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Justiça não por meio de tradições oraisA Sentinela — 1990 | 1.° de outubro
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Justiça não por meio de tradições orais
“Se a vossa justiça não abundar mais do que a dos escribas e fariseus, de modo algum entrareis no reino dos céus.” — MATEUS 5:20
1, 2. O que aconteceu pouco antes de Jesus proferir o Sermão do Monte?
JESUS passara a noite no monte. O céu estrelado estendia-se sobre a sua cabeça. Pequenos animais noturnos farfalhavam entre os arbustos. Para o leste, ouvia-se o suave marulho das águas do mar da Galiléia. Mas Jesus pouco podia atentar à serena e suave beleza que o cercava. Ele passara a noite em oração a seu Pai celestial, Jeová. Necessitava da orientação de seu Pai. O dia à frente era crucial.
2 Ao leste, o céu clareava. Pássaros se movimentavam, gorjeando suavemente. As flores silvestres balançavam de leve ao sabor da brisa. Quando os primeiros raios de sol surgiram no horizonte, Jesus chamou a si os seus discípulos e, dentre eles, escolheu 12 para serem seus apóstolos. Daí, junto com todos eles, passou a descer a encosta do monte. Já se viam as multidões, que afluíam da Galiléia, de Tiro e Sídon, da Judéia e de Jerusalém. Vieram para ser curadas de suas doenças. De Jesus saía poder de Jeová, ao passo que muitos tocavam nele e eram curados. Vieram também para ouvir as palavras de Jesus, que eram como bálsamo curativo para as suas almas aflitas. — Mateus 4:25; Lucas 6:12-19.
3. Por que estavam os discípulos e a multidão na expectativa quando Jesus começou a falar?
3 Nas suas sessões de ensino mais formais, os rabinos costumavam sentar-se, e foi isto o que Jesus fez, nesta específica manhã de primavera de 31 EC, aparentemente num lugar plano num ponto mais alto da encosta do monte. Quando seus discípulos e as multidões viram isso, sabiam que algo especial estava para acontecer, de modo que se reuniram em volta dele, na expectativa. Quando Jesus começou a falar, eles estavam curiosos quanto ao que iria dizer; quando algum tempo depois ele terminou, estavam assombrados pelo que ouviram. Vejamos o porquê. — Mateus 7:28.
Dois Tipos de Justiça
4. (a) Que dois tipos de justiça estavam em questão? (b) Qual era o objetivo das tradições orais, e foi ele atingido?
4 No seu Sermão do Monte, registrado em Mateus 5:1-7:29 e em Lucas 6:17-49, Jesus contrastou nitidamente duas classes: os escribas e fariseus, e o povo em geral, que eles oprimiam. Falou de dois tipos de justiça, a justiça hipócrita dos fariseus e a justiça verdadeira de Deus. (Mateus 5:6, 20) A autojustiça farisaica enraizava-se em tradições orais. Estas haviam começado no segundo século AEC como “cerca em volta da Lei”, para protegê-la contra as incursões do helenismo (cultura grega). Passaram a ser encaradas como parte da Lei. De fato, os escribas até mesmo consideravam as tradições orais como superiores à Lei escrita. Diz a Míxena: “Aplica-se maior rigidez à observância das palavras dos Escribas [suas tradições orais] do que à observância das palavras da Lei escrita.” Assim, em vez de serem “uma cerca em volta da Lei” para protegê-la, as tradições enfraqueceram a Lei e tornaram-na nula, como disse Jesus: “Jeitosamente pondes de lado o mandamento de Deus, a fim de reterdes a vossa tradição.” — Marcos 7:5-9; Mateus 15:1-9.
5. (a) Qual era a condição do povo que veio ouvir Jesus, e como era esse povo encarado pelos escribas e fariseus? (b) O que tornava as tradições orais uma carga tão pesada sobre os ombros dos trabalhadores?
5 O povo que acorreu para ouvir Jesus era espiritualmente pobre, tendo sido ‘esfolado e empurrado dum lado para outro como ovelhas sem pastor’. (Mateus 9:36) Com arrogante altivez os escribas e fariseus zombavam deles, chamando-os de ‘am-ha·’á·rets (povo da terra), e os desprezavam como pecadores ignorantes e amaldiçoados, indignos duma ressurreição porque não guardavam as tradições orais. Nos dias de Jesus, essas tradições haviam-se tornado tão extensas, um tão opressivo emaranhado de ninharias legalísticas — repleto de ritos cerimoniais que consumiam tempo — que tornavam impossível que um trabalhador as guardasse. Não é para menos que Jesus denunciasse as tradições como ‘cargas pesadas nos ombros dos homens’. — Mateus 23:4; João 7:45-49.
6. O que era tão surpreendente nas palavras iniciais de Jesus, e que mudança indicaram com relação a seus discípulos e aos escribas e fariseus?
6 Portanto, quando Jesus sentou-se na encosta do monte, os que se aproximaram para ouvir eram seus discípulos e as multidões espiritualmente famintas. Devem ter achado surpreendentes as suas palavras iniciais. ‘Felizes os pobres, felizes os famintos, felizes os que choram, felizes os odiados.’ Mas, como podem os pobres, os famintos, os que choram e os que são odiados ser felizes? E pronunciaram-se ais contra os ricos, os bem alimentados, os que riem e os que são admirados! (Lucas 6:20-26) Em poucas palavras, Jesus reverteu todas as avaliações costumeiras e os aceitos padrões humanos. Foi uma dramática reversão de posições, em harmonia com palavras posteriores de Jesus: “Todo o que se enaltecer será humilhado, mas quem se humilhar será enaltecido.” — Lucas 18:9-14.
7. Que efeito devem ter tido as palavras iniciais de Jesus sobre a multidão espiritualmente faminta que ouvia a Jesus?
7 Em contraste com os autoconfiantes escribas e fariseus, os que vieram a Jesus naquela manhã apercebiam-se de sua triste condição espiritual. As palavras iniciais de Jesus devem tê-los enchido de esperança: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o reino dos céus.” E quão enlevados devem ter-se sentido quando ele acrescentou: “Felizes os famintos e sedentos da justiça, porque serão saciados”! (Mateus 5:3, 6; João 6:35; Revelação [Apocalipse] 7:16, 17) Saciados de justiça, sim, mas não à maneira farisaica.
Não Basta Ser ‘Justo Perante os Homens’
8. Por que alguns talvez se perguntassem de que modo a sua justiça poderia exceder a dos escribas e fariseus, não obstante, por que tinha de excedê-la?
8 “Se a vossa justiça não abundar mais do que a dos escribas e fariseus”, disse Jesus, “de modo algum entrareis no reino dos céus”. (Mateus 5:17-20; veja Marcos 2:23-28; 3:1-6; 7:1-13.) Alguns devem ter pensado: ‘Mais justos do que os fariseus? Eles jejuam, oram, pagam o dízimo, dão esmolas e passam a vida estudando a Lei. Como é que a nossa justiça poderia suplantar a deles?’ Mas, tinha de ser mais abundante. Os fariseus talvez fossem tidos em alta conta pelos homens, mas não por Deus. Noutra ocasião, Jesus disse a esses fariseus: “Vós sois os que vos declarais justos perante os homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque aquilo que é altivo entre os homens é uma coisa repugnante à vista de Deus.” — Lucas 16:15.
9-11. (a) Qual era uma das maneiras pelas quais os escribas e os fariseus pensavam granjear uma posição justa perante Deus? (b) Por meio de que segunda maneira esperavam eles granjear justiça? (c) Qual era a terceira maneira com que contavam, e que palavras do apóstolo Paulo condenaram isso ao fracasso?
9 Os rabinos haviam inventado as suas próprias regras para granjear justiça. Uma era o mérito por descender de Abraão: “Os discípulos de Abraão, nosso Pai, usufruem este mundo e herdam o mundo por vir.” (Míxena) Possivelmente foi para refutar essa tradição que João, o Batizador, alertou os fariseus que o procuraram: “Produzi, pois, fruto próprio do arrependimento; e não presumais dizer a vós mesmos: ‘Temos por pai a Abraão [como se isso bastasse].’” — Mateus 3:7-9; veja também João 8:33, 39.
10 Uma segunda maneira de granjear justiça, diziam eles, era por dar esmolas. Dois livros apócrifos, escritos por judeus devotos durante o segundo século AEC, refletem o conceito tradicional. Uma das declarações nesse teor aparece em Tobias: “A esmola livra da morte e purifica de todo pecado.” (12:9, A Bíblia de Jerusalém) O Livro de Sirac (Eclesiástico) concorda: “A água apaga a chama, a esmola expia os pecados.” — 3:30, BJ.
11 A terceira maneira de buscarem justiça era por meio de obras da Lei. Suas tradições orais ensinavam que se as ações de um homem fossem na maior parte boas, ele seria salvo. O julgamento “é segundo o excedente de obras, boas ou más”. (Míxena) Para terem um julgamento favorável, a preocupação deles era “conquistar méritos que sobrepujassem os pecados”. Se as obras boas de um homem excedessem às más, nem que fosse por uma só, ele seria salvo — como se Deus julgasse à base de uma contabilização de suas insignificantes atividades! (Mateus 23:23, 24) Apresentando o ponto de vista correto, Paulo escreveu: “Por obras de lei, nenhuma carne será declarada justa diante [de Deus].” (Romanos 3:20) Certamente, a justiça cristã deve ser mais abundante do que a dos escribas e fariseus!
“Ouvistes Que Se Disse”
12. (a) Que mudança na sua maneira costumeira de introduzir referências às Escrituras Hebraicas fez Jesus no seu Sermão do Monte, e por quê? (b) O que aprendemos do sexto uso da expressão “ouvistes que se disse”?
12 Quando Jesus anteriormente citava das Escrituras Hebraicas, ele dizia: “Está escrito.” (Mateus 4:4, 7, 10) Mas, seis vezes no Sermão do Monte, ele apresentou o que parecia ser declarações das Escrituras Hebraicas, com as palavras: “Ouvistes que se disse.” (Mateus 5:21, 27, 31, 33, 38, 43) Por quê? Porque referia-se às Escrituras conforme eram interpretadas à luz de tradições farisaicas que contradiziam os mandamentos de Deus. (Deuteronômio 4:2; Mateus 15:3) Isto fica evidente na sexta e última referência de Jesus nesta série: “Ouvistes que se disse: ‘Tens de amar o teu próximo e odiar o teu inimigo.’” Mas, nenhuma lei mosaica dizia: “Odeia o teu inimigo.” Os escribas e fariseus eram quem o dizia. Esta era a interpretação deles da lei de amar o próximo — o próximo judeu, não outros.
13. Como alerta Jesus contra até mesmo o início de conduta que poderia levar ao assassinato de fato?
13 Considere agora a primeira dessa série de seis declarações. Jesus disse: “Ouvistes que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não deves assassinar; mas quem cometer um assassínio terá de prestar contas ao tribunal de justiça.’ No entanto, digo-vos que todo aquele que continuar furioso com seu irmão terá de prestar contas ao tribunal de justiça.” (Mateus 5:21, 22) A ira no coração pode levar à linguagem abusiva e, daí, a julgamentos condenatórios, e pode, por fim, levar ao próprio ato de assassinato. Prolongada ira alimentada no coração pode ser mortífera: “Todo aquele que odeia seu irmão é homicida.” — 1 João 3:15.
14. Como aconselhou Jesus a nem mesmo iniciarmos a trajetória que leva ao adultério?
14 Jesus disse a seguir: “Ouvistes que se disse: ‘Não deves cometer adultério.’ Mas eu vos digo que todo aquele que persiste em olhar para uma mulher, a ponto de ter paixão por ela, já cometeu no coração adultério com ela.” (Mateus 5:27, 28) Está decidido a não cometer adultério? Então, nem mesmo inicie essa trajetória por entreter pensamentos a respeito disso. Resguarde seu coração, que é onde tais coisas se originam. (Provérbios 4:23; Mateus 15:18, 19) Tiago 1:14, 15 alerta: “Cada um é provado por ser provocado e engodado pelo seu próprio desejo. Então o desejo, tendo-se tornado fértil, dá à luz o pecado; o pecado, por sua vez, tendo sido consumado, produz a morte.” Às vezes, se diz: ‘Não comece o que você não pode terminar.’ Mas, neste caso, devemos dizer: ‘Não comece o que você não pode parar.’ Alguns, que foram fiéis mesmo quando ameaçados de morte perante um pelotão de fuzilamento, acabaram sucumbindo ao insidioso engodo da imoralidade sexual.
15. De que modo a posição de Jesus sobre o divórcio diferia completamente da posição adotada nas tradições orais dos judeus?
15 Chegamos agora à terceira declaração de Jesus. Ele disse: “Outrossim, foi dito: ‘Quem se divorciar de sua esposa, dê-lhe certificado de divórcio.’ No entanto, eu vos digo que todo aquele que se divorciar de sua esposa, a não ser por causa de fornicação, expõe-na ao adultério, e quem se casar com uma mulher divorciada [isto é, divorciada por razões que não sejam a imoralidade sexual] comete adultério.” (Mateus 5:31, 32) Alguns judeus agiam traiçoeiramente para com suas esposas e divorciavam-se delas pelas mais triviais razões. (Malaquias 2:13-16; Mateus 19:3-9) As tradições orais permitiam que o homem se divorciasse de sua esposa “mesmo se ela estragasse uma comida” ou “se ele encontrasse uma [mulher] mais bonita do que ela”. — Míxena.
16. Que costume judaico tornava sem sentido a prática de juramentos, e que posição tomou Jesus?
16 Numa linha de raciocínio similar, Jesus prosseguiu: “Novamente, ouvistes que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não deves jurar sem cumprir‘. . . No entanto, eu vos digo: Não jureis absolutamente.” Naquela época, os judeus abusavam da prática de fazer votos e juravam sobre muitas coisas triviais que não cumpriam. Mas, Jesus disse: “Não jureis absolutamente. . . Deixai simplesmente que a vossa palavra Sim signifique Sim, e o vosso Não, Não.” A sua regra era simples: seja verídico sempre, sem ter que garantir a sua palavra por meio dum juramento. Reserve os juramentos para assuntos vitais. — Mateus 5:33-37; compare com 23:16-22.
17. Que proceder melhor do que “olho por olho e dente por dente” ensinou Jesus?
17 Jesus disse a seguir: “Ouvistes que se disse: ‘Olho por olho e dente por dente.’ No entanto, eu vos digo: Não resistais àquele que é iníquo; mas, a quem te esbofetear a face direita, oferece-lhe também a outra.” (Mateus 5:38-42) Jesus não se referia a um golpe destinado a ferir, mas sim a um tapa insultuoso com as costas da mão. Não se rebaixe trocando insultos. Recuse-se a pagar o mal com o mal. Em vez disso, pague com o bem e, assim, ‘persista em vencer o mal com o bem’. — Romanos 12:17-21.
18. (a) De que modo os judeus alteraram a lei sobre amar o próximo, mas como Jesus refutou isso? (b) Qual foi a resposta de Jesus a certo advogado que desejava limitar a aplicação de o “próximo”?
18 No sexto e último exemplo, Jesus mostrou claramente como a Lei mosaica estava enfraquecida pela tradição rabínica: “Ouvistes que se disse: ‘Tens de amar o teu próximo e odiar o teu inimigo.’ No entanto, eu vos digo: Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem.” (Mateus 5:43, 44) A Lei mosaica escrita não limitava o amor: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Levítico 19:18) Foram os fariseus que objetaram a este mandamento e, para burlá-lo, restringiram o termo “próximo” aos que guardavam as tradições. Assim, quando mais tarde Jesus lembrou a certo advogado o mandamento de ‘amar o próximo como a si mesmo’, esse homem recorreu a um subterfúgio: “Quem é realmente meu próximo?” Jesus respondeu com a ilustração do bom samaritano — torne-se o próximo daquele que necessita de você. — Lucas 10:25-37.
19. Que atitude de Jeová para com os iníquos recomendou Jesus que seguíssemos?
19 Continuando seu sermão, Jesus declarou que ‘Deus mostra amor para com os iníquos. Faz o sol brilhar e a chuva cair sobre eles. Nada há de extraordinário em amar os que nos amam. Os iníquos fazem isso. Isto não é motivo de recompensa. Mostrai-vos filhos de Deus. Imitai-o. Que cada um se torne o próximo de todos e amai o vosso próximo. E, assim, “sede perfeitos, como o vosso Pai celestial é perfeito”’. (Mateus 5:45-48) Que padrão desafiador segundo o qual viver! E quão limitada mostra ser a justiça dos escribas e fariseus!
20. Em vez de repudiar a Lei mosaica, de que modo Jesus ampliou e aprofundou seu impacto e colocou-a num plano ainda mais elevado?
20 Portanto, quando Jesus referiu-se a partes da Lei e acrescentou “no entanto, eu vos digo”, ele não estava repudiando a Lei mosaica e substituindo-a por algo diferente. Não, ele aprofundava o seu sentido e ampliava a sua força mostrando qual era o espírito por trás dela. Uma superior lei de fraternidade considera o contínuo desejar mal ao próximo como assassinato. Uma superior lei de pureza condena o continuado pensamento lascivo como adultério. Uma superior lei de casamento rejeita o divórcio por razões frívolas como proceder que leva a novos casamentos adúlteros. Uma superior lei da verdade mostra que votos repetitivos são desnecessários. Uma superior lei da brandura descarta a retaliação. Uma superior lei do amor exige um amor piedoso que desconhece fronteiras.
21. O que revelam as admoestações de Jesus quanto à autojustiça rabínica, e o que mais aprenderia a multidão?
21 Que profundo impacto tais admoestações nunca antes ouvidas devem ter causado aos ouvidos dos que as ouviam pela primeira vez! A que absoluta inutilidade foi reduzida a hipócrita autojustiça resultante da escravidão a tradições rabínicas! Mas, à medida que Jesus prosseguisse no seu Sermão do Monte, as multidões famintas e sedentas da justiça de Deus aprenderiam especificamente como obtê-la, como mostrará o artigo seguinte.
Perguntas de Recapitulação
◻ Por que criaram os judeus as suas tradições orais?
◻ Que dramática reversão fez Jesus com relação aos escribas e fariseus e o povo em geral?
◻ De que maneiras os escribas e fariseus esperavam granjear uma posição justa perante Deus?
◻ Qual é o caminho indicado por Jesus para evitar a fornicação e o adultério?
◻ Por mostrar qual era o espírito por trás da Lei mosaica, que normas superiores estabeleceu Jesus?
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Persista em buscar o reino e a justiça de DeusA Sentinela — 1990 | 1.° de outubro
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Persista em buscar o reino e a justiça de Deus
“Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas.” — MATEUS 6:33.
1, 2. Em que os escribas e fariseus transformavam ações que eram boas em si mesmas, e que aviso deu Jesus a seus seguidores?
OS ESCRIBAS e fariseus procuravam a justiça à sua própria maneira, que não era a maneira de Deus. Não só isso, mas, quando deveras praticavam ações que em si mesmas eram boas, eles as transformavam em atos hipócritas para serem vistos pelos homens. Não serviam a Deus, mas sim à sua própria vaidade. Jesus advertiu seus discípulos contra tal encenação: “Tomai muito cuidado em não praticardes a vossa justiça diante dos homens, a fim de serdes observados por eles; do contrário não tereis recompensa junto de vosso Pai que está nos céus.” — Mateus 6:1.
2 Jeová tem apreço pelos que dão aos pobres — mas não pelos que dão como o faziam os fariseus. Jesus alertou seus discípulos contra imitá-los: “Portanto, quando fizeres dádivas de misericórdia, não toques a trombeta diante de ti, assim como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Deveras, eu vos digo: Eles já têm plenamente a sua recompensa.” — Mateus 6:2.
3. (a) Em que sentido os escribas e fariseus foram plenamente pagos pelas suas ações de dar? (b) Em que sentido era diferente a posição de Jesus sobre o dar?
3 A palavra grega para “eles já têm plenamente” (a·pé·kho) era um termo que aparecia com freqüência em recibos comerciais.
Seu uso no Sermão do Monte indica que “eles receberam a sua recompensa”, isto é, “assinaram o recibo de sua recompensa: o direito de receber sua recompensa é atendido, exatamente como se já tivessem dado um recibo por isso”. (An Expository Dictionary of New Testament Words, de W. E. Vine) As doações para os pobres eram publicamente prometidas nas ruas. Nas sinagogas, divulgavam-se os nomes dos doadores. Os que davam grandes quantias recebiam honra especial por se lhes reservar assentos próximos aos rabinos durante o culto. Eles davam a fim de serem vistos pelos homens; e realmente eram vistos e glorificados por homens; assim, podiam selar o recibo de “Pagamento Integral”, como recompensa pelo seu dar. Quão diferente da posição de Jesus! Dá “em secreto; então o teu Pai, que está olhando em secreto, te pagará de volta”. — Mateus 6:3, 4; Provérbios 19:17.
Orações Que Agradam a Deus
4. Por que as orações dos fariseus levaram Jesus a chamá-los de hipócritas?
4 Jeová aprecia as orações que lhe são dirigidas — mas não da maneira como os fariseus oravam. Jesus disse a seus seguidores: “Quando orardes, não deveis ser como os hipócritas; porque eles gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas largas, para serem vistos pelos homens. Deveras, eu vos digo: Eles já têm plenamente a sua recompensa.” (Mateus 6:5) Os fariseus tinham muitas orações a recitar diariamente, em horas específicas, independente de onde estivessem. Teoricamente, deviam fazê-las em particular. Propositadamente, porém, eles davam um jeito para estar “nas esquinas das ruas largas”, visíveis a pessoas que passassem nos quatro sentidos, quando chegasse a hora da oração.
5. (a) Que outras práticas fizeram com que as orações dos fariseus não fossem ouvidas por Deus? (b) A que coisas deu Jesus prioridade em sua oração-modelo, e estão as pessoas hoje de acordo com isso?
5 Numa exibição de falsa santidade, ‘como pretexto, eles faziam longas orações’. (Lucas 20:47) Certa tradição oral dizia: “Os homens pios da antiguidade costumavam esperar uma hora antes de proferir a Tefilá [oração].” (Míxena) Daí, então, todo mundo com certeza veria sua piedade e se admiraria dela! Tais orações não passavam da altura de suas próprias cabeças. Jesus disse que se deve orar em particular, sem repetições vãs, e ele lhes deu um modelo simples. (Mateus 6:6-8; João 14:6, 14; 1 Pedro 3:12) A oração-modelo de Jesus deu prioridade ao que é prioritário: “Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade.” (Mateus 6:9-13) Poucos hoje sabem qual é o nome de Deus, muito menos desejam vê-lo santificado. Deste modo, deixam-No na condição de um deus sem nome. Venha o Reino de Deus? Muitos pensam que ele já chegou, que está dentro deles. Talvez orem para que se faça a vontade de Deus, mas a maioria faz a sua própria vontade. — Provérbios 14:12.
6. Por que Jesus condenou os jejuns judaicos como sem significado?
6 O jejum é aceitável a Jeová — mas não da maneira como os fariseus o praticavam. Como no caso de dar esmolas e das orações dos escribas e fariseus, Jesus repudiou também o jejum deles como sendo sem significado: “Quando jejuardes, parai de ficar com o rosto triste, como os hipócritas, pois desfiguram os seus rostos para que pareça aos homens que estão jejuando. Deveras, eu vos digo: Eles já têm plenamente a sua recompensa.” (Mateus 6:16) As tradições orais deles prescreviam que durante os jejuns os fariseus não deviam lavar-se nem ungir-se, mas sim besuntar a cabeça de cinzas. Quando não jejuavam, os judeus regularmente lavavam o corpo e esfregavam-no com óleo.
7. (a) Como deviam os seguidores de Jesus comportar-se ao jejuarem? (b) Com respeito ao jejum, o que queria Jeová nos dias de Isaías?
7 Sobre jejuar, Jesus disse a seus seguidores: “Unta a tua cabeça e lava o rosto, para que não pareça aos homens que estás jejuando, mas [sim] ao teu Pai.” (Mateus 6:17, 18) Nos dias de Isaías, judeus renegados deleitavam-se em seus jejuns, afligindo as suas almas, encurvando as suas cabeças e sentando-se em serapilheira e cinzas. Mas Jeová queria que eles libertassem os oprimidos, alimentassem os famintos, abrigassem os desabrigados e vestissem os nus. — Isaías 58:3-7.
Armazene Tesouros Celestiais
8. O que levou os escribas e fariseus a perderem de vista como granjear a aprovação de Deus, e que princípio, mais tarde expresso por Paulo, desperceberam eles?
8 Na sua busca de justiça, os escribas e fariseus perderam de vista como granjear a aprovação de Deus e centralizavam-se na busca de admiração da parte de homens. Ficaram tão envolvidos nas tradições de homens que puseram de lado a Palavra escrita de Deus. Fixaram seus corações em ter uma posição terrena, em vez de em tesouros celestiais. Desconsideravam uma verdade simples que um fariseu que se tornara cristão escreveu anos mais tarde: “O que for que fizerdes, trabalhai nisso de toda a alma como para Jeová, e não como para homens, pois sabeis que é de Jeová que recebereis a devida recompensa da herança.” — Colossenses 3:23, 24.
9. Que perigos podem ameaçar tesouros terrestres, mas o que manterá seguro o verdadeiro tesouro?
9 Jeová está interessado na sua devoção, não na sua conta bancária. Ele sabe que seu coração está onde estiver seu tesouro. Podem a ferrugem ou as traças consumir o seu tesouro? Podem ladrões cavar através de paredes de barro e roubá-lo? Ou, nestes tempos modernos de instabilidade econômica, pode a inflação diminuir o seu poder aquisitivo ou pode uma quebra na bolsa de valores liquidá-lo? Será que o crescente índice de crimes fará com que seu tesouro seja roubado? Não, se estiver armazenado no céu. Não, se o seu olho — uma lâmpada que ilumina todo seu corpo — for singelo, focalizado no Reino de Deus e na Sua justiça. As riquezas têm um jeito próprio de desaparecer. “Não labutes para enriquecer. Deixa da tua própria compreensão. Fizeste teus olhos relanceá-la sendo que ela não é nada? Pois, sem falta fará para si asas como as da águia e sairá voando em direção aos céus.” (Provérbios 23:4, 5) Portanto, por que perder o sono por causa de riquezas? “A fartura do rico não o deixa dormir.” (Eclesiastes 5:12) Lembre-se do aviso de Jesus. “Não podeis trabalhar como escravos para Deus e para as Riquezas.” — Mateus 6:19-24.
A Fé Que Dissipa a Ansiedade
10. Por que é tão importante ter fé em Deus em vez de em bens materiais, e que conselho deu Jesus?
10 Jeová deseja que a sua fé se baseie nele, não em bens materiais. “Sem fé é impossível agradar-lhe bem, pois aquele que se aproxima de Deus tem de crer que ele existe e que se torna o recompensador dos que seriamente o buscam.” (Hebreus 11:6) Jesus disse: “Mesmo quando alguém tem abundância, sua vida não vem das coisas que possui.” (Lucas 12:15) Milhões de dólares no banco não manterão pulmões doentes funcionando nem um coração cansado trabalhando. Portanto, “por esta razão eu vos digo”, continuou Jesus em seu Sermão do Monte, “parai de estar ansiosos pelas vossas almas, quanto a que haveis de comer ou quanto a que haveis de beber, ou pelos vossos corpos, quanto a que haveis de vestir. Não significa a alma mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário?” — Mateus 6:25.
11.Onde buscou Jesus muitas de suas ilustrações, e como se demonstra isso no Sermão do Monte?
11 Jesus era mestre em ilustrações verbais. Para onde quer que olhasse, ideava uma ilustração. Ele viu uma mulher colocar uma lâmpada acesa num velador e fez disso uma ilustração. Viu um pastor separar as ovelhas dos cabritos; tornou-se uma ilustração. Viu crianças brincando na feira; tornou-se uma ilustração. E assim foi no Sermão do Monte. Ao falar sobre ansiedade por necessidades materiais, ele viu nas aves que por ali voavam e nos lírios que acarpetavam as encostas dos montes uma base para ilustrações. Será que as aves semeiam e colhem? Não. Será que os lírios fiam e tecem? Não. Deus os fez; ele cuida deles. Você, porém, vale mais do que aves e lírios. (Mateus 6:26, 28-30) Ele deu seu Filho por você, não por eles. — João 3:16.
12. (a) Significavam as ilustrações a respeito das aves e das flores que os discípulos de Jesus não precisavam trabalhar? (b) O que destacava Jesus quanto a trabalho e fé?
12 Jesus não estava dizendo a seus seguidores que não precisavam trabalhar para se alimentar e se vestir. (Veja Eclesiastes 2:24; Efésios 4:28; 2 Tessalonicenses 3:10-12.) Naquela manhã de primavera, as aves se ocupavam em ciscar em busca de alimentos, cortejar, construir ninhos, chocar ovos, alimentar seus filhotes. Elas trabalhavam, mas sem preocupação. As flores também estavam atarefadas, introduzindo suas raízes no solo em busca de água e minerais e fazendo com que suas folhas buscassem a luz do sol. Elas tinham de amadurecer, florir e lançar suas sementes antes de morrerem. Trabalhavam, mas sem preocupação. Deus faz provisões para aves e lírios. ‘Não fará ele provisões tanto mais a vós, ó vós os de pouca fé?’ — Mateus 6:30.
13. (a) Por que era apropriado Jesus usar como medida um côvado ao falar sobre aumentar a duração de vida da pessoa? (b) Como pode você prolongar a sua vida por infindáveis milhões de quilômetros, por assim dizer?
13 Portanto, tenha fé. Não fique ansioso. A ansiedade nada mudará. “Quem de vós, por estar ansioso”, perguntou Jesus, “pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?” (Mateus 6:27) Mas, por que relaciona Jesus uma medida física de distância, um côvado, com uma medida de tempo na duração de vida? Talvez porque a Bíblia muitas vezes compara o período de vida de humanos a uma jornada, usando expressões como “caminho dos pecadores”, “vereda dos justos”, ‘estrada larga da destruição’ e ‘estrada apertada da vida’. (Salmo 1:1; Provérbios 4:18; Mateus 7:13, 14) A ansiedade quanto às necessidades diárias não pode estender a vida da pessoa nem mesmo por uma fração, “um côvado”, por assim dizer. Mas, existe uma maneira de prolongar a sua vida por infindáveis milhões de quilômetros, por assim dizer. Não por estarmos ansiosos, dizendo: “Que havemos de comer”, “que havemos de beber” ou “que havemos de vestir”, mas sim por termos fé e fazermos o que Jesus diz que devemos fazer: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas.” — Mateus 6:31-33.
Como Alcançar o Reino de Deus e Sua Justiça
14. (a) Qual é o tema do Sermão do Monte? (b) De que maneira errada os escribas e fariseus buscavam o Reino e a justiça?
14 Na sentença inicial de seu Sermão do Monte, Jesus falou do Reino dos céus como pertencendo aos que estão cônscios de sua necessidade espiritual. Na quarta sentença, ele disse que os que têm fome e sede de justiça serão saciados. Ali, Jesus coloca tanto o Reino como a justiça de Jeová em primeiro lugar. São o tema do Sermão do Monte. São a solução das necessidades de toda a humanidade. Mas, por que meios o Reino de Deus e a justiça de Deus tornam-se alcançáveis? Como continuamos a buscá-los? Não à maneira dos escribas e fariseus. Eles buscavam o Reino e a justiça por meio da Lei mosaica que, segundo afirmavam, incluía as tradições orais, pois criam que tanto a Lei escrita como as tradições orais foram dadas por Deus a Moisés no monte Sinai.
15. (a) Segundo os judeus, quando se originaram as suas tradições orais, e como as enalteceram acima da Lei mosaica escrita? (b) Quando foi que essas tradições realmente começaram, e com que efeito sobre a Lei mosaica?
15 Sua tradição a respeito disso dizia: “Moisés recebeu a Lei [nota de rodapé: “A ‘Lei Oral’”] no Sinai e confiou-a a Josué, e Josué aos anciãos, e os anciãos aos Profetas; e os Profetas confiaram-na aos homens da Grande Sinagoga.” Com o tempo, a sua lei oral foi enaltecida até mesmo acima da Lei escrita: “[Se] ele transgride as palavras da Lei [escrita], não é culpado”, mas, se “ele acrescentar às palavras dos Escribas [tradições orais], ele é culpado”. (Míxena) Suas tradições orais não começaram em Sinai. De fato, começaram a acumular-se rapidamente uns dois séculos antes de Cristo. Fizeram acréscimos à Lei mosaica escrita, subtraíram dela e anularam-na. — Compare com Deuteronômio 4:2; 12:32.
16. De que modo a justiça de Deus se torna realidade para a humanidade?
16 A justiça de Deus não vem através da Lei, mas sim à parte dela: “Por obras de lei, nenhuma carne será declarada justa diante dele, pois pela lei vem o conhecimento exato do pecado. Mas agora, à parte da lei, foi manifestada a justiça de Deus, conforme lhe dão testemunho a Lei e os Profetas; sim, a justiça de Deus por intermédio da fé em Jesus Cristo.” (Romanos 3:20-22) Portanto, a justiça de Deus vem por meio da fé em Cristo Jesus — sobre isso ‘a Lei e os Profetas deram amplo testemunho’. As profecias messiânicas cumpriram-se em Jesus. Também, ele cumpriu a Lei; ela foi tirada do caminho por ser pregada na estaca de tortura de Jesus. — Lucas 24:25-27, 44-46; Colossenses 2:13, 14; Hebreus 10:1.
17. Segundo o apóstolo Paulo, de que modo os judeus deixaram de conhecer a justiça de Deus?
17 Assim, o apóstolo Paulo escreveu a respeito do fracasso dos judeus em buscar a justiça: “Pois eu lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não segundo o conhecimento exato; pois, por não conhecerem a justiça de Deus, mas buscarem estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. Porque Cristo é o fim da Lei, para que todo aquele que exercer fé possa ter justiça.” (Romanos 10:2-4) Paulo escreveu também a respeito de Cristo Jesus: “Aquele que não conheceu pecado, ele fez pecado por nós, para que, por meio dele, nos tornássemos a justiça de Deus.” — 2 Coríntios 5:21.
18. Como era o “Cristo pregado numa estaca” encarado pelos judeus tradicionalistas, pelos filósofos gregos e pelos “chamados”?
18 Os judeus achavam que um Messias morredouro era uma fraca nulidade. Os filósofos gregos zombavam de tal Messias como tolice. Não obstante, é como disse Paulo: “Tanto os judeus pedem sinais como os gregos procuram sabedoria; mas nós pregamos Cristo pregado numa estaca, que é para os judeus causa de tropeço, mas para as nações, tolice; no entanto, para os chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Porque uma coisa tola de Deus é mais sábia do que os homens, e uma coisa fraca de Deus é mais forte do que os homens.” (1 Coríntios 1:22-25) Cristo Jesus é uma manifestação do poder e da sabedoria de Deus, e é o meio de Deus para conferir a justiça e a vida eterna à humanidade obediente. “Não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu, que tenha sido dado entre os homens, pelo qual tenhamos de ser salvos.” — Atos 4:12.
19. O que mostrará o artigo seguinte?
19 O artigo seguinte mostrará que, se havemos de escapar da destruição e ganhar a vida eterna, temos de persistir em buscar o Reino de Deus e a Sua justiça. Isto tem de ser feito não apenas por ouvir as palavras de Jesus, mas também por aplicá-las.
Perguntas de Recapitulação
◻ Em que os religiosos judeus transformaram suas dádivas de misericórdia, suas orações e seus jejuns?
◻ Onde é o lugar seguro para armazenar seu tesouro?
◻ Por que devemos evitar a ansiedade quanto a necessidades materiais?
◻ Que falsa afirmação faziam os judeus sobre a origem de suas tradições orais?
◻ Através de que meio vêm o Reino e a justiça de Deus?
[Foto na página 16]
Os fariseus gostavam de orar em pé nas esquinas de ruas, onde podiam ser vistos pelos homens.
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Seja cumpridor da palavra e não apenas ouvinteA Sentinela — 1990 | 1.° de outubro
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Seja cumpridor da palavra e não apenas ouvinte
“Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus.” — MATEUS 7:21
1. O que devem os seguidores de Jesus continuar a fazer?
PERSISTI em pedir. Persisti em buscar. Persisti em bater. Perseverai em orar, em estudar e em pôr em prática as palavras de Jesus registradas no Sermão do Monte. Jesus diz a seus seguidores que eles são o sal da terra, que têm uma mensagem preservativa temperada com sal, o qual não devem permitir que se torne insípido, perdendo seu paladar e sua capacidade preservativa. Eles são a luz do mundo, refletindo a luz de Cristo Jesus e de Jeová Deus, não apenas pelo que dizem, mas também pelo que fazem. As suas boas obras brilham tanto quanto suas iluminadoras palavras — e podem até mesmo falar mais alto num mundo acostumado com hipocrisia farisaica, tanto de líderes religiosos como de políticos, que falam muito mas fazem pouco. — Mateus 5:13-16.
2. Que admoestação dá Tiago, mas que cômoda posição alguns erroneamente adotam?
2 Tiago admoesta: “Tornai-vos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, enganando-vos com falsos raciocínios.” (Tiago 1:22) Muitos enganam a si mesmos com a doutrina de ‘uma vez salvo, salvo para sempre’, como se agora pudessem aposentar-se e esperar por uma suposta recompensa celestial. É uma doutrina falsa e uma esperança vazia. “Quem tiver perseverado até o fim”, disse Jesus, “é o que será salvo”. (Mateus 24:13) Para ganhar a vida eterna, você tem de ‘mostrar-se fiel até a morte’. — Revelação (Apocalipse) 2:10; Hebreus 6:4-6; 10:26, 27.
3. Que instrução sobre julgar outros dá Jesus a seguir, no Sermão do Monte?
3 À medida que Jesus prosseguia seu Sermão do Monte, surgiam mais declarações as quais os cristãos têm de esforçar-se em aplicar. Eis uma que parece simples, mas que condena uma tendência das mais difíceis de se livrar: “Parai de julgar, para que não sejais julgados; pois, com o julgamento com que julgais, vós sereis julgados; e com a medida com que medis, medirão a vós. Então, por que olhas para o argueiro no olho do teu irmão, mas não tomas em consideração a trave no teu próprio olho? Ou, como podes dizer a teu irmão: ‘Permite-me tirar o argueiro do teu olho’, quando, eis que há uma trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu próprio olho, e depois verás claramente como tirar o argueiro do olho do teu irmão.” — Mateus 7:1-5.
4. Que instrução adicional fornece o relato de Lucas, e em que resulta a sua aplicação?
4 No relato de Lucas sobre o Sermão do Monte, Jesus disse a seus ouvintes que não deviam achar faltas nos outros. Antes, que ‘persistissem em livrar’, isto é, em perdoar as falhas de seu próximo. Isto faria com que os outros retribuíssem a bondade, como disse Jesus: “Praticai o dar, e dar-vos-ão. Derramarão em vosso regaço uma medida excelente, recalcada, sacudida e transbordante. Pois, com a medida com que medis, medirão a vós em troca.” — Lucas 6:37, 38.
5. Por que é tão mais fácil ver as falhas de outros do que as nossas?
5 Durante o primeiro século EC, por causa das tradições orais, os fariseus em geral tendiam a julgar duramente os outros. Quem quer que dentre os ouvintes de Jesus tivesse tal hábito, devia largá-lo. É muito mais fácil ver os argueiros nos olhos dos outros do que traves nos nossos próprios — é muito mais reconfortante para o nosso ego! Como disse certo homem: “Gosto muito de criticar os outros porque isto me faz sentir muito bem!” Habitualmente censurar outros pode conferir-nos sentimentos de virtude que pareçam compensar as nossas próprias falhas que queremos ocultar. Mas, se for necessária a correção, esta deve ser dada num espírito de brandura. Quem dá a correção deve estar sempre cônscio de suas próprias falhas. — Gálatas 6:1.
Antes de Julgar, Tente Entender
6. Em que base devem ser feitos os nossos julgamentos, quando necessário, e que ajuda devemos buscar para que não sejamos excessivamente críticos?
6 Jesus não veio para julgar o mundo, mas sim para salvá-lo. Quaisquer julgamentos que tenha feito não eram seus, mas baseavam-se em palavras que Deus lhe dera para falar. (João 12:47-50) Quaisquer julgamentos que porventura fizermos devem também harmonizar-se com a Palavra de Jeová. Temos de reprimir a tendência humana de querer julgar os outros. Ao assim agirmos, temos de persistentemente orar pela ajuda de Jeová: “Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis; persisti em bater, e abrir-se-vos-á. Pois, todo o que persistir em pedir, receberá, e todo o que persistir em buscar, achará, e a todo o que persistir em bater, abrir-se-á.” (Mateus 7:7, 8) Até mesmo Jesus disse: “Não posso fazer nem uma única coisa de minha própria iniciativa; assim como ouço, eu julgo; e o julgamento que faço é justo, porque não procuro a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” — João 5:30.
7. Que hábito, que nos ajudará a aplicar a Regra Áurea, devemos cultivar?
7 Devemos cultivar o hábito, não de julgar as pessoas, mas sim de tentar entendê-las, colocando-nos no lugar delas — algo que não é fácil de fazer, mas é necessário, se havemos de aplicar a Regra Áurea, que Jesus declarou a seguir: “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles; isto, de fato, é o que a Lei e os Profetas querem dizer.” (Mateus 7:12) Portanto, os seguidores de Jesus têm de ser sensíveis e discernir o estado mental, emocional e espiritual de outros. Têm de perceber e entender as necessidades de outros e interessar-se pessoalmente em ajudá-los. (Filipenses 2:2-4) Anos mais tarde, Paulo escreveu: “Pois a Lei inteira está cumprida numa só expressão, a saber: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’” — Gálatas 5:14.
8. Que duas estradas considerou Jesus, e por que uma delas é a escolhida pela maioria das pessoas?
8 “Entrai pelo portão estreito”, disse Jesus a seguir, “porque larga e espaçosa é a estrada que conduz à destruição, e muitos são os que entram por ela; ao passo que estreito é o portão e apertada a estrada que conduz à vida, e poucos são os que o acham”. (Mateus 7:13, 14) Muitos naqueles dias escolheram a estrada para a destruição, e muitos hoje ainda a escolhem. A estrada larga permite que as pessoas pensem como lhes agrada e vivam como lhes apraz: nenhuma regra, nenhuma obrigação, simplesmente uma vida descontraída, tudo fácil. Para eles, nada de “esforçai-vos vigorosamente a entrar pela porta estreita”! — Lucas 13:24.
9. O que exige andar na estrada estreita, e que aviso deu Jesus aos que andam nela?
9 Mas, a porta que abre para a estrada da vida eterna é a porta estreita. É um proceder que exige autodomínio. Talvez signifique disciplina que provará suas motivações e testará o brio de sua dedicação. Quando vem a perseguição, a estrada fica dificultosa e exige perseverança. Jesus alerta os que andam por essa estrada: “Vigiai-vos dos falsos profetas que se chegam a vós em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes.” (Mateus 7:15) Esta descrição ajustava-se com perfeição aos fariseus. (Mateus 23:27, 28) Eles ‘sentavam-se no assento de Moisés’, afirmando falar em nome de Deus, ao passo que seguiam tradições de homens. — Mateus 23:2.
Como os Fariseus ‘Fechavam o Reino’
10. De que maneira específica os escribas e fariseus procuravam ‘fechar o reino diante dos homens’?
10 Ademais, o clero judaico tentava impedir os que procuravam entrar pelo portão estreito. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois, vós mesmos não entrais, nem deixais entrar os que estão em caminho para entrar.” (Mateus 23:13) O método dos fariseus era justamente aquele contra o qual Jesus advertira. Eles ‘lançariam fora o nome de seus discípulos, como iníquo, por causa do Filho do homem’. (Lucas 6:22) Visto que o cego de nascença curado por Cristo cria que Jesus era o Messias, eles o expulsaram da sinagoga. Seus pais não queriam responder a perguntas, pois temiam ser expulsos da sinagoga. Pelo mesmo motivo, outros que criam ser Jesus o Messias hesitavam em admitir isso publicamente. — João 9:22, 34; 12:42; 16:2.
11. Que frutos identificadores produz o clero da cristandade?
11 “Pelos seus frutos os reconhecereis”, disse Jesus. “Toda árvore boa produz fruto excelente, mas toda árvore podre produz fruto imprestável.” (Mateus 7:16-20) A mesma regra se aplica hoje. Muitos do clero da cristandade dizem uma coisa mas fazem outra. Embora afirmem ensinar a Bíblia, endossam blasfêmias como a Trindade e o inferno de fogo. Outros negam o resgate, ensinam a evolução em vez de a criação e pregam psicologia popular para agradar aos ouvidos. Como os fariseus, muitos dos do clero hoje são amantes do dinheiro, tosquiando seus rebanhos em milhões de dólares. (Lucas 16:14) Todos eles bradam: “Senhor, Senhor”, mas a resposta de Jesus a eles é: “Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei.” — Mateus 7:21-23.
12. Por que alguns que antes andavam na estrada estreita deixaram de fazer isso, e com que resultado?
12 Atualmente, alguns que andavam na estrada estreita deixaram de fazer isso. Dizem que amam a Jeová, mas não obedecem Seu mandamento de pregar. Dizem que amam a Jesus, mas não estão apascentando as Suas ovelhas. (Mateus 24:14; 28:19, 20; João 21:15-17; 1 João 5:3) Não desejam estar no mesmo jugo com os que andam nos passos de Jesus. Acham que a estrada apertada é apertada demais. Cansaram-se de fazer o bem, assim, “saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco”. (1 João 2:19) Voltaram à escuridão, e “quão grande é essa escuridão!” (Mateus 6:23) Desconsideraram o apelo de João: “Filhinhos, amemos, não em palavra nem com a língua, mas em ação e em verdade.” — 1 João 3:18.
13, 14. Que ilustração fez Jesus sobre aplicar as suas declarações na nossa vida, e por que era tão apropriada para os da Palestina?
13 Jesus concluiu o Sermão do Monte com uma ilustração dramática: “Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem discreto, que construiu a sua casa sobre a rocha. E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e açoitaram a casa, mas ela não se desmoronou, pois tinha sido fundada na rocha.” — Mateus 7:24, 25.
14 Na Palestina, fortes chuvas podiam fazer descer águas através dos secos vales de torrente em destrutivas inundações repentinas. Para que as casas ficassem de pé, teriam de ser alicerçadas na rocha sólida. O relato de Lucas mostra que o homem “cavou e desceu fundo, e lançou o alicerce sobre a rocha”. (Lucas 6:48) Era trabalho árduo, mas compensou quando veio a tempestade. Portanto, edificar qualidades cristãs sobre as declarações de Jesus será recompensador quando a repentina inundação da adversidade assolar.
15. O que resultará para os que seguem tradições de homens em vez de obedecer às palavras de Jesus?
15 A outra casa foi construída sobre a areia: “Todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem tolo, que construiu a sua casa sobre a areia. E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e bateram contra aquela casa, e ela se desmoronou, e foi grande a sua queda.” Assim acontecerá com os que dizem “Senhor, Senhor”, mas deixam de pôr em prática as palavras de Jesus. — Mateus 7:26, 27.
“Não Como Seus Escribas”
16. Qual foi o efeito do Sermão do Monte sobre os que o ouviram?
16 Qual foi o efeito do Sermão do Monte? “Ora, quando Jesus tinha terminado com estas palavras, o efeito foi que as multidões ficaram assombradas com o seu modo de ensinar; pois ele as ensinava como quem tinha autoridade, e não como seus escribas.” (Mateus 7:28, 29) Ficaram profundamente impressionadas por alguém que falou com uma autoridade que jamais haviam visto antes.
17. O que os escribas tinham de fazer para dar validade aos seus ensinos, e o que afirmavam a respeito de falecidos sábios que eram citados?
17 Escriba algum jamais falara à base de sua própria autoridade, como mostra o seguinte registro histórico: “Para as suas doutrinas, os escribas tomavam emprestado crédito das tradições, e dos pais destas: e nenhum sermão de qualquer escriba tinha autoridade ou valor algum, se não [citasse:] . . . Os Rabinos têm uma tradição, ou. . . Os sábios dizem; ou algum oráculo tradicional dessa natureza. Hilel, o Grande, realmente ensinava, e visto que a tradição dizia respeito a certa coisa; ‘Mas, embora discorresse sobre o assunto o dia inteiro,. . . eles não aceitaram a sua doutrina, até que finalmente ele disse: Assim ouvi de Shemaia e Abtalião [autoridades anteriores a Hilel].’” (A Commentary on the New Testament From the Talmud and Hebraica, de John Lightfoot) Os fariseus chegavam a afirmar a respeito de sábios há muito falecidos: “Os lábios dos justos, quando alguém cita um ensinamento da lei em nome deles — seus lábios murmuram junto com eles, na sepultura.” — Torah—From Scroll to Symbol in Formative Judaism.
18. (a) Que diferença havia entre os ensinos dos escribas e os de Jesus? (b) Em que aspectos o ensino de Jesus era tão notável?
18 Os escribas citavam homens falecidos como autoridade; Jesus falava com autoridade recebida do Deus vivente. (João 12:49, 50; 14:10) Os rabinos tiravam águas estagnadas de cisternas desativadas; Jesus supriu mananciais de água fresca que saciava uma sede íntima. Ele orou e ponderou durante a noite e, quando falou, tocou no mais íntimo das pessoas, falando sobre coisas que elas jamais se haviam dado conta antes. Falou com um poder que elas podiam sentir, com uma autoridade tal que até mesmo os escribas, os fariseus e os saduceus por fim temiam desafiar. (Mateus 22:46; Marcos 12:34; Lucas 20:40) Nunca antes um homem falara assim! No fim do sermão, a multidão estava atônita!
19. De que modo alguns métodos de ensino usados pelas Testemunhas de Jeová hoje são similares aos usados por Jesus no Sermão do Monte?
19 Que dizer de hoje? Como ministros que trabalham de casa em casa, as Testemunhas de Jeová usam métodos similares. Um morador lhe diz: “Minha religião ensina que a terra será queimada.” Você responde: “A sua própria Bíblia Almeida diz em Eclesiastes 1:4: ‘A terra para sempre permanece.’” A pessoa fica surpresa. “Ora, eu não sabia que isso estava na minha Bíblia!” Outra diz: “Sempre ouvi falar que os pecadores vão queimar no inferno.” “Mas a sua própria Bíblia diz em Romanos 6:23: ‘O salário do pecado é a morte.’” Ou, sobre a Trindade: “O pregador da minha igreja diz que Jesus e seu Pai são iguais.” “Mas, em João 14:28 sua Bíblia cita Jesus dizendo: ‘O Pai é maior do que eu.’” Outra pessoa lhe diz: “Ouvi dizer que o Reino de Deus está dentro da pessoa.” Sua resposta: “Em Daniel 2:44, a sua Bíblia diz: ‘Nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído. . . esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre.’ Como poderia isso acontecer dentro de uma pessoa?”
20. (a) Que contraste existe entre o modo de ensino das Testemunhas de Jeová e o do clero da cristandade? (b) Agora é tempo para fazer o quê?
20 Jesus falou com autoridade da parte de Deus. As Testemunhas de Jeová falam com a autoridade da Palavra de Deus. O clero da cristandade ensina tradições religiosas poluídas por doutrinas legadas de Babilônia e do Egito. Quando pessoas sinceras ouvem as suas crenças serem refutadas pela Bíblia, pasmam-se e exclamam: ‘Eu não sabia que isto estava na minha Bíblia!’ Mas está. Agora é tempo para que todos os que estão cônscios de sua necessidade espiritual acatem as palavras de Jesus no Sermão do Monte, construindo assim sobre um durável alicerce de rocha.
Perguntas de Recapitulação
◻ Em vez de julgar os outros, o que devemos tentar fazer, e por quê?
◻ Por que muitos hoje escolhem a estrada larga?
◻ Por que a maneira de ensinar de Jesus era tão diferente da dos escribas?
◻ Que efeito teve o Sermão do Monte sobre os que o ouviram?
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