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Quem corre risco?Despertai! — 1986 | 22 de abril
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Um Teste Sanguíneo Fidedigno?
Uma vez isolado o vírus que causa a AIDS, tornou-se possível criar um teste sanguíneo que, pelo menos, revela se a pessoa esteve alguma vez exposta à AIDS e desenvolveu anticorpos. Assim, tornou-se possível um programa mais rigoroso de seleção dos doadores de sangue.
A imprensa e muitas pessoas do setor médico pareciam achar que o problema já estava assim resolvido. À guisa de exemplo, a revista Newsweek, de 12 de agosto de 1985, mencionou este teste como “garantindo, no conceito da maioria dos peritos, que a AIDS não mais será disseminada através dos estoques de sangue desta nação”.
Mas as orientações revisadas do Departamento de Saúde Pública dos EUA, a serem fornecidas às pessoas incluídas nas categorias de “alto risco”, não dizem isto. Antes, elas afirmam: “O teste não detectará todas as pessoas que podem ser portadoras do vírus, porque nem todos os infetados pelo vírus apresentarão anticorpos. . . . Existe uma possibilidade de que os anticorpos do vírus não sejam detectados quando seu sangue for submetido ao teste, embora você talvez tenha sido infetado. Caso isto acontecesse, o sangue seria empregado para tratar pacientes que correriam então o risco de infecção com o HTLV-3 e a AIDS.”
A revista da Administração de Alimentos e Remédios dos EUA, FDA Consumer, de maio de 1985, disse que “um teste negativo de anticorpos não garante que a pessoa esteja livre do vírus. . . . Isto acontece porque os anticorpos talvez ainda não se tenham desenvolvido, caso a exposição ao vírus tenha sido recente”.
O Dr. Myron Essex, presidente do departamento de biologia do câncer na Escola de Saúde Pública de Harvard, foi citado pelo jornal The New York Times como tendo dito: “É extremamente improvável que o teste constate mais de 90 por cento [do sangue infetado], e minhas melhores suposições são dum índice de 75 a 80 por cento. Ficaria surpreso se fosse melhor do que isso.”
O teste não só falha em revelar todo o sangue contaminado pelo vírus, mas, como comentou a revista Time: “O teste de sangue é caro demais para que muitos países o empreguem em larga escala.”
Uma pesquisa de Newsweek informava que 21 por cento dos entrevistados disseram que eles, ou pessoas conhecidas deles, recusavam-se a submeter-se a cirurgias eletivas que exigissem transfusão de sangue. Talvez mais pessoas procurem agora médicos que tenham desenvolvido métodos mais cuidadosos, utilizados pelos especialistas no crescente campo das cirurgias sem sangue.
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A Aids e a moralDespertai! — 1986 | 22 de abril
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A Aids e a moral
O QUE aconteceu nas décadas de 60 e de 70 que levou a tal explosão da AIDS nos anos 80? Foi a adoção da “nova moral” da liberdade sexual, em que vale tudo. Comentando isto, escreveu o colunista de Nova Iorque, Ray Kerrison:
“A súbita explosão da AIDS talvez também mova a sociedade a reexaminar seus valores, que têm descido pela ribanceira mais rápido do que um desgovernado trem expresso.
“Durante anos, os políticos e os tribunais têm promulgado a assombrosa falácia de que os atos particulares de cidadãos privados não são da conta de ninguém, senão deles próprios.
“Este argumento poderia ser chamado livremente de a doutrina do consensualismo. Afirma, com efeito, que duas ou mais pessoas podem fazer o que bem quiserem, uma vez que não infrinjam os direitos de outrem.
“Assim, removeu-se uma restrição moral após outra, desencadeando um dilúvio de comportamento permissivo e uma aceitação de padrões jamais sonhados trinta anos atrás.
“Agora, recai sobre nós a amarga colheita.”
São os homossexuais que sofrem, especialmente, e isto se deve à sua extensiva promiscuidade sexual, e ao tipo de práticas sexuais comuns entre eles. Observa a revista Science Digest: “Um estudo feito pelos CDC [Centros de Controle de Doenças, dos EUA] mostrava a média de 1.100 parceiros sexuais durante o período de vida dos pacientes portadores de AIDS estudados.”
Os homossexuais, porém, não são os únicos promíscuos — a sociedade em geral também adotou a moral do vale tudo. Em conseqüência disso, Harvey V. Fineberg, deão da Escola de Saúde Pública de Harvard, afirma que a AIDS se dissemina “lenta, porém inexoravelmente, pela comunidade heterossexual”.
Na África, em especial, esta doença já aflige a população em geral. Em novembro último, Lawrence K. Altman, repórter dos assuntos de saúde de The New York Times, escreveu: “A AIDS parece estar-se espalhando através das relações sexuais convencionais entre os heterossexuais na África, e está afligindo mulheres com quase tanta freqüência quanto os homens, segundo os pesquisadores daqui.”
Se uma mulher contrai AIDS dum parceiro, ambos talvez nem saibam que estão infetados. Infelizmente, bebês nascidos de mães portadoras do vírus da AIDS às vezes se tornam vítimas inocentes. E varões heterossexuais que têm relações sexuais com prostitutas podem contrair a doença.
Em toda a parte, as pessoas estão assustadas. O que acontecerá?
Uma Mudança de Moral?
“Isso certamente acabará com a revolução sexual”, prediz o Dr. Donald Francis, dos CDC, dos Estados Unidos. Como ele diz: “Poderá arriscar-se com o herpes e com a hepatite B, mas não poderá arriscar-se com isto.”
O Dr. Walter R. Dowdle, dos CDC, acrescenta: “Temos de compreender que todos temos de mudar nosso modo de vida.” De acordo com Dowdle, “não se trata duma questão de moral. Trata-se simplesmente dum fato biológico”.
Todavia, trata-se de mais do que um fato biológico — a moral está realmente envolvida. Os padrões morais que a sociedade tem escolhido rejeitar não se originaram dos homens. Uma Inteligência superior fez com que fossem registrados há muito tempo. E reconhecermos a Ele como Soberano é o que nos ajudará a ajustar-nos a tais padrões.
Mas, que padrões, ou códigos de conduta, Ele nos forneceu? E como a obediência a eles nos pode proteger?
[Quadro na página 8]
Frear a Disseminação da AIDS
June Brown, escrevendo no jornal The Detroit News, explicou como isto é possível: “Uma cura óbvia, que poderia reduzir drasticamente a taxa de aumento, é a mudança dos hábitos sexuais desta nação. Se todos escolhessem um hígido parceiro sexual e permanecessem fiéis até a morte, a AIDS quase que desapareceria. Isto pode soar como um ensino bíblico. Mas, à medida que novas doenças sexualmente transmissíveis continuam a surgir, cada uma mais mortífera do que a anterior, a teologia amplamente ignorada sobre a fidelidade sexual subitamente faz sentido, dum moderno ponto de vista de saúde.”
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