristobal. As autoridades governamentais dali ficaram descontentes com a excelente maneira como as pessoas acolhiam essa mensagem. Certo sacerdote católico e redatores locais ergueram a voz contra as atividades das Testemunhas de Jeová. Em junho de 1950 as Testemunhas foram oficialmente proscritas. A proscrição foi removida em 1956, mas imposta novamente um ano depois. Só foi anulada em 1960.
Trabalho Sob Proscrição
Teve êxito a proscrição em abafar a proclamação da verdade bíblica por parte das Testemunhas de Jeová? Ao contrário, esta obra prosperou. Como já mencionado, havia 28 Testemunhas na República Dominicana em 1946. Quando a proscrição foi suspensa, em 1960, este número havia aumentado para 460.
Os anos de 1961 e 1962 foram um período de reorganização. A Sociedade Torre de Vigia providenciou que representantes viajantes visitassem e fortalecessem as congregações. Em 1961, foram enviados 17 evangelizadores de tempo integral para regiões da república que ainda não haviam sido contatadas. Estes esforços mostraram-se frutíferos, e, por volta de 1963, mais de 1.000 dominicanos demonstravam reconhecimento ativo das palavras do salmista: “Somente tu, ó Jeová, me fazes morar em segurança.” — Sal. 4:8.
Penetração nas Áreas Rurais
A obra de educação bíblica estava ativa em todas as cidades e povoados deste país por volta de 1973. Em dezembro daquele ano, a Sociedade fez arranjos para cuidar das necessidades espirituais das pessoas que moravam em zonas rurais afastadas. As congregações receberam cartas, convidando pessoas a passarem dois meses pregando em tais zonas rurais. Dezenove “pioneiros regulares” (pregadores de tempo integral) ofereceram-se para este serviço especial. Entre dezembro de 1973 e janeiro de 1977 foram organizados seis grupos e enviados a lugares onde tinha havido pouca ou nenhuma atividade das Testemunhas de Jeová. Como estes voluntários realizaram seu trabalho? Um deles relatou:
“Primeiro nos mudamos para um lugar central da região onde devíamos pregar. Alugamos uma velha ‘cozinha’ (pequena cabana, com telhado de colmo, construída fora das casas). Estabelecemo-nos ali com uma pequena cama, um fogãozinho de mesa, uma panela de pressão e outros itens similares. Acordávamos cedo, todos os dias, tomávamos um café da manhã reforçado e nos equipávamos com bastantes publicações, que explicam ensinamentos básicos da Bíblia. Começávamos o dia carregados de publicações. Mas, isto não durava muito. As pessoas deleitavam-se em ouvir acerca da Palavra de Deus. A medida que continuávamos pregando, as caixas de publicações ficavam mais leves.
“Depois de passarmos um dia apresentando a mensagem bíblica e deixando publicações com as pessoas, passávamos um segundo dia revisitando as que demonstraram interesse. Visto que as pessoas nessas zonas tinham pouco dinheiro, trocávamos publicações bíblicas por galinhas, ovos e frutas. Graças a Jeová, nunca passávamos fome.”
A reação dos habitantes dessas regiões afastadas era notável. Muitos ouviam a Bíblia ser lida para eles pela primeira vez na vida. Em alguns casos, os líderes religiosos haviam dito ao povo que Jeová era o Diabo. Quão surpresos ficavam ao ler textos bíblicos tais como estes: “Tu, cujo nome é Jeová, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.” “Já Jeová é minha força e meu poder, e ele veio a ser minha salvação”! (Sal. 83:18; Isa. 12:2) Em alguns lugares, o interesse era tão grande que se organizavam reuniões públicas. Numa dessas reuniões havia 68 pessoas presentes. Estavam tão desejosas de aprender acerca da Palavra de Deus, que se ofereceram a alugar uma casa para “estabelecer uma igreja”. Desejavam realmente segurança espiritual. “Alguns choraram quando partimos”, relatou um dos pioneiros. Estão sendo planejadas campanhas para a pregação nestes lugares.
Em certa ocasião, Jesus disse aos seus ouvintes: “Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei.” (Mat. 11:28) Muitos, na República Dominicana, estão encontrando essa reanimação, junto com segurança espiritual, ao passo que as Testemunhas de Jeová continuam a pregar as “boas novas” neste país. — Mat. 24:14.
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