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É nosso tempo realmente diferente?A Sentinela — 1983 | 15 de agosto
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É nosso tempo realmente diferente?
DESCREVENDO a atual situação mundial, o economista estadunidense Peter F. Drucker declarou: “Não se precisa dizer a ninguém que a nossa era é uma era de infinito perigo. Não se precisa dizer a ninguém que a questão com que nos confrontamos a respeito do futuro do homem não é qual será este, mas se haverá futuro.”
Quais são alguns dos problemas que induzem muitos a se perguntar se a humanidade terá algum futuro? Que perigos distinguem o nosso tempo do das gerações precedentes?
POLUIÇÃO
O ar em muitas das grandes cidades tornou-se prejudicial para a saúde. Mares, lagos e rios são poluídos pelos detritos industriais, que contaminam o peixe que comemos. A camada protetora de ozônio está ameaçada por emissões gasosas. É com bom motivo que a poluição constitui uma causa de preocupação internacional. O diário francês Le Monde publicou o seguinte a respeito duma reunião da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico): “De 1965 a 1975 o meio ambiente sofreu sérios danos. Mesmo que contemos com a diminuição do crescimento [industrial] devido à recessão econômica, o ambiente natural continuará a deteriorar nos anos vindouros caso não se reforce a proteção.”
Alguns afirmam que a poluição não é nenhuma novidade. Se isso fosse verdade, por que se daria que monumentos que permaneceram em pé durante milênios de repente têm sua existência ameaçada? “Dia a dia, a atmosfera poluída de Atenas está conseguindo destruir o que as tropas turcas deixaram de destruir durante seus 400 anos de ocupação da Grécia. Pouco a pouco o mármore está sendo corroído.” — Le Figaro de Paris.
SUPERPOPULAÇÃO
Há outros fatores que complicam ainda mais a situação em escala mundial. O mensário científico francês Science et Vie (Ciência e Vida) tinha o seguinte a dizer sobre a questão do crescimento populacional e a expansão dos desertos: “A população mundial aumentará de quatro para seis bilhões até o ano 2000, ao passo que o solo arável será possivelmente reduzido em 30 por cento no mesmo período, devido ao esgotamento do solo por excesso de cultivo . . . e à urbanização. O caráter simultâneo dessas duas tendências está preparando o caminho para uma situação explosiva.”
É verdade que o crescimento populacional tem diminuído em certos países ocidentais e do Terceiro Mundo. No entanto, de acordo com os especialistas, a superpopulação prosseguirá até pelo menos a metade do próximo século, pois em muitos países o índice de crescimento está aumentando e continuará a aumentar. A vasta maioria dos países em desenvolvimento encontram-se entre os países mais altamente povoados do mundo. A superpopulação identifica o nosso tempo como realmente diferente do passado.
ARMAS
É bem provável que esteja apercebido de que muitos estão alarmados com a corrida armamentista. Milhões de europeus estão apreensivos quanto a viver dentro do alcance de mísseis baseados nos países do bloco oriental ou quanto a ter mísseis estadunidenses instalados em seu solo. Mas, não importa onde more na terra, há motivos para se preocupar com as armas de feixes de laser e de partículas, as armas biológicas ou perigos lançados de satélites ou de orbitadores espaciais. Ademais, alguns especialistas consideram algumas dessas armas como uma nova fase na balança do terror. O senso de vulnerabilidade que produzem pode levar uma nação a considerar vantajoso atacar primeiro.
Pergunte a si mesmo: Tiveram as gerações anteriores tal poder de destruir a maior parte dos habitantes da terra em apenas alguns minutos? Ou é esta uma peculiaridade dos nossos dias?
Perigos tais como os que mencionamos produzem reações diversas, especialmente nos países industrializados. Alguns cidadãos formam comissões para combater a poluição; outros buscam a todo custo a segurança por armar-se, construir abrigos ou mesmo refugiar-se em regiões isoladas. Comentando sobre essa última categoria, o jornal International Herald Tribune declarou: “Pequenos, porém, crescentes, grupos de americanos se estão armando e aprendendo a matar, por que estão convictos de que a ordem social se está desintegrando e de que terão de arranjar-se sozinhos para sobreviver.” Pessoas em outros países, também, estão treinando com armas — tanto mulheres como homens.
Mas, pode haver outra espécie de perigo ainda mais difícil de enfrentar ou do qual escapar — o colapso econômico. Há milhões de desempregados no mundo ocidental, ao passo que o bloco oriental de nações enfrenta outros problemas econômicos. Não observa os efeitos da desordem econômica no lugar onde vive? No fim de 1980, o ex-primeiro-ministro da França, Raymond Barre, disse o seguinte sobre a economia mundial: “Essa é . . . uma crise mundial. Não é nem efêmera, nem superficial, mas duradoura e firmemente arraigada.” O economista Samuel Pisar declarou: “Tudo contribui para corroborar e testificar o fato de que nos encontramos à beira de um novo colapso. Nossos problemas não têm nada em comum com os de há 40 anos, e isso só aumenta a nossa apreensão.” Portanto, para onde poderá voltar-se neste tempo que é tão diferente?
Há muito tempo, Jesus Cristo fez menção dum tempo que, entre outras coisas, se caracterizaria pela “angústia de nações, não sabendo o que fazer”. (Lucas 21:25) Confrontados com tais acontecimentos ímpares, temos de admitir que as palavras dele se ajustam ao nosso tempo, tempo esse tão diferente de qualquer outro no passado. Entretanto, se Jesus realmente se referia aos nossos dias, que significa isso para nós? Indicam todas essas coisas que está próxima uma mudança radical? O próximo artigo o ajudará a responder a tais perguntas.
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O pior tempo e ainda assim o melhor tempoA Sentinela — 1983 | 15 de agosto
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O pior tempo e ainda assim o melhor tempo
CHARLES DICKENS iniciou seu histórico romance, Uma História de Duas Cidades, sobre a Revolução Francesa, com a descrição: “Era o melhor tempo, era o pior tempo.” Com isso, ele tentou expressar a intranqüilidade da época, bem como o otimismo de que ocorriam mudanças momentosas na História.
Mas, à luz do que vimos no artigo anterior, o nosso tempo pode, em muitos sentidos, ser muito mais apropriadamente chamado de “o pior tempo”. Mas, poderia uma época de graves dificuldades ser ao mesmo tempo causa de alegria? Poderia realmente ser “o melhor tempo”? Sim, se tivermos a certeza garantida de que melhores dias logo virão.
Conforme vimos, o mundo está, de muitas formas, atravessando um período de angústia. Mas, há todo o motivo para se crer que o livramento para a humanidade está próximo — livramento do crime, da guerra, da fome e da doença. A Bíblia oferece tal esperança. Todavia, para termos tal esperança, precisamos identificar o tempo em que vivemos e descobrir nas Escrituras Sagradas que proceder devemos seguir.
O NOSSO TEMPO — UMA GERAÇÃO MARCADA
No primeiro século, os apóstolos de Jesus esperavam de início que ele assumisse o poder em Israel qual prometido Messias. Quando notaram que a partida de Jesus era iminente e ainda assim suas expectativas não se haviam cumprido, eles o indagaram quanto à sua volta: “Qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?” (Mateus 24:3) A profecia dada por Jesus em resposta não se cumpriu completamente no primeiro século. E, mais tarde, escritos inspirados indicaram um cumprimento maior mais adiante na História. (Revelação 6:2-8) Poderia ser o nosso tempo?
Jesus indicou que exigiria certo grau de discernimento para se reconhecer o período predito, pois ele preveniu seus discípulos de que a vasta maioria das pessoas não perceberia o significado dos acontecimentos momentosos. Tomando por paralelo o Dilúvio global dos dias de Noé, Jesus disse: “Pois assim como eram os dias de Noé, assim será a presença do Filho do homem. . . . Não fizeram caso, até que veio o dilúvio e os varreu a todos.” — Mateus 24:37, 39.
Como perceberiam os homens a “presença” dele para assim tomarem medidas, a fim de não serem varridos pela destruição, como aconteceu com a maioria nos dias de Noé? Jesus forneceu um profético “sinal” composto que está registrado nos Evangelhos. Vejamos se esse “sinal” é observável hoje, e, em caso afirmativo, o que prediz isso.
GUERRA INTERNACIONAL — AUMENTO DO QUE É CONTRA A LEI: “Nação se levantará contra nação e reino contra reino.” (Lucas 21:10) “Aumento do que é contra a lei.” — Mateus 24:12.
Ocorreram muitas guerras desde 1914, incluindo duas de escala mundial. Mesmo no presente há cerca de um milhão de soldados e guerrilheiros ativos, e mais de 100 rapazes são mortos diariamente, de acordo com o jornal New Zealand Herald. O crime também prospera, como deve estar lamentavelmente apercebido. O jornalista Anthony Lewis observou recentemente: “De países tão diferentes como a Grã-Bretanha . . . e a União Soviética, há relatos de crescente violência criminal e da incapacidade das autoridades de combatê-la.”
TERREMOTOS: Terremotos num lugar após outro.” — Mateus 24:7.
Embora tenha ocorrido grandes terremotos uma vez ou outra no decorrer dos séculos, nesse respeito os nossos dias são especialmente notáveis. Os terremotos têm sido bem numerosos nas últimas décadas. De 1970 a 1979, uma média anual de 80.000 pessoas perderam a vida em terremotos. Esse dado nem ao menos inclui o desastre ocorrido na China em 1976, em que, segundo certas estimativas, 800.000 pessoas perderam a vida!
FOME — DOENÇAS: “Num lugar após outro, pestilências e escassez de víveres.” — Lucas 21:11.
De acordo com a UNICEF, 12 milhões de crianças morreram de fome em todo o mundo durante 1979. Na África, cerca de uma de cada três crianças morre de inanição. Também as doenças continuam a infligir matança em todo o mundo. Quinhentas mil crianças morrem anualmente de sarampo, e um bilhão de pessoas são afligidas por doenças tropicais. Tampouco aqueles que moram em países industrializados podem sentir-se seguros, pois ali o câncer, as doenças cardíacas e as doenças venéreas atacam milhões de pessoas.
TESTEMUNHO MUNDIAL: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada.” — Mateus 24:14.
No período de 12 meses, de setembro de 1981 a agosto de 1982, as Testemunhas de Jeová gastaram bem mais de 384 milhões de horas em divulgar as boas novas e em ensinar as verdades da Bíblia às pessoas. Mais de dois milhões de ministros pregaram em 205 países e ilhas do mar.
O SIGNIFICADO DISSO TUDO
Depois de predizer esses diversos eventos, Cristo revelou seu significado:
“Reparai na figueira e em todas as outras árvores: Quando já estão em flor, sabeis por vós mesmos, observando isso, que já está próximo o verão. Deste modo também vós, quando virdes estas coisas ocorrer, sabei que está próximo o reino de Deus. Deveras, eu vos digo: Esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram.” — Lucas 21:29-32.
O cumprimento de tudo o que Jesus descrevera constituiria um “sinal” composto, indicando a proximidade do Reino de Deus tão infalivelmente quanto árvores ‘já em flor’ anunciam a chegada do verão. Mas, quando começaram a ocorrer tais coisas?
Comentando certo acontecimento que modificou a situação do mundo, o economista francês, Alfred Fabre-Luce, disse: “A guerra de 1914 foi o abalo inicial que deu origem a tremores que nos sacodem até hoje.” Muitos outros historiadores e estadistas têm reconhecido que uma era dramaticamente diferente teve início em 1914, quando irrompeu a Primeira Guerra Mundial. É interessante que Pio XI, papa de 1922 a 1939, reconheceu que os eventos ocorridos desde 1914 eram “os sinais dos últimos dias, tais como anunciados pelo Nosso Senhor”. Como vimos, os diversos eventos preditos nesta profecia continuam ocorrendo hoje em dia. Temos, portanto, bons motivos para crer que a geração que testemunhou o impacto inicial em 1914 e que ainda é representada por pessoas vivas hoje precisa ser a que testemunhará o cumprimento final desta profecia.
Portanto, qual deve ser nossa atitude ao passo que essa “geração” envelhece? Não devemos dar lugar ao desânimo ou a indiferença. Antes, precisamos acatar o conselho que Jesus deu depois de alistar os diversos elementos do “sinal”. Ele disse: “Quando estas coisas principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.” (Lucas 21:28) Podemos adotar tal atitude quando descobrimos o que o futuro próximo nos reserva sob o governo do Reino de Deus.
AS PROMESSAS DE DEUS
Muitos acham que suas preocupações atuais diminuiriam se pudessem trabalhar num ambiente mais agradável e com segurança. As Escrituras não menosprezam tal idéia. Profetas tais como Isaías predisseram condições melhores que habilitarão o homem a usufruir a vida: “Hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não labutarão em vão, nem darão à luz para perturbação.” — Isaías 65:21, 23.
Entretanto, as Escrituras dirigem a atenção especialmente para o fato de que as bênçãos de Jeová incluirão também as de natureza espiritual. Os humanos necessitam mais do que mero bem-estar material. Precisamos respeitar os princípios de amor e de justiça, e viver junto com outros que respeitam tais princípios. O Reino de Deus produzirá tal ambiente favorável na terra, o que habilitará as pessoas de coração honesto a se desenvolver plenamente. O profeta acima mencionado acrescenta: “Quando há julgamentos teus para a terra, os habitantes do solo produtivo certamente aprenderão a justiça.” — Isaías 26:7-9.
O Reino de Deus realizará algo impossível para qualquer outro governo, a saber, livrará a humanidade do pecado e de suas conseqüências: os pesares, as doenças e a morte. Quando Deus realizar isso por meio de Jesus Cristo, todos os que amam e praticam a justiça obterão vida eterna. — João 3:16.
BENEFÍCIOS MESMO AGORA
Não devemos desperceber que é possível usufruirmos grande medida de felicidade agora mesmo por vivermos em harmonia com os propósitos de Deus. As coisas más que acontecem na terra são evidentes a todos, e, em si mesmas, não resultam em nenhuma alegria. Todavia, se discernirmos seu significado e assim reconhecermos o “sinal”, poderemos entender por que o nosso tempo é em certo sentido um antegosto do melhor tempo, pois presenciaremos a intervenção de Deus que produzirá uma solução permanente para os problemas do homem.
As Testemunhas de Jeová, embora vivam no meio deste mundo atribulado, conseguem colher benefícios que também estão à sua disposição. O conhecimento que têm das leis de Deus lhes oferece proteção moral e habilita-as a levar uma vida equilibrada. Têm ao seu dispor a paz mental que resulta duma esperança baseada em promessas divinas, junto com conduta piedosa. (Salmo 119:165; 1 Timóteo 4:8) Ademais, haverá um livramento quando, no futuro próximo, Cristo destruir os inimigos de Deus e abrir a oportunidade para recebermos as bênçãos permanentes de Deus. — Sofonias 2:2, 3; Salmo 29:11.
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