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Você pode enfrentar a vida — por que alguns preferem o suicídio?Despertai! — 1982 | 8 de fevereiro
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casos são os pais que exercem a pressão, esperando que seus filhos não apenas aprendam, mas que se sobressaiam. Muitos impelem seus filhos a perseguir uma carreira específica sem dar qualquer consideração às suas habilidades e preferências. O Dr. Richard Seiden, da Universidade da Califórnia, disse: “Alguns pais necessitam que seus filhos se realizem para compensar seus próprios sentimentos de incapacidade.”
Muitos pesquisadores crêem que a insegurança na vida familiar é outra causa importante. À medida que mais e mais famílias são dilaceradas pelo divórcio, muitos jovens culpam a si mesmos pelo rompimento de seus pais. A permissividade contribui para a insegurança. Permite-se que os jovens façam suas próprias decisões quanto ao sexo, às drogas, ao álcool — decisões para as quais não estão preparados. Encaram esta permissividade qual falta de preocupação parental. Em resultado, alguns chegam à conclusão que seus pais estariam em melhor situação sem eles.
“Outro fator é a desvalorização da vida”, diz o Dr. Herbert Hendin, professor clínico adjunto de psiquiatria na Universidade Colúmbia, de Nova Iorque. (O grifo é nosso.) O que contribui para esta “desvalorização da vida”? “Quando uma criança atinge os 15 anos, ele ou ela já assistiu a 14.000 assassinatos ou mortes violentas na televisão”, diz o Dr. Seiden. Em adição a isso existem as canções populares (em inglês) que abordam o suicídio como tema: “Imagine que Eu Vou me Matar”; “Estou Destinado ao Mortuário”; “Suicídio”.
Com muita freqüência ouve-se os membros da família e os amigos da vítima dizer: “Se eu apenas soubesse . . .” É possível perceber-se quando um ente querido se sente incapaz de enfrentar a vida? Que ajuda pode ser prestada?
Ajuda — De Quem? De Onde?
É importante compreender que a maneira como tratamos os que nos cercam — nossa família e nossos amigos — pode ter um efeito significativo sobre se estes vão achar que vale a pena viver ou não. Conforme escreveu certa moça de 16 anos que pensara em suicidar-se: “Talvez se os pais e os filhos fossem mais bondosos uns com os outros, se os professores fossem mais compreensivos, se não sentíssemos existir tanta competição entre um e outro, se as nossas mentes não estivessem tão abertas ao sexo e tão fechadas a um relacionamento genuíno, todos nós estaríamos em situação melhor.” Mas, quando a pessoa acha que não vale a pena viver, onde pode obter ajuda?
A ajuda para os jovens deveria logicamente originar-se de seus pais. As pessoas mais idosas que se sentem incapazes de enfrentar a vida também necessitam poder recorrer a alguém que sabem que vai se interessar, alguém que dará conselho sadio e prático. Em que deve reparar, para saber se um ente querido pensa em desistir da vida?
Os especialistas alistam uma variedade de sinais alertadores: ameaças de suicídio; isolar-se dos outros; mudanças abruptas no comportamento, tais como alguém expansivo tornar-se retraído; desfazer-se de “objetos de estimação”; depressão severa. Até mesmo a insônia, a perda do apetite e o declínio na atenção às tarefas escolares, quando tais mudanças são súbitas, prolongadas e não típicas da pessoa, não deveriam ser despercebidas. Mas, o que pode fazer para ajudar?
“Simplesmente ser amigo, sentar-se e permitir que a [pessoa] desabafe” pode ajudar, diz o Dr. Mark Solomon, estudioso do assunto. Seja compreensivo. Não diga, “ora, o que é que há, seus problemas não podem ser tão sérios assim”. Esteja disposto a escutar. Ofereça alternativas; ajude-a a ver que as coisas podem mudar. Não receie falar francamente. Isto pode ajudá-la a abrir-se e a falar de seus problemas.
Muitos, não encontrando um ouvido atento entre os entes queridos, procuram ajuda nos centros de prevenção contra suicídios e mediação de crises. Muitos destes estão equipados com linhas de telefone de emergência que funcionam 24 horas por dia. Num desses postos nos Estados Unidos, o centro de Los Angeles, são atendidas cerca de 18.000 chamadas por ano. Na Inglaterra, os Samaritanos (uma organização nacional) alcançou o auge de cerca de 1.500.000 chamadas em 1979, ano em que 4.192 cometeram suicídio.
Tais postos não apenas tentam salvar a vida de quem está no outro lado da linha telefônica, mas podem também fornecer referências para ajudar a pessoa a lidar com os problemas do momento. Tais referências podem incluir serviços de saúde mental e médicos, talvez até mesmo ajuda para encontrar uma creche ou um emprego.
Quando pensam em suicidar-se, alguns recorrem ainda a outra fonte de ajuda, conforme mostra o caso a seguir:
Poucos meses atrás, um rapaz telefonou à Sociedade Torre de Vigia em Londres, Inglaterra. Explicou que ele e sua esposa tinham uma amiga à beira do suicídio e pediu que alguém a visitasse na casa dele o mais breve possível.
Ao chegar, um representante da congregação local das Testemunhas de Jeová encontrou uma jovem senhora profundamente deprimida após ter provocado um aborto. Com a ajuda da Bíblia, a Testemunha de Jeová falou a respeito da misericórdia de Deus e ajudou-a a adquirir entendimento dos princípios cristãos qual modo de vida. Ela sentiu-se grata pela ajuda e encorajamento para começar tudo de novo, o que fez.
Mas por que seus amigos decidiram chamar as Testemunhas de Jeová? Simplesmente porque sabiam que sua amiga seria visitada por alguém que iria se interessar e que usaria a Bíblia para falar consoladoramente. — 1 Tes. 5:14.
Você Pode Enfrentar!
Está você abatido e deprimido por causa de um ou mais dos problemas mencionados acima? Alguma vez já se sentiu incapaz de enfrentá-los, achando que não vale a pena prosseguir? Certamente, deve ter motivo para certa medida de tristeza. Mas não se, desespere — você pode enfrentar a situação! Mas, como?
Tente pensar de modo positivo. A maioria dos problemas têm solução. Se não sabe qual poderia ser, no seu caso, por que não tenta confidenciá-lo a algum conhecido, cujo conselho respeita? Talvez um amigo mais idoso, compreensivo, pode muito bem ter enfrentado e vencido uma dificuldade semelhante. A solução pode ser simples. Às vezes o necessário é uma mudança de atitude.
Por exemplo, o motivo de sua depressão é o desemprego? Vem tentando, sem êxito, arranjar outro emprego? Bem, que tipo de emprego procura? Um que oferece o mesmo cargo e salário daquele que perdeu? Talvez seria mais sábio ‘engolir seu orgulho’ e aceitar um emprego que pague um pouco menos, ou, se necessário, bem menos. Afinal, um pouco é melhor do que nada!
É a solidão o seu problema? Então, não se isole. Lute contra o sentimento de ter pena de si mesmo. Uma das melhores maneiras de combater a solidão é fazer o bem para uma outra pessoa. ‘Mas eu preciso de ajuda’, você diz. ‘Como posso prestar ajuda?’ Jesus Cristo disse: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” (Atos 20:35) Por que não tenta fazer isso? Verificará que dar aos outros soerguerá seu ânimo. É verdade que isto não removerá seu problema, mas poderá ajudá-lo a lidar com ele.
Mas talvez pense que seu problema — doença crônica ou morte dum ente querido — seja insolúvel. No entanto, há uma fonte de ajuda disponível que pode ajudá-lo a enfrentar mesmo os problemas aparentemente insolúveis. De fato, esta fonte de ajuda nos assegura de que no futuro próximo todos os problemas serão completamente solucionados. Qual é esta fonte? Trata-se duma pessoa cujo conhecimento e habilidade para ajudar é muito maior do que a de qualquer humano. Sim, o próprio Deus.
É verdade que muitas pessoas zombam dessa idéia. Mas, você tem de admitir que existem também muitas pessoas com problemas. E deixarem de recorrer a Deus não as deixa melhor preparadas para enfrentar seus problemas, não é mesmo?
Na Bíblia, em 2 Timóteo 3:16, 17, lemos: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente.”
Sim, a Bíblia é o guia de Deus para o homem. Estudá-la e aplicá-la em sua vida pode ajudá-lo a lidar com todos os tipos de problemas — desemprego, pobreza, solidão, mesmo com problemas aparentemente sem solução, tais como má saúde crônica ou morte dum ente querido. A Bíblia dá aos servos de Deus a certeza de que, em ocasiões de tensão e ansiedade, terão seu cuidado amoroso. E aqueles que em fé recorrem a Jeová Deus em busca de ajuda que esteja em harmonia com a vontade dele, obtêm a ajuda amorosa que realmente satisfaz as suas necessidades. — 1 Ped. 5:7; 1 João 5:14.
Mais do que isso, porém, a Bíblia explica que os problemas do mundo atual constituem prova de que vivemos nos “últimos dias”. (2 Tim. 3:1) Em breve Deus introduzirá uma nova ordem de coisas, que solucionará completamente todos os problemas dos que o amam. A respeito das atuais condições mundiais, Jesus disse: “Mas, quando estas coisas principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.” — Luc. 21:28; 2 Ped. 3:13.
Tal conhecimento inspira esperança. E esta esperança nos dá razão de viver, não importa quais sejam os nossos problemas. Por que não descobrir mais a respeito disso? As Testemunhas de Jeová o ajudarão prazerosamente.
Sim, com a ajuda da Palavra de Deus, a Bíblia, você pode enfrentar a vida!
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Sinto-me muito feliz de estar viva!Despertai! — 1982 | 8 de fevereiro
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Sinto-me muito feliz de estar viva!
SIM, três vezes tentei cometer suicídio. Mas — oh! Agora sinto-me muito feliz de estar viva!
Fui criada num lar desfeito. Meus pais, nunca foram felizes juntos, desde que me lembro. Quando finalmente se divorciaram, fui enviada para uma escola com internato. Daí, nos feriados, eu e minha irmã éramos enviadas à casa de vários parentes visto que meu pai, marinheiro mercante, não podia cuidar de nós. Ambas crescemos achando que éramos indesejadas.
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