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Cola — noz apreciada da África OcidentalDespertai! — 1970 | 22 de julho
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Símbolo Social
Muito embora as nozes-de-cola possam ser compradas bem barato, seu uso qual símbolo de amizade as torna um presente apreciado. Assim, figuram com proeminência em cerimônias como um marco de estima para os chefes. Os votos também são feitos sobre uma noz-de-cola.
Entre os povos da África Ocidental, os noivados, os casamentos e os nascimentos raramente deixam de contar com presentes de cola. É costumeiro entre os crioulos de Freetown, Serra Leoa, que um homem envie uma dádiva simbólica à sua futura noiva. A aliança de noivado e uma Bíblia são colocadas numa cabaça branca, fruto parecido a enorme tomate verde, mas que é escavado e endurece para formar um receptáculo útil. Numa segunda cabaça são colocadas algumas coisas que a mulher necessitará depois do casamento — agulha e linha, tesoura, um pedaço de pano e quer sete quer vinte e uma nozes-de-cola.
O país africano de Máli importa grandes quantidades de nozes-de-cola, e ali, também, os noivados envolvem a cola. Uma proposta de casamento da família do rapaz é acompanhada duma dádiva de nozes-de-cola. O número será algum múltiplo de cem, mais um extra para o patriarca responsável de dar o consentimento final. Se a noz-de-cola extra não for enviada, as outras colas serão devolvidas e o casamento será cancelado. A aceitação das nozes-de-cola sela legalmente o acordo matrimonial.
Também em relações que não têm a aprovação paternal se emprega a noz-de-cola. Entre os mossi de Alto Volta, reuniões clandestinas são arranjadas durante as visitas da moça ao mercado. Por fim, o rapaz talvez envie um amigo, que informa a moça de suas intenções. Se houver resposta favorável, ela receberá um presente de quatro colas junto com algum dinheiro. Assim, o arranjo é selado sobre as nozes-de-cola.
Emprega a Linguagem
Tão destacado é o uso da noz-de-cola na África ocidental que é empregada em muitas expressões coloquiais para indicar algo de valor ou um presente. Por exemplo, há o provérbio: “Com boa saudação de cola, obtém-se uma boa acomodação.” Este provérbio da língua mende de Serra Leoa não precisa de explicação. Também há o provérbio krio: “As boas palavras resultam em cola.” Isto quer dizer que suas palavras bondosas resultarão num presente.
Outra forma de se usar a cola na linguagem coloquial é em relação a uma peita ou dinheiro de tributos. Tem sido costumeiro em alguns países que os que desejam trabalhar disponham de algum dinheiro para dar ao agente empregador como sua “cola”. Os capatazes extorquem a “cola” dos homens que trabalham sob eles. Também, homens em posição de conceder grandes contratos receberão “cola”, isto é, suborno.
Envolvida em Práticas Supersticiosas
Em Serra Leoa, é costume bem estabelecido cozinhar para os mortos no sétimo e no quadragésimo dia. Quando a comida fica pronta, colocam-se pratos para os mortos, e a viúva toma uma noz-de-cola vermelha e uma branca, cada uma tendo dois segmentos. As nozes são partidas ao meio. Agora, segurando os quatro pedaços na mão, a viúva fala com seu ente querido que partiu, pensando que pode comunicar-se com ele. Daí, a cola é lançada ao solo. Se duas, três ou todas as quatro extremidades internas parecem estar voltadas para cima, crê-se que o falecido respondeu e aceitou a dádiva de alimento. Os pedaços da noz-de-cola que ficam voltados para cima são compartilhados pelos convivas; os outros são enterrados do lado de fora da casa.
Ao passo que tal costume está em grande uso, muitas pessoas simplesmente fazem isso como formalidade ou para apaziguar outros parentes. As pessoas familiarizadas com a Palavra de Deus, a Bíblia, compreendem que os mortos não estão conscientes, e, portanto, não é possível comunicar-se com eles, como diz Eclesiastes 9:5, 10: “Os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada, . . . não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol, o lugar para onde vais.”
Outra prática supersticiosa que envolve o uso de cola é a de o genitor levar o filho delinqüente ao túmulo de um parente de destaque e relatar as más ações do filho. Deixa-se então um presente de nozes-de-cola na esperança de que o parente influencie o filho a moldar seus maus hábitos. Também, fazem-se pedidos aos mortos para se ficar rico e nozes-de-cola são amiúde deixadas no túmulo como esmolas. Tais atos, contudo, estão bem em desarmonia com os ensinos da Bíblia, que diz: “Não se deve achar em ti alguém que . . . vá consultar um médium espírita, ou um prognosticador profissional de eventos, ou alguém que consulte os mortos. Pois, todo aquele que faz tais coisas é algo detestável para Jeová.” — Deu. 18:10-12.
Importante Exportação — Presente e Passada
Cultivar a cola pode ser um sólido investimento. As árvores crescem em abundância nas regiões costeiras da África Ocidental. Também têm sido cultivadas nas Índias Ocidentais e nas áreas tropicais da América do Sul e da Ásia. Uma árvore madura de quinze metros de altura produzirá duas safras ao ano durante cinqüenta anos, dando talvez quase 55 quilos de nozes por ano.
Em milhares de comunidades da África Ocidental, a produção de nozes-de-cola cresceu a índices enormes. Grandes quantidades delas são enviadas para os Estados Unidos e os países europeus, onde a cola é secada e usada para se fabricar refrigerantes. As nozes-de-cola também são exportadas para os países no interior da África, tais como Máli, Alto Volta e Níger. A Nigéria apenas envia as nozes-de-cola para o norte por rodovia e ferrovia no valor de cerca de Cr$ 100 milhões por ano. E a Costa do Marfim, com seus oito milhões de árvores coleiras, produz uma safra anual de 20.000 toneladas, valendo cerca de Cr$ 30 milhões.
Durante séculos, caravanas levavam nozes-de-cola de Kano, na Nigéria, da Serra Leoa e da região montanhosa da Guiné para as costas do norte do continente. As rotas de caravanas há muito estabelecidas ainda existiam perto do fim do século dezenove. Naquele tempo, Freetown, Serra Leoa, era visitada por caravanas sudanesas que traziam ouro e gomas, e uma caravana de 5.000 pessoas levava em troca nozes-de-cola. Assim, se não fossem as nozes-de-cola, as rotas de caravanas que cruzavam milhares de quilômetros do deserto do Norte da África talvez jamais tivessem sido estabelecidas.
Quando foi abolido o tráfico de escravos, a noz-de-cola não perdeu nada de sua popularidade. Ainda é parte proeminente da vida na África Ocidental. Por exemplo, quando a Serra Leoa lançou vinte e cinco novos selos em dezembro de 1967, nada menos de onze deles traziam a gravura das folhas verdes e flores amarelas da coleira. Na verdade, a cola é apreciada noz da África Ocidental!
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Candelária — feriado religioso contraditórioDespertai! — 1970 | 22 de julho
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Candelária — feriado religioso contraditório
◆ Segundo The Catholic Encyclopedia, Candelária, que cai em 2 de fevereiro, é um dia reservado para a honra da purificação da Virgem Maria. É para se recordar a obediência de Maria à lei de Deus por ir ao templo em Jerusalém e oferecer um sacrifício de purificação depois de ter dado à luz Jesus. (Luc. 2:21-24; Lev. 12:1-4) Que coisa estranha! A igreja católica ensina que Maria não tinha pecado quando concebeu Jesus, todavia, reserva um dia para honrar o ato dela que prova que ela não era sem pecado, mas era imperfeita, como são todos os descendentes de Adão. — Rom. 3:23; 5:12.
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