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A TV estatal da França examina a Igreja CatólicaDespertai! — 1972 | 22 de janeiro
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A TV estatal da França examina a Igreja Católica
Do correspondente de “Despertai!” em França
“CHOCADO!” “Afligido!” “Confuso!” “Atingiu-me profundamente!” “Quase chorei de vergonha!”
Raramente a rede de televisão francesa, um monopólio estatal, suscitou tal clamor geral e gerou tamanha paixão entre os católicos romanos em França.
As exclamações acima, colhidas da imprensa francesa, foram provocadas por uma série de programas de televisão intitulados “A Igreja, Amanhã?” Foram transmitidos pela Primeira Rede nacional como parte de seu programa regular chamado “Século Vinte”.
Esta série, em quatro partes, foi exibida mensalmente de dezembro de 1970 a março de 1971. Foi acompanhada por ampla audiência de telespectadores por toda a França, e também por muitas pessoas de língua francesa na Bélgica e na Suíça.
O programa inicial foi exibido terça-feira de manhã, 8 de dezembro de 1970. Tratava da condição atual e das perspectivas da Igreja Católica em vários países europeus. No entanto, nem bem se havia iniciado o primeiro programa quando produziu inesperada surpresa.
A surpresa surgiu no próprio início, quando se anunciou que certas partes do programa seriam exibidas com um pequeno retângulo branco no canto da tela. Este sinal é usado pela TV francesa para filmes sensuais e extremamente violentos, liberados apenas para adultos.
Apenas para adultos? O que poderia significar isto? Muitos católicos ficaram perplexos de saber que um espetáculo de televisão sobre sua igreja conteria coisas inapropriadas para olhos e ouvidos jovens!
No entanto, ao serem exibidos os programas, tornou-se óbvia a razão. Informações apresentadas sobre a condição moral de alguns clérigos resultaram deveras chocantes. Surpreendentes, também, foram as apresentações sobre as divisões reinantes na Igreja e a atividade política dos clérigos.
Primeiro de tudo, o que disseram os programas sobre as atitudes de alguns clérigos sobre questões de moral sexual?
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Abalados os franceses pelas atitudes dos clérigos sobre a moralDespertai! — 1972 | 22 de janeiro
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Abalados os franceses pelas atitudes dos clérigos sobre a moral
O PRIMEIRO programa de televisão da série mostrou por que a televisão estatal francesa recomendara que partes da mesma fôssem vistas ‘apenas por adultos’. Foi chocante até mesmo para muitos adultos católicos. Em especial isto se deu na parte relativa à moral, e aconteceu quando a câmara foi levada à Holanda.
Uma cena preliminar mostrava uma igreja católica holandesa decorada de plantas, flores, um aquário e um aviário. Uma pergunta polida sobre a razão desta decoração um tanto incomum para uma igreja católica, resultou na resposta do clérigo local que a Missa “é um festival, não como o de Solesmes [sede dos monges beneditinos franceses, peritos em canto gregoriano], mas como Woodstock [cenário de enorme festival ‘pop’ hippie nos Estados Unidos]!”.
Mas isto era apenas o começo. Outras surpresas aguardavam os telespectadores de língua francesa em França, Bélgica e Suíça. Poucas cenas depois, voltando-se para o assunto da confissão auricular de pecados, o comentarista da televisão resumiu a situação na Holanda como segue: “As pessoas dificilmente se confessam mais, principalmente porque uma onda de emancipação sexual varre a Holanda, de modo que as pessoas não sabem realmente mais o que constitui um pecado sexual.”
Certo pároco admitiu que a Igreja Católica compartilha a responsabilidade por este colapso moral. Observou que permitiu que os psiquiatras e psicólogos católicos reduzissem as barreiras contra a imoralidade.
O Maior Abalo
O maior abalo viria em seguida. Os telespectadores viram e ouviram prova de que a Igreja Católica tacitamente permite não só a imoralidade sexual, mas até a perversão sexual!
Os telespectadores ficaram sabendo que, em Amsterdã há uma “paróquia” composta inteiramente de homossexuais católicos. Ao sacerdote que “ministra” a eles se perguntou: “Podem os homossexuais ser cristãos como todo o mundo?” Respondeu: “Sim, estou certo que sim, e também o estão todos os membros de nosso grupo que têm trabalhado entre os homossexuais por dez anos aqui na Holanda.”
Este sacerdote revelou que pelo menos dois “casamentos” homossexuais foram solenizados numa igreja católica holandesa. Interrogado sobre a correção de tais cerimônias, anuiu: “Quando dois homossexuais solicitam isso, sou da opinião que o sacerdote pode abençoá-los.”
Os católicos de língua francesa que viam o programa dificilmente podiam crer em seus olhos e ouvidos. Mas, o pior ainda estava para vir. Em seguida se lhes ofereceu o espetáculo de um sacerdote católico que desavergonhadamente admitiu na televisão que ele próprio era um homossexual praticante! A entrevista aconteceu como se segue:
Comentarista: “Visto que a homossexualidade não mais é considerada pecado, Padre, ———, sacerdote de uma paróquia de estudantes, resolveu ser franco. Padre ———, o senhor é um sacerdote. Pertence também à C.O.C., uma organização homossexual.”
Sacerdote: “Sim.”
Comentarista: “É homossexual?”
Sacerdote: “Sim.”
Comentarista: “Por quanto tempo já se sabe de público que o senhor é homossexual?”
Sacerdote: “Não faz muito tempo. Seis meses.”
Comentarista: “Será que esta situação trouxe qualquer reação da parte do seu bispo? Certamente deve ser a primeira vez que um sacerdote admitiu publicamente ser um homossexual e um membro ativo duma organização homossexual.”
Sacerdote: “Não, o bispo não se manifestou ainda.”
Comentarista: “Considera-se como sendo, aos olhos das outras pessoas, um sacerdote tão bom quanto os outros?”
Sacerdote: “Sim, naturalmente! Por que não?”
Comentam o Bispo e o Cardeal
Depois desta surpreendente palestra, o repórter da TV perguntou a um bispo holandês o que faria se certo sacerdote de sua diocese admitisse abertamente ser homossexual.
Muitos católicos que viam o programa sem dúvida esperavam que este prelado respondesse sem hesitação: ‘Eu o suspenderia de imediato!’ Ao invés, viram e ouviram este bispo fazer os maiores rodeios e dizer: “É muito difícil eu responder. Se tal situação surgisse, teria que ver o sacerdote e decidir se sua posição abalava os fiéis.” Quando lhe perguntaram se pessoalmente havia ficado abalado com tal situação, ele gaguejou: “É . . . é . . . algo muito novo para mim.”
O bispo diretamente relacionado a este caso nada tinha feito quanto ao sacerdote que era homossexual declarado. Este segundo bispo, que foi entrevistado, ou não ficou abalado pela situação, ou não teve a coragem suficiente de dizê-lo. Que péssimo exemplo para os católicos sinceros !
Uma esperança ainda restava de que a hierarquia da Igreja Católica se colocasse abertamente em favor dos princípios bíblicos justos e contra a imoralidade cometida e tolerada por membros do clero. Essa esperança surgiu com o Cardeal Daniélou, francês, que assistia sentado o programa todo, no estúdio. O comentarista de TV apresentou a seguinte pergunta ao cardeal: “Padre, qual é a sua reação depois de ver este relatório sobre a Holanda?”
Que oportunidade ímpar de defender os princípios cristãos! Por conseguinte, que sério desapontamento para os católicos sinceros quando ouviram este prelado de alta categoria filosofar e então transigir os princípios cristãos! O cardeal disse: “Creio que o homossexualismo é um problema que a Igreja deve estudar cuidadosamente devido a seu caráter obviamente dramático; por outro lado, torna-se bem claro que o homossexual tem perfeito direito de pertencer à Igreja e de ter fé.”
Embora mais tarde admitisse que o homossexualismo não é ‘normal’, este cardeal francês em nenhuma ocasião o condenou, esquecendo-se pelo que parece de que as Bíblias católicas o chamam de “torpezas”, “desregramento”, “sentimento depravado” e “iniqüidade”. — Rom. 1:26-32, PIB; So.
Depois deste programa, uma jovem senhora católica sincera em Lyons escreveu o seguinte, numa carta-aberta ao Cardeal Daniélou: “Em vista desta demonstração de teorias abjetas sobre a sexualidade, e em especial sobre o homossexualismo, tais como ouvimos ontem na televisão, não teria sido apropriado, Padre, que o senhor pulasse da cadeira e bradasse alto e bom som a sua desaprovação e seu desprazer? . . . Quase chorei de vergonha!” Isto foi publicado em le Progrès de Lyon, órgão da imprensa.
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Telespectadores ficam sabendo do envolvimento político da IgrejaDespertai! — 1972 | 22 de janeiro
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Telespectadores ficam sabendo do envolvimento político da Igreja
OS PROGRAMAS da televisão estatal francesa sobre a Igreja Católica revelaram algo mais. Revelaram o grau de atividade política desenvolvida pelos clérigos, sendo que muitos telespectadores não estavam a par da mesma.
Por um lado, os telespectadores ouviram o voto com que os bispos espanhóis juram lealdade ao estado, diante do General Franco. Também foi apresentada uma série de entrevistas que mostravam sacerdotes, monges e freiras mais ou menos abertamente rebeldes contra o regime político da Espanha. Isto produziu graves embaraços para o clero de maior hierarquia que jurou lealdade ao estado.
Certa seqüência, filmada perto de Barcelona, mostrava uma reunião de padres rebeldes numa sala de convento posta à sua disposição pelas freiras. Quando o entrevistador da TV francesa perguntou a um dos sacerdotes se a ação política era compatível com suas funções sacerdotais, ele replicou: “Sim, porque a igreja oficial trata de política a todo o tempo.” Um jesuíta de tipo ‘hippie’, de cabelos longos, declarou que “na Espanha, um sacerdote lê o Evangelho e Marx”. Quando lhe perguntaram se os dois não eram contraditórios, respondeu: “Não.”
Outra entrevista ocorreu numa igreja cujo altar é coberto com uma cortina quando a igreja é usada qual salão para reuniões políticas clandestinas. Nessa ocasião um sacerdote declarou sem rodeios que “é necessário abrir os olhos do povo para o casamento adúltero da igreja com o estado”. Um sacerdote-operário anuiu: “A Igreja se acha unida ao imperialismo internacional. Este imperialismo tem de ser destruído, quer seja religioso quer econômico.”
Mas, estão estes sacerdotes atribuindo mais importância à atividade política do que a ensinar a Palavra de Deus às pessoais? Os telespectadores viram o entrevistador propor tal pergunta a um monge beneditino espanhol. Muitos ficaram surprêsos de ouvir a resposta do monge: “Sim, esta é a verdade.”
Daí, pediu-se ao Cardeal Daniélou, francês, que comentasse este relatório filmado sobre a Igreja Católica na Espanha. Declarou o Cardeal Daniélou: “Fiquei atônito com a genuinidade destes sacerdotes. . . . Fiquei também atônito pelo modo que continuamente afirmaram que sua luta revolucionária de modo algum atingira sua crença em Deus.” Mas, muitos telespectadores ficaram atônitos com outra coisa. Acharam estranho ouvir um cardeal aceitar a idéia de sacerdotes serem revolucionários políticos!
Tumulto Entre o Clero Francês
Outro dos programas de televisão recapitulou a atividade política do clero francês. Mostrou um grupo de sacerdotes rebeldes, e diz-se haver cerca de mil deles em França.
Um porta-voz destes sacerdotes declarou que se haviam comprometido “a ação política que nos mobiliza para lutar, como cidadãos, contra todas as forças opressivas deste país e em toda a parte que engendram e perpetuam flagrantes desigualdades e injustiças. O Terceiro Mundo começa no Ocidente, de modo que precisamos começar aqui, junto com todos os que já se empenham nesta obra libertadora.”
Os telespectadores devem ter-se quedado pensativos se ouviam um discurso sacerdotal ou uma declaração sobre o Manifesto Comunista de Karl Marx! Suas dúvidas pareciam justificadas pela próxima seqüência.
A seqüência seguinte mostrava católicos esquerdistas militantes empenhados na “luta de classe” junto com seu sacerdote local. O sacerdote achava que a humanidade se divide, não em crentes ateus, mas entre os que lutam para libertar o gênero humano (incluindo tanto os crentes como os ateus), e os que recusam tomar parte neste combate. Confidenciou que “pessoalmente me sinto mais próximo de alguns de meus amigos marxistas e ateus do que daqueles crentes que permanecem de fora desta luta”.
Diferenças Políticas nos Estados Unidos
Certa parte do relatório de televisão teve que ver com o catolicismo nos EUA. Mostrava que também lá as diferenças políticas entre o clero se tornavam mais pronunciadas.
Comentando esta parte do relato de TV, o jornal francês Le Monde falou do “superamericanismo da Igreja [Católica], que se ligou às Instituições a fim de ser aceita por uma comunidade eminentemente protestante”.
No entanto, entrevistou-se um sacerdote neste programa que admitiu que muitos católicos estadunidenses “não mais acham ser necessário mostrar-se superpatriotas”. E isto resultou especialmente verídico em outra seqüência que mostrava as conflitantes atitudes católicas sobre a guerra do Vietnam.
Alguns católicos estadunidenses consideravam a guerra como cruzada para salvar os católicos vietnamitas. Outros católicos estadunidenses, porém, inclusive alguns sacerdotes, estavam dispostos a ser presos por fazerem demonstrações violentas contra tal guerra.
Reveladora também para muitos foi a série de entrevistas com católicos proeminentes que falaram da parte importante que a Igreja Católica desempenhou no Vietnam moderno. Foi exposto que um dos motivos originais de os franceses colonizarem a Indochina no século dezenove foi para proteger os missionários católicos que estavam sendo perseguidos ali.
Os telespectadores ficaram sabendo que, na guerra da Indochina entre os franceses e o Vietnam (1947-1954), e na atual guerra do Vietnam, a defesa dos interesses católicos foi um dos fatores principais. O repórter de TV entrevistou um sacerdote católico num povoado vietnamita que admitiu com orgulho que ele pessoalmente ministrava aos aldeões — aos homens, mulheres e crianças — treinamento militar.
Com respeito aos refugiados católicos que deixaram o Vietnam do Norte depois de 1954, Le Monde mencionou-os como sendo organizados por “sacerdotes do tipo das tropas de choque, sacerdotes oficiais que falam tanto sobre metralhadoras quanto falam do Evangelho”.
A Igreja na América Latina
No último programa havia um noticiário sobre a Igreja Católica na América Latina. Mostrava que o catolicismo foi imposto aos povos latino-americanos pelos conquistadores e pelos sacerdotes que os acompanharam da Europa. Este programa revelou também que a Igreja Católica Romana apoiou governos totalitários que oprimiram o povo.
Parte desta opressão podia ser notada em que, embora presente por quase Cinco séculos e detendo por longo tempo o monopólio da educação pública, a Igreja manteve seu povo em ignorância. Até mesmo hoje em dia, em muitos países latino-americanos, o analfabetismo é amplo.
Comentando este programa, o diário parisiense pró-católico, Le Figaro, escreveu: “Deve-se dizer, para o crédito dos produtores deste programa, que jamais nos permitiram olvidar o ponto principal, a saber, a profunda pobreza dos homens marginalizados’ — bolivianos, colombianos, peruanos, brasileiros — que atualmente são como pessoas deslocadas, porque jamais foram consideradas dignas de ser tratadas como seres humanos. Que a Igreja [Católica] e o governo atuaram em cumplicidade há muito foi considerado algo corriqueiro. Agora há algo novo: atualmente, alguns sacerdotes e leigos tentam romper o casamento da igreja com o estado.”
Confirmando isto, a câmara de TV mostrou um sacerdote trabalhando entre os índios bolivianos. Falou da “poderosa Igreja [Católica] que flerta com os governos e se enriquece”. Um sacerdote na Colômbia, que trabalha entre os pobres, declarou: “A missão da igreja é trabalhar com os pobres. Mas, na Colômbia, tudo é diferente porque, aqui, a igreja e o estado acham-se casados, estão vivendo juntos.” Ambos sacerdotes encontram-se em dificuldades com seus bispos. Contudo, a eles se juntam outros sacerdotes que se tornam revolucionários.
Em seu comentário sobre este programa de TV, Le Monde escreveu: “O quarto programa forneceu um quadro complexo do catolicismo na América Latina, em especial na Colômbia, Bolívia, Guatemala e Brasil. Dolorosa litania de fome, pobreza, mortalidade, analfabetismo, e patente disparidade nas atitudes dos membros do clero.”
Seria de imaginar que as crescentes diferenças nas atitudes morais e políticas entre os clérigos católicos se refletissem também em outras áreas. Refletiram-se, sim, e os programas de TV mostraram algumas delas.
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Ampliam-se as divisões na IgrejaDespertai! — 1972 | 22 de janeiro
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Ampliam-se as divisões na Igreja
ATITUDES conflitantes entre os clérigos da Igreja Católica quanto à moral e à política se espalham a outras áreas. Os telespectadores franceses também viram a fundo esta situação.
Certo item observado foi uma Missa Comunhão ecumênica realizada numa igreja protestante em Amsterdã. Um sacerdote católico proferia o sermão. Tais ‘serviços ecumênicos’ são realizados todo domingo na Holanda. Todavia, são contrários às instruções da hierarquia local e de Roma.
Os telespectadores também foram apresentados à “Paróquia Estudantil” de Amsterdã. Esta é ministrada por quatro sacerdotes católicos, um dos quais é casado. Embora casado, celebra Missa todo domingo. O entrevistador de TV mostrou-se surpreso de não ter sido tomada nenhuma medida disciplinar contra este sacerdote por parte da hierarquia local ou por Roma.
Nisto, um dos quatro sacerdotes replicou: “Roma está com mêdo.” Interrogado sobre este ponto, um bispo respondeu evasivamente: “Não parece aconselhável tomar medidas disciplinares.” Todavia, nos Estados Unidos, um sacerdote foi recentemente excomungado quando se descobriu que há anos já era casado e tinha um filho!
Perguntou-se a uma freira se achava que os sacerdotes deviam ser livres para casar-se ou para praticar o celibato. A freira deu esta resposta franca: “Gostaria que pudessem fazer isso. As vêzes a indignação do papa me deixa indignada Na Itália, na Espanha e na América do Sul, há milhares e milhares de filhos ilegítimos gerados pelos sacerdotes. O papa não diz nada sobre isto, e se permite que tais sacerdotes celebrem a Missa e ouçam confissões.”
Certo sacerdote falou das divisões raciais entre os católicos nos Estados Unidos. Falou que a situação foi bem ilustrada pelo drama musical ‘West Side Story” (“Amor, Sublime Amor”). Observou que dois bandos, um composto de estadunidenses de imigração européia e o outro de estadunidenses de Pôrto Rico, eram ambos compostos de católicos que usavam cruzes penduradas nos pescoços. Todavia, isto não os impediu de odiar uns aos outros e de lutar uns com os outros. E um sacerdote católico de cor, em Baltimore, observou a distinção racial existente na Igreja Católica nos EUA.
O aspecto dividido do catolicismo em França veio à luz durante uma entrevista com um católico conservador francês. Pertencia a uma organização católica da Velha Guarda que recorria à violência contra outros católicos a quem considerava ‘Progressistas’ demais. Este movimento conservador até mesmo chegou a interromper ofícios católicos porque a Missa estava sendo rezada em francês, ao invés de em latim!
Um dos programas terminou com o testemunho de três bispos franceses. Certo bispo admitiu que a Igreja Católica se acha dividida. Por volta desse tempo, porém, os telespectadores podiam ver isto por si mesmos. Também, este mesmo bispo confessou que ele às vêzes tem “problemas” com sua fé e que inveja “pessoas simples que vivem sua fé” em Jesus Cristo.
Para os católicos, todas estas revelações não pintaram um quadro muito confiante no futuro do catolicismo romano. E muitos telespectadores não demoraram em expressar seu amargo desapontamento.
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Reações dos católicos francesesDespertai! — 1972 | 22 de janeiro
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Reações dos católicos franceses
AS REAÇÕES dos católicos franceses mostraram a angústia que muitos deles sentiram depois de verem estes programas de televisão. Tanto a imprensa francesa como cidadãos de per si expressaram consternação diante de algumas das revelações.
Depois do clamor geral causado pelo primeiro programa, o que mostrou o sacerdote homossexual, um dos produtores do programa, Pierre Dumayet, declarou: “Nosso propósito não foi contar às pessoas que havia sacerdotes homossexuais, mas mostrar até que ponto a Igreja está disposta a tolerar sacerdotes que publicamente afirmam ser homossexuais.” Pela reação de muitos católicos, era óbvio que achavam que a Igreja excedera os limites permissíveis.
Le Monde comentou que este programa mostrara “até que ponto a Igreja [Católica] não só está ‘no mundo’, mas se acha influenciada pelo mundo”. Muitos telespectadores consideravam que essa influência mundana exercia efeito degradado sobre a Igreja. Assim, o mais amplamente lido jornal francês, France-Soir, comentou: “Parece que o mundo que ‘perdeu’ sua espiritualidade não mais pode contar com a igreja tradicional para pôr fim à sua confusão.”
Um católico francês na área de Paris disse a uma das testemunhas de Jeová “Considero que os líderes em ambos os lados são extremistas demais. Os reformistas estão demolindo a Igreja Católica, não parecendo compreender que serão absorvidos pelos marxistas. Quanto aos conservadores, vivem 150 anos no passado, e isto é igualmente tão perigoso. Este programa me causou uma impressão dolorosa.”
Antes de os programas serem exibidos, uma senhora católica numa cidade da Riviera francesa disse a uma das testemunhas de Jeová que esta não devia perder a reportagem na TV sobre a Igreja Católica. Esperava que convencesse a Testemunha de que esta estava errada. Na semana seguinte, depois do primeiro programa, a senhora disse à Testemunha: “Fiquei profundamente abalada e desapontada. Fiquei horrorizada com a tendência da Igreja de tolerar o homossexualismo. Acima de tudo, fiquei profundamente desapontada com o Cardeal francês Daniélou, que tentou esquivar-se de todas as perguntas.” A senhora solicitou uma Bíblia e agora estuda com as testemunhas de Jeová.
Na semana antes de o primeiro programa ser televisionado, um casal que estudava com duas das testemunhas de Jeová havia palestrado com elas sobre o segundo capítulo do compêndio bíblico A Verdade Que Conduz à Vida Eterna. Esse capítulo intitula-se “Por Que É Sábio que Examine Sua Religião”. Depois de as Testemunhas irem embora o marido, um oficial do exército, referindo-se ao parágrafo 3 deste capítulo, que menciona que alguns clérigos aprovam o homossexualismo, disse à esposa sobre as testemunhas de Jeová: “Elas realmente vão longe demais!”
Mas, no dia depois do primeiro programa de TV, a esposa encontrou uma das Testemunhas na rua e disse: “Madame, eu e meu marido ficamos desgostosos com o que vimos na televisão. Meu marido me disse: ‘Sabe, aquela gente está certa. Falam a verdade e não exageram. Temos de continuar estudando com elas.’”
Não resta dúvida quanto a isto. Os católicos franceses sinceros ficaram genuinamente abalados com o que viram em sua rêde de televisão estatal. Mas, o que precisam avaliar é que estas coisas realmente não são novas, embora as exposições das mesmas talvez sejam. Deveria fazer com que eles, e as pessoas sinceras em toda a parte, examinassem os alicerces de sua religião. E isso se dá não importa a que religião a pessoa pertença, pois, ao passo que tais exposições pela televisão foram a respeito da Igreja Católica, algumas das mesmas coisas mostradas ocorrem no restante das igrejas da cristandade.
Já examinou ultimamente a sua religião? Por que não faz isso à luz da Palavra da verdade de Deus, a Bíblia Sagrada? Verifique do próprio Criador o que Ele aceita e rejeita no sentido de adoração. Veja quais são seus propósitos para a terra e o homem nela. Aprenda o que o futuro bem próximo reserva, não só para as igrejas, mas também para sua pessoa. As testemunhas de Jeová sentir-se-ão felizes de ajudá-lo neste exame por considerarem gratuitamente a Bíblia com o leitor, na intimidade de seu próprio lar.
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“O feto está ‘vivo’”Despertai! — 1972 | 22 de janeiro
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“O feto está ‘vivo’”
☒ O Dr. Michael J. Halberstam, médico em Washington, D.C., EUA, escreveu um artigo sobre os abortos na revista médica Ob. Gyn. News de 15 de maio de 1970. Entre as coisas que considerou, o seguinte, merece destaque especial: “A medicina basicamente trata da vida. O médico se devota a proteger e preservar a vida. Falo agora da vida biológica . . . a vida que tem que ver com o bem-estar, digamos, da mãe, de uma família ou da sociedade como um todo.
“Ensina-se ao médico que não faça nenhuma diferença quanto ao estágio ou a qualidade da vida que deve proteger.” Daí, o Dr. Halberstam mencionou que “o feto [criança por nascer] recebe seu inteiro potencial genético de RNA e DNA na concepção. . . .
“O feto também é ímpar. Sua combinação exata de proteínas jamais existiu antes, jamais existirá de novo.
“Não resta dúvida de que o feto está ‘vivo’, embora de forma especial. Visto que não creio na alma imortal, não igualo a vida do feto à vida da mãe, mas, como médico, sei que está vivo e, como ser humano, sinto reverência por ele.” E a lei de Jeová Deus a Israel mostrava que Ele considerava o feto e a criança que se desenvolvia como vivo, e assim, era respeitado como uma vida. — Êxo. 21:22, 23.
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