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Sionismo — será que cumpre a profecia bíblica?Despertai! — 1976 | 22 de novembro
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Sionismo — será que cumpre a profecia bíblica?
ACONTECEU na segunda-feira, 10 de novembro de 1975, depois de tremores de aviso. Como um terremoto, abalou o mundo da cristandade e do judaísmo. A assembléia Geral das Nações Unidas, por maioria de dois votos a favor para cada voto contra, adotou uma resolução que declarava o sionismo uma forma de racismo e discriminação racial.
Setenta e duas nações votaram a favor desta resolução, ao passo que trinta e cinco votaram contra ela. Houve 32 nações que se abstiveram, e três estavam ausentes. Os apoiadores incluíam também os países comunistas, exceto a Romênia, que estava ausente. A maioria das nações asiáticas a aprovaram, junto com Chipre, Turquia, Guiana, Portugal, México e Brasil. A maioria das nações africanas se uniram em condenar o sionismo.
Os opositores da resolução foram, principalmente, as nações professamente cristãs. Estas incluíam as nove nações do Mercado Comum Europeu, todos os países escandinavos, vários da Comunidade Britânica e os Estados Unidos.
O que é sionismo? Por que foi condenado? Conforme definido nas notícias jornalísticas em geral, sionismo é “o movimento a favor duma pátria nacional judaica na Palestina, realizado com a criação de Israel e propagado hoje como uma filosofia orientadora do estado judeu e seus apoiadores’.
Raciocínios Pró e Contra
O impacto da resolução causou ondas imediatas de choque. O embaixador de Israel, Chaim Herzog, furiosamente rasgou em pedaços a resolução lá no tablado em frente da assembléia. O ex-embaixador dos EUA, Daniel P. Moynihan, acusou iradamente a assembléia de um “ato infame”. Desfiles e demonstrações de protesto à ação da ONU surgiram em muitos lugares.
Muitos a consideraram como golpe direto contra os judeus e o judaísmo. O embaixador Herzog, para exemplificar, ligou o sionismo com a adoração judaica, afirmando: “O ideal sionista, conforme delineado na Bíblia, tem sido e ainda é parte integral da religião judaica.” Num congresso em Atlantic City, 3.000 judeus ortodoxos condenaram a resolução como “tentativa de negar os direitos divinamente concedidos do povo judeu quanto à Terra Santa, e, como tal, um ato abominável contra o inteiro povo judeu”.
Os apoiadores da resolução, contudo, contenderam que o voto não era contra o judaísmo e os judeus. Ao invés, afirmaram que o sionismo é uma ideologia política, ao invés de religiosa. Foi a política sionista, afirmam, que desalojou milhares de árabes palestinos de suas terras natais. “Muitíssimo irritante para os árabes”, observou a revista Time, de 24 de novembro de 1975, “é a Lei de Retorno, de Israel, que concede a cidadania instantânea a qualquer judeu que emigre para Israel de qualquer parte do mundo, ao passo que os árabes palestinos que fugiram de sua terra natal, durante a guerra de 1948, ainda estão, na maioria dos casos, impedidos de retornar’.
Oposição dos Judeus Religiosos
É o sionismo um movimento religioso? Será que se relaciona, talvez, às profecias bíblicas a respeito dum retorno dos judeus à sua terra natal?
Os primitivos escritos rabínicos judeus deveras mencionam uma volta futura dos judeus à Terra Prometida, sob a liderança do Messias. No início do século dezenove, contudo, certos judeus vieram a crer que isto deveria acontecer, não por intervenção miraculosa do alto, mas pelo esforço humano.
Um dos que pensavam dessa forma era o Rabino Judah Alkalai (1798-1878). Segundo a Encyclopœdia Judaica, nos meados do século dezenove, Alkalai “ficou convicto de que a era do Messias havia chegado, e que a redenção seria conseguida pela ação humana . . . Tentou induzir pessoas a participar numa reinstalação organizada do judaísmo, ou de alguma parte dele, em sua terra natal, e em se equiparem dos atributos duma nação moderna”.
Desde o início, contudo, muitos judeus opuseram-se ao sionismo por motivos religiosos. Por quê? Afirma The Jewish Encyclopedia: “O judaísmo ortodoxo na Europa, de início, ficou severamente isolado . . . [O sionismo] estava supostamente forçando a mão da Providência e era contrário aos ensinos positivos do judaísmo ortodoxo com respeito à vinda do Messias e a obra providencial de Deus em trazer a restauração.” Até os dias atuais, o mesmo raciocínio move os judeus ultra-ortodoxos a rejeitar o estado de Israel e os alvos do sionismo hodierno.
A religião não provou ser a força motivadora por trás do sionismo. A respeito dos “primitivos pioneiros” que se fixaram na Palestina no despontar do século vinte, o autor israelense, Amos Elon, escreve em The Israelis: Founders and Sons (Os Israelenses: Fundadores e Filhos): “Alguns inevitavelmente racionalizaram sua ação por referirem-se a vínculos religiosos; porém, a maioria era decididamente de irreligiosos. Um ateu confesso declarou pouco depois de sua chegada, em 1907: ‘O que faço não é a vontade de Deus — pois não creio em Deus — mas simplesmente o que é correto, em sentido moral, e, na prática, absolutamente necessário.’”
Mas, se não era a religião, qual era a principal força motivadora! O que moveu milhares de judeus a deixar suas terras natais e fixar residência na Palestina’
“Elemento Dominante” do Sionismo
Foi “em reação aos pogroms tsaristas”, declara a Encyclopaedia Britannica (edição de 1974), que os judeus da Europa oriental “formaram o ‘Hoveve Sião’ (‘Amantes de Sião’) para promover a fixação de lavradores e artesãos judeus na Palestina.”
Continua esta obra de referências: “Uma virada política foi dada ao sionismo por Theodore Herzl, jornalista austríaco que considerava a assimilação [de judeus na sociedade gentia] como muitíssimo desejável, mas, em vista do anti-semitismo, impossível de realizar-se. Assim, argumentava, se os judeus fossem forçados pela pressão externa a formar uma nação, poderiam levar uma existência normal somente pela concentração em um único território.” Com isto concordam as seguintes observações contidas na Encyclopœdia Judaica:
“O elemento dominante na criação de muitos mais candidatos para a emigração à Palestina, do que já se permitiu alguma vez chegar, não era a ideologia sionista, pelo menos não em sua forma cultural, ‘sintética’, mas sim o crescente horror do anti-semitismo, numa época em que outras portas para a segurança se fechavam, ou estavam inteiramente fechadas para os judeus. O senso de desastre já estava profundamente arraigado na consciência dos judeus europeus pelos eventos que se seguiram logo após o fim da Primeira Guerra Mundial.”
Papel da Cristandade
Embora a maioria das pessoas liguem o sionismo com o povo judeu, grande parte da responsabilidade pelo retorno de milhares de judeus à Palestina, nos anos recentes, cabe à cristandade. Um educador bíblico, que mora no Estado de Israel por mais de duas décadas, teceu as seguintes observações, numa entrevista:
“Árabes muçulmanos , bem como hebreus, concordam que a cristandade provocou a emigração dos judeus de volta à sua antiga terra natal. O Ocidente católico romano e o Oriente ortodoxo, da cristandade, puseram o movimento em ação por suas desumanas perseguições religiosas.
“Exemplificando: quando os judeus vieram aos montes da Rússia, em fins do século dezenove, não estavam vindo por motivos particularmente religiosos. Esses refugiados estavam fugindo de pogroms fomentados pelo Czar russo, sob a influência da Igreja Ortodoxa. Mais tarde, o sistema protestante da cristandade fixou o palco para mais ajuntamento dos judeus na Palestina. Por meio da Declaração Balfour, depois da Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha forneceu o ambiente para um lar judaico na Palestina.”
Que Dizer da Profecia Bíblica?
As Escrituras Hebraicas contêm numerosas profecias sobre a volta da nação de Israel à Terra Prometida. Não só muitos judeus, mas multidões de pessoas na cristandade aguardam um cumprimento futuro e literal de tais profecias.
Será que o sionismo e o Estado de Israel constituem cumprimento das predições bíblicas sobre a restauração dos israelitas à sua terra natal? Vejamos o que a Bíblia realmente diz sobre este assunto. Com respeito à libertação dos judeus do cativeiro na antiga Babilônia, Deus predisse, mediante o profeta Isaías:
“Sou eu quem diz de Jerusalém: ‘Ela será habitada’, e, das cidades de Judá: ‘Elas serão reconstruídas; e eu restaurarei seus lugares arruinados’. . . . [Eu] sou o mesmo que afirma sobre Ciro to rei da Pérsia]: ‘ele é Meu pastor; ele cumprirá todos os Meus propósitos! Ele dirá de Jerusalém: “Ela será reconstruída”, e do Templo: “Serás fundado de novo.”’” — Isa. 44:26-28, Sociedade Publicadora Judaica (JP), 1973, em inglês.
Esta e muitas profecias similares tiveram cumprimento literal no sexto século A. E. C. De que modo? O Rei Ciro, em seu primeiro ano de reinado (538-537 A. E. C.), expediu um decreto de libertação para os judeus, após setenta anos de cativeiro babilônico. Note como o fraseado deste decreto corresponde à predição supracitada de Isaías: “Assim disse Ciro, rei da Pérsia: Todos os reinos da terra o SENHOR, O Deus do céu, me concedeu; e Ele me encarregou de construir-lhe uma casa em Jerusalém, que se acha em Judá. Quem quer que haja entre vós, de todo o Seu povo — que o SENHOR, seu Deus, esteja com ele — que suba.” — 2 Crô. 36:23, JP, 1917.
Que fizeram os israelitas que retornaram à Terra Prometida assim que ali chegaram, A Bíblia relata: “E estabeleceram o altar sobre suas bases; pois pairava sobre eles o medo, por causa do povo dos países, e eles ofereceram ofertas queimadas sobre ele ao SENHOR, sim, ofertas queimadas de manhã e à noitinha.” (Esd. 3:3, JP, 1917) Depois disso, reconstruíram o templo em Jerusalém e reinstituíram a adoração formal de Deus conforme esboçada na lei mosaica. — Esd. 3:8-13; 6:14-16.
É o sionismo um cumprimento moderno destas esperanças, ou, talvez, um passo preliminar para isso? Bem, será que o influxo dos dias atuais de milhares de judeus à sua antiga terra natal resultou no restabelecimento da adoração de Deus ali, em harmonia com os requisitos bíblicos? Segundo a Bíblia, o Israel que Deus restauraria à sua terra natal se tornaria “uma luz das nações, para que a Minha salvação possa atingir as extremidades da terra”. (Isa. 49:6, JP, 1973) Será que as nações hoje se voltam para o Estado de Israel como fonte de esclarecimento espiritual?
Como demonstram os fatos, os judeus emigraram para a Palestina para fugir de pogroms e táticas de exterminação em massa, patrocinados por governos professamente cristãos. Não se trata dum estado religioso, e sim político, que tais refugiados e seus descendentes formaram naquela terra. Os conseqüentes problemas israelo-árabes são de natureza política.
Parte dum “Sinal” Mundial
Ao passo que o sionismo e o Estado de Israel não são o cumprimento das profecias bíblicas sobre a restauração dos judeus à sua terra natal, os eventos do Oriente Médio deveras figuram nas predições bíblicas para os nossos dias. Como assim? Porque tais conflitos são parte do “sinal” mundial que assinala a conclusão do atual sistema de coisas e a proximidade duma nova ordem em que a regência divina substituirá a regência humana.
Pouco antes de sua morte como humano, os discípulos de Jesus lhe perguntaram: “Qual será o sinal da. . . terminação do sistema de coisas?” (Mat. 24:3) Em resposta, Jesus disse: “Ouvireis falar de guerras e relatos de guerras; vede que não fiqueis apavorados. Pois estas coisas têm de acontecer, mas ainda não é o fim. Porque nação se levantará contra nação e reino contra reino, e haverá escassez de víveres e terremotos num lugar após outro.” (Mat. 24:6, 7) Ele adicionou que, através da terra, haveria “angústia de nações, não sabendo o que fazer . . . os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. — Luc. 21:25, 26.
Não atingiram tais condições proporções globais na geração atual, em especial desde a Primeira Guerra Mundial? Isto anuncia algo emocionante para o futuro próximo. O quê? Lemos, em Daniel 2:44:
“Nos dias daqueles reis o Deus do céu estabelecerá um reino, o qual nunca será destruído; nem o reino será deixado para outro povo; fará em pedaços e consumirá todos esses reinos, mas ele perdurará para sempre.” — JP, 1917.
Significa isso uma destruição da terra e de toda vida nela? De forma alguma, pois o reino divino que “perdurará para sempre” tem de ter súditos terrestres. Em Daniel 2:34, 35, esse reino é simbolizado por uma “pedra” que “tornou-se grande montanha, e encheu a terra toda”. (JP, 1917) Isso significa que a regência humana da terra cederá lugar a uma extensão global da regência divina.
Os eventos mundiais hoje em dia, em cumprimento da profecia bíblica, indicam que a atual geração será aquela que sentirá o cumprimento destas grandiosas promessas. (Mat. 24:34) Deus usará esse reino celeste para realizar o que nenhuma filosofia, ideologia ou governo humanos têm conseguido fazer — unir a inteira família humana.
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‘Ermo que se contorce’Despertai! — 1976 | 22 de novembro
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‘Ermo que se contorce’
● “A própria voz de Jeová faz contorcer-se o ermo, Jeová faz contorcer-se o ermo de Cades”, assim reza o Salmo 29:8. Evidentemente, a voz de Jeová é comparada aqui a uma violenta tempestade que procede das montanhas ao norte e vai até a região de Cades, ao sul. Esse vento sopra a areia dum modo que faz parecer que o deserto seco se contorce, isso é, rodopia e vira como se estivesse sentindo dor.
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