-
Tem a vida algum significado?Despertai! — 1981 | 8 de abril
-
-
Tem a vida algum significado?
Um homem, nos seus 80 anos, pensa: ‘Minha vida está quase no fim. Passou depressa. Sobra muito pouco. Para onde é que foi tudo? O que significou? Tudo está no passado, nada há à frente. Exceto a sepultura. E o esquecimento. Tudo foi tão sem graça! Não é para menos que o cínico diga: “Coma, beba e divirta-se, pois amanhã morreremos.”
Mas, é esta toda a realidade?
HÁ MUITO tempo atrás, um homem que passava por dolorosa provação, sem saber o motivo, exclamou em desespero, a respeito da condição humana: “O homem, nascido de mulher, tem vida breve e cheia de inquietações. Brota e murcha como uma flor, foge como a sombra, sem parar.” — Jó 14:1, 2, Pontifício Instituto Bíblico.
É nisto que tudo se resume? Tem a vida algum significado? Estas perguntas foram levantadas, vez após vez, por gerações de pessoas, através das eras. Essencialmente quando envelhecem. Olham para a vida, deixada atrás, e perguntam-se o que significou.
Nos funerais de um homem idoso, alguém dirá: ‘Bem, teve uma vida plena.’ Supostamente, isto significa que a morte, a esta altura, é aceitável. Mas, faz uma vida plena, já usufruída, com que seja mais fácil aceitar a morte? Ou faz com que seja ao contrário? Não seria mais fácil deixar uma vida vazia do que plena? Ninguém diz: “Sou tão feliz que vou acabar me matando”! É o infeliz, que recorre ao suicídio. O estômago satisfeito de ontem não consola o vazio, de hoje. E certas coisas que durante a vida pareciam ser significativas, muitas vezes não parecem ser tão importantes assim, ao se aproximar a morte.
A vida perdeu seu significado, para muitos. A cena do mundo é sombria. A vida vale pouco. É frustradora, para muitos. Os jovens são negligenciados, os idosos são largados em asilos melancólicos. O stress se acumula até que o coração enfraquece ou irrompe a violência. A corrupção política se alastra e o abismo da falta de credibilidade aumenta. Pessoas preocupadas que tentam melhorar as condições causam tanto impacto quanto a mosca que ataca um elefante. A desilusão toma conta e as pessoas mergulham-se em preocupações sem sentido com o próprio eu. A respeito desta tendência, o best-seller americano The Culture of Narcisim (A Cultura do Narcisismo) diz: “Sem esperança de aprimorar suas vidas em qualquer sentido que importe, as pessoas se convenceram de que o que importa é o auto-aprimoramento psíquico: Ir ao encontro de seus sentimentos, comer alimento saudável, tomar lições de balé ou de dança do ventre, mergulhar na sabedoria do Oriente, fazer cooper, aprender a ‘relacionar-se’. . . . Cultivam experiências mais vívidas, tentam fazer reviver a carne amortecida, tentam reavivar desejos exauridos. . . . a saúde mental significa livrar-se de todas as inibições e gratificar imediatamente qualquer impulso.” — Págs. 29, 39, 40, 43
Quando as pessoas escolhem tal rumo, suas vidas sem significado se tornam ainda menos significativas, e numa tentativa de fuga mais desesperada, embrenham-se em orgias sexuais e depravações, entregam-se a uma onda do vandalismo e da violência sem sentido, usam tóxicos e até mesmo optam pelo último recurso — o suicídio. Tudo porque sentem que sua vida não tem significado.
Vivem por alguns anos, daí vão à sepultura e ao esquecimento. Como é que isto pode ter algum significado? O que faz do homem algo mais importante do que uma formiga ou um gafanhoto? Na vastidão do espaço universal, ele sente-se nulo, irrelevante, inconseqüente, presente por algum momento e depois sendo tragado pela eternidade. A vida se assemelha a um exercício de futilidade.
“Como seria possível minha vida ter significado?”, pergunta-se a pessoa. ‘Quando eu partir, quem é que vai sentir minha falta, e, por quanto tempo? E se alguém sentir, de que proveito me será? Sou apenas mais um dentre milhares de milhões. Quem observa, quem se importa, quem se lembra?’
Mas, espere! Existe alguém que observa. Alguém que se preocupa. Alguém que se lembrará. A vida tem significado, se quiser que seja assim, se fizer por onde. Os artigos que seguem mostram que isto é verdade.
-
-
A necessidade de ter algum significadoDespertai! — 1981 | 8 de abril
-
-
A necessidade de ter algum significado
Quem necessita dele? Não a minhoca ou a águia, o esquilo ou a baleia. É somente o homem, dentre todas as criaturas terrenas, que levanta a pergunta: Tem a vida algum significado? Todas as gerações refletiram sobre isto. Se a necessidade de ter algum significado não fosse inerente ao homem, a questão não o teria perseguido, no decorrer dos séculos.
A TERRA parece grande ao homem, mas é um pequeno planeta orbitando uma estrela de tamanho médio, que chamamos de sol. Nosso sol, com seu diâmetro de 1.382.400 km, nos parece impressionante até que ficamos sabendo que alguns supergigantes vermelhos chegam a ter 3.200.000.000 km de diâmetro. A luz, viajando a uma velocidade de 297.600 km por segundo, leva 8 minutos para atingir a terra, mas são necessários 100.000 anos para atravessar a nossa galáxia Via-Láctea, que tem cerca de 100.000.000.000 de estrelas.
Alguns astrônomos calculam que existem tantas galáxias no espaço quantas estrelas na Via-Láctea. Radiotelescópios detectaram luz procedente de uma distância de 10.000.000.000 anos-luz.a Ainda assim, tais números estonteantes não nos dão o tamanho do universo.
A desconhecida vasta imensidão do espaço não é preocupação alguma para o coelho, a barata ou o chimpanzé, ou para qualquer outro animal. O homem, porém, pasma diante de tal imensidão. Há muito tempo, o Rei Davi, de Israel, contemplou apenas uns dois ou três milhares de estrelas nos céus, e apenas esta pequenina fração do espaço universal levou-o a exclamar a Jeová Deus: “Quando vejo os teus céus, trabalho dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem mortal para que te lembres dele, e o filho do homem terreno para que tomes conta dele?” — Sal. 8:3, 4.
Davi sentiu-se pequeno diante de alguns milhares de estrelas. Sabendo da existência de incontáveis milhões de galáxias, deveríamos nos sentir microscópicos! Se a terra é mera partícula de pó no universo, de que importância são os indivíduos que vivem nesta partícula?
Não é apenas a nossa pequenez num grande universo, mas também a nossa curta existência, nos eões de tempo, que nos faz achar difícil crer que a vida tenha algum significado. Assim como os animais não têm compreensão do espaço universal, também não têm noção de tempo, mas “[Deus] pôs na mente do homem a idéia da eternidade”, “deu aos homens o senso de tempo passado e futuro”. (Ecl. 3:11, Almeida, versão da Imprensa Bíblica Brasileira e The New English Bible [A Nova Bíblia Inglesa]). Embora sabendo que o tempo é eterno, o homem é também informado que sua vida é muito curta.
O salmista diz: “Quanto ao homem mortal, seus dias são como os da erva verde; está florindo como a flor do campo. Pois há de passar sobre ela o mero vento e ela não é mais; e não mais a reconhecerá o seu lugar.” “O próprio homem se assemelha apenas a uma exalação; seus dias são como uma sombra passageira.” O escritor bíblico cristão, Tiago, concorda com isto: “Sois uma bruma que aparece por um pouco de tempo e depois desaparece.” — Sal. 103:15, 16; 144:4; Tia. 4:14.
Sendo tão fugaz e seguida por um futuro de oblívio, como pode a vida ter qualquer significado? Mas, a ânsia para que tenha significado e continuidade é tão grande que as doutrinas das almas imortais e das reencarnações invadem a cena. Muitos sentem a necessidade de tornar memorável a vida presente por legar algo de si — um livro, uma pintura, uma composição musical, uma dotação, uma fundação, qualquer coisa que forneça alguma espécie de evidência tangível de que existiram. Parece que lhes faz bem sentir que houve alguma coisa que deu algum sentido à sua existência. Mesmo os que se tornaram famosos se desvanecem da memória, à medida que são eclipsados por personalidades proeminentes, agora vivas. Quanto a qualquer tentativa de mudar esta realidade da vida, o veredicto é: “Eis que tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento.” — Ecl. 1:14.
Apesar da pequenez do homem no contexto do espaço universal, contudo, e apesar de seu surgimento fugaz na corrente do tempo, o homem sente ainda a necessidade de sentir que sua vida é significativa. Isto brota da maneira como foi criado. É uma necessidade inata. Viktor Frankl, o psiquiatra que criou a escola psiquiátrica de logoterapia, que ele define como terapia do significado, diz: “O empenho para dar à sua vida algum significado é a principal força motivadora do homem.”
Como pode ser satisfeita a necessidade de dar à nossa vida algum significado? O artigo que segue, fornece alguns requisitos.
[Nota(s) de rodapé]
a Um ano-luz = aproximadamente 9,6 trilhões de quilômetros.
[Destaque na página 5]
Se a terra é mera partícula de pó no universo, de que importância são os indivíduos que vivem nesta partícula?
[Destaque na página 5]
“O empenho de dar à vida algum significado, é a principal força motivadora do homem.”
-
-
Construindo vidas significativasDespertai! — 1981 | 8 de abril
-
-
Construindo vidas significativas
POR ESTABELECER ALVOS
“Ate a sua carroça a uma estrela”, aconselha o velho ditado. Alvos nobres fornecem direção significativa à nossa vida, não nos permitem deixar o barco correr, andar aos tropeções ou ficar estagnados. As criaturas humanas são orientadas em direção a alvos. Estabelecer metas ajuda o progresso e fortalece a determinação. O psiquiatra Viktor Frankl, em Man’s Search for Meaning (A Procura do Homem por Algum Significado), escreve sobre a importância de alvos até mesmo em campos de concentração nazistas: “Qualquer tentativa de restaurar a força interior de um homem no campo, tinha que ser seguida de lhe mostrar primeiro, com êxito, algum alvo futuro.”
Narrou o caso de dois homens, no campo, que decidiram cometer suicídio — o que tinham, que justificasse o viver? Mas, quando um deles se lembrou de que seu filho amado esperava por ele, e o outro de que tinha ainda de completar uma série de livros científicos, ambos escolheram viver. “Arrisco-me a dizer que não existe nada neste mundo”, escreveu Frankl, “que seria tão eficaz em ajudar alguém a sobreviver, mesmo sob as piores condições, do que o conhecimento de que existe algum significado na vida”.
Se isto é verdade sob “as piores condições”, quanto mais o estabelecer alvos e tentar alcançá-los ajudaria as pessoas no seu dia-a-dia!
POR DEDICAR-SE AO TRABALHO
No entanto, os alvos, em si mesmos, significam pouco. Apenas quando acompanhados por ações, têm significado genuíno. Um fazendeiro talvez tenha como alvo a colheita de certa plantação, mas, a fim de materializá-lo, precisa semear a semente e fazer todo o trabalho adicional exigido para produzir e colher a safra. Não pode ser semelhante ao fazendeiro descrito em Eclesiastes 11:4: “Quem vigiar o vento, não semeará; e quem olhar para as nuvens, não ceifará.”
As realizações refletem as qualidades e habilidades do trabalhador, mostram o que é, e, quando são bem sucedidas, dão-lhe um senso de realização. “Uma vida longa sem o senso de realização é muito enfadonha”, diz o Dr. Hans Selye.
Até mesmo as crianças se beneficiam do trabalho. A professora Alice Rossi, socióloga da Universidade de Massachusetts, E.U.A., urge com os pais, dizendo-lhes que devem dar tarefas aos filhos, no lar: “Sentir-se útil e necessário é tão importante quanto sentir-se amado. Contudo, nossos conceitos a respeito de criar filhos têm enfatizado apenas o amor e a necessidade que a criança tem de brincar, desprezando o trabalho que os filhos podem realizar.”
POR OCUPAR A MENTE COM ASSUNTOS ESPIRITUAIS
O propósito e o significado fundamentam-se nas coisas do espírito, não da carne. Frankl escreveu a respeito da capacidade de resistir às torturas, nos campos de concentração, devido à força espiritual: “A conscientização de seu valor interior é ancorada em valores mais elevados, mais espirituais, que não podem ser abalados pela vida no campo.” O que leva executivos bem-sucedidos, materialmente prósperos, a mudar de carreira na meia-idade? O psicólogo Levinson disse que começam a indagar-se: “Tudo se resume nisto? Compensou tudo o que tive de sacrificar ao longo do caminho? Desejo prosseguir, sob tais condições, pelo resto de minha vida?”
É o conscientizar-se da necessidade espiritual da pessoa, e a satisfação desta, que gera felicidade e dá sentido a vida. (Mat. 5:3) O apóstolo Paulo escreveu: “Pois a mentalidade segundo a carne significa morte, mas a mentalidade segundo o espírito significa vida e paz [com Deus].” (Rom. 8:6) Estude a Bíblia e venha a conhecer Jeová Deus e Cristo Jesus, pois ‘isto significa vida eterna, absorver conhecimento do único Deus verdadeiro, e daquele que ele enviou, Jesus Cristo’. — João 17:3.
POR MANTER A ATITUDE CORRETA
“Aconteça-vos”, foi o que disse Jesus a dois cegos que imploravam visão, “segundo a vossa fé”. Aconteceu-lhes o que queriam, porque tinham atitude positiva e creram. (Mat. 9:29) Empenha-se na realização de algum objetivo com confiança e energia, não titubeando ou ficando num quero-e-não-quero? Pense de modo negativo e colherá resultados negativos; pense de modo positivo e colherá resultados positivos. As dúvidas são traidoras que nos fazem perder o que poderíamos obter, se não tivéssemos medo de tentar. Pense no que é bom. (Fil. 4:8) Por que isto é tão vital? Em virtude do princípio expresso em Provérbios 23:7: “Como ele pensa consigo mesmo, assim [ele] é.” — Almeida, versão da Imprensa Bíblica Brasileira.
POR SER PRESTATIVO
Sentimo-nos úteis quando podemos ajudar outros. Mostra que temos algo a oferecer, e Jesus disse: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” (Atos 20:35) Vidas úteis convertem-se em vidas significativas, sendo encaradas assim pelos outros, bem como por nós mesmos. Servir a humanidade pode, em si mesmo, ser uma meta, e pode dar sentido à vida da pessoa.
O servir a Deus produz muito mais no sentido de nos capacitar a encarar nossa vida como significativa, muito embora sejamos pequenos, num vasto universo, e nossa existência seja apenas uma pequena fração na corrente do tempo.
POR SOFRER EM FAVOR DE UMA CAUSA JUSTA
“O sofrimento deixa de ser sofrimento, em certo grau, no momento em que encontra uma causa, tal como o significado dum sacrifício”, ensina Frankl. “O homem está até disposto a sofrer, sob a condição de estar certo de que seu sofrimento tem sentido.” Que maior sentido poderia ter do que ser pela justiça?
“Felizes os que têm sido perseguidos por causa da justiça”, disse Jesus. Os apóstolos sentiram tal alegria: “Mandaram [a corte judaica do Sinédrio] chamar os apóstolos, chibatearam-nos e ordenaram-lhes que parassem de falar à base do nome de Jesus, e soltaram-nos. Estes, portanto, retiraram-se do Sinédrio, alegrando-se porque tinham sido considerados dignos de serem desonrados a favor do nome dele.” (Mat. 5:10-12; Atos 5:40, 41) Não há mérito algum em se sofrer por ter praticado o mal, mas se você sofrer por fazer o bem, isto “é algo agradável a Deus”. — 1 Ped. 2:20.
-
-
A derradeira fonte de significadoDespertai! — 1981 | 8 de abril
-
-
A derradeira fonte de significado
“A ÚNICA estrutura adequada para a moralidade é aquela que se fundamenta no derradeiro sentido da vida.” Esta é a afirmação feita por destacado psiquiatra, Rollo May. Ele levanta a questão sobre onde esta estrutura e derradeiro sentido da vida podem ser encontrados, e responde: “A derradeira estrutura é a natureza de Deus. Os princípios de Deus são os princípios que inspiram a vida desde o começo da criação e até o fim.”
“O homem tem um relacionamento com Deus”, prossegue May. “Isto é tão fundamental no homem que é atribuído à sua criação, quando foi ‘feito a imagem de Deus’.” Também menciona que o ego e a obstinação do homem fazem-no apartar-se da imagem divina, e isto gera conflitos e tensões interiores, e sentimentos de culpa. Isto nos recorda o dilema do apóstolo Paulo, segundo se expressou: “Pois o bem que quero, não faço, mas o mal que não quero, este é o que pratico. Homem miserável que eu sou!” (Rom. 7:19, 24) O ponto básico destacado aqui, contudo, é que o derradeiro sentido da vida deve ser buscado numa relação com Jeová Deus.
A pessoa se sente diminuída, não apenas pelo espaço e pelo tempo, conforme anteriormente considerado, mas, também pelos pululantes milhões de criaturas humanas na terra, todo ao seu redor. “Quanto maior for a massa de gente”, diz C. G. Jung, “tanto mais insignificante o indivíduo se torna”. Ele sente-se “sobrepujado pela compreensão de sua própria pequenez e impotência”, e que, como conseqüência, “sua vida perdeu o significado”.
As massas da humanidade, porém, tão engolfadoras para o indivíduo, são como nada, quando comparadas a Deus. Para ele, “as nações são como uma gota dum balde; como a camada fina de pó na balança . . . Todas as nações são diante dele como algo inexistente”. (Isa. 40:15, 17) Isto foi escrito há mais de 2.000 anos antes de serem estabelecidas as modernas escolas de psicologia, figura central das quais sendo Sigmund Freud, nascido em 1856 E.C.
Para que a nossa vida tenha algum significado real, precisa ter um vínculo com Jeová Deus, o Criador do Universo. Muitos hoje em dia, contudo, duvidam até mesmo se Deus existe, portanto têm dificuldade em relacionar-se com ele. No entretanto, a evidência em favor de sua existência é farta. Muitos olham para os céus e a terra e concordam com o apóstolo Paulo, quando disse: “As suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante. Porque são percebidas por meio das coisas feitas.” Podem, também, fazer eco ao salmista, quando registrou suas palavras: “Os céus declaram a glória de Deus; e a expansão está contando o trabalho das suas mãos.” — Rom. 1:20; Sal. 19:1.
Que o universo teve um princípio, goza agora de consenso geral entre os cientistas. O primeiro versículo da Bíblia também diz isto: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” (Gên. 1:1) Robert Jastrow, em seu livro God and the Astronomers (Deus e os Astrônomos), escreveu:
“Vemos agora como a evidência astronômica conduz ao conceito bíblico sobre a origem do mundo. Diferem os detalhes, mas os elementos essenciais nos registros astronômico e bíblico são os mesmos: a cadeia de acontecimentos que chega ao homem começou súbita e abruptamente, num momento definido no tempo, numa manifestação súbita de luz e energia. Alguns cientistas não se agradam com a idéia de que o universo tenha começado deste modo. . . . Mas a última evidência torna quase certo que a Grande Explosão realmente ocorreu há muitos milhões de anos atrás.”
O teórico britânico Edward Milne, num tratado matemático sobre a relatividade, concluiu: “Quanto à causa primária do Universo, no contexto da expansão [a Grande Explosão], inseri-la fica a critério do leitor, mas sem Ele o nosso quadro é incompleto.”
O Journal of the American Medical Association (Revista da Associação Médica Americana), de 22 de agosto de 1977, página 899, disse: “Hoje em dia, pelo menos 80% dos cientistas da área de biologia, admitiriam, provavelmente, que a biologia e a vida são regidas por algum poder superior.
“A soberba ordem e regência nas várias manifestações de vida e nos processos básicos a nível celular e molecular, exercem forte influência na crença de que um poder superior existe.”
Saiba-se, contudo, que esta reconhecida grande Causa Primária, cujo nome é Jeová, teve um propósito, ou alvo, ao fazer a terra: “Formou a terra . . . a fez e a estabeleceu, não a criando para ser um caos, mas para ser habitada.” Assim, também, quando Adão foi colocado no jardim, foi com um propósito: “para o lavrar e o guardar”. A Adão e Eva Deus disse: “Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.” (Isa. 45:18; Gên. 2:15; 1:28, Almeida, IBB.) “Tudo Jeová fez para seu propósito”, este é seu propósito para com a humanidade e seus propósitos jamais falham. — Pro. 16:4; Isa. 46:11.
Hoje em dia as pessoas trabalham em prol de alvos que as fazem imaginar que suas vidas têm significado, mas existe alguma qualidade duradoura em tais objetivos? Sobreviverá tal significado no tempo e no espaço universal? A derradeira fonte de significado é o cumprir voluntariamente a tarefa que Jeová Deus ordenou à humanidade — cuidar da terra, embelezá-la, exercer amorosamente a supervisão sobre a vida animal, louvar a Jeová, à medida que usufruem a vida sob o reino de Jesus Cristo. Deste modo, não mais se sentirão ananicados pelo espaço ou tragados pelo tempo. Cada um vai então se harmonizar com o propósito de Deus concernente à terra. Cada vida terá então significado, significado para o homem e para Deus. E se seu derradeiro sentido na vida for não ser tragado pelo tempo, estabeleça como seu alvo ganhar a vida eterna na terra paradísica, sob o reino de Cristo.
Existe outro aspecto na vida dedicada a Deus que lhe confere um significado de importância universal. Recorda-se das palavras do antigo homem, Jó citadas no artigo inicial desta série? Lembra-se de como tais palavras lamentavam amargamente a brevidade da vida e seus dias cheios de inquietação? Bem, os dias de Jó estavam repletos de inquietação devido a um desafio levantado milhares de anos antes, por Satanás, o Diabo. Tal desafio consistia em afirmar que Jeová não seria capaz de ter pessoas na terra que mantivessem sua integridade a Ele, sob teste.
Sem dúvida numa alusão a esta questão previamente levantada, Jeová em certa ocasião perguntou a Satanás: “Fixaste teu coração no meu servo Jó que não há ninguém igual a ele na terra, homem inculpe e reto, temendo a Deus e desviando-se do mal?” A réplica de Satanás foi: ‘Puseste tu mesmo uma sebe em volta dele! Permita-me despojá-lo de seus bens e ele te amaldiçoará na tua face!’ Permitiu-se a Satanás fazer isto, e, mais tarde, concedeu-se-lhe até mesmo provocar doença dolorosa e tormento a Jó. A questão entre Deus e Satanás foi de âmbito universal, pois foi ventilada diante de anjos na corte celestial de Jeová Deus. — Jó 1:6 a 2:8.
Permitiu-se a Satanás fazer a Jó tudo o que pudesse, a fim de quebrantar sua integridade, mas ele falhou. Jó exclamou: “Até eu expirar não removerei de mim a minha integridade!” Mais tarde declarou: “Deus chegará a saber a minha integridade.” Jó provou Satanás como sendo mentiroso e seu desafio falso. Suas palavras posteriores constituem um brado de esperança para toda a humanidade: “E eu mesmo bem sei que meu redentor está vivo, e que, vindo depois de mim, levantar-se-á sobre o pó. E depois da minha pele, que esfolaram — isto! Ainda que reduzido na minha carne, observarei a Deus, a quem até mesmo eu observarei.” — Jó 27:5; 31:6; 19:25-27.
Embora muitos outros tenham falhado, algumas pessoas no decorrer dos séculos mantiveram integridade a Deus e provaram falso o desafio de Satanás, e este foi o alcance de sua contribuição à vindicação do nome de Jeová. Certamente, nada poderia dar à vida um significado maior do que este, o de apoiar a causa do Criador do universo, e demonstrar tanto a homens quanto a anjos que Satanás mentiu quando disse que seria capaz de desviar de Deus todos os homens!
Através do livro bíblico de Eclesiastes, Salomão repetidas vezes se referiu a esta vida e seus trabalhos seculares como sendo vaidade, e repudiou-a como “os poucos dias da sua vida vã, os quais gasta como sombra”. (Ecl. 6:12, Almeida, IBB) . Mesmo assim, admoestou os jovens a lembrarem-se de seu Criador e concluiu seus escritos com estas palavras: “A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. Pois o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau.” — Ecl. 12:13, 14.
Uma vida marcada pela integridade a Deus não é vaidade, não é fútil, não é destituída de significado. Jeová, o Criador do universo, é a derradeira fonte de significado, e uma vida dedicada e devotada a Ele durará para sempre e será sempre significativa.
-