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    A Sentinela — 1968 | 15 de fevereiro
    • A necessidade de segurança

      “Somente tu, ó Jeová, me fazes morar em segurança.” — Sal. 4:8.

      1. O que tem tornado insegura a vida do homem durante a maior parte de todo o tempo em que tem estado na terra?

      A VIDA da humanidade tem sido marcada pela insegurança por quase todo o tempo em que os homens têm vivido na terra. A História revela os muitos perigos a que têm ficado expostos. A doença em todas as suas formas tem acabado com os homens. Os desastres e as fomes têm colhido seu quinhão de inumeráveis vidas humanas. As guerras, pequenas e grandes, têm devastado muitos países e levado milhões de homens a um sepultamento prematuro. O crime também tem sempre estado presente, e incontáveis são as pessoas que se tornaram vítimas dele.

      2. Como é que os aperfeiçoamentos da ciência têm influenciado a segurança do homem?

      2 Embora o progresso devido à ciência tenha fornecido aos homens muitas conveniências não disponíveis antes — por exemplo: remédios para tratar algumas de suas moléstias — ainda assim a vida do homem não se tornou mais segura nesta nossa era científica. Pelo contrário. Os aperfeiçoamentos científicos no campo dos armamentos é tão colossal — basta apenas pensar nas armas atômicas, biológicas e químicas produzidas — que a vida dos homens, não só em alguns países, mas por todo o globo, se vê ameaçada a um grau jamais antes conhecido em toda a História da humanidade. Na verdade, a vida se tornou mais moderna, mas, ao mesmo tempo, muito insegura e perigosa. Não é de se admirar, então, que os discursos dos estadistas e outras personalidades proeminentes, anunciado na imprensa secular, vez após vez girem em torno dos termos “paz” e “segurança”. Refletem claramente a incerteza que prevalece no mundo.

      3. Como é que a Bíblia predisse que seriam os nossos dias, que são marcados pela incerteza?

      3 Apesar de todos os esforços empreendidos pelos homens mundanos, não se consegue nenhuma segurança verdadeira. Dificilmente se resolve um conflito antes que comece outro. Muitas pessoas que olham para o futuro não vêem nada senão um ponto de interrogação. Aumentam a insegurança e a incerteza. Eis como a Bíblia predisse com exatidão estas condições em nossos dias: “Também, haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas, e na terra angústia de nações, não sabendo o que fazer por causa do rugido do mar e da sua agitação, os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada.” — Luc. 21:25, 26.

      4. (a) Por que o atual mundo jamais encontrará paz e segurança verdadeiras? (b) Quem é a fonte da verdadeira segurança?

      4 Segundo a Bíblia, jamais podemos esperar que o atual mundo agitado encontre a paz e a segurança. Por que isto se dá? Porque está buscando segurança na direção errada e da maneira errada. Os homens em geral não têm aprendido que as criaturas humanas e as organizações humanas jamais podem prover a verdadeira segurança. Ignoram o claro conselho da Bíblia: “Não ponhas a tua confiança em nobres, nem no filho do homem terreno, a quem não pertence a salvação.” (Sal. 146:3) Nenhum homem, não importa quão proeminente possa ser e com que poder esteja investido, quer seja religioso quer político, nenhuma nação deste mundo e nenhuma organização internacional pode prover a verdadeira segurança e salvação para a humanidade. Estes alvos preciosos e procurados somente podem provir de uma única fonte, a saber, Deus, o Todo-poderoso, cujo nome é Jeová, e somente em harmonia com as provisões que tem feito. — Isa. 43:11.

      SEGURANÇA NO ANTIGO ISRAEL

      5. (a) O que mostra a história de Israel quanto à segurança? (b) Descreva o abençoado reinado do Rei Salomão.

      5 Conforme é geralmente conhecido, os israelitas, isto é, os descendentes do hebreu, Abraão, mediante seu filho Isaque e seu neto, Jacó, eram certa vez o povo escolhido de Jeová. Nos tratos de Jeová com Israel, há antevisões reveladoras de como se pode obter e como se pode perder a segurança. Conforme mostra a história de Israel, a segurança nacional e a segurança individual atingiram bem provavelmente seu zênite durante o reinado do rei sábio, pacífico e famoso, Salomão, um dos reis humanos que reinou de forma representativa em lugar do invisível Rei, Jeová. Em palavras impressivas, certo cronista relata a respeito deste tempo abençoado: “E tinha paz de todas as bandas em roda dele. E Judá e Israel habitavam seguros, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, desde Dã até Berseba, todos os dias de Salomão.” — 1 Reis 4:24, 25, Al.

      6. (a) Quais foram os fatores que contribuíram para o bem-estar e a segurança de Israel? (b) Mas, o que mostra a história posterior de Israel?

      6 Esta paz, segurança e bem-estar durante o reinado do Rei Salomão não eram resultado de sabedoria humana. Antes, resultavam da sabedoria celeste. O povo de Israel recebera um excelente código de leis. Séculos antes, Jeová o dera a conhecer a Moisés e, por meio deste, à nação de Israel. Esta legislação uniforme deveria ser aplicada por todo o território daquela nação, e se aplicava em geral aos israelitas e aos estrangeiros da mesma forma. Governava as relações deste povo com seu Deus e também as relações entre as pessoas. Era uma boa lei. Disto testifica o apóstolo cristão, Paulo, ao escrever: “Por conseguinte, a lei, da sua parte, é santa, e o mandamento é santo, e justo, e bom.” (Rom. 7:12) Quanto mais estritamente as pessoas observassem esta lei, tanto os governantes como os súditos, tanto mais usufruiriam o favor de seu Deus, Jeová, e tanto mais gozariam de paz e segurança. Mas, quanto mais se afastassem da lei, usualmente levados por uma classe dominante que se tornara perversa, tanto maior se tornaria sua insegurança. Isto é mui tragicamente ilustrado pelo que aconteceu a Israel depois de a maioria rejeitar o Messias, aquele a quem Deus enviara a eles como o seu Redentor. Em 70 E. C., quando os romanos destruíram a famosa capital de Israel, Jerusalém, este povo altamente favorecido perdeu sua existência nacional. A história dos judeus durante os dezenove séculos que se seguiram não tem paralelo no que toca à insegurança e à adversidade. Tudo serve para demonstrar que a verdadeira segurança jamais pode ser obtida à parte da relação correta com o Criador do homem. — Sal. 91:2.

      A CIDADE DE REFÚGIO — UMA PROVISÃO PROTETORA

      7. Por que a lei de Moisés ainda é de interesse para nós?

      7 Consideremos agora uma das provisões da lei mosaica mais de perto. É verdade que a lei mosaica com seus muitos decretos e sanções penais não mais vigora. Quando o Messias, Jesus Cristo, veio, há dezenove séculos atrás, esgotou-se o tempo desta lei. Cumprira seu propósito. Por ser cumprida, foi removida do caminho. A Bíblia assim nos informa nas seguintes palavras: “Ele nos perdoou bondosamente todas as nossas falhas e apagou o documento manuscrito [a lei mosaica] que era contra nós, que consistia em decretos e que estava em oposição a nós; e Ele o tirou do caminho por pregá-lo na estaca de tortura [de Jesus Cristo].” (Col. 2:13, 14) Mas, este velho conjunto de lei, embora não mais vigorando depois de Jesus Cristo ser usado para pôr fim a ele em 14 de nisã de 33 E. C., contém muitos tipos ou “sombras” instrutivas, bem como princípios, dos quais os cristãos podem obter esclarecimento e proveito. O sábado semanal ou dia de descanso, por exemplo, estipulado na lei mosaica, era uma de tais sombras de boas coisas vindouras, apontando para algo no futuro, a saber, os mil anos de paz e tranqüilidade sob o reinado de Cristo, o Messias. — Col. 2:16, 17; Heb. 10:1.

      8. Quantas cidades de refúgio havia, e quais eram os seus nomes?

      8 Uma provisão interessantíssima da lei mosaica era a das cidades de refúgio. Onde estavam localizadas e que propósito tinham? A Lei fez provisão para um total de seis destas cidades, três a leste do Rio Jordão e três a oeste. A respeito dos nomes e da localização geográfica destas cidades, somos informados por Josué, sucessor de Moisés como líder visível de Israel: “Designaram, pois, solenemente a Quedes na Galiléia, na região montanhosa de Naftali, e a Siquém, na região montanhosa de Efraim, e a Quiriate-Arba, ou seja Hebrom, na região montanhosa de Judá. Dalém do Jordão na altura de Jericó para o oriente, designaram Bezer, no deserto, no planalto da tribo de Rúben; e a Ramote em Gileade da tribo de Gade, e a Golã em Basã da tribo de Manassés.” — Jos. 20:7, 8, ALA.

      9. (a) Como estavam distribuídas pela terra estas cidades? (b) Que propósito tinham em realidade?

      9 Ao se olhar o mapa da Terra Prometida, pode-se ver que tais cidades foram proporcionalmente distribuídas pela terra. Por que isto se deu? Tais cidades deviam estar ao alcance de qualquer habitante — os israelitas bem como qualquer dos residentes e colonizadores estrangeiros — que precisassem da proteção da cidade. Tais cidades eram refúgios, lugares de proteção, abertos para as pessoas cujas vidas corressem perigo, e, por conseguinte, estavam localizadas de tal modo que aqueles que precisassem de proteção pudessem, razoavelmente, dispor da energia e do tempo para fugir para lá. A lei nacional decretava quem era elegível à proteção. Qualquer pessoa podia fugir para uma dessas cidades caso que, devido a um acidente, sem qualquer má intenção, causasse a morte de outra pessoa ou de outras pessoas, quer fosse durante o trabalho quer em qualquer outra situação.

      10. Sob que circunstâncias, por exemplo, poderia um homem fugir para lá?

      10 Para ilustrar, eis aqui um exemplo de tal situação, a qual tornaria necessária a fuga para a cidade de refúgio. “Eis a regra a seguir para o homicida que ali se refugiar, procurando salvar a sua vida. Se ele tiver matado o seu próximo por inadvertência, sem ódio prévio, como, por exemplo, se ele tiver ido à floresta com outro cortar lenha, e, no momento de brandir o machado para abater a árvore, o ferro se tenha deslocado do cabo e ferido mortalmente o seu companheiro, esse homem refugiar-se-á em uma dessas cidades para salvar a sua vida.” — Deu. 19:4, 5, CBC.

      A SANTIDADE DA VIDA HUMANA

      11. (a) Por que teria a pessoa de fugir para a cidade de refúgio? (b) O que mostram as palavras de Jeová a Noé?

      11 Mas, talvez perguntemos: Por que tal homem teria de fugir a um lugar de proteção? Porque, depois de ter causado a morte do próximo, corria agora o risco de perder sua vida. O parente mais próximo tinha direito de agir como vingador de sangue da pessoa morta; tinha o direito de agir como executor e, nesta posição, podia agir rapidamente, sem demora. Naquele tempo, este direito do vingador de sangue era plenamente reconhecido. Sem dúvida teve sua origem na ordenança que encontramos no primeiro livro da Bíblia, em Gênesis 9, versículos 4 a 6. Ali encontramos as palavras proferidas por Jeová a Noé e a seus filhos, sobreviventes do dilúvio global, e estas palavras sublinham o grande valor que o Criador atribui à vida humana. “Somente a carne com sua alma — seu sangue — não deveis comer. E, além disso, requererei de volta o sangue de vossas almas. Da mão de toda a criatura vivente o requererei de volta; e da mão do homem, da mão daquele que é seu irmão, requererei de volta a alma do homem. Qualquer pessoa que derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” Desta antiga ordenança se derivou o direito de infligir a pena de morte aos que derramaram ilegalmente o sangue humano.

      12. Será que apenas o homicida voluntário tinha culpa de sangue?

      12 Esta antiga ordenança foi reconhecida na lei mosaica. Qualquer pessoa que voluntária e ilegalmente derramasse sangue humano tinha de pagar com sua própria vida, depois de se provar e estabelecer, mediante testemunhas, o assassinato. (Deu. 17:6) Até mesmo a pessoa que causasse a morte de seu próximo, involuntariamente, sem má intenção, tornava-se culpado de sangue. Mas, então, a lei proveu que tal pessoa infeliz escapasse da morte por fugir para a cidade de refúgio mais próxima. O trecho relevante da Lei reza: “O Senhor [Jeová] disse a Moisés: Dize aos israelitas: Quando tiverdes passado o Jordão e entrado na terra de Canaan, escolhereis cidades de refúgio onde se possam retirar os homicidas que tiverem involuntariamente derramado sangue. Elas vos servirão de asilo contra o vingador de sangue, de sorte que o homicida não seja morto antes de haver comparecido em juízo diante da assembléia. Serão em número de seis as cidades que destinardes a esse fim. . . . Serão cidades de refúgio, e servirão aos israelitas, aos peregrinos e a qualquer outro que habite no meio de vós, para ali encontrar asilo quando houver matado alguém por descuido.” — Núm. 35:9-15, CBC; Jos. 20:1-6.

      13, 14. (a) Será que se permitia que o homicida voluntário obtivesse proteção na cidade de refúgio? (b) Como se determinava o mérito ou o dolo do fugitivo?

      13 Pode-se ver assim que, para alguém que satisfizesse suas exigências, esta era uma provisão legal para salvar preciosas vidas humanas. Tais seis cidades eram ao mesmo tempo cidades dos levitas, e uma delas, Hebrom, pertencia aos sacerdotes aarônicos. Mas, o que dizer da pessoa que fizesse uso da proteção legal em uma das seis cidades e que em realidade não tivesse direito a ela, por exemplo, um assassino perverso? A Lei decretava que não haveria proteção alguma para um assassino, tal pessoa sendo considerada indigna de vir a estar sob o abrigo protetor destas cidades. Para assegurar que nenhuma pessoa indigna obtivesse refúgio, a lei exigia que se fizesse um julgamento e que se examinassem as circunstâncias, antes de a pessoa ser recebida definitivamente na cidade protetora. Eram os anciãos do lugar de morada do homicida que tinham de examinar o caso e render a decisão final. Se a decisão fosse favorável ao refugiado, então, dali em diante ele estava protegido pelo estatuto sagrado da cidade de refúgio. Assim, lemos:

      14 “Mas se foi acidentalmente e sem ódio que o derrubou, ou lhe atirou qualquer objeto sem premeditação, ou se, sem ser seu inimigo nem procurar fazer-lhe mal, atingiu-o com uma pedra por descuido, podendo com isso causar-lhe a morte, e de fato ele morrer, então a assembléia julgará entre o homicida e o vingador do sangue de acordo com estas leis. A assembléia livrará o homicida da mão do vingador do sangue e o reconduzirá à cidade de refúgio onde se tinha abrigado. Permanecerá ali até à morte do sumo sacerdote que foi sagrado com o santo óleo.” — Núm. 35:22-25, CBC.

      15. Por quanto tempo tinha o homicida inintencional de ficar na cidade de refúgio?

      15 A última parte do texto que acabamos de citar explica exatamente por quanto tempo o homicida involuntário tinha de ficar neste asilo legalmente provido. Não tinha de ficar necessariamente ali por toda a vida, mas apenas até à morte do sumo sacerdote, isto é, do sumo sacerdote que estivesse no cargo na ocasião em que o refugiado fugiu para um destes abrigos. Quando o sumo sacerdote morresse, então, imediatamente, todos que fugiram para lá tinham o pleno direito de deixar a cidade e retornar a suas anteriores moradias. Não ficavam mais em perigo de ser atacados pelo vingador de sangue? Não, isso não mais aconteceria. O vingador de sangue não tinha então direito algum de ferir os refugiados libertos. O caso estava encerrado. Não havia mais qualquer culpa de sangue a ser expiada. “Porque o criminoso devia permanecer na cidade de refúgio até à morte do sumo sacerdote. Somente depois que este morrer, poderá o homicida voltar para a terra onde ele tem a sua propriedade.” — Núm. 35:28, CBC.

      16. O que a provisão da cidade de refúgio nos ensina quanto ao valor da vida humana?

      16 A provisão da cidade de refúgio nos ensina várias coisas. Mostra-nos claramente que o Criador do homem, Jeová, considera a vida humana como algo precioso. Não há dúvida de que Ele tem o direito pleno e indisputável de destruir a vida humana, se os homens se opuserem à sua vontade soberana e ignorarem seu propósito. O homem, contudo, não está na mesma posição que o seu Criador, e por conseguinte, não tem o direito de tirar a vida humana a seu bel prazer. A vida é muitíssimo preciosa. De certo modo, é santa. A lei mosaica decretava que até mesmo o homicida inintencional se tornava culpado de sangue, mostrando destarte a severidade de Deus na questão de se derramar sangue. Sem dúvida este rigor deveria impressionar os israelitas e inculcar-lhes na mente a devida apreciação pela santidade da vida humana. Também ensinava-lhes a ter cuidadosa consideração, em todos os seus tratos, pela mais preciosa possessão do próximo — a vida. Apontando para a grande Fonte, o salmista escreveu: “Pois contigo está a fonte da vida.” — Sal. 36:9.

      17. Que duas grandes qualidades de Jeová se refletem em tal provisão legal especial?

      17 Por outro lado, a provisão da cidade de refúgio mostra que Jeová é um Deus de misericórdia e que Ele, como o Juiz Supremo, conhece os corações dos homens e faz distinção entre alguém que comete um erro inintencional e aquele que é perverso de coração e que voluntária e presunçosamente viola a lei divina. Assim, a provisão da cidade protetora conforme existia no antigo Israel revela dois grandes atributos de Jeová: sua justiça e sua misericórdia. Escreveu o salmista: “A justiça e o juízo são o lugar estabelecido do teu trono; a benevolência e a veracidade mesmas vêm diante de tua face.” — Sal. 89:14.

      18. Visto que essa provisão era um tipo profético, que perguntas surgem então?

      18 Visto que a provisão da cidade de refúgio tinha significado profético, apontando para as maiores coisas vindouras, surgem as seguintes perguntas: O que esta cidade representa? Quem foi representado pelo homicida inintencional a quem se permitia fugir para lá e quem foi representado pelo vingador de sangue que perseguia o homicida inintencional? O que significam as estradas que levavam a tais cidades? Quem é o sumo sacerdote? E o que se demonstra pelo fato de que os refugiados podiam deixar a cidade depois de morrer o sumo sacerdote? Todas estas perguntas podem ser satisfatoriamente respondidas ao deixarmos que o espírito santo de Deus ‘nos guie a toda a verdade’. (João 16:13) Para a consideração mais ampla destas perguntas, encaminhamos o leitor ao seguinte artigo.

  • O caminho para a segurança
    A Sentinela — 1968 | 15 de fevereiro
    • O caminho para a segurança

      “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.” — João 14:6.

      1. O que representam as cidades de refúgio?

      ENTRE o antigo povo de Israel, a provisão das cidades de refúgio muitas vezes deve ter-se demonstrado preservadora de vidas. Seu propósito era dar proteção e segurança a homicidas inintencionais, em vista da morte ameaçadora às mãos do legal vingador de sangue. Tais cidades não visavam oferecer proteção a criminosos. E, visto que a provisão destas cidades, bem como de muitas outras “sombras” da Lei (Heb. 10:1) era um tipo profético, do qual os cristãos muito têm a aprender, não se pode deixar de concluir que representa a grandiosa provisão de salvação que Deus, Jeová, fez operar para o benefício eterno dos homens de todas as espécies, para aliviá-los e salvá-los da pena da culpa de sangue. Como assim?

      2. Quais foram algumas das razões de Jesus Cristo vir à terra?

      2 Deus enviou seu Filho mais elevado, Jesus Cristo, a terra para tornar conhecido aqui as grandes verdades desta provisão e também para que pudesse morrer uma morte sacrificial, a fim de salvar aqueles que verdadeiramente exercessem fé nele da morte certa e eterna, e lhes dar vida infindável. Assim, lemos em Efésios 1:7: “Mediante ele temos o livramento por meio de resgate, por intermédio do sangue desse, sim, o perdão de nossas falhas, segundo as riquezas de sua benignidade imerecida.” — Mat. 20:28.

      3. O que se demonstra pelo fato de que tanto os Israelitas como os residentes estrangeiros podiam refugiar-se na cidade de refúgio?

      3 Assim como a típica cidade de refúgio, assim também a antitípica cidade de refúgio é uma provisão misericordiosa de Deus, a fim de perdoar os violadores arrependidos de Sua lei, à base do resgate de Jesus Cristo, e para aceitá-los sob Seu cuidado e sua proteção. Escreve o apóstolo Paulo: “De modo que é por isso que ele é mediador dum novo pacto, a fim de que, por ter havido uma morte para o seu livramento, por meio de resgate, das transgressões sob o pacto anterior, os chamados recebessem a promessa da herança eterna.” (Heb. 9:15) Na cidade de refúgio literal, tanto os israelitas como os residentes estrangeiros podiam refugiar-se. (Núm. 35:15) Isso representa que a cidade de refúgio antitípica oferece sua poderosa proteção, não só aos israelitas espirituais, isto é, os que se tornam membros da classe celeste e dominam e servem como sacerdotes junto com Cristo Jesus, mas também para todos aqueles que estão em linha para receber a vida eterna na terra, as “outras ovelhas”. — João 10:16.

      4. (a) O que não se pode desperceber na provisão de salvação? (b) Para que fim trabalham o espírito de Deus e seus anjos?

      4 O homicida inintencional em Israel não fugia para o exterior, deixando seu país, mas se dirigia para a cidade de refúgio, a qual pertencia aos levitas não sacerdotais; a cidade de Hebrom pertencia aos sacerdotes aarônicos. Isto significa que a provisão de salvação está intimamente relacionada com a organização de Jeová. Um restante da classe sacerdotal espiritual ainda está na terra, atualmente, formando o núcleo da congregação do povo de Jeová. Não podemos desperceber o papel da congregação visível das testemunhas de Jeová nesta provisão de salvação. Em Atos 2:47, lemos: “Ao mesmo tempo, Jeová continuava a ajuntar-lhes diariamente os que estavam sendo salvos.” Isso significa que aqueles que “estavam sendo salvos” eram acrescentados ao grupo visível da primitiva congregação cristã. Assim eram reunidos em uma só família unida da fé. Portanto, a organização visível do povo de Deus tem algo que ver com a provisão de salvação, atualmente. Deveras, tem lugar importante em tal provisão. Toda congregação forma uma pequena parte do povo de Deus. Não podemos permanecer fora da organização do povo de Deus, separados dela, se quisermos ter a proteção de Jeová. O espírito de Jeová e seus anjos tendem todos a produzir a unidade em pensamento, em objetivo e em ação. Assim, há uma relação vital entre a proteção de Jeová na antitípica cidade de refúgio e Sua congregação visível dos israelitas espirituais, supervisada pelo “escravo fiel e discreto”. — Efé. 4:3-6; Mat. 24:45-47.

      O ANTITÍPICO HOMICIDA ININTENCIONAL

      5. O que foi prefigurado pelo homicida inintencional?

      5 Mas, quem, então, é realmente representado pelo homicida inintencional que obtinha refúgio na cidade protetora? É figura de todos os que se tornam cônscios do fato que, de uma forma ou de outra e do ponto de vista de Jeová, partilham a culpa de sangue. Este fato se torna mais claro a elas quando tais pessoas sinceras entram em contato com a mensagem esclarecedora da Palavra de Deus, a Bíblia, que ensina a santidade da vida humana. Como no antigo Israel, assim também hoje, a pessoa talvez tenha sido a causa dum acidente, fatal a alguma outra pessoa ou a outras pessoas. Ano após ano, dezenas de milhares de pessoas perdem sua vida nas ruas do mundo devido a acidentes de trânsito. Embora não haja má intenção, todavia, há certa culpa envolvida, e, via de regra, os códigos de leis das nações estipulam sanções penais em tais casos.

      6. Como é que muitas pessoas têm partilhado da culpa de sangue em nossa era?

      6 Mas, a aplicação do significado do homicida inintencional no quadro antitípico atual é mais ampla em escopo e não se limita a tais casos que acabamos de mencionar. Nossa era é o período das maiores guerras na história humana. Pense apenas na Primeira Guerra Mundial e na Segunda Guerra Mundial. Milhões de homens foram obrigados a ter parte nestes eventos sanguinários, sem realmente o desejarem. Dezenas de milhões de homens têm assim morrido desde 1914, devido à luta pelo domínio mundial e também no decorrer de cruéis revoluções ideológicas. Deveras, desde 1914 E. C. apenas, a culpa de sangue da humanidade tem alimentado como nunca antes em toda História. Não é preciso dizer que o Criador do homem, aquele que declarou a santidade da vida, tem de ver tudo isto com grande desprazer. — Hab. 1:13.

      7. (a) Como é que pesada culpa de sangue tem pairado sobre a falsa religião? (b) Como é que Revelação 17:5, 6 descreve isto?

      7 O fato de que os líderes religiosos em todo o mundo têm dado sua bênção e seu apoio a tal derramamento organizado e em massa do sangue humano tem levado muitas pessoas a crer que se tratava realmente da vontade de Deus e até mesmo era compatível com o Cristianismo. Assim, pode-se presumir que muitos têm agido mal enquanto pensam que seu proceder era certo. O apoio dado ao derramamento organizado de sangue por parte de numerosas igrejas e religiões de dentro e de fora da cristandade revela uma coisa de forma bem clara: a imensa culpa de sangue que pesa sobre a religião falsa por todo o mundo. Esta culpa de sangue se tem acumulado, não apenas nas últimas décadas, mas também durante os muitos séculos passados. O sangue realmente tem jorrado em muitas guerras religiosas, em guerras inspiradas pelos líderes religiosos e apoiadas por eles, nas cruzadas, durante a chamada Inquisição e durante a perseguição dos fiéis servos de Deus antes e depois de Cristo. Em Revelação, capítulo 17, este império mundial da religião falsa é representado ou descrito em símbolo como sendo uma mulher imoral, chamada “Babilônia, a Grande”. Lemos: “E na sua testa havia escrito um nome, um mistério: ‘Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes e das coisas repugnantes da terra.’ E eu vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e como sangue das testemunhas de Jesus.” — Rev. 17:5, 6.

      8. Como é que as igrejas têm desorientado o povo?

      8 Até que ponto as igrejas têm representado mal o propósito de Deus e justificado as guerras é destacado pelo seguinte, de uma publicação dominical protestante alemã, durante a Primeira Guerra Mundial: “Nossos combatentes não são meros lutadores a favor da terra natal e do lar, do rei e da pátria, mas são os exércitos de Deus, lutando em seu serviço como seus instrumentos e administradores. É bom que nossos soldados cristãos saibam que realmente estão num serviço e num cargo muito superior, que cuidam dos assuntos de Deus e que, por conseguinte, o Senhor tem sido tão maravilhoso conosco . . . em trazer a guerra a um bom fim. Honra seja dada somente a Deus! Também, esta guerra é um passo à frente no sentido da realização do reino de Deus.” (Kirche, Krieg, Kriegsdienst, de Walter Dignath, página 51) Quão notavelmente se aplicam as palavras do profeta Jeremias à culpa de sangue dos falsos sistemas religiosos da cristandade! Diz o profeta: “Até na orla de tua veste vê-se o sangue dos pobres inocentes.” (Jer. 2:34, CBC) Mas, a culpa de sangue também pesa sobre as organizações religiosas pagãs.

      O ANTITÍPICO VINGADOR DE SANGUE

      9. (a) Quando é que a punição virá sobre a culpa de sangue? (b) Quem é o antitípico vingador de sangue?

      9 Quando há tanta culpa de sangue, a punição é merecida e é inevitável. Virá sem falta, rapidamente, sim, em nossa geração. Falando a respeito deste castigo divino, o profeta Isaías escreveu: “Pois eis que Jeová sai do seu lugar para cobrar o erro do habitante da terra contra ele, e a terra certamente exporá seu derramamento de sangue e não mais cobrirá os mortos por ela.” (Isa. 26:21) No antigo Israel, era o vingador legal do sangue que acertava as contas e impunha o castigo. Quem, perguntamos, é o vingador de sangue no antítipo? É Jesus Cristo, a quem ‘foi dada toda a autoridade no céu e na terra’. Em Revelação, capítulo 19, é descrito como cavalgando um cavalo branco, guerreando em justiça. Os exércitos no céu o seguem. Há cerca de dezenove séculos atrás, Jesus nasceu na terra como humano perfeito, e, por tal razão, amiúde mencionava a si mesmo como o “Filho do homem”. (Mat. 28:18; 25:31) Devido a isto ele se torna, por assim dizer, o parente mais próximo da humanidade e, por conseguinte, tem o pleno direito a ser o antitípico vingador de sangue.

      10. Desde quando é que o quadro da cidade de refúgio se aplica em especial, e por quê?

      10 Em 1914 E. C., chegou o “tempo do fim” para esta ordem da sociedade humana, e especialmente desde aquele tempo, o quadro da cidade de refúgio tem-se tornado oportuno e aplicável. Por que isto se dá? Porque é em nosso tempo, nesta geração, que Jesus Cristo agirá como o grande e poderoso vingador de sangue. Dará completo fim a esta ordem culpada de sangue da sociedade. (Dan. 2:44) O vingador de sangue e seu amplo exército de santos anjos apanharão a todos e a cada um que não escapou em tempo para a protetora cidade de refúgio. Absolutamente nada poderá impedir esta vindoura catástrofe. Nenhuma nação escapará. Mas as pessoas, individualmente, podem escapar dela. — Pro. 1:24-33.

      FUGA À SEGURANÇA

      11. Como pode a pessoa evitar ser apanhada pelo vingador de sangue?

      11 Mas, como podem as pessoas, individualmente, evitar serem apanhadas pelo vindouro vingador de sangue, Jesus Cristo? A resposta é: por fugirem à segurança enquanto ainda há tempo. A fuga à segurança é realmente possível. No antigo Israel havia seis cidades de refúgio, bem proporcionalmente localizadas por todo o território daquela nação. Assim, o caminho para o lugar de segurança não era longo demais para qualquer pessoa que precisasse segui-lo. A segurança estava ao seu alcance. Assim se dá no cumprimento deste quadro profético. Os homens honestos e que amam a verdade, que realmente querem achar esta verdadeira segurança, podem achá-la. A salvação está a seu alcance. O caminho não está muito distante. A cidade protetora, a provisão de salvação feita por Deus, está perto. Mas, é preciso algum esforço para chegar até lá. O caminho para a segurança não é como um alegre passeio na primavera. Significa trabalho árduo, sim, uma luta, a “luta da fé”. — 1 Tim. 6:12.

      12. O proceder de quem fornece excelente exemplo de como as pessoas culpadas de sangue deviam agir?

      12 Para isto temos o exemplo excelente do apóstolo Paulo. Também teve seu quinhão na culpa de sangue que pesava sobre o sistema religioso judaico, no tempo em que era chamado Saulo. Aprovou a matança dos verdadeiros cristãos. A respeito da morte de Estêvão, por exemplo, lemos: “Saulo, da sua parte, aprovava o assassínio dele.” (Atos 8:1) Mas, depois de este Saulo converter-se ao Cristianismo, que luta excelente travou em favor da verdadeira fé! Quantos esforços fez para correr a carreira até o fim, a fim de assegurar sua salvação! Pregou, escreveu numerosas cartas a seus irmãos cristãos, passou dificuldades de todos os tipos e, por fim, foi morto por ser cristão. O exemplo de Paulo e o de muitos outros nos mostra que é preciso verdadeiro esforço para se ganhar a vida interminável. — 2 Cor. 11:23-27; 2 Tim. 4:6-8.

      O CAMINHO À SEGURANÇA

      13. (a) Quais são alguns requisitos para se empreender tal fuga? (b) O que, realmente, significa fé?

      13 Ao se iniciar esta fuga, à segurança, é básico que se tenha consciência de que se tem agido de forma errada perante Jeová Deus e se tem culpa à Sua vista. (Sal. 51:3-5) Isto levará a pessoa honesta ao arrependimento, que também significa a transformação da mente. Junto com isto vai a fé na Bíblia, em Jeová Deus, em Jesus Cristo e no reino de Deus. (Atos 3:19; Heb. 11:6; Atos 16:31) Mas, a fé significa muito mais do que apenas crer que Deus existe e que Jesus Cristo veio para salvar pecadores. Muitos têm uma fé assim, mas é completamente insuficiente. A fé, segundo a Bíblia, significa muito mais: significa ter completa confiança em Jeová; significa completa obediência a Deus e significa ação. (Heb. 11:1) Realmente significa dedicar-se a Jeová e se tornar seguidor de Cristo, isto é, um discípulo, alguém que vive em conformidade com a vontade divina, segundo delineada na Bíblia. Será que vê a grande diferença entre a fé, conforme se entende comumente o termo, e a fé, no sentido verdadeiro e profundamente bíblico? Jesus Cristo declarou: “Digo-vos em toda a verdade: Quem exercer fé em mim, esse fará também as obras que eu faço.” (João 14:12) O caminho para a segurança, para a antitípica e preservadora cidade de refúgio é realmente idêntico à estrada apertada a respeito da qual Jesus falou: “Estreito é o portão e apertada a estrada que conduz à vida, e poucos são os que o acham.” — Mat. 7:14.

      14. Do que deve uma pessoa separar-se, e por quê?

      14 Seguir por esta estrada apertada significa que não podemos seguir ao mesmo tempo a estrada espaçosa e ampla que conduz à destruição. Isto significa que temos de separar-nos do atual sistema iníquo de coisas. (Rom. 12:2) O verdadeiro cristão se manterá longe de qualquer movimento que possa envolvê-lo na culpa de sangue. Adotará uma posição neutra quanto aos assuntos deste mundo. (João 18:36) Conforme já indicado, há tremenda culpa de sangue ligada a este mundo, e, em especial, à parte religiosa dele. Se permanecermos nestes sistemas, seremos parte deles e, destarte, partilharemos a culpa de sangue que pesa coletivamente sobre tais sistemas. Portanto, assim como o apóstolo Paulo se separou do judaísmo culpado de sangue, as pessoas honestas, atualmente, se separarão de Babilônia, a Grande. Significa que romperão seus laços com toda religião falsa. A Bíblia torna isto obrigatório para todos que não desejem participar no julgamento destrutivo contra ela. “Saí dela, povo meu, se não quiserdes compartilhar com ela nos seus pecados e se não quiserdes receber parte das suas pragas. Pois os pecados dela acumularam-se até o céu, e Deus se lembrou dos atos injustos dela.” — Rev. 18:4, 5.

      15. Como se admite que as igrejas da cristandade são parte de Babilônia, a Grande?

      15 Que as igrejas da cristandade são parte desta Grande Babilônia é até mesmo admitido por seus próprios membros proeminentes. Alguém que por certo deve estar bem familiarizado com a situação das igrejas é o anterior Secretário-Geral do Conselho Ecumênico de Igrejas, o Dr. Visser’t Hooft. Comentando a respeito de certo discurso, que proferiu recentemente, um boletim religioso disse: “Como outro obstáculo no caminho para a unidade [religiosa], o Dr. Visser’t Hooft mencionou o ‘cativeiro babilônico’ da igreja. Toda igreja tem entrado em alguma aliança com as potências do mundo, não só com estados e com povos, mas também com raças e culturas e realidades nacionais.” — Schweiz. evang. Pressedienst, 30 de setembro de 1964.

      16. Por que não deve demorar a fuga?

      16 A pessoa sábia que ama a vida e deseja fazer o que é certo à vista de Deus não demorará a separar-se deste mundo culpado de sangue em que vivemos, de qualquer parte em que esteja, política, social, religiosa. Eis o tempo de fugir, e não quando já for tarde demais, quando o vingador de sangue começar a executar a punição. Sublinhando a necessidade de se fugir a tempo, o antitípico vingador de sangue, Jesus Cristo, afirma: “Persisti em orar que a vossa fuga não ocorra no tempo do inverno, nem no dia de sábado; pois então haverá grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo.” (Mat. 24:20, 21) Virá o tempo em que as circunstâncias não mais permitirão a fuga com êxito, a saber, na destruição de Babilônia, a Grande, e na guerra do Armagedom, que se segue. — Rev. 16:14 a 17:18.

      PERMANECENDO NA “CIDADE DE REFÚGIO”

      17. Quem é o sumo sacerdote na cidade de refúgio da atualidade?

      17 Conforme temos visto, o homicida inintencional que obtivesse proteção numa cidade de refúgio tinha de permanecer ali até que morresse o sumo sacerdote que oficiava quando ele fugira para lá. Daí, estava livre para retornar à sua anterior moradia. O vingador de sangue não tinha então nenhum direito mais de tocá-lo. Em cumprimento do tipo profético, Jesus Cristo também cumpre o papel do sumo sacerdote, pois, deveras, ele é tal sumo sacerdote, conforme lemos em Hebreus 3:1: “Por conseguinte, santos irmãos, . . . considerai o apóstolo e sumo sacerdote que confessamos — Jesus.”

      18. O que significa permanecer na cidade de refúgio até que morra o sumo sacerdote (a) para a classe celeste? (b) para os sobreviventes do Armagedom?

      18 No interessante quadro da cidade de refúgio, Cristo, portanto, representa um papel duplo, o de vingador de sangue e o de sumo sacerdote, cuja morte significava liberdade para os que se achavam na cidade protetora. O que, então, significa permanecer na antitípica cidade de refúgio até à morte do sumo sacerdote? Visto que, atualmente, os membros das duas classes procuram o refúgio naquela cidade — os “israelitas” e os “residentes estrangeiros” — isto é, os membros da classe celeste do reino e os membros da classe terrestre, significa o seguinte: Quando os membros da classe celeste, os israelitas espirituais, terminam sua carreira terrestre quais humanos imperfeitos e são recompensados com a ressurreição celeste e espiritual, então o sumo sacerdote “morre” para com eles, por assim dizer, isto é, deixa de agir na condição de sumo sacerdote em favor deles. Não sendo mais humanos, não precisam mais de seus serviços que expiam pecados, sendo eles próprios levantados à imortalidade, para reinar como reis e sacerdotes junto com Cristo por mil anos. (Rev. 20:6) Com respeito aos sobreviventes do Armagedom, Jesus Cristo deixará de agir em seu favor como sumo sacerdote quando tiverem findado os mil anos de seu domínio real e todos os homens forem levados à perfeição humana na terra. Falando-se nos termos do quadro da cidade de refúgio, Jesus Cristo então “morrerá” com respeito a eles, isto é, deixará a cena como sumo sacerdote que expia pecados. Tais serviços não mais serão necessários então. Nesse tempo, estarão diretamente nas mãos de Deus para provar sua perfeita devoção à justiça para sempre. — 1 Cor. 15:24-28; Rom. 8:33; 6:7.

      19. Que aviso se nos é dado?

      19 Se, contudo, aquele que em sua imperfeição humana fugiu para a cidade de refúgio vier a deixar a cidade antes da morte do Sumo Sacerdote, estaria expondo-se ao perigo de morte, o perigo de ser executado pelo legal Vingador de Sangue, visto que não mais estaria sob o benefício do sacrifício de resgate do Sumo Sacerdote, Jesus Cristo. Este é um aviso para nós. Mostra-nos que temos de permanecer na antitípica cidade de refúgio enquanto a provisão divina exigir isto. Se quisermos assegurar a nossa salvação eterna, temos de permanecer nos limites da amorosa provisão de Jeová Deus, associados com sua organização visível, presidida pelo Seu Sumo Sacerdote. Não nos deixemos tentar a abandonar a cidade protetora e poderosa de refúgio a fim de gozar por curto tempo uma enganosa liberdade que nos expõe à morte eterna. É verdade que permanecer na cidade de refúgio nos impõe algumas restrições. Não estamos inteiramente livres para fazer e dizer o que bem quisermos. Temos de obedecer à vontade de Deus, permanecendo sob o nosso Resgatador, Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote, e, ainda assim, isso significa que temos a plena liberdade de fazer o que é correto e bom.

      20. Que conselho o discípulo Tiago nos dá?

      20 Portanto, a provisão da cidade de refúgio na antiga lei mosaica nos fala com urgência de vida ou morte. Transmite uma mensagem de sobriedade. É lição oportuna para nós que vivemos nesta sociedade humana culpada de sangue, do século vinte. Mostra-nos como, individualmente, podemos escapar, tanto da culpa coletiva de sangue do mundo e da vindoura punição divina sobre este perverso sistema de coisas. Deveras feliz é a pessoa que, não só lê e ouve quais são os requisitos de Deus, mas os aplica de imediato e com diligência à sua vida! Diz o discípulo Tiago: “Entretanto, tornai-vos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, enganando-vos com falsos raciocínios.” — Tia. 1:22.

  • Será que verá de novo seus entes queridos falecidos?
    A Sentinela — 1968 | 15 de fevereiro
    • Será que verá de novo seus entes queridos falecidos?

      1. O que talvez respondam alguns quando se lhes perguntam se gostariam de ver retornarem os seus entes queridos falecidos, e, por que esse seria um ponto de vista errado?

      TODOS nós perdemos na morte certas pessoas a quem amávamos e que nos amavam. A maioria de nós deseja grandemente vê-las de novo, mas, ao pensar nesta idéia de retornarem, talvez balancemos a cabeça e digamos: “Bem, dum ponto de vista egoísta, gostaria de vê-las de volta, mas, quando penso em toda a dificuldade que teriam de suportar e daí morrer de novo, diria: ‘Não, deixemo-las descansar.” Arrazoando dum ponto de vista estritamente humano, estaríamos certos; todavia, estaríamos completamente errados porque desperceberíamos aquilo que Aquele que concebeu a idéia da ressurreição nos diz a respeito dos propósitos, das condições e das circunstâncias da ressurreição.

      2. Em vista de nosso conhecimento de como as pessoas têm vivido e tendo presente as doutrinas das religiões do mundo, que efeito pareceria isso ter sobre nossas oportunidades de ver de novo nossos entes queridos falecidos?

      2 Alguns daqueles a quem amamos tentaram viver vidas cristãs; outros não. Alguns que não professavam nenhuma religião, foram, todavia, honestos e decentes e demonstraram excelentes qualidades. Todos foram imperfeitos e, em maior ou menor grau, demonstraram más qualidades. Com respeito à ressurreição, a idéia perturbadora surge de que talvez haja categorias ou lugares diferentes em que os mortos estão, tais como o purgatório, o inferno de fogo, o limbo, o nirvana, um mundo de sombras

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