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  • Por que tantos suicídios?
    A Sentinela — 1984 | 1.° de fevereiro
    • Por que tantos suicídios?

      O PAI de Bruce fora durante toda a sua vida um bem-sucedido homem de negócios. Logo no início, seu casamento com a mãe de Bruce se havia rompido, e ele se casara com uma moça mais jovem. Mas, ainda mostrava interesse nos filhos, sendo que certa vez tentou iniciar um negócio com eles. Daí, quando chegou aos seus cinqüenta e poucos anos, sua vida mudou dramaticamente. Um dos seus negócios faliu, e, de repente, viu-se profundamente endividado. Internou-se por alguns dias num hospital, mas nunca contou a ninguém o motivo. Daí, sua jovem esposa o abandonou. E ele cometeu suicídio.

      Bruce comenta: “Gostaria realmente de poder ter feito mais para ajudá-lo. Recuperar-se e recomeçar em sentido financeiro no fim da meia-idade deve ter parecido ser demais para ele. E a idéia de ficar velho, sozinho, e começar a viver com dores — ele não via nenhum propósito nisso.”

      Infelizmente, essa tragédia não é incomum hoje. Só nos Estados Unidos, as estatísticas revelam que em apenas um ano 27.294 homens, mulheres e crianças se mataram deliberadamente. Além disso, alguns afirmam que para cada tentativa bem-sucedida de suicídio, há pelo menos dez pessoas que tentam o suicídio e fracassam.

      Mas, no mundo inteiro, sob as mais angustiantes condições, as pessoas lutam arduamente contra a morte. Pessoas que padecem de doenças dolorosas, prisioneiros com longas sentenças a cumprir, os que vivem em muita pobreza — em geral, todos lutam para permanecer vivos. Por que então acontece que pessoas que não se encontram em tão má situação física tentam dar fim a tudo?

      A pergunta fica ainda mais difícil de responder nos países em que as pessoas afirmam ser cristãs. A Bíblia ensina que a vida é sagrada, uma preciosa dádiva de Deus. (Salmo 36:9) A morte é um inimigo, e Jeová Deus, com grande esforço e sacrifício, possibilitou-nos ganhar a vida eterna. (João 3:16) Contudo, mesmo nos países chamados cristãos é cada vez maior o número dos que se suicidam ou tentam fazê-lo. Por quê? Que tipo de pressões podem fazer com que o bem mais precioso duma pessoa — sua vida — se torne um fardo, de modo que ela queira livrar-se dele?

      EMOÇÕES FATAIS

      “Desespero . . . desesperança . . . mágoa . . . eu estava sufocada por tudo.” Foi dessa maneira que certa mulher, que tomou impulsivamente uma superdose de narcóticos, descreveu o que a induziu a uma tentativa de suicídio. Certo médico que tem lidado com pacientes suicidas acrescenta: “Eles amiúde se sentem inúteis, indefesos, ou sem esperança. E talvez tenham fortes sentimentos de culpa.”

      Assim, em muitos casos as pessoas são levadas ao suicídio por emoções negativas e debilitadoras, que fogem do controle. Muitas vezes, a chave do problema é a desesperança. O suicida em potencial simplesmente não consegue enxergar nada à frente. Parece não haver sentido em continuar a viver.

      Que causa tal desesperança? Sem dúvida, muitos são sufocados pela situação, como se deu com o pai de Bruce. Um grupo da população particularmente vulnerável a isso são os idosos. O Dr. Nathan S. Kline, especialista no estudo da depressão, declara: “A velhice apresenta um tipo especial de solidão, e o índice de suicídios aumenta progressivamente com a idade.” (From Sad to Glad, de Nathan S. Kline) Mas, pode haver outras causas.

      DESESPERANÇA, CULPA E DEPRESSÃO

      Por exemplo, o sentimento de culpa pode ser uma emoção muito difícil com que se conviver. Quando alguém comete algo seriamente errado, sua consciência poderá atormentá-lo, especialmente se o seu erro prejudicou alguém mais. O Rei Davi, da antiga nação de Israel, descreveu como o sentimento de culpa o afetou: “Não há paz nos meus ossos por causa do meu pecado. Porque os meus próprios erros passaram acima da minha cabeça; iguais a uma carga pesada, são pesados demais para mim.” — Salmo 38:3, 4.

      Sentimentos de culpa devido a uma consciência má induziram alguns a achar que não têm futuro, e, portanto, resolvem dar fim à sua vida. Assim, certo rapaz cometeu fornicação e depois suicidou-se com uma arma. Explicou numa nota suicida que não queria causar mais vitupério a outros.

      Alguns se sentem desesperançados devido a um trauma emocional. Podem ter ficado permanentemente afetados pela lembrança de algo ruim por que passaram, que nunca conseguem eliminar completamente da mente. Um exemplo disso é uma mulher jovem que fora incestuosamente violentada pelo pai quando era menina. Embora ela seja hoje adulta, os sentimentos de culpa e indignidade decorrentes desse acontecimento eram tão fortes que ela tentou cometer suicídio.

      Outros talvez se sintam desesperançados por sofrerem de depressão intensa e não conseguem acreditar que irão melhorar. É difícil para os que nunca passaram por uma séria depressão compreender exatamente quão devastadora ela é. Não se trata apenas duma ‘fase de desânimo’. Todos nós passamos por isso de vez em quando. Antes, trata-se duma profunda angústia emocional que paira constantemente sobre a pessoa, independente do que quer que ela faça e de onde quer que ela vá. Parece não haver escapatória.

      Não é incomum essas pessoas que sofrem de tal depressão cogitarem o suicídio. Certa senhora que passou por uma devastadora depressão disse que, na ocasião, precisou ter muito cuidado. Enquanto tomava banho, ocorria-lhe a idéia: “Seria tão rápido eu enfiar a cabeça na água e tudo estaria terminado.” Ou, se enquanto andava pela rua visse um carro vir em sua direção, pensava: “Oh!, isso seria tão fácil!”

      Os que sofrem de depressão também podem ter fortes sentimentos de culpa. Por quê? Uma cristã que sofreu de depressão intensa sentia-se culpada por não poder cuidar da família como fazia no passado, e imaginava estar privando os membros da família de fazer o que desejavam. E sentia que Deus havia retirado Seu espírito dela, porque não tinha paz mental nem alegria. (Filipenses 4:7; Gálatas 5:22) Era somente com muito esforço que conseguia falar alguma coisa sobre Jeová Deus. Muitos passaram pela mesma situação, sendo que alguns chegaram a pensar que haviam cometido o pecado imperdoável.

      Talvez não seja difícil entender por que alguns que têm tais sentimentos negativos finalmente se perguntem se vale a pena continuar a viver. Entretanto, essas não são as únicas coisas que induzem as pessoas a uma tentativa de suicídio.

      OUTROS MOTIVOS PARA O SUICÍDIO

      Certos psicólogos crêem que algumas tentativas de suicídio são esforços de chamar atenção para si. O suicida em potencial está como que clamando por ajuda. Pode até mesmo estar querendo punir alguém — o mesmo tipo de raciocínio que as crianças revelam quando dizem: “Você vai arrepender-se quando eu morrer!”

      Às vezes, também, tem-se a impressão de que o suicida está tentando influenciar os à sua volta. Por exemplo, a moça cujo namorado a deixa talvez faça apenas uma tentativa de suicídio, na esperança de obrigá-lo a voltar para ela. Ou, a mãe idosa talvez tente o suicídio num esforço de obrigar seus filhos adultos a pararem de ignorá-la e a passarem mais tempo com ela.

      Tais exemplos dão uma idéia do tipo de pressões que talvez estejam envolvidas. A situação complica-se ainda mais porque a pessoa muitas vezes guarda dentro de si os problemas. Pode apresentar uma aparência exterior calma, mas por dentro está fervilhando de tensões. Sob tal pressão, só é preciso um pequeno incidente, um estopim, para provocar uma tentativa de suicídio.

      Assim, um homem pode tentar suicidar-se depois de perder o emprego. Ou um adolescente talvez o faça depois de ver os resultados desapontadores dum exame, a morte dum animal de estimação, depois de perder o namorado ou a namorada, ou depois de ficar sabendo que seu professor favorito vai deixar a escola. Tais coisas não são realmente a causa da tentativa de suicídio. São apenas “a gota d’água”, a indignidade final duma longa série de pressões.

      Certa senhora, cuja filha adolescente tentou suicidar-se, ficou completamente chocada quando isso aconteceu. Mas, mais tarde ela descobriu as pressões secretas que podem influenciar os adolescentes. Ela diz: “Sei agora quanta perturbação uma mocinha pode sofrer. As pressões eram demais para ela, e eu estava ocupada demais com outras coisas para ajudá-la. Agora, estou procurando conhecê-la melhor, conversar mais com ela, achegar-me mais a ela. E está dando certo. Minha filha agora dá risadas e brinca comigo, assim como costumava fazer antes disso tudo acontecer.”

      UMA SAÍDA

      O suicídio nunca é justificado. Mas, para os que sofrem emocionalmente, isso talvez pareça tentador, como uma maneira rápida de acabar com a agonia. Entretanto, Jeová, cuja Palavra nos diz que a vida é sagrada, oferece ajuda para os que sofrem tais pressões. A Bíblia promete: “Ele não deixará que sejais tentados além daquilo que podeis agüentar.” Esse texto fala da tentação de “coisas prejudiciais”, tais como a idolatria e a imoralidade. (1 Coríntios 10:6, 13) Nada, porém, é mais prejudicial do que o suicídio. Portanto, também há uma saída para os que se sentem tentados a cometer suicídio. Jeová tem provido ajuda tanto por meio da sua Palavra, a Bíblia, como por intermédio da congregação cristã.

  • Esperança para os desesperados
    A Sentinela — 1984 | 1.° de fevereiro
    • Esperança para os desesperados

      “TODAS as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução, para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras, tivéssemos esperança.” (Romanos 15:4) Tais palavras do apóstolo Paulo nos ocorrem, quando descobrimos que o principal problema do suicida é o desespero, a falta de esperança. Será que o “consolo das Escrituras” não remove esse desespero? Em inúmeros casos, sim. Por exemplo, veja:

      Certa moça já havia aberto o gás, para suicidar-se, quando uma Testemunha de Jeová bateu à sua porta e deu-lhe uma nova esperança baseada na Bíblia.

      Outra moça, cujas esperanças para o futuro foram despedaçadas quando ficou paralítica em decorrência dum acidente de automóvel, fez diversas tentativas de suicídio. Daí, as Testemunhas de Jeová a ajudaram derivar “consolo das Escrituras”, e ela conseguiu novamente ter esperança.

      Por outro lado, a esposa de certo senhor idoso morreu pouco antes do seu 50.º aniversário de casamento. O homem estava muito deprimido e já estava preparando o veneno que planejava tomar, quando as Testemunhas de Jeová bateram à sua porta e lhe mostraram como a mensagem da Bíblia podia proporcionar-lhe um novo objetivo na vida.

      Tais pessoas aprenderam a ‘esperar em Jeová; a ser corajosas’. (Salmo 27:14) Aprenderam a estribar-se nele para obterem forças, a ‘lançar seu fardo sobre Jeová, que as susteria’. (Salmo 55:22) Aprenderam também a respeito dos propósitos de Jeová para o futuro, e, ao passo que se lhes explicou essa perspectiva maravilhosa, sua situação no momento pareceu-lhes menos importante, menos opressiva. Sim, para elas, o “consolo das Escrituras” foi verdadeiro salva-vidas.

      Que dizer, porém, de alguém que tem fortes sentimentos de culpa, ou não tem alegria, e conclui que “o Deus que dá esperança” deve tê-lo abandonado? (Romanos 15:13) Há algum “consolo das Escrituras” para alguém assim? Sim. “Perto está Jeová dos que têm coração quebrantado; e salva os que têm espírito esmagado.” (Salmo 34:18) Realmente, ele não os abandona.

      SENTIMENTOS DE CULPA

      Por exemplo, é compreensível que alguém que cometeu um sério pecado duvide durante algum tempo que Deus algum dia o perdoe. Quando ele sente realmente o choque de dar-se conta do que fez, talvez se sinta como a pior e mais vil pessoa do mundo. Mas, ao passo que Jeová odeia o pecado, ele mostra misericórdia aos pecadores genuinamente arrependidos e que abandonam o proceder errado. A tais pessoas ele perdoa “amplamente”. — Isaías 55:7.

      O Rei Davi, dos tempos antigos, sabia disso. Ele escreveu: “Porque, ó Jeová, és bom e estás pronto a perdoar; e é abundante a benevolência para com todos os que te invocam.” (Salmo 86:5) Davi teve uma longa vida de fidelidade, mas durante ela ele cometeu alguns pecados realmente muito sérios. No entanto, em cada uma dessas ocasiões, quando caiu em si e deu-se conta do que fizera, arrependeu-se sinceramente e chegou-se a Deus em oração, confiante em que Ele o perdoaria. — Salmo 51:9-12.

      Embora não desejemos imitar os pecados do Rei Davi, quando cometemos pecado, podemos imitar seu arrependimento profundo e de coração, admitir abertamente que o que fizemos foi errado, e ter fé na disposição de Jeová de perdoar-nos. — 1 João 2:1, 2.

      No entanto, se o cristão, por algum motivo, não tem alegria ou paz mental, não prova isso que o espírito de Deus se afastou dele? Não necessariamente. Embora os cristãos sejam um povo alegre, ainda podem sofrer às vezes angústia. Isso aconteceu até mesmo com Jesus, tal como quando estava no jardim de Getsêmani, pouco antes de morrer. O registro bíblico diz: “Mas, ficando em agonia, continuava a orar mais seriamente; e seu suor tornou-se como gotas de sangue caindo ao chão.” (Lucas 22:44) Sente-se culpado por sentir às vezes agonia de espírito devido às diversas provações que tem de enfrentar? Em caso afirmativo, deverá buscar consolo em Jeová, assim como Jesus fez.

      Mas, não é algo mau o cristão desejar morrer? Bem, lembra-se de como Jó se sentiu quando estava deprimido? Ele padeceu duma doença repugnante, foi atormentado por falsos amigos e acreditava que Jeová o abandonara. Assim, queixou-se em voz alta: “Minha alma certamente se enfada da minha vida.” (Jó 10:1; 14:13) Para Jó, a morte parecia ser uma saída repousante para a sua agonia, em vez de o inimigo que ela realmente é. — 1 Coríntios 15:26.

      Se Jó tivesse ido adiante, e, em meio ao tormento, tivesse tentado matar-se, isso teria constituído um grave pecado. Mas, quando se está desesperadamente infeliz ou emocionalmente perturbado, nem sempre se consegue controlar os pensamentos que passam pela cabeça. Não obstante, quando nos vemos remoendo idéias de morte, ou desejando constantemente que estivéssemos mortos, devemos considerar isso um sinal de perigo. E hora de fazermos algo urgentemente. O quê?

      ‘BUSQUE AJUDA’

      Certa jovem senhora passou por sérios problemas financeiros e conjugais. No meio duma crise, ela tomou uma superdose de narcóticos, à qual ela felizmente sobreviveu. Refletindo no motivo que a levou a fazer isso, ela agora diz: “Acho que o problema é que eu não dizia a ninguém como me sentia. Não planejei a tentativa de suicídio. As coisas simplesmente se foram acumulando dentro de mim, até que impulsivamente fiz isso.” O que ela aconselha? “Recorra a outros em busca de ajuda antes de chegar a esse ponto.”

      Esse é um conselho salutar. Às vezes, quando nos encontramos sob tensão emocional, nossos fardos podem parecer pesados demais para levarmos. O complexo de culpa, a angústia, ou a desesperança podem simplesmente ser pesados demais. Mas, não se espera que carreguemos sozinhos os nossos fardos. Por meio do apóstolo Paulo, Jeová Deus ordena: “Prossegui em levar os fardos uns dos outros.” (Gálatas 6:2) Há outros que desejam ajudar. Talvez tenham a obrigação de ajudar. Mas, com freqüência, não saberão quanta ajuda você necessita, a menos que lhes diga.

      Certa jovem, que tinha três amigas que se suicidaram, perguntou angustiada: “Como é que a gente podia saber? . . . Como é que a gente podia ter estado lá quando elas necessitavam de nós, se nunca soubemos como se sentiam?” Pode ser terrivelmente difícil contar a outros os seus problemas. Mas, talvez fique surpreso de ver quão facilmente as palavras saem depois que começa. E esteja certo de que há outros que realmente desejam ajudar. Vejamos quem são alguns desses outros.

      [Quadro na página 7]

      Pense nos Outros

      Certa jovem que pensava em suicidar-se explicou o que a impediu de levar adiante a idéia: “Dor, tristeza e complexo de culpa são o que os suicidas deixam para trás — muito mais devastadores e permanentes do que os problemas que lhes pareciam insuportáveis.” — Mateus 7:12.

      [Quadro na página 7]

      As Coisas Vão Melhorar

      “Nada neste mundo dura para sempre. . . . Sabemos que o alívio é iminente.” Esse pensamento levou certa pessoa a rejeitar a idéia do suicídio.

      [Quadro na página 8]

      Mudança de Idéia

      O dr. Herbert Hendin declara que no decorrer dos anos ele chegou a conhecer quatro pessoas que haviam saltado de edifícios altos e haviam sobrevivido. Duas delas disseram que, no momento em que saltaram, desejaram voltar atrás. — “Suicide in America”, de Herbert Hendin, M. D.

  • Eles querem ajudar
    A Sentinela — 1984 | 1.° de fevereiro
    • Eles querem ajudar

      “EXORTAMO-VOS, irmãos, . . . falai consoladoramente às almas deprimidas.” (1 Tessalonicenses 5:14) Com essas palavras à congregação de Tessalônica, o apóstolo Paulo mostrou que a congregação cristã é um importante meio provido por Deus para amparar os deprimidos. Qualquer cristão que se sinta oprimido por emoções nocivas poderá encontrar consolo e ajuda entre seus irmãos cristãos.

      O discípulo Tiago recomendou pedir ajuda aos anciãos designados da congregação. Ele disse: “Há alguém doente entre vós? Chame a si os anciãos da congregação, e orem sobre ele, untando-o com óleo em nome de Jeová. E a oração de fé fará que o indisposto fique bom, e Jeová o levantará.” — Tiago 5:14, 15.

      Que dizer se alguém hesita em pedir a ajuda dos anciãos? Certa senhora que teve um sério problema hesitava nisso, e explica por que: “No íntimo, eu achava que os anciãos não entenderiam. Iriam considerar isso falha minha.” Mas, após uma grave crise doméstica, ela se sentiu induzida a recorrer a eles. O que descobriu ela? “Os anciãos não são perfeitos. Mas eles realmente entenderam.”

      Lembre-se, porém, de que o apóstolo Paulo incentivou a congregação inteira a ‘consolar as almas deprimidas’. Os anciãos querem ajudar. Mas, os que estão deprimidos podem dirigir-se a qualquer pessoa madura com quem se sintam à vontade. Os jovens provavelmente recorrerão aos pais. As mulheres talvez prefiram conversar com irmãs cristãs experientes, que sejam “instrutoras do que é bom”. (Tito 2:3) O importante é: FALE COM ALGUÉM.

      Mas, que dizer se alguém de espírito abatido recorrer à sua ajuda? Ou que dizer se você tomar a iniciativa tentar ajudar alguém assim? Há coisas de que se deve lembrar.

      CONSOLO E PARTILHA DE SENTIMENTOS

      Lembre-se de não tirar conclusões precipitadas da espiritualidade das pessoas deprimidas. Paulo disse que elas necessitam de consolo. Portanto, faremos bem em mostrar-lhes as qualidades sobre as quais ele falou ao escrever aos filipenses: “Se há, pois, algum encorajamento em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma partilha do espírito, se quaisquer ternas afeições e compaixões, tornai plena a minha alegria por serdes da mesma mentalidade e terdes o mesmo amor.” (Filipenses 2:1, 2) Encorajamento, amor, consolo, partilha do espírito, terna afeição e compaixão podem ter um maravilhoso efeito curativo numa pessoa deprimida.

      O apóstolo Pedro acrescentou outra qualidade excelente. Ele disse: “Sede todos da mesma mentalidade, compartilhando os sentimentos, exercendo afeição fraternal, ternamente compassivos.” (1 Pedro 3:8) Qualquer pessoa que saiba ‘compartilhar os sentimentos’, que consiga colocar-se no lugar da outra pessoa, e ganhar a confiança dela e falar consoladoramente com ela, possui o excelente dom de ajudar almas deprimidas.

      DEPRESSÃO INTENSA

      Mas, que dizer se alguém na congregação sofre de depressão intensa? Suponhamos que ele seja afligido por sentimentos de indignidade, culpa, desesperança, ou desespero intensos, e que nada do que se lhe diga parece ajudar? Em primeiro lugar, ele deverá ser aconselhado a procurar orientação médica, visto que a depressão intensa tem muitas vezes uma causa física.a Mas, seja qual for a ajuda profissional que ele procure, ainda há um importante papel que a congregação pode desempenhar.

      Os membros da congregação devem evitar criticar a pessoa deprimida, ou dizer-lhes: ‘Reanime-se’, ou: ‘Deixe disso.’ Certo homem, cuja esposa sofre de depressão, disse que houve ocasiões em que ela teve inclinações suicidas. Por quê? O marido admite que em parte isso foi causado pela falta de compreensão que ele e outros demonstraram para com ela.

      Alguns têm achado proveitoso falar com a pessoa deprimida sobre coisas que antes ela sabia, mas que no momento talvez ache difícil de acreditar porque a depressão confundiu a mente dela. Fale de Jeová, “o Pai de ternas misericórdias e o Deus de todo o consolo”. (2 Coríntios 1:3) Lembre a pessoa de que Jeová está pronto para perdoar “amplamente”. (Isaías 55:7) Fale das belezas da criação de Jeová, lembre-a de quaisquer experiências agradáveis que ela talvez tenha tido nesse respeito. Fale da associação feliz que ela tem usufruído na congregação, do quanto ela ama sua família, e do quanto sua família a ama. Enfatize que embora você não entenda plenamente quão mal ela se sente, a experiência de outros indica que isso vai melhorar. Esteja disposto a escutar com ‘afeição fraternal e terna compaixão’ o que for que ela tiver a dizer, por mais ilógica que sua angústia emocional a tenha tornado.

      Se ela falar em suicídio, leve a sério. E, se ela não mencionar o suicídio, mas você tiver motivos para achar que ela esteja pensando nisso, não tenha medo de trazer o assunto à tona. Talvez queira dizer algo assim: “Sei que se sente muito mal neste exato momento, provavelmente muito pior do que algum dia eu possa entender. Sabe, quando as pessoas se sentem mal como você, pensam às vezes que o melhor seria simplesmente pôr fim a tudo. Sentiu-se assim alguma vez?” Em caso afirmativo, isso trará à tona todo o assunto e ajudará a aliviá-la da culpa resultante desse tipo de idéias.

      ‘MÁQUINA QUE NÃO FUNCIONA DIREITO’

      Certo médico, que também é ancião cristão, relata: “Às vezes, utilizo a analogia duma calculadora. Se as pilhas ficam fracas, não importa que números você aperte, não obterá um resultado confiável. Assim, digo à pessoa que está sofrendo de depressão intensa, que suas ‘pilhas’ ficaram temporariamente fracas. Ela vai ter idéias estranhas e chegar a conclusões esquisitas. Mas, isso só vai acontecer enquanto houver o distúrbio. Quando o problema for eliminado, as coisas irão melhorar.”

      Ele acrescenta: “Nem sempre é o que dizemos que importa. Como companheiros cristãos, fazemos o máximo para compadecer-nos delas. Os anciãos talvez consigam encontrar alguém que tenha passado por muitas experiências na vida, fazer com que se sentem juntos, e conversar com eles, ou apenas escutar. Notei muitas vezes que a pessoa deprimida obteve a maior ajuda duma irmã cristã idosa, que passou por uma depressão intensa. Ela talvez apenas se sente, dê um tapinha no ombro da pessoa e diga: ‘Sei como se sente.’”

      NÃO É IMPOSSÍVEL SUPERAR A CRISE

      É verdade que para a pessoa que sofre sentimentos emocionais ruins, vencê-los talvez pareça exigir um enorme esforço. E a última coisa que a pessoa deprimida quer fazer é algum esforço. Mas o suicídio não é a solução. Certa senhora ficou deprimida durante um longo período. Não queria comer, não conseguia dormir, não tinha forças, era nervosa, tensa e queria morrer. Agora ela escreve: “Seja corajoso. Não importa por quanto tempo esteja sofrendo e não importa qual seja o problema, Jeová pode ajudá-lo e o fará. Eu sou prova disso.” — Filipenses 4:13.

      Há outra coisa que podemos fazer para ajudar as almas deprimidas. Podemos orar a seu favor, seguindo as idéias do apóstolo Paulo: “O nosso próprio Senhor Jesus Cristo, e Deus, nosso Pai, que nos amou e deu consolo eterno e boa esperança por meio de benignidade imerecida, consolem vossos corações e vos façam firmes em toda boa ação e palavra.” — 2 Tessalonicenses 2:16, 17.

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