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    Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976
    • “duas testemunhas” de Deus, por fim ‘matando-as’ no que tangia à sua obra atormentadora de profetizar “trajadas de saco”, para grande alívio de seus inimigos religiosos, políticos, militares e judiciais. (Rev. 11:3-7; 13:1) Essa era a profecia e foi cumprida. Mas, como?

      Em 7 de maio de 1918, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste de Nova Iorque expediu um mandado de prisão contra certos servos principais da Sociedade Torre de Vigia. Envolvidos estavam o Presidente, J. F. Rutherford, o Secretário-Tesoureiro, W. E. Van Amburgh, Clayton J. Woodworth, e George H. Fisher (os dois compiladores de O Mistério Consumado), F. H. Robison (membro da comissão editorial da Torre de Vigia), A. H. Macmillan, R. J. Martin e Giovanni DeCecca.

      Logo no dia seguinte, 8 de maio de 1918, os deste grupo que se achavam no Betel de Brooklyn foram presos. Por fim, todos ficaram sob custódia. Pouco depois disso, foram conduzidos a um Tribunal Federal, presidido pelo Juiz Garvin. Todos eles receberam uma condenação previamente proferida por um Júri de Instrução, acusando-os de

      “(1, 3) A ofensa de ilícita, delituosa e deliberadamente causar ou tentar causar a insubordinação, a deslealdade e a recusa de servir nas forças militares e navais dos Estados Unidos da América em, mediante e por solicitações pessoais, cartas, discursos públicos, distribuição, e divulgação pública por todos os Estados Unidos da América de certo livro chamado ‘Volume Sete — Estudos das Escrituras — O Mistério Consumado’; e por distribuir e divulgar publicamente nos Estados Unidos certos artigos impressos nos panfletos chamados ‘Mensário dos Estudantes da Bíblia’, ‘A Torre de Vigia’, ‘Notícias do Reino’ e outros panfletos não mencionados, etc; “(2, 4) A ofensa de ilícita, delituosa e deliberadamente obstruir o serviço de recrutamento e alistamento dos Estados Unidos, quando os Estados Unidos estavam em guerra.”

      Principalmente, a acusação se baseava em um parágrafo de O Mistério Consumado. Rezava: “Em parte alguma do Novo Testamento é encorajado o Patriotismo (um ódio míope contra outros povos). Em toda a parte e sempre proíbe-se o assassínio em todas as suas formas; todavia, à guisa de Patriotismo, os governos civis da terra exigem dos homens amantes da paz o sacrifício de si mesmos e de seus entes queridos, e a carnificina de seu próximo, e a saúdam como dever exigido pelas leis do céu.”

      Os irmãos Rutherford, Van Amburgh, Macmillan e Martin enfrentaram uma segunda acusação de negociar com o inimigo, baseada numa afirmação de que os diretores da Sociedade enviaram US$ 500 ao encarregado da sucursal suíça da Sociedade em Zurique. Cada irmão citado legalmente foi colocado sob uma fiança de US$ 2.500 para cada uma das acusares. Abram libertos sob fiança e compareceram ao tribunal em 15 de maio de 1918. O julgamento foi marcado para 3 de junho de 1918, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste de Nova Iorque. Os irmãos se declararam “inocentes” para com ambas as acusações e se consideraram completamente inocentes de todas as acusações.

      Devido ao sentimento manifesto nas audiências preliminares os réus deram entrada em declarações juramentadas que mostravam por que achavam que o Juiz Garvin tinha preconceitos contra eles. Com o tempo, o Juiz Distrital dos Estados Unidos, Harlan B. Howe, foi trazido para presidir ao julgamento. Segundo A. H. Macmillan, embora os réus não estivessem a par dos conceitos de Howe, o governo sabia que ele “tinha preconceito especial a favor da imposição da lei e contra os réus acusados de violá-la”. Macmillan também declarou: “Mas não ficamos por muito tempo em trevas. Desde a primeira palestra dos advogados no gabinete do juiz, antes de o julgamento começar, sua animosidade se tornou manifesta e ele indicou: ‘Vou dar a esses réus tudo o que eles merecem. No entanto, já era agora tarde demais para que nossos advogados dessem entrada numa declaração juramentada sobre o preconceito por parte do juiz.”

      Macmillan disse que a acusação, conforme originalmente apresentada, culpava os réus de terem entrado numa conspiração em algum tempo entre 6 de abril de 1917, quando os Estados Unidos declararam a guerra, e 6 de maio de 1918. Aceitando uma moção, o governo especificou que a data da alegada ofensa se achava entre 15 de junho de 1917 e 6 de maio de 1918.

      CENAS DO TRIBUNAL

      Os Estados Unidos estavam em guerra. Um julgamento dos Estudantes da Bíblia acusados de sedição atraiu assim grande atenção. O que dizer da opinião pública? Favorecia tudo que promovesse o esforço de guerra. Do lado de fora do tribunal, bandas tocavam e soldados marchavam em torno do vizinho Salão da Municipalidade de Brooklyn. Dentro do tribunal, o julgamento de quinze dias se arrastava, acumulando verdadeira montanha de testemunhos. Por que não entrar um pouco e testemunhar os trâmites legais?

      A. H. Macmillan, um dos réus, ajuda-nos a sentir a atmosfera, pois mais tarde escreveu. “Durante o julgamento, o governo disse que se uma pessoa ficasse numa esquina de rua e repetisse a oração do Pai-Nosso com a intenção de desanimar os homens de se alistar no exército, poderia ser enviado à penitenciária. Assim, o leitor pode ver quão fácil era para eles julgar a intenção. Achavam que podiam dizer o que uma outra pessoa pensava, e assim agiram contra nós nessa base, muito embora testificássemos que jamais, em tempo algum, conspiramos fazer algo, de nenhuma forma, que influísse no recrutamento e jamais encorajamos alguém a opor-se a ele. Nada disso adiantou. Certos líderes religiosos da cristandade e seus aliados políticos estavam determinados a nos liquidar. A promotoria, com o consentimento do Juiz Howe visava a condenação, insistindo que nosso motivo era irrelevante e que se podia deduzir a intenção pelos nossos atos. Fui condenado unicamente à base de que contra-assinei um cheque cujo propósito não pôde ser determinado, e que assinei uma declaração de fatos que foi lida pelo irmão Rutherford numa reunião da diretoria. Mesmo assim não podiam provar que era minha assinatura. A injustiça disso nos ajudou mais tarde em nosso recurso.”

      Em certo ponto, anterior diretor da Sociedade foi posto sob juramento. Depois de olhar uma prova que trazia duas assinaturas, disse que reconhecia uma delas como sendo de W. E. Van Amburgh. Eis como reza a transcrição do depoimento:

      “P. Passo-lhe a Prova 31 para identificação, e lhe peço que olhe as duas assinaturas ou supostas assinaturas, de Macmillan e Va[n] Amburgh, e pergunto-lhe primeiro sobre Van Amburgh, se, em sua opinião, essa é uma cópia mimeografada da assinatura dele? R. Acho que sim. Reconheço-a como tal.

      “P. E a do Sr. Macmillan? R. A do Sr. Macmillan não é tão identificável, mas acho que é a assinatura dele.”

      A respeito da defesa apresentada por aqueles que eram julgados, o irmão Macmillan escreveu mais tarde:

      “Depois que o Governo tinha terminado sua acusação, apresentamos nossa defesa. Em essência, mostramos que a Sociedade é uma organização inteiramente religiosa; que os membros aceitam como seus princípios de crença a santa Bíblia, conforme explicada por Charles T. Russell; que C. T. Russell, durante sua vida, escreveu e publicou seis volumes, Estudos das Escrituras, e, já em 1896 prometeu o sétimo volume que trataria de Ezequiel e de Revelação, que, no seu leito de morte, declarou que outrem escreveria o sétimo volume, que pouco depois de sua morte, a comissão executiva da Sociedade autorizou C. J. Woodworth e George H. Fisher a escrever e apresentar o manuscrito para consideração, sem qualquer promessa sendo feita a respeito de sua publicação; que o manuscrito sobre Revelação foi terminado antes que os Estados Unidos entrassem na guerra, e que todo o manuscrito do inteiro livro (exceto o capítulo sobre o Templo) estava nas mãos do impressor antes da promulgação da Lei Contra a Espionagem; destarte, era impossível que se tivesse cometido qualquer conspiração, como foi feita a acusação, para violar a lei.

      “Testemunhamos que nós, em tempo algum, havíamos combinado, concordado ou conspirado fazer seja lá o que for para influir no alistamento ou para interferir no Governo quanto ao prosseguimento da guerra, nem tínhamos nenhuma idéia de assim fazer, que jamais tínhamos qualquer intenção de interferir de qualquer modo com a guerra, que nossa obra era inteiramente religiosa e de forma alguma política; que não solicitávamos membros e jamais aconselhávamos nem encorajávamos a ninguém a opor-se ao alistamento; que as cartas escritas eram para aqueles que sabíamos ser cristãos dedicados que tinham direito, sob a lei, a conselhos; que não estávamos opostos a que a nação entrasse em guerra, mas, como cristãos dedicados, não podíamos empenhar-nos em combate mortal.”

      Mas, nem tudo dito e feito no julgamento era franco e direto. Macmillan mais tarde relatou: “Alguns dos nossos que assistiam ao julgamento mais tarde me contaram que um dos advogados do Governo saíra ao corredor, onde conversara em tons baixos com alguns daqueles que haviam liderado a oposição dentro da Sociedade. Disseram: ‘Não deixe aquele sujeito [Macmillan] sair livre; ele é o pior do grupo. Ele manterá as coisas em andamento se não o apanharem junto com os outros.’” Lembrem-se de que, nessa época, homens ambiciosos tinham tentado obter o controle da Sociedade Torre de Vigia [dos EUA]. Não é de admirar que Rutherford mais tarde avisasse os irmãos deixados como encarregados de Betel: “Fomos avisados de que sete dos que se opuseram à Sociedade e à sua obra no ano passado compareceram ao julgamento e deram ajuda aos nossos perseguidores. Avisamo-lhes, amados, dos esforços sutis de alguns deles de adulá-los agora, no esforço de apoderar-se da Sociedade.”

      Por fim, depois do julgamento extensivo, chegou o esperado dia da decisão. Em 20 de junho de 1918, por volta das 17 horas o processo foi mandado a júri. J. F. Rutherford mais tarde lembrava-se: “O júri hesitou longo tempo antes de dar seu veredicto. Por fim, o Juiz Howe mandou avisá-los de que tinham de declarar o veredicto de ‘Culpados’, conforme um dos jurados posteriormente nos declarou.” Depois de cerca de quatro horas e meia de deliberações às 21,40 horas, o júri voltou com o veredicto — “Culpados”.

      As sentenças foram proferidas em 21 de junho. O tribunal estava repleto. Quando se lhes perguntou se tinham algo a declarar, os réus não responderam. Daí, veio a sentença do Juiz Howe. De modo irado, disse: “A propaganda religiosa em que tais homens se empenhavam é mais prejudicial do que uma divisão de soldados alemães. Não só puseram em dúvida os agentes da lei do Governo e do departamento de inteligência militar, mas também denunciaram todos os ministros, de todas as igrejas. Seu castigo deve ser severo.”

      E foi mesmo. Sete dos réus foram sentenciados a oitenta anos na penitenciária (vinte anos para cada uma das quatro acusações, a decorrer concomitantemente). A sentença de Giovanni DeCecca foi postergada, mas, por fim recebeu quarenta anos, ou dez anos para cada uma das mesmas quatro acusações. Os réus deviam cumprir suas sentenças na penitenciária dos Estados Unidos em Atlanta, Geórgia.

      O julgamento durara quinze dias. O testemunho registrado tinha sido volumoso e o andamento do processo amiúde fora injusto. Com efeito, demonstrou-se mais tarde que o julgamento continha mais de 125 erros. Apenas alguns desses foram necessários para que o Tribunal de Recursos por fim condenasse como injusto o inteiro processo.

      “Sofri e passei por isso tudo junto com os irmãos, ao serem submetidos a esta prova injusta”, comenta James Gwin Zea, presente como observador. Continua: “Ainda posso ver o juiz recusando ao irmão Rutherford a oportunidade de apresentar sua defesa. ‘A Bíblia não vale nesse tribunal’, foi seu comentário. Eu permaneci junto com o irmão M. A. Howlett em Betel naquela noite, e por volta das 22 horas chegara a informação de que eles haviam sido condenados. Foram sentenciados no dia seguinte.”

      Apesar de suas condenações injustas e as severas sentenças que receberam, o irmão Rutherford e seus associados mantiveram-se impávidos. Interessante é que o Tribune de Nova Iorque, de 22 de junho de 1918, noticiou: “Joseph F. Rutherford e seis outros ‘russelitas’, condenados de violarem a Lei Contra a Espionagem, foram sentenciados ontem a 20 anos na penitenciária de Atlanta pelo Juiz Howe. ‘Este é o dia mais feliz de minha vida’, disse o Sr. Rutherford a caminho do tribunal para a prisão, ‘cumprir uma punição terrestre por causa da crença religiosa da pessoa é um dos maiores privilégios que um homem poderia ter’. Uma das mais estranhas demonstrações que o Escritório do Xerife do Tribunal Federal de Brooklyn já viu, foi realizada pelas famílias e amigos intimas dos homens condenados logo depois de os presas serem levados à sala do Júri de Instrução. O grupo inteiro fez o velho prédio ressoar com os acordes de ‘Bendito Seja o Vínculo Que Une’. ‘Tudo é a vontade de Deus’, disseram uns aos outros, com rostos quase que radiantes. ‘Algum dia o mundo saberá o que tudo isso significa. No ínterim, sejamos gratos pela graça de Deus que nos tem sustentado através de nossas provas, e aguardemos o Grande Dia que virá.’”

      Enquanto seu caso estava sob recurso, duas vezes os irmãos tentaram obter livramento sob fiança, mas viram-se frustrados, primeiro pelo Juiz Howe e, mais tarde, pelo Juiz Martin T. Manton. No ínterim, primeiro foram detidos na cadeia da Rua Raymond, de Brooklyn, “o buraco mais imundo em que já me meti”, segundo A. H. Macmillan. Clayton J. Woodworth jocosamente a chamava de “Hotel do Raimundinho”. Essa desagradável permanência de uma semana foi seguida por outra semana gasta na prisão da Cidade de Long Island. Por fim, em quatro de julho, o Dia da Independência dos Estados Unidos, os homens injustamente condenados foram enviados de trem para a penitenciária de Atlanta Geórgia.

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      REGOZIJAM-SE OS INIMIGOS

      O encarceramento destas testemunhas cristãs de Jeová foi um golpe de morte figurado, para grande deleite e alívio de seus inimigos. Cumpriram-se as palavras de Revelação 11:10: “E os que moram na terra alegram-se por causa deles e regalam-se, e enviarão dádivas uns aos outros, porque estes dois profetas atormentavam os que moram na terra.” Os inimigos religiosos, judiciais, militares e políticos das “duas testemunhas” deveras ‘enviaram dádivas’ uns aos outros, no sentido de que se congratularam pela parte que desempenharam em obter uma vitória sobre seus atormentadores.

      Em seu livro Preachers Present Arms (Os Pregadores Apresentam Armas), Ray H. Abrams considerou o julgamento de J. F. Rutherford e seus associados, e observa:

      “Uma análise de todo o caso leva à conclusão de que as igrejas e o clero estavam originalmente por trás do movimento para eliminar os russelitas. . . .

      “Quando as notícias das sentenças de vinte anos chegaram aos editores da imprensa religiosa, praticamente todas essas publicações, grandes e pequenas, regozijaram-se com o acontecido. Não pude descobrir quaisquer palavras de compaixão em qualquer dos periódicos religiosos ortodoxos. ‘Não pode haver dúvida’, concluiu Upton Sinclair, de que ‘a perseguição . . . surgiu em parte de que haviam granjeado o ódio dos grupos religiosos “ortodoxos”’. O que o esforço combinado das igrejas falhara em conseguir, o governo parecia agora ter êxito em conseguir para elas — acabar com estes ‘profetas de Baal’ para sempre.”

      OTIMISMO APESAR DO ‘CATIVEIRO BABILÔNICO’

      De 607 a 537 A.E.C. os judeus se consumiram como cativos da antiga Babilônia. Comparavelmente, os adoradores dedicados de Jeová, ungidos com seu espírito santo, foram levados a um cativeiro babilônico e exilados durante o período da Primeira Guerra Mundial, de 1914-1918. Especialmente, as profundezas de seu estado cativo foram sentidas quando os oito irmãos fiéis da sede da Sociedade foram presos na penitenciária federal de Atlanta, Geórgia.

      Mas, durante este inteiro período de dificuldades, nem sequer um número de A Torre de Vigia deixou de ser publicado. Uma comissão editorial designada manteve o periódico

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