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    • SEBA

      Filho de Bicri, um benjamita, e um dos que perderam a vida numa revolta contra Davi. (2 Sam. 20:1, 2) Na ocasião em que Davi voltava para Jerusalém, depois da rebelião promovida por Absalão, Seba, “um homem imprestável”, captou a má vontade de dez das tribos para com os homens de Judá, a tribo de Davi. (2 Sam. 19:40-43) Seba atiçou as chamas desta amargura, afirmando que as demais tribos não tinham nenhum “quinhão em Davi”, e instando: “Cada um aos seus deuses.” Os homens de Judá se apegaram ao rei, mas “todos os homens de Israel” desertaram de Davi para seguir a Seba. Um dos motivos por trás desta rebelião pode ter sido o de trazer de novo à tribo de Benjamim parte do destaque que ela possuía sob Saul.

      Davi disse a seu general, Amasa, que juntasse os homens de Judá para a batalha, em questão de três dias, a fim de sufocar a insurreição de Seba. Quando Amasa não apareceu a tempo, o rei mandou Abisai perseguir o fugitivo Seba (embora pareça que Joabe, irmão de Abisai, realmente liderasse a perseguição). Seba e seus parentes apoiadores fugiram por todo o caminho ao N até Abel de Bete-Maacá, uma cidade fortificada de Naftali. Os perseguidores sitiaram a cidade e começaram a minar a sua muralha. Daí, uma mulher sábia da cidade conversou com Joabe, solicitando a paz. Joabe respondeu que o exército se retiraria caso a cidade entregasse o rebelde Seba. Ao ouvir isto, o povo da cidade decepou a cabeça de Seba e a lançou por sobre a muralha da cidade, para Joabe. — 2 Sam. 20:1-8, 13-22.

  • Semeador, Semear
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    • SEMEADOR, SEMEAR

      O antigo método de semear era, em geral, por “sementeira à mão”. O semeador levava a semente do cereal numa dobra de sua veste, ou num receptáculo. Dispersava a semente à sua frente, com a mão, num longo movimento de varredura que ia do depósito das sementes até o lado oposto. Na Palestina, a época de semeadura se estendia de cerca de outubro até a primeira parte de março, dependendo da espécie de semente que se semeava.

      ESSENCIAL A BÊNÇÃO DE JEOVÁ SOBRE O SEMEADOR

      Jeová é Aquele que fornece a semente e o processo de crescimento, bem como a luz solar e a chuva, por meio das quais o campo produz muitas vezes mais a quantidade que é plantada. (2 Sam. 23:3, 4; Isa. 55:10) Toda a humanidade, quer os justos, quer os iníquos, recebe assim benefícios do Criador. (Mat. 5:45; Atos 14:15-17) Não obstante, uma vez que Jeová Deus não exerce em geral um controle específico sobre os fatores que tornam possível o crescimento, pessoas iníquas, às vezes, podem ter uma colheita abundante, ao passo que pessoas justas, por experimentarem condições desfavoráveis, podem sofrer uma safra reduzida. — Compare com Jó 21:7-24.

      Por outro lado, quando se enquadra em seu propósito, Jeová pode abençoar o semeador e propiciar-lhe abundantes colheitas, ou pode provocar a escassez de frutos, dependendo da fidelidade e da obediência do semeador a Ele. A título de exemplo, Jeová determinou fazer de Israel uma nação grande e numerosa na Terra Prometida, assim, ele abençoou de forma abundante seus servos obedientes. Quando Isaque estava morando temporariamente em Canaã, muito embora os naturais daquela terra o fustigassem, Jeová o abençoou, de modo que sua semeadura resultou numa colheita de cem medidas por uma medida específica que havia semeado. — Gên. 26:12.

      A condição espiritual de Israel determinava a espécie de colheita que eles obtinham. Jeová lhes disse, antes de entrarem na Terra Prometida: “Se continuardes a andar nos meus estatutos e a guardar os meus mandamentos, e deveras os cumprirdes, . . . vossa debulha há de alcançar a vossa vindima e a vindima alcançará a sementeira.” As safras seriam tão abundantes que a colheita não estaria terminada antes da época de se semear a seguinte safra. (Compare com Amós 9:13.) Por outro lado, Deus avisou-os: “Se não me escutardes, nem cumprirdes todos estes mandamentos, . . . semeareis simplesmente em vão a vossa semente, visto que os vossos inimigos certamente a comerão.” E adicionou: “Vossa terra não dará sua produção.” — Lev. 26:3-5, 14-16, 20; compare com Jeremias 12:13; Ageu 1:6.

      Não se permitia a mistura de diferentes sementes na semeadura, embora diferentes espécies de sementes pudessem ser semeadas, cada espécie em lugares separados do mesmo campo. (Lev. 19:19; Isa. 28:25) Isto pode ter visado manter os israelitas cônscios de sua separação e diferenciação como o povo de Deus, sob a Sua Realeza. Caso um israelita violasse esta lei, misturando duas espécies de sementes, o inteiro produto de seu campo ou de seu vinhedo se tornava algo “devotado”. Por conseguinte, era confiscado para o santuário. — Deut. 22:9; compare com Levítico 27:28; Números 18:14.

      EMPREGO ILUSTRATIVO

      Ilustrando os cuidados e a bênção de Jeová para com o restante que voltou de Babilônia, o salmista escreveu: “Os que semeiam com lágrimas ceifarão com clamor jubilante. Aquele que sem falta sair, mesmo chorando, carregando uma bolsa cheia de semente, sem falta entrará com clamor jubilante, carregando seus feixes.” (Sal. 126:1, 5, 6) Os que retornaram de Babilônia ficaram felicíssimos com sua libertação, mas talvez tenham chorado ao semearem suas sementes no solo desolado que não tinha sido trabalhado durante setenta anos. Todavia, Jeová os tinha reajuntado por causa do Seu nome, e aqueles que prosseguiram com a semeadura e o trabalho de reconstrução usufruíram os frutos de seus labores. Por algum tempo, quando a construção do templo foi paralisada, Jeová reteve os frutos da terra, mas, mediante os profetas Ageu e Zacarias, o povo foi novamente estimulado à atividade, e obteve o favor de Deus. — Ageu 1:6, 9-11; 2:15-19.

      Jeová emprega o processo de semeadura e de crescimento para ilustrar a garantida efetividade de sua palavra. (Isa. 55:10, 11) Jesus Cristo assemelhou a semeadura à pregação da palavra, as boas novas do Reino. Ele era o Semeador das verdades do Reino, e João, o Batizador, também tinha trabalhado qual semeador. Os discípulos de Jesus foram enviados para ceifar os campos que tinham sido semeados e estavam brancos para a colheita. Por conseguinte, ele lhes disse: “Desde já o ceifeiro está recebendo salário e está ajuntando fruto para a vida eterna, para que o semeador e o ceifeiro se alegrem juntos. . . . Um é o semeador e outro o ceifeiro. Eu vos mandei ceifar aquilo em que não labutastes. Outros labutaram [em semear], e vós entrastes no proveito do seu labor [pela colheita].” — João 4:35-38.

      De novo, Jesus assemelhou a obra de pregação à semeadura, na ilustração do semeador. Nesta parábola, ele indicou que as condições sob as quais a semente é semeada podem influir na germinação e no crescimento da semente nos corações dos homens. — Mat. 13:1-9, 18-23; Luc. 8:5-15.

      Em outra ilustração, Jesus se assemelhou a um semeador de semente excelente, e a semente aos “filhos do reino”. Outro semeador, um inimigo que semeia joio no campo, é o Diabo. Aqui ele, evidentemente, predizia a vinda duma apostasia, quando, dentro da congregação cristã, e em seu meio, haveria homens que afirmariam falsamente ser servos de Deus e tentariam macular a congregação e afastar os discípulos. — Mat. 13:24-30, 36-43; compare com Atos 20:29; 2 Coríntios 11:12-15; 2 Tessalonicenses 2:3-9; 1 Timóteo 4:1; 2 Timóteo 4:3, 4; 2 Pedro 2:1-3.

      Assim como um lavrador semeia em paz a sua semente, assim as boas novas são semeadas em paz, e não com brigas, contendas, tumultos e o emprego da força. E os homens que fazem tal semeadura são homens pacíficos, e não briguentos, beligerantes ou provocadores de tumultos. Por conseguinte, na congregação cristã devem prevalecer condições pacíficas, a fim de que sua semeadura produza os frutos da justiça. — Tia. 3:18.

      O apóstolo Paulo, após enumerar os frutos do espírito e as obras da carne, e admoestar cada um a provar qual era sua própria obra, disse: “Não vos deixeis desencaminhar: De Deus não se mofa. Pois, o que o homem semear, isto também ceifará; porque aquele que semeia visando a sua carne, ceifará da carne corrupção, mas aquele que semeia visando o espírito, ceifará do espírito vida eterna.” — Gál. 5:19-23; 6:4, 7, 8.

      Um exemplo de se semear visando a carne, com seus resultados, foi citado por Paulo em Romanos 1:24-27. Outros exemplos foram o da pessoa incestuosa, na congregação de Corinto, que praticava coisas carnais impuras, e também o de Himeneu e Alexandre, que promoviam o ensino impuro e a blasfêmia, e que foram entregues a Satanás “para a destruição da carne”. — 1 Cor. 5:1, 5; 1 Tim. 1:20; 2 Tim. 2:17, 18.

      Para obter uma explanação da semeadura mencionada em Isaías 28:24, com seu significado ilustrativo, veja ARAR (LAVRAR).

  • Semente (Descendente)
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    • SEMENTE (DESCENDENTE)

      [Heb. , zéra‘; gr. , spérma].

      Estes vocábulos hebraico e grego ocorrem muitas vezes nas Escrituras, tendo os seguintes empregos ou aplicações: (a) agrícolas e botânicos, (b) fisiológicos, (c) metafóricos, equivalendo a “descendente”, “descendência”. A economia de Israel era primariamente agrícola, por isso, muita coisa se diz a respeito do semear, plantar e colher, e o termo “semente” é mencionado com freqüência, o primeiro caso ocorrendo no relato sobre o terceiro dia criativo da Terra. — Gên. 1:11, 12, 29.

      O termo hebraico zéra‘ é empregado num sentido fisiológico em Levítico 15:16-18; 18:20, referindo-se à emissão de sêmen. Em Levítico 12:2, a forma causativa do verbo zará‘ (“fazer semear”) é vertida em muitas traduções pelas expressões, em português, “conceber” (Al; BV; IBB; LEB; PIB) ou “tiver o seu parto” (VB). Em Números 5:28, uma forma passiva de zará‘ aparece junto com zéra‘ e é traduzida “feita grávida por sêmen” (NM); “semeada com semente” (Young, em inglês); “ficará grávida” (ABV).

      Na maioria dos casos em que a palavra zéra‘ ocorre na Bíblia, é empregada com referência à descendência ou posteridade. Em Gênesis 7:3 este termo designa a prole ou descendência de animais. A descendência humana (de Noé) é mencionada em Gênesis 9:9; a da mulher Agar em Gênesis 16:10. Deus ordenou que Abraão e sua ‘descendência’ natural fossem circuncidados como sinal do pacto que Deus estava firmando com eles. — Gên. 17:7-11.

      A palavra grega spérma é empregada nas mesmas aplicações que a hebraica zéra‘. (Compare com Mateus 13:24; 1 Coríntios 15:38; Hebreus 11:11; João 7:42.) Jesus Cristo empregou a palavra relacionada spóros, “coisa semeada”, para simbolizar a palavra de Deus. — Luc. 8:11.

      UM SEGREDO SAGRADO

      Na ocasião em que Deus julgou a Adão e Eva, ele proferiu uma profecia que deu esperanças aos descendentes deles, afirmando à serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” (Gên. 3:15) Desde o início, a identidade do “descendente” prometido constituía um segredo sagrado de Deus.

      Esta declaração profética revelava que haveria um libertador que destruiria aquele que realmente era representado pela serpente, a saber, a grande serpente e o grande inimigo de Deus, Satanás, o Diabo. (Rev. 12:9) Também indicava que o Diabo teria um “descendente”. Era preciso tempo para que os dois descendentes fossem produzidos e para que criassem inimizade entre si.

      O ‘descendente da serpente’

      O descendente da serpente no decorrer dos séculos consistia nos que tinham o espírito do Diabo, que odiavam a Deus e combatiam o povo de Deus, e incluía, especialmente, as pessoas religiosas que afirmavam servir a Deus, mas que eram, na realidade, falsas e hipócritas. Jesus identificou os líderes religiosos judeus de seus dias como parte do descendente da serpente. — Mateus 23:33; João 8:44; 1 João 3:10-12.

      O ‘descendente da mulher’ é espiritual

      O prometido ‘descendente da mulher’ teria de ser mais do que um humano a fim de ‘machucar a cabeça’ do inimigo espiritual, da pessoa angélica — o Diabo. O “descendente” teria de ser poderosa pessoa espiritual. Todavia este Descendente deveria percorrer uma trajetória terrestre. Predisse-se que o “descendente” prometido viria por intermédio de Abraão. — Gên. 15:5; 22:15-18.

      Predita uma única pessoa

      Ao falar da descendência de Abraão e de outros, tanto o termo hebraico como o grego acham-se no singular, geralmente se referindo a tal descendente em sentido coletivo. Parece existir uma forte razão para que se empregasse tantas vezes o termo coletivo zéra‘, “descendente” (ou, “descendência”), em vez de a palavra estritamente plural baním, “filhos” (seu singular sendo ben), referente à posteridade de Abraão. O apóstolo Paulo indica isto ao explicar que, quando Deus mencionou as bênçãos que haviam de vir mediante o descendente de Abraão, ele se referia, primariamente, a uma única pessoa, a saber, a Cristo. Afirma Paulo: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente. Não [se] diz [ou, ele não diz]: ‘E a descendentes [Gr., spérmasin)’, como no caso de muitos, mas como no caso de um só: ‘E a teu descendente [Gr., spérmati]’, que é Cristo.” — Gál. 3:16, NM, nota da ed. 1950, em inglês.

      Alguns peritos objetam à declaração de Paulo a respeito do emprego do singular e do plural de “descendente” (“semente”, Tr; VB; veja PIB, nota). Indicam que, em hebraico, a palavra para “semente” (zéra‘), quando usada na acepção de posteridade, jamais muda de forma, assemelhando-se, neste emprego, à palavra portuguesa ônibus (ou, vírus). Também, os verbos e adjetivos acompanhantes não indicam, em si, se se tenciona empregar a palavra hebraica para “semente” no singular ou no plural. Ao passo que isto acontece, existe outro fator que demonstra que a explicação de Paulo era exata, tanto gramatical como doutrinalmente. Explicando este fator, a Cyclopædia (Ciclopédia; Vol. IX, p. 506) de M’Clintock e Strong declara: “Em relação com os pronomes, a construção é inteiramente diferente de ambos os precedentes [isto é, os verbos e os adjetivos empregados junto com a palavra “semente”]. Um pronome singular [empregado junto com zéra‘] assinala um indivíduo, apenas um único, ou um dentre muitos; ao passo que o pronome plural representa todos os descendentes. Esta regra é seguida invariavelmente pela Sept[uaginta]. . . . Pedro entendia esta construção, pois verificamos que ele infere uma semente singular de Gên. xxii, 17, 18, ao falar aos judeus naturais na cidade de Jerusalém, antes da conversão de Paulo (Atos iii, 26), assim como Davi dera o exemplo mil anos antes (Sal. lxxii, 17).”

      Adicionalmente, esta obra de referência afirma: “A distinção feita por Paulo não é entre uma semente e outra, mas entre uma semente e as muitas; e, se considerarmos que cita a mesma passagem que Pedro [supracitado], seu argumento é razoavelmente apoiado pelo pronome ‘os inimigos dele [e não deles]’. Semente, com o pronome no singular, é o equivalente exato de filho.”

      Empregando uma ilustração em português, a expressão “minha descendência” poderia referir-se a uma ou a muitas pessoas. Mas se depois de tal expressão, a descendência pudesse ser mencionada como “ele”, tornar-se-ia evidente que se tinha presente um único filho ou descendente.

      A promessa feita a Abraão, de que todas as famílias da Terra se abençoariam em seu “descendente”, não poderia ter incluído todos os descendentes de Abraão como sendo seu “descendente”, uma vez que a prole de seu filho Ismael e também dos seus filhos com Quetura não foram utilizados para abençoar a humanidade. O descendente de bênção veio por intermédio de Isaque. “O que será chamado teu descendente será por intermédio de Isaque”, disse Jeová. (Gên. 21:12; Heb. 11:18) Esta promessa foi subseqüentemente estreitada ainda mais quando, dentre os dois filhos de Isaque — Jacó e Esaú — Jacó foi especialmente abençoado. (Gên. 25:23, 31-34; 27:18-29, 37; 28:14) Ademais, Jacó limitou o assunto por mostrar que o ajuntamento do povo seria a Siló (“aquele de quem é”) da tribo de Judá. (Gên. 49:10) Daí, dentre toda a Judá, o vindouro descendente se restringiria à linhagem de Davi. (2 Sam. 7:12-16) Este afunilamento foi observado pelos judeus no primeiro século EC, os quais realmente procuravam que uma única pessoa viesse como o Messias ou Cristo, como libertador (João 1:25; 7:41, 42), muito embora também julgassem que eles, como descendentes ou semente de Abraão, seriam o povo favorecido, e, como tais, filhos de Deus. — João 8:39-41.

      Uma ampliação

      Depois de o anjo de Jeová ter impedido Abraão de realmente sacrificar seu filho Isaque, o anjo bradou para Abraão: “‘Juro deveras por mim mesmo’, é a pronunciação de Jeová, ‘que, pelo fato de que fizeste esta coisa e não me negaste teu filho, teu único, seguramente te abençoarei e seguramente multiplicarei o teu descendente como as estrelas dos céus e como os grãos de areia que há à beira do mar; e teu descendente tomará posse do portão dos seus inimigos. E todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente.’” — Gên. 22:16-18.

      Se esta promessa de Deus havia de cumprir- se numa semente espiritual, então isto indicaria que outros seriam acrescentados ao descendente primário. E o apóstolo Paulo explica que isto realmente se dá. Argumenta que, por meio de promessa, e não por lei, deu-se a Abraão a herança. A Lei foi simplesmente acrescentada para tornar manifestas as transgressões, “até que chegasse o descendente”. (Gál. 3:19) Segue-se, então, que a promessa foi garantida para todos os seus descendentes, “não somente ao que adere à Lei, mas também ao que adere à fé que Abraão teve”. (Rom. 4:16) As palavras de Jesus Cristo aos judeus que se lhe opunham foram: “Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão”, indicam que, não os que descendem de modo carnal, mas os que possuem a fé que Abraão possuía é que são considerados, por Deus, como descendentes de Abraão. (João 8:39) O apóstolo torna isto bem específico, ao dizer: “Além disso, se pertenceis a Cristo, sois realmente descendentes de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa.” — Gál. 3:29: Rom. 9:7, 8.

      Por conseguinte, a promessa de Deus: “Seguramente multiplicarei o teu descendente como as estrelas dos céus e como os grãos de areia que há à beira do mar”, tem um cumprimento espiritual e significa que outros, que ‘pertencem a Cristo’, são acrescentados como parte do descendente de Abraão. (Gên. 22:17; Mar. 9:41; 1 Cor. 15:23) Deus não revelou o número deles, mas o deixou indeterminado para o homem, assim como o é o número das estrelas e dos grãos de areia. Não foi senão por volta de 96 EC, na Revelação (Apocalipse) dada ao apóstolo João, que Ele revelou que o Israel (espiritual), os “selados” com o espírito de Deus, o qual é um penhor da herança celeste deles, totaliza 144.000 pessoas. — Efé. 1:13, 14; Rev. 7:4-8; 2 Cor. 1:22; 5:5; veja SEGREDO SAGRADO.

      A chegada do “Descendente”

      Jesus, conforme se demonstrou, é o “descendente” primário. No entanto, não era o ‘descendente da mulher’, a “Jerusalém de cima”, por ocasião de seu nascimento humano. Na verdade, era o descendente natural de Abraão, por meio de sua mãe, Maria; era da tribo de Judá; e, tanto de forma natural, por meio de Maria, como de forma legal, mediante José, seu padrasto, era da linhagem de Davi. (Mat. 1:1, 16; Luc. 3:23, 31, 33, 34) Assim, Jesus estava habilitado, de acordo com as promessas proféticas.

      Mas, não foi senão depois de Jesus ser gerado pelo espírito, tornando-se assim filho espiritual de Deus, que ele se tornou o ‘descendente da mulher’, e o descendente que há de abençoar todas as nações. Isto se deu por ocasião de seu batismo, feito por João, no rio Jordão, em 29 EC. Jesus tinha então cerca de 30 anos. O espírito santo, ao descer sobre Jesus, manifestou-se a João em forma duma pomba, e o próprio Deus nesse instante reconheceu a Jesus como sendo seu Filho. — Mat. 3:13-17; Luc. 3:21-23; João 3:3.

      O acréscimo ao “descendente” associado, a congregação, começou a ocorrer por ocasião do derramamento do espírito santo no dia de Pentecostes de 33 EC. Jesus tinha ascendido ao céu, para a presença de seu Pai, e tinha enviado o espírito santo para estes seus primeiros seguidores, incluindo os doze apóstolos. (Atos 2:1-4, 32, 33) Atuando qual Sumo Sacerdote segundo a maneira de Melquisedeque, ele prestou ali grande ‘auxílio’ ao descendente de Abraão. — Heb. 2:16.

      Inimizade entre os dois descendentes

      A grande serpente, Satanás, o Diabo, produziu um “descendente” que tem manifestado a mais amarga inimizade contra os que servem a Deus com fé, como Abraão, conforme testifica de forma plena o registro da Bíblia. Ele tem tentado bloquear ou impedir o desenvolvimento desse descendente. (Compare com Mateus 13:24-30.) Esta inimizade atingiu seu ápice, contudo, na perseguição movida contra o descendente espiritual, especialmente a que foi demonstrada para com Jesus Cristo. (Atos 3:13-15) Paulo se refere ao drama profético qual ilustração, afirmando: “Assim como então aquele nascido na maneira da carne [Ismael] começou a perseguir o nascido na maneira do espírito [Isaque], assim também é agora.” (Gál. 4:29) E, um relato posterior, tratando-se em realidade duma profecia, descreve o estabelecimento do Reino no céu e a expulsão do Diabo do céu para baixo, para a Terra, tendo ele, o Diabo, pouco tempo para prosseguir com sua inimizade. Conclui o relato: “E o dragão ficou furioso com a mulher e foi travar guerra com os remanescentes da sua semente, que observam os mandamentos de Deus e têm a obra de dar testemunho de Jesus.” (Rev. 12:7-13, 17) Esta guerra contra o restante do descendente da mulher termina quando ‘Satanás é esmagado debaixo dos pés deles’. — Rom. 16:20.

      Abençoando todas as famílias da Terra

      Jesus Cristo, o Descendente, trouxe grandes bênçãos às pessoas de coração honesto por meio de seus ensinos e através da orientação que tem dado à sua congregação desde Pentecostes. Mas, a partir do início de seu reinado milenar, seus “irmãos” espirituais, ressuscitados e compartilhando com ele de seu governo do Reino, serão também subsacerdotes junto com ele. (Rev. 20:4-6) Na ocasião em que “os mortos, os grandes e os pequenos”, se puserem de pé diante do trono para serem julgados, aqueles que exercerem fé e obediência ‘abençoarão a si mesmos’, obtendo a vida por meio do descendente de Abraão. (Rev. 20:11-13; Gên. 22:18) Isto significará vida eterna e felicidade para eles. — João 17:3; compare com Revelação 21:1-4.

      A ressurreição do “Descendente”

      Ao explicar a ressurreição do Descendente, Jesus Cristo, o apóstolo Pedro escreve que Jesus foi “morto na carne, mas vivificado no espírito”. (1 Ped. 3:18) Seu co-apóstolo, Paulo, ao tratar do assunto da ressurreição dos associados de Cristo, baseia-se numa ilustração agrícola. Argumenta ele: “Aquilo que semeias não é vivificado a menos que primeiro morra; e, quanto ao que semeias, semeias, não o corpo que se há de desenvolver, mas o mero grão, seja de trigo ou de qualquer dos outros; mas Deus lhe dá um corpo assim como lhe agrada, e a cada uma das sementes o seu próprio corpo. . . . Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se em corrupção, é levantado em incorrupção. Semeia-se em desonra, é levantado em glória. Semeia-se corpo físico, é levantado corpo espiritual.” (1 Cor. 15:36-44) Os que compõem o ‘descendente da mulher’ — o “descendente de Abraão” — por conseguinte, morrem, deixando corpos terrestres de carne corruptível, e são ressuscitados com corpos gloriosos e incorruptíveis.

      Semente reprodutiva incorruptível

      O apóstolo Pedro fala a seus irmãos espirituais a respeito de lhes ser dado “um novo nascimento para uma esperança viva por intermédio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, e imaculada, e imarcescível.” Afirma ele: “Ela está reservada nos céus para vós.” Traz à atenção deles que não foi com coisas corruptíveis, tais como prata e ouro, que foram livrados, mas foi com o sangue de Cristo. Depois disto, declara: “Pois recebestes um novo nascimento, não por semente reprodutiva corruptível, mas por incorruptível, por intermédio da palavra do Deus vivente e permanecente.” Aqui a palavra “semente” é o vocábulo grego sporá, o que indica a semente semeada, daí, em condição de ser reprodutiva. — 1 Ped. 1:3, 4, 18, 19, 23.

      Desta maneira, Pedro recorda a seus irmãos a relação deles como filhos, não de um pai humano que morre e que não lhes pode legar a incorruptibilidade, nem a vida eterna, mas sim do “Deus vivente e permanecente”. A semente incorruptível por meio da qual obtêm este novo nascimento é o espírito santo de Deus, sua força ativa, trabalhando em conjunto com a palavra permanecente de Deus, que, em si, é inspirada pelo espírito. O apóstolo João afirma igualmente a respeito de tais pessoas geradas pelo espírito: “Todo aquele que nasceu de Deus não está praticando pecado, porque a Sua semente reprodutiva permanece em tal, e ele não pode praticar pecado, porque nasceu de Deus.” — 1 João 3:9.

      Este espírito neles opera para gerar um novo nascimento como filhos de Deus. Trata-se duma força a favor da pureza, e produz os frutos do espírito, e não as corruptas obras da carne. Aquele que possui tal semente reprodutiva em si, por conseguinte, não seguirá um proceder de praticante das obras da carne. O apóstolo Paulo comenta este assunto: “Pois Deus nos chamou, não com uma concessão para a impureza, mas em conexão com a santificação. Assim, pois, quem mostra falta de consideração, não desconsidera o homem, mas a Deus, que pôs em vós o seu espírito santo.” — 1 Tes. 4:7, 8.

  • Seminite
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • SEMINITE

      [Heb., sheminíth].

      Embora o significado literal deste termo musical seja “a oitava”, o seu sentido exato é incerto. É possível que se refira a determinado registro musical, ou modo, um inferior, e, se quaisquer instrumentos musicais estavam relacionados com o termo, provavelmente seriam os utilizados para tocar os tons graves da escala diatônica.

      Em 1 Crônicas 15:21 mencionam-se harpas como sendo “afinadas segundo Seminite [‘possivelmente se referindo à oitava chave, ou à oitava, uma oitava inferior’, nota da NM, ed. 1955, em inglês; ‘certamente a oitava inferior’, nota da PIB]”. De forma coerente, as epígrafes dos Salmos 6 e 12 (ambos os salmos tendo caráter melancólico) rezam: “Ao regente, em instrumentos de corda, na oitava inferior [sheminíth]“, o que pode indicar que tais cânticos seriam acompanhados por música tocada num registro inferior, sendo cantados em conformidade com isso.

  • Senaqueribe
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • SENAQUERIBE

      [Sin (o deus-lua) multiplicou os irmãos; ou, que Sin substitua os irmãos (perdidos)].

      Filho de Sargão II e rei da Assíria. Herdou de seu pai um império dotado de grande força, mas viu-se obrigado a gastar a maior parte de seu reinado em subjugar revoltas, notadamente com relação à cidade de Babilônia.

      Senaqueribe parece ter servido como governador ou general na região setentrional da Assíria durante o reinado de seu pai. Depois de sua ascensão ao trono, esta região, como é evidente, lhe causou poucos problemas, as suas dificuldades se originando mormente do S e do O. O caldeu Merodaque-Baladã (Isa. 39:1), abandonando seu refúgio no Elão — a que o pai de Senaqueribe, Sargão, o havia relegado — proclamou-se então rei de Babilônia. Senaqueribe marchou contra ele e seus aliados elamitas, derrotando-os em Quis. Contudo, Merodaque-Baladã escapou, ficando escondido por outros três anos. Senaqueribe penetrou em Babilônia e colocou Bel-Ibni no trono, como vice-rei. Outras expedições punitivas foram realizadas posteriormente para manter sob controle os povos nos países colinosos que cercavam a Assíria.

      Daí, no que Senaqueribe se refere como a sua “terceira campanha”, ele se dirigiu contra “Hatti”, termo que, evidentemente, se referia naquela época à Fenícia e à Palestina. Esta área fermentava num estado de rebelião geral contra o jugo assírio. Entre aqueles que rejeitavam tal domínio achava-se o Rei Ezequias, de Judá (2 Reis 18:7), embora não haja evidência alguma que mostre ter ele formado alguma coalizão com os outros reinos revoltosos.

      No décimo quarto ano de Ezequias (732 AEC), as forças de Senaqueribe avançaram impetuosamente para o O, capturando Sídon, Aczibe, Aco e outras cidades na costa fenícia, e então se dirigiram para o S. Os reinos assustados, incluindo os de Moabe, de Edom e de Asdode, são alistados como enviando então tributos para expressar sua submissão. A recalcitrante Ascalom foi tomada à força, junto com as cidades vizinhas de Jope e de Bete-Dagom. Uma inscrição assíria acusa o povo e os nobres da cidade filistéia de Ecrom de terem entregue o rei deles, Padi, a Ezequias, o qual, segundo Senaqueribe, “o manteve preso, ilicitamente”. (Compare com 2 Reis 18:8.) Descreve-se os habitantes de Ecrom como tendo feito uma petição ao Egito e à Etiópia para os ajudar a evitar ou a rechaçar o ataque assírio.

      O registro da Bíblia indica que, por volta dessa época, Senaqueribe atacou Judá, sitiando e capturando muitas de suas cidades e povoados fortificados. Ezequias mandou então um aviso ao Assírio, em Laquis, oferecendo-se a pagar a soma do tributo que Senaqueribe talvez impusesse. (2 Reis 18:13, 14) A captura de Laquis, por Senaqueribe, é apresentada num friso, que o mostra sentado no trono, diante da cidade derrotada, aceitando os despojos daquela cidade que lhe eram trazidos, ao passo que alguns cativos eram torturados.

      O relato bíblico não indica se o Rei Padi, caso tenha sido realmente um cativo de Ezequias, foi então liberto, mas mostra deveras que Ezequias pagou o tributo exigido por Senaqueribe, de 300 talentos de prata e trinta talentos de ouro. (2 Reis 18:14-16) Daí, contudo, Senaqueribe enviou uma comissão de três oficiais para concitar o rei e o povo de Jerusalém a capitularem diante dele e, por fim, a se submeterem a serem enviados ao exílio. A mensagem assíria era especialmente desdenhosa da confiança que Ezequias depositava em Jeová. Por meio de seu porta-voz, Senaqueribe jactava-se de que Jeová provar-se-ia tão impotente como tinham sido os deuses das terras que já tinham caído diante do poderio assírio. — 2 Reis 18:17-35.

      A comissão assíria voltou a Senaqueribe, que lutava então contra Libna, enquanto se ouvia “a respeito de Tiraca, rei da Etiópia: ‘Eis que ele saiu para lutar contra ti’”. (2 Reis 19:8, 9) As inscrições de Senaqueribe falam de uma batalha em Eltekeh (a alguns km ao N de Libna), na qual ele afirma ter derrotado um exército egípcio e as forças do “rei da Etiópia”. Ele então descreve sua conquista de Ecrom e a restauração que fez de Padi, já liberto, ao trono dali.

      JEOVÁ DESTRÓI A ELITE DO EXÉRCITO DELE

      Quanto a Jerusalém, embora Senaqueribe tivesse enviado cartas ameaçadoras avisando a Ezequias de que não tinha abandonado sua

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