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Nascidos para crer em DeusA Sentinela — 1962 | 1.° de janeiro
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se originarem de um Autor que não saiba nada sobre o amor, a justiça e o juízo? Não, não o podemos. A Bíblia nos diz que “Deus é amor”, que “justiça e juizo são a base, do seu throno”. — 1 João 4:8, NM; Sal. 97:2.
Nada poderia ser mais veraz do que a existência de Deus, visto que tanto a Bíblia como a natureza o testificam tão eloqüentemente. Portanto, na própria Palavra de Deus, os descrentes são apropriadamente chamados de tolos e são justamente julgados como sendo inescusáveis. — Sal. 14:1; Rom. 1:20.
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A sinagoga — precursora da assembléia local cristãA Sentinela — 1962 | 1.° de janeiro
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A sinagoga — precursora da assembléia local cristã
PARA a maioria dos cristãos, hoje em dia, a sinagoga é um lugar desconhecido. Mas isto não se dava com os primeiros cristãos. Muitos deles não só tinham adorado em sinagogas, antes de se tornarem cristãos, mas puderam também observar que as suas assembléias locais seguiam na maior parte o modelo da sinagoga.
A palavra grega para “sinagoga”, synagogé, tinha originalmente o mesmo significado que ecclesía, a saber, assembléia ou congregação. Isto é aparente do modo como se usava a raiz verbal synágo. Um exemplo típico disso acha-se registrado em Mateus 18:20: “Onde dois ou três estão congregados [synágo] em meu nome, alli estou eu no meio delles.” É por isso que “ecclesia” e “sinagoga” são usadas permutavelmente na tradução bíblica da Versão dos Setenta.
Com o passar do tempo, porém, “ecclesia” manteve o seu significado original — razão pela qual a Tradução do Novo Mundo, assim como Tyndale; usa a palavra “congregação” em vez de “igreja” ao traduzi-la — ao passo que “sinagoga” assumiu o significado dum local de reunião dos judeus. No entanto, este termo não perdeu de todo seu significado original, pois a Grande Sinagoga não era um grande edifício, mas era uma assembléia de famosos sábios, com o atributo de decidir o cânon das escrituras hebraicas para os judeus palestinianos. E, dentre as aproximadamente sessenta vezes que “sinagoga” aparece nas Escrituras Gregas Cristãs, nuns três ou quatro casos é também usada neste sentido. Lemos assim a respeito da “sinagoga, chamada dos Libertos”, da “sinagoga de Satanás” e de certos que mostraram parcialidade ao “entrar na vossa sinagoga [reunião, NTR]” algum homem em trajes de luxo. — Atos 6:9; Apo. 2:9; Tia. 2:2, ARA.
A sinagoga judaica teve seu início por ocasião do cativeiro de setenta anos ou pouco depois. Nos dias de Jesus Cristo, cada cidade de algum tamanho tinha a sua própria sinagoga e as cidades maiores tinham mais de uma. Tiberíade gabava-se de doze, e a tradição atribui à Jerusalém centenas delas. O costume era construí-las na vila ou cidade, ou perto dela, numa elevação, com a frente para o leste, em direção à Jerusalém. Hoje em dia não está bem claro como se financiava a construção delas, embora as Escrituras relatem que num caso um oficial de exército construiu uma para os judeus. — Luc. 7:5.
Na própria sinagoga, na parte da frente, havia a arca ou o cofre com a possessão mais preciosa da sinagoga, os rolos das Escrituras. Na parte da frente havia também a tribuna de orador e em cada lado dela ‘os primeiros lugares na sinagoga’, muito cobiçados pelos escribas e fariseus. Estes enfrentavam a assistência e eram ocupados pelas autoridades presidentes da sinagoga e por hóspedes de destaque. No entanto, a maior parte dos serviços era realizada no centro da sinagoga, tornando assim fácil que todos participassem e que todos ouvissem. Pelos três lados havia os bancos para a assistência, com uma parte separada para as mulheres. — Mat. 23:6.
Assim como se dava com as sinagogas, também os locais de reunião dos cristãos se achavam espalhados pelo país, havendo mais de um nas grandes cidades. No princípio usavam-se as sinagogas judaicas, sendo que os cristãos judeus de Jerusalém se reuniam também nos pórticos do templo, mas, com o tempo, os cristãos tornaram-se indesejáveis ali, persona non grata, e por isso se viam obrigados a reunir-se separadamente. Entre os primeiros locais separados achavam-se os seus próprios lares. Quando começaram a construir, era natural que seguissem em linhas gerais o modelo da sinagoga. — Filêm. 2.
O OBJETIVO
Foi especialmente quanto ao seu objetivo que a sinagoga serviu de precursora para os locais de reunião dos primitivos cristãos. A sinagoga judaica era, acima de tudo, conforme se observa no Talmude, uma escola. Era um local de instrução, de ensino, de exortação e de estímulo. As religiões pagãs não tinham nada comparável a ela.
Foi por isso que Jesus e seus apóstolos e primeiros discípulos entravam freqüentemente nas sinagogas, para ensinar, instruir e estimular os presentes. Este objetivo foi bem entendido pelos encarregados da sinagoga, pois lemos que, quando Paulo e Barnabé chegaram a Antioquia, na Pisídia, e entravam na sinagoga ali, num sábado, assentando-se, “os chefes da sinagoga mandaram dizer-lhes: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação para o povo, dizei-a”. — Atos 13:14, 15, ALA.
Assim foi também com os primeiros locais de reunião dos cristãos. Acima de tudo o mais, tratava-se de escolas, de lugares que não serviam apenas para louvar a Deus e fazer oração, mas em que a pessoa fazia uma declaração pública da sua esperança, onde se consideravam uns aos outros para se estimular ao amor e a obras corretas e se falavam palavras de estímulo. — Heb. 10:23, 25, NM.
A FORMA DE ADORAÇÃO
A forma de adoração praticada na sinagoga era coerente com a sua qualidade de escola. Parece ter-se composta de louvor, oração, recitação e leitura das Escrituras, exposição e exortação ou pregação. Os louvores oferecidos salientavam os Salmos. As orações, embora até certo ponto tiradas das Escrituras, foram oferecidas em moldes rituais, extremamente longas, sendo que a parte mais solene compunha-se de dezenove bendições.
A parte mais importante da adoração na sinagoga, porém, era a leitura e a exposição da Tora. Esta era uma particularidade tão destacada, que o Midras diz que sem a Tora não haveria sinagoga.
Na realidade, a leitura das Escrituras compunha-se de três partes. Primeiro havia a recitação da Shemá, ou o que importava numa profissão de fé judaica. Era tirada de Deuteronômio 6:4-6; 11:13-21 e de Números 15:37-41. Recebia seu nome da primeira palavra do primeiro texto: “Ouve [Shemá], ó Israel:
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