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Corre perigo a sua privacidade?Despertai! — 1988 | 22 de maio
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uma empresa rival por uma questão de alguns milhares de dólares, foi chamada uma equipe removedora de “bugs”. A varredura revelou que havia um microfone colocado às ocultas no teto da sala de reuniões. Cada palavra ali proferida era captada por um gravador localizado no banheiro dos homens, no fim do corredor.
No mundo empresarial, a espionagem eletrônica tornou-se tão prevalecente que se tem calculado que 100.000 “bugs” tenham sido introduzidos furtivamente nos últimos cinco anos por empresas rivais a fim de escutar tudo, desde as propostas de contrato, os segredos comerciais e os novos produtos, até negociações trabalhistas secretas. Relata-se que “centenas de empresas, das 500 incluídas na [revista] Fortune”, diariamente fazem a varredura de seus escritórios e salas de reuniões, por meio de equipamento para detectar aparelhos de espionagem. “Acho que existe uma verdadeira paranóia nas empresas, atualmente”, comentou o vice-presidente de uma grande firma de remoção de “bugs”, de Nova Iorque, “uma sensação de que não existe nenhum lugar seguro”.
Será provável que você, como cidadão comum, tendo muito pouco que ver com o mundo corporativo ou com o Governo, sofra uma invasão de privacidade por alguma forma de sistema de inspeção? Eis aqui alguns fatos a considerar. Há informes que indicam que sete de cada dez casos em que foram descobertos “grampeamentos” ilegais, envolviam pessoas comuns. Predominavam, entre estas, situações internas das famílias, geralmente as disputas conjugais. Muitas vezes, contratavam-se investigadores particulares para colher evidência de adultério, as provas de que alguém é um genitor desleixado, ou alguma evidência de traição. Segundo certo informe: “Oitenta por cento dos aparelhos que as companhias telefônicas descobrem a cada ano acham-se nas residências.”
Daí, também, um escritor disse que você talvez seja vítima de escuta clandestina por parte da própria companhia telefônica, e ele caracterizou as companhias telefônicas como “as maiores violadoras da privacidade telefônica”. Disse um ex-analista da CIA: “Durante o único período de cinco anos para o qual há estatísticas disponíveis, alguns guardas telefônicos escutaram, sem um único mandado judicial, 1,8 milhão de conversas telefônicas, aparentemente com a finalidade de pegar gente que comete fraude no uso de fichas telefônicas.” Estes escutas secretos, observa ele, tinham íntima relação com autoridades da polícia local, estadual e federal, com as quais eles, por vezes, trocavam informações.
Há também as próprias agências da lei. Quer com mandado judicial, quer sem ele, seu telefone pode ser “grampeado”. Foi descoberto que a polícia, em uma cidade dos EUA, tinha “grampeado” ilegalmente mais de 3.000 pessoas em poucos anos. Tem havido acusações similares de “grampeamento” ilegal, por parte da polícia, em muitas outras cidades dos EUA. Disse um escritor: “Não foram apenas os chefões, ou os radicais, ou os bandidos que foram ‘grampeados’, mas pessoas comuns.” Lamentava-se que até a Igreja Luterana estava entre os “grampeados”. Outras igrejas também vieram a ficar sob investigação eletrônica.
Por fim, um professor de sociologia teceu a seguinte observação de amplo alcance: “Havendo um governo diferente e um público mais intolerante, esses mesmos aparelhos [de escuta] poderiam ser facilmente utilizados contra aqueles da ideologia política, dos grupos étnicos, das minorias religiosas ‘do tipo errado’, ou contra aqueles cujo estilo de vida ofendesse a maioria.”
Se estiver entre aqueles que prezam sua privacidade, que gostam de ficar em paz, usufrua isso agora. Há muitos que acreditam que se trata duma liberdade em perigo.
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Crianças e jovens que viajam sozinhos de aviãoDespertai! — 1988 | 22 de maio
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Crianças e jovens que viajam sozinhos de avião
“É um triste comentário sobre a nossa época”, observou o porta-voz duma companhia de aviação. Ele se referia ao número recorde de crianças e de jovens que viajam sozinhos por todos os Estados Unidos, tendo como companheiros de viagem apenas suas bonecas, seus brinquedos, ou seus hamsters de estimação.
A maioria dos jovens viaja de avião para estar com um dos genitores que vive separado, quer por motivo de divórcio, quer devido a seu emprego. “Eu viajo sozinho de avião desde que tinha 5 anos”, disse um jovem calmo, de 12 anos. Nem todas as crianças e jovens, porém, gostam de viajar sozinhos. Alguns acham aterrorizante essa experiência.
Na maior parte, as tripulações das linhas aéreas afirmam que as crianças e jovens são um prazer. São muito cordatos e não levam muita bagagem de mão. “Eles seguem as orientações dadas”, disse um supervisor do serviço de passageiros. “Se conseguíssemos que nossos adultos se portassem como eles, estaríamos O.K.”
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